Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Feira do Livro de Frankfurt

Não ficção para jovens é um dos destaques da Feira de Frankfurt

0
Visitantes chegam à feira de Frankfurt, que foi aberta com discursos dos presidentes da Alemanha e da Finlãndia, cujo país é homenageado deste ano (Foto: Daniel Roland/AFP)

Visitantes chegam à feira de Frankfurt, que foi aberta com discursos dos presidentes da Alemanha e da Finlãndia, cujo país é homenageado deste ano (Foto: Daniel Roland/AFP)

Roberta Campassi, na Folha de S.Paulo

Uma tendência notada na Feira do Livro de Frankfurt, maior evento editorial do mundo, que acabou no domingo (12), foi o aumento no número de obras de não ficção para jovens –público que já abocanha enorme fatia do mercado com livros de ficção.

Muitas dessas obras são adaptações de livros adultos –biografias, autoajuda, história– para os leitores jovens.

Nos EUA, alguns exemplos são a versão juvenil de “Invencível”, de Laura Hillenbrand, e de “O Poder dos Quietos”, de Susan Cain.

No Brasil, um sinal do interesse dos jovens adultos na não ficção foi a volta de “O Diário de Anne Frank” às listas de livros mais vendidos —tudo porque no romance “A Culpa É das Estrelas”, de John Green, os personagens vão ao museu Casa de Anne Frank.

“Quem compra o Diário’ é o mesmo jovem que lê ficção. É um público voraz”, afirma Bruno Zolotar, diretor de marketing da Record.

Na feira, a Record adquiriu o infantil “Malala, a Brave Girl from Pakistan/Iqbal, a Brave Boy from Pakistan”, de Jeanette Winter. A Companhia das Letras tem a versão juvenil de “Eu Sou Malala”, da Nobel Malala Yousafzai.

Para o público adulto, houve disputa maior por literatura de qualidade, na avaliação de Otávio Marques da Costa, publisher da Companhia. Provam isso as negociações concorridas de “The Girls”, de Emma Cline, e “Fates and Furies”, de Lauren Groff. Ambos ficaram com a Intrínseca.

*

Frankfurt em números

270 mil
foi o número de visitantes, ante 275 mil no ano passado, a menor visitação em seis anos; para editores, a comunicação via internet reduz ano a ano a importância de encontro

58 editoras brasileiras
participaram do evento, ante cerca de 170 em 2013, quando o Brasil foi o país convidado da feira

US$ 2 milhões
é, segundo especulações do mercado, o valor pelo qual a Random House adquiriu a trilogia literária “The Girls”, da estreante Emma Cline, que aqui ficou com a Intrínseca

Em Frankfurt, Paulo Coelho critica desdém do governo por literatura

0
Paulo Coelho é cercado por fãs e seguranças durante a Feira do Livro (Foto: Arne Dedert/Efe)

Paulo Coelho é cercado por fãs e seguranças durante a Feira do Livro (Foto: Arne Dedert/Efe)

Roberta Campassi, na Folha de S.Paulo

Um ano após cancelar participação na comitiva que representou o Brasil como país homenageado da Feira do Livro de Frankfurt, Paulo Coelho compareceu ao maior evento editorial do mundo como centro das atenções.

O autor falou na quarta (8) a um auditório de 200 lugares lotado, a convite da organização. O tema era o futuro da leitura, mas Coelho enveredou por vários temas e contou histórias à plateia.

Depois, em entrevista à Folha, criticou a falta de empenho do governo brasileiro em manter o interesse estrangeiro pela literatura do país –estimular a edição de obras nacionais no exterior era o maior objetivo da participação do Brasil na feira de 2013.

“A queda no número de traduções de obras brasileiras na Alemanha [de 70, entre 2012 e 2013, para quatro em 2014] diz tudo. Faltou continuidade”, afirmou.

Em 2013, Coelho estava na lista dos 70 autores escolhidos pelo Ministério da Cultura para da homenagem ao Brasil em Frankfurt, mas cancelou a participação por desavenças com a organização da comitiva nacional.

