Contando e Cantando (Volume 2)

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De ‘House’ a Portinari: grupo propõe guia para elevar empatia na medicina

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Docente da Unicamp promove práticas para combater cinismo no curso.
Produção será publicada pela Associação Brasileira de Educação Médica.

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Publicado no G1

O arquétipo sisudo e frio tornou-se alvo do professor Marco Antonio de Carvalho Filho, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Enquanto mostra o sofrimento na obra de Cândido Portinari e ironiza contradições do protagonista da série de TV “House”, ele não teme tornar-se vidraça dos colegas de jaleco. Para incentivar futuros médicos a desenvolverem empatia, capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa, o carioca decidiu aplicar uma série de práticas atreladas à arte e psicologia para que sentimentos nobres não sejam trocados por cinismo no curso. Um guia sobre o assunto deve ser publicado pela Revista Brasileira de Educação Médica (RBEM).

“Este envolvimento emocional me ajuda a tomar as melhores decisões com os pacientes. Muitos médicos criticam, mas, acho que se você tiver consciência dos sentimentos, eles podem ajudar durante a aplicação técnica”, defende o médico, de 40 anos, que atua no setor de terapia intensiva do Hospital de Clínicas. Ele conta que novas metodologias começaram a ser inseridas na Faculdade de Ciências Médicas há seis anos, para tentar aprimorar a comunicação dos estudantes na relação médico-paciente. “O formato clássico não estava sendo eficiente. Ao fim do curso, o aluno não tinha competências que a gente gostaria.”

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Cinismo e sucesso

Carvalho Filho pondera que o afastamento é um mecanismo de defesa adotado pelos futuros médicos em virtude do pouco desenvolvimento da bagagem social e afetiva, ainda que a vida estudantil tenha sido intensa do ponto de vista cognitivo. “Ele teve poucas chances de refletir sobre questões mais dramáticas da vida como perda, fracasso, solidão e desespero. Se você somar isso a um curso médio que hoje quase não tem filosofia, a experiência também não é muita rica”, afirma ao mencionar que as faculdades também não oferecem espaço adequado para o tema.

Em linguagem que o aproxima dos alunos, o professor esmiúça a memória para trazer à tona o dissabor emblemático no curso. Ele lembra que superou a primeira experiência de morte no segundo ano da graduação e, à época, não houve apoio. “Quando terminou o plantão, peguei um ônibus para casa, desci numa praça e comecei a chorar. Ninguém virou para mim e perguntou ‘O que você sentiu?’. Então há uma fantasia que, para conseguir lidar com isso, é preciso se afastar. Talvez o segredo seja aprender a sentir isso, é o que a gente mais defende”, detalha o especialista.

Dinâmica social
Segundo o médico, o comportamento também é influenciado pela dinâmica social em que o aluno vive, incluindo o uso de novas tecnologias no trabalho, e considera que há necessidade de reflexões sobre o sucesso profissional. “Você passa por uma quantidade de frustrações e desafios emocionais muito grandes […] A gente se aproximou da doença e se afastou do paciente”, resume antes de mostrar, durante apresentação ao G1, uma foto do contraditório personagem Gregory House com fita adesiva sobre a boca. “Ele é cínico, se permite ser mau, é cheio de problemas emocionais e não consegue ter uma relação afetiva. Ele passa as três primeiras partes do episódio errando, depois acerta. Por que ele atrai tanta gente?”.

Outro ponto mencionado por Carvalho Filho, ao ponderar sobre o comportamento da classe, é a falta de grandes debates sobre a cultura do imediatismo. “A gente passa pelas coisas e não reflete. É preciso coerência entre o que propomos e fazemos.”

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Música e pintura
O docente explica que diversas atividades culturais foram integradas ao curso de medicina. Entre os recursos de destaque estão as apresentações de pinturas aos alunos do segundo ano, incluindo obras como “El Coloso” (Goya), “Une Scène de Déluge” (Joseph-Desiré Court) e “Udslidt” (Hans Andersen Brendekilde) para identificação de sentimentos e emoções. Além disso, também são reproduzidas músicas como “Sinal Fechado” (Paulinho da Viola) e “Tocando em Frente” (Renato Teixeira) durante debates sobre como ajudar o paciente a manter felicidade ou voltar a senti-la, apesar do novo contexto.

