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O lado pedagógico da Lava Jato: como tratar o tema com as crianças

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Publicado no G1

Para muitas crianças pode parecer estranho o clima de euforia com que são acompanhadas algumas das prisões de empresários e, mais recentemente, até de líderes políticos, pela operação Lava-Jato. Afinal, para elas, habituadas aos roteiros de contos de fadas e dos filmes de mocinhos e vilões, em princípio seria natural que aqueles que transgridem a lei fossem julgados e, se necessário, condenados – sentimento do qual os adultos começaram a duvidar, depois de tantas décadas de indulgência e impunidade.

Esse ambiente de ceticismo não foi nada benéfico para a educação e, em muitos casos, chegou a contaminar a tarefa das instituições de ensino. É comum que os professores sejam colocados em xeque quando, em tom de brincadeira, as crianças dizem que “ser honesto é ser otário”. Ou quando os estudantes trazem de casa mensagens controversas, como: “meu pai sempre diz que no Brasil só os corruptos se dão bem”. É um verdadeiro desafio, na sala de aula recriada sob o pano de fundo do jornal de cada dia, ensinar e promover valores.

Nem todas as escolas e faculdades saíram ilesas desta contaminação corrosiva. Em muitas instituições, atos de indisciplina e desrespeito, mesmo quando graves, começaram a ser tratados com descaso. As crescentes agressões a professores, atos impensáveis em outras épocas e em outros países, podem ser relacionadas a essa atmosfera de “laissez-faire”. Até o nível de exigência nas avaliações anda relativizado. Alguns professores relatam que, por mais que os alunos não estudem o suficiente, em algumas instituições há uma espécie de acordo tácito para aprovar a maior parte das turmas.

Eventos análogos foram ocorrendo em outras esferas. Naturalizou-se o fato de que houvesse privilégios nas unidades de saúde pública, para antecipar cirurgias ou conseguir remédios, que houvesse benefícios indevidos e filas furadas nos processos de aposentadoria, e assim por diante.

Tudo isso é extremamente nocivo, tanto para a formação do indivíduo e do cidadão, como para a construção da sociedade, que acaba se erguendo sobre bases fraudulentas e pilares de areia.

O movimento que temos acompanhado, contra a corrente de impunidade e permissividade, é muito educativo. Mostra que o que está escrito – não só nos contos de fada, mas sobretudo nas leis – pode de fato acontecer na prática.

Dependendo da forma como essas prisões e processos forem tratados, as crianças desta geração podem aprender a fecunda lição de que o crime realmente não compensa. Por sua vez, poderão ensinar aos filhos que vale a pena seguir o caminho da decência, sem atalhos, e que um país justo é aquele onde as normas são iguais para todos. É nisso que estamos – crianças e adultos – timidamente, mas cheios de esperança, voltando a acreditar.

Por que as universidades custam tão caro nos EUA?

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O que leva estudantes a se endividar por décadas e desembolsar R$ 140 mil por ano pelo diploma de uma boa instituição americana?

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Publicado no G1

Cursar uma universidade nos Estados Unidos é mais caro do que em qualquer outro lugar do mundo.

Uma matrícula anual pode custar US$ 50 mil (R$ 141 mil) em algumas universidades privadas americanas. Isso sem contar acomodação, alimentação e material didático.

Mas será que um diploma de uma universidade dos Estados Unidos vale tudo isso? O que explica que seja tão caro?

Uma das faculdades americanas mais caras do país fica perto do escritório da BBC em Washington. A George Washington, ou GW, como é conhecida, dobrou o preço de sua matrícula na última década.

O presidente da universidade na época, Stephen Trachtenberg, investiu em dormitórios sofisticados, instalações esportivas caras e aulas com a mais avançada tecnologia, em uma estratégia para tornar a faculdade mais atraente.

Funcionou: quanto mais se gastou, mais as matrículas aumentaram e mais jovens quiseram estudar ali.

Trachtenberg não se arrepende da inflação no custo das matrículas. Ele argumenta que isso tem colocado os alunos nos melhores empregos.

