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Você passaria em uma entrevista para estudar na Universidade de Oxford?

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Uma das melhores universidades do mundo divulga exemplos das temidas questões feitas durante seu processo seletivo; confira se você convenceria os examinadores.

Publicado no G1[ via BBC Brasil]

 

Universidade de Oxford, no Reino Unido (Foto: Divulgação/Nasir Hamid/University of Oxford)

Universidade de Oxford, no Reino Unido
(Foto: Divulgação/Nasir Hamid/University of Oxford)

As entrevistas de seleção para a Universidade de Oxford – uma das melhores do mundo segundo rankings internacionais – são temidas pelos estudantes por conterem perguntas imprevisíveis e pouco convencionais.

Em uma tentativa de desmistificar seu processo de seleção e torná-lo mais transparente, a universidade divulgou uma lista com perguntas feitas aos que se candidatam a vagas na instituição em cursos de diferentes áreas do conhecimento.

Confira abaixo dez dessas perguntas e, em seguida, nas palavras dos próprios examinadores, explicações sobre o que elas de fato estão tentando descobrir.

1. Biologia

Owen Lewis, Brasenose College

Se você tivesse que escolher entre salvar florestas tropicais ou barreiras de corais, qual você salvaria?

Espera-se que o candidato seja capaz de usar seus conhecimentos gerais e senso comum para formular uma resposta. A pergunta não requer conhecimentos detalhados. O estudante pode talvez ser indagado sobre a importância da biodiversidade e das espécies raras. E sobre recursos de interesse humano – como combustível, alimento, ecoturismo e remédios – que provêm das florestas e recifes de corais, ou dependem deles.

Finalmente, é preciso considerar o impacto da mudança climática, erosão do solo, poluição, extração da madeira, combustíveis renováveis, pesca predatória etc. “A resposta final não interessa”, diz Lewis. “Ambos, floresta e recifes, precisam ser administrados de maneira sustentável para que se encontre um equilíbrio entre as necessidades do homem e a necessidade de conservação”.

2. Engenharia

Byron Byrne, Department of Engineering Science

Como você projetaria uma barragem de gravidade para represar água?

Primeiro, o candidato deve determinar as forças agindo sobre a barragem antes de considerar a estabilidade da parede quando submetida à ação dessas forças. Os candidatos provavelmente reconhecerão que a água pode empurrar a barragem. Então, espera-se que eles construam expressões matemáticas simples para prever quando isso ocorreria. Alguns talvez discutam possíveis falhas por deslize, questões de desenho estrutural e os efeitos de infiltrações de água na barreira, por exemplo.

O canditato não terá estudado todos esses assuntos na escola, então será orientado para que se avalie quão rapidamente as novas ideias são absorvidas. A pergunta também investiga a habilidade do candidato de aplicar física e matemática a novas situações e pode testar seu interesse e entusiasmo pelo campo da engenharia.

3. Literatura Inglesa

Lucinda Rumsey, Mansfield College

Após o enorme sucesso da série de livros de Harry Potter, a autora, JK Rowling, acaba de publicar um livro para adultos. De que forma, na sua opinião, escrever livros para crianças é diferente de escrever para adultos?

Candidatos que cresceram lendo as histórias de Harry Potter talvez tenham lido o novo livro de Rowling. É possível que tenham refletido sobre a mudança na audiência da escritora e sobre sua própria passagem, enquanto leitores, de crianças a adultos.

Mas mesmo aqueles que não tenham lido a obra de Rowling podem falar a respeito de si próprios como leitores, sobre a maneira como abordam diferentes tipos de livros, sobre formas como escritores desenvolvem o conjunto de suas obras e escrevem para públicos diferentes.

Interessa ao examinador saber – quaisquer que sejam os livros que o candidato esteja lendo – se o estudante está lendo de forma ponderada e consciente, e se é capaz de pensar como um crítico literário sobre todos os livros que lê.

Nem todos os candidatos têm o mesmo acesso a uma grande variedade de livros, portanto, o examinador busca fazer sua avaliação com base no que o candidato sabe, não no que ele não sabe.

“Se eu perguntasse essa mesma pergunta em relação a Shakespeare, alguns candidatos talvez tivessem uma opinião sobre a produção literária dele, mas muitos não teriam”, disse a examinadora, professora Lucinda Rumsey, do Mansfield College, Oxford.

