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Posts tagged Exame Nacional de Ensino Médio

Enem 2014 teve grávida que deu à luz, presos no CE e mais de 1.500 eliminados

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Publicado no UOL

O Enem 2014 (Exame Nacional do Ensino Médio), realizado neste fim de semana em todo o país, foi marcado por atrasos, faltas e eliminações. Além disso, o exame teve candidatos presos, uma grávida que entrou em trabalho de parto durante a prova e uma mulher que morreu no local em que faria o exame.

No sábado (8), os candidatos fizeram as provas de ciências humanas e suas tecnologias e de ciências da natureza e suas tecnologias, com duração de 4h30. No domingo (9), a maratona de 5h30 teve provas de linguagens e códigos, matemática e redação. O UOL e o Curso e Colégio Objetivo realizaram nos dois dias de prova a correção comentada do Enem 2014.

De acordo com o MEC (Ministério da Educação), cerca de 2,5 milhões de candidatos inscritos no Enem 2014 faltaram às provas deste ano –28,6% dos 8.721.946 inscritos.

No domingo, a candidata Maria Valdenia Alves Vieira entrou em trabalho de parto durante a prova e sua filha, Júlia, nasceu em Caucaia (CE). No sábado, a candidata Edvânia Florinda de Assis, 31, morreu minutos depois de entrar no Colégio Santa Emília, no bairro de Jardim Atlântico, onde realizaria a prova em Olinda (PE). Segundo laudo do IML (Instituto Médico Legal), ela foi vítima de um edema agudo pulmonar.

Segurança

Segundo o MEC, 1.519 candidatos inscritos no Enem foram eliminados da prova por diversos motivos neste ano. Deste total, 236 por uso indevido de celular ao realizar a avaliação. Muitos postaram fotos em redes sociais.

Em Teresina, o pai de um candidato conseguiu entrar no prédio por volta das 16h (horário local) e filmou pessoas usando telefone celular nas dependências do prédio.

No Ceará, dois candidatos foram presos pela Polícia Federal durante a realização do Enem em Juazeiro do Norte. Um dos presos estava utilizando aparelho celular para o recebimento de gabaritos, enquanto o outro envolvido na fraude ficava do lado de fora do local de prova, passando informações ao candidato na sala.

Uma candidata de Minas Gerais afirma ter sido eliminada por usar um lápis para marcar as respostas no gabarito. No Paraná, candidatos saíram antes do horário permitido pelas regras do exame.

Situações inusitadas

O primeiro dia de provas foi marcado pelos atrasos. Teve candidata que chorou, grávida que pulou o muro de escola e marido querendo derrubar portão de local de prova. Em Brasília, duas candidatas que chegaram atrasadas pularam o muro e foram eliminadas do exame.

Em São Paulo, um homem de 34 anos desmaiou na escadaria de um colégio por não ter conseguido passar pelos portões da instituição a tempo de fazer a prova do Enem.

No Rio, uma jovem chegou ao local de prova com o filho de dois meses e não pôde prestar o exame. Ela não levou um acompanhante para tomar conta do bebê.

Mas o Enem não foi feito apenas de situações ruins. Em Maceió, uma candidata resolveu passar uma mensagem de otimismo e distribuiu abraços antes da prova. Do lado de fora, tinha mãe fazendo crochê e pais que viraram amigos enquanto esperavam os filhos realizarem o exame.

O primeiro candidato a deixar um local de prova em Belo Horizonte disse que saiu cedo porque estava de ressaca.

As provas do Enem que seriam aplicadas na Escola das Dunas, em Extremoz (região metropolitana de Natal), foram canceladas neste domingo por causa da falta de energia elétrica. A nova data das novas provas ainda não foi definida pelo Inep.
Prova cansativa e redação surpreendente

Os candidatos ouvidos pelo UOL neste fim de semana consideraram a prova do Enem 2014 extensa e cansativa. Muitos se surpreenderam com o tema da redação (“publicidade infantil em questão no Brasil”). O único que parece ter saído contente da prova foi John Experdião, 17, que ‘previu’ tema de redação do Enem.

