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Alunos fazem festa com tema ‘se nada der certo’ e se fantasiam de faxineiro, ambulante e cozinheiro

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Festa sugerida por alunos do 3º ano do ensino médio do colégio IENH, em Novo Hamburgo, pegou mal nas redes sociais.

Luiza Belloni, no HuffpostBrasil

Uma festa com o tema “Se nada der certo” dos secundaristas do Instituição Evangélica de Novo Hamburgo (IENH), no Rio Grande do Sul, repercutiu nas redes sociais.

Em uma das típicas comemorações do 3º ano do ensino médio, alunos da escola na região metropolitana de Porto Alegre se fantasiaram de profissões que julgaram ser “alternativas” se nada der certo na vida profissional.

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Entre elas estavam cozinheiro, churrasqueiro, faxineiro, revendedor de produtos de beleza, mecânico, atendente de supermercado…

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Outros se fantasiaram de ambulante…

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Entregador de jornal…

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E até churrasqueiro…

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E outros aproveitaram o tema para se “fantasiar” de ladrão e morador de rua…

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Reprodução/Bombors

 

As fotos da festa, que aconteceu no dia 17 do mês passado, começaram a circular nas redes sociais e a escola particular foi alvo de críticas. Segundo usuários, o tema humilhou pessoas que sobrevivem destas profissões.

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As pessoas também invadiram a página do Facebook do colégio com críticas sobre a festa.

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Procurado pelo HuffPost Brasil, o colégio EINH informou que, em momento algum teve a intenção de discriminar determinadas profissões, “até porque muitas delas fazem parte do próprio quadro administrativo e são essenciais para o bom funcionamento da Instituição”.

A nota acrescenta que o objetivo da atividade foi trabalhar um possível cenário de não aprovação no vestibular, e não teve intenção de fazer referência à frase “não dar certo na vida”.

“A atividade ‘Se nada der certo’ faz parte do projeto Dia D, prática comum nas escolas da região e grande Porto Alegre, que tem como objetivo promover momentos de integração e descontração entre os formandos do Ensino Médio, tendo em vista o encerramento da etapa que culmina com a busca da aprovação no vestibular e ingresso no ensino superior.”

A nota publicada nas redes sociais do colégio também pede desculpas pelo “mal entendido”. “Também destacamos que todas as colocações e situações oriundas certamente serão temas de discussão e aprendizado em sala de aula”, finalizou.

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Não é a primeira vez

O tema “Se nada der certo” já foi trabalhado em uma festa do terceiro ano do ensino médio no Colégio Marista Champagnat, em Porto Alegre, também no Rio Grande do Sul. Em outubro de 2015, os estudantes se fantasiaram de profissões que poderiam seguir se “nada desse certo” na vida.

Com a repercussão da festa do IENH, usuários relembraram as fotos do evento de dois anos atrás do Marista Champagnat e o colégio está sendo alvo de críticas. As fotos foram compartilhadas nas redes e o evento foi deletado do site da instituição.

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Professora de filosofia se disfarça de faxineira para dar lição a alunos

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Thiago Varella, no UOL

Os alunos de agronomia teriam a primeira aula de filosofia no dia 6 de junho, começo do semestre. A professora parecia atrasada naquele dia. Já se passavam 20 minutos do horário da aula e nada de a docente aparecer.

Alguns alunos ficaram bravos com o atraso: “Que demora é essa? Que professora irresponsável que não chega… Ela atrasa, mas a gente não pode chegar mais tarde”, disseram os alunos, segundo Edenise Guedes, 43, a professora que fez essa provocação com os alunos do Instituto Federal Sertão Pernambucano, na zona rural de Petrolina (PE).

Guedes puxou papo com os alunos. “Primeiramente, perguntei qual aula era aquela. Me responderam que era filosofia. Foi então que perguntei: o que é filosofia?”, diz. “Um dos alunos, que estava irritado, chegou a dizer que era uma coisa que inventaram para reprovar estudantes.”

Edenise Guedes, 43, professora de filosofia

“Só fui desmascarada quando a assessora de imprensa do instituto entrou na sala para tirar fotos a pedido da coordenação 20 minutos depois do começo da aula”, conta Guedes.

