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Escolas particulares de São Paulo integram ciclos diferentes

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Ao contrário da rede estadual, que vai separar alunos, ideia é aproveitar experiência dos mais velhos para ajudar mais novos

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Publicado em Estadão

Enquanto a rede estadual de São Paulo prepara uma reformulação em suas escolas para separar os ciclos (anos iniciais do ensino fundamental, anos finais e médio) em unidades diferentes, alguns colégios privados de São Paulo aproveitam a diferença entre as idades para promover atividades pedagógicas de interação. A estratégia, explicam seus defensores, aproxima os estudantes e diminui o receio dos mais novos sobre as próximas etapas que terão pela frente.

No Colégio Equipe, em Higienópolis, região central da capital, há dois projetos. Todos os anos, estudantes participam de uma olimpíada esportiva que envolve todas as séries, da educação infantil aos anos finais do fundamental (do 6.º ao 9.º). “Eles formam equipes com alunos de todas as idades. É preciso usar um pouco a criatividade, mas o resultado é uma interação muito boa”, afirma a diretora, Luciana Fevorini.

As atividades envolvem desde cabo de guerra a jogos de tabuleiros, como damas, com equipes de alunos de idades diferentes. O colégio também investe em um projeto de tutoria que envolve estudantes do ensino médio e do fundamental. Os mais velhos ajudam os mais novos em atividades acadêmicas, como, por exemplo, em viagens para outras cidades como parte das disciplinas de História e Geografia. Os alunos do ensino médio, de maneira voluntária, passam até por um treinamento específico para ajudar os pequenos.

Ivan Kuvasney Lima, de 17 anos, do 3.º ano do ensino médio, conta que a interação trouxe mais amizades e evolução pessoal. Ele já foi monitor de alunos do 6.º e 9.º anos em viagens. Em uma delas, para Santos, os colegas pesquisaram informações sobre o mar. “Ajudamos com as dúvidas que eles têm e para que entreguem a apostila com todos os exercícios feitos.” Os encontros também servem para esclarecer inseguranças sobre o futuro na escola. “Eles perguntam sobre as diferenças nas aulas, o que muda no ensino médio. Querem saber se é mais puxado”, diz ele.

A integração entre alunos de idades diferentes também ajuda a resolver conflitos entre eles. Estudantes do 3.º ano do ensino fundamental reclamavam constantemente que colegas do ensino médio fumavam na frente do colégio, assunto levado à direção. “Promovemos o diálogo entre eles e deu certo. Depois disso, uma aluna do terceiro (do ensino médio) conversou com os colegas de sala e pediu que não fumassem mais na entrada”, conta Luciana.

Cartas. Na Escola Móbile, em Moema, zona sul de São Paulo, há atividades de monitoria e também uma troca de correspondência entre os estudantes. No fim do 3.º ano do médio, todos são convidados a escrever cartas para as crianças do 1.º ano do fundamental. Os prédios são separados e como o recreio ocorre em horários diferentes por ciclo, a prática faz com que eles se conheçam.

“Cada um conta um pouco de sua vida, os livros favoritos, as músicas. Existe algo em comum para as duas turmas: ambos estão em fase de transição. Alguns estão indo para a universidade, outros para o novo prédio do fundamental. É um momento para dividirem as ansiedades”, explica a diretora de educação infantil no Móbile, Maria de Remédios Cardoso. Depois da troca de mensagens, os estudantes participam de um encontro no fim do ano. Neste dia, os mais velhos apresentam o prédio aos colegas.

“Achei que os alunos mais novos iam dar trabalho, mas eles se comportam bem. É legal ensinar para ver o quanto já aprendemos”, afirma a aluna Ana Moioli.

Na disciplina de Ética – uma das optativas que eles podem fazer no ano –, o trabalho final para alunos do 3.º ano do ensino médio consiste em elaborar e ministrar aulas sobre um tema específico para o 6.º e 9.º anos do fundamental. Neste ano, o foco foram as pequenas corrupções, como colar em provas e copiar trabalhos.

Daniela Taouil, de 17 anos, aluna do 3.º ano do médio, participou da preparação de conteúdo e ministrou três aulas. “Descobrimos que no fundamental os alunos já têm ideias muito boas. É uma oportunidade para ouvir opiniões diferentes”, afirma.

Ex-morador de rua, professor conta vida a universitários: ‘Comi até lixo’

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Benedito Cirino dá aula de filosofia em Sorocaba.
‘Canalizei toda a minha experiência para formar seres humanos’, diz.

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Publicado em G1

A trajetória de vida intensa de um professor e doutor em filosofia faz as aulas ficarem mais atrativas e emocionantes para estudantes de uma universidade de Sorocaba (SP), no interior de São Paulo. Ex-andarilho, Benedito Aparecido Cirino, de 51 anos, usa a própria história para contextualizar o conhecimento dos maiores pensadores da humanidade a fim de motivar os alunos e contar como abandonou as ruas e chegou às salas de aula.