Para os professores, o tema proposto foi considerado atual coerente com as últimas propostas do exame. De um modo geral, dizem, a prova exigiu o domínio dos conteúdos e uma grande capacidade de interpretação dos candidatos.

“A educação dá uma nova identidade”, diz preso que entrou na UFRJ pelo Enem

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Samuel Lourenço Filho estuda Gestão Pública na universidade federal e sonha com pós em Direitos Humanos

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Nina Ramos, no Último Segundo

“Eu não sei quanto você tem de tempo aí, porque a história é longa. Tá com disposição?”. Samuel Lourenço Filho tem 28 anos e história para dar e vender. No encontro que teve com o iG, para falar sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), exame que lhe garantiu uma vaga na UFRJ, esmiuçou sua vida, cheia de altos e baixos. Tudo seria muito normal se não fosse um detalhe: Samuel é presidiário.

Hoje, ele se encontra no regime semi-aberto e sai todos os dias do Instituto Penal Cândido Mendes, no centro do Rio de Janeiro, para trabalhar de 7h às 13h no time da limpeza de uma empresa. De lá, pega um ônibus para a Ilha do Fundão, onde assiste aulas do curso até 20h. Volta para o Cândido Mendes, fica no estacionamento próximo ao local estudando até 22h20, quando guarda os livros, notebook e todos os pertences e entra para dormir.

“Eu me declaro como presidiário e não tenho problema com isso. Sou presidiário hoje e serei ex-presidiário amanhã. Eu não vou permitir que isso se apague, porque preciso ser exemplo para quem precisa lutar. Eu acreditei em todo mundo que lutou comigo e vi tudo ao redor dizer que não ia dar certo. As resistências foram muitas, mas vencemos”, disse ele.

Ponto de partida: 2007

Para entender a história, é preciso entender Samuel. Nascido em um ambiente rural em Campo Grande (RJ) e com três irmãos, ele conta que sempre teve muita disposição para estudar. Até a oitava série estudou em escolas públicas, quando decidiu colocar-se à prova e conseguiu uma vaga no ensino médio no colégio Liceu Literário Português, no centro do Rio.

Estudou até o segundo ano do Ensino Médio, quando teve a vida virada do avesso. A mãe faleceu de câncer e um novo Samuel nasceu. Foi para o Paraguai morar com uma tia que trabalhava com fazenda de soja. Após a morte de sua vó, decidiu voltar para o Rio. Só que a bebida já tinha um espaço largo no bolso e na vontade de Samuel.

“Eu estava vegetando. Trabalhava no Ceasa, recebia na sexta e no domingo já não tinha mais nada no bolso. E foi assim até que um amigo meu teve um problema extraconjugal. A amante dele engravidou e queria abrir a boca para a família dele”. O amigo começou a falar, então, que teria de matar a menina para dar um jeito na situação. “E eu falava ‘é isso mesmo, tem que matar’. Eu, num bar. Olha só como a vida de uma pessoa muda dentro de um bar”, lembrou.

A ameaça ganhou frequência. “Um dia, a gente saiu decidido. Foi à luz do dia, eu achando que era a coisa mais natural a ser feita. Saí com o maior gás do mundo e executei a menina. Foi com uma faca. O meu amigo ficou no carro e eu saí para fazer. Foi tudo muito rápido. Os policiais estavam passando na hora, me viram e tentaram atirar em mim, mas eu fugi. Até que, no meio de uma mata, eu me rendi”, contou.

De transferência em transferência, Samuel precisou esperar dois anos e meio para ouvir sua sentença. “No júri popular, ficou cinco a dois. Duas pessoas foram a favor de eu ser absolvido, mas perdi o júri. E na condenação, o juiz me deu 16 anos. Quando eu ouvi a sentença, falei ‘ufa’. Achava que eu ia pegar uns 30, 40 anos”, falou.

