Posts tagged Falar

Falar outra língua deixa você frio

0

publicado na Super

Você desviaria um trem, fazendo-o atropelar um homem, se isso fosse salvar a vida de várias outras pessoas? Durante uma experiência* feita pela Universidade de Chicago, dois em cada dez entrevistados responderam “sim” para esse dilema moral. Em seguida, os psicólogos reuniram um segundo grupo e refizeram a pergunta. Só que, desta vez, utilizando um idioma que não era o nativo dos voluntários. Houve testes em inglês, espanhol, francês e hebraico. Resultado: a quantidade de pessoas que aceitaria matar o homem subiu 65%.

dicc

“Quando usam uma língua estrangeira, as pessoas tendem a pensar de modo mais frio”, explica a psicóloga Sayuri Hayakawa, líder do estudo. Segundo ela, isso pode resultar em decisões menos emocionais e mais racionais – como, no exemplo proposto pelo teste, sacrificar uma vida para salvar várias outras. Os pesquisadores não sabem ao certo por que essa mudança acontece. Uma possível explicação é que, quando pensamos e falamos na nossa própria língua, o cérebro age de forma intuitiva, porque já está familiarizado com aquilo (você é capaz de falar sem pensar).

Já quando temos de nos expressar em outro idioma, é diferente. O cérebro é forçado a trabalhar mais, porque tem de raciocinar sobre as palavras que irá usar e como irá arranjá-las para construir frases. De acordo com o estudo, esse esforço intelectual atrapalha a chamada “ressonância emocional”, ou seja, a capacidade de se identificar com as emoções dos outros, o que resultaria em escolhas mais frias. Em outro idioma, todos nós ficamos mais propensos a matar o homem.

Menino de 7 anos escreve livro para apoiar irmã que precisa usar óculos

0

Garota tinha vergonha de ser chamada de ‘Quatro Olhos’ pelos colegas. Para resolver impasse, irmão criou a história da ‘Princesa que usa óculos’.

Publicado no ExpessoMT

Crédito: Gabriela Lima/G1

Rafaela se diverte com história infantil criada pelo irmão Alexandre

Desde que aprendeu a falar, Alexandre Raizer Landim Silva, de 7 anos, é considerado pelos pais um contador de histórias nato. Mesmo assim, o menino surpreendeu ao fazer um livro infantil para ajudar a irmã, de 5 anos, em Goiânia. Com problemas de visão, Rafaela Raizer Landim Silva relutava para não usar óculos. Ele, então, por iniciativa própria, escreveu e ilustrou a história “A Princesa que usa óculos”, dedicada à caçula da família.

Rafaela tem astigmatismo e hipermetropia. Apaixonada pelas heroínas dos contos de fadas, ela  argumentava com os pais que não existia princesa de óculos. “Ficava vendo ela reclamar e pensei: ‘Vou resolver esse problema'”, explicou Alexandre ao G1. O autor mirim conta que escreveu a história em apenas uma noite e fez as ilustrações no dia seguinte.

O trabalho surpreendeu e emocionou os pais, o auditor fiscal Eugênio César da Silva e a assistente social Luciana Raizer da Silva, que agora buscam uma forma de publicar o livro. “O que mais chamou a nossa atenção foi o caráter educativo da história. Pode ajudar outras crianças”, diz o pai.

A personagem principal do livro de Alexandre é a princesa Rafa, inspirada na irmã. A história fala da importância dos óculos para a princesa poder enxergar direito. Em poucas palavras, o menino conseguiu passar a mensagem, com uma boa dose de aventura, com direito a vilão e até um pouco de romance. “É claro que tem um príncipe”, adianta o garoto.

Rafaela diz que adorou a surpresa: “Achei muito lindo”. Depois de ter ganhado o livro do qual é a protagonista, ela agora usa óculos sem chorar. “Eu enxergo melhor”, admite.

Rafaela conta outro motivo pelo qual não gostava de usar óculos: “Na escola, os meus colegas falavam que eu tinha quatro olhos”. Por isso, os pais tiveram a iniciativa de imprimir e encadernar a história para distribuir entre alguns amigos da filha.