Em entrevista ao G1, Benedito conta que as reações dos alunos são sempre diferentes, já que muitos não faziam ideia de que o professor que explica com clareza as citações mais famosas da humanidade chegou a ser morador de rua e até a comer lixo. “É sempre uma novidade. Faço questão de contar um pouco da minha história, pois acredito que eles podem aprender com a minha experiência de vida e acadêmica”, diz.

A saga de Benedito começou após a morte da mãe, aos 9 anos, quando morava em Campinas. “Aprendi a ler aos 7 anos e aquilo foi fantástico para mim, mas tive que parar de estudar aos 11 anos para ajudar meu pai como aprendiz em uma fábrica. Me diziam que pobre tinha que trabalhar e não estudar”, lembra.

Durante a passagem da adolescência para a vida adulta, Benedito acumulou diversos empregos para complementar a renda da família. Na época, a expectativa era de ser contratado por um escritório onde era auxiliar não aconteceu e ele passou a coletar materiais recicláveis.

Foi nesta época que uma conversa com um tio provocou uma reviravolta na sua vida pacata. Ao som da viola caipira, os dois fizeram uma reflexão sobre o que passavam enquanto olhavam as estrelas. “Ele disse assim: ‘Olhe as estrelas. Sabe o que eu acho? Esse monte de estrela mostra que a gente não é nada em relação ao tamanho do universo’. Até aquele momento eu não tinha parado para perceber o que aquilo significava e foi um choque ao comparar com a minha realidade. Tive uma espécie de surto”, lembra o professor que, a partir daquele momento, começou a conviver com um inimigo: ele mesmo.

Apesar de desorientado psicologicamente e em uma situação familiar precária, ele chegou a ser promovido no jornal onde trabalhava, mas pediu demissão em poucos meses. “Com o dinheiro que eu tinha comprei comida, peguei o que tinha e fui para o Mato Grosso com um amigo. Fiz isso porque dentro de mim havia um sentimento em que parecia que ia morrer rápido e minha vida não ia mudar nunca”, lembra.

Em uma das tentativas de almoçar sem pagar, o professor conta que quase morreu em uma delas. Morando nas ruas com os dois companheiros, eles comiam em restaurantes e fugiam. No entanto, ele chegou a ser alcançado por um garçom e agredido com ajuda do dono e levado para um matagal. “Quando eles colocaram a arma na minha cabeça eu disse: ‘você pode me bater, mas não dói mais do que a fome que sinto há três dias sem comer’. Depois disso, eles me soltaram e percebi que eu não tinha saído de casa para viver aquilo”, relata.

‘Senhor Salvador’
Com a mochila nas costas, ele decidiu seguir viagem sem os dois colegas e pegou carona por quatro dias em cima de um caminhão até Boa Vista (RR) enfrentando fome e frio. Ainda na estrada, ele conheceu um caminhoneiro que recorda se chamar “Salvador”, ou, como referia “senhor Salvador”, que, segundo ele,  transportava caixões em toda a carroceria. “Ele me viu naquela situação com quase 20 anos e me deu uma baita bronca. Foi quando ele me deixou em outro posto e voltei para Campinas. Eu estava em casa”, comenta.

Junto com a família depois de uma longa jornada, Benedito voltou ao mesmo lugar de onde começou a viagem e trabalhou no mesmo jornal. Foi nesta época que ele encarou o ensino supletivo para dar continuidade à escola, mas foi o começo de um relacionamento com uma mulher que tinha amigos em universidades que o motivou a retornar aos estudos. “Comecei no fundamental e fiz o ensino médio”, lembra.

Após  terminar o ensino médio, logo se matriculou no curso de filosofia, em Campinas, aos 25 anos. “Não entendia nada, foi como começar do zero, mas não desisti. Porém, terminei a faculdade, pedi demissão do jornal e tive meus primeiros alunos dando aula no ensino médio”, lembra.

Apesa das dificuldades, ele focou nas aulas e a venda de artesanato na rua. “O tempo em que passei naquela vida eu via pessoas fazendo objetos para vender e aquilo me atraia. Não era algo que eu queria fazer para sempre, mas a beleza das peças me motivou a fazer pequenos bonecos e máscaras para vender”, diz Benedito, que após terminar filosofia, fez o mestrado com bolsa de estudos.

Ingresso na universidade
Após palestras, ele foi convidado a se apresentar na Universidade de Sorocaba (Uniso), o que rendeu a contratação como professor e, posteriormente, a oportunidade do doutorado.

Hoje, ele procura refletir o que viveu e comemora ao ver que, após se formar, outros dois irmãos e a filha de 19 anos, estudante de biologia, também seguiram a vida acadêmica “Desde então, gosto de apresentar aos alunos o que aprendi da vida. Parece que toda aquela energia que não me deixava ficar em um lugar algum foi centralizada para eu ensinar e formar seres humanos melhores. Peço para que eles procurem o conhecimento cada vez mais”, finaliza.

