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Conheça dez cursos técnicos que estão entre os mais promissores

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Publicado em O Globo

O Sistema de Seleção Unificada para Cursos Técnicos (Sisutec), previsto para ser lançado em agosto, deve facilitar o acesso às escolas que oferecem oportunidades na área

Para quem tem interesse em fazer um curso técnico, este ano reserva uma boa novidade: o lançamento do Sistema de Seleção Unificada para Cursos Técnicos (Sisutec), previsto para agosto, deve facilitar o acesso às escolas que oferecem oportunidades na área. Além disso, a presidente Dilma Rousseff está disposta a investir na modalidade de ensino. Recentemente, ela disse que a expectativa é ter 208 novas escolas federais de educação profissional e tecnológica em funcionamento, até o fim de 2014. Então, que tal conhecer alguns dos cursos mais valorizados, na opinião de especialistas?

1 – Técnico em Meio Ambiente
Esta formação tem muitas oportunidades nas áreas de construção e indústria, além de óleo e gás. De acordo com o gerente executivo da empresa de recrutamento especializada em profissionais técnicos Page Personnel, Luis Fernando Martins, este técnico vai adequar uma obra ou uma área de produção ao meio ambiente.”Está em alta porque tem sido ampliada a produção em áreas virgens, em função da ocupação urbana.” O salário médio inicial está em torno de R$ 3,5 mil.

Mario Franca

Mario Franca

2 – Técnico em Redes de Computadores
Segundo Luis Fernando, as empresas precisam, cada vez mais, ampliar o setor dedicado a esta área e, portanto, contratar mais pessoas para a manutenção de rede. “Não só para segurança da informação, mas para que a rede funcione de forma estável, evitando prejuízos”, justifica. O salário inicial para esses profissionais gira em torno de R$ 3 mil.

Ailton de Freitas

Ailton de Freitas

3 – Desenvolvedor Mobile
Quem busca a área tem a missão de desenvolver novas plataformas de comunicação para empresas e organizações. “As áreas de TI e telecomunicações estão recebendo muitos investimentos a cargo da chegada da internet 4G e do aumento do poder de compra da população. As empresas precisam de pessoas que estejam aptas a atender às demandas desse público, que, cada vez mais, se comunica e compra por meio de smartphones e tablets”, explica Luis Fernando. O salário pode chegar a R$ 5 mil.

Eduardo Naddar

Eduardo Naddar

4 – Técnico em Comércio Exterior
Em uma economia globalizada, o espaço para esse profissional é grande. “Quem for trabalhar na área, vai estar muito ligado à negociação de insumos e ao mercado externo, com foco em diminuir o preço final do produto ou da prestação de serviços”, diz Luis Fernando. Como ele pontua, este é o tipo de profissional que estará sempre em alta. Afinal, nenhuma empresa quer ter gastos considerados desnecessários. O salário inicial pode chegar a R$ 3,5 mil.

Fabio Rossi

Fabio Rossi

5 – Técnico em Geoprocessamento
Esta profissão tem um mercado quente nas áreas de óleo e de gás, que estão cheias de oportunidades no Brasil. Os técnicos atuam na análise de todo o terreno onde a empresa está instalada. “Em tempos de pré-sal, estes profissionais estão bastante valorizados”, avalia Luis Fernando. O salário médio inicial é de R$ 4 mil.

Ramona Ordonez / Agência O Globo

Ramona Ordonez / Agência O Globo

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Parceria da USP cria 1º site de cursos on-line gratuitos da América Latina

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Ferramenta será lançada nesta quarta-feira (12), em São Paulo.
Expectativa é que cursos de física e estatística tenham 5 mil inscritos.

Tela do curso de física básica que o Veduca e a USP lançam a partir desta quarta-feira (12) (Foto: Reprodução/Veduca)

Tela do curso de física básica que o Veduca e a USP lançam a partir desta quarta-feira (12)
(Foto: Reprodução/Veduca)

Publicado por G1

A Universidade de São Paulo e o portal de videoaulas Veduca lançam, nesta quarta-feira (12), a primeira plataforma de cursos on-line de nível superior gratuitos da América Latina. O modelo da ferramenta segue exemplos oferecidos por instituições dos Estados Unidos, como as universidades Princeton, Stanford e Harvard, além do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês).