“A experiência tem mostrado que não é o tempo absoluto que conta para ocorrer uma boa consulta, mas como você vive esse tempo”, ressaltou Carvalho Filho. No primeiro ano, para discutir a impotência e fantasias de poder que o médico possui diante da doença e morte, os estudantes entrevistam pacientes e realizam narrações reflexivas, disponíveis ao grupo.

Quase de verdade
Outra atividade incorporada ao curso de medicina foi o contato de estudantes do quarto e sexto ano com pacientes simulados por atores profissionais. A experiência embasou pesquisa acadêmica do médico Marcelo Schweller orientada por Carvalho Filho, e o impacto verificado nos participantes foi de aumento da empatia, segundo escala internacional.

“O aluno que está em formação leva com ele muito dos professores e médicos que ele acompanha. O problema é que estes profissionais já fizeram uma reflexão, sabem que o problema da sobrecarga está em parte no sistema, mas às vezes não explicam isso ao aluno. Não tem problema se emocionar com o paciente. Talvez daqui dez anos de carreira, o médico preferira se afastar, mas o problema é decidir isso antes de começar a trabalhar”, falou Schweller sobre a importância do modelo médico enquanto influência aos estudantes.

Um dos atores que integram o projeto, Adilson Ledubino, de 35 anos, disse que o trabalho inédito na carreira serviu para desmistificar preconceitos sobre os médicos e tornou-se um grande laboratório para as artes cênicas. O ponto de partida nas simulações, segundo ele, é o relato sobre o quadro clínico do “paciente”, além de informações sobre questões sociais e culturais para calibrar a atuação no placo.

“São compartilhadas experiências muito pessoais. Há um acordo de ambiente realmente seguro. Às vezes, um grupo inteiro chora junto, é muito impactante.”

Estudos
Além de Marco Antonio Carvalho Filho e Marcelo Schweller, também participaram do estudo “Metodologias Ativas para o Ensino de Empatia na Graduação em Medicina – Uma Experiência da Unicamp” os médicos Jamiro Wanderley, Márcia Strazzacappa, Flavio Cesar Sá e Eloisa Helena Rubello Celeri.

Já a pesquisa acadêmica orientada por Carvalho Filho e realizada por Schweller, publicada em 2014, pode ser consultada na revista Academic Medicine.

Sem falar idioma, jovem do DF parte para a Rússia para estudar medicina

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A fisioterapeuta Pâmella Carneiro da Cruz com livro de russo na biblioteca da UnB (Foto: Vianey Bentes/TV Globo)

A fisioterapeuta Pâmella Carneiro da Cruz com livro de russo na biblioteca da UnB (Foto: Vianey Bentes/TV Globo)

Baixo custo atrai alunos do mundo todo; semestre custa R$ 7,6 mil.
Aulas são em inglês e em período integral seis dias por semana.

Isabela Formiga, no G1

A brasiliense Pâmella Carneiro da Cruz, de 27 anos, não tem nenhum conhecido na Rússia, não fala o idioma do país e nunca enfrentou um inverno rigoroso, mas neste domingo (26) ela embarca para estudar medicina pelos próximos seis anos em uma cidade a 500 km de Moscou. Durante o período, ela vai ter aulas seis dias por semana em período integral com outros 11 alunos de todo o mundo na Universidade Médica Estatal de Kursk, considerada uma das melhores pelo governo do país.

Formada em fisioterapia, Pamela vai se juntar a outros 350 brasileiros que estão matriculados na universidade. O governo russo subsidia parte da bolsa de estudos para alunos internacionais. O preço cobrado por semestre chega a R$ 7,6 mil e inclui gastos com faculdade, moradia e plano de saúde.

Pâmella conta que assim que terminou a residência médica, em março deste ano, se matriculou em aulas de pré-vestibular determinada a ingressar em um curso de medicina na Universidade de Brasília (UnB). No meio do ano, o processo seletivo da instituição teve 3.620 candidatos disputando 36 vagas. Foi nessa período que a fisioterapeuta soube da possibilidade de estudar na Rússia e se candidatou para o curso, cuja seleção é feita por uma agência que representa as universidades russas no país.

Universidade de Kursk, a 500 km de Moscou, na Rússia (Foto: Emily Paola de Sá Pereira/Reprodução)

Universidade de Kursk, a 500 km de Moscou, na Rússia (Foto: Emily Paola de Sá Pereira/Reprodução)

Depois de enviar a documentação e passar por uma entrevista com a família, Pâmella foi uma das 98 selecionadas – 638 jovens haviam se candidatado. Desde então, ela vem buscando se informar sobre o país, já que não tem muitas referências da Rússia. “Não sei nada do idioma. Já peguei para ler alguma coisa a respeito, li o alfabeto, mas é muito diferente você aprender em sala de aula”, diz.

