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Posts tagged Fato

Em livro, vítima perdoa Roman Polanski

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Violentada pelo cineasta quando tinha 13 anos, Samantha Geimer, aos 50, lançou memórias anteontem

Detalhes de um escândalo sexual Reprodução

Detalhes de um escândalo sexual Reprodução

Publicado em O Globo

RIO – Jack Nicholson recebia amigos para uma festa na tarde de 10 de março de 1977. O cineasta Roman Polanski, um dos convidados, cuidou de levar champanhe para a bela jovem Samantha Geimer, então com 13 anos. Ele a fotografou, deixou que descansasse e, em seguida, fez sexo com ela.

Trinta e seis anos depois daquela festa, Samantha, agora com 50 anos, detalha a fatídica tarde no livro “The girl: A life in the shadow of Roman Polanski” (em tradução livre, “A garota: uma vida à sombra de Roman Polanski”), lançado anteontem, nos Estados Unidos.

Relembrando a festa, Samantha escreve que estava impressionada pela fama e diz que não lutou contra o cineasta. “Por que lutar? Faria qualquer coisa para que aquilo acabasse”, escreve. Ela lembra ainda que Polanski a levou para casa e, no caminho, vendo que chorava, perguntou o que tinha. “Estou bem, não se preocupe”, ela respondeu. E o diretor (de filmes como “O bebê de Rosemary” e “Chinatown”) então pediu à garota que não contasse nada sobre o ocorrido à sua mãe. Já em casa, Samantha relata que escreveu no diário: “Eu estava sendo fotografada por Roman Polanski e me estupraram”.

No livro, ela diz que até hoje se pergunta se fez bem em não contar o fato à época. Mas sentencia: “O que aconteceu não foi pior do que o que iria acontecer depois”. Embora sua família tenha tentado protegê-la, Samantha se tornou vítima de um sistema jurídico cujo “maior objetivo” era a publicidade. Polanski ficou 42 dias preso e fugiu para a Europa antes de receber a sentença. No final do livro, a vítima, porém, parece redimi-lo, dizendo que o perdoou: “Não o perdoei por ele, fiz por mim”.

Escola de Curitiba transforma área abandonada em ‘Bosque da Leitura’

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Professores revitalizam terreno de 76 metros quadrados pendurando livros em árvores para beneficiar de 550 alunos

Espaço foi montado com ajuda de verba reunida em festa junina Arquivo Pessoal

Espaço foi montado com ajuda de verba reunida em festa junina Arquivo Pessoal

Eduardo Vanini em O Globo

RIO – Uma pessegueira e um pé de café estão gerando livros numa escola municipal de Curitiba. O inusitado fato começou a acontecer depois que a direção da Escola Municipal Ayrton Senna da Silva transformou uma área inutilizada de 76 metros quadrados no Bosque da Leitura. Agora, os alunos chegam ao local e “colhem” obras da literatura infanto-juvenil que são penduradas nas árvores pelos professores.

O espaço foi inaugurado na semana passada e conta com mesas e bancos de madeiras. Os livros ficam presos aos galhos por fios de náilon e os estudantes ficam à vontade para manuseá-los.

– Os alunos já estavam acostumados a ir até a biblioteca e sentar à mesa para ler um livro. Mas agora é diferente. Quando chegam ao local, eles se encantam com a ideia de colher um livro e ficam ainda mais curiosos para ler as obras. Assim que acabam, colocam de volta e pegam outro exemplar – conta a vice-diretora da escola, Greyce Serena.

A ideia é que o bosque seja usado também para atividades como rodas de leitura, leituras dramatizadas e até piquenique. A cada 15 dias, todas as turmas terão meia-hora dedicadas ao Bosque da Leitura e, às quartas-feiras, o local fica aberto a toda a escola, que atende a 550 alunos do ensino fundamental e conta com um acervo de sete mil livros.