A partir desta quarta, o Veduca.com.br, que desde 2012 oferece mais de 5.000 aulas e palestras avulsas em vídeo, agora terá cursos completos de nível superior no modelo Mooc (sigla em inglês para cursos on-line oferecidos em larga escala), que podem render certificados a quem completar todas as atividades e fizer uma prova presencial.

De acordo com a assessoria de imprensa do Veduca, os dois primeiros cursos oferecidos são os de física básica e o de probabilidade e estatítica. Gratuitos, eles serão ministrados via web por professores da USP. A expectativa é que 5 mil estudantes se inscrevam em cada um dos cursos.

Estrutura do curso
As aulas, divididas entre cinco a dez módulos, poderão ser assistidas em séries de vídeos. Enquanto isso, o aluno pode fazer anotações em um caderno visual, sem pausar a explicação audiovisual. As observações ficam registradas junto ao momento do vídeo em que foram feitas, para que o aluno possa voltar ao trecho específico. Além disso, se tiver alguma dúvida, o estudante pode buscar palavras na fala do professor durante a explicação.

As lições também terão materiais para download de exercícios, leituras complementares e anexos. Ao final de cada aula, os alunos inscritos poderão fazer testes e exercícios sobre o conteúdo. Um fórum possibilitará a troca de informações e dúvidas entre os estudantes do curso.

Segundo o Veduca, o curso de física básica terá 25 aulas, e o de probabilidade e estatística, 19.
Quem completar todas as aulas e exercícios poderá participar da última etapa do curso: uma prova presencial, agendada com os próprios professores pela internet e realizada no campus da Cidade Universitária da USP. Isso garante, segundo a assessoria de imprensa do portal, que o estudante realmente realizou o curso e aprendeu o conteúdo.

Os estudantes que passarem na prova receberão um certificado de conclusão do curso assinado pelo professor da instituição.

Brasil tem 4,2 mil escolas que nunca conseguiram atingir sua meta do Ideb

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Índice avalia a qualidade do ensino no ensino fundamental e ensino médio.
Inep diz que dialoga com as redes para auxiliar escolas com problemas.

Ana Carolina Moreno, no G1

Ideb analisa ensino fundamental e médio no Brasil (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

Ideb analisa ensino fundamental e médio no Brasil
(Foto: Reprodução/TV Gazeta)

O Brasil tem 4.283 escolas públicas que desde 2007, primeiro ano em que foi possível avaliar a evolução do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), jamais conseguiram atingir suas metas individuais calculadas pelo governo federal.

Os cálculos do levantamento incluem apenas as escolas de ensino fundamental que tiveram o Ideb calculado nestes três anos. Segundo levantamento feito pelo G1 a partir dos dados do último Ideb divulgados pelo Ministério da Educação, 1.828 escolas não conseguiram atingir a meta dos primeiros anos do ensino fundamental, 2.232 escolas ficaram abaixo da projeção nas turmas dos anos finais do fundamental e 223 escolas tiveram índices abaixo do esperado em 2007, 2009 e 2011 tanto nos anos iniciais quanto nos anos finais do ensino fundamental.

O Ideb foi criado pelo governo federal para medir a qualidade das escolas e redes de ensino. Ele é calculado a cada dois anos desde 2005 com base no resultado da Prova Brasil e nas taxas de reprovação. Há indicadores calculados para cada escola, rede de ensino, município, estado e o país.

Todas as instituições públicas têm uma meta própria para alcançar a cada dois anos nos últimos anos do ensino fundamental I e fundamental II. A nota vai de zero a 10. A expectativa do governo federal é que, em 2021, os anos iniciais do fundamental brasileiro alcancem o Ideb 6,0. Para os anos finais, a meta é 5,5 pontos.

