Posts tagged Fatos

Fatos que você desconhece sobre o autor de “Drácula”

0

dracula2

Fabio Mourão, no Dito pelo Maldito

No dia 20 de abril de 1912, morria, em Londres, Bram Stoker, autor do clássico romance de terror “Drácula”. O livro, publicado em 1897, é um ícone da cultura pop. Sua obra popularizou os vampiros de tal forma, que as grandes produtoras afundaram seus dentes em numerosas vertentes derivadas dessa criatura, que até hoje rendem filmes, peças de teatro, quadrinhos, séries e mais algumas centenas de outros livros sobre o assunto.
Com tanto material disponível a respeito, a gente acaba ficando com a amarga impressão de que já sabemos tudo que se há para saber sobre os vampiros, mas será que o mesmo se aplica ao maior difusor desse mito? Mesmo sendo o padrinho dos vampiros atuais, a vida de Stoker ainda é desconhecida por grande parte dos leitores modernos.

Em homenagem a esse grande escritor, resolvemos levantar aqui os mistérios ocultos sobre sua capa, e revelar alguns fatos que você desconhecia sobre o autor de ‘Drácula’:

✔ Até os sete anos de idade ele era um menino doente à beira da morte.
Sendo o terceiro de sete filhos, Stoker foi um menino de saúde muito frágil. De acordo com o próprio, ele era uma criança acamada que nunca ficou em pé até a idade de sete anos. Em seu livro de memórias ele afirma: “Na minha infância eu ouvi muitas vezes que estava à beira da morte. Certamente, até os meus sete anos eu nunca soube o que era ficar de pé.”

✔ Stoker não era conhecido como um escritor
Durante a maior parte de sua vida Stoker não foi conhecido como um romancista, mas como o assistente pessoal do ator Henry Irving, gerente de negócios do Lyceum Theatre em Londres , cargo que ocupou por 27 anos. Como um crítico de teatro para o Dublin Evening Mail, ele começou escrevendo avaliações de peças teatrais. E o seu primeiro livro de não-ficção foi um guia de administração legal burocrático.

Stoker começou a escrever romances em 1890, começando com “The Snake’s Pass” em 1890, e “Drácula” em 1897.

✔ O título original de ‘Drácula’ seria algo como “O Desmorto”
As 541 páginas do manuscrito original de “Drácula” tinham sido perdidas, até que foram encontradas em um celeiro na Pensilvânia durante a década de 80. Embora o manuscrito tenha sido digitado, o título era escrito à mão, e dizia “The Un-Dead” (algo como ‘O Desmorto’ na tradução). O título do romance mais famoso sobre vampiros, ao que parece, foi alterado no último minuto.

Além do mais, se não fosse por outra mudança similar de último minuto, Drácula poderia nunca ter emplacado no mercado literário. O temível “Conde Drácula”, foi originalmente concebido como “Conde Wampyr”.

Quanto a esse manuscrito original que se pensava perdido, foi comprado pelo co-fundador da Microsoft Paul Allen, e agora ele repousa em sua biblioteca pessoal.

✔ “Drácula” foi uma peça de teatro antes de ser um livro
Diferente da maioria das adaptações que normalmente aparecem anos após a publicação do livro em que se baseiam, a adaptação teatral de “Drácula” foi escrita pelo próprio Stoker e apresentada antes da publicação do romance. Ela estreou no Lyceum Theatre, onde Stoker ponderou sob o título “Dracula”, ou “The Undead”, e foi realizada apenas uma vez.
Após essa primeira adaptação teatral, e, claro, o próprio livro, surgiram uma enxurrada de filmes inspirados em Drácula. Estima-se que cerca de 220 filmes americanos foram lançados com Drácula em um papel principal, e cerca de 300 filmes estrangeiros inspirados em vampiros.

