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Posts tagged falecimento

Enrique Cirules, autor cubano de livros sobre Hemingway, morre aos 78 anos

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Enrique Cirules. Foto: Lázaro David Najarro Pujol

Enrique Cirules. Foto: Lázaro David Najarro Pujol

 

Publicado no UOL

Havana, 19 dez (EFE).- O escritor cubano Enrique Cirules, autor de vários ensaios sobre a vida e a obra do escritor americano Ernest Hemingway, morreu aos 78 anos em Havana (Cuba), informaram nesta segunda-feira os veículos de imprensa locais.

Cirules, considerado um dos mais importantes autores e contadores contemporâneos cubanos, conta entre seus livros “Hemingway em Cuba” e “Ernest Hemingway en la cayeria de Romano”, onde aborda espaços pouco estudados do célebre intelectual americano que viveu longas temporadas em Cuba.

Também figuram entre seus títulos os livros testemunhais “O Império de Havana”, vencedor Prêmio Literário Casa das Américas e Prêmio da Crítica Literária em 1994, e “A vida secreta de Meyer Lansky em Havana”, ambos baseados em suas pesquisas sobre a presença da máfia americana em Cuba até o ano de 1959.

Ele publicou vários contos, entre eles os cadernos “Os perseguidos” e “A outra guerra”, assim como os romances “Conversa com o último americano”, “Bluefields”, “A saga da Gloria City”, “Estranha chuva na tempestade” e “Santa Clara Santa”.

Durante vários anos ele atuou como professor de História e Espanhol, e seus livros foram traduzidos para o russo, francês, inglês, alemão e português.

Morre o poeta Ferreira Gullar, aos 86 anos

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O escritor Ferreira Goulart - Camilla Maia / Agência O Globo

O escritor Ferreira Goulart – Camilla Maia / Agência O Globo

 

Ele havia sido internado neste sábado por complicações pulmonares

Publicado em O Globo

RIO – O poeta, ensaísta, crítico de arte, dramaturgo, biógrafo, tradutor e memorialista Ferreira Gullar morreu neste domingo, por volta das 11h, aos 86 anos. A informação foi confirmada pelo colunista Ancelmo Gois. O escritor estava internado no Hospital Copa D’Or, na Zona Sul do Rio, por complicações pulmonares. A partir de um quadro de pneumotórax, o escritor desenvolveu uma pneumonia. Ainda não há informações sobre a data do velório.

Ferreira Gullar assumiu ao longa da vida uma extensa lista de papéis que, sozinhos, não dão a dimensão do seu lugar na cena cultural do país. Um dos fundadores do neoconcretismo, o poeta participou de todos os acontecimentos mais importantes da poesia brasileira. A escritora e também imortal da ABL Nélida Piñon destacou a biografia de Gullar que, segundo ela, não foi ofuscada por sua obra.

— O seu legado é a obra, que, às vezes, faz a gente até esquecer a biografia. Mas este não é o caso. Ele teve uma vida bonita, difícil e de grande dignidade. O sofrimento do exilado não lhe tirou a graça.

Quarto dos 11 filhos do casal Newton Ferreira e Alzira Ribeiro Goulart, ele nasceu José Ribamar Ferreira no dia 10 de setembro de 1930 em São Luiz, no Maranhão. No início da década de 1950, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde, em 1956, participou da exposição concretista que é considerada o marco oficial do início da poesia concreta. Três anos depois criou, com Lígia Clark e Hélio Oiticica, o neoconcretismo, que valoriza a expressão e a subjetividade em oposição ao concretismo ortodoxo.

Militante do Partido Comunista, exilou-se na década de 1970, durante a ditadura militar, e viveu na União Soviética, na Argentina e Chile. Retornou ao país em 1977 e foi preso por agentes do Departamento de Polícia Política e Social no dia seguinte ao desembarque, no Rio. Foi libertado depois de 72 horas de interrogatório graças à intervenção de amigos junto a autoridades do regime. Depois disso, retornou aos poucos às atividades de critico, escritor e jornalista.