Na hora de distribuir os livros impressos pelos pais, Alexandre se mostrou empreendedor. “Ele me perguntou por que estávamos dando os livros e disse que a gente tinha que vender”, diz Eugênio, que ri ao lembrar do episódio.

Os pais contam que sempre estimularam o desenvolvimento intelectual dos filhos, mas o garoto demonstra mais aptidão para escrever. “Eu sempre brinquei com eles com atividades envolvendo letras e números. O Alexandre, antes de 1 ano, já conhecia o alfabeto”, orgulha-se o pai.

Segundo Luciana, o sonho de Alexandre, quando mais novo, era aprender a ler. Atualmente, ele gosta de escrever redações, muitas delas engraçadas.

Mas o garoto, aluno de 2º ano do ensino fundamental, não faz o estilo CDF, de acordo com a mãe. Às vezes, ele reclama na hora de fazer o dever de casa, além de ser bastante ativo e extrovertido na escola. “Já recebi reclamações”, revela.

De acordo com Luciana, o que Alexandre gosta mesmo é de criar personagens e contar as histórias para as pessoas. Ele concorda e revela que já tem outro livro em mente. “Dessa vez, vou contar uma história das minhas aventuras com meus amigos”, diz, ao mostrar um rascunho do novo trabalho digitado um tablet.

Mesmo com todo o talento para escritor, o menino responde que, quando crescer, quer ser médico, cientista e mágico. “Quero ser médico para cuidar das pessoas. Também quero ganhar muito dinheiro para comprar uma Ferrari conversível. É muito elegante”, revela, decidido.

Chega às livrarias “1889”, último (e melhor) título da trilogia criada pelo jornalista Laurentino Gomes

0

Chega às livrarias “1889”, último (e melhor) título da trilogia criada pelo jornalista Laurentino Gomes, série que vendeu mais de 1,5 milhão de livros e colocou a história do Brasil na moda

1889

Ana Weiss, na IstoÉ

Falar da vida privada das pessoas atrai público. Como jornalista de longa data, Laurentino Gomes conhecia bem esse fato, mas não poderia calcular onde isso o levaria. Em 2007, nas vésperas de sua aposentadoria, ao lançar “1808”, o primeiro volume da série que fecha agora com “1889”, última e melhor narrativa da trilogia que percorre o período da chegada da corte portuguesa até o governo Campos Salles, Gomes alcançou o feito inédito: manter por dois anos consecutivos um livro sobre história do Brasil no topo dos mais vendidos no País. A marca o obrigou a largar a carreira de executivo de mídia, mudar de casa e de vida e assumir o status de personalidade, amada por estudantes e detestada por muitos historiadores.

FINAL O último volume da série mostra como a República brasileira só começaria, de fato, com o movimento das Diretas Já. Não por acaso, a data e os personagens ligados a ela, segundo o autor, são menos lembrados que os legados pela Monarquia

FINAL
O último volume da série mostra como a República brasileira só começaria,
de fato, com o movimento das Diretas Já. Não por acaso, a data e os personagens
ligados a ela, segundo o autor, são menos lembrados que os legados pela Monarquia

“Não foi fácil”, diz o jornalista, na varanda de sua casa em Itu, onde vive com a mulher e agente literária, Carmen Gomes, e a cadela Lua. Laurentino Gomes é hoje um dos raros autores nacionais que vivem exclusivamente de sua literatura. Isso permite certos luxos como, por exemplo, estabelecer seu ritmo de trabalho – um livro a cada três anos. “Passo dois anos e meio pesquisando e seis meses escrevendo.” Para este “1889”, que como os anteriores traz a sinopse no subtítulo (Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil), o autor se exilou em State College, na Pensilvânia, para a fase da apuração.

Foram mais de 150 fontes de consulta (devidamente reproduzidas no fim do livro), adquiridas em sebos, bibliotecas e “na maravilhosa invenção chamada Estante Virtual”, escarafunchadas sem nenhuma ajuda. “O pesquisador contratado traz exatamente o que você pede”, explica. “E é muitas vezes da informação inesperada que saem as passagens mais interessantes do trabalho”, diz. “Além do que, confesso, adoro a fase de pesquisa. Já escrever, para mim, é um fardo.” O escritor tem consciência de que a boa costura de seu fardo faz toda a diferença na apreciação do público.

