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Livros errantes

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Conheça os Priest, os maiores “perdedores” de livros do mundo. Eles fazem parte de uma rede social de incentivo a leitura através da libertação de livros em lugares públicos.

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Publicado em O Povo

A vida do casal inglês Priest – o autônomo Chris, 57, e a enfermeira Vi, 39 – mudou pela primeira vez no número 37 da rua Whitehall, bem no centro administrativo de Londres. Mais precisamente no pub The Old Shades. Na época, em 2007, o lugar tinha estantes com livros logo na entrada, emoldurando o quadro de vinhos.

“Pegamos um livro e tudo começou daí”, explica Chris, que mora com a esposa em Derbyshire, uma cidade de cerca de um milhão de habitantes ao norte da Inglaterra. O “tudo” a que ele se refere significa 69.899 livros registrados no site bookcrossing.com, uma rede social de leitura que promove um intercâmbio diferente de livros.

O usuário cadastra um exemplar e pode largá-lo num banco de praça, embaixo de uma árvore, dentro do cinema ou, se preferir, num ponto específico de troca do BookCrossing, como é o caso do The Old Shades. O objetivo é fazer que mais pessoas não só tenham acesso a livros, mas que também os leiam.

Depois que conheceram o projeto, Chris e Vi já libertaram até agora 65.885 obras ao acaso e 4.172 em pontos do projeto. Deles foram encontrados 3.532 exemplares que acabaram ganhando o mundo.

Há alguns no Canadá, Estados Unidos, Índia, África do Sul e mesmo no Brasil. Ao achar um livro, o leitor pode registrar isso no site e fazer um comentário. “A gente gosta de pensar que alguns livros que soltamos fazem viagens, atraindo atenção das pessoas e, com sorte, inspirando elas a ler”, diz.

De outros usuários, os dois pegaram 773 livros. A conta “countofmonte”, administrada por eles, é atualmente a campeã mundial em liberações de obras no site. Em relação ao segundo colocado, o canadense, Paul J. Lareau, 46, há uma diferença de 28.896 livros.

“Meus amigos às vezes têm problema em entender que pago por livros apenas para doá-los!”, pontua.

Segunda mudança

A princípio, abandonar e pegar livros era um esporte inofensivo. Até que eles encontraram Skinny Bitch (sem tradução no Brasil), best-seller de Rory Freedman e Kim Barnouin, duas ex-modelos norte-americanas que se dedicam a promover o veganismo, estilo de vida baseado numa dieta alimentar livre de animais.

Foi a segunda mudança na vida do casal. Eles se tornaram veganos desde então, aprofundando o vegetarianismo ao qual já eram adeptos. Inevitavelmente, as leituras – “pelo menos um livro na mão” sempre – seguem caminhos parecidos. “Leio livros sobre modificação genética que acabaram me influenciando a lutar contra isso”, afirma.

Embora ávidos por libertar livros, alguns guardam consigo. Por exemplo, os livros sobre modificação genética e comida orgânica. Ou exemplares dos clássicos favoritos, como O sol é para todos, de Harper Lee. Além disso, o próprio trabalho de Chris tem o mesmo espírito. Faz entregas de legumes orgânicos duas vezes por semana e o resto do tempo utiliza seu veículo, uma van, para pequenos trabalhos, como mudanças.

“A motivação para nós é dar uma nova vida aos livros em vez de tê-los na estante acumulando poeira.”

O quê

ENTENDA A NOTÍCIA

O BookCrossing nasceu nos Estados Unidos em 2001. Os criadores se inspiraram em iniciativas que acompanhavam a trajetória de outros objetos, como câmeras descartáveis e dinheiro. Pouco depois, o projeto chegou no Brasil.

Saiba mais

No Brasil, há 30 pontos de BookCrossing. Quatro estão no Nordeste: três em Salvador, na Bahia, e outro em Mossoró, no interior do Rio Grande do Norte. Nenhum no Ceará.

Para cadastrar um ponto de BookCrossing, primeiro junte livros, cadastre-os no site bookcrossing.com e ponha-os à disposição em prateleiras num local público, sinalizando com cartazes. Avise à equipe da rede social para que eles possam atualizá-lo no cadastro.

São 9.637 brasileiros cadastrados como usuários do site. Desses, 172 estão aqui no Ceará. Para começar a registrar livros, é preciso registrar-se no mesmo site antes.

A coordenadora do BookCrossing Brasil, Helena Castello Branco, afirma que o projeto tem participado de eventos literários, como a Feira Literária Internacional de Paraty (Flip) e Bienais.
Ela diz já ter recebido pelo menos cinco mil livros de doação, que repassa a pontos do programa, como a Biblioteca Mário de Andrade e a Casa das Rosas, ambos em São Paulo.