Se um estudante encontra um emprego logo depois da graduação, ele diz, “então a universidade cumpriu seu objetivo e o objetivo que a sociedade queria. Se eles podem pagar a dívida, isso não é um problema”, disse o ex-presidente da GW.

Mas se o aluno não vem de uma família rica, essas dívidas podem ser enormes. O alto custo das matrículas cria uma clara divisão entre os estudantes que têm e os que não têm dinheiro.

Sobrevivendo
Conversando com estudantes da GW, é possível notar a dificuldade que eles têm para pagar as matrículas universitárias. Cada um trabalha pelo menos meio período e ainda assim eles estão acumulando dívidas.

Cindy Zhang cursa Relações Internacionais e trabalha em dois empregos. Seus pais ajudam um pouco, mas ela ainda têm prestações a pagar que somam US$ 10 mil (R$ 28 mil) por ano.

Shanil Jiwani atualmente deve US$ 60 mil (R$ 169 mil) e acredita que esse valor dobrará até sua graduação.

Os dias de Silvia Zenteno como universitária estão prestes a acabar. Mesmo tendo recebido a ajuda máxima da universidade e trabalhando 30 horas por semana, a estudante vai se formar com uma dívida de US$ 40 mil (R$ 112 mil).

Por que sacrificar todo esse tempo e dinheiro para bancar uma universidade nos Estados Unidos? Talvez porque os estudantes não tenham muitas alternativas em terras americanas.

Emprego
“Quando estamos falando de carreira, de quanto dinheiro você vai ganhar, seu custo com universidade é como um investimento”, disse Anthony Carnevale, diretor do Centro de Educação e Força de Trabalho na Universidade de Georgetown.

Segundo ele, o fato de os americanos não contarem com a ajuda de programas de proteção social, como muitos países da Europa, faz com que os diplomas universitários dos Estados Unidos sejam mais “valiosos” que os de outros países.

Dessa forma, paga-se muito pelo diploma de uma boa universidade que possa resultar em um bom emprego e um salário suficiente para amortecer a dívida contraída durante a universidade.

O ciclo vicioso de inflação não dá sinais de esgotamento. A GW acaba de publicar o preço da matrícula para o próximo ano: US$ 50.367 (R$ 142 mil), um aumento de 3,4% em relação ao ano passado.

O que poderia limitar a alta dos custos é uma instituição maravilhosamente igualitária: a internet. Cada vez mais universidades americanas estão oferecendo cursos virtuais gratuitos. Com eles, os alunos não têm acesso físico às salas de aula nem aos campus modernos, mas ainda é possível obter uma boa educação.

Se os custos das matrículas continuarem a subir na velocidade atual, pode chegar o dia em que os estudantes americanos olhem para os cursos online e achem que são um bom negócio.

Expansão universitária ajuda desemprego a cair

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Julio aposta na faculdade de Engenharia de Produção. Davi Ribeiro

Julio aposta na faculdade de Engenharia de Produção. Davi Ribeiro

Há mais jovens nos bancos escolares e menos nas filas de emprego

André Barrocal, no Carta Capital

Julio Marks Morales de Silva, de 18 anos, acaba de concluir o primeiro semestre de Engenharia de Produção em uma faculdade paulista. No Rio Grande do Sul, Verônica Sallet Soster, de 19, encerrou o segundo em Arquitetura. Distantes 1,1 mil quilômetros, ambos vivem histórias parecidas. Com o apoio dos pais, concentram-se em livros e provas e adiam a busca de trabalho. “Às vezes, eles me dizem para eu procurar algo, pela experiência. Mas só estudar é bom, tenho mais tempo para me dedicar ao curso”, comenta Julio. “Eu vivo uma situação particular, tenho bolsa de 80% porque minha mãe é professora na universidade. Acredito que podendo me empenhar agora no estudo, terei mais qualidade”, avalia Verônica.