✔ O nome “Drácula” foi inspirado pela família real “Dracul”
Depois de ler um relato histórico das regiões romenas da Valáquia e Moldávia, Stoker ficou fascinado com o nome “Drácula”. De acordo com fontes históricas, os descendentes de Vlad II, Duque de Valáquia, adotaram esse nome “Dracul” depois de ingressarem na Ordem de Cavalaria do Dragão, em 1431. Em romeno, “Dracul” significa “dragão” ou “o diabo”.

✔ “Drácula” não foi o primeiro romance sobre vampiros
Claro, é o romance mais famoso de vampiros, mas “Drácula” não é o primeiro a respeito dos sugadores de sangue. Nem é o mais inusitado.

Sheridan Le Fanu escreveu “Carmilla”, sobre uma vampira lésbica que persegue as mulheres jovens solitárias, em 1871. “Varney o Vampiro” (1845-1847) de James Malcolm Rymer, foi uma série de terror gótico, também anterior a “Dracula”. (Na verdade, ” Drácula “foi provavelmente inspirado em” Carmilla “e” Varney o Vampiro. “) e, em 1819, John Polidori escreveu “The Vampyre” baseado no verão que passou com Mary Shelley a criadora de Frankenstein, seu marido o poeta Percy Bysshe Shelley e Lord Byron . Estas e muitas outras obras e experiências de vida ajudaram a inspirar Stoker a escrever “Drácula”.

✔ A mesa onde foi escrito ‘Drácula’ foi recentemente leiloada por 100 mil dólares
Isso mesmo, a mesa onde Stoker escreveu seu romance de horror foi vendida, e não faz muito tempo. De acordo com a empresa que realizou o leilão, ao longo do último século a peça de mobília teve suas pernas serradas, gavetas desaparecidas, ganhou cicatrizes e marcas de desgaste. Mas foi restaurada e promovida como “uma peça apropriada para as inspirações e imaginação do grande homem”. A obra também inclui dois compartimentos secretos que só foram revelados para o novo proprietário.

✔ Você pode agradecer ao Stoker pela overdose de vampiros modernos na literatura
Embora ele não seja o primeiro escritor a escrever um romance sobre vampiros, e certamente não inventou tal criatura, Stoker criou o formato contemporâneo da mitologia dos sugadores de sangue. Como tal, ele é considerado como o herói anônimo da cultura moderna de vampiros que Hollywood, e a indústria editorial, sugam constantemente com coisas como “Crepúsculo”, “Vampire Diaries”, “Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros”, “True Blood”, e outros. Graças ao Stoker, os sanguessugas modernos nunca cansam de se alimentar dos vampiros.

✔ Ele não é um autor de um sucesso só
De forma equivocada, Stoker costuma ter a sua imagem reduzida a de um ‘autor de um sucesso só’, pelo triste fato do mercado nacional ignorar suas outras obras, algumas consideradas tão primorosas quanto o próprio ‘Drácula’. Como é o caso de ‘O Covil do Verme Branco’, considerado o segundo melhor trabalho do escritor. A obra foi publicada originalmente em 1911, e também é considerado um clássico cult do terror, ganhando uma adaptação para os cinemas em 1988, e chegando por aqui sob o título de ‘A Maldição da Serpente’.

O Covil do Verme Branco
Uma série de eventos misteriosos e inexplicáveis despertam o interesse do jovem Adam Salton enquanto estava hospedado na casa de seu tio-avô, Richard. Com o intuito de resolver estes mistérios que acabam vitimando crianças e animais da região, Adam acaba se envolvendo numa rede que o leva cada vez mais perto de algo sobrenatural.

Nessa história, Bram Stoker é quase capaz de criar uma versão feminina do seu próprio Drácula, ao apresentar uma criatura sedutora e letal, e associá-la a figura fascinante de uma serpente.

O Covil do Verme Branco foi publicado originalmente em 1911, na Inglaterra, e depois republicado com partes editadas em 1925. Trata-se de um clássico cult do terror e mais uma grande obra de Abraham “Bram” Stoker que virou filme, chegando às telas do cinema em 1988.