O curso é ministrado em inglês, mas os alunos também assistem a aulas de língua russa. Antes de começar a graduação, Pâmella e outros 11 alunos brasileiros vão fazer faculdade preparatória de medicina com aulas de ciências biológicas, para se adaptar à metodologia do país.

A fisioterapeuta Pâmera Carneiro da Cruz nos degraus da UnB (Foto: Vianey Bentes/TV Globo)

A fisioterapeuta Pâmera Carneiro da Cruz nos
degraus da UnB (Foto: Vianey Bentes/TV Globo)

“O bom de fazer aulas em inglês é que você fica com a fluência boa. Com isso, você pode se comunicar em qualquer lugar do mundo. Eles também são muito exigentes, dizem que fazem provas escritas e orais todos os dias, que você tem que estudar antes de ir para a aula. Isso é bom porque melhora a qualidade de ensino”, conta.

A estudante diz que está preparada para encarar as diferenças culturais, mas afirma que está com os “pés no chão”. “Estou ansiosa, feliz de ir. Mas não estou esperando nada demais. Estou esperando ter alguns choques culturais, vou ter que observar muito bem”, afirma. “Dizem que os professores são muito rígidos, que tem que levantar quando eles entram na sala de aula. Aqui, tem professor que vai ao bar com o pessoal. Acho que lá não é assim.”

“Sobre os russos, já ouvi diferentes opiniões. Tem pessoas que falam que são muito gentis. Outros falam que são meio desorganizados, meio brutos. Mas prefiro não julgar por isso, prefiro chegar lá, ver, e descobrir como as coisas funcionam.”

Quando voltar para casa, Pâmella e todos os estudantes brasileiros terão de submeter o diploma a um processo de reconhecimento em uma universidade brasileira. Segundo a Aliança Russa, o documento obtido na Rússia é reconhecido em toda a União Europeia. Pelo Tratado de Bolonha, que unifica o ensino superior na Europa, os alunos podem fazer residência e atuar em qualquer país do bloco. A validação, que antes custava R$ 12 mil por conta da tradução e legalização do conteúdo programático, atualmente não chega a R$ 1 mil.

Com especializações em acupuntura e oncologia, a estudante diz que, mesmo com a nova formação, não pretende deixar a prática de fisioterapia quando retornar ao Brasil. “O contato com as pessoas é muito bom, principalmente a parte da reabilitação. Posso intervir na sociedade, ajudar uma pessoa a voltar a andar, ajudar uma pessoa a comer”, afirma. “Ver uma pessoa que foi amputada colocar uma prótese e caminhar pela primeira vez é muito bom, é gratificante.”

A Aliança Russa informou que outros 11 alunos brasileiros formados em medicina na Rússia conseguiram entrar para o progama Mais Médicos. Além dela, embarcam para a Rússia neste domingo outros 15 estudantes brasileiros – 11 vão cursar medicina, e 4, relações internacionais.

Brasileiros encaram frio de -30°C para estudar medicina na Rússia

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Cerca de 600 brasileiros foram para universidades russas desde 2007.
Preço é uma das vantagens, porém validação do diploma é necessária.

Lucirio Gonçalves de Morais, de 25 anos, enfrenta o frio da Rússia para estudar medicina há 7 anos (Foto: Arquivo pessoal)

Lucirio Gonçalves de Morais, de 25 anos, enfrenta o frio da Rússia para estudar medicina há 7 anos (Foto: Arquivo pessoal)

Vanessa Fajardo, no G1

Mesmo com rigorosos invernos, com temperatura negativa abaixo dos -30°C e idioma difícil de aprender, a Rússia tem sido um dos destinos procurados por brasileiros interessados em fazer faculdade de medicina. Dos 600 brasileiros que embarcaram para o país com o objetivo de cursar uma graduação, desde 2007, segundo a Aliança Russa, responsável pelo processo de seleção dos estudantes, a maioria optou por medicina. Ainda, de acordo com a agência autorizada pelo governo russo a fazer o intercâmbio, nos últimos anos houve um aumento da procura de 28% pelos cursos de ensino superior. Apesar da crescente demanda, o número de vagas não muda, gira em torno de 80 a 100 por ano.