As 4.238 escolas representam 13,8% do total de 31.042 instituições que se encaixam nesta categoria. De acordo com o MEC, entre todas as instituições, 7.126 têm turmas tanto do ensino fundamental I quanto do ensino fundamental II, 15.392 só oferecem aulas dos anos iniciais do fundamental, e 8.524 instituições são apenas para turmas a partir dos anos finais do fundamental.

Mesmo sendo minoria, boa parte dos colégios abaixo da meta ainda não dá sinais de que possa alcançar a meta, que sobe a cada Ideb: 1.221 delas viram o Ideb 2011 cair em relação ao de 2009, o que indica um afastamento ainda maior da projeção feita pelo governo. Nesse grupo, 28 escolas estão nesta situação em ambos os ciclos do fundamental.

Atualmente, 2.475 colégios estão mais de 0,5 ponto abaixo do que o esperado para 2011.

Das 31.042 escolas com Ideb em todos os anos, 4.238 delas (ou 13,8%) nunca conseguiram atingir sua meta individual

Dessas, 1.221 ficaram ainda mais longe da meta no último Ideb, e 2.475 estão a mais de 0,5 ponto de atingir a projeção

Apoio específico

O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Luiz Cláudio Costa, afirma que o percentual de escolas e municípios que atingem a meta é “muito maior” do que o grupo de escolas aquém do esperado. Em entrevista ao G1, ele explicou que as escolas que enfrentam problemas para se manter dentro das expectativas recebem auxílio do governo, mas seguindo as autonomias de cada rede.

Uma das ações citadas por ele é o Mais Educação, programa para escolas com aulas em tempo integral. “Quando temos problema no Ideb, uma das coisas que temos procurado priorizar é a questão da escola em tempo integral”, disse.

O governo espera que, até o fim do ano, 45 mil escolas ofereçam aos alunos, além do turmo normal de aulas, atividades no turno oposto. Para participar do Mais Educação, as escolas precisam se inscrever e passar por uma seleção. O prazo para a adesão das instituições pré-selecionadas em 2013 acabou em 31 de maio.

Além do ensino em tempo integral, o MEC ainda mantém diálogo com as redes e esferas estaduais e municipais de governo, munindo os gestores de dados para o planejamento pedagógico das escolas. O governo federal criou ainda o Programa de Ação Articulada (PAR) para oferecer apoio e recursos a escolas e redes interessadas em apoio mais ostensivo à gestão educacional.

Distorções e revisão da meta

Entre as instituições que integram o grupo de escolas do fundamental que nunca conseguiram atingir sua meta, porém, não existem só instituições com têm resultados considerados ruins. Há exemplos de escolas com indicador acima de 6,0 e que já bateram a meta do Brasil para 2021, por exemplo. Mesmo com Ideb maior a cada ano e uma educação considerada muito acima da média do país, essas instituições ainda não conseguem alcançar a projeção calculada pelo governo.

Como o Ideb usou a base dos resultados educacionais de 2005, em alguns casos, aquele ano específico pode não refletir a realidade da escola. Por isso, a instituição acaba tendo que perseguir uma meta incompatível com suas condições reais.

O movimento Todos pela Educação, que reúne empresários e especialistas, também usou os mesmos dados para criar, em 2006, cinco metas para a educação brasileira. A terceira também estabelece projeções de resultados acadêmicos para escolas e redes de ensino. Segundo a diretora-executiva da entidade, Priscila Fonseca da Cruz, a meta é composta por três elementos: o que se quer medir, que resultado se espera ter e qual o prazo desejado para obter este resultado.

Foi imaginado o esforço necessário para aquela escola avançar. A melhoria em educação não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona”
Luiz Cláudio Costa,
presidente do Inep

O primeiro elemento, para ela, é o que mais tem sido objeto de estudos, mas a expectativa de que o ensino fundamental I no Brasil tenha Ideb 6,0 até 2021 ainda é pouco debatida.