A virada

De passo em passo, Samuel foi reencontrando amigos da época do Ceasa e, tornou-se cada vez mais próximo do grupo de presos religiosos, ficou conhecido como pastor. Uma vez com a sentença fixada, ele seguiu para o Presídio Evaristo de Moraes, em São Cristóvão, onde ia reencontrar na educação o lugar para testar suas capacidades. Samuel começou a frequentar a escola do presídio e concluiu, durante 2010, o Ensino Médio.

Em 2011, estava tudo certo para fazer vestibular. A primeira etapa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) aconteceria em abril e a segunda, em agosto. “Tenho um amigo que administrava a biblioteca, e ele me emprestava livros para estudar”, disse. Samuel fez inscrição do Enem e também passou no exame discursivo da UERJ. Seu objetivo era a Pedagogia.

O resultado só sairia em janeiro. “No dia 16, fui chamado no gabinete do diretor. Quando entrei, ele estava atrás da mesa, de pé, o subdiretor posicionado na minha direita, e eu no centro da sala. Daí o diretor falou: ‘Você sabe por que eu te chamei aqui? Você está há quanto tempo na minha cadeia?’. Essas falas são as que antecedem o esculacho. Eu já estava esperando a porrada. Até que ele me deu os parabéns e me avisou que fui aprovado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro”, relembrou.

“No dia 19, o diretor me chama de novo e avisa que eu também tinha passado para a estadual”, completou. Com a irmã, ele optou em se matricular na UERJ, seu sonho antigo. O problema é que o regime de Samuel ainda era fechado. O diretor, então, começou a tomar a dianteira da situação e, junto com o aluno e os defensores públicos, lutou por um semi-aberto. O problema é que a luta travou aí.

Junho, julho, agosto, setembro, novembro… Nada. “Em dezembro, fiz o Enem e o exame da UERJ de novo, porque eu tinha sempre que tentar. Só que nesse ponto já não tem mais glória, só tem cansaço. A minha primeira matrícula já tinha vencido, mas eu fui aprovado de novo no novo exame.” Quando o juiz liberou o semi-aberto, Samuel conta que foi transferido para o Instituto Penal Cândido Mendes.

O medo da rua

Uma vez vencida a luta contra o vestibular (essa foi fácil) e o sistema, era hora de encarar sua nova realidade: “Eu estava com medo das pessoas, da aceitação, do relacionamento, de tudo isso. Se eu tivesse a opção de estudar isolado, eu ia querer estudar isolado. Mas fui, numa quarta-feira. Foi a primeira vez que saí na rua, vi gente, barulho, minha liberdade. Eu estava muito assustado com tanto carro. Achava que todo mundo que estava andando queria me matar, que todo mundo sabia que eu era preso… Começam umas neuras bem pesadas”.

Comunicativo, Samuel já tinha contado da sua situação de detento para um aluno e pediu ajuda na articulação. O choque foi quando a turma, de uma vez, ficou sabendo da novidade. “Um dia, a professora falou alguma coisa para abrir no Facebook. Eu disse que não tinha Facebook. ‘Então, Youtube’. Eu disse que não, não mexia com Youtube. ‘DVD?’. Disse que nem DVD. ‘Então e-mail?’. Avisei que não tinha email, computador, nada. E ela perguntou de onde eu era. Eu, então, falei para a sala: ‘professora, eu sou preso. Tenho autorização da justiça para estudar e voltar para cadeia’. Ela não reagiu mal, disse que ia arrumar uma forma para me passar o trabalho. Mas ficou aquele silêncio dentro da sala”, lembrou.

Aos poucos, ainda no primeiro período, acabou a neura. Ele começou a se enturmar, a ter liberdade para falar da sua condição, a dar exemplo com isso. Mas veio a dificuldade do mercado de trabalho em pedagogia. “Para homem é tudo mais difícil na área. Eu comecei a me assustar”, disse.