A dupla participa de um capítulo raro na biografia nacional. A rapaziada nunca foi tão numerosa nas faculdades, enquanto a massa de jovens com emprego é das menores do século. A combinação explica um paradoxo escancarado neste ano. A economia quase parou em 2014 e teve um de seus piores resultados dos últimos tempos (em 12 meses, o crescimento não chegará a 1%). O desemprego, contudo, seguiu declinante e chegou a pisos históricos, na casa dos 5%. A perda de fôlego na criação de vagas foi compensada pela redução da tropa a folhear classificados, graças à turma com dedicação exclusiva à conquista do diploma, entre outras causas.

A quantidade de brasileiros com idade entre 18 e 24 anos em cursos de ensino superior atingiu um recorde, segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, divulgada em setembro. Era de 16,5% em 2013. Sobe sem parar desde 2004, quando estava em 10,5%. No período, a presença dos jovens no mercado de trabalho percorreu trajetória inversa. A proporção dos empregados, informa a Pnad, era de 60,8% em 2013. Após um pico de 64% em 2008, ano da crise financeira global, só fez recuar, até tornar-se a menor desde 2003.

Expansão universitária ajuda desemprego a cair

 

A crescente opção dos graduandos por concentrar-se nos estudos ampara-se em duas razões. A primeira: os cursos ficaram mais acessíveis e baratos. Em uma década, dobraram as vagas e matrículas nas universidades federais. Programas como o Fies, de crédito estudantil subsidiado, e o ProUni, de isenção de impostos a instituições receptoras de alunos de baixa renda, duplicaram as inscrições na rede privada. Além disso, a criação de 20 milhões de vagas de trabalho e a alta dos salários abriram uma folga no orçamento das famílias capaz de tirar dos filhos a pressão por contribuir com o sustento da casa.

O quadro fica nítido a partir de 2011, aponta Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, que elabora a Pnad. É quando a força de trabalho não ativa – indivíduos aptos, mas que por decisão própria não buscam emprego – começa a crescer e situar-se em outro patamar. Se, na década passada, estava em 31%, agora anda pelos 34%. Por causa dos universitários, em boa medida. “Os jovens são o grupo com mais barreiras para conseguir emprego, por falta de formação e qualificação, e o mercado está cada vez mais exigente. Se eles só estudam, melhoram seu desempenho educacional e suas oportunidades”, explica Azeredo.

A dedicação ao estudo abre uma perspectiva promissora, e não só para quem permanece nas escolas. Mais bem capacitada, a mão de obra nacional dotará a economia de melhores condições para enfrentar rivais estrangeiros aqui ou no exterior. As forças produtivas esperam por isso. E com êxito, ao que parece. Desde 2011, os cursos de Engenharia passaram a ser mais procurados do que carreiras como Direito. “Veremos resultados importantes daqui a 10, 15 anos. Teremos um incremento no valor agregado da nossa produção, o que vai permitir maior crescimento da renda e do PIB”, afirma o ministro da Educação, Henrique Paim.

O aumento da chamada produtividade tende a causar demissões, pois um grupo menor de empregados consegue gerar mais riqueza. Se a preferência dos jovens por se dedicar à graduação ocorresse em um ambiente de elevado desemprego, os trabalhadores, em seu conjunto, teriam razões para temer. Como não é o caso, talvez até tirem proveito. “Eles vão poder participar mais dos resultados das empresas. Mas para isso o sistema público tem de investir em formação técnica e na intermediação da busca de trabalho”, aconselha Clemente Ganz Lúcio, diretor do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômico (Dieese).

Expansão universitária ajuda desemprego a cair

O País também tem suas obrigações para com os caçadores de diploma. De nada adiantará um canudo, se não houver vagas para as funções cobiçadas. Os jovens são um fator determinante do mercado de trabalho e desequilibram os índices de desemprego. A desocupação na faixa entre 18 e 25 anos costuma ser o triplo da média, segundo estudos internacionais. “O mercado de trabalho juvenil até agora não foi afetado pelo baixo crescimento, mas, se for, o mercado de trabalho inteiro vai sentir. O Brasil precisa voltar a crescer”, afirma Waldir Quadros, um dos maiores especialistas do tema, professor aposentado do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho da Unicamp.