Eleito em 2014 para a Academia Brasileira de Letras, colecionava uma vasta lista de prêmios. Em 2002, foi indicado por nove professores dos Estados Unidos, do Brasil e de Portugal para o Prêmio Nobel de Literatura. Em 2007, seu livro “Resmungos” ganhou o Prêmio Jabuti de melhor livro de ficção do ano. A obra, editada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, reúne crônicas de Gullar publicadas no jornal Folha de S. Paulo ao longo de 2005.

Em 2010, foi agraciado com o Prêmio Camões, o mais importante prêmio literário da Comunidade de Países de Língua Portuguesa. No mesmo ano, foi contemplado com o título de Doutor Honoris Causa na Faculdade de Letras da UFRJ. Um ano depois ganhou o Prêmio Jabuti com o livro de poesia “Em alguma parte alguma”.

Alvin Toffler, autor futurista, morre aos 87 anos nos Estados Unidos

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Escritor e visionário ficou conhecido por ‘Choque do futuro’ e ‘A terceira onda’.
Em parceria com esposa, previu desenvolvimento econômico e tecnológico.

Publicado no G1

Alvin Toffler morreu aos 87 anos (Foto: Divulgação/Toffler Associates)

Alvin Toffler morreu aos 87 anos
(Foto: Divulgação/Toffler Associates)

Alvin Toffler, autor e visionário americano conhecido por seus inúmeros best-sellers, incluindo “Choque do Futuro” e “A Terceira Onda”, morreu em sua casa em Los Angeles, aos 87 anos.

Ele morreu na segunda-feira (27), informou, em nota, a Toffler Associates, empresa de consultoria fundada pelo próprio. A causa da morte não foi informada.

O inovador livro de Toffler “Choque do Futuro”, no qual ele examina a mudança social, e inúmeros outros escritos como coautor com sua mulher, Heidi, fizeram dele um dos mais respeitados futuristas da era moderna, com líderes mundiais e magnatas buscando seus conselhos.

Toffler previu com exatidão o desenvolvimento econômico e tecnológico – incluindo clonagem, notebooks e Internet – assim como os efeitos sociais decorrentes disso. Entre eles, a alienação social, o declínio do núcleo familiar e a ascensão do crime e do uso de drogas. Ele fez o termo “sobrecarga informacional” se tornar popular.

“Muitas dessas previsões vêm para provar que a tese central de seu trabalho se mostrou verdadeira – como o conhecimento – baseado na nova economia que substitui a Idade Industrial”, disse sua firma de consultoria.

Diversos homens de Estado, entre eles o líder soviético Mikhail Gorbachev em 1986 e o então premiê chinês Zhao Ziyang, foram inspirados pelos escritos e ideias futuristas de Toffler, procurando seus conselhos.

O bilionário mexicano Carlos Slim também creditou a Toffler, um amigo próximo, o auxílio na antecipação e identificação das oportunidades de negócios.

“Choque do Futuro” foi publicado em mais de 50 países, e mais de 15 milhões de cópias do livro foram vendidas, de acordo com o site do autor.

“É difícil encontrar um aspecto da vida moderna que não tenha sido tocado por ele”, disse Deborah Wastphal, CEO da empresa Toffler Associates.

“Nós sempre estivemos conscientes de sua influência enquanto vivemos em um mundo marcado pelo aumento da inteligência artificial, pelas sociedades conectadas globalmente e por um ritmo acelerado de mudança”, completou.

Toffler conviveu com sua esposa e parceira de negócios, Heidi Toffler, por mais de 60 anos.

Ele será enterrado em uma cerimônia particular em Los Angeles, de acordo com sua consultoria. Um memorial público está sendo programado e pode ser anunciado posteriormente.

Morre aos 74 anos o psiquiatra Içami Tiba

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icami-tiba-psiquiatra-educador-e-colunista-do-uol-educacao-1327017771368_300x300Publicado em UOL

Içami Tiba, 74, psiquiatra, educador e escritor especializado em psicoterapia familiar, morreu neste domingo (2) em São Paulo, capital. Ele estava internado no hospital Síro-Libanês para tratamento de câncer. A causa da morte não foi divulgada.

