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O Bibliotecário de meio milhão de livros

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Cristian Brayner | Divulgação

Cristian Brayner | Divulgação

Afonso Borges, em O Globo

Cristian Brayner é bibliotecário por formação. Foi convidado pelo Ministro Roberto Freire para a diretoria do Departamento de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (DLLLB) Ao ali chegar, deparou-se com uma destas tragédias brasileiras: largados à própria sorte, há quatro anos, meio milhão de livros, em um imenso galpão no Porto Maravilha. A história: a Fundação Biblioteca Nacional recebia, até 2014, um percentual de livros editados via Lei Federal de Incentivo à Cultura. Pela Lei, eles deveriam ser enviados para bibliotecas públicas e comunitárias de todo o País. Deveriam. Por motivos ainda desconhecidos, a FBN foi ali os depositando. Mas vejam… um porto, com toda aquela umidade é lá um lugar para se armazenar livros? E mais: a grande obra que ali aconteceu naquela região empesteou de poeira toda a região. Inclusive os livros – ou seja, uma parte já está totalmente deteriorada.

Então, o bibliotecário decidiu encarar a burocracia. Enquanto isso, O DLLB, responsável pela empreitada, foi transferido da FBN para o Ministério da Cultura, em Brasília. Foi quando ele conseguiu sensibilizar o então Ministro Roberto Freire no sentido de abrir uma concorrência pública para que os livros sejam organizados, catalogados, limpos e, posteriormente, enviados para o seu destino legal: as bibliotecas.

E não é que ele conseguiu??? Um contrato foi assinado com a empresa vencedora, que tem seis meses para colocar os livros nos Correios. O bibliotecário não está mais no cargo. Mas o novo Ministro, Sergio Sá Leitão, tem competência e sensibilidade suficientes para dar sequência aos trâmites e apagar da história do Livro e da Leitura mais esta – quase – tragédia brasileira.

Em exposição, o acervo raro e singular da Biblioteca Nacional

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Centenas de obras guardadas na instituição são apresentadas pela primeira vez em mostra

Leonardo Cazes, em O Globo

RIO – O acervo de 9 milhões de itens da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) reúne tempos, assuntos e lugares diversos. A exposição “Gabinete de obras máximas e singulares”, em cartaz até o dia 31 de outubro, faz uma viagem a esse tesouro. Nas 18 vitrines espalhadas pelos corredores da biblioteca estão 507 itens que nunca tinham sido expostos ao público, conta a curadora Cláudia Fares, como um exemplar de 1529 de uma obra do viajante veneziano Marco Polo, em que relata as maravilhas vistas em suas peripécias no Oriente.

Uma das vitrines da exposição 'Gabinete de obras máximas e singulares' - Jaime Acioli / Divulgação

Uma das vitrines da exposição ‘Gabinete de obras máximas e singulares’ – Jaime Acioli / Divulgação

 

A mostra foi inspirada nos gabinetes de curiosidades que surgiram no século XVI. As grandes navegações expandiram o mundo conhecido pelos europeus até então. Toda a cultura dos povos recém-descobertos era registrada pelos viajantes e, depois, guardada nos gabinetes. A exposição foi dividida em múltiplos temas, como “Torre de Babel”, “A invenção do Novo Mundo”, “Utopia e distopia”, entre outros.

— Cada vitrine abre uma conversa com o visitante. Na hora que você se detém em cada uma delas, pode criar suas próprias associações. É como um caleidoscópio. Cada vez que você olha, vê de maneira diferente — explica Cláudia. — O gabinete de curiosidades era uma maneira barroca de ver o mundo, onde o real e o fabuloso estão juntos. A lógica da exposição tinha que ser livre assim.

A curadora conta que a pesquisa no acervo para a montagem da exposição envolveu muitas conversas com os chefes responsáveis por cada setor da biblioteca, “pessoas super capacitadas, de dedicação ímpar”. Entre as pepitas descobertas estão um exemplar em alemão de “Mein Kampf”, de Adolf Hitler, e a Segunda Bíblia Hebraica, do século XVI. Nesta edição, pela primeira vez, foram publicadas notas críticas feitas por doutores judeus nas margens do texto bíblico, para preservar ortografia, pronúncia e acentuação exatas. A partir do que o acervo revelava para ela, Cláudia ia agrupando e montando as vitrines.