“Qual é o pai que deixa o filho ser aluno de um professor que é bandido? Não tem conversa, que é ex-presidiário ou sei lá. É bandido. Não vamos medir termos. Nem eu botaria meu filho para estudar com vagabundo. Comecei a achar que tinha entrado de gaiato nesse campo”, falou.

Depois de um ano e meio, aproximadamente, de UERJ, Samuel prestou Enem novamente.

O sonho da federal

“Como minhas notas foram altas no Enem, ‘agora eu vou caçar mercado’, pensei. Foi quando vi Gestão Pública na UFRJ. Acabei entrando na segunda chamada do curso. Aí parei com tudo e comecei a pensar. A administração pública estava muito fechada. A gestão pública, ao menos, vai me levar para o terceiro setor e eu vou chegar bem. Em vez de ser o pedagogo que depende do gestor para coordenar a ONG, eu vou ser o gestor. Daí decidi. Larguei a UERJ e mudei”, afirmou.

O caminho, agora, é outro. É lápis e papel na mão para reescrever uma nova história. “Dentro da prisão eu vi a eficácia da educação. A cadeia te faz bandido, você vira um marginal. E o espaço escolar desconstrói isso. Te dá uma nova identidade. Eu saia da cela todos os dias para estudar, estava dentro da cadeia, mas não me sentia mais preso. Eu me senti livre, me senti bem. Olha o que a educação fez com a minha vida. A prisão se tornou um detalhe. Ela acaba com minha vida, porque ninguém quer saber do que acontecer antes de 2007, mas olha onde eu estou hoje. Eu estou numa universidade federal, no meio de um monte de gente”, falou, orgulhoso.

E os sonhos vão além: “Com um ano de faculdade estou com três congressos. A educação me credibiliza como pessoa. O que eu pretendo, hoje, é a formação na gestão pública. Eu já tenho parte do Luz da Liberdade, que é uma associação que atende egressos, e penso em trabalhar no terceiro setor, principalmente na questão da vulnerabilidade social. Agora, estou vendo a pós-graduação em Direitos Humanos como algo fantástico. Ainda é uma decisão a ser tomada para frente. Enfim, vou me organizar… E estou fazendo Enem de novo. Pretendo pegar uma notinha legal para fazer o Prouni e terminar pedagogia a distância, porque quero terminar”.

Neste ano, o Enem será aplicado para presidiários de todo o País nos dias 9 e 10 de dezembro em unidades prisionais.

Prova do 1º dia do Enem 2014 tem Cebolinha e Pequeno Príncipe

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Prova foi de ciências humanas e ciências da natureza.
Exame continua neste domingo (9).

Karina Trevizan, no G1

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O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2014 começou neste sábado (8) com a prova de ciências humanas e da natureza. Entre as questões, havia uma tirinha do personagem de história em quadrinhos Cebolinha, criado por Maurício de Sousa, e um trecho do clássico da literatura infantil “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupery. O exame continua neste domingo (9).

A questão com a tirinha do Cebolinha abordou conhecimento sobre aceleração em física. Depois de apresentar uma tirinha de 2006, o candidado deveria responder sobre o vetor aceleração tangencial do coelhinho da Mônica até atingir o Cebolinha.

O trecho de “O Pequeno Príncipe” que apareceu no exame, foi o seguinte: “Quando é meio-dia nos Estados Unidos, o sol, todo mundo sabe, está se deitando na França. Bastaria ir à França num minuto para assistir ao pôr-do-sol.” O candidato tinha de responder qual fenônemo físico é citado nesse parágrafo.

A prfoto_6ova não abordou a crise hídrica e o problema de falta de água no Sudeste diretamente, mas, ainda em ciências da natureza, havia uma questão com um gráfico presente no manual de instrução de uma ducha, que relacionava a vazão da água com a pressão. O candidato teve de calcular o gasto mensal de água de uma família com banho.