10 Fatos marcantes na literatura em 2013

0

1

Douglas Eralldo, no Listas Literárias

Com a proximidade do final de ano temos a tendência de avaliar e refletir sobre o ano que termina através da memória recordando os principais fatos do ano. O Listas Literárias não poderia ser diferente e faz um levantamento dos principais assuntos da literatura em 2013:

1 – A polêmica das biografias: É difícil colocar algo acima disto dos assuntos que mais deram o que falar em 2013 no mercado editorial. A batalha entre biógrafos, editoras e possíveis biografados como os integrantes do Grupo Procure Saber durante o ano trouxeram para debate público duas questões elementais e contraditórias da nossa constituição: a liberdade de expressão, e o direito á privacidade. Como o STF não julgou ainda a questão, este é um assunto que ainda está longe de morrer;

2 – A Feira de Frankfurt: A maior feira de negócios do mercado editorial do mundo teve na edição de 2013 como país homenageado o Brasil, o que acabou além de trazer grande interessa para a literatura, também fazendo com que nossos autores ganhassem espaço e visibilidade no mercado internacional, além é claro de suscitar muitas polêmicas;

13 – Paulo Coelho: E sem dúvida alguma a grande polêmica que repercutiu internacionalmente foi a recusa do escritor (que estava na lista dos 70) em participar da Feira de Frankfurt alegando discordar dos métodos de escolha dos autores representantes que foram convidados a ir para a Alemanha. A questão se tornou manchete no mundo inteiro, e mesmo não estando na Feira, Paulo Coelho ficou sob os holofotes, e especialmente no segundo semestre voltou a ser pauta de diversas reportagens;

4 – A Lista dos 70 de Frankfurt: O protesto de Paulo Coelho tem como origem a lista com 70 escritores brasileiros convidados pelo governo para representar nossa literatura da feira, o que de certa forma ele não deixa de ter razão em vista de a mesma possuir alguns nomes no mínimo questionável, e ausências percebidas;

5 – Literatura fantástica e o upgrade: Quem acompanha o blog sabe que a literatura fantástica brasileira vem crescendo a cada ano, mas tudo isso ganhos novos e grandiosos contornos quando da citação de Paulo Coelho dos principais nomes do gênero no país como um dos motivos para não ir à Frankfurt. Ao falar do sucesso de Raphael Draccon, Eduardo Spohr, Carolina Munhoz e Andre Vianco, e que eles deveriam estar na lista a literatura fantástica ficou ainda mais sob os holofotes da mídia, agora especialmente dos meios mais tradicionais, já que na internet e nas livrarias não é de hoje que o gênero faz sucesso entre leitores;

16 – John Green: E quem diria que mesmo no meio de uma enxurrada de livros eróticos que tomaram conta das livrarias, especialmente por causa do fenômeno Cinquenta Tons de Cinza, que gradualmente que iria dominar as principais listas de livros mais vendidos seria John Green, certamente o principal autor de 2013, em termos de reconhecimento e procura do publico;

7 – Queremos o Brasil: Convenhamos que perto do resto do mundo o Brasil enfrentou bem a crise mundial, e um reflexo é que talvez nunca antes como em 2013 tivemos a vinda ao país de tantos escritores famosos, bestseller’s e verdadeiras celebridades mundias. Em eventos em bienais ou em turnês diversos autores desembarcaram nestas terras em 2013;

8 – O Chamado do Cuco: E não é que J. K. Rowling mais uma vez conseguiu chamar a atenção dos leitores de forma inusitada. Depois de uma estréia morna no mundo adulto com Morte Súbita ele conquistou primeiro a crítica, e depois o sucesso de vendas ao revelar que Robert Galbraith era seu pseudônimo neste livro policial que rapidamente se tornou bestseller depois da revelação;

9 – 1984 é hoje: Com as revelações feitas por Edward Snowden sobre a espionagem norte-americana que ficou sob os holofotes foi o clássico romance de George Orwell e as comparações inevitáveis entre 1984 e os acontecimentos recentes. A venda do livro chegou a aumentar mais de 7.000% na amazon com o vazamento das informações;

10 – Os 10 da amazon: Com surpresa e grande repercussão foi recebido o anúncio de que a gigante e controversa amazon irá traduzir e publicar uma lista com 10 escritores brasileiros nos Estados Unidos, tanto em e-books, quanto livros impressos;

e vocês, o que marcou em 2013 no mundo literário?