Uma das obras eróticas expostas é 'Pinto renascido, empenado e desempenado', de Thomaz Pinto Brandão, publicada em 1794. - Fotos de Divulgação

Uma das obras eróticas expostas é ‘Pinto renascido, empenado e desempenado’, de Thomaz Pinto Brandão, publicada em 1794. – Fotos de Divulgação

 

— A vitrine das “Utopias e distopias” foi a primeira que eu fiz. Eu tinha visto o manuscrito de “Os sertões”, de Euclides da Cunha, no setor de manuscritos. Depois, encontrei o “Paraíso perdido”, de John Milton. Aí caiu a ficha das utopias e distopias, Canudos, o paraíso perdido. E ainda descobri que a biblioteca tinha a primeira edição do “Mein Kampf” — lembra a curadora.

Há, também, um “Gabinete Secreto”. Montado no Salão de Obras Raras, a vitrine reúne 90 obras relacionadas à pornografia e ao erotismo. O gabinete foi inspirado naquele criado por funcionários da Biblioteca Nacional de Paris, no século XIX, para salvar da destruição obras consideradas ilegais, eróticas, imorais ou de caráter ofensivo. Entre os exemplares à vista do público, maior de idade, estão uma ilustração do artista italiano Gino Boccasile para o “Decamerão”, de Biovanni Boccaccio.

SERVIÇO

Onde: Biblioteca Nacional — Av. Rio Branco 219 (2220-9484)

Quando: De terça a sexta, das 10h às 17h. Sábado, das 10h30m às 14h. Até 31/10.

Quanto: Gratuito.

Classificação: Livre.

Biblioteca Nacional abre inscrições para o prêmio literário 2015

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No valor de R$ 30 mil cada, os prêmios serão concedidos nas categorias romance, poesia, conto, ensaio social, ensaio literário, tradução, projeto gráfico, literatura infantil e literatura juvenil

No valor de R$ 30 mil cada, os prêmios serão concedidos nas categorias romance, poesia, conto, ensaio social, ensaio literário, tradução, projeto gráfico, literatura infantil e literatura juvenil

Estão abertas até o dia 10 de setembro as inscrições para a edição 2015 do Prêmio Literário Biblioteca Nacional, concedido há mais de 20 anos pela instituição, com o objetivo de estimular a pesquisa e a criação literária no país.

Publicado no Vermelho

O concurso é aberto a autores, tradutores e designers gráficos e vai premiar a qualidade intelectual, técnica e estética dos livros inéditos publicados no Brasil, no período de 1º de maio de 2014 a 30 de abril de 2015.

O prêmio é dividido em nove categorias e estabelecido por meio de um edital de chamada pública. Segundo a Fundação Biblioteca Nacional (FBN), cada uma das categorias possui uma comissão julgadora própria e independente, composta por três profissionais de notório saber.

No valor de R$ 30 mil cada, os prêmios serão concedidos nas categorias romance, poesia, conto, ensaio social, ensaio literário, tradução, projeto gráfico, literatura infantil e literatura juvenil. Os critérios de avaliação por parte da comissão julgadora abrangem a qualidade da obra (exceto para a categoria projeto gráfico), originalidade, contribuição à cultura nacional, qualidade linguística da tradução (no caso dessa categoria) e criatividade no uso de recursos gráficos (somente para a categoria projeto gráfico).

As inscrições devem ser feitas por via postal e endereçadas à sede da Fundação Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Formulários e maiores informações estão disponíveis no site oficial.

Fonte: Agência Brasil

Livro conta vida e obra de Mário de Andrade

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Publicação “Mário de Andrade: eu sou trezentos- vida e obra” será lançada em 25 de fevereiro, aniversário da morte do escritor

Publicado no Portal Brasil

Eduardo Jardim, da UFRJ e pesquisador da Fundação Biblioteca Nacional lança livro sobre a trajetória de Mário de Andrade. Divulgação/MinC

Eduardo Jardim, da UFRJ e pesquisador da Fundação Biblioteca Nacional lança livro sobre a trajetória de Mário de Andrade. Divulgação/MinC

Há 70 anos, morreu um dos maiores criadores e pensadores da cultura brasileira. É inegável o legado deixado por Mário de Andrade (1893 – 1945) – romancista, poeta, músico, pesquisador da cultura popular e organizador da Semana da Arte Moderna.