Não são apenas os desconcertos pessoais, as pequenas falhas e curiosidades da vida privada e grandes personalidades históricas que fecharam o 1,5 milhão de compras do primeiro e do segundo livro do autor, “1822” (quase um ano encabeçando o rol de mais vendidos), mas também a forma atraente com que eles são embalados. “São só técnicas jornalísticas. Isso inclui jogar muita luz nos personagens, no que eles têm de banal ou comovente”, ensina o autor, que no mês que vem lança “1808” nos Estados Unidos – um mercado fechadíssimo, do qual apenas 2% dos títulos são estrangeiros.

Na esteira do sucesso internacional, veio também o incômodo da academia. “O que faço hoje é jornalismo. Meus livros são reportagens. E é da natureza da imprensa sofrer represálias dos especialistas.” Entre críticas, “estridentes e até agressivas”, conta, e declarações derramadas de estudantes que puderam entender passagens relatadas de forma árida pelos livros didáticos, o autor se sente feliz com a média afetiva de seu público. “Fico envaidecido de saber que os historiadores olham para os meus livros. Mas minha maior vitória, até por ser um desafio autoimposto a cada livro, é chegar de forma clara aos estudantes. Eles se divertirem com a leitura é lucro puro.”

Não são só os estudantes que se divertem com o contorno pitoresco com que Laurentino Gomes apresenta os personagens, cujas características extrai de pesquisa bem fundamentada. Das consultas ao levantamento do historiador José Maria Bello, referência sobre a vida social da República Velha, o escritor apresenta Deodoro da Fonseca, figura central da Proclamação da República, em atos que revelam que, além da fragilidade ideológica e física, o marechal alagoano padecia de um estado de ânimo errático que flutuava entre o drama e a histeria. Para renunciar à presidência, o ex-imperialista escolheu abrir o discurso se dizendo “o derradeiro escravo do Brasil.” Dois meses depois o proclamador do novo regime morreu e foi enterrado sem farda.

Do governante seguinte, Floriano Peixoto, Gomes reuniu descrições ácidas de intelectuais do período, que na narrativa, como em uma boa ficção, têm o efeito redentor de ver o vilão como alvo de chacota e críticas. “Não se pode ter medo do tamanho dos fatos ou dos personagens.” O próximo livro? “Não sei. Me interessam muito as revoltas do período, a Revolução Federalista, Canudos. Seria algo como ‘Um Brasil em Chamas’”, diz. “Mas, com certeza, só posso dizer que o próximo não terá um número na capa.”

1889a

 

Sonho de consumo do brasileiro é um fracasso

0

Gilberto Dimenstein, na Folha de S.Paulo

Um dos fatos sociais pouco conhecidos do país é a expansão acelerada de escolas particulares de baixo custo nas periferias das grandes cidades. Em alguns lugares como Fortaleza, por exemplo, já tem mais alunos nas redes privadas do que públicas.

São mensalidades que cabem no apertado bolso da classe C, seguindo o caminho que, no passado, foi trilhado pelas mais ricos, que abandonaram a escola pública.

Essa tendência fica visível na pesquisa que o Datafolha divulgou sobre o sonho de consumo do brasileiro. O resultado reflete um fracasso.

Fracasso porque é uma resposta ao fato de que o brasileiro, se puder, paga para não depender de governos.

No ranking do Datafolha, o segundo mais importante sonho de consumo é poder pagar mensalidade para os filhos. Só perde para a casa própria. Está, inclusive, na frente da saúde.

Pesadelo consiste no seguinte. O brasileiro já paga mais de quatro meses de salário por ano apenas para manter os governo.

Ainda paga por serviços privados que deveriam ser mantidos pelo setor público.

*
Aproveitando a dica, volto a falar na importância de os brasileiros conhecerem os recursos digitais gratuitos de educação. Fiz uma seleção dos cursos online gratuitos da USP, FGV, Unesp e Unicamp. Veja.

