Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Extremas

Veja como evitar que a sua redação seja anulada no Enem

0

Marcelle Souza, no UOL

Neste ano, o candidato que colocar receita de miojo ou hino do time no meio da redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) terá o seu texto anulado pela banca. Além de trechos sem conexão com o tema, é preciso ficar atento à quantidade de linhas, aos argumentos usados e à estrutura do texto para não zerar a redação.

O exame será realizado nos dias 26 e 27 de outubro e, na hora de escrever a redação, é preciso ter cuidado com argumentos que podem ser interpretados como desrespeito aos direitos humanos, o que pode acabar com o sonho da vaga em uma universidade.

“A redação do Enem exige que o candidato demonstre o mínimo de respeito pela vida, então é importante evitar opiniões unilaterais, extremas, radicais e discriminatórias”, afirma Francisco Platão Savioli, professor da USP (Universidade de São Paulo) e supervisor de português do Anglo Vestibulares.

Por isso, é recomendável que o estudante evite defender no texto atitudes extremas e questionáveis, como a pena de morte, a violência policial e a deportação de imigrantes. “A boa redação é a que mostra uma visão ampla, sustentada com bons argumentos, que tenham o menor grau de refutação possível”, afirma Savioli.

Para a professora Maria Aparecida Custódio, do laboratório de redação do curso e colégio Objetivo, o texto do Enem é um exercício de cidadania e deve evitar deboches e preconceitos. Se o tema for violência no trânsito, por exemplo, o candidato pode ter a redação zerada se defender a máxima “olho por olho, dente por dente”.

“O texto deve propor civilidade, educação no trânsito, campanhas na mídia, atuação mais rígida dos órgãos fiscalizadores, mas jamais defender a morte de um motorista que causou um acidente”, afirma.

Para ter uma boa nota
Quem pretende tirar uma boa nota deve, em primeiro lugar, ler atentamente o enunciado da redação e os textos de apoio. A partir daí, o aluno precisa entender qual é a proposta central e pensar em um texto que mostre o seu próprio repertório de leitura e que utilize dados dos textos da coletânea apresentada pelo exame.

Nesse sentido, se o tema proposto é a violência causada pela desigualdade social, por exemplo, o aluno vai perder pontos se abordar outro aspecto ligado à violência, já que a banca pode entender a abordagem como fuga do tema.

A leitura atenta da proposta também costuma indicar qual ponto de vista é proposto pelo exame. Como exemplo, ela cita o tema do Enem 2012 “Movimento imigratório para o Brasil no século XXI“. A partir dos apresentados na proposta, a professora diz que não foi bem vista a redação que defendia a expulsão dos imigrantes do país ou a redução de direitos desses cidadãos.

Se o estudante for contra, vai precisar usar argumentos muitos sólidos e que em nenhum momento agridam os direitos humanos. “Não é para fazer média com a banca, mas usar os textos para apresentar uma análise crítica, com uma proposta de intervenção”, afirma a professora do Objetivo.

Outras dicas
Além do cuidado com os argumentos utilizados, o candidato precisa ficar atento ao tipo de texto pedido: dissertativo-argumentativo. Escrever uma narração ou uma poesia, por exemplo, é garantia de anulação da prova.

A banca exige ainda que o texto tenha no mínimo sete linhas, ou então será considerado insuficiente e será zerado pela banca.

Inserir desenhos e textos completamente desconexos com o tema da proposta serão considerados “descompromisso com o exame” e redação será anulada.

Correção
A redação do Enem será corrigida por dois especialistas, de forma independente. Cada corretor dará uma nota entre zero e 200 para cada uma das cinco competências exigidas, totalizando mil pontos. A nota final corresponde à média aritmética simples das notas dos dois corretores.

Caso ocorra uma diferença de 100 pontos ou mais entre as duas notas totais ou se a diferença de suas notas em qualquer uma das competências for superior a 80 pontos, a redação passará por uma terceira correção.

Se não houver discrepância entre o terceiro corretor e pelo menos um dos outros dois corretores, a nota final do candidato será a média aritmética entre as duas notas totais que mais se aproximarem, sendo descartadas as notas não convergentes.

Caso o terceiro corretor apresente discrepância com os outros dois corretores, a redação corrigida por uma banca composta por três corretores que atribuirá a nota final ao texto do candidato.

Mudanças no perfil de bibliotecas são tema de estudo na USP

0

Para pesquisadora, equipamentos precisam romper barreiras e preconceitos para ampliar público

1

Publicado por Estadão

As bibliotecas dos Centros Educacionais Unificados (CEUs) permitiram que a leitura alcançasse locais onde antes não chegava, mas ainda precisam romper algumas barreiras e preconceitos para ampliar seu público. Essas são as principais conclusões da pesquisa desenvolvida por Charlene Kathlen de Lemos na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Por meio de sua análise foi possível perceber ainda que ocorreu uma reconstrução social a partir das experiências de educação cidadã que os CEUs da cidade de São Paulo oferecem.