“Se eu começo com Harry Potter, todos têm pelo menos um ponto de partida, de reconhecimento. E acho que Rowling merece uma menção, tenho certeza de que muitas pessoas que estão se inscrevendo neste ano para estudar inglês na universidade tornara-se leitoras ávidas por causa dos livros dela”.

4. Ciência dos Materiais

Steve Roberts, St Edmund Hall

Quão quente precisa estar o ar dentro de um balão para que ele seja capaz de erguer um elefante?

O examinador diz que nas vezes em que perguntou essa questão em entrevistas, nenhum candidato conseguiu chegar a uma temperatura exata no tempo reservado para a resposta – dez minutos. “Mas não esperávamos que eles conseguissem,” explica. “Usamos esse tipo de pergunta para tentar descobrir como os candidatos pensam sobre problemas e como se comportariam em uma aula dirigida”, ele explica.

Roberts diz que esclarece isso aos candidatos antes mesmo de fazer perguntas desse tipo. Ele diz que o que está tentando avaliar é quão rapidamente o estudante consegue chegar ao cerne do problema. Por exemplo, quais são os princípios elementares de física em jogo aqui? Que conceitos e que equações seriam úteis? De que maneira o candidato responde a sugestões e pistas? Como ele aborda conceitos básicos e identifica as questões mais importantes: Afinal, como funciona um balão de ar quente? Que outros mecanismos funcionam da mesma forma? Qual é o tamanho típico de um balão e quanto pesa em média um elefante? E o peso do próprio balão?

Finalmente, Roberts que saber como o candidato “usa rudimentos de matemática para ter uma noção rápida da resposta provável, usando aproximações sensatas quando trabalha com fórmulas e tendo em mente as unidades”.

5. Filosofia, Política e Economia

Dave Leal, Brasenose College

Quando eu estava na escola, na década de 1970, falava-se que um dia seríamos atingidos por uma crise previdenciária. A discussão se arrastou durante os anos 80 e 90, até que tivemos uma crise previdenciária. E nada havia sido feito para nos preparar para ela. Será que existe um problema com o sistema político británico, nos impedindo de lidar de maneira sensata com problemas de médio e longo prazo quando são identificados?

O examinador, Dave Leal, do Brasenose College, diz que essa questão é um convite para que o candidato reflita sobre democracia e suas limitações. “Houve candidatos que trouxeram boas discussões sobre diferentes métodos de votação. Por exemplo, e se porções do parlamento fossem eleitas para termos mais longos? Talvez isso gerasse políticas de mais longo prazo”, diz Leal.

Um estudante poderia, fazendo uma outra abordagem dessa mesma pergunta, refletir sobre a responsabilidade do eleitorado. Se os eleitores não pensam a longo prazo, talvez a culpa não seja dos políticos e o problema seja a educação – pondera o examinador. “Outro candidato poderia, talvez, ponderar sobre a importância de haver uma segunda instância política, que não é eleita (pelo povo) para onde todos os assuntos realmente importantes poderiam ser delegados.”

“Um sugeriu que ninguém deveria ter permissão de se candidatar ao parlamento, a não ser que tivesse filhos que dependessem dele. Isso daria ao político uma motivação pessoal para pensamentos de longo prazo em uma variedade de assuntos”. Leal diz que, assim como em outras perguntas incluídas nas entrevistas de admissão, não existe uma única “resposta correta”. A maioria das respostas dadas serve de base para mais reflexões.

Por exemplo, no caso de termos mais longos no parlamento: Quais seriam as consequências mais amplas dessa mudança? Seriam desejáveis? “Estamos testando a capacidade (do candidato) de começar a localizar a fonte de um problema e de testar soluções por meio de discussões”, explica o examinador. “A solução oferecida pelo estudante interessa menos do que evidências de sua habilidade de refinar ideias e de se autocorrigir, quando necessário”.

6. História

Stephen Tuck, Pembroke College

Imagine se não tivéssemos qualquer registro histórico sobre o passado, exceto tudo aquilo relacionado a esportes. Quanto poderíamos descobrir sobre o passado com base exclusivamente em esportes?