O brasileiro Diego Gonçalvez em frente à faculdade de medicina na Rússia (Foto: Arquivo pessoal)

O brasileiro Diego Gonçalvez em frente à faculdade
de medicina na Rússia (Foto: Arquivo pessoal)

Diego Goncalves Gonçalez, de 28 anos, é de Mogi das Cruzes (SP) e chegou em Moscou, na Rússia há 8 anos. Ele já concluiu a graduação de seis anos no Primeiro Instituto Estatal de Medicina de Moscou Sechenova e há um ano foi convidado pelo governo russo para permanecer no país e fazer residência. Diego ganhou uma bolsa de estudos por conta do bom desempenho na faculdade – na Rússia, a residência é paga – e optou por anestesiologia e reanimação.

Do grupo de 35 estudantes que chegou na Rússia com Diego, só ele e mais três concluíram a faculdade. O restante desistiu, seja pela dificuldade de adaptação com o clima ou com o idioma. “No inverno os termômetros registram 30 graus negativos, no meu primeiro inverno, em novembro de 2005, foi um dos mais rigorosos da Rússia em 20 anos, com temperaturas de 43 graus negativos.”

Foi uma grande e revolucionária escolha ter vindo estudar em Moscou, com a descrença de muitos, e apoio de poucos. Diferente de hoje, quando cheguei em 2005 praticante não havia estudantes brasileiros aqui”
Diego Goncalves Gonçalez,
de 28 anos, há 8 na Rússia

O brasileiro também teve dificuldades com o idioma e com o povo. “Passei por momentos difíceis como agressão de skinheads, e me livrei por pouco de um atentado terrorista no metrô de Moscou próximo da onde eu vivo.”

Porém, segundo o estudante, também houve os momentos felizes. “Realizei o sonho que eu tinha desde pequeno de ser médico. Fui orador da minha turma, e na presença dos meus familiares aqui em Moscou, para uma grande plateia russa, falei um pouco do meu Brasil.”

Na Rússia, Diego também pode dar continuidade à natação, que praticava há 15 anos no Brasil, participou de competições e chegou a trabalhar como técnico.

Diego optou por estudar na Rússia porque não conseguiu vaga nas universidades públicas de São Paulo e não tinha condições financeiras de pagar por um curso de medicina no Brasil. “Foi uma grande e revolucionária escolha ter vindo estudar em Moscou, com a descrença de muitos, e apoio de poucos. Diferente de hoje, quando cheguei em 2005 praticante não havia estudantes brasileiros aqui.”

Uma vez por ano, ele volta ao Brasil para visitar a família. Em julho de 2014, termina a residência e retorna em definitivo para iniciar o processo de revalidação do diploma e trabalhar no Brasil.

Lucirio Gonçalves de Morais enfrentou baixas temperaturas na Rússia (Foto: Arquivo pessoal)

Lucirio Gonçalves de Morais enfrentou baixas
temperaturas na Rússia (Foto: Arquivo pessoal)

‘Vi a Rússia como oportunidade’

Lucirio Gonçalves de Morais, de 25 anos, é de São Paulo, e estuda medicina na Rússia há 7 anos. O jovem diz que sempre teve o sonho de estudar em outro o país e viu a Rússia como oportunidade. No início, sofreu um pouco com as diferenças.

“O clima e o idioma foram as principais dificuldades e depois os costumes e a diversidade de cultura por conviver com pessoas de diferentes países. O grande desafio foi ficar longe da minha família, porém eles sempre me apoiaram”, afirma.

Lucirio diz que na universidade fez amigos no mundo todo e é vizinho de moradores de vários países como Uzbequistão, Cazaquistão, Malásia e Índia. “Acabamos convivendo juntos, criei fortes amizades e hoje somos como uma família. A Rússia é um país de fortes raízes culturais e históricas, é comum hoje em dia as pessoas contarem histórias de suas famílias, o quanto sofreram na guerra e como era suas vidas na antiga União Soviética.”

A música clássica também o ajudou no processo de adaptação. “Comecei a participar de orquestras, tocar em teatros e aprender técnicas que me aperfeiçoaram, e me ajudaram a se relacionar mais com os russos.”

