Contando e Cantando (Volume 2)

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George R. R. Martin: ‘Tenho ideias para outros cinquenta romances’

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Autor de ‘Game of Thrones’ fala sobre como foi a adaptar seus livros para a televisão, descreve seus planos literários e conta o quanto sua vida mudou após a fama, entre outros temas

El Mercurio, em O Globo

George R.R. Martin, autor dos livros que inspiraram a série 'Game of thrones', durante lançamento do quinto volume das "Crônicas de gelo e fogo" AP Photo

George R.R. Martin, autor dos livros que inspiraram a série ‘Game of thrones’, durante lançamento do quinto volume das “Crônicas de gelo e fogo” AP Photo

SANTIAGO DO CHILE — Não é todo dia que se fecha um negócio de US$ 1 bilhão. Esse foi o valor que Mark Zuckerberg, criador e presidente do Facebook, pagou para comprar o Instagram. Ainda assim, quando estava perto de fechar o acordo, o jovem multimilionário pediu a Kevin Systrom, co-fundador da rede social de fotos, para interromper as negociações. O motivo? Zuckerberg não queria perder o espisódio de estreia da terceira temporada de “Game of thrones”. E se instalou no sofá para assistir ao programa com seus amigos.

Esse é o tipo de fanatismo que desperta em todo o mundo essa série da HBO, que está a dois episódios do fim de seu terceiro ano. Mais de nove milhões de americanos assistiram à primeira (2011), que custou cerca de US$ 60 milhões para ser produzida. A segunda registrou 25 milhões de downloads, se tornando a mais “pirateada” da história. O primeiro capítulo da atual temporada agregou 4,4 milhões de espectadores só nos EUA, com um pico de 6,7 milhões. A isso se somam os prêmios Emmy, Globo de Ouro e outras 45 indicações.

Esse sucesso que combina um elenco majoritariamente britânico, imponentes cenografias e uma trama cheia de voltas, se deve a apenas um homem: George R. R. Martin, o criador de “As crônicas de gelo e fogo”, a saga literária em que se baseia a série. Uma fantasia épica para leitores adultos, carregada de violência e disputas de poder entre as casas que lutam pelo Trono de Ferro, onde nenhum personagem tem a sobrevivência garantida.

“Já no primeiro episódio da terceira temporada (em fins de março) a HBO renovou para uma quarta e de imediato começamos a trabalhar nela”, diz Martin, com sua voz grave e pausada, por telefone de Santa Fé (Novo México), onde vive com sua esposa, Parris McBride, e quatro filhos. “David Benioff e Daniel B. Weiss (roteiristas e produtores da série) já estão criando os novos episódios, assim como eu. As filmagens começam em junho ou julho.”

Inspirada na Guerra das Rosas, o conflito entre as casas de York e Lancaster pelo trono inglês entre 1455 e 1485, a saga de Martin hoje se estende ao longo de cinco volumes editados no Brasil pela LeYa: “A guerra dos tronos”, “A fúria dos reis”, “A tormenta de espadas”, “O festim dos corvos” e “A dança dos dragões”. Eles já venderam mais de 20 milhões de exemplares em todo o mundo e foram traduzidos em 40 idiomas. E ainda faltam mais dois livros a serem publicados e um número indefinido de temporadas na TV.

Nascido em 1948, em Bayonne, Nova Jérsei, Martin — que é produtor-executivo da série — começou no jornalismo e logo foi parar na televisão como roteirista e produtor de séries emblemáticas dos anos 80 como “Twilight Zone”. Mas foi sua paixão por escrever que o consagrou, mesmo antes de iniciar “As crônicas de gelo e fogo”, em 1991. Prova disso são os prêmios Hugo, Nebula, Bram Stoker e Ignotus recebidos.

Depois de três anos trabalhando com a HBO, quais foram os principais desafios de adaptar os livros para a televisão?

Os romances são bastante difíceis de filmar por vários aspectos. São muito extensos e complicados, com muitos personagens, castelos, batalhas, dragões, lobos gigantes e tramas paralelas que se entrelaçam. Tivemos que eliminar alguns personagens, o que destesto fazer, mas entendo ser necessário. Só temos dez horas por temporada; seria muito melhor se fossem 12, mas já contamos com um orçamento enorme comparado com outras séries de TV. Considerando nossos recursos, fomos muito bem.

Em cada uma das temporadas você escreveu um episódio. Qual vai escolher agora?

Já sei qual episódio vou escrever, mas não tenho a liberdade de revelar qual é.
Entendo que, além de você, apenas a HBO sabe o verdadeiro final das “Crônicas de gelo e fogo”.
Disse a Dave e Dan para onde vou, eles sabem as linhas gerais, mas está tudo na minha cabeça. (mais…)

Microsoft oferece US$ 1 bilhão por e-books da Barnes & Noble

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Publicado por Folha de S.Paulo

A Microsoft está interessada em comprar o Nook – braço de livros digitais da Barnes & Noble e estaria disposta a pagar US$ 1 bilhão (cerca de R$ 2 bi) pela aquisição. As informações são do site de notícias “TechCrunch”.

Segundo o site, a Microsoft também estaria interessada em comprar a biblioteca de e-books da Barnes –que inclui centenas de livrarias universitárias.