O examinador diz que faria essa pergunta a um candidato que tivesse incluído esportes entre seus interesses no seu formulário de inscrição, mas explica que a pergunta também se aplicaria a outras áreas de interesse – como filme, teatro ou música, ele acrescenta.

“O que eu estaria tentando saber é como o candidato usaria sua imaginação, tendo como ponto de partida um assunto com o qual ele tem familiaridade (provavelmente, muito mais familiaridade do que eu) para abordar questões de pesquisa histórica”, diz Tuck.

As respostas poderiam fazer referência a relações de raça, classe e gênero na sociedade (quem jogava os esportes, e que tipo de esportes, em um certo período), política internacional, império (que países estavam envolvidos, que grupos de países jogavam os mesmos esportes), desenvolvimento econômico (desenvolvimento tecnológico dos esportes, como o esporte era assistido), os valores dentro de uma sociedade (esportes sanguinolentos ou mais suaves), saúde (índices de participação nos esportes) e muitas outras questões – a lista é longa, diz o examinador.

“Eu perguntaria questões suplementares, para incentivar o estudante a elaborar ainda mais suas ideias e, com frequência, não teria respostas em mente, estaria simplesmente interessado em ver quão longe o estudante seria capaz de levar sua análise”.

7. Direito

Ben McFarlane, Faculty of Law

Se a punição para motoristas que param em ruas onde há duas faixas amarelas (na Grã-Bretanha, duas faixas amarelas indicam que não é permitido estacionar) fosse a morte, e se, portanto, ninguém estacionasse nas faixas amarelas duplas, essa lei seria justa e efetiva?

Não são esperadas respostas certas ou erradas para essa questão, explica o examinador. Os candidatos precisam demonstrar que reconheceram os vários temas que a pergunta levanta. “O candidato que distingue entre ‘justo’ e ‘efetivo’ se sai melhor. As questões se tornam diferentes uma vez que essa distinção é feita”, diz McFarlane.

“Uma lei justa pode não ser efetiva, ou vice-versa. A questão da proporcionalidade de uma punição em relação a um crime está diretamente relacionada a quão justa é a lei. A resposta para a questão da efetividade está embutida na questão: ‘e se, portanto, ninguém estacionasse nas faixas amarelas duplas'”.

8. Medicina

Robert Wilkins, Department of Physiology, Anatomy and Genetics

Por que o ritmo dos seus batimentos cardíacos aumenta quando você se exercita?

A resposta simples, que todos os estudantes podem dar, é que (a frequência dos batimentos aumenta) porque você precisa distribuir mais oxigênio e nutrientes para os músculos e remover produtos metabólicos. No entanto, diz o examinador, questões subsequentes avaliariam se o estudante tem a compreensão de que é preciso haver uma maneira de o corpo saber que tem de aumentar os batimentos. E se ele sabe de que maneiras possíveis isso é alcançado.

As respostas poderiam incluir a identificação, pelo organismo, de baixos índices de oxigênio ou altos índices de carbono. Mas na verdade, os índices desses gases talvez não variem tanto, então os estudantes são convidados a propor outros sinais e formas pelas quais essas possibilidades poderiam ser testadas. Isso permitiria ao examinador avaliar o candidato em quesitos como habilidade de resolver problemas e de pensar criticamente, curiosidade intelectual, entusiasmo e capacidade de ouvir.

9. Música

Dan Grimley, Merton College

Se você pudesse inventar um novo instrumento musical, que tipo de som ele faria?

O examinador diz que está interessado em respostas que revelem a maneira como o estudante usa sua imaginação de forma crítica.

Que tipos de sons instrumentos e vozes produzem hoje? Como esses sons poderiam ser desenvolvidos de forma criativa? Há novas maneiras de se produzir sons (meios digitais) que transformaram o modo como ouvimos ou entendemos sons hoje em dia? Será que o conceito de “instrumento” tornou-se obsoleto? É possível imaginarmos formas mais simbióticas, mais híbridas, de gerar e de vivenciar sons musicais?

“A pergunta não se limita, de forma alguma, à música erudita”, diz Grimley. “Respostas que envolvam toda uma gama de estilos e gostos musicais, produzidos e consumidos nos lugares mais diversos, seriam bem-vindas”.