Namore um bibliotecário de referência

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Publicado por Mundo Bibliotecário

Sabe aquele cara que fica atrás do balcão, 8 horas por dia na frente de um computador, e que vez ou outra você vai até ele perguntar se não tem mais nenhum exemplar de cálculo do Swokowski? O cara para quem você jura que não tem nenhum exemplar de Dinâmica do Hibbeler e que te responde que no sistema tem cinco disponíveis para empréstimo? Aquele que, as vezes, você quase quase derruba na corrida até as estantes para pegar o último exemplar de Circuitos Elétricos do Johnson? (Ah, da próxima vez, derrube-o, porque esse cara precisa sorrir mais, surpreender-se mais e coisa e tal). Pois é, esse cara é o bibliotecário de referência.

Problemas com alguma norma da ABNT? Com paginação do Word? Não consegue achar aquele artigo que seu orientador falou que é indispensável para seu TCC, sua dissertação ou tese? Aquele programa que joga as referências automaticamente no Word… qual é mesmo? Só o bibliotecário de referência saberá, portanto, corra até ele, afinal o prazo do seu trabalho já está acabando! Não que ele vá resolver todos os seus problemas, mas certamente vai jogar uma luz sobre as trevas, pois se não te der uma resposta, no mínimo vai te encurtar o caminho até ela. Sim, vai. Pode confiar. O caminho pode ser mais curto do que a distância da mesa dele e aquela mesa de estudo que você sempre senta.

O bibliotecário de referência é um navegante nesse mar informacional chamado Web, deixa o Google no chinelo! É muito mais refinado porque conhece os atalhos para chegar até a informação de que você precisa, muito mais perspicaz porque se desdobra para entender sua questão, muito menos máquina porque muito mais humano. É o cara capaz de entender aquilo que você realmente precisa, aquilo de mais imaterial que reside no fundo da sua mente, no âmago da sua dúvida. Resumindo, um poço de sabedoria, mas também um eterno e humilde aprendiz, pois as bases de dados sempre mudam, a quantidade de informação conhecimento cresce assustadoramente a cada ano, ou seja, é impossível aprender tudo sozinho, por isso, precisa de você para ensiná-lo. Sua única certeza é a de que o ciclo da informação gera uma dúvida, que gera uma questão, que gera a busca para a solução. Claro que o bibliotecário de referência está nesse ciclo (existem vários modelos, não se fruste se não encontrar este no Google, ok?) mas como ele trabalha com o público, é seu dever sempre esclarecer tudo.

Portanto, procure-o, consulte-o, faça-o perder horas procurando uma coisa só para você. Isso mesmo: só para você! Deixe-o louco com as suas interrogações: morrer com a dúvida pode ser muito mais doloroso do que ter desperdiçado a chance de solucioná-la. Ou melhor, ter desperdiçado a chance de solucioná-la a dois, pois todos sabemos que duas cabeças pensam melhor do que uma.

Peça e será atendida. Sempre.

Vendas de “1984” crescem quase 7.000% após escândalo de monitoramento nos EUA

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Publicado por Folha de S.Paulo

As vendas de “1984”, de George Orwell, aumentaram quase 7.000% em apenas um dia na Amazon, a maior varejista on-line de livros do mundo.

O aumento se segue à revelação, feita na última quinta (6) pelos jornais “The Guardian” e “Washington Post”, do gigantesco esquema de monitoramento de dados de telefone e internet realizado ilegalmente pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos –tratado por analistas como uma versão real do Big Brother, o Grande Irmão que tudo vê do livro de Orwell.

Na seção “movers & shakers” do site, que dá a lista dos títulos que tiveram o maior aumento de vendas nas últimas 24 horas, o livro está em quarto lugar, com alta de 6.888%. A obra, cuja primeira edição foi publicada em 8 de junho de 1949, saltou da 12.859ª posição para a 184ª no ranking de mais vendidos do site.

Uma outra edição, de 2003, que reúne as duas obras mais famosas de Orwell (“1984” e “A Revolução dos Bichos”) também entrou para o ranking, na 11ª posição, com alta de 290% nas vendas.

Britânica posa para foto com exemplar de "1984", de George Orwell - Toby Melville/Reuters

Britânica posa para foto com exemplar de “1984”, de George Orwell – Toby Melville/Reuters

Em “1984”, Orwell (1903-1950) cria um futuro distópico em que a sociedade é permanentemente vigiada e controlada pela figura do Grande Irmão.

Na ficção, a vida de cada pessoa é filmada 24 horas por dia, para monitoramento de qualquer ação que possa significar risco ao governo totalitário.

No real e atual esquema para vigiar a vida alheia, o serviço de inteligência do governo americano tem acesso aos servidores das grandes empresas de tecnologia, como Google e Facebook.

Ele está lendo os e-mails?

Barack Obama está lendo seus e-mails? Na dúvida, o site "Obama Is Checking Your Email" (Obama está vendo seu e-mail) reuniu imagens do mandatário americano "comendo tela" dos outros

Barack Obama está lendo seus e-mails? Na dúvida, o site “Obama Is Checking Your Email” (Obama está vendo seu e-mail) reuniu imagens do mandatário americano “comendo tela” dos outros

Há seis anos, agências de segurança e espionagem dos EUA vasculham mensagens eletrônicas, conversas na rede, arquivos, videoconferências, conexões a computadores de civis –incluindo estrangeiros que não moram no país– além de rastrearem as ligações telefônicas internas.

