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Enem 2014: escola católica faz Bênção das Canetas para alunos na véspera da prova

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Freira de Colégio Sagrado Coração de Maria abençoou o material com água benta após Oração do Vestibulando

benzendo canetas

Lauro Neto, em O Globo

Se Deus escreve mesmo certo por linhas tortas, uma escola católica da Zona Sul do Rio de Janeiro tentou garantir a escrita correta de seus alunos com uma Bênção das Canetas na véspera do Enem. Na manhã desta sexta-feira, 35 estudantes do Colégio Sagrado Coração de Maria participaram de uma cerimônia religiosa na capela, na qual ganharam canetas pretas de corpo transparente (como manda o edital do Enem), que foram abençoadas com água benta por uma freira.

Antes de Irmã Glória aspergir a água sobre os alunos e suas canetas, eles receberam um escapulário, rezaram a Oração do Vestibulando, que pede inspiração a Deus para “responder com sabedoria e calma as questões”, além do Salmo 91, um Pai Nosso e uma Ave Maria. Muitos estudantes se emocionaram durante a celebração, entre eles, os amigos Lucas Ripardo e Ana Carolina Gonzaga.

– Me emocionei durante a Bênção das Canetas, pois significou muita coisa, me passou conforto, me senti segura e abraçada. Por estudar aqui há muito tempo, lembrei dos outros anos e simbolizou a preocupação que a escola tem conosco. Sou católica e tenho uma fé muito grande em Deus. Com certeza, esse é um meio de Ele nos tocar durante a prova – acredita Ana Carolina, que quer estudar Arquitetura na UFRJ.

Candidato a uma vaga em Produção Cultural na UFF, Lucas diz não ser tão católico quanto a amiga, mas confessa que a experiência foi marcante a ponto de fazê-lo chorar como em raras ocasiões:

– Nunca choro. Mas esse momento foi bem tocante para mim, pois descarreguei todas as energias que estava sentindo, junto com todo mundo que convivo durante anos. Precisamos disso. Esse fim de semana representa o que batalhamos durante três anos de ensino médio, e queremos fazer o nosso melhor. Precisamos estar o mais tranquilo possível. Acreditar em algo ajuda a se acalmar durante a prova e pensar que vai dar tudo certo.

A cerimônia foi idealizada pelo trio gestor da escola, composto pelo diretor-geral, Amaro França, a diretora pedagógica, Rosana Catete, e o coordenador de serviço de orientação religiosa, Carlos Bruno Araújo. França foi o responsável por invocar a bênção sobre as canetas.

– Que, inspirados pelo Seu Espírito e revelado pelo que eles vão produzir, as respostas sejam as corretas e se aproximem daquilo que é certo. Assim, pedimos com toda a confiança e a fé que abençoe os jovens que irão prestar o Enem, e também esses objetos, que recebendo Sua bênção, se tornam santos, consagrados, em nome de Jesus – disse França.

Autora do livro que inspirou ‘Orange is the new black’ diz que terceiro ano da série vai explorar a fé

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Piper Kerman se diz ansiosa para ler as memórias da ex-namorada

Jason Biggs, Piper Kerman e Danielle Brooks posam durante visita a São Paulo, em 2013 - Terceiro / Alex Azevedo/ Fabio Pugliesi/DIVULGAÇÃO

Jason Biggs, Piper Kerman e Danielle Brooks posam durante visita a São Paulo, em 2013 – Terceiro / Alex Azevedo/ Fabio Pugliesi/DIVULGAÇÃO

Publicado em O Globo

LOWELL, Massachusetts — A mulher cujas memórias dos tempos de prisão deram origem à série “Orange is the new black”, da Netflix, dividiu suas apostas para o terceiro ano da série. Consultora da trama, Piper Kerman disse que “muitas histórias incríveis e reviravoltas”.

Segundo a inspiradora da personagem Piper Chapman, de Taylor Schilling, a próxima leva de episódios contará as histórias por trás de alguns personagens, além de apresentar novos nomes aos espectadores.

A série, criada por Jenji Kohan, acompanha uma mulher cumprindo pena numa prisão federal por carregar uma mala cheio de dinheiro de traficantes para sua então namorada, envolvida com um poderoso cartel. A Piper da vida real revelou que as filmagens da terceira temporada já passaram de metade, mas ela não quis dar nenhum spoiler ou mesmo confirmar a data de estreia, prevista para meados de 2015.

Como consultora, Piper lê os roteiros e aconselha a equipe sobre como manter a história o mais próximo possível da realidade. Quando perguntada se Vee (vivida por Lorraine Troussaint), uma das maiores antagonistas da segunda temporada, ainda está viva, Piper apenas riu.

“Uma das coisas que Jenji Kohan pôde revelar sobre a terceira temporada é que a exploração da fé é uma parte importante e o que eles já escreveram até agora”, disse Piper a uma turma de 400 estudantes e fãs em uma palestra na Universidade de Massachusetts.

Piper também comentou o contrato que sua ex-namorada, interpretada da ficção por Laura Prepon, assinou para também escrever um livro. Catherine Cleary Wolters acabou sendo presa por seu envolvimento com o tráfico de drogas.

“Espero que o livro da minha ex seja uma leitura fascinante”, disse. “Ela teve uma vida muito diferente, e a história dela na cadeia é muito diferente da minha. Por um lado, ela esteve muito mais envolvida com o tráfico de narcóticos, e por outro, ela passou muito mais tempo na prisão”.