10. Ciência da Computação

Brian Harrington, Keble College

Um grupo de piratas possui cem moedas de ouro. Eles têm de dividir o tesouro, mas precisam seguir certas regras:

– O pirata mais ‘graduado’ propõe a divisão

– Todos os piratas, incluindo o mais graduado, votam. Se metade, ou metade mais um, vota pela divisão, ela passa a valer. Se menos da metade aceita a divisão, o pirata mais graduado é lançado ao mar e é feita uma nova votação.

– Os piratas agem de forma lógica e se preocupam apenas em obter o máximo de ouro possível

Considerando-se esse contexto, que divisão deve ser proposta pelo pirata mais graduado?

O examinador diz que esse clássico problema de lógica é um bom exemplo do tipo de pergunta que poderia ser feita ao candidato. “Gosto de observar como o estudante absorve a orientação que recebe, e se ele é capaz de dividir o problema em frações menores para depois resolver um problema complexo, aplicando soluções de forma algorítmica”, diz Harrington. E avisa: “Se o estudante tem alguma dúvida, quero que me diga – não que fique sentado em silêncio, empacado!”

Solução para o problema dos piratas:
Para resolver esse problema, é preciso analisar o que acontece com apenas dois piratas, e a partir daí, repetir a operação com três, quatro, até chegar ao sete. (Fica estabelecido que o pirata líder, o mais “graduado”, tem a letra A. Os outros serão B, C, D etc.)

Dois Piratas
O pirata A sugere que ele fica com todas as moedas. Ele vota em sua sugestão, ela é aprovada. Pirata A leva as cem moedas, pirata B leva zero moedas.

Três Piratas
O pirata A sabe que se fosse jogado ao mar, o pirata C não levaria nada (já que a situação voltaria a ser o cenário anterior, envolvendo dois piratas – e o pirata C passaria a ocupar o lugar do pirata B). Então, o pirata A suborna o pirata C com 1 moeda, o pirata C vota a favor da proposta. Pirata A leva 99 moedas, pirata B leva zero, pirata C leva 1.

Quatro Piratas
Pirata A sabe que, se ele morrer, pirata C não leva nada (porque novamente, o cenário volta para a situação anterior, envolvendo três piratas, e o pirata C passaria a ser o pirata B). Então, ele precisa de 1 moeda para suborná-lo. Portanto, pirata A leva 99, pirata B leva zero, pirata C leva 1, pirata D leva zero.

Cinco Piratas
Agora, o pirata A precisa de 3 votos, então ele precisa subornar com 1 moeda cada pirata que ganharia zero moedas caso ele morresse.

Pirata A leva 98 moedas, pirata B leva zero, pirata C leva 1, pirata D leva zero, pirata E leva 1.

Seis Piratas
A história é a mesma: pirata A precisa subornar os piratas B e D.

Pirata A leva 98 moedas, pirata B leva zero, pirata C leva 1, pirata D leva zero, pirata E leva 1, pirata F leva zero.

Sete Piratas
Nesse estágio final (embora seja possível prosseguir indefinidamente), o pirata-mor tem de conseguir quatro votos. Portanto, tem de subornar três piratas. Então, melhor subornar os três que teriam mais a perder caso ele morresse. Por exemplo, os piratas C, E e G.

Resultado: Pirata A leva 97 moedas, piratas C, E e G levam 1 moeda cada um e os outros ficam com zero.

Veja sete dicas para ler melhor e se sair bem em exames e concursos

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sete dicas para ler melhor

Getty Images

O material impresso também permite uma seleção maior daquilo que nos interessa ou não

William Douglas, no Midia News [ via UOL]

A importância da leitura reside no fato de ser uma das mais utilizadas fontes de informação, além da mais disponível. Nem sempre podemos contar com um bom professor ou temos tempo para assistir palestras, mas os livros estão sempre disponíveis para quando quisermos.

O material impresso também permite uma seleção maior daquilo que nos interessa ou não. Se vamos assistir a um documentário, somos quase obrigados a participar de todo o processo criativo elaborado pelo diretor/produtor.

Em um jornal, por exemplo, podemos ler rapidamente o texto descobrindo aquilo que compensa uma leitura mais detida e abandonando assuntos que não nos são úteis.