Marcelo Goyos no centro cirúrgico da faculdade no Brasil onde estudou quatro anos (Foto: Arquivo pessoal)

Marcelo Goyos no centro cirúrgico da faculdade no
Brasil onde estudou quatro anos
(Foto: Arquivo pessoal)

Embarque recente

Enquanto Diego e Lucirio estão prestes a concluir sua temporada na Rússia, tem brasileiro no caminho inverso. Marcelo Seiler Pinheiro Goyos, de 24 anos, deixou a casa da família em São Paulo há uma semana, para estudar na Universidade de Kursk, na Rússia nos próximos seis anos.

Marcelo cursou quatro anos de medicina em uma universidade particular de São Paulo, mas queria ter a experiência de estudar fora do Brasil. Trancou a faculdade no ano passado e agora parte para recomeçar o curso do zero. “Eu até conseguiria aproveitar o currículo, mas há muitos termos médicos que crescem a cada ano. Eu poderia ter dificuldade mais para frente do curso por conta dos termos.”

Entre julho e setembro, o brasileiro vai fazer um curso preparatório de inglês e russo. Em setembro, inicia as aulas na universidade. Marcelo nunca foi para a Europa, mas acha que não terá dificuldade de adaptação. “Eu já moro sozinho, isso não me preocupa. Vou chegar no verão, vou conseguir pegar a mudança para o inverno aos poucos, comprar as roupas certas. Com a comida, não haverá problemas também, me adapto fácil.” A maior saudade será da irmã de 2 anos.

“Foi uma decisão muito difícil, mas agora estou animado. Me dediquei a esse projeto. Meu pai e meus tios são médicos e medicina é minha paixão”, diz o brasileiro que já planeja fazer a residência fora do Brasil também. Se for em cirurgia plástica será na França, se for em cirurgia vascular, na Alemanha.

1Exame de validação reprova 92%

Os Estados Unidos, país preferido dos brasileiros para estudos no exterior, não oferecem medicina como faculdade, somente em nível de pós-graduação. Bolívia, Cuba, Espanha e Argentina são outros países buscados por brasileiros que querem se tornar médicos, segundo dados do Inep, órgão do Ministério da Educação, que aplica o Revalida, prova obrigatória para validar no Brasil o diploma de medicina emitido no exterior.

Esta validação pode ser um empecilho para os brasileiros que optam por estudar medicina fora do Brasil, mas querem atuar em seu país de origem. Para conseguir a permissão, os formados precisam fazer o exame aplicado pelo Inep, cujo índice de reprovação beira a casa dos 92%. Em 2011, dos 393 inscritos, só 31 foram aprovados. No ano passado, 42 de um universo de 560, passaram (veja tabela acima).

Se por um lado, o Revalida pode ser um problema, por outro, fazer medicina na Rússia, por exemplo, tem vantagens como uma seleção muito menos rigorosa do que a brasileira e um custo bem menor, se comparado ao de uma universidade particular. Por semestre, segundo Carolina Perecini, diretora da Aliança Russa, o aluno gasta, em média, com o curso de medicina russo, R$ 5.500, com as despesas de mensalidade, moradia e plano de saúde. O valor chega a ser o equivalente ao de um mês no Brasil.

A seleção, menos rigorosa, funciona assim: a Aliança Russa faz uma primeira triagem por meio de uma entrevista com o candidato e seus pais para avaliar as condições emocionais. “Falamos da realidade que ele vai encontrar lá, pois tem de sair daqui pronto para morar fora, se virar sozinho. Além do mais, o curso é bem puxado. Tem aula teórica, prova oral, trabalhos e todas as aulas perdidas têm de ser repostas”, afirma Carolina. Segundo ela, cerca de 40% dos candidatos são eliminados nesta primeira etapa.

Se aprovado na entrevista, o estudante deixa o Brasil com a vaga garantida na Rússia, mas para ocupá-la de fato precisa ser aprovado em provas de química, física e biologia. As aulas são em inglês e quem não tem fluência no idioma pode fazer um curso preparatório de três, seis ou nove meses, antes de iniciar as aulas na universidade.

Quem se forma na Rússia recebe o diploma europeu, por conta do Tratado de Bolonha, e o custo é bem menor do que em universidades da Inglaterra ou França, segundo a diretora da Aliança Russa. Por causa do tratado, vários países da comunidade europeia têm carga horária e o currículo padronizados no ensino superior.

