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Editora vende livros em triciclo em forma de carrinho de sorvete

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Venda de livros alternativos acontece nos ‘points’ da cidade, e roteiro é divulgado pelo Facebook

Mariana Filgueiras, em O Globo

"A Bolha Móvel", projeto itinerante d'A Bolha Editora Divulgação

“A Bolha Móvel”, projeto itinerante d’A Bolha Editora Divulgação

Desde que fundou no Rio uma editora alternativa com foco em “narrativas visuais”, a escritora Rachel Araújo sabia que não seria fácil formar seu público. Aos poucos, no entanto, foi ampliando os domínios d’A Bolha. Para atrair os leitores até a sede-livraria, no alto da antiga fábrica Bhering, no Santo Cristo, bolou eventos culturais de fim de tarde, com cinema e jazz, organizou feiras de arte impressa e montou até uma piscina de plástico no terraço para quem quisesse levar as crianças. A ideia agora é levar os produtos exclusivos da editora — que tem no catálogo títulos como “O Babaca”, primeira obra do quadrinista punk americano Gary Panter publicada no Brasil, ou “Gigantes do jazz”, biografias ilustradas de músicos do gênero, assinadas pelo historiador americano Studs Terkel — para toda parte. Para isso, as sócias Rachel e Stephanie Mauer compraram um carrinho de sorvete, batizaram a minilivraria de A Bolha Móvel e encheram a caçamba de livros.

A partir deste fim de semana, A Bolha Móvel estará em algum lugar da cidade às quarta-feira, aos sábado e aos domingo. Sempre com muito humor, como se vê pelos condutores de máscaras nas fotos acima. O local exato será divulgado na página da editora no Facebook, mas pode ser na Rua Joaquim Silva, na Lapa; nos jardins do MAM, no Aterro; na Praça Paris, na Glória; ou na orla de Copacabana…

— O importante é repensar estruturas tradicionais de distribuição. Se os leitores não chegam até o Santo Cristo, nós chegamos até eles — diz Rachel, que lançou a ideia há alguns dias, numa versão itinerante da livraria, montada na loja da estilista Isabela Capeto, em Ipanema. — Vamos usar as redes sociais para indicar nossa localização, como fazem aqueles food trucks americanos. Quem sabe não conseguimos levar essa ideia para Brasília e São Paulo? — aposta Rachel, que lança este mês “Shrimpy e Paul”, do cartunista canadense (e nonsense) Marc Bell, e acaba de produzir o lançamento de “Cartas de um sedutor”, da escritora Hilda Hilst, para lançamento nos Estados Unidos em coedição com a renomada Nighboat Books.

— É o projeto “Obá obá”, como a gente diz, para combater a inexistência da literatura brasileira na América do Norte.

dica do Ailsom F. Heringer

Você é um amante carnal ou um amante cortês?

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Roberta Fraga, no Livros e Afins

Vi essa expressão e proposital descrição no livro “Ex-libris Confissões de uma leitora comum” de Anne Fadiman. Lá, em um de seus capítulos, ela discorre sobre como diferentes pessoas de diferentes maneiras marcam as suas leituras. Ambas, sempre leitoras apaixonadas, têm maneiras peculiares de marcar as pausas nas leituras. Para tanto, ela difere os tipos de leitores como carnais e corteses.

Pinçando uns trechos que julguei bem interessantes, destaco:

Amantes carnais

“Confesso que marco o lugar onde parei de maneira promíscua, ora dobrando o livro, ora cometendo o pecado ainda mais grave de virar o canto da página. (Aqui consigo ser ao mesmo tempo corrputora e compulsiva: dobro o canto superior para marcar a página em que parei e o inferior para identificar passagens que desejo xerocar para o meu livro de citações)”.

“Uma crítica de livros que conheço levou Antologia de contos e poemas de Edgar Allan Poe numa viagem de mochila pelo Iucatã, e toda vez que um besouro interessante pousava nele, ela o fechava com um glope rápido. Reuniu uma coleção de insetos tão volumosa que ficou com medo de que Poe pudesse não passar pela alfândega. (Passou)”.

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Amantes corteses

“Minha tia Carol – que vai provavelmente alegar que não é da família ao descobrir como trato meu livros – coloca reproduções dos quadros de Audubon horizontalmente para marcar o parágrafo exato onde parou. Se o lado colorido estiver para cima, ela estava lendo a página da esquerda; se estiver para baixo, a da direita”.

“Outro colega, historiador de arte, prefere bilhetes do metrô de Paris ou “aqueles comprovantes de cartão de crédito impressos a jato de tinta – mas só para livros de crítica de arte, cuja pretensão tenho vontade de profanar com alguma coisa bem estúpida e financeira”. Jamais usaria esses para ficção ou poesia, que são realmente sagradas”.

Há diferenças mais do que óbvias entre os carnais e os corteses, unidos, ambos, apenas pela veneração aos livros. Os corteses sempre removem seus marcadores quando o encontro termina; os carnais deixam lembranças, marcas, sensações impressas nas páginas para, talvez, revivê-las, ou, quem sabe, por um impulso qualquer. Os corteses veem os livros como um objeto sagrado, ritualístico e mítico. Os carnais sorvem a história contida neles, cada palavra, extraem dela o que podem.

Sou do tipo mais cortês, mas escolho aqueles em que me permito um amor para lá de carnal. Marco trechos, escrevo pensamentos, substituo trechos, interajo. E estes, trancafio-os nas prateleiras.

Enfim, seja você um tipo ou outro, ou ainda um novo tipo totalmente original, apenas tenha em mente que os livros estão lá esperando que você os acaricie, mais educadamente ou não.

Ah, e nenhum leitor pode ser comum, como sugere a autora no título, razão pela qual achei uma extrema soberba ela falar assim, mas isso é assunto para outro post…

Já amou seu livro hoje?

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