Posts tagged Exemplar

Em leilão, livros podem valer até R$ 150 mil

0

Apesar dos valores altos, os leilões de livros raros são bastante disputados

Estante de biblioteca repleta de livros antigos: para um colecionador, as obras mais raras são verdadeiros objetos de desejo (©AFP / Christophe Simon)

Estante de biblioteca repleta de livros antigos: para um colecionador, as obras mais raras são verdadeiros objetos de desejo (©AFP / Christophe Simon)

Taísa Szabatura, na revista Exame

São Paulo – Senhores engravatados e jovens despojados ocupam as cadeiras da sala de reunião de um hotel de luxo na capital paulista. Eles estão prestes a participar de mais um leilão de livros raros e papéis antigos, evento que acontece pelo menos duas vezes por ano. Alguns se cumprimentam com um aceno tímido da cabeça.

A simpatia, porém, dura pouco, pois há muita coisa em jogo. A obra mais cara do catálogo é um livro de gravuras feito a mão, de Maurice Rugendas, que esteve no Brasil em 1822: lance inicial de R$ 150 mil.

O organizador do evento, Rogério Pires, dono da livraria Fólio, explica que existem diversos perfis de comprador. “Há o que busca primeiras edições, o obcecado por algum período histórico, o colecionador de autógrafos, o fã de livros de arte”, diz Pires.

Um dos livros mais disputados foi uma edição com dez serigrafias originais assinadas pela artista Renina Katz, com um poema de Hilda Hilst. O lance inicial era de R$ 6 mil e foi parar em R$ 10.500.

Para um colecionador, esses livros são verdadeiros objetos de desejo. Com tiragens pequenas e bom estado de conservação, são disputados pela exclusividade.

“O comprador leva para casa um objeto único e repleto de história”, diz Pires. O leiloeiro é provocador. “Ninguém vai pagar R$ 400 por esse exemplar com dedicatória do Carlos Drummond de Andrade. Vocês têm certeza?”, e então um dos compradores ergue a placa com o seu número, temendo perder uma grande oportunidade.

Ao todo são 20 participantes, mas nem todo mundo sai da sala com uma obra debaixo do braço. O comprador que mais gastou desembolsou R$ 25 mil em seis obras. Já o exemplar de R$ 150 mil teve uma proposta de R$ 132 mil, não aceita pelo vendedor. Quer dar um lance?

Gillian Flynn, a mulher que desbancou “Cinquenta tons de cinza”

3

Com um livro sombrio e uma protagonista má, a escritora americana chegou ao topo das listas de mais vendidos

SOMBRIA A autora americana Gillian Flynn, de 44 anos. Ela diz que suas personagens são detestáveis (Foto: Divulgação)

SOMBRIA
A autora americana Gillian Flynn, de 44 anos. Ela diz que
suas personagens são detestáveis (Foto: Divulgação)

Mariana Tessitore, na Revista Época

Cansada de ver as prateleiras das livrarias lotadas de livros com protagonistas boazinhas e submissas, a americana Gillian Flynn decidiu escrever sobre mulheres más. Seus dois primeiros livros, com personagens femininas fortes, haviam feito algum sucesso, mas não o suficiente para que ela abandonasse a carreira de jornalista e se dedicasse somente à literatura. Após ser demitida de seu trabalho, ela apostou tudo no romance Garota exemplar – e, finalmente, as garotas más venceram as boazinhas. Lançado em 2012 nos Estados Unidos, o livro vendeu três milhões de exemplares e foi o primeiro a superar a Cinquenta tons de cinza na lista de mais vendidos do New York Times. É candidato a repetir o feito no Brasil, onde a trilogia de E. L. James continua dominando as primeiras posições.

Como se o sucesso popular não bastasse, a obra também conquistou a crítica. Janet Maslin do New York Times, disse que a obra é “povoada por personagens tão bem imaginados que é difícil se separar deles”. O autor de terror Stephen King declarou ser seu fã. Gillian atribui o sucesso às suas personagens assustadoras. “Gosto de escrever sobre garotas que são detestáveis”, disse ela, em entrevista a ÉPOCA. “Estamos acostumados em pensar nas mulheres como naturalmente boas, como pessoas que só fazem o certo. Tento desmistificar essa visão um tanto simplista”. A surpreendente recepção do livro pelos fãs, segundo ela, mostra que os leitores estão preparados para essas novas mulheres na literatura. “Atualmente há espaço para todos os tipos de mulheres, e não apenas para os modelos tradicionais”, afirma. “Os autores não precisam mais se preocupar em escrever um livro que o protagonista seja alguém amável. O importante é criar um personagem que seja interessante”.