Jornalista e escritor Leandro Narloch acaba de lançar o segundo guia do politicamente incorreto

1

Dessa vez, com curiosidades e bizarrices além das fronteiras brasileiras

Maria Júlia Lledó, no Divirta-se

Leandro Narloch é um curioso irremediável. Plugado 24 horas a fatos aparentemente ordinários, o jornalista não deixa nada lhe escapar. Não à toa, logo se aventurou no segmento literário. Na ponta do lápis, ou melhor, no teclado do notebook, registraria o lado B da história que aprendemos na escola. Assunto que fascina o jovem escritor, autor do Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil (Ed. Leya, 2012). Dessa vez, Narloch investiu em uma sequência bem mais ampla, com direito a personagens mitificados, como Isaac Newton, Nero, Mussolini e Madre Teresa de Calcutá. “Com o sucesso do primeiro livro, muitos leitores me sugeriam temas a abordar na história do mundo, como o mito de que as fronteiras artificiais destruíram a África, dos samurais burocratas, das bizarrices dos regimes comunistas. A sequência, então, era inevitável”, contou à Revista. Após dois anos de muita pesquisa e paciência da mulher Gisela, como ele brinca, o escritor acaba de lançar o Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo, pela mesma editora. Entre alguns spoilers: a fama de bom astrólogo do matemático Galileu e a ausência de qualquer cinto de castidade nas mulheres medievais. Mas esses trechos são leves diante da série de provocações selecionadas por Leandro Narloch para deixar o leitor com as orelhas em pé.

Que critérios você adotou para escolher os fatos abordados no livro?
O critério é o politicamente incorreto. A história do mundo é um assunto amplo, talvez o mais amplo que exista, então selecionei só as histórias e as versões mais desagradáveis, que mais incomodavam a turma do mundo melhor, da sustentabilidade. Foi por isso que, sobre o Império Romano, defendi Nero, e não Julio Cesar — afinal, Nero é o personagem que ocupa o cargo de grande vilão, de anticristo.

Entre esses fatos, algum, em especial, foi surpreendente para você?

Sim, muitos me surpreenderam. Até ler sobre a Revolução Industrial, não havia me dado conta de que as máquinas e as fábricas salvaram, a longo prazo, as crianças do trabalho infantil e criaram milhões de empregos. É bem o contrário da imagem que temos desse período. Também foi incrível entrevistar deputados em Brasília para saber o que eles achavam de frases do livro A Doutrina Fascista, de Mussolini. Sem saber que as frases eram do ditador italiano, diversos deputados concordaram com elas.

Os trechos: “A bomba de Hiroshima salvou milhões de japoneses” e “McDonald’s, a franquia da paz” são algumas passagens polêmicas do livro. Você teme ser considerado radical?
Não, pois quase todas as afirmações do livro vêm de estudos estabelecidos, baseados em algum consenso. A teoria da paz capitalista, por exemplo, já é ponto pacífico para a maioria dos especialistas em relações internacionais. Quando não há esse consenso, eu abro um espaço para ponderação, mostrando os pontos fracos daquela teoria ou versão. Por exemplo, no caso da teoria da paz nuclear, segundo a qual as bombas atômicas evitaram uma terceira guerra mundial, mostro os argumentos contrários a essa ideia. Talvez a afirmação que soe mais radical do livro seja a de que o capitalismo foi a melhor coisa que aconteceu para os pobres na história do mundo. Para mim, no entanto, isso não é radical, é óbvio. Por onde a produção em massa passou, as pessoas deixaram de lidar com problemas de escassez para enfrentar problemas de abundância — comida demais, que gera obesidade; carros demais, que criam engarrafamentos; embalagens demais para poucos lixões.