Um documento conseguido pelo site de notícias afirma também que a livraria americana tinha a intenção de descontinuar seu negócio de e-books até 2015 por conta da forte concorrência nesse mercado.

Recentemente, a Barnes & Noble anunciou que vai fechar 30% de suas lojas. A rede de livrarias americana tem cerca de 700 unidades em operação.

Livraria da rede Barnes & Noble em Washington / Karen Bleier/France Presse

Livraria da rede Barnes & Noble em Washington / Karen Bleier/France Presse

Quanto custa um fracasso?

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Luiz Schwarcz, no Blog da Companhia

Acabo de voltar de Nova York, onde passei duas semanas encontrando meus colegas da Penguin, além de alguns agentes e editores amigos. Essas paradas, ou interregnos, sempre fazem pensar. Estive lá numa semana particularmente agitada para nós editores, com ao menos dois leilões movimentando o mercado. Eles são confidenciais ainda, o que posso adiantar é que um deles girou em torno de um livro de não-ficção, escrito por uma jornalista da BBC, que a Companhia das Letras havia comprado antes de qualquer outro país, inclusive antes do leilão acontecer. Os números não foram divulgados, mas a editora americana que conseguiu fechar o acordo pagou um valor altíssimo para ter os direitos mundiais do livro; isto é, para ter o direito de revender a obra para outros países e assim recuperar parte do adiantamento pago — felizmente o Brasil já estava de fora, com a nossa compra antecipada. A esperança é que seja um livro importante e forte para o final deste ano. O outro caso é de um autor de qualidade literária que começa a ter alcance comercial. Ele deixou sua editora americana para ir para uma nova, tendo recebido uma oferta de 5,5 milhões de dólares.

Tudo isso me fez pensar nas mudanças que vêm ocorrendo no mercado editorial de hoje. Há uma clara globalização do sucesso e do fracasso, tornando o número de livros comercialmente bem-sucedidos menor — ou, se preferirem, os fracassos cada vez mais frequentes e dramáticos —, enquanto os poucos livros bem-sucedidos em termos materiais crescem em número de exemplares vendidos. Talvez eu já tenha tratado desse assunto neste blog, mas hoje a situação é bem mais sensível e traz novas implicações. O que está cada vez mais claro é que, hoje em dia, um livro que vende mal enfrenta uma concorrência enorme: a dos livros bem-sucedidos (que são poucos mas que têm um êxito massificado) e ainda a dos seus inúmeros pares, os outros fracassos comerciais, que crescem com o aumento do número de editoras e livros publicados.

Com a comercialização de espaços nas livrarias, o que chega ao consumidor com destaque é o que em princípio não precisaria de espaço especial: os grandes sucessos que vendem quase que automaticamente. O investimento em exposição mais alentada multiplica a venda dos poucos livros bem-sucedidos, e remete o livro diferenciado, de venda mais lenta, para um exílio incômodo, distante do leitor. Sem exposição, os outros livros, que demoram para deslanchar naturalmente, hoje patinam logo na saída, morrendo mais cedo e de doença mais aguda.

Na Companhia das Letras nunca nos preocupamos muito com os fracassos comercias, por gostarmos demais dos livros que editamos, por acreditarmos que alguns desses fracassos iniciais possam se reverter com o tempo, e por termos nossas contas pagas por livros de longa duração.

O que são livros de longa duração? São aqueles que realizam a verdadeira vocação literária, a de sobreviver ao tempo e de viajar para várias culturas. Assim, no passado, quando livros vendiam de início um terço de uma edição padrão de três mil exemplares, não nos preocupávamos. A situação se mantinha estável, como consequência do nosso esforço bem sucedido para ter nossos autores entrando como leitura obrigatória em inúmeras escolas, além de outras formas que conhecemos de fazer vender lentamente os livros que não têm vocação para best-seller. Em alguns anos a conta fechava. Esses mil exemplares eram um peso que carregávamos com sorriso nos lábios, orgulhosos das edições que atingiam poucos, acreditando que um dia passariam a vender, ou que de toda maneira eram livros tão importantes que valiam por si só.

A situação hoje é distinta. O que passa a ocorrer quando o livro de um jovem autor traduzido, ou mesmo de um eterno candidato ao prêmio Nobel, vende apenas um sexto da edição? Como fechar essa conta quando o prejuízo aumenta? A conta do fracasso começa a ficar mais cara, e o sorriso nos lábios se mistura com uma ponta de preocupação.

O fenômeno é claro e internacional. Mudanças demográficas mundiais trazem um público mais jovem para o mercado, a ponto de o próximo congresso de editores da Penguin — a se realizar em Istambul no mês de abril — ter como tema central a categoria chamada de YA: young adults. A discussão central será sobre livros que atingem um público jovem, da puberdade aos primeiros anos da universidade. No ano passado o tema foi o livro digital.

Como tudo isto afeta o Brasil? As mudanças demográficas aqui têm uma característica particular: estão trazendo ao mercado de livros um público que, além de jovem, começou a subir na pirâmide educacional recentemente — portanto naturalmente com menor bagagem literária.

Mas esse será o assunto da minha próxima crônica. Feliz com o interesse dos que me seguem aqui no blog, fico esperando pela reação de vocês — enquanto penso um pouco mais no que tenho a dizer, e que porventura ainda possa interessá-los.

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