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

Todos os livros da escritora giram em torno de assassinatos. “Eu sempre me interessei pelo lado sombrio da natureza humana e no que leva as pessoas a fazerem coisas más. Normalmente os crimes têm motivos, até mesmo banais”, diz Gillian. Garota Exemplar conta a história do casal Nick e Amy. Os dois se conhecem numa festa e se casam depois de oito meses. O relacionamento vai bem até que eles se mudam para North Carthage, a cidade natal de Nick. Amy odeia viver no local e as brigas entre eles ficam cada vez mais constantes. No dia de aniversário de cinco anos de casamento, ela desaparece misteriosamente. As investigações apontam para um suposto homicídio e Nick é visto como o provável culpado. A obra tem uma estrutura não linear e alterna os pontos de vista, ora abordando a perspectiva de Amy, ora revelando a visão de Nick. Ao longo do livro, as versões dos dois começam a conflitar e o leitor já não sabe mais em quem confiar. Amy é uma personagem sombria. Todo ano ela realiza uma caça ao tesouro para comemorar o aniversário de casamento dos dois. O gesto pode parecer uma demonstração de amor, mas não deixa de ser um teste cruel para avaliar Nick. Assim são as protagonistas de Gillian: adoráveis e maldosas.

Assim como suas personagens, a autora está longe do estereótipo de garota amável e delicada. Passou uma grande parte da sua infância entre livros e filmes de suspense. Aos sete anos, seu filme favorito era Psicose, do cineasta britânico Alfred Hitchcock. Uma de suas brincadeiras favoritas era a de dar formigas para aranhas se alimentarem. Ela também costumava assistir filmes pornográficos na televisão a cabo. Sua vida hoje é mais tranquila, aos 44 anos, ela vive em Chicago com o marido e o filho de dois anos, e se dedica somente à literatura. Já tem um contrato para escrever dois novos livros, sem data de lançamento definida. Suas obras também devem chegar ao cinema. A FOX comprou os direitos de Garota exemplar. A atriz Reese Witherspoon será a produtora e protagonista do filme, e o cineasta americano David Fincher (Clube da luta) já foi sondado para a direção. Embalado pelo sucesso de Garota exemplar, seu livro anterior, Dark places (sem tradução para o português) também chegará às telas, estrelado por Charlize Theron e dirigido pelo francês Gilles Paquet-Brenner (A chave de Sarah). Assim como os leitores americanos, Hollywood também descobriu o charme das mulheres más.

Uma espiada nos livros do ‘Big Brother Brasil 13’

1
Fani encara o “Grande mentecapto”, de Fernando Sabino Terceiro / Reprodução/TV Globo

Fani encara o “Grande mentecapto”, de Fernando Sabino Terceiro / Reprodução/TV Globo

Entre a autoajuda e a religião, leitura funciona como indicador dos perfis dos participantes reality

Leonardo Cazes, em O Globo

RIO – Se alguém o convidasse para passar até três meses confinado numa casa e fosse possível levar apenas um livro, qual você escolheria? “Ulisses”, de James Joyce, com suas 912 páginas? Ou algum dos tijolaços da série “Crônicas de Gelo e Fogo” (Leya), de R.R. Martin, em que é baseada a série de TV “Game of Thrones”?

Os participantes do “Big Brother Brasil” precisam responder a esta (angustiante) questão, já que a produção só permite que eles levem um livro para o confinamento. E, normalmente, as escolhidas são publicações de autoajuda, com mensagens motivacionais e estratégias para vencer no jogo, ou então religiosos.

Nesta edição, a veterana Fani foi flagrada cochilando com um exemplar de “As 48 leis do poder” (Rocco), de Robert Greene, nas mãos. A obra conta como mestres no jogo do poder se deram bem, seja no Japão feudal ou na Chicago de Al Capone. Pela aplicação da aluna, ainda não dá para saber se as lições serão úteis para mantê-la na casa por mais tempo. Fani também deu uma olhada em “O grande mentecapto”, de Fernando Sabino, levado pelo nerd da casa, Ivan.

Eliéser, outro veterano, optou por apelar para as forças divinas e está lendo “Amor acima de tudo” (Thomas Nelson Brasil), de Max Lucado. O livro fala sobre o amor de Deus pelos homens na Terra e como é possível amar uns aos outros do mesmo modo como Ele nos ama. Uma leitura um tanto controversa para um programa em que apenas um será o vencedor. Seria uma estratégia de sobrevivência do paranaense aparecer como bom cristão?