Nascido em 15 de março de 1941 em Tapiraí (SP), Tiba era filho de imigrantes japoneses. Ele formou-se em medicina pela Universidade de São Paulo em 1968, onde depois seria professor por mais de 22 anos, sendo 15 deles como docente de Psicodrama de Adolescentes no Instituto Sedes Sapientiae. Em sua clínica particular, na psicoterapia para adolescentes, realizou mais de 77 mil atendimentos.

Autor de 29 livros com mais de 4 milhões de exemplares vendidos, Tiba era referência para muitos pais e educadores e se dedicava também a palestras, tendo participado de 3.400 eventos. Entre as publicações mais famosas estão “Quem Ama, Educa!”, “Adolescentes: Quem Ama Educa!” e “Homem Cobra Mulher Polvo”.

Foi colunista em diversas publicações, entre elas o UOL, Jornal da Tarde, Revista Viva Mais, além de ter um programa semanal na Rede Vida.

O educador deixa a esposa Maria Natércia, os filhos Natércia, André e Luciana e os netos Kaká e Dudu. O corpo será enterrado na segunda-feira (3) às 16h no cemitério do Morumbi, em São Paulo (SP). (Com Estadão Conteúdo)

Morre o poeta Manoel de Barros, aos 97 anos

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Recluso, autor criou linguagem própria, transformando a natureza em matéria-prima para versos

O poeta Manoel de Barros aos 93 anos - Divulgação

O poeta Manoel de Barros aos 93 anos – Divulgação

Publicado em O Globo

RIO — O escritor cuiabano Manoel de Barros morreu nesta quinta-feira, aos 97 anos. Ele foi internado no dia 24 de outubro no Proncor, em Campo Grande (MS), para uma cirurgia de desobstrução do intestino. A causa da morte ainda não foi divulgada. O escritor completaria 98 anos em 19 de dezembro.

Em agosto de 2013, quando perdeu seu segundo filho, o primogênito Pedro, vítima de um AVC (cinco anos depois de João, que morreu num acidente de avião), Manoel de Barros desabou. A filha Martha afirmou, então, que depois da perda, e por causa da idade, “ele estava se apagando como uma velinha”. Uma imagem poética que faz jus a um personagem cuja dedicação aos versos teve o afinco e a simplicidade de quem vê o mundo pela lente da beleza.

Nos últimos anos, por conta da saúde debilitada, praticamente não saía de casa, em Campo Grande, sob os cuidados da filha e da mulher, Stella, com quem estava casado desde 1947. No ano passado, antes de completar 97 anos, ainda escreveu o poema “A turma”, e então se recolheu no silêncio. Não conseguia mais escrever e se alimentava com dificuldade. Mas isso não significava que as edições de seus livros estivessem no limbo. Suas obras continuam despertando a atenção dos leitores-admiradores. Em fevereiro, a editora Leya lançou uma caixa com sua poesia completa, composta de 18 livros (incluindo o poema inédito). No final de outubro, o selo Alfaguara (Objetiva) anunciou a contratação da obra do poeta, que começará a ser reeditada no segundo semestre de 2015. Além disso, dezenas de cartas que o escritor trocou com figuras como o bibliófilo José Mindlin, o embaixador Mário Calábria e o editor Ênio Silveira foram levantadas por pesquisadoras e, podem, no futuro, serem reunidas em livro.

Nascido em Cuiabá em 1916, Manoel era filho do capataz João Venceslau Barros. Viveu por muitos anos em Corumbá (MS), antes de se mudar para a capital sul-mato-grossense. Ainda criança, passava longas temporadas na fazenda do pai, no Pantanal, onde desenvolveu o olhar para os movimentos da natureza. Engana-se, porém, quem o vê como um “poeta do Pantanal”, rótulo que ele sempre recusou. “A poesia mexe com palavras e não com paisagens”, justificava.