Na parte de ciências humanas, o exame deste ano trouxe um pergunta sobre um protesto ocorrido em 1879, na época de D. Pedro II, contra um aumento de 20 réis dna passagem dos bondes. Os candidatos tinham de responder sobre o significado da repressão àquela manifestação.

foto1_2Apareceu também neste primeiro dia uma questão que exigia que o candidato respondesse qual a função da Comissão da Verdade, instituída em 2012 com a finalidade de apurar graves violações de direitos humanos. A prova também trouxe a música de 1960 “Sina do Caboclo”, de João do Vale, que fala sobre a insatisfação do trabalhador rural.

Entre as questões de ciências da natureza havia uma pergunta sobre as sacolas plásticas distribuídas em supermercados. O candidato deveria responder sobre o novo tipo de plástico ecológico que substitui as sacolas de polietileno. Outra pergunta era sobre fotografias em cores tiradas em ambientes iluminados com lâmpadas fluorescentes. Era preciso responder qual é a cor do filtro deveria ser utulizado pelo fotógrafo para evitar que objetos mais claros parecessem verdes na fotografia.

Uma questão sobre filosofia apresentava o detalhe da obra “Escola de Atenas”, do artista Rafael Sanzio (1483 – 1520). Na pergunta, a prova questionava o significado do gesto de Platão, que é reproduzido na imagem apontando o indicador para cima.

Outra pergunta citava o queijo minas, classificado como patrimônio cultural brasileiro. Entre as alternativas, o candidato deveria escolher o bem que compõe o patrimônio nacional e pertence à mesma categoria do queijo minas. As opções eram o mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro, o ofício das paneleiras em Goiabeiras (ES), o conjunto arquitetônico e urbanístico de Ouro Preto (MG), o sítio arqueológico e paisagístico de Ilha Do Campeche (SC) e a obra “Tiradentes Esquartejado”, de Pedro Américo.

Além dos quadrinhos do personagem Cebolinha, a prova também trouxe uma tirinha de Miguel Paiva, publicada em 1988. A imagem traz um homem lendo a Constituição, promulgada naquele ano, dizendo que “todo brasileiro tem direito à moradia”. No desenho, outra personagem responde: “agora lê aquele pedaço bonito que fala de comida, saúde…”. A questão pedia para o candidato indetificar a crítica. Havia também uma questão com uma charge de 1910 sobre a implantação da rede telefônica no Brasil.

Candidato estuda para prova do Enem e dá aulas particulares, no CE

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Márcio Camurça tenta há seis anos passar no curso de medicina.
Estudante dá aulas de reforço escolas para alunos do ensino médio.

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Publicado no G1

O estudante Márcio Camurça, 24 anos, acredita estar “afiado” para as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), nos dias 8 e 9 de novembro. O cearense fez todas as edições do atual modelo do exame e, há seis anos, tenta a aprovação no curso de medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC). Para a prova deste ano, Márcio contou com uma ajuda maior na preparação. O estudante resolveu dar aulas particulares de reforço escolar para alunos do 1° e 2° ano do ensino médio.

Márcio ensina as disciplinas de matemática, química e biologia para cinco alunos por dia. De segunda a sexta, ele fica das 7h às 17h no cursinho e, depois, dá aulas particulares que duram 1h30. Em casa, à noite, ele continua a preparação para o Enem “até a hora que dá o sono”. Para o estudante, o novo compromisso não atrapalhou a rotina de estudos. “Dar aulas me ajuda para o Enem. São matérias que a gente estuda para o vestibular. Me ajuda a entender as questões de vários ângulos. Me dá mais agilidade de pensamento. Coisa que no Enem é essencial”, conta o estudante.

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Mesmo na reta final de preparação para o Enem, Márcio não cancelou as aulas particulares e deve, inclusive, esbarrar com alguns dos seus alunos nas provas. O estudante conta que resolveu ensinar para poder custear as viagens e inscrições de vestibulares em outros estados. Este ano, o professor particular também se prepara para as provas da Universidade de São Paulo (USP).

Foco e experiência

Com o tempo de experiência e preparação, o estudante diz que ganhou mais tranquilidade. “Com uns anos de experiência, fui ganhando mais calma para me preparar e na hora de fazer a prova”. Márcio também aprendeu a focar nos pontos fracos das provas anteriores.