A ideia de Edenise era provocar os estudantes: “Aqui na instituição, a equipe de limpeza é maravilhosa, mas os alunos passam, esbarram e nem veem. Chamei a atenção para isso”, conta.

Mesmo após revelar sua verdadeira profissão e de começar a falar sobre filosofia, alguns alunos ainda duvidaram. No fim da aula, uma das estudantes chegou perto da professora e disse que era “estranho vê-la vestida daquele jeito”.

Lição

“Naquela aula, expliquei a dificuldade que eles tiveram de me identificar dentro da sala. Na filosofia, o importante é ler o mundo em sua volta e perguntar como você quer ser percebido. Como docentes, a gente tem a necessidade de fazer o outro pensar. O desafio é esse. Aristóteles dizia que a verdade é o mundo que está a sua volta”, disse a professora que é formada em história e que dá aulas no ensino superior desde 2010.

Segundo Guedes, além da discussão, sua dinâmica teve o objetivo de fazer os alunos se interessarem mais pela filosofia.

“Nas aulas, a gente trabalha os temas de ética. Quando eu me proponho e, trazer um tema para os alunos, tenho a preocupação de que eles se apaixonem pela disciplina. Quando isso acontece, a aula fica mais leve. Também tenho o objetivo de fazer um uso prático da filosofia. Para mim, todo mundo nasce filósofo. O bebezinho começa colocando a boca em tudo e depois faz pergunta de tudo. E de repente, a gente para de agir assim. Em sala de aula quero rever isso e fazer com que os alunos voltem a questionar tudo”, explicou.

Ex-faxineira mergulha nos livros e é aprovada no STF e mais 3 órgãos

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Marinalva Luiz, ex-faxineira no Supremo Tribunal Federal aprovada em quatro concursos públicos (Foto: Alexandre Bastos/G1)

Marinalva Luiz, ex-faxineira no Supremo Tribunal Federal aprovada em quatro concursos públicos (Foto: Alexandre Bastos/G1)

 

Colegas insinuaram que ela havia comprado gabarito da prova, de 2008.
Mulher também foi aprovada no STJ, Ministério do Trabalho e MPU.

Renata Moraes, no G1

Título original: ‘Pensaram que eu era analfabeta’, diz faxineira do STF que passou no órgão

Após cinco anos trabalhando como faxineira no Supremo Tribunal Federal, Marinalva Luiz achou que era uma brincadeira ver o próprio nome na lista de aprovados no concurso do órgão. A mulher passou semanas mergulhada nos livros e anotações para a prova de técnico judiciário. O resultado também surpreendeu colegas, que chegaram a insinuar que ela havia comprado o gabarito.

“Minha família e amigos já sabiam que eu ia passar, pois eu estudava sem parar e só falava em concurso e mais concurso”, disse. “Muita gente, infelizmente, não gostou da novidade. As pessoas ficaram em choque, não esperavam que uma moça que trabalhou na limpeza do tribunal tivesse conhecimento suficiente para passar, ainda mais que concorri com quem já tinha se formado em advocacia. O preconceito está enraizado na sociedade brasileira ainda.”

O concurso aconteceu em 2008. O salário previsto era de R$ 3 mil – 500% a mais do que os R$ 500 que ela recebia mensalmente. Marinalva foi a 29ª colocada e aguardou os quatro anos de validade do certame pela convocação. Mesmo com a seleção expirando antes, a mulher não desanimou e passou em outras três provas: Superior Tribunal de Justiça, Ministério do Trabalho (onde está atualmente) e Ministério Público da União.

Para ela, o fato de sempre ter apreciado literatura influenciou nas conquistas. “Eu sempre gostei de ler. Lia desde gibi a Karl Max. Na minha casa tinha mais livros e revista do que em qualquer casa do meu bairro. As pessoas não entendiam porque eu e minha irmã líamos tanto. Hoje vejo que isso foi fundamental e um diferencial na minha vida.”