A perspectiva de dias piores passa longe dos pensamentos de Julio e Verônica, exemplos citados no início da reportagem. Eles estão certos da recompensa pelo esforço. “Não acredito que terei dificuldades para encontrar um emprego, pois arquitetura é muito importante hoje em dia”, acredita a gaúcha, que tem planos de conseguir estágio para realizar o sonho de um dia trabalhar pela recuperação do patrimônio histórico. “Como engenheiro de produção, posso trabalhar em qualquer área, a carreira oferece oportunidade em hospital, indústria, banco”, afirma o paulista. “O País vai precisar, independentemente do setor.”

Estupros na USP expõem omissão de universidades

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As denúncias recentes de casos de estupro ocorridos em uma das faculdades mais tradicionais do país expuseram um problema recorrente em várias universidades brasileiras: a omissão das instituições para coibir os abusos em trotes e festas universitárias, especialmente com os chamados “calouros”, que recém-ingressaram na universidade.

Alunas da FMUSP relatam abuso sexual em festas da faculdade em audiência pública

Alunas da FMUSP relatam abuso sexual em festas da faculdade em audiência pública

Renata Mendonça, na BBC Brasil

As alunas da Faculdade de Medicina da USP em São Paulo (FMUSP), vítimas de abusos sexuais em duas festas realizadas dentro do campus, chegaram a denunciar seus agressores, mas se disseram “silenciadas” pela universidade.

“O que essas meninas que sofreram violências mais relatam pra gente de resposta institucional é o silêncio”, conta Ana Luiza Cunha, aluna do 3º ano de medicina e uma das fundadoras do Coletivo Geni, um grupo criado para dar voz às vítimas de violência dentro da FMUSP.

“Essas violências são conhecidas por quem está lá dentro há muito tempo, mas a diretoria se omite, fala que não sabia.”

A FMUSP, porém disse que “se coloca de maneira antagônica a qualquer forma de violência e tem se empenhado em aprimorar seus mecanismos de prevenção destes tipos de casos, apuração de denúncias e acolhimento das vítimas.”

Os casos recentes reacenderam o debate sobre a responsabilidade das universidades diante do que acontece em trotes e festas vinculadas a ela.

Coletivo feminista Geni vestiu camisa contra o machismo em festa no início do ano e sofreu hostilizações

Coletivo feminista Geni vestiu camisa contra o machismo em festa no início do ano e sofreu hostilizações

Legislação

Não há lei federal que discorra sobre o trote universitário por enquanto – há um projeto de lei que ainda tramita no Congresso. No entanto, no caso de São Paulo, já há uma legislação específica que proíbe o trote violento atribuindo às instituições a responsabilidade por adotar medidas preventivas e impedir a prática dele.

Segundo essa lei (nº 10.454) – que entrou em vigor em 1999, após um calouro de medicina ter morrido afogado em um trote da USP -, a universidade pode ser responsabilizada por um aluno agredido ainda que o trote tenha acontecido fora das dependências dela, “porque a relação entre os alunos está ligada à entidade.”

Para a promotora do Ministério Público do Estado de São Paulo, Paula Figueiredo, que instaurou um inquérito para apurar os casos de violações aos direitos humanos na USP, a universidade tem o dever de investigar esse tipo de violência. “As coações aos novatos ocorreram lá dentro, há, sim, um dever da faculdade de apurar o que aconteceu e dar uma resposta”, disse à BBC Brasil.

A promotora explica que, mesmo em casos de festas organizadas por Atléticas – como é o caso da Carecas no Bosque, onde ocorreu um dos abusos -, “a diretoria da universidade tem responsabilidade por tudo o que acontece dentro do campus.”

O inquérito foi instaurado e agora Paula Figueiredo segue ouvindo depoimentos dos envolvidos. Segundo ela, se for comprovado que “a conduta da instituição gerou danos a uma pessoa, ela pode ter que fazer medidas compensatórias concretas, como uma manifestação expressa de retratação ou até promover políticas de inclusão.” Há ainda a possibilidade de ela ter que pagar uma indenização para o fundo de direitos coletivos que financia ações sociais.