Bibliotecas digitais: confira 10 acervos de livros, mapas e documentos na internet

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Publicado por UOL

No quadro de Delacroix, o poeta Dante Alighieri, guiado por Virgílio, atravessa o rio Aqueronte a caminho do Inferno, a primeira etapa de sua “Divina Comédia”. Esta, que é uma das maiores obras da literatura universal, pode ser lida na íntegra, em português, no site Domínio Público. Nele você encontra também as mais importantes obras da literatura brasileira, portuguesa e universal, além de imagens e arquivos musicais, cujos direitos autorais já tenham se tornado públicos.

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Capa do primeiro número de Klaxon, revista que congregou os modernistas brasileiros e começou a circular pouco depois da célebre Semana de 1922. Você pode ler os exemplares da publicação, em edição fac-similar, na Brasiliana USP, uma biblioteca digital que guarda um precioso acervo bibliográfico e documental sobre temas brasileiros. Para pesquisas sobre história, cultura e sociedade do Brasil, a Brasiliana é uma fonte que não pode deixar de ser consultada.

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Sabe o que é telemedicina? Tem ideia de como as redes sociais podem atuar na área da saúde? Pois você pode descobrir assistindo à teleconferência do prof. dr. Chao Lung Wen, da Faculdade de Medicina da USP. No site e-aulas USP, há um grande acervo de aulas e teleconferências das áreas de ciências exatas, humanas e biológicas, abertas a qualquer interessado. Não se trata, porém, de material para principiantes, mas para quem já tem base nos assuntos que vai pesquisar.

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Plenário do Congresso Nacional, em 5 de outubro de 1988, na seção de promulgação da atual Constituição Federal. Na Biblioteca Digital do Senado Federal, você encontra 33.895 notícias de jornal sobre a constituinte, que integram um acervo muito variado, composto por mais de 200 mil documentos, cujo tema principal é legislação: livros, obras raras, artigos de revistas e notícias de jornal. Todos podem ser acessados ou baixados gratuitamente.

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Sabe onde fica a Rua Marechal Thaumaturgo, no municípo de mesmo nome? Não? Então, consulte o site do IBGE, que é um verdadeiro atlas on-line e muito mais. Nele você encontra informações atualizadas sobre os 5.570 municípios brasileiros, mapas destinados a públicos diversos, estatísticas, enfim, esse é o canal para quem precisa de informação confiável no que se refere à geografia do Brasil. Vale a pena conferir.

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A caricatura e a frase são de Aparício Torelli, também conhecido como Barão de Itararé, pioneiro do jornalismo de humor no Brasil. A biografia do Barão é uma das muitas que integram a história recente do Brasil e podem ser lidas no excelente Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro, do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas. Basta se cadastrar para ter acesso gratuito ao acervo que reúne 6.584 verbetes de natureza biográfica e 969 temáticos, relativos a instituições, eventos e conceitos de interesse para a história do Brasil pós-1930.

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Quem passa diariamente pela 23 de maio, em São Paulo, talvez não saiba nada sobre Tomie Ohtake, a autora dessa escultura que dá um aspecto inusitado ao cenário da movimentada avenida. Sobre essa grande artista nipo-paulistana, assim como sobre artes plásticas em geral (instituições e museus, obras, termos e conceitos), uma ótima fonte de pesquisa on-line é a Enciclopédia Itaú de Artes Visuais.

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A trágica foto do falso suicícido do jornalista Vladimir Herzog lembre um período trágico da história do Brasil, que você pode conhecer lendo “Vlado – 30 anos depois”, o roteiro do documentário de João Batista de Andrade sobre o fato. O texto integra a coleção Aplauso que resgata a memória do teatro, do cinema e da televisão brasileira. Todos os volumes da coleção estão disponíveis para leitura on-line no site da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, que tem também muitas outras obras para download grátis.

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O Largo do Repuxo, no passeio público do Rossio, na Lisboa do século 19 é um dos cenários do romance “O primo Basílio”, de Eça de Queirós, uma das obras da literatura portuguesa que você pode encontrar para baixar – inclusive em formato de ebook – ou ler on-line no site do Projeto Gutenberg. São cerca de 30 mil obras em língua portuguesa que estão disponíveis, mas, se você souber inglês, esse número pula para mais de 100 mil.

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Para quem sabe inglês, um excelente atlas on-line é o The World Factbook, mantido pela Central Intelligence Agency, o serviço secreto norte-americano. Deixando de lado as considerações políticas sobre a CIA, que costuma ser alvo de ódio e desprezo tanto for a quanto dentro dos Estados Unidos, o Factbook traz informações atualizadas sobre história, população, governo, economia e geografia, além de mapas de países e regiões do mundo. Gratuitamente, não se encontra nada tão completo e confiável.