A ex-faxineira em frente a ministério na Esplanada (Foto: Alexandre Bastos/G1)

A ex-faxineira em frente a ministério na Esplanada
(Foto: Alexandre Bastos/G1)

A mulher também baixou conteúdos em sites e pedia ajuda de amigos da família que trabalhavam no Judiciário. Nascida em Anápolis, cidade goiana a 160 quilômetros de Brasília, ela decidiu atuar na área de limpeza porque o salário era melhor do que o que recebia trabalhando em uma loja para noivas e como costureira.

“Duvidavam da minha capacidade porque eu era auxiliar de serviços gerais e, como tal, deveria ter muito pouco estudo. Não aceito que me julguem sem me conhecer”, afirma. “O que me deixou impressionada foi pensarem que, por ter trabalhado na limpeza, era analfabeta ou coisa do gênero. Eu já tinha o ensino médio, trabalhava numa butique mas ganhava menos que na limpeza e trabalhava muito. No STF era muito melhor! Nunca me abati com isso, mas, realmente, inveja é uma coisa que te assusta.”

Marinalva diz que a família tinha pouco recursos, mas que nunca precisou parar de estudar. “Nós eramos pobres, mas tínhamos tudo o que precisávamos. Livros, roupas, brinquedos; meus pais se esforçavam e nos davam. Mas, como todo mundo, você sempre quer mais, e eu queria morar numa casa com piscina, muita árvores, pois lembra muito a minha infância.”

Segundo ela, a melhor vantagem do emprego no serviço público foi poder incluir a mãe como dependente no plano de saúde. “Ela foi muito bem tratada nos melhores hospitais do Plano Piloto e Taguatinga, especialmente no Santa Marta e São Francisco, onde infelizmente, ela veio a falecer, há dois anos.”

Marinalva conta que chegou a começar a estudar direito, mas decidiu trancar o curso por ver que não era exatamente o que queria. Ela voltou a costurar e diz sonhar em fazer moda nos próximos anos.

“Voltei a costurar por raiva”, ri. “Toda vez que pedia uma costureira para fazer umas roupas, ela demorava demais ou [as peças] não ficavam do jeito que eu queria. Como já tinha trancado a faculdade, já estava procurando uns cursos para fazer, dar uma boa revisada em ajustes e conhecer novos métodos de ensino. Daí vi que realmente costurar é uma coisa que adoro fazer, independentemente de ser uma profissão. Todo dia faço algo. Para meus amigos e parentes, faço consertos e reformas.”

Dicas
A mulher diz que, para a prova do STF, se preparou com o conteúdo de analista judiciário – com curso superior – e não para o de técnico. Assim, afirma, acumulava mais conhecimento. Ela também conta que estava decidida a passar em concurso e que acha que a determinação contribuiu para o sucesso.

“Vários colegas faziam deboche quando fui aprovada, vieram correndo me falar que não iria ser chamada. É uma coisa que você vê se você quiser. Eu nunca deixei que me jogassem para baixo, mas não imaginei que fosse calar a boca de tanta gente depois que fui aprovada”, conta.

“A primeira dica é: decida onde você quer trabalhar. Eu só fiz concurso para o judiciário porque as matérias são as mesmas e somente o regimento interno que muda. Fiz do Ministério do Trabalho porque queria incentivar uma amiga a estudar e acabei fazendo a inscrição no último dia. Caí aqui de paraquedas”, ri. “Segundo: estude por livros e sites, nunca compre apostilas. Além de resumidas demais, são caríssimas. Um exemplo: quando estudava ainda para o STF, já tinha tudo quanto era exercício feito. Uma amiga comprou uma apostila na banca de revista e fui dar uma olhada apenas nos exercicios sobre a legislação do tribunal.”

Marinalva afirma que os exercícios eram iguais aos que já tinha em casa. A terceira dica dela é manter o foco. “Vi gente estudando ao mesmo tempo para bancos, tribunais, agências reguladoras, Metrô etc. Nossa! Você acha que nosso cérebro armazena todo esse tipo de informação em curto prazo? São órgãos diferentes, as matérias às vezes também são.”