Ler eficientemente, contudo, não significa ler rápido, mas buscar utilidade e prazer no ato de ler e obter o melhor equilíbrio entre três valores: captação maior ou menor de informações; fixação maior ou menor das informações captadas; e velocidade da leitura.

Quando se lê apenas para tomar conhecimento do que está acontecendo pelo mundo, não existe a mesma necessidade de fixação que se dá num texto que irá cair na prova etc.

Daí decorre que faremos diferentes tipos de leitura, conforme nossos interesses. É preciso saber ler de formas diferentes, ora aumentando a velocidade, ora diminuindo.

Existem diversos ritmos de leitura: a informativa, a de lazer e a de estudo (compreensiva). O nível de atenção e as técnicas para a assimilação de cada uma delas variam, conforme se pode imaginar. Quanto maior a necessidade de fixação, maior o número de técnicas a serem utilizadas.

É até possível que num dia em que esteja mais cansado você leia um livro sem todas as fases da leitura de estudo, mas como se fosse uma leitura informativa ou mesmo de lazer.

Eliminando-se vícios e adotando-se alguns cuidados, a qualidade da leitura irá aumentar naturalmente, resultando em maior velocidade, captação e fixação. Quanto mais a pessoa ler e treinar maior será sua velocidade de leitura.

Por isso é tão importante que se invista em ler mais e melhor, sempre que possível, para isso, separei dicas que não podem deixar de ser observadas em se tratando de otimização de leitura:

– Passe a decidir qual espécie de leitura irá fazer em cada caso: informativa, de lazer ou de estudo. Se quiser uma boa retenção daquilo que será lido, utilize as diversas técnicas de fixação e memorização.

– Observe-se para descobrir qual é a sua velocidade de equilíbrio na leitura. Experimente acelerar ou diminuir o ritmo de sua leitura normal e aquilatar o resultado na compreensão, concentração e retenção.

– Adquira o hábito de consultar dicionários para melhorar seu vocabulário.

– Controle os vícios de leitura e aperfeiçoe as qualidades.

– Comece a distinguir o que está efetivamente escrito no texto daquilo que é sua interpretação.

– Preste atenção na entonação, pois ela pode modificar o sentido do texto.

– Adquira o hábito da leitura.

Com essas diretrizes sua leitura certamente será melhor e, em pouco tempo, você notará a diferença em sua comunicação, provas e no quanto você apreciara a leitura e compreenderá melhor seu conteúdo.

Exames descartam morte por envenenamento do poeta chileno Pablo Neruda

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Publicado por Folha de S.Paulo

O poeta e prêmio Nobel chileno Pablo Neruda não foi envenenado pela ditadura de Augusto Pinochet em 1973, e sua morte aconteceu em decorrência de um câncer de próstata, indicaram nesta sexta-feira (8) os médicos responsáveis por estabelecer as causas da morte.

“Não encontramos nenhum agente químico relevante que poderia estar relacionado com a morte de Pablo Neruda”, declarou Patrick Bustos, diretor do Serviço Médico Legal (SML) do Chile, ao entregar o relatório com as conclusões da análise dos restos mortais do poeta.

“Confirmamos, por meio de várias técnicas complementares, a existência de lesões metastáticas disseminadas em vários segmentos do esqueleto em justa correspondência com a doença que atingia o senhor Pablo Neruda”, acrescentou Bustos durante uma coletiva de imprensa.

O poeta chileno Pablo Neruda (à dir.), ao receber o Nobel de Literatura de 1971 / Arquivo - 12.out.1971/France Presse

O poeta chileno Pablo Neruda (à dir.), ao receber o Nobel de Literatura de 1971 / Arquivo – 12.out.1971/France Presse

Mas Mario Carroza, juiz que ordenou a investigação, indicou que esses resultados não concluem o caso e que ainda não está em condições de afirmar se Neruda foi ou não assassinado.

“Neste momento não posso afirmar com certeza. Judicialmente, o juiz não pode afirmar algo de forma tão categórica sem ter todas as evidências, e neste momento não sabemos se temos todas as provas”, declarou Carroza a jornalistas.

“Precisamos avançar nas investigações para emitir um juízo deste tipo”, acrescentou, considerando a possibilidade de ordenar novos testes.