Eduardo Jardim, professor da UFRJ e bolsista-pesquisador da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), se debruçou sobre a trajetória do modernista para escrever “Mário de Andrade: eu sou trezentos- vida e obra”. O livro será lançado em 25 de fevereiro, aniversário da morte do escritor.

A iniciativa vai ao encontro de outras comemorações em torno do autor, cuja obra entra em domínio público em 2016, e da Semana da Arte Moderna, que completará 100 anos em 2022.

Para celebrar o centenário, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, pretende criar uma comissão nacional afim de se ter um movimento nacional de resgate e reflexão sobre a construção de identidade.

Eduardo Jardim, que fez mestrado sobre modernismo e doutorado sobre Mário de Andrade, vê de forma positiva a iniciativa do ministro. “O modernismo continua sendo nossa principal referência para debate sobre cultura”, avalia. “Mas é preciso não apenas relembrar sua importância, mas vê-la de forma crítica. Vivemos um momento diferente daquele da década de 1920.”

Modernismo

A Semana de Arte Moderna é um dos temas tratados no livro. Nele, Jardim aborda a vida e obra de Mário de Andrade desde os tempos de infância, marcada pelo ensino religioso, até sua morte, em 1945.

Para Jardim, Mário de Andrade é referência central para discutir qualquer problema de cultura brasileira, na arte, literatura, política cultural e até funcionamento de agências de apoio a cultura.

Um dos fatos que chama a atenção do autor sobre Mário de Andrade são últimos anos de sua vida, quando o escritor sente-se frustrado e em depressão.

Em 1935, Mário foi chamado para assumir o Departamento de Cultura de São Paulo. Seu projeto era centrado na ideia de expansão cultural. “Ele queria promover a difusão da cultura erudita para as mais diversas camadas sociais, criou bibliotecas ambulantes e exposições no viaduto do chá”, disse Jardim.

Triste fim

Com a chegada de Getúlio Vargas ao poder e a implementação do Estado Novo (1937-1945), a iniciativa não foi concretizada. O sonho interrompido levou o modernista a um período de frustração.

Nesta fase da vida de Andrade, o livro mostra outro lado do modernista. “Há uma diferença grande no que se conta sobre Mário de Andrade, sobre essa imagem de um autor triunfante e a realidade da vida dele, que é de alguém que viveu um projeto de inclusão interrompido e que foi cortado por perspectiva autoritária, isso é impressionante”, comenta Jardim.

Mário voltou ao Rio de Janeiro (RJ) para ser professor de universidade, mas também encontrou uma fonte de decepção. “Ele queria ser um reformador da Cultura. Quando sai de São Paulo, vai ao Rio para ser professor, mas o ministro Gustavo Capadema acaba com a universidade e ele fica em uma posição subalterna”, lembra o autor.

“Os depoimentos dele dessa época são de um cara arrasado. Ele adoece e morre aos 51 anos, sem ter visto o fim da Primeira Guerra Mundial e a queda do Estado Novo. Mário de Andrade é retratado como vitorioso, mas você vê que não foi o tempo todo”, complementa Eduardo Jardim.

Metodologia

Para escrever a obra, Jardim realizou diversas pesquisas, sobretudo na Biblioteca Nacional (BN). Coleção de livros, catálogos, periódicos e revistas modernistas serviram como embasamento para o livro.

Uma das preocupações que o pesquisador teve foi de escrever a obra de forma acessível e direcionada para o grande público. Jardim lança o livro, com cerca de 250 páginas, em 25 de fevereiro, no Rio de Janeiro.

Fonte:
Ministério da Cultura

Biblioteca Nacional conta com acervo de raridades que remontam ao século XI

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Muitas delas estão disponíveis online, e outras podem ser consultadas na própria FBN

Publicado no Correio do Estado

Caça-palavras de Hrabanus Maurus (1605) (Foto: Divulgação/Ministério da Cultura)

Caça-palavras de Hrabanus Maurus (1605)
(Foto: Divulgação/Ministério da Cultura)

O que membros da corte brasileira comeram durante o último baile do Império na Ilha Fiscal? Como Leonardo da Vinci, em 1509, ilustrou o livro sobre proporção áurea de seu amigo Luca Pacioli? Como era a planta de um navio negreiro que transportava escravos ou o primeiro atlas impresso? Essas são algumas raridades guardadas na divisão de obras raras da Fundação Biblioteca Nacional (FBN). Muitas delas estão disponíveis online, e outras podem ser consultadas na própria FBN.

