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10 livros interessantes para conhecer o mundo melhor

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publicado na Exame

Os próximos dias prometem ser de descanso intenso para muitos brasileiros com a chegada do feriadão. E que tal aproveitar os momentos de tranquilidade para colocar a leitura em dia com lançamentos imperdíveis?

Com isso em mente, EXAME.com selecionou dez livros, alguns já à venda no Brasil e outros facilmente encontrados para compra na internet, que tratam de temas globais e que podem lhe ajudar a desenvolver ainda mais a sua visão de mundo.

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“Um de nós”

Preço sugerido? 54,90 reais
À venda no Brasil? Pode ser encontrado nas principais livrarias

Lançado pela Editora Record no mês passado, esse é o novo livro da consagrada escritora e jornalista norueguesa Asne Seierstad, autora do best-seller “O Livreiro de Cabul” (2006).

Em “Um de nós”, Asne se propõe a investigar Anders Breivik, o extremista norueguês responsável pelo maior massacre na Noruega em tempos de paz. A obra tem como pano de fundo os atentados cometidos por ele em 2011 e que deixaram ao menos 77 mortos, mas se debruça em sua trajetória da infância até os dias de hoje.

Lançado há poucos meses, o livro foi comparado pelos críticos do jornal The New York Times às obras “A Canção do Carrasco” (1979), de Norman Mailer e vencedora do Prêmio Pulitzer em 1980, e “A Sangue Frio” (1966), de Truman Capote, e é um retrato do novo extremismo político europeu.

“Missoula”

Preço sugerido? Cerca de 50 reais
À venda no Brasil? Pode ser encontrado nas principais livrarias

O novo trabalho do consagrado escritor Jon Krakauer, de “No ar rarefeito – Um relato da tragédia no Everest” (1996) e “Na Natureza Selvagem” (1998), trata de um tema delicado: os casos de violência sexual nas universidades americanas.

Só na cidade de Missoula, que fica no estado de Montana, entre 2008 e 2012, 350 casos desse tipo de agressão foram investigados e descobriu-se que grande parte dos acusados eram do time de futebol americano da universidade local.

Lançado no início do ano nos EUA e trazido ao Brasil pela editora Companhia das Letras, o livro foi classificado pela crítica do jornal americano USA Today como “uma reportagem meticulosa, fascinante e perturbadora”. Para a revista Newsweek, “Krakauer prestou um excelente serviço ao tratar sobre esse tema”.

“Sapiens – Uma breve história da humanidade”

Preço sugerido? Cerca de 40 reais
À venda no Brasil? Pode ser encontrado nas principais livrarias

Título imperdível para aqueles que gostam de ler sobre a história da humanidade, esse livro de Yuval Noah Harari relaciona o passado com os fatos do presente e se propõe a interpretá-los sob diferentes perspectivas. O livro foi lançado no Brasil pela editora L&PM.

Harari é professor de História da Universidade Hebraica de Jerusalém e lançou “Sapiens – Uma breve história da humanidade” no início do ano passado. A obra se tornou um best-seller quase que imediatamente.

Para o escritor Jared Diamond, responsável pelo clássico “Armas, Germes e Aço” (1997), o livro de Harari “trata das maiores questões da história e do mundo moderno e é escrito numa linguagem inesquecivelmente vivída”.

“Guerra Secreta – A CIA, um exército invisível e o combate nas sombras”

Preço sugerido? Cerca de 40 reais
À venda no Brasil? Pode ser encontrado nas principais livrarias

Enquanto o mundo observa as guerras que devastam alguns países, outra guerra, tão intensa quanto essas, se desenrola às margens do conhecimento do público e de autoridades globais, com o aval da Casa Branca e por meio de operações da CIA.

Escrito pelo repórter do jornal The New York Times e ganhador do Prêmio Pulitzer Mark Mazzetti, esse livro se propõe a analisar as consequências do atentado de 11 de setembro em solo americano para a rede de inteligência e as transformações sofridas pela CIA, que foi de serviço de espionagem a uma espécie de força armada paralela cujo objetivo hoje é o de caçar indivíduos específicos considerados inimigos dos EUA. E isso, sustenta o autor, não é necessariamente uma coisa boa.

Lançado originalmente em 2014 e agora no Brasil pela Editora Record, “Guerra Secreta – A CIA, um exército invisível e o combate nas sombras” foi classificado pela Foreign Policy, a maior revista de relações internacionais do mundo, como “indispensável”.

“As vozes de Tchernóbil – a história oral do desastre nuclear”

Preço sugerido? Cerca de 40 reais
À venda no Brasil? Pode ser encontrado nas principais livrarias

No ano em que a tragédia de Chernobyl completa 30 anos, finalmente chega ao Brasil pela editora Companhia das Letras um dos mais importantes registros dessa catástrofe pelas mãos da consagrada autora ucraniana Svetlana Aleksiévitch, que o lançou originalmente em 1997 e ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 2015.