Tanto no caso da entidade quando no das metas governamentais, ela defende que a elaboração de projeções com base em uma série histórica seria mais precisa do que a partir de apenas um resultado. “Se você olhar os resultados de um ano para o outro, eles podem oscilar. Mas quando você pega uma série maior, você tem mais consistência para ver se a escola está em uma curva ascendente, descendente, se é uma curva ascendente ou acentuada, ou se é o que chamamos de ‘flat’, quase uma reta. Com o histórico em mãos, seria muito mais preciso a gente traçar metas intermediárias até 2021”, afirmou ela.

Ao G1, o presidente do Inep disse que a projeção do Ideb foi feita a partir de estudos técnicos e científicos baseados em avaliações internacionais, levando em conta também as especificidades de cada escola. É por isso que duas escolas com Ideb idêntico em 2005 hoje têm metas diferentes, diz ele. “Foi imaginado o esforço necessário para aquela escola avançar. A melhoria em educação não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona.” Ainda segundo ele, não há debate no governo sobre a possibilidade de as metas serem revistas antes de 2021.

Reduzir o currículo para aumentar o Ideb

No segundo semestre de 2013, o governo aplicará a nova edição da Prova Brasil, um dos elementos que compõe o cálculo do Ideb. Segundo Angela Dannemann, diretora-executiva da Fundação Victor Civita, a grande divulgação do índice e a política de metas e expectativas para 2021 aumentou a pressão que a sociedade faz sobre bons resultados das escolas e sobre os gestores que cuidam da educação pública.

Se por um lado isso é positivo porque o Ideb é “o primeiro indicador de qualidade” da educação brasileira, por outro Angela alerta que há riscos de que as escolas desenhem seus currículos apenas para obterem bons números no indicador do governo federal.

1Em Goiás, por exemplo, o Ministério Público e a secretaria estadual de Educação investigam denúncia de um conselho tutelar sobre sete escolas suspeitas de expulsar alunos com mau comportamento e rendimento para melhorar seu Ideb e receber mais verba do governo estadual.

O presidente do Inep afirmou que a maioria das escolas leva a sério a tarefa de melhorar o Ideb através de projetos pedagógicos. “O que a gente tem visto das redes é um grande esforço com muita seriedade, trabalho e dedicação dos gestores e professores. Essa é a regra, e a excepcionalidade não é tolerada nem pelo MEC nem pelos gestores estaduais nem pelos municipais.”

Angela afirma que alguns estudos preliminares também já apontam práticas “preocupantes” em algumas redes de várias partes do Brasil. Alguns indícios mostram que elas decidiram aumentar a carga horária das aulas de matemática e português nos primeiros anos do ensino fundamental e eliminar ciências e artes. O objetivo é que os alunos dediquem mais de seu tempo ao conteúdo que vai cair na Prova Brasil.

“Não pode haver redução de currículo para atender uma prova. Se só se dá valor à prova, a gente está fazendo com as crianças uma redução da aprendizagem”, afirmou ela.

Não pode haver redução de currículo para atender uma prova. Se só se dá valor à prova, a gente está fazendo com as crianças uma redução da aprendizagem”
Angela Dannemann,
diretora-executiva da Fundação Victor Civita

Na Prova Brasil, são consideradas apenas as matérias de língua portuguesa e matemática. De acordo com o MEC, a partir de 2013 as questões de ciências vão ser inseridas, mas em caráter experimental, e ainda não vão ser incluídas no cálculo do Ideb.

“Você não garante o objetivo e o direito de aprendizagem só olhando de dois em dois anos. São muitas coisas em que temos que atuar ao mesmo tempo. O Ideb é importante, mas você precisa ao mesmo tempo fazer funcionar a escola com todo o conhecimento que precisa ser passado para as crianças. A cada dois anos a gente avalia [em nível nacional], mas a escola tem que avaliar a cada bimestre”, disse Angela.