Relatos

Relatos de abusos – sexuais ou físicos – em trotes ou festas universitárias não são uma exclusividade da FMUSP e costumam ser recorrentes nas universidades brasileiras em geral.

“Tem muito disso. Mulheres que têm que simular sexo oral na banana, tenho um amigo que teve um cigarro apagado na mão por um veterano”, conta uma estudante da Unesp Botucatu (SP) que não quis ser identificada.

Na UFMG, uma caloura foi pintada com tinta marrom, enrolada em uma corrente e chamada “Chica da Silva” em 2013. Na UFPR, em 2012, os veteranos do curso de Direito distribuíram um manual de sobrevivência dos calouros ensinando “como se dar bem na vida amorosa utilizando a legislação brasileira.”

Manual de conduta entregue aos bixos de Direito da UFPR em 2012

Manual de conduta entregue aos bixos de Direito da UFPR em 2012

A Unesp de Bauru tem o tradicional “leilão de RP (Relações Públicas)”, em que calouras desfilam para veteranos do curso de Engenharia e são leiloadas em lotes – eles pagam uma quantia (que pode ser de R$ 50, R$ 100) e levam as calouras para as repúblicas. Até 2007, o evento acontecia em uma sala de aula, mas foi proibido pela faculdade e atualmente ocorre em repúblicas.

Segundo a coordenadora do programa USP Diversidade (vinculado à pró-reitoria), Heloisa Buarque, “esse escândalo da USP acontece não por causa dos rituais, mas pelo estupro, porque isso ninguém pode aceitar”. “A imagem da FMUSP é importante, mas é o momento de ela mostrar que ela não vai aceitar mais isso. Há tradições que não têm que ser mantidas.”

Muitas vezes, por serem considerados uma “tradição” dos cursos, os rituais impostos por veteranos nos trotes acabam sendo encarados como algo “normal” para os alunos novos.

“Isso é meio perverso porque realmente ninguém está lá contra a vontade, mas normaliza-se a violência a um ponto de as pessoas pensarem ‘eu tenho que aturar essa violência pra fazer parte disso'”, disse Ana Luiza. Ela conta que o próprio Coletivo Geni sofre hostilizações na USP de pessoas que não concordam com as “violências” que elas estão denunciando.

“Muitos falam que é culpa da vítima, que não é abuso porque a menina estava bêbada e permitiu. Outros vieram nos criticar quando usamos uma camiseta contra o machismo no trote dizendo que ‘não tem machismo na faculdade'”.

Combate

Algumas faculdades promovem atividades culturais ou o chamado “trote solidário” para substituir os tradicionais rituais de tinta e brincadeiras praticados pelos veteranos. Além disso, algumas criaram ouvidorias ou “disque-trote” para os alunos fazerem denúncias.

No IME, calouros simulam sexo com mulher desenhada no chão

No IME, calouros simulam sexo com mulher desenhada no chão

A Unesp Botucatu chegou a abrir uma Comissão Central de Sindicância esse ano para apurar abusos em trotes – no mês passado, essa comissão anunciou a expulsão de Luís Yori Almeida Galvão, aluno da Medicina, acusado de praticar o trote violento. Já a Unicamp coloca comissões de plantão para fiscalizar o trote dos cursos.

Algumas faculdades particulares enfrentam o mesmo problema e também buscaram soluções. No caso da PUC, em Sorocaba, alunos da medicina criaram um Grupo de Apoio ao Primeiranista, que inclui núcleos e apoio psicológico e social para dar suporte a calouros que sofram eventuais violências ou tenham algum tipo de problema na faculdade.

A Faculdade de Medicina do ABC implantou câmeras pelo campus e também criou sindicâncias para investigar abusos. Em uma delas, dois alunos foram expulsos e quatro suspensos por terem levado calouros a um educandário próximo à faculdade e aplicado o trote do “cartão vermelho” (colocaram pimenta no ânus dos alunos).