– O espaço que ocupamos já havia sido usado como horta. Mas fazia tempo que os professores não realizavam atividades ali. Então, começamos a discutir como poderia ser aproveitado. Como fica perto do estacionamento, alguns professores chegaram a sugerir que a área fosse usada para expandir o espaço destinado aos carros, mas queríamos que fosse algo para aos alunos – relata Greyce.

E assim foi feito. Uma paisagista chegou a ser chamada para desenvolver o projeto que, no final das contas, ficou orçado em R$ 7 mil. Mas, com negociações e adaptações, a escola conseguiu chegar ao custo de R$ 5 mil, bancados, na maior parte, com a verba arrecada na última festa junina da escola, que tem 550 alunos do ensino fundamental.

Chega às livrarias “1889”, último (e melhor) título da trilogia criada pelo jornalista Laurentino Gomes

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Chega às livrarias “1889”, último (e melhor) título da trilogia criada pelo jornalista Laurentino Gomes, série que vendeu mais de 1,5 milhão de livros e colocou a história do Brasil na moda

1889

Ana Weiss, na IstoÉ

Falar da vida privada das pessoas atrai público. Como jornalista de longa data, Laurentino Gomes conhecia bem esse fato, mas não poderia calcular onde isso o levaria. Em 2007, nas vésperas de sua aposentadoria, ao lançar “1808”, o primeiro volume da série que fecha agora com “1889”, última e melhor narrativa da trilogia que percorre o período da chegada da corte portuguesa até o governo Campos Salles, Gomes alcançou o feito inédito: manter por dois anos consecutivos um livro sobre história do Brasil no topo dos mais vendidos no País. A marca o obrigou a largar a carreira de executivo de mídia, mudar de casa e de vida e assumir o status de personalidade, amada por estudantes e detestada por muitos historiadores.

FINAL O último volume da série mostra como a República brasileira só começaria, de fato, com o movimento das Diretas Já. Não por acaso, a data e os personagens ligados a ela, segundo o autor, são menos lembrados que os legados pela Monarquia

FINAL
O último volume da série mostra como a República brasileira só começaria,
de fato, com o movimento das Diretas Já. Não por acaso, a data e os personagens
ligados a ela, segundo o autor, são menos lembrados que os legados pela Monarquia

“Não foi fácil”, diz o jornalista, na varanda de sua casa em Itu, onde vive com a mulher e agente literária, Carmen Gomes, e a cadela Lua. Laurentino Gomes é hoje um dos raros autores nacionais que vivem exclusivamente de sua literatura. Isso permite certos luxos como, por exemplo, estabelecer seu ritmo de trabalho – um livro a cada três anos. “Passo dois anos e meio pesquisando e seis meses escrevendo.” Para este “1889”, que como os anteriores traz a sinopse no subtítulo (Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil), o autor se exilou em State College, na Pensilvânia, para a fase da apuração.

Foram mais de 150 fontes de consulta (devidamente reproduzidas no fim do livro), adquiridas em sebos, bibliotecas e “na maravilhosa invenção chamada Estante Virtual”, escarafunchadas sem nenhuma ajuda. “O pesquisador contratado traz exatamente o que você pede”, explica. “E é muitas vezes da informação inesperada que saem as passagens mais interessantes do trabalho”, diz. “Além do que, confesso, adoro a fase de pesquisa. Já escrever, para mim, é um fardo.” O escritor tem consciência de que a boa costura de seu fardo faz toda a diferença na apreciação do público.

Não são apenas os desconcertos pessoais, as pequenas falhas e curiosidades da vida privada e grandes personalidades históricas que fecharam o 1,5 milhão de compras do primeiro e do segundo livro do autor, “1822” (quase um ano encabeçando o rol de mais vendidos), mas também a forma atraente com que eles são embalados. “São só técnicas jornalísticas. Isso inclui jogar muita luz nos personagens, no que eles têm de banal ou comovente”, ensina o autor, que no mês que vem lança “1808” nos Estados Unidos – um mercado fechadíssimo, do qual apenas 2% dos títulos são estrangeiros.