*
Outra seleção que vale a pena ver. O site Universia listou 700 cursos das melhores universidades do mundo. Veja.

*
Veja também uma seleção de aulas gratuitas para o Enem.

Leitura correta é ginástica para o cérebro

1

Muitas pessoas pensam que simplesmente lendo livros elas se desenvolvem. Mas isto está longe de ser assim. A leitura sem sistema sobrecarrega o cérebro de informação, não lhe permitindo assimilar. Como é correto ler, ser beneficiado, se aperfeiçoar e desenvolver o intelecto?

Publicado no Voz da Rússia

livro, leitura, educação, memória

© Flickr.com/ Yourdon /cc-by-sa 3.0

Saber ler realmente influi fortemente sobre a reação do cérebro. Em primeiro lugar, torna mas complexa a organização da zona visual do córtex cerebral. Em segundo lugar, na pessoa que sabe ler, praticamente toda a rede de neurônios, que responde pela assimilação da linguagem oral no hemisfério esquerdo, é ativada também com a ajuda de texto impresso.

Mas acontece que a leitura tradicional tem falhas: falta de atenção e de programa flexível de leitura, quando todos os textos são lidos com a mesma lentidão, movimentos de retorno dos olhos para o que já foi lido, e, naturalmente, o “inimigo número 1” – falar para si o texto lido. Como resultado, a informação não é memorizada e escapa o sentido do que está escrito.

Diariamente o homem moderno tem de ler dezenas de páginas de textos – não apenas literatura de ficção, mas também informações no trabalho, imprensa, correspondência de trabalho e pessoal. Por isso a leitura correta, antes de mais nada, subentende a assimilação eficiente da informação. Diferentes técnicas de leitura dinâmica ensinam não apenas a ler rapidamente, como muitos pensam, partindo do nome, antes de mais nada a entender o conteúdo do texto e assimilá-lo com utilidade para si.

Para alcançar tal assimilação eficiente, é preciso treinar. Como? Lendo. Mas com certo método. Em primeiro lugar, fazendo exercícios sistemáticos de ampliação do campo de visão, eliminando a pronúncia das palavras, e aplicando o arranque da essência dos algoritmos da leitura. E não esquecendo que isto não é diversão, mas o caminho complexo de reestruturação do trabalho do cérebro.

Pode-se treinar tanto em textos ficcionais conhecidos (pela forma, pelo conteúdo, pelo autor) com em artigos informativos, de jornais ou científicos. O importante é o desejo de haurir várias idéias. Antes da leitura é necessário ter uma idéia de que informação você quer extrair do texto, tentar adivinhar o conteúdo da página. É muito importante a disposição, pois se você se prepara para notar a aspereza do texto, como resultado notará justamente ela. Mas se se prepara para obtenção de um fato, você o receberá.

O próximo passo importante é aprender a ler em silêncio, não pronunciando com a boca ou em pensamento o texto. Esta capacidade desvia a atenção e reduz consideravelmente a velocidade. Aqui é importante se controlar: se seus lábios se mexem – aperte com um palito de dente ou lápis. É mais difícil controlar a pronúncia em pensamento. Um dos métodos é ler e bater o ritmo com a mão, por exemplo.

A habilidade em se concentrar no problema é um dos componentes do trabalho intelectual bem-sucedido. Existe um exercício simples, que pode ajudar – é a leitura das palavras ao contrário, mas não em voz alta e sim em pensamento. Lendo a palavra de trás para frente é preciso inicialmente imaginá-la por letras e depois ler. Se nesse momento a consciência casualmente se distraiu com algo alheio, é preciso fazer o exercício novamente. Ao mesmo tempo é treinada também a atenção. Para não perder tempo em vão, pode-se realizar este jogo-exercício no transporte público.

Com frequência comparam o método de leitura dinâmica com o esporte, só que aqui se desenvolvem não os músculos mas o cérebro. Pesquisas provaram que os que dominam a leitura dinâmica têm mais velocidade dos processos nervosos, reflexos mais rápidos. Por isso não temam aprender a leitura dinâmica – isto é útil.

Go to Top