Sem glamour: Taylor Schilling em cena de ‘Orange is the new black’ - JOJO WHILDEN /

Sem glamour: Taylor Schilling em cena de ‘Orange is the new black’ – JOJO WHILDEN /

Apesar de ter conquistado fama e fortuna graças ao seu livro de memórias e a adaptação dele para uma série de sucesso, Piper disse que mudaria sua história em um piscar de olhos se pudesse voltar para 1993, quando tudo começou. Ela tinha apenas 22 anos.

“Eu me arrependo muito do crime que cometi”, afirmou Piper, uma ativista pela reforma do sistema de Justiça criminal. Por mais que eu seja grata por ter encontrado leitores e feliz com a série na Netflix, a verdade é que a prisão é uma experiência muito traumática.

Piper passou 13 meses em uma prisão federal de segurança mínima em Danbury, Connecticut, há mais de dez anos, por sua participação em um esquema de lavagem de dinheiro de um cartel de drogas.

“O que eu causei à minha família e às pessoas que me amam foi dor e preocupação. Outra verdade fundamental é que minhas ações causaram outros danos em outras pessoas em termos de abuso de substâncias”.

Mulher de Tolstói ganha voz própria

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William Grimes, na Folha de S.Paulo

Durante seu longo e muitas vezes turbulento casamento com Lev Tolstói, Sophia Andreevna Tolstói suportou muita coisa, mas “Sonata a Kreutzer” foi um castigo incomum.

Publicada em 1889, a história apresentou a visão cada vez mais radical de Tolstói sobre as relações sexuais e o casamento, por meio de um monólogo frenético feito por um narrador que assassinou sua esposa num acesso de ciúmes e nojo.

Em seu diário, Sophia escreveu: “Não sei como ou por que razão todo o mundo ligou ‘Sonata a Kreutzer’ a nossa própria vida de casados, mas foi o que aconteceu”. Escreveu também: “Também eu sei em meu íntimo que esta história é voltada contra mim e que me fez uma injustiça enorme, me humilhou aos olhos do mundo e destruiu os últimos vestígios de amor entre nós.”

Sophia apresentou seus próprios pontos de vista em duas novelas, “Whose Fault?” (de quem é a culpa?) e “Song Without Words” (canção sem palavras), que ficaram esquecidas nos arquivos do Museu Tolstói até sua publicação recente na Rússia. Michael R. Katz, professor aposentado de estudos da Rússia e Europa do Leste no Middlebury College, no Vermont, incluiu as histórias em “The Kreutzer Sonata Variations” (variações da sonata a Kreutzer), ampliando assim uma onda de trabalhos recentes que avaliam a esposa de Tolstói como figura merecedora de atenção por suas próprias qualidades.

O escritor russo Lev Tolstói - Divulgação

O escritor russo Lev Tolstói – Divulgação

“Ao ler essas novelas, minha primeira reação foi de assombro porque existiam e ninguém sabia delas”, disse Katz. “Minha segunda reação foi pensar: ‘Não são más histórias. Podem não ser literatura de primeiro nível, mas vieram de uma mulher instruída, culta, pensativa.”

“Whose Fault?” conta a história de Anna, 18 anos, bem nascida e educada, que visualiza o casamento como a união de duas mentes, almas gêmeas compartilhando o amor pela filosofia e as artes, desfrutando juntas as mesmas atividades de lazer e dedicando-se a seus filhos.

As queixas arroladas pelo narrador de Tolstói são rebatidas na narrativa tristonha de sua mulher sobre decepção amorosa, a incompatibilidade entre o desejo sexual masculino e a sede feminina de satisfação emocional, as diferentes expectativas e imposições do parto e criação dos filhos.

“Song Without Words” explora a fronteira maleável entre a atração intelectual e sexual. A história apresenta uma versão mal disfarçada da amizade intensa de Sophia com o compositor Sergei Taneyev.

A atmosfera de conflito e desilusão que permeia as histórias reflete com precisão o casamento dos Tolstói, especialmente nos anos depois de o escritor passar por uma crise espiritual e criar uma vertente idiossincrática do cristianismo.

Essa fé reencontrada o mergulhou em contradições que dificultaram sua vida e a de sua mulher até sua morte, em 1910. Tolstói foi um rico latifundiário que via a propriedade privada como imoral, um igualitarista cercado por empregados, um artista que rejeitava quase toda a arte, vendo-a como nociva, um defensor do celibato que teve 13 filhos e continuou sexualmente ativo até depois dos 80 anos de idade.

Katz traduziu as novelas ao inglês e acrescentou materiais que lançam luz sobre o furor desencadeado por “Kreutzer” e extratos das cartas de Sophia, de seus diários e de sua autobiografia, “My Life” (minha vida), outro trabalho que passou várias décadas juntando poeira.

Nos últimos anos de vida de Tolstói, e até muito tempo depois de sua morte, seus discípulos retrataram Sophia como vilã, a megera que fez o possível para manter o escritor afastado de seu trabalho. Surpreendentemente, foi Sophia quem saiu em defesa de Tolstói quando “Sonata a Kreutzer” enfrentou dificuldades com a censura. Como curadora da obra literária de seu marido, ela viajou a São Petersburgo em 1891 para defender a causa da novela diante do czar Alexandre 3˚.

Usando de charme e sofismas, argumentou que “Sonata a Kreutzer” defendia a pureza sexual, que certamente era uma coisa boa. Ademais, acrescentou, um favor do czar poderia encorajar seu marido a voltar a escrever obras como “Anna Kariênina”.

“Isso seria tão bom!”, respondeu o czar. A proibição foi revogada.

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