A obra conta com relatos de pessoas que viveram na pele as consequências desse incidente e trata também da postura das autoridades soviéticas da época, que não imaginavam que estariam enfrentando os últimos dias da União Soviética.

“The New Odissey – The Story of Europe’s Refugee Crisis”

Preço sugerido? Cerca de 15 dólares
À venda no Brasil? Ainda não foi lançado no país, mas pode ser facilmente encontrado em sites especializados como a Amazon.

Escrito pelas mãos de Patrick Kingsley, correspondente internacional do The Guardian, esse livro trata de uma das questões mais urgentes da humanidade hoje: a crise de refugiados que já é a maior enfrentada no mundo desde a Segunda Guerra Mundial.

Kinglsey viajou por dezenas de países para testemunhar os dramas e os perigos enfrentados por essas pessoas e se propôs a montar um retrato fiel sobre quem, afinal, são os refugiados que transitam mundo afora em busca de uma vida mais segura.

Eleito pela Foreign Policy, a maior revista de relações internacionais do mundo, como Jornalista do Ano em 2015, Kinglsey pretende doar parte do dinheiro das vendas dessa obra, que ainda não está disponível no Brasil, mas pode ser comprada em inglês, para as causas relacionadas aos refugiados.

“Guantanamo Diary”

Preço sugerido? Cerca de 15 dólares
À venda no Brasil? Ainda não foi lançado no país, mas pode ser facilmente encontrado em sites especializados como a Amazon.

Esse livro é fruto dos relatos diários de Mohamedou Ould Slahi, preso pelos Estados Unidos em Guantanamo (Cuba) desde 2002 sem que tenha sido acusado formalmente. Nele, o mauritano Slahi, hoje com 45 anos, conta a história de sua vida, dos tempos de liberdade até o momento em que foi levado por autoridades americanas sob a acusação de ser parte da rede global terrorista Al Qaeda. Acusação essa que ele nega ser verdadeira.

Relata ainda o medo, a violência e a humilhação sofrida nas mãos de oficiais do país mais poderoso do mundo. Um comitê do exército americano encontrou evidências de que todas as informações obtidas de Slahi em seus interrogatórios eram fruto de sessões de tortura.

Classificado pelos críticos do jornal The New York Times como “um relato profundo e perturbador”, o livro se tornou um best-seller. Para a revista literária The New Yorker, Slahi conseguiu “se humanizar e humanizar seus guardas e interrogadores”.

Os abusos de Guantanamo são bem documentados em relatórios da CIA e esse não é o primeiro livro a tratar do tema, mas é o primeiro a ser escrito por alguém que testemunhou na pele as amargas consequências da desenfreada luta contra o terror dos EUA.

“Sophia: princess, sufragette, revolutionary”

Preço sugerido? Em torno de 20 dólares
À venda no Brasil? Ainda não foi lançado no país, mas pode ser facilmente encontrado em sites especializados como a Amazon

Nascida em uma família da realeza indiana em 1876, Sophia Duleep Singh foi criada no Reino Unido, era afilhada da Rainha Vitória e tinha tudo para se tornar um modelo da aristocracia inglesa. Não fosse o fato de que ela se tornou uma das maiores vozes da luta pelos direitos das mulheres no Reino Unido e ferrenha defensora da independência da Índia. E é a sua história o ponto central desse livro da escritora britânica Anita Anand.

Lançado em 2015, o livro foi descrito pela revista literária americana The New Yorker como um “raro olhar aos efeitos do imperialismo” e a história de Sophia foi chamada de “extraordinária” pelo jornal britânico The Guardian. É, sem dúvidas, um retrato das políticas coloniais da época, bem como das lutas pela igualdade de gênero.

“How did we get into this mess?”

Preço sugerido? Em torno de 20 dólares
À venda no Brasil? Ainda não foi lançado no país, mas pode ser facilmente encontrado em sites especializados como a Amazon.

Colunista do jornal britânico The Guardian, George Monbiot se dispôs a uma tarefa grandiosa nesse livro ao propor um questionamento do estado atual das coisas, passando pela crise de desigualdade que assola o mundo e incluindo a devastação do meio ambiente.

Para o jornal britânico The Times, “o que mais impressiona na escrita inteligente e elegante de Monbiot é a forma como ele pensa além do protesto e em direção às soluções realistas e representativas para os problemas da política e comércio internacional. ”

Lançado neste ano, o livro ainda não tem previsão de estreia no Brasil. Quem desejar, poderá encontra-lo para compra em inglês na internet.

“Connectography”

Preço sugerido? Em torno de 20 dólares
À venda no Brasil? Sua versão física ainda não, mas a versão eletrônica, em inglês, pode ser encontrada no comércio eletrônico do país. O título pode ser adquirido o em sites especializados como a Amazon.