SUSPEITAS

Militante comunista, Neruda morreu em 23 de setembro de 1973, 12 dias após a instalação da ditadura de Augusto Pinochet. Na época, o poeta foi internado na Clínica Santa Maria de Santiago, para tratar de um câncer de próstata avançado.

Dúvidas sobre as causas de sua morte foram levantadas por seu ex-motorista e amigo, Manuel Araya, que disse que, horas antes de sua morte, Neruda teve inoculado em seu peito uma substância misteriosa, que o teria matado.

Além disso, outros casos reforçaram as suspeitas de envenenamento. Na mesma clínica onde Neruda morreu, mas nove anos depois, o ex-presidente Eduardo Frei Montalva (1964-1970) morreu devido a uma “introdução gradual de substâncias tóxicas”, segundo determinou a Justiça em um caso que permanece em aberto.

Frei, que na época surgia como um dos maiores adversários de Pinochet, deu entrada na clínica Santa Maria para o tratamento de uma hérnia por uma pequena cirurgia e morreu subitamente pouco depois devido a septicemia.

Amigo do presidente socialista Salvador Allende, que cometeu suicídio no momento do ataque das forças de Pinochet à sede da presidência, Neruda planejava viajar ao México para comandar a oposição ao novo governo golpista.

O golpe militar pegou o poeta de surpresa em sua casa em Isla Negra, uma pequena cidade na costa do Pacífico, quando já sofria há anos de câncer de próstata, doença que o havia afastado da vida pública.

A análise dos restos mortais de Neruda, exumado de seu túmulo à beira-mar no balneário de Isla Negra (costa central do Chile), foi realizada por 11 especialistas chilenos e estrangeiros e liderada pelo especialista espanhol Francisco Etxeberría, da Universidade de Múrcia, na Espanha, e Ruth Winickett, da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

A família do poeta afirmou nesta sexta-feira que o caso não está fechado e que continuará a lutar para que todas as questões sejam esclarecidas.

Os matemáticos de Dores do Turvo

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Escola pública de pequena cidade mineira torna-se a maior campeã da Olimpíada de Matemática ao estimular os alunos a estudarem até cinco horas após as aulas e distribuir prêmios como tablets

Wilson Aquino, na IstoÉ

Dores do Turvo é uma pequena cidade da Zona da Mata mineira, distante 320 quilômetros da capital Belo Horizonte. O nome homenageia a padroeira da cidade, Nossa Senhora das Dores, e o principal rio da região, o Turvo. Os 4,5 mil habitantes têm cotidiano de uma típica cidade do interior: passeiam na praça principal, que tem coreto e igreja matriz, e andam de charrete entre a área urbana e a rural. Nos anais da Câmara Municipal, consta que os filhos mais ilustres da cidade são um desembargador e um jogador de futebol – do Tupi, time mineiro da quarta divisão. Mas as montanhas que cercam o município guardam uma glória muito maior: Dores do Turvo desbancou todos os municípios brasileiros, incluindo as grandes capitais, na disputa pelo título de campeão da história da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), com 133 medalhas conquistadas. A cidade tem apenas uma opção escolar para alunos do sexto ano do ensino fundamental até o terceiro ano do ensino médio, a faixa que disputa a Olimpíada, a Escola Estadual Terezinha Pereira – e é de lá que saíram os vencedores, desde a primeira edição da prova, em 2005. São seis medalhas de ouro, sete de prata, 21 de bronze e 99 menções honrosas. O desempenho do município na proporção de alunos participantes versus medalhas conquistadas superou em seis vezes o resultado de Belo Horizonte, em dez vezes o do Distrito Federal e em 12 vezes o de São Paulo. No ano passado, dos 29 jovens dorenses que participaram dos exames, 26 foram premiados. O título de maior produtor de leite da região agora foi substituído, com orgulho, pela frase “A trilha do ouro da matemática”, estampada em outdoors pela cidade. “É uma honra danada para o povo dorense ver os filhos da terra sendo reconhecidos por seu talento em nível nacional”, afirmou à ISTOÉ o prefeito Ronaldo de Souza, o Roni (PMDB).