O esquema foi revelado no último dia 6, em reportagens publicadas nos jornais “Washington Post” e “Guardian”. Após a revelação, o presidente americano, Barack Obama, admitiu e defendeu o monitoramento de dados e telefonemas. A justificativa é o combate ao terrorismo.

‘No Jardim das Feras’ reconstitui o ambiente da ascensão nazista

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Publicado por Folha de S.Paulo

“No Jardim das Feras”, de Erik Larson, narra a crescente tensão em Berlim durante a ascensão nazista. No início, William E. Dodd, que assume a embaixada dos Estados Unidos na Alemanha, e sua família se deslumbram com o país. Aos poucos, passam a testemunhar a crescente perseguição aos judeus e a implantação de leis cada vez mais opressoras.

O livro passou mais de um ano na lista dos best-sellers do jornal “New York Times”. Erik Larson também é autor de “O Demônio na Cidade Branca” e “Fulminado por um Raio”.

Abaixo, leia um trecho do exemplar.

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Erik Larson reconstitui o ambiente cada vez mais opressivo de Berlim (Divulgação)

Erik Larson reconstitui o ambiente cada vez mais opressivo de Berlim (Divulgação)

Das Vorspiel

Era uma vez, na alvorada de uma época muito sombria, dois americanos, pai e filha, que de repente se viram transportados de sua confortável casa em Chicago para o coração da Berlim de Hitler. Ali permaneceram por quatro anos e meio, mas é o primeiro deles que serve de assunto para a história contada a seguir, pois a data coincide com a ascensão de Hitler de chanceler a tirano absoluto, quando tudo era precário e instável, e nada era certo. Aquele primeiro ano foi uma espécie de prólogo, no qual foram apresentados todos os temas da grande epopeia de guerra e assassinatos que estava por vir.

Sempre tive curiosidade de saber o que sentiria um estrangeiro que testemunhasse em primeira mão a formação das trevas do domínio de Hitler. Que aspecto tinha a cidade, o que se ouvia, via e cheirava, e como diplomatas e outros visitantes interpretavam os eventos à sua volta? A visão que se tem hoje é a de que, durante aquele período delicado, o curso da história poderia ter sido facilmente alterado. Por que, então, ninguém o fez? Por que se levou tanto tempo para reconhecer o perigo real representado por Hitler e seu regime?

Como a maioria das pessoas, formei minha ideia inicial daqueles tempos a partir de livros e fotografias que me davam a impressão de que o mundo de então não tinha cor, apenas variações de preto e cinza. Meus dois protagonistas, entretanto, depararam com a realidade em carne e osso, ao mesmo tempo que viviam a rotina das obrigações da vida diária. Todas as manhãs, caminhavam por uma cidade repleta de imensas bandeiras em vermelho, branco e preto; sentavam-se em cafés ao ar livre também frequentados por esguios integrantes das SS em seus uniformes pretos e, de vez em quando, vislumbravam o próprio Hitler, um homem pequeno num grande Mercedes conversível. Mas também passavam todos os dias por casas cujas sacadas exibiam exuberantes gerânios vermelhos; faziam compras nas vastas lojas de departamento da cidade; ofereciam chá aos amigos e respiravam com volúpia as fragrâncias de primavera do Tiergarten, o principal parque de Berlim. Conheceram socialmente Goebbels e Göring, com quem jantavam, dançavam e gracejavam – até que, ao fim do primeiro ano, ocorreu um evento que se mostraria altamente significativo, por revelar o verdadeiro caráter de Hitler e por lançar a pedra fundamental da década seguinte. Para o pai e para a filha, aquilo mudou tudo.

Esta é uma obra de não ficção. Como é de hábito, tudo o que estiver entreaspas provém de carta, diário, texto biográfico ou outro documento histórico. Nestas páginas, não fiz o menor esforço para escrever outra grandiosa história daquela época. Meu objetivo era mais intimista: revelar aquele mundo do passado por meio das experiências e percepções de meus dois personagens principais, pai e filha, que, ao chegarem a Berlim, embarcaram numa viagem de descoberta, de transformação e, finalmente, do mais profundo desgosto.

Não há heróis aqui, pelo menos daquela variedade que figura em A Lista de Schindler, mas há lampejos de heroísmo e pessoas que se comportam com inesperada elegância. Há sempre nuances, embora por vezes tenham natureza perturbadora. Este é o problema da não ficção. É preciso deixar de lado aquilo que todos nós – agora – sabemos ser verdade e tentar seguir meus dois inocentes pelo mundo tal qual o conheceram.

Eram pessoas complicadas, movimentando-se numa época complicada, antes que os monstros revelassem sua verdadeira natureza.

Erik Larson
Seattle

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