Na esteira do sucesso internacional, veio também o incômodo da academia. “O que faço hoje é jornalismo. Meus livros são reportagens. E é da natureza da imprensa sofrer represálias dos especialistas.” Entre críticas, “estridentes e até agressivas”, conta, e declarações derramadas de estudantes que puderam entender passagens relatadas de forma árida pelos livros didáticos, o autor se sente feliz com a média afetiva de seu público. “Fico envaidecido de saber que os historiadores olham para os meus livros. Mas minha maior vitória, até por ser um desafio autoimposto a cada livro, é chegar de forma clara aos estudantes. Eles se divertirem com a leitura é lucro puro.”

Não são só os estudantes que se divertem com o contorno pitoresco com que Laurentino Gomes apresenta os personagens, cujas características extrai de pesquisa bem fundamentada. Das consultas ao levantamento do historiador José Maria Bello, referência sobre a vida social da República Velha, o escritor apresenta Deodoro da Fonseca, figura central da Proclamação da República, em atos que revelam que, além da fragilidade ideológica e física, o marechal alagoano padecia de um estado de ânimo errático que flutuava entre o drama e a histeria. Para renunciar à presidência, o ex-imperialista escolheu abrir o discurso se dizendo “o derradeiro escravo do Brasil.” Dois meses depois o proclamador do novo regime morreu e foi enterrado sem farda.

Do governante seguinte, Floriano Peixoto, Gomes reuniu descrições ácidas de intelectuais do período, que na narrativa, como em uma boa ficção, têm o efeito redentor de ver o vilão como alvo de chacota e críticas. “Não se pode ter medo do tamanho dos fatos ou dos personagens.” O próximo livro? “Não sei. Me interessam muito as revoltas do período, a Revolução Federalista, Canudos. Seria algo como ‘Um Brasil em Chamas’”, diz. “Mas, com certeza, só posso dizer que o próximo não terá um número na capa.”

1889a

 

Cartas de correspondências entre poetas vira livro

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Thalles Libânio, no Vá Ler Um Livro!

O poeta alagoano Geraldino Brasil, radicado em Pernambuco por várias décadas, nunca foi chegado à convivência com outros escritores. “Não passam de falsos”, dizia dele. Justamente por isso, ele escrevia para as próprias gavetas ou lançava livros sem alarde, com edições mal cuidadas.

Com sua mania de viver isolado, o futuro do poeta não passaria do ostracismo se não fosse por uma carta recebida em 1979, de remetente desconhecido. Nela, o poeta colombiano, Jaime Jaramillo Escobar, dizia ter em mãos um dos livros de Geraldino, que embora tivesse capa feia, possuia textos tão bons que ele desejava traduzir as obras para o castelhano. E esse foi o começo de uma extensa troca de correspondências entre os autores, 145 cartas ao total, que vão de 1979 até 1995.

Um dos maiores fãs do escritor brasileiro era o então presidente da Colômbia, Belisario Betancur, cujos discursos eram inspirados nas poesias do alagoano. Enquanto continuava desconhecido em terras brasileiras, o poeta alagoano, residente em Recife, era chamado de San Geraldino em terras porto-riquenhas.

A amizade entre Jaime e Geraldo Lopes, seu nome de batismo, se manteve por 16 anos, mesmo falando-se apenas por intermédio dos correios, pois nunca se conheceram pessoalmente. As conversas datilografadas ou manuscritas eram sobre política, religião, realidade dos dois países, o fazer poético, as obras de Fernando Pessoa, Mário Quintana e Carlos Drummond de Andrade.

Em 1996 com a morte de Geraldino Brasil, sua filha, Beatriz Brenner entrou em contato, com o confidente do seu pai, para dizer que escreveria um livro, espécie de biografia de Geraldino, baseada naquelas cartas. Para sua surpresa, Jaime Escobar já havia feito o mesmo e lançado na Colômbia a obra Cartas con Geraldino Brasil. O fato motivou a escritora formada em arquitetura a dar continuidade ao projeto que já está em andamento há três anos.