A especialista defende que as redes do município e do estado, além da própria escola, tenham que ter um plano para garantir o aprendizado global dos estudantes, principalmente nos primeiros anos do fundamental, quando o interesse e a curiosidade em aprender precisam ser fomentados. “É o famoso projeto político-pedagógico da escola. Mas você precisa de um professor preparado para atender isso, o professor precisa de melhor formação. A meta tem que ser uma coisa que vai estimular o desenvolvimento da escola e dos professores, não criar caminho paralelo para atender índices.”

O mundo que não está nos livros cansa

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Luiz Schwarcz, no Blog da Companhia

Na semana passada, procurei explicar um pouco do que acontece hoje em dia no mercado editorial como um todo, e, em particular, no caso de editoras de perfil literário como a Companhia das Letras. Em outro post já havia mostrado como não vejo com maus olhos a entrada de um novo público-leitor, que não conhece ou ainda não está à vontade para ler a boa literatura que há por aí.

Parece estranho, mas os leitores deste blog, assim como as pessoas que trabalham no mundo editorial, em sua maioria votam em partidos progressistas, defendem a democracia, mas em muitos casos, quando discutem valores culturais, parecem se considerar superiores e torcem o nariz para quem não priva dos mesmos gostos ou da mesma forma de entender o mundo literário.

Não tenho preconceito para com editoras de perfis diferentes, e autores que nunca quis publicar. Tento apenas entender o que resulta da combinação da preponderância mais acentuada dos livros populares no mercado, das circunstâncias em que se encontram as livrarias, e do aumento da concorrência para os títulos que chegam com a promessa de grandes vendas. Por outro lado, o preço para comprar os direitos de publicação de todos os tipos de romances, incluindo os de maior qualidade, em alguns casos chegou a decuplicar — jogando um risco exacerbado sobre livros que hoje encontram mais dificuldades aqui do que em outros países. O Brasil aparenta ser um mercado mais promissor do que muitos outros, de estabilidade e pujança tradicionais. Com a concorrência acirrada por títulos, por vezes pagamos adiantamentos mais altos que a Inglaterra ou a França, e nem sempre a venda, como é de praxe no negócio do livro, acompanha a expectativa inicial.

O importante é escapar ao tom de lamúria e entender essas mudanças como parte dos desafios atuais de um editor. A digitalização, o crescimento da leitura juvenil e a distribuição mais acentuada de renda no Brasil, nesses últimos quase vinte anos, modificaram a nossa lista de mais vendidos e tornaram a vida do jovem autor literário mais complicada. O mesmo vale, principalmente, para livros de literatura traduzidos, que não venham com grande bagagem de sucesso anterior… No entanto, nem preciso apontar aqui as vantagens de um país mais democrático e educado, além das benesses possíveis de um livro mais barato em formato digital.

Porque o país mudou, a tecnologia mudou, o mercado mundial de literatura mudou, é de se esperar que mudem também as editoras.

Também é importante ter paciência. O Brasil não vai virar digital da noite para o dia — o que também tem suas vantagens. Leitores que começam a se interessar por livros não mudarão suas escolhas repentinamente, e as editoras, em sua grande maioria, não vão querer perder o espaço conquistado, assim como outras, que nunca almejaram ou almejarão crescer, irão preferir permanecer enxutas.

Muitas perguntas equivocadas, respostas apressadas, insinuações e juízos preconceituosos têm circulado no mercado editorial para tentar dar conta de tantas mudanças. Sempre é mais fácil entender a realidade por um só ângulo, valorizar o pequeno em detrimento do grande, sem diferenciar o que há de bom e meritório em cada dimensão. Opinar sem conhecer como são tomadas as decisões numa editora, mitificar o passado e desconsiderar as transformações na sociedade em que vivemos é caminho tão fácil quanto enganoso.

Um dia ainda vou escrever sobre como acho que a Companhia das Letras deixou de ser “independente” quando emplacou, quase involuntariamente, seu primeiro livro na lista de mais vendidos — no caso, o justamente cultuado Rumo à estação Finlândia. E como agora, acredito, voltamos a ser independentes ao colocar em prática o velho plano de ampliar nosso público, com a criação da Paralela, Seguinte, Claro enigma e Boa Companhia — os selos através dos quais buscamos alargar nossos horizontes editorias. Mas antes disso, quero voltar a tratar de alguns livros que me surpreenderam, de discretas memórias pessoais e de algumas anedotas de editor. Entender o que está fora dos livros dá mais trabalho. Cansa.