A pesquisadora, bibliotecária e moradora da periferia paulistana, sempre pensou que, assim que as bibliotecas públicas fizessem parte da paisagem urbana das regiões mais extremas e pobres da cidade, os moradores dessas áreas imediatamente passariam a se apropriar desses equipamentos de forma mais ampla, visto que durante muito tempo essas regiões foram negligenciadas do acesso à biblioteca. Mas Charlene observou que a apropriação de equipamentos culturais estaria ligada a processos que vão além do simples acesso: entre tantas coisas, era preciso desenvolver um relacionamento com a comunidade. Isso a estimulou a pensar no papel da biblioteca nas periferias, a partir das experiências das bibliotecas dos CEUs da cidade.

A dissertação de mestrado Bibliotecas dos Centros Educacionais Unificados (CEUs): a Construção de uma Cultura Comum, orientada por Lucia Maciel Barbosa de Oliveira, analisa as relações entre a biblioteca e a cidade e entre a biblioteca e o público. Por meio das análises foi possível identificar que as bibliotecas dos CEUs em suas linhas de ação têm permitido a construção de uma biblioteca plural, no sentindo de agregar múltiplos saberes, ampliando, portanto, sua esfera de atuação. Foram acompanhadas duas bibliotecas de regiões periféricas de São Paulo.

Foi analisado de que forma as bibliotecas eram utilizadas em áreas de crise urbana como enchentes, desapropriações, mudanças de cenário e por pessoas que passavam intensas dificuldades nas áreas sociais e econômicas. “Em um CEU que estava localizado nas proximidades de uma favela os pais enviavam as crianças para a biblioteca para protegê-las caso houvessem desabamentos de barracos nas épocas de chuvas”, relata Charlene, apontando relações possíveis entre a biblioteca e a comunidade.

Os bibliotecários, por sua vez tiveram seus papéis ampliados, ou seja, a partir da realidade de sua comunidade, os profissionais se viram obrigados a pensar em atividades de ações culturais que não ignorassem os problemas sociais, mas que a biblioteca servisse de espaço de reflexão e discussão para esses problemas. Se o público de uma determinada biblioteca era formado por crianças ainda não alfabetizadas, trabalhar com multiblocos de brinquedos onde elas reproduzissem a sua casa ou a casa onde gostariam de morar eram estratégias para que, num primeiro momento, o espaço da biblioteca fosse ocupado e, a partir daí, a leitura, mesmo que ainda em sua forma oral, entrasse no dia a dia da população.

Papel social

É direito do cidadão usufruir dos equipamentos culturais de sua cidade e, por isso, é dever do governo fornecer acesso a eles. A existência de bibliotecas nas periferias aproxima os moradores desses equipamentos, visto que o cidadão não precisará deslocar-se do seu bairro para emprestar livros ou para participar de atividades e práticas culturais. No entanto, o preço a se pagar por isso é a permanência do cidadão nas áreas de periferia. A integração com outros circuitos culturais existentes na cidade é um dos grandes desafios dos CEUs e suas bibliotecas, assim como ajudar o morador da periferia a se ver como um cidadão. É claro que essa integração também esbarra em outros problemas como as deficiências do transporte público, por exemplo.

As ações culturais promovidas pelas bibliotecas — oficinas de histórias, feiras do livro, oficinas de artesanato, cursos, debates, clubes de leitura — permitem a ampliação do público contemplado por elas, além de mostrar que a biblioteca pode e deve ser um local democrático. É do imaginário popular que bibliotecas são locais de cultura erudita, de silêncio e estudos, porém esse modelo não cabe na realidade dos CEUs. É preciso haver a troca de ideias e saberes dentro desses espaços. A educação reside na troca de diferentes ideias e culturas, segundo Paulo Freire.

No entanto, o público atingido ainda não é suficiente quando se pensa na totalidade dos moradores de periferias. A possibilidade de expansão de público reforça a ideia de que há ainda diversas barreiras a se quebrar quando se pensa nas possíveis funções sociais de uma biblioteca. É necessário mostrar a face dinâmica das bibliotecas, funcionando até mesmo como lugar de recreação para as crianças. A vivência entre livros estimula a leitura e curiosidade desde a infância. Integrar os circuitos culturais da cidade é uma boa opção para ampliar o alcance do público, respeitando as tradições e individualidades de cada bairro.

“É ilusório acreditar que a biblioteca do CEU será a grande redentora dos excluídos; não dá para apagar a realidade da rua, da habitação precária, da violência, da exploração pelo trabalho. O direito à educação, à cultura, à informação vem acompanhado de um conjunto amplo de direitos. Contudo, se a biblioteca não for esse espaço público democrático, garantindo a liberdade de informação e de cultura, integrada a realidade da cidade, ela estará fadada ao esvaziamento”, conclui Charlene.

Imagem: Biblioteca Ceu Capão Redondo

Go to Top