No entanto, a punição acabou sendo revertida. “Os alunos foram à Justiça Comum e conseguiram reverter. O Ministério Público tem que trabalhar junto com as faculdades pra isso. Tem que mexer na lei”, disse à BBC Marco Akerman, à época vice-diretor da Faculdade de Medicina do ABC e atualmente professor da Faculdade de Saúde Pública da USP.

“Nossa formação é universitária, não é diversitária. Acaba sendo machista porque a maioria dos professores e diretores são homens, e aí vai se formando uma cultura de formação machista, homofóbica e racista”, explicou.

“A Universidade tem que assumir a organização do trote e das atividades de recepção junto com alunos. Tem que tirar isso da penumbra, mostrar pra sociedade o que está acontecendo.”

Proibição

Outra opção muito discutida nas universidades – inclusive na FMUSP – é a proibição de festas com álcool dentro do campus. Essa medida foi adotada pela Faculdade de Medicina do ABC, mas não agradou nem aos alunos, nem aos pais deles.

“Recebemos um abaixo-assinado com 600 assinaturas de alunos e 150 de pais. Eles acham que é mais seguro os filhos irem a festas na faculdade do que fora dela”, disse Akerman.

Concurso de "Miss Bixete" é comum nos trotes de universidades do Estado de São Paulo

Concurso de “Miss Bixete” é comum nos trotes de universidades do Estado de São Paulo

A FMUSP por enquanto apenas suspendeu as festas no campus. Na semana passada, a diretoria anunciou a “criação do Centro de Defesa dos Direitos Humanos, com assistência jurídica, ouvidoria, assistências psicológica e de saúde, para apoio de alunos da instituição que se sentirem vítimas de qualquer tipo de violação”, e disse que vai ampliar o sistema de vigilância, além de estabelecer novas regras para o consumo de álcool na faculdade.

O Coletivo Geni está otimista com as medidas e espera que as ações sejam estendidas a toda USP. “A universidade tem que fazer uma autocrítica, tem que sair do seu isolamento e voltar a se preocupar com o tipo de aluno que ela está formando e se esses profissionais vão trazer uma transformação da sociedade para que ela não seja só uma fábrica de diplomas”, concluiu Ana Luiza.

As 100 melhores universidades do mundo

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(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)

Publicado por Olhar Digital

O site Times Higher Education divulgou a lista das melhores universidades de 2013. Após ficar para trás no último ranking, a Harvard volta a liderar entre as instituições de ensino. A Stanford, Berkeley, MIT e a Universidade de Cambridge aparecem em seguida, fechando a relação das cinco primeiras.

As faculdades norte-americanas saem na frente no top 10, perdendo para o Reino Unido apenas na 5ª a e 10ª posições. Já o Brasil, diferente da última publicação que listava as mais renomadas, não aparece entre as 100 melhores. Em ranking divulgado em março último, a USP (Universidade de São Paulo) ficou entre as 70 universidades com melhor reputação, desbancando a francesa Sorbonne.

Vale lembrar que a melhor escola de ensino superior do mundo tem cursos de TI disponíveis. Para entrar na Harvard, contudo, não é preciso se submeter a um vestibular. O comitê de admissão da instituição analisa as notas obtidas pelos alunos durante o ensino médio, o nível de envolvimento com a comunidade local, atividades extracurriculares e experiência de trabalho.

Um representante do escritório de admissões da Harvard costuma visitar cidades brasileiras para dar detalhes sobre o processo seletivo e bolsas oferecidas pela universidade. Há diversas etapas que incluem entrevistas e proficiência de inglês que, aliás, precisa ser comprovada pelo exame TOEFL (Test of English as a Foreign Language).

Para quem se interessou, saiba mais aqui. E aproveite e veja aqui como participar do processo de admissão de outras faculdades listadas como as melhores do mundo.

Veja os 25 primeiros lugares abaixo ou a lista completa aqui.

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dica do Ailsom Heringer

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