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Escritor de Os 13 Porquês é expulso de associação literária por assédio sexual

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Pedro Prado, no Pipoca Moderna

Jay Asher, autor do best-seller “Os 13 Porquês”, foi expulso de uma organização proeminente de escritores após sofrer acusações de assédio sexual.

Lin Oliver, diretora executiva da Sociedade de Escritores e Ilustradores de Livros para Crianças, disse à Associated Press na segunda-feira (12/2) que Asher violou o código de conduta da associação. Ele foi banido no ano passado, mas a notícia só veio à tona com a ascensão do movimento #MeToo. Asher e o premiado ilustrador David Diaz, que também foi expulso da organização, foram mencionados com freqüência em um recente tópico de comentários no School Library Journal sobre assédio no universo da literatura infantil.

“Tanto Jay Asher quanto David Diaz foram enquadrados por terem violado o código de conduta da Sociedade em relação ao assédio”, escreveu Oliver num email enviado ao site The Hollywood Reporter. “As denúncias contra eles foram investigadas e, como resultado, eles não são mais membros e nem aparecerão em eventos da Sociedade no futuro”.

As editoras de Asher e Diaz não tiveram nenhum comentário, nem os casos que causaram as expulsões foram publicamente detalhados.

Asher disse à BuzzFeed News na segunda-feira que ele saiu voluntariamente da associação e se sentia como se tivesse sido “jogado sob um ônibus”. “É muito assustador, quando você sabe que as pessoas não vão acreditar em você”, disse ele. “Eu me sinto muito em conflito sobre isso, por causa do que está acontecendo na cultura, a respeito de quem se acredita e quem não se acredita”.

Além da expulsão da Sociedade de Escritores e Ilustradores de Livros para Crianças, Asher também teve a participação numa conferência da Federação de Escritores de Oklahoma cancelada. “O Sr. Asher negou as acusações, mas, no final, entendeu nossa decisão de seguir uma direção diferente”, disse a diretora de relações públicas da federação, Jennifer McMurrain.

“Os 13 Porquês”, primeiro livro de Asher, foi adaptado numa série bem-sucedida da Netflix, produzida pela cantora Selena Gomez. Com o título original de “13 Reasons Why”, a produção fez tanto sucesso que ganhou encomenda de uma 2ª temporada, embora toda a história do livro já tenha sido contada. Além do tema central de suicídio adolescente, a série também inclui passagens de agressão e assédio.

A Netflix não respondeu aos contatos do THR sobre se as alegações contra o escritor afetariam o status da série.

Aluno da Uerj é expulso após fraudar cotas; outros 9 casos são apurados

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uerj

Estudante afirmou que era dependente de empregada doméstica.
Caso foi encaminhado para a Polícia Civil e Ministério Público.

Renata Soares no G1

Um aluno do curso de medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) foi expulso da instituição no início de 2013 após fraudar o sistema de cotas no vestibular. O caso veio à tona apenas neste ano e foi revelado pelo jornal O Globo. O estudante, de classe média alta e morador da Zona Sul da cidade, afirmou durante a inscrição que era dependente de sua empregada doméstica. Assim, ele se enquadraria no critério que adota cota para quem tem renda per capita familiar de R$ 960 por mês.

Em entrevista ao G1 na manhã desta quinta-feira (23), o reitor da Uerj, Ricardo Vieiralves, contou que além deste, outros nove casos também estão sendo apurados. “Estamos com nove sindicâncias abertas e esperamos solucionar estes casos o mais breve possível. Acho lamentável este tipo de atitude que causa um sentimento de tristeza e indignação em todos os outros alunos que entraram de maneira correta”, explicou o reitor, que acrescentou ainda que a denúncia da fraude partiu dos próprios alunos da instituição.

“Os alunos não ficam felizes com este tipo de comportamento. Acabam descobrindo e, depois, denunciam. Foi uma infeliz ideia e uma grande distorção, que acabou durando somente um ano. Descobrimos o caso, encaminhamos para o Ministério Público e para a Polícia Civil e ele terá que responder a processo penal”, completou Vieiralves, que contou ainda que o aluno confessou que fraudou a documentação.

Segurança no sistema
Apesar das denúncias, o reitor da Uerj – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, primeira a adotar cotas – enfatizou que o sistema é seguro e nada será modificado. “É um processo pedagógico de primeira qualidade. Estamos mudando a elite nacional e estamos inserindo a ‘cor’ do Brasil nesta elite. Queremos mais do que gente de berço esplêndido, queremos gente de berço pobre”, concluiu Vieiralves.

Livro sobre Stalin provoca revisão da figura histórica e de seu regime

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Joseph Stalin (Joseph Vissarionovich Djugashvili) 1879-1953 - Soviet politician - member of the October Revolution Committee 1917 - General Secretary Communist Party 1922 Russian Federation / Mono Print

Publicado originalmente no DW

Atualmente o autor Jörg Baberowski dá margem a muita discussão na Alemanha. Ele não faz concessões em sua análise: Josef Stalin era um agressor por paixão e um psicopata impiedoso, um déspota, que mandava matar por quotas e não poupava a ninguém. Ele semeava medo, pavor e desconfiança à sua volta, submetendo toda uma sociedade a uma cultura da destruição e do terror.