VISIONÁRIO DA HUMILDADE

Manoel foi aluno interno em escolas em Campo Grande e depois no Rio de Janeiro. Quando cursava o internato São José, na Tijuca, descobriu os sermões do padre Antonio Vieira, com quem aprendeu “a beleza de uma sintaxe”. Jovem estudante de Direito na então capital federal, acabou se envolvendo com figuras comunistas da cena carioca. Mas, depois de romper com o Partido Comunista ao saber que Luis Carlos Prestes deu seu apoio à Getúlio Vargas, desiludiu-se com a política e resolveu viajar. Passou por Bolívia e Peru (“vivendo como um hippie”, dizia), antes de chegar a Nova York. Na cidade americana, viu “as novidades do mundo” e fez cursos de cinema e artes plásticas. Na volta ao Brasil, conheceu a mineira Stella no Rio de Janeiro e três meses depois já estava casado.

Mesmo sendo considerado um dos maiores autores brasileiros, comparado frequentemente a Guimarães Rosa e ao português Fernando Pessoa, sua reclusão por tantas décadas em terras pantaneiras e a timidez acabaram dificultando a divulgação de sua obra. Nos anos 1980, admiradores famosos de seus versos, como Millôr Fernandes e Antônio Houaiss, começaram a divulgar poemas de Manoel de Barros, ou a citá-lo em colunas de jornais.

O filólogo, que admirava o poeta desde o seu primeiro livro, via nele um “visionário da humildade e solidariedade humanas”. Já Carlos Drummond de Andrade chegou a declarar que o cuiabano era o “maior poeta brasileiro” vivo. O sucesso do filme “Caramujo-flor” (1989), do cineasta sul-matogrossense Joel Pizzini, ensaio visual baseado na vida e na obra de Manoel, também responsável pelo reconhecimento tardio.

Com tantos elogios, Manoel começou a chamar atenção das editoras e do público. Ganhou dois prêmios Jabutis (por “O guardador de águas”, em 1989, e “O fazedor do amanhecer”, em 2002) e teve livros publicados em Portugal, França, Espanha e Estados Unidos. Em 1998, recebeu o Prêmio Nacional de Literatura do Ministério da Cultura, pelo conjunto do seu trabalho. Sua obra mais conhecida é “O livro sobre o nada”, lançada em 1996, no qual aperfeiçoou o seu autodeclarado “idioleto manoelês archaico” — uma linguagem própria criada para transmitir o desregramento dos sentidos. O autor, contudo, considerava seu primeiro livro, “Poesias concebidas sem pecado”, de 1937, o melhor.

Em 1998, o autor explicou seu processo de escrita em entrevista ao GLOBO:

— Eu estou trabalhando com a palavra e aí me vem uma ideia. E por isso não acredito em inspiração, acredito em trabalho.Mas sei também que transformar palavra em verso, combinar o ritmo com a ressonância verbal, é um dom linguístico. Tenho frases poéticas que são versos. Sei fazer frases.

POPULAR, MAS POUCO AVALIADO

Embora tenha sido por várias vezes o poeta que mais vendeu livros no Brasil, Manoel chegou a comentar que gostaria de também ter sido mais avaliado pelos grandes críticos literários do país, relatou a pesquisadora e professora de Letras da UFMG Lúcia Castello Branco em entrevista ao caderno Prosa, em fevereiro deste ano. O escritor é objeto frequente da academia, por meio da realização de dissertações e teses, mas, na opinião dela, a crítica deixa a desejar. Em uma reportagem do “Jornal do Brasil” de 1988, na qual era descrito como “o poeta que poucos conhecem”, Manoel explicou os motivos do seu isolamento: “Não tenho boa convivência com a glória. Acho que ela me perturbaria. Preciso muito do escuro”.

No documentário “Só dez por cento é mentira”, lançado em 2008 por Pedro Cezar, ao ser indagado sobre como gostaria de ser lembrado, Manoel ri, coça o peito, diz que a pergunta é cruel; já mais sério, fala que o único jeito é pela poesia. “A gente nasce, cresce, amadurece, envelhece, morre. Pra não morrer, tem que amarrar o tempo no poste. Eis a ciência da poesia: amarrar o tempo no poste”.

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