Além de mostrar o lado B da história do mundo, há a intenção de que o livro seja usado em sala de aula?
Os guias politicamente incorretos são livros parciais, que mostram só uma versão da história. Não devem ser o principal livro dos alunos, mas podem ser usados como um complemento, um instrumento de debate, um antídoto contra a falta de diversidade de opiniões nas aulas de história.

Se a história não é mais contada somente pelos vencedores, teríamos, então, nas próximas gerações, livros de história mais abrangentes?
Não acredito que a história seja contada pelos vencedores. Quase sempre é contada pelos ressentidos, pelos que serão vencedores. Afinal, muitas vezes se usa a história como uma arma política — de Hitler a Evo Morales, os políticos ganham poder quando conseguem implantar a versão em que eles aparecem como redentores. Torço para que, no futuro, os cidadãos fiquem mais atentos a esse tipo de estratégia.

Seis minutos de leitura

1

O brasileiro dedica, em média, seis minutos por dia aos livros. Já usou seus minutos de hoje?

Danilo Venticinque, na Época

Ser otimista é ser constantemente atropelado pelos fatos. Às vezes nos esquecemos disso, mas os fatos nunca se esquecem de nos atropelar. Foi o que aconteceu comigo. Mesmo sem ser um grande fã do pensamento positivo, escrevi há alguns meses um texto esperançoso sobre o hábito da leitura no Brasil. Não preciso nem dizer que um estudo do IBGE, na última sexta-feira, revelou que o brasileiro dedica apenas seis minutos por dia aos livros. Um desastre. Alguns amigos voltaram a me dizer, em tom de provocação, que o brasileiro não lê.

Não exageremos. A pesquisa, afinal, confirma que o brasileiro lê. Lê pouco, mas já é alguma coisa. Com seis minutos por dia e alguma paciência, o brasileiro médio deve conseguir terminar um livro ou dois até o fim do ano. Quase nada, mas melhor do que nada.

Eu poderia dizer que não lemos mais por falta de educação. Mas, sinceramente, não tenho nada de novo para falar a esse respeito: a colega Ruth de Aquino escreveu um ótimo texto sobre o assunto na semana passada. Prefiro me concentrar naqueles brasileiros que, mesmo tendo uma boa educação e acesso a livros, acabam deixando a leitura para depois – ou para lá. Todo mundo conhece alguém que leu por menos de seis minutos hoje, ou que lê menos de seis minutos por dia todos os dias, ou que não lê absolutamente nada. Para evitar que esses indivíduos continuem puxando a média nacional para baixo, decidi preparar um pequeno guia. Basta escolher uma das alternativas abaixo e tornar-se um leitor médio. Também é possível seguir todas elas e se tornar um leitor compulsivo, mas dê um passo de cada vez. O importante é aproveitar os seis minutos.

Como dedicar seis minutos por dia aos livros:

– Acorde seis minutos mais cedo e, em vez de pegar o celular, pegue um livro. Ou pegue o celular e leia um livro nele. A tela é desconfortável e a luz pode te incomodar. Mas, quando isso acontecer, os seis minutos já terão passado.

– Tome o café da manhã com um livro. Mesmo se você for um daqueles que acordam atrasados e começa o dia engolindo a primeira refeição, não é possível que tudo dure menos de seis minutos.

– Leia no banho. É uma decisão arriscada: com a água quente do chuveiro, as páginas podem começar a se desfazer. Imagino que elas durarão por pelo menos seis minutos.

– Se você vai ao trabalho de ônibus, leve um livro. Os benefícios de ler sentado são conhecidos por todos. Ler em pé, espremido pelos outros passageiros, pode ser um belo teste de equilíbrio. Tente resistir por pelo menos seis minutos. Se é para cair no chão, caia como um leitor.

– Se você vai para o trabalho de carro, experimente um audiolivro. A moda não pegou no Brasil e o acervo em língua portuguesa é minúsculo, mas pode durar por um bom tempo se você só ouvir seis minutos por dia. O caos urbano o impedirá de chegar ao trabalho em menos tempo do que isso.