No entanto, nenhum livro causou tanta surpresa como o escolhido pela eliminada Aline. A moça levou consigo “O pequeno príncipe”, clássico de Antoine de Saint-Exupéry, publicado originalmente em 1943 e que atravessa gerações. Não se sabe ao certo quais pílulas de sabedoria a moça buscava, mas, pelo visto, não deu certo. Curiosa foi a declaração de seu noivo Jeferson, ao ser indagado sobre o livro: “Ela gosta de ler revista de fofoca de celebridade. Eu nunca a vi lendo um livro”. Ficamos combinados.

Outro eliminado, Dhomini, preferiu um livro de não-ficção, “Harpas Eternas — Volume I” (Pensamento/Cultrix), de Josefa R.L. Alvarez, que conta a história de Jesus Cristo desde o seu nascimento até os 12 anos, baseada em uma pesquisa histórica em vários países do Oriente Médio. Ao menos é o que garante a autora.

No “Big Brother Brasil” também há espaço para leituras “cabeça”. O artista plástico Aslan saiu na frente na disputa pelo papel de intelectual da casa ao encarar “Insurgências poéticas — Arte ativista e ação coletiva” (Annablume Editora), de André Mesquita. A obra é uma dissertação de mestrado apresentada pelo autor na Universidade de São Paulo (USP), em 2008, e que levanta os pontos de contato entre movimentos sociais e práticas artísticas. Livro que deve demorar os três meses para ser digerido.

Vale lembrar que, no último “BBB”, o bicho do mato Fael era um leitor voraz. Na sua passagem pela casa, quatro livros passaram pelas suas mãos: “O poder da Cabala” (Imago), de Yehuda Berg, “Quem mexeu no meu queijo” (Record), de Spencer Johnson, “Conversando com os espíritos” (Sextante), de James van Praagh, e “Sobre homens e lagostas” (Objetiva), de Elizabeth Gilbert, até que a produção decidiu recolher todos os exemplares da casa, no 52º dia. Vencedora do programa na 11ª edição, Maria alavancou as vendas de “Deixe os homens aos seus pés” (Universo dos Livros), de Marie Forleo. Gostos literários à parte, as escolhas dos brothers servem de sinais dos seus perfis.

Com livros baratos e raridades, sebos da Tijuca (RJ) têm clientela fiel e resistem à tecnologia

0

Mauricio Peixoto no Yahoo Notícias

A s lojas de compra e venda de livros usados, conhecidas como sebos, resistem bravamente à chegada dos e-books ao mercado brasileiro e à concorrência de grandes livrarias. O Centro concentra esse comércio tradicional, mas a Tijuca faz parte do roteiro dos fãs de “páginas amarelas”. A Caverna do Saber (que fica dentro da Livraria Eldorado, na Rua Conde de Bonfim 422), o Livreiro Saens Peña (em frente ao antigo Cine Carioca, na Rua das Flores) e a Livraria da Cultura (Rua Uruguai 268-B) são alguns dos locais mais visitados por quem prefere ler em páginas de papel e busca bons preços e exemplares raros nas estantes.

Ilson Perez, funcionário do Caverna do Saber, conta que o sebo, aberto há quatro anos, tem cerca de 20 mil livros, com preços que variam de um real a R$ 2.400. O exemplar mais caro da loja foi publicado em 1902. Escrito em francês por Paul de Musset, é intitulado “Viagem pitoresca à Itália” (em tradução livre). Uma outra relíquia do estabelecimento é “Rio de Janeiro: Formação e desenvolvimento da cidade”, encomendada pelo governo do estado em 1965 como parte das comemorações pelos 400 anos da cidade. Está à venda por R$ 300.

– Nós avaliamos o preço de um livro de acordo com sua raridade e importância. Mas fazemos promoções, oferecemos bons exemplares por um real, R$ 5 ou R$ 10 para ganhar clientela – informa Perez.

Segundo ele, os livros à venda em sebos têm algo nem sempre encontrado em exemplares novos: charme.

– Muitos têm lindas dedicatórias e trechos importantes sublinhados. Nós guardamos diversos objetos que achamos dentro dos exemplares, como fotos, dinheiro antigo e marcadores. Quem vai a um sebo namora os livros, sabe que não está num simples comércio – afirma Perez.

Cliente assíduo da loja, o ator Wal Schneider, morador da Tijuca, conduz um projeto social em Ramos e costuma comprar muitos livros sobre teatro para mostrá-los aos seus alunos.

– Encontro livros raros de cinema e teatro a preços em conta. Estou levando a coleção completa “Teatro vivo”, que a Editora Abril lançou em 1976. Há peças de todo o mundo, são obras fantásticas – comemora Schneider.

(mais…)

Go to Top