A mulher conta se sentir feliz ao ver que outras pessoas ficam motivadas ao estudar quando conhecem a história dela. Para ela, a principal lição com a própria experiência foi ver que todo mundo é capaz.

“Eu passei num concurso que era disputadíssimo entre os funcionários da minha empresa, estagiários. Eu passei e eles não. O diferencial foi que não estudei para passar, estudei para aprender e entender como funciona o nosso Estado Brasileiro. Fui devagarinho. O que não entendia, voltava e fazia tudo de novo. E uma frase que resume bem o eu fiz foi:’Sem saber que era impossível, ele foi lá e fez’.”

‘Eu nasci de novo’, diz avó que voltou a estudar por causa do neto

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Maria das Mercês Silva, 66, voltou a estudar para ajudar no neto nas lições de casa

Maria das Mercês Silva, 66, voltou a estudar para ajudar no neto nas lições de casa

Jorge Olavo, no UOL

A faxineira Maria das Mercês Silva, 66 anos, queria ter ido para a escola quando era menina, mas o pai sempre achou que estudo era coisa de homem. Mulher tinha que se dar bem na cozinha, dizia ele. Sem saber ler e escrever, a menina cresceu, casou, cruzou o país, virou mãe, separou e tornou-se avó.

Depois de tantos capítulos vividos em Pernambuco, Paraná, Distrito Federal e São Paulo, ela diz que nasceu de novo. O renascimento começou há dois anos, quando, incentivada pelo neto, dona Maria passou a frequentar a escola pela primeira vez.

Mãe de nove filhos e com a família toda em São Paulo, a pernambucana e radicada em Curitiba (PR) não perde uma aula sequer. Segundo a pedagoga Priscila Correia Costa, dos exercícios de matemática aos treinos de educação física, a vovó participa de todas as atividades propostas pelos professores da Escola Municipal Rachel Mader Gonçalves.

“Ela não falta aula. Empresta livros toda semana. Ela evoluiu muito”, afirma Priscila. Maria está no 2º período do EJA (educação de jovens e adultos) – o equivalente ao 4º e 5º anos do ensino fundamental – em uma turma de 12 alunos com idades entre 36 e 71 anos.

O principal estímulo vem do neto Felipe Alexandre Feitosa dos Santos, 10 anos, que vive com a avó desde que tinha 1 ano e 6 meses. Sem contato com os pais desde então, o menino sempre foi incentivado a estudar pela avó. A situação se inverteu quando Felipe passou a pedir ajuda nas tarefas escolares e, como resposta, ouvia o choro de Maria. “Eu chorava porque eu não conseguia ajudar nas tarefas”, lembra. “Vovó, vamos para a escola. Vai ser bom para você. Você vai aprender e vai me ensinar”, passou a dizer o neto.

A senhora criada na roça cedeu ao apelo do neto e fez matrícula na escola. O primeiro ano foi de muitas faltas, mas, diante da marcação cerrada de Felipe, a assiduidade às aulas nunca mais foi um problema. Sempre que possível, avó e neto vão para a escola de bicicleta.

Enquanto Maria está em aula, Felipe aguarda em uma sala de acolhimento, onde brinca e desenvolve atividades educativas. “Ela já melhorou muito. Reconhece palavras, escreve e sabe ler. Eu costumo corrigir as lições dela, mas eu quero que um dia ela corrija as minhas”, diz o “futuro advogado”, que frequenta o 5º ano na Escola Municipal Marumbi.

A história de Maria das Mercês e Felipe chamou inclusive a atenção do poder público. Felipe tornou-se um herói mirim do projeto Kids of Curitiba, que retrata o perfil de crianças vencedoras e com histórias de superação no perfil da Prefeitura de Curitiba no Facebook.

Com os avanços que já obteve na escola, Maria orgulha-se em dizer que agora não tem mais medo de andar de ônibus. Antes, sem saber ler, era um desafio praticamente impossível. “Eu estou muito feliz. Estou igual a uma criança. Sabe quando a pessoa está cega e começa a enxergar? É isso que está acontecendo comigo hoje. Aprendendo a ler e a escrever, eu nasci de novo”, diz a faxineira que sonha continuar os estudos para ser professora.

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