A partir da tese de que a conectividade é a força mais revolucionária do século XXI, o livro quer explicar como a humanidade está reorganizando o mundo ao aproximar as megacidades por meio de rotas de transportes, energia e a infraestrutura de comunicações. A ideia é a de traçar as consequências disso para a geografia mundial, a economia, o meio ambiente.

Escrito pelo analista Parag Khanna, também conhecido pela obra “O segundo mundo: impérios e influência na nova ordem global” (2008), esse livro foi lançado em 2016 e foi descrito pelo jornal The Washington Post como “incrível” e classificado como “ousado” pela maior revista de relações internacionais do mundo, a Foreign Affairs.

Aulinha de história pra uma criança de 6 anos

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Westend61

Westend61

Cristina Moreno de Castro, no Brasil Post

– Mamãe, por que esse povo todo tá gritando?

– Eles querem que a presidente que foi eleita na semana passada saia e o candidato que perdeu entre no lugar dela.

– Uai, mas se ele perdeu, não pode ganhar, né?

– Não pode mesmo, filhinha. Quando a gente joga um jogo e você perde, tem que aceitar. Tentar ganhar no próximo jogo. Se você força a barra pra ganhar de qualquer jeito, tá roubando.

– Então esse povo aí quer roubar no jogo?

– Mais ou menos isso… Eles pedem até que o Exército ajude a tirar a presidente eleita, pro candidato que perdeu entrar no lugar dela.

– Os soldados?!

– É. Isso a gente chama de “golpe”. Aconteceu isso uma vez, há 50 anos atrás, exatamente. Tinha um presidente eleito chamado Jango. Bom, na verdade, ele era vice-presidente, mas na época os vices também eram eleitos, separadamente, sabe? Aí, quando o presidente renunciou (quis deixar o cargo, por livre e espontânea vontade), o Jango virou presidente. Depois de um tempo, acusado de ser comunista (não vou te explicar o que é isso agora, filhinha), ele foi tirado do poder pelos “soldados”. Antes disso, tinha um povo, igual esses aí, que ficava fazendo marchas pela cidade, que eles chamavam de Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Ficavam falando que o presidente era comunista, que o Brasil ia virar Cuba, que o governo não respeitava os “valores da família” etc. E pediam ajuda ao Exército para tirar o presidente na marra.

– E ele foi tirado?

– Foi. Os caras do Exército começaram a governar o país no lugar dele, e proibiram as eleições, o povo não pôde mais escolher quem governaria o país. E aí começou o que a gente chama de ditadura militar. Foi um período ruim no nosso país e demorou 21 longos anos. As pessoas eram presas, e eles machucavam elas de verdade (muitas vezes até matavam) só porque pediam o fim da ditadura. As pessoas não podiam escrever o que quisessem, até os discos tinham que passar pelos censores antes de serem lançados. Os censores trabalhavam para o governo e decidiam se as ideias das pessoas podiam ser publicadas do jeito que elas queriam ou não. As pessoas também não podiam se manifestar livremente, ir para a rua para fazer marchas e pedidos.

– Uai, mas então esse povo não ia conseguir marchar! Então por que esse povo quer a volta da ditadura hoje, mamãe?

– Por que são loucos! Ou não estudaram história. Se hoje vivêssemos numa ditadura militar, eles jamais poderiam estar aí, fazendo essas passeatas ridículas. Como vivemos em plena democracia, até esses maus perdedores têm liberdade pra sair por aí, pedindo coisas idiotas. Mal sabem eles que, na época da ditadura, além de poderem ser presos e torturados por saírem às ruas desse jeito, eles ainda iam viver numa economia com muito mais problemas que a de hoje, que depois deixou o Brasil quase falido. A educação e a saúde eram ruins e o país já era corrupto. Milhares de inocentes foram mortos.

– Mas por que eles não aceitam que a presidente foi eleita?

– Porque são maus perdedores. Ela foi eleita por poucos votos de diferença, mas foi a maioria do povo que escolheu, ponto. Eles dizem que o governo dela é corrupto e que é uma ditadura, que estamos virando Cuba e que os “valores da família” não estão sendo respeitados, porque ela apoia que quem machuque gays só por serem gays seja preso…

– Uai, mamãe, era a mesma coisa que falavam nas marchas que você citou antes?!

– Isso, a mesma coisa que falavam há 50 anos, contra o presidente Jango. E, depois, deu no que deu…

– Então xeu ver se entendi: esse povo aí reclama que a presidente, que deixa até eles pedirem a saída dela, é uma ditadora. Pra combater a ditadora, eles pedem ajuda do Exército, pra tirar ela à força e colocar um cara que nem foi eleito no lugar dela. E defendem a ditadura, que, se existir de verdade, nem vai deixar que eles saiam por aí fazendo marchas e vai sair machucando e matando as pessoas só por pensarem diferente?!

(É, filhinha, você só tem 6 anos, mas é mais esperta que todos eles juntos!)

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