Imagens: Reprodução

Goiano passa em seis vestibulares de medicina em instituições públicas

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‘Nunca pensei em desistir’, diz jovem após quatro anos de tentativas.
Ele decidiu estudar na Universidade Federal de Goiás, onde foi 4º colocado.

Paula Resende, no G1

Estudante passou em seis vestibulares para curso de medicina (Foto: Adriano Zago/G1)

Estudante passou em seis vestibulares para curso
de medicina (Foto: Adriano Zago/G1)

Após quatro anos prestando vestibulares por todo o país, o jovem Gabriel Alvarenga, de 20 anos, foi aprovado em seis instituições de ensino públicas para o curso de medicina. “Não me via exercendo outra profissão”, conta o estudante. A faculdade escolhida para realizar o sonho de se tornar médico foi a da Universidade Federal de Goiás (UFG), onde passou na 4º colocação.

O objetivo dele sempre foi estudar na instituição goiana devido à qualidade do ensino e à proximidade da família e dos amigos. “Prestava nas outras porque não dá de prestar só um vestibular”, explica. Gabriel também foi aprovado nas universidades federais do Triângulo Mineiro, do Amazonas e do Acre, na Faculdade de Medicina de Marilia e na Escola Superior de Ciências da Saúde de Brasília.

O jovem mal teve tempo de descansar, pois as aulas da UFG começaram no último dia 25 de março. “Agora, troquei os livros do cursinho pelos da faculdade”, comenta.

Trajetória
O rapaz sempre estudou em escolas particulares, desde que morava em Rubiataba, cidade goiana onde nasceu. Para intensificar os estudos, ele deixou a família no interior e se mudou há seis anos para Goiânia para cursar o ensino médio. Foi quando decidiu qual carreira queria seguir. “É uma profissão muito nobre, que ajuda as outras pessoas”, conta. De acordo com o rapaz, o gosto pela área de biológicas também ajudou na escolha.

Após concluir o 3º ano do ensino médio, o jovem fez mais três anos de curso pré-vestibular. Além das aulas, ele estudava mais de 8 horas por dia. No entanto, Gabriel afirma ser fundamental reservar um tempo para si mesmo. “Nunca só estude, tenha suas horas de lazer, mas enquanto estiver estudando, seja disciplinado”, ensina. Ele comenta que reservava as noites de sábado e manhãs de domingo para fazer o que quisesse, como ir ao cinema com a namorada, à casa dos tios ou jogar bola.

Gabriel havia parado de tocar violão para estudar, mas já retomou a atividade (Foto: Adriano Zago/G1)

Gabriel havia parado de tocar violão para estudar, mas já retomou a atividade (Foto: Adriano Zago/G1)

O jovem lembra que também é preciso abrir mão de certas coisas, como momentos em que a família está toda reunida ou de viagens longas. Inclusive, ele parou de tocar violão, atividade que já retomou.

Gabriel ressalta que quem quer fazer medicina não deve se importar com a rotina estressante e os possíveis anos de estudo. “Deve-se propor a estudar até passar, independente do tempo”, afirma. Para ele, vale a pena se esforçar para ser aprovado em uma faculdade pública. “Estou muito realizado, me sinto bem, passei na hora certa”, conta.

Apesar da alegria e satisfação pela aprovação, Gabriel não se esquece da longa trajetória de estudo e das decepções ao não passar no vestibular. “Quando saia a lista e não via meu nome, vinha aquela tristeza. Pensava, ‘Nossa, cursinho de novo, será que é isso mesmo que eu quero?’. Depois, a tristeza passava. Não é uma prova que ia mudar meu sonho. Nunca pensei em desistir”, ressalta.

Gabriel afirma que, além de estudar muito, ter tranquilidade ao fazer as provas faz a diferença. “É primordial ter tranquilidade. A experiência me ajudou a ficar calmo. No início, acredito que era prejudicado pela falta de tranquilidade, por ficar desesperado em passar”, dá a dica.

"Experiência me ajudou a ficar mais calmo", diz estudante sobre vestibular (Foto: Adriano Zago/G1)

“Experiência me ajudou a ficar mais calmo”, diz estudante sobre vestibular (Foto: Adriano Zago/G1)

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