“Este ano, eu procurei estudar o que tinha dificuldade. Onde sou bom, basta resolver muitas questões. Foquei muito em matemática porque é a matéria que vale mais ponto. Ela e a redação são os diferenciais”, afirma o estudante que faz aniversário no domingo (9), segundo dia de prova. Exatamente, o das disciplinas de matemática e redação.

Para os alunos e outros candidatos, Márcio deixa o conselho para a realização da prova. “Eu diria que para eles irem tranquilos. Não criarem expectativas porque isso gera nervosismo. Aprendi isso com as provas que eu fiz. Ter confiança que estudou e fazer muitos exercícios”, conclui o professor.

Jovem dedica 11h diárias para Enem: ‘Passo o dia com livros nas mãos’

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José Neto, 17, pretende ter boa nota para cursar engenharia aeronáutica.
Além de aulas do ensino médio, ele segue rotina de estudos em casa, em GO.

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Fernanda Borges, no G1

Com o objetivo de cursar engenharia aeronáutica, o estudante José Neto Costa Mota, de 17 anos, estuda cerca de 11 horas por dia para tirar uma boa nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Morador de Goiatuba, no sul de Goiás, ele percorre 50 km para frequentar o curso técnico em agropecuária, integrado ao ensino médio, no campus Morrinhos do Instituto Federal Goiano (IF Goiano). “Passo o dia com os livros nas mãos, pois estudo em período integral e, à noite, ainda dedico meu tempo a fazer testes para o Enem”, contou ao G1.

No IF Goiano, o rapaz estuda das 7h às 11h e das 13h às 17h. Em casa, conta que continua com os estudos entre 19h e 22h. “É uma rotina pesada, deixei de fazer academia e de ter muitas horas de lazer, mas estou focado nos estudos. Aos finais de semana, tento diminuir um pouco o ritmo, descansar a cabeça, mas tiro um tempo para estudar mesmo assim. Todo o sacrifício será compensado depois”, afirma.

José conta que, apesar de cursar o técnico em agropecuária, seu objetivo é a área de aviação. “Participei de um projeto de iniciação científica no IF Goiano e me identifiquei muito. Por isso, estou me esforçando ao máximo para obter um bom desempenho no Enem. Ele me ajudará a abrir as portas que preciso, já que não tenho muitos recursos financeiros para custear o curso”, relatou.

O estudante pretende prestar vestibular na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), que utiliza a nota do Enem como processo seletivo. “Ser aprovado será a realização de um sonho, pois poderei estudar para a área que me identifico e que vai me ajudar a ter a realização profissional”.

Além disso, ele pretende concorrer a uma vaga no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). “Apesar da nota do Enem não valer no ITA, o exame será uma boa oportunidade para testar meus conhecimentos”, destacou José.

Bolsa em cursinho

Filho de pais separados, ele conta que mora com a mãe, que é professora. Em função da renda familiar ser baixa, não pôde fazer um cursinho preparatório pago. Mesmo assim, conseguiu uma bolsa de estudos de uma instituição do Ceará.

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“Tem um conhecido meu que trabalha nesse cursinho e contou a minha história para os responsáveis. Eles me deram uma bolsa integral para um curso online e me enviaram o material didático há cerca de dois meses. Com isso, além das aulas no colégio, onde aproveito para tirar as dúvidas com os professores, também tenho esse suporte em casa”, diz.

O estudante afirma que também usa as provas de anos anteriores do Enem para fazer simulados. “Pesquisei as provas passadas e as faço com o mesmo rigor de tempo que será no dia. Tudo isso me ajuda a entender a dinâmica do exame e fico mais tranquilo em saber que vou dar conta”.

Ele afirma que, por enquanto, ainda tem dúvidas em relação aos conteúdos de química. “Nessa reta final estou me concentrando mais nessa disciplina, pois é a que acho a mais difícil, mas os professores estão me ajudando e acho que vai dar certo”, ressaltou.

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