À luz da preferência, livro digital tenta conquistar mercado no Brasil

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Cadu Caldas, no Zero Horas

Poucos títulos, acesso precário à internet e tributação fazem do e-book um produto ainda caro no país

Professora de inglês, Juliane vê no e-reader facilidade de ter obras estrangeiras que não encontra impressas no Brasil Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Professora de inglês, Juliane vê no e-reader facilidade de ter obras estrangeiras que não encontra impressas no Brasil
Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Era imensa a expectativa dos consumidores com o lançamento no Brasil dos e-readers – aparelhos para leitura de livros digitais – Kobo Touch, pela Livraria Cultura, no começo de dezembro, e Kindle, da Amazon, poucos dias depois. A concorrência entre grandes livrarias prometia acirrar a disputa, aquecer o mercado e derrubar preços.

Quase um mês mais tarde, não foi o que ocorreu. Por enquanto, os leitores estão sendo mais atraídos pela novidade do produto do que pela economia que pode proporcionar.

É o caso da professora de inglês Juliane Garcia, 28 anos, que se reúne uma vez por mês com seus alunos em um clube de leitura, onde a regra é ler na plataforma digital.

– Às vezes, é complicado achar obras impressas em inglês. Com um e-reader eu acho qualquer exemplar, de maneira quase instantânea – comenta.

Juliane também encontra outras facilidades:

– Posso levar um monte de livros para a praia sem ocupar espaço na mala. Nem sinto falta do cheirinho do papel.

O preço não tão atrativo de um livro digital – além do custo do próprio e-reader – é apontado como um dos motivos para a opção eletrônica não deslanchar no país.

Se depender da situação atual do mercado, vai demorar para que ocorra uma mudança. Levantamento feito por ZH mostra que, para comprar oito dos 10 títulos de ficção mais vendidos do país na versão para o Kindle, o brasileiro economizaria apenas 0,42% em comparação ao que gastaria com livros de papel. Nos Estados Unidos, a economia seria de 44,4%.

A pesquisa foi realizada verificando o custo dos livros digitais em duas grandes redes de livrarias e o valor das edições em papel divulgados em sites de comparação de preços. Quando a cotação é feita com o Kobo, da Livraria Cultura, o resultado é ainda pior: o livro digital vendido pela rede é 10,6% mais caro do que o livro de papel.

No caso dos leitores digitais, os e-readers, a constatação é a mesma: o leitor brasileiro paga bem mais caro pelo mesmo produto. O Kindle custa R$ 299 no Brasil, mais do que o dobro que os americanos pagam: US$ 69 (cerca de R$ 140), em média.

Economia bem menor no Brasil

O Kobo custa por aqui R$ 399 ante US$ 149 (cerca de R$ 300) nos Estados Unidos. Assim, basta um leitor americano comprar os seis primeiros livros da lista de mais vendidos para o investimento no equipamento valer a pena. A partir do sétimo livro, já está economizando. No Brasil, o cálculo semelhante aponta uma economia bem menor. Seria preciso ler 369 obras para a compra do e-reader valer a pena.

Mesmo alheia a esses cálculos, Juliane percebeu na prática que os títulos nacionais não são muito baratos.

O preço alto no Brasil é pressionado em grande parte pelas editoras, responsáveis por estipular o valor de capa no país. Nos Estados Unidos, a redução do preço veio graças à força de um outro personagem na história: o escritor, que, em certos casos, pode negociar a exposição de sua obra diretamente com as livrarias virtuais.

– O mercado americano é muito mais maduro que o nosso. Lá essa negociação direta empurrou o preço do livro para baixo, obrigando as editoras a fazerem o mesmo – explica Ednei Procópio, integrante da Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro e dono da editora Livrus.

dica do Jarbas Aragão

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