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CAMPEÕES
Evandro da Silva, Dávila Meireles e Filipe Arruda: moradores da área rural
do município, três medalhistas. Abaixo, o professor de matemática
Geraldo Amintas: “Só ganha quem se dedica”, diz ele

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Em um país com índices pífios na disciplina, qual é o segredo do bom desempenho da cidade? “Isso é resultado da aliança entre professores, pais de alunos e comunidade”, resume o professor Claudio Landim, coordenador geral da OBMEP. Os detalhes são dados pelo professor de matemática Geraldo Amintas, 54 anos, e incluem até estratégias questionáveis, como presentes. “Motivamos os alunos mostrando os benefícios da Olimpíada, como bolsas em cursos de iniciação científica e brindes distribuídos por ex-alunos bem-sucedidos, como aparelhos de MP3, camisas oficiais da Seleção Brasileira, máquinas digitais, celulares e tablets. Mas só ganha quem se dedica mesmo”, afirma. “Criamos uma cultura de participação na Olimpíada. Os alunos chegam à escola pela manhã, assistem às aulas normais e passam até cinco horas após o turno escolar debruçados sobre o material fornecido pelo OBMEP”, explica Amintas. Decorar fórmulas é um método descartado. A metodologia investe no raciocínio lógico, mas não permite que o processo seja estressante para o estudante, pois acredita que não há aprendizado de qualidade sob pressão.

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A Olimpíada de Matemática é um programa dos Ministérios da Educação e de Ciência e Tecnologia, em parceria com o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada e a Sociedade Brasileira de Matemática. A última edição contou com quase 20 milhões de alunos inscritos, representando cerca de 86% das escolas públicas do País. Os estudantes Dávila de Carvalho Meireles, 14 anos, Evandro Júnior Firmiano da Silva, 13, e Filipe Jessé de Castro Arruda, 15, têm em comum o fato de serem medalhistas e morarem na parte rural da cidade. Arruda, que ganhou condecoração de ouro, passou em um concurso e estuda, atualmente, em uma escola técnica de Juiz de Fora. Dávila teve, no ano passado, a melhor classificação do Estado de Minas e a segunda melhor de todo o País. Ela mora com o pai pedreiro e a mãe lavradora a 50 quilômetros do centro da cidade e, para chegar à escola diariamente, anda uma hora e meia de ônibus por estradas ruins. Modesta, atribui suas excelentes qualificações ao fato de ter “facilidade em aprender matemática”. Mas reconhece que os louros vindos da Olimpíada fizeram com que tomasse mais gosto pela matéria e a incluísse em seu projeto de vida. “Ainda não sei qual faculdade vou fazer. Mas, com certeza, vai ser algo relacionado à matemática”, diz ela.

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País com a melhor educação do mundo, Finlândia aposta no professor

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Professores possuem mestrado e têm liberdade para criar currículo.
Finlândia lidera rankings internacionais de qualidade de ensino.

Universidade na Finlândia (Foto: AFP)

Universidade na Finlândia (Foto: AFP)

Vanessa Fajardo, no G1

O país com a melhor educação do mundo é a Finlândia. Por quatro anos consecutivos, o país do norte da Europa ficou entre os primeiros lugares no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), que mede a qualidade de ensino. O segredo deste sucesso, segundo Jaana Palojärvi, diretora do Ministério da Educação e Cultura da Finlândia, não tem nada a ver com métodos pedagógicos revolucionários, uso da tecnologia em sala de aula ou exames gigantescos como Enem ou Enade. Pelo contrário: a Finlândia dispensa as provas nacionais e aposta na valorização do professor e na liberdade para ele poder trabalhar.

Jaana Palojärvi esteve em São Paulo nesta quinta-feira (23) para participar de um seminário sobre o sistema de educação da Finlândia, no Colégio Rio Branco. A diretora do ministério orgulha-se da imagem de seu país “tetracampeão” do Pisa. O ranking é elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e aplicado a cada três anos com ênfase em uma área do conhecimento. No último, em 2010, o Brasil ficou na 53ª colocação entre 65 países. Uma nova edição do Pisa será lançada em dezembro.

1Na Finlândia a educação é gratuita, inclusive no ensino superior. Só 2% das escolas são particulares, mas são subsidiadas por fundos públicos e os estudantes não pagam mensalidade. As crianças só entram na escola a partir dos 7 anos. Não há escolas em tempo integral, pelo contrário, a jornada é curta, de 4 a 7 horas, e os alunos não têm muita lição de casa. “Também temos menos dias letivos que os demais países, acreditamos que quantidade não é qualidade”, diz Jaana.