O currículo de 2014

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Para 46% dos gestores, dois erros de digitação já podem eliminar candidato

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Maíra Amorim, em O Globo

Em seu livro “Socialnomics”, de 2012, o consultor americano Erik Qualman prevê que, por volta de 2022, o currículo de papel estará morto. Mas, enquanto isso não acontece, o documento continua sendo a principal ferramenta utilizada para se conseguir um novo emprego, embora cada vez mais complementado por informações de redes sociais, especialmente as incluídas no LinkedIn.

E, por mais que alguns profissionais apostem na renovação do formato, elaborando currículos criativos e cheios de design, a grande maioria usa mesmo o bom e velho Word. O que não representa qualquer problema, dizem especialistas, desde que alguns aspectos sejam observados.

— O currículo é a primeira apresentação e tem que ter conteúdos básicos, que permitam ao recrutador saber se o candidato atende aos requisitos da vaga — afirma Jacqueline Resch, sócia e diretora da Resch RH, para quem erros de gramática e ortografia são imperdoáveis em um currículo.

Segundo pesquisa feita recentemente nos EUA pela consultoria Robert Half, entretanto, a tolerância dos gestores e recrutadores americanos em relação à quantidade de erros de digitação nos currículos varia. Para 46% dos entrevistados, dois erros bastam para que o candidato seja desconsiderado com base no currículo, enquanto 27% toleram até três erros e 17% só relevam um.

O curioso é que o resultado mostra que os gestores estão mais tolerantes que há cinco anos. Levantamento de 2009 revelava que um erro era o bastante para que um currículo fosse desconsiderado por 40% dos entrevistados. Outros 36% apontaram dois erros e 14%, três. Para Sócrates Melo, diretor de operações da Robert Half, no Brasil, a exigência costuma ser maior.

— Acredito que somos menos tolerantes, mas a necessidade, de fato, gera tolerância. Erros podem existir, sim. Se for grave ou se o volume for grande, eles ganham relevância. Mas se for algo que ocorreu por falta de atenção, por exemplo, eu realmente não vejo tanto problema.

Veja o que destacar e o que não precisa ser incluído no documento:

EDUCAÇÃO:

SIM: É importante destacar os cursos de graduação, pós, mestrado ou doutorado que tenham sido realizados, mas sempre de forma objetiva, indicando o ano de conclusão e, apenas se for relevante, algumas disciplinas cursadas.

NÃO: Não é necessário listar todo o histórico educacional, desde o ensino fundamental. Também não é recomendado incluir cursos que não tenham sido concluídos ou aqueles que foram feitos há muito tempo.

EXPERIÊNCIA:

SIM: Essa parte conta muitos pontos, mas o profissional deve saber resumir bem suas atividades, para o recrutador entendê-las de cara. O currículo ideal não deve ter mais de duas páginas, então longas experiências correm risco de nem serem lidas.

NÃO: Listar todas as experiências profissionais só é pertinente para um recém-formado ou universitário. Se o candidato está em um nível mais sênior no mercado, não faz diferença se ele trabalhou em loja ou deu aula particular no início da carreira.

IDIOMAS:

SIM: A fluência em língua estrangeira deve ser destacada, pois é bastante valorizada. Mas, se o inglês está enferrujado, vale a pena ser honesto e colocar, por exemplo, o ano de conclusão do curso, para indicar possível necessidade de atualização, o que nem sempre será um problema.

NÃO: Indicar que tem “espanhol básico” ou “inglês intermediário” é um dos erros mais cometidos por candidatos. Se a fluência for realmente necessária para a vaga, isso será testado, e a informação do currículo, desmentida.

OBJETIVOS:

SIM: Quem opta por incluir o campo “Objetivos profissionais” no currículo precisa ser sucinto e específico: o candidato deve listar a área de atuação pretendida e explicitar os conhecimentos em poucas linhas e com clareza.

NÃO: “Profissional pró-ativo com objetivo de atuar na área de administração e colaborar com a empresa”. Para colocar um objetivo vago e genérico, que não diz muita coisa, é melhor suprimir essa parte do currículo.

NÃO ESQUECER: Nos contatos, e-mail e celular devem estar sempre visíveis. Não é necessário incluir dados como identidade e CPF. Hoje em dia, recomenda-se também colocar no currículo links para os perfis nas redes sociais ou para blogs ou sites pessoais. Mas isso só vale para o que estiver atualizado. Se o recrutador clicar e vir que o último tweet do candidato é de 2011, poderá desconsiderá-lo. O mesmo vale para o LinkedIn, que, além de atualizado, deve ter uma foto que indique profissionalismo.

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