Há dois anos, Beatriz viajou para a Colômbia até o encontro de Jaime, hoje com 81 anos. Ela conta que foi como se estivesse reencontrando o seu pai. Um homem sábio e inspirado a todo o momento. Em 2012, a Companhia Editora de Pernambuco publicou A intocável beleza do fogo, com poesias inéditas de Geraldino Brasil.

Com lançamento previsto apenas para 2014, a obra Um lugar no tempo vai compilar trechos das cartas. montados como se fosse uma conversa entre os escritores. Beatriz diz que precisou de 17 anos de preparação psicológica para escrever o livro, cujo local de trabalho é a mesa da sala. Naquele ambiente repleto de papéis catalogados, ela faz ajustes finais na obra e justifica decisões tomadas para manter a essência das cartas.

Batman ‘sai do armário’ em novo livro

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‘Erotic lives of the superheroes’ retrata o personagem como um gay ‘egocêntrico’, ‘narcisista’ e ‘perverso’
Na obra, o herói vive um romance decadente com Robin

Publicado em O Globo

Capa do livro do italiano Marco Mancassola Divulgação

Capa do livro do italiano Marco Mancassola Divulgação

LONDRES – O Batman “saiu do armário” e se revelou um homossexual de meia idade que passa algumas noites com rapazes e se senta perto de Elton John em jantares de caridade – pelo menos é o que acontece em uma nova obra.

Os rumores sobre o mascarado que combate crime em Gotham City foram confirmados em “Erotic lives of the superheroes” (Vidas eróticas dos super-heróis, em tradução livre), que retrata Batman e Robin como um casal gay em crise e com uma vida sexual monótona.

Escrito pelo autor italiano Marco Mancassola, o romance imagina como seria as obsessões eróticas do Super-Homem, do Senhor Fantástico e da Mystique enquanto eles envelhecem e seus poderes diminuem. Aclamado na Itália, o livro, que gira em torno de um misterioso assassinato, chega ao Reino Unido nesta semana.

Ao retratar o Batman como um gay assumido, Mancassola explicitou inclinações que existiam sutilmente na história do personagem. Grant Morrison, que escreveu os quadrinhos do herói para a DC Comics, disse que “ele é heterossexual, mas a base de todo o conceito é totalmente gay”. George Clooney, que interpretou o Homem Morcego no fracasso de 1997, “Batman & Robin”, disse que ele teve a intenção de fazer com que o personagem parecesse gay.

A homossexualidade é apenas um aspecto da vida erótica e secreta do Batman, de acordo com Mancassola. Ele afirmou ao “The Independent”: “Batman sempre teve um lado obscuro. O fato de a minha visão sobre o personagem evocar formas estranhas de fetichismo e sexo extremo não deveria causar surpresa.”

“Narcisismo é o seu abismo interior. Ele deixou que sua única história de amor verdadeiro falhasse porque se apaixonou pelo mistério da juventude – aquele tipo de estado inacessível e fugaz que ele enxerga nos olhos dos jovens”, acrescentou.

Os advogados da DC Comics podem não gostar muito da releitura do Batman como um fetichista, mas o autor disse: “Não houve intenção de chocar ou ofender ninguém. ‘Vidas eróticas dos super-heróis’ é só uma tentativa de explorar a complexa humanidade de um grupo de personagens.”

Em outro episódio de diversidade, a DC Comics já reiventou a Batwoman como uma lésbica judia, em uma espécie de remake de 2006. A sexualidade da Mulher-Gato de Anne Hathaway em “O Cavaleiro das Trevas ressurge” também foi tema de discussões.

O autor admite que existem fãs ferrenhos dos quadrinhos que “não conseguem me perdoar pelo que fiz aos seus amados personagens. Isso é verdade especialmente quando se trata do Batman, que é o personagem menos bonzinho do livro. Ele é egocêntrico, ridiculamente vaidoso e perverso em algum nível. Mas, na verdade, eu o retratei do jeito que eu gosto dele. Ele é humano. Ele personifica a tragédia na qual a sociedade contemporência transformou o envelhecimento.”

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