– Chegou mais cedo ao trabalho? A tentação de aproveitar esse tempo navegando sem rumo na internet é grande. Resista. Comece o expediente lendo um livro por seis minutos. Pode ser cansativo para quem não está acostumado, mas é melhor do que trabalhar.

– Cansou de trabalhar e quer uma pausa durante o expediente? Leia um livro. Ao menos você parecerá mais sério do que seus colegas que perdem tempo no Facebook ou no YouTube. Se o livro for minimamente relacionado à sua profissão, você pode até ganhar elogios do chefe. Os seis minutos a menos de trabalho, convenhamos, não afetarão seus resultados.

– Leve um livro para almoçar. Mesmo a mais medíocre das obras literárias é mais interessante do que ouvir de novo as mesmas fofocas sobre os mesmos colegas de escritório. A técnica é mais comum em refeições solitárias, mas funciona também em almoços em grupo. Em vez de distrair-se com o celular e ignorar os outros à mesa, ponha um livro na frente do seu rosto. Talvez ninguém repare – afinal, são só seis minutos. É menos tempo do que os seus colegas levariam para passar de fase no Candy Crush.

– Vá ao banheiro com um livro. É mais chique do que levar um celular, e menos arriscado: muitos celulares encontram seu fim no vaso sanitário, mas raríssimos são os livros que têm esse triste destino. Talvez porque pouquíssimas pessoas levam livros para o banheiro, mas isso é o de menos. Tente manter seu livro a salvo por seis minutos.

– Voltou para casa? Antes de ligar a televisão, abra um livro. Você provavelmente estará cansado, sem concentração e o aproveitamento da leitura será péssimo. Mas quem se importa? Só é preciso resistir por seis minutos.

– Se preferir, siga no jantar a sugestão dada no almoço. A vantagem é que não haverá colegas de trabalho para te importunar. A desvantagem é que, se você tiver uma família ou um cônjuge, eles detestarão ser trocados por um livro. Mas o amor incondicional serve para superar esses obstáculos e, afinal, são só seis minutos.

– Se você passou o dia inteiro sem ler, a cama é sua chance de redenção. Em algum lugar há alguma pesquisa que diz que aparelhos eletrônicos atrapalham o sono. Confie na ciência. Troque o celular, tablet ou computador por um livro. E resista ao cansaço. Você só precisa manter os olhos abertos por seis minutos. Depois disso, poderá dormir o sono dos leitores.

Sonho de consumo do brasileiro é um fracasso

0

Gilberto Dimenstein, na Folha de S.Paulo

Um dos fatos sociais pouco conhecidos do país é a expansão acelerada de escolas particulares de baixo custo nas periferias das grandes cidades. Em alguns lugares como Fortaleza, por exemplo, já tem mais alunos nas redes privadas do que públicas.

São mensalidades que cabem no apertado bolso da classe C, seguindo o caminho que, no passado, foi trilhado pelas mais ricos, que abandonaram a escola pública.

Essa tendência fica visível na pesquisa que o Datafolha divulgou sobre o sonho de consumo do brasileiro. O resultado reflete um fracasso.

Fracasso porque é uma resposta ao fato de que o brasileiro, se puder, paga para não depender de governos.

No ranking do Datafolha, o segundo mais importante sonho de consumo é poder pagar mensalidade para os filhos. Só perde para a casa própria. Está, inclusive, na frente da saúde.

Pesadelo consiste no seguinte. O brasileiro já paga mais de quatro meses de salário por ano apenas para manter os governo.

Ainda paga por serviços privados que deveriam ser mantidos pelo setor público.

*
Aproveitando a dica, volto a falar na importância de os brasileiros conhecerem os recursos digitais gratuitos de educação. Fiz uma seleção dos cursos online gratuitos da USP, FGV, Unesp e Unicamp. Veja.

*
Outra seleção que vale a pena ver. O site Universia listou 700 cursos das melhores universidades do mundo. Veja.

*
Veja também uma seleção de aulas gratuitas para o Enem.

Go to Top