A diretora considera que o sistema finlandês de educação passou por duas grandes mudanças, uma na década de 70 e outra em 90. A partir do início da década de 90, a educação foi descentralizada, e os municípios, escolas e, principalmente, os professores passaram a ter mais autonomia.

“Fé e confiança têm papel fundamental no sistema finlandês. Descentralizamos, confiamos e damos apoio, assim que o sistema funciona. O controle não motiva o professor a dar o melhor de si. É simples, somos pragmáticos, gostamos de coisas simples.”

Jaana Palojärvi é diretora do Ministério da Educação da Finlândia (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)

Jaana Palojärvi é diretora do Ministério da Educação
da Finlândia (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)

O governo também não costuma inspecionar o ensino das 3.000 escolas que atendem 55.000 estudantes na educação básica. O material usado e o currículo são livres, por isso podem variar muito de uma unidade para outra.

“Os professores planejam as aulas, escolhem os métodos. Não há prova nacional, não acreditamos em testes, estamos mais interessados na aprendizagem. Os professores têm muita autonomia, mas precisam ser bem qualificados. Esta é uma profissão desejada na Finlândia.”

Os docentes da Finlândia ganham, em média, 3 mil euros por mês, em torno de R$ 8 mil reais, considerado um salário “médio” para o país. Para conquistar a vaga é preciso ter mestrado e passar por treinamento. O salário aumenta de acordo com o tempo de casa do professor, mas não há bônus concedidos por mérito. A remuneração não é considerada alta. “Em compensação, oferecemos ao professor um ambiente de trabalho interessante.”

Os professores têm muita autonomia, mas precisam ser bem qualificados. Esta é uma profissão desejada na Finlândia”
Jaana Palojärvi, diretora do Ministério da Educação da Finlândia

Jaana diz que a educação na Finlândia faz parte de uma cultura, resultado de um trabalho longo, porém, simples, mas evita dar lições ou conselhos a outras nações. “Temos muitas diferenças em relação ao Brasil, que é enorme, somos um país pequeno de 5,5 milhões de habitantes. Na Finlândia não temos a figura do Estado, a relação fica entre governo, município e escola. O sistema é muito diferente. A Finlândia não quer dar conselhos, nós relutamos muito em relação a isso”, afirma.

Mais do que o bom resultado do país no Pisa, Jaana comemora a equidade entre as escolas – também apontada pelo exame. “Para nós, é o mais importante. Queremos que as escolas rurais localizadas nas florestas, ou do Norte que ficam sob a neve em uma temperatura negativa de 25 graus, tenham o mesmo desempenho das da capital, das áreas de elite. E (este desempenho) é bem semelhante.”

Entre todos os países testados pelo Pisa, a Finlândia tem a menor disparidade entre as escolas. O resultado tem explicação. Lá, os alunos mais fracos estão sob a mira dos docentes. “Os professores não dedicam muita atenção aos bons alunos, e sim aos fracos, não podemos perdê-los, temos de mantê-los no sistema.”

‘Tecnologia é ferramenta, não conteúdo’

Tecnologia também não é o forte das escolas finlandesas, que preferem investir em gente. “Não gostamos muito de tecnologia, ela é só uma ferramenta, não é o conteúdo em si. Tecnologia pode ser usada ou não, não é um fator chave para a aprendizagem.”

A educação básica dura nove anos. Só 2% dos estudantes repetem o ano, o índice de conclusão é de 99,7%. O segredo do sucesso não está ligado ao investimento, segundo Jaana, que reforça que o país investe apenas 6% de seu PIB no segmento. “O sistema de educação gratuito não sai tão caro assim, é uma questão de organização”, afirma.

A diretora do ministério da Finlândia esteve na terça-feira (21) em uma audiência pública na Comissão de Educação e Cultura do Senado, em Brasília, para apresentar o modelo de educação do seus país aos parlamentares brasileiros.

Jaana Palojärvi, diretora do Ministério da Educação da Finlândia, apresenta o sistema finlandês em São Paulo (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)

Jaana Palojärvi, diretora do Ministério da Educação da Finlândia, apresenta o sistema finlandês em São Paulo (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)

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