Evocando numerosas fontes, Baberowski expõe essa tese nas quase 600 páginas de seu perturbador Verbrannte Erde. Stalins Herrschaft der Gewalt (Terra queimada: O regime da violência de Stalin). “Não escrevi um livro sobre a União Soviética, ou sobre o stalinismo, mas sim sobre a violência extrema e o que ela faz com as pessoas”, disse, numa de suas disputadas leituras públicas.

Império da paranoia

Para o professor de História do Leste Europeu na Universidade Humboldt, em Berlim, o homem que de 1927 a 1953 transformou a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em seu “Império da Paranoia” era um assassino que tinha prazer em destruiu e ferir. Um “agressor por paixão”, cujo regime foi marcado por terror sem limites e que não distinguia mais entre amigos e inimigos.

Autor Jörg Baberowski

Autor Jörg Baberowski

Em tal império, sob o signo do assassínio desbragado, em princípio não pode haver sucessos políticos ou econômicos, nem notícias positivas de qualquer tipo, mas somente pragas de fome em decorrência de uma política econômica totalmente equivocada, expulsões, desapropriações, desperdício de recursos, destruição da cultura camponesa, submissão total do partido e das instituições estatais à vontade do ditador, terror contra a população, denúncia, tortura, “confissões” extorquidas, processos de fachada – e também a lealdade incondicional dos funcionários.

“Ao fim, Stalin não precisa escrever nem decretar nada. Cada um sabia, de algum modo, o que devia fazer para manter o déspota satisfeito. E ninguém queria se tornar vítima”, explica Baberowski a seu público na cidade de Colônia.

Inferno de muitos, vantagem de poucos

Com um golpe de pena, Josef Stalin enviava inocentes para a morte, às vezes alguns milhares num único dia. Ao mesmo tempo, sinaliza a seu círculo mais imediato de colaboradores que isso podia acontecer com qualquer um.
“Ele simplesmente mandava matar alguém, assim mostrando aos outros o que acontecia a quem não se submetesse.” Portanto não havia segurança nem para quem estivesse próximo do núcleo do poder. “Hoje ministro, amanhã condenado à morte: esta era a macabra imprevisibilidade do sistema”, narra o historiador.

Não eram perseguidos apenas os supostos inimigos do Estado, mas também seus familiares. Eles eram tomados como reféns, para extorquir confissões dos detentos. “E nem mesmo depois da morte da vítima tinha fim o sofrimento das esposas, filhos e parentes”. Eles eram expulsos de suas casas, deportados para os campos de trabalho, internados em orfanatos estatais.

As vidas de muitos eram transformadas num inferno por alguns poucos. Baberowski também constatou em suas pesquisas que, sem dúvida, também havia beneficiados: a elite técnica, alguns artistas, gente que se dava bem como os novos tempos.

Culto ao ditador na Geórgia

Culto ao ditador na Geórgia

Culto contemporâneo na Rússia


Não houve um processamento reflexivo da época stalinista, nem na URSS, nem na Rússia contemporânea. No momento, o livro de Jörg Baberowski está sendo traduzido para o russo. O autor mostra-se cético: dificilmente terá muitos leitores na Rússia.

No país – assim como na Geórgia, onde o ditador nasceu em 1878 – há atualmente uma verdadeira euforia stalinista em alguns círculos. O autor consegue compreender o fenômeno, e prefere não julgá-lo.
“As pessoas que hoje aclamam Stalin, aclamam um império afundado e não se recordam da miséria da época”, opina. Os russos querem voltar a se orgulhar das guerras vencidas, por isso só se evoca o glorioso papel do grande marechal de guerra. A sociedade russa tira pouco proveito de reformas pacíficas; porém a mudança não pode vir de fora, afirma Baberowski.

O especialista em história do Leste Europeu tem recebido muitos elogios pela pesquisa meticulosa e pela apresentação cativante. Seu colega Gerhard Simon caracteriza a monografia como “arrebatadora, memorável e indispensável”. Ela oferece um contrapeso à memória histórica europeia, ainda fortemente concentrada no nacional-socialismo.

Vozes críticas

Stalin: polêmico, mesmo seis décadas após a morte

Stalin: polêmico, mesmo seis décadas após a morte

Outros pesquisadores apontam no trabalho de Baberowski emocionalidade e falta de distanciamento em relação ao objeto de estudo. Eles questionam essa tese de um tirano absoluto, que move todos os fios da política.

Em um ensaio para a revista Osteuropa, o historiador Stefan Plaggenberg, de Bochum, afirma que Stalin não foi um “maníaco geneticamente defeituoso”, mas sim um produto das circunstâncias.

Benno Enker, especialista em história do Leste Europeu de Sankt Gallen, Suíça, se incomoda com uma “equiparação das ditaduras terroristas” do nazismo e no stalinismo, acusando um “obscurecimento terminológico”. Já Christoph Dieckmann, do Instituto Fritz Bauer, critica o estudo por dar a impressão de que as ondas de violência stalinista viessem “como fenômenos naturais”, explicadas exclusivamente pelos “humores de Stalin”.

Todas essas diferentes tentativas de explicação confirmam: mais quase seis décadas após sua morte, a figura histórica de Stalin não deixa ninguém indiferente: nem o autor do livro, nem seus críticos. E muito menos os leitores.

Autoria: Cornelia Rabitz (av)
Revisão: Mariana Santos

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