A divisão foi criada em meados do século 20, por decreto presidencial, a partir de uma seleção do acervo geral da FBN. Embora não haja número exato de obras, calcula-se que são tantos títulos nessa seção que eles ocupariam uma estante linear de 2,1 km.

Ana Virginia Pinheiro, bibliotecária chefe da divisão de obras raras da Biblioteca Nacional e professora da Escola de Biblioteconomia da UniRIO, nunca perdeu o encantamento de trabalhar lá, desde seu primeiro dia, em 1982. Volta e meia, depara-se com alguma curiosidade do acervo geral que, em sua opinião, deveria fazer parte da divisão de obras raras.

“A Biblioteca Nacional vive de fazer descobertas. Sempre descobrimos tesouros, e a razão de ser da biblioteca é a preservação da memória, independentemente do partido político ou da ideia defendida em algum momento da história”, conta. “Nas épocas de exceções, muitas obras foram escondidas aqui”, revela.

A história do acervo da FBN se confunde com a do próprio país. “É a única Biblioteca Real das Américas. Veio com Dom João VI, em 1808, e foi comprada pelo Governo Imperial. O Governo Imperial não hesitou em comprar a biblioteca, que seria a base da construção da história nacional, a base que formou as mentes, os primeiros brasileiros independentes, aqueles que fizeram literatura brasileira e formaram ideias brasileiras”, relata Ana Virgínia.

A Bíblia de Mogúncia

A Bíblia de Mogúncia (foto acima), impressa em 1462, é um dos exemplares mais raros da Biblioteca Nacional e faz parte da Coleção Real, trazida por Dom João VI. “É um monumento da tipografia e prova que, no século 15, o homem estava avançado em termos de tecnologia, senso moral e intelectual. A Bíblia é um monumento de técnica e arte”.

O exemplar mais antigo da FBN, considerado também o mais antigo da América Latina, foi doado por uma família no século 19. Trata-se de um manuscrito do século 11 com os quatro Evangelhos (Matheus, Lucas, João e Marcos).

No acervo, há também o exemplar completo da famosa Encyclopédie Française, uma das obras de referência para a Revolução Francesa. O primeiro jornal impresso do mundo, datado de 1601, e os primeiros jornais manuscritos que circularam no Brasil também estão lá.

Outra obra de valor inestimável é o livro do autor Hrabanus Maurus, exemplar único, publicado em 1605. “Ele criou o caça-palavras. Fez isso em forma de poesia visual. É considerada raríssima e extremamente curiosa por causa do design. É surpreendente que alguém publicasse livro como esse em 1605”, afirma Ana Virgínia. A crônica de Nuremberg, de 1493, é outra preciosidade do acervo por ser considerado o livro mais ilustrado do século 15. Nele, há mapas xilogravados tidos como os mais antigos em livro impresso.

Descoberta

Ao longo de mais de 30 anos de dedicação à Biblioteca Nacional, houve uma descoberta que emocionou a chefe do departamento. Por ocasião de uma entrevista, Ana Virgínia estava à procura de um livro diferente no acervo.

virginia“Um título me chamou a atenção. Era sobre tráfico de escravos e vi que havia um volume dobrado dentro. Era a planta de um navio negreiro com o desenho das pessoas que iam nele”, diz Ana Virgínia. “Tinha ideia que os escravos iam amontoados, e essa planta mudou minha ideia. Os escravos eram mapeados para ficarem deitados. Era marcado no chão o lugar onde se deitariam homens, mulheres e crianças”, relata. A descoberta rendeu à bibliotecária o livro “Às Vésperas dos 200 anos da Biblioteca Nacional”.

“Conto como achei o livro e o que há nele. É doloroso ver que o ser humano fez isso, e [a obra] muda nossa ideia mal informada sobre como era o transporte de escravos”, afirma. “Eu adoro trabalhar aqui, a descoberta diária e a sensação de ter contato imediato com pessoas que estiveram aqui há 300 anos”, conclui.

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