Neste ano, apenas cinco autores foram convidados pelo MinC para participar da Feira de Frankfurt, o que decepcionou a organização do evento. Segundo Marifé Boix Garcia, vice-presidente da feira para a América Latina, os países convidados costumam comparecer com mais peso ao evento no ano seguinte à homenagem para continuar a divulgar sua literatura.

PREÇO DOS E-BOOKS

O assunto central da mesa de Coelho em Frankfurt foi o preço dos livros eletrônicos, que o autor defende que sejam mais baixos do que hoje, como forma de conter a pirataria e aumentar as vendas.

“As pessoas não pirateiam porque são desonestas, mas porque não têm acesso a certos bens culturais”, disse.

Juergen Boos, presidente da feira, que fazia a mediação, questionou o que aconteceria com as pessoas que vivem do livro -tradutores, ilustradores, editores – se os preços fossem tão mais baixos como sugeria o autor.

“Muita gente vive dos meus livros”, disse Coelho “Fizemos a experiência de baixar o preço dos meus e-books nos EUA para US$ 0,99 e eles venderam várias vezes mais.”

A fala de Coelho ocorreu num momento em que o mercado alemão bate de frente com a Amazon por considerar predatórios os descontos promovidos pela varejista.

Questionado sobre a postura da loja, Coelho disse à Folha que não comentaria casos específicos. Os livros no site do autor são vendidos por meio de links para a Amazon.

Novo Nobel já foi desprezado em Frankfurt

0

Livro de Mo Yan vira centro das atenções de fotógrafos na Feira de Frankfurt
Johannes Eisele/AFP


Raquel Cozer, na Folha de S. Paulo

Em 2009, por ocasião da homenagem à China na Feira de Frankfurt, a tradutora alemã Karin Betz sugeriu livros de Mo Yan a várias editoras. Todas recusaram.

A razão foi justamente a participação de Mo Yan na feira, onde justificou seu posicionamento político afirmando que um escritor deveria ser julgado apenas por seus trabalhos.

“Ele foi visto como um escritor pró-Estado; os editores não quiseram. Não convenci ninguém, mas isso vai mudar agora”, disse Karin à Folha, na quinta (11), no estande da Suhrkamp, onde dois exemplares da tradução de “Taixiang Xing” foram estrategicamente expostos após o anúncio do Nobel.

Antes da feira de 2009, a respeitada editora alemã tinha comprado o direito do romance, sobre o declínio da dinastia Chin.

Karin prefere não definir o autor como pró-governo. “Ele não corre o risco de ser banido, mas trata de questões políticas amplas, de tortura e injustiça”, diz.

Olivier Bétourné, editor de Mo Yan na França –o chinês tem 12 livros pela Seuil–, concorda. “Ele é um escritor poderoso, divertido. E muito crítico, mas é uma crítica que se lê nas entrelinhas.”

E é também um autor com algum potencial comercial, diz ele : seus livros têm sempre as tiragens, de 5.000 a 6.000 cópias, esgotadas.

Na terra natal ele faz muito mais sucesso. Wang Weisong, da editora de Mo Yan na China, a Shanghai Century, conta que o livro mais recente, “Wa” (2009), teve 100 mil exemplares vendidos no país.

Na quinta, na Feira de Frankfurt, Weisong era só sorrisos. Desde o começo do evento, como a casa de apostas inglesa Ladbrokes colocava Mo Yan entre os mais cotados ao Nobel, muitos editores fizeram ofertas pelo livro.

Nenhum negócio foi fechado antes do anúncio. “Agora o passe dele vale mais”, disse Weisong, que providenciou um cartaz para divulgar o Nobel e “Wa”, seu único livro disponível no estande.

Ficará mais caro também para o editor que resolver publicar Mo Yan no Brasil, país onde nunca atraiu interesse.

Assim como o chinês, vários vencedores do Nobel eram inéditos no Brasil por ocasião da premiação –caso, entre outros, de Elfriede Jelinek em 2004 e de Tomas Tranströmer no ano passado.

Para o editor Samuel Titan Jr., do Instituto Moreira Salles, isso reflete a “falta de uma cultura de tradução no Brasil que vá além do óbvio”.

“Em países como a França, o tradutor sugere títulos, aqui ele funciona a reboque do que a editora oferece.”

Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras, diz que é difícil achar avaliadores para obras de idiomas como o chinês. “É impossível dar conta de toda boa literatura que há no mundo”, resume.

Infantis brasileiras desbravam Frankfurt

0

Mulher organiza livros na Feira do Livro de Frankfurt (Alemanha), que vai até domingo

Raquel Cozer, na Folha de S. Paulo

Todo mundo quer passar pelo pavilhão 8 da Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha. Nele ficam as maiores editoras de língua inglesa do mundo, como a Random House, a Penguin e a Simon & Schuster. É tão concorrido que só lá os visitantes são revistados antes de entrar.

Pois foi nele que, no ano passado, a editora Callis, longe de figurar entre as maiores do Brasil, resolveu estrear um estande próprio. Não no pavilhão 5, onde ficam o estande brasileiro e os da Companhia das Letras e da Record. Nem no 3, reservado para editoras infantis, como a Callis.

“Há três anos, eu estava no estande do Brasil, mandando 300 e-mails para editores e agentes estrangeiros para conseguir só dez respostas, pensando em como ser notada, quando concluí: ‘Se todos só querem saber do pavilhão 8, é para lá que eu vou'”, conta a diretora Miriam Gabbai.

Foi preciso criar uma empresa americana, já que o pavilhão é restrito a editoras de países de língua inglesa (“Abrimos uma em Nova York”). Na última sexta, a reportagem da Folha precisou esperar duas horas até Gabbai arrumar uma janela entre reuniões com editores interessados em seus livros.

Enquanto a maior parte das casas brasileiras faz um trabalho ainda tímido de divulgação de seus catálogos em Frankfurt –o Brasil tenta passar de comprador a vendedor de títulos–, poucas editoras, como a Callis, têm como meta só vender.

No Pavilhão 8, são só três, todas de títulos infantis.

A primeira a chegar ao pavilhão 8 foi a mineira Cedic, em 2010. Naquele mesmo ano, a família Cavalheiro, dona da editora, resolveu parar de participar das grandes feiras no Brasil, onde já era representada por distribuidoras, e apostar nos maiores eventos internacionais.

Além de Frankfurt, a Cedic hoje tem estandes nas feiras de Bolonha, Londres, Nova York e Guadalajara. O metro quadrado em Frankfurt custa em torno de 360 euros (R$ 950), ante R$ 470 na última Bienal de São Paulo, mas o investimento, dizem os Cavalheiro, tem sido vantajoso.

Especializada em livros-brinquedo –como o “livro cubo”, quebra-cabeça de seis peças em que cada peça é um livrinho infantil–, a Cedic vende para mais de 40 países. Os compradores recebem os textos, enviam de volta as traduções, a Cedic produz o livro e o imprime na China.

Na Feira de Frankfurt, o estande simples, de 16 m², da editora ostentava títulos em espanhol, inglês e árabe.

Um outro produto, o “livro banco”, que agrega um banquinho para as crianças sentarem enquanto leem, estava exposto tanto no estande da Cedic quanto no da alemã Otto, no pavilhão 3 -os alemães encomendaram o título na Feira de Londres.

Entre os clientes, estão a Santilliana, no México, e a Sandwick, na Noruega. Editoras pequenas americanas ou europeias vez por outra aparecem, mas a Cedic enxerga clientes melhores em países como África do Sul, Irã e Rússia.

“E os Emirados Árabes! Ô gente para ter dinheiro! Apesar de a Europa toda estar em crise, a gente tem feito um trabalho legal”, diz a editora Gislene Cavalheiro.

O sucesso da casa estimulou a paulista Ciranda Cultural a estrear um estande neste ano –também no pavilhão 8, é claro.

A Ciranda Cultural tem o mesmo modus operandi da Cedic. Imprime livros na China, é forte no porta-a-porta brasileiro e onipresente em escolas –foi a primeira na lista de títulos vendidos para o programa de aquisição para bibliotecas da Fundação Biblioteca Nacional neste ano.

Em Frankfurt, ainda não conseguiu vender nada. Mas sabe que voltará a ter estande no ano que vem. “É uma questão de apresentação de produto. Com o tempo, vai acontecer”, diz Donaldo Buchweitz, dono da editora.

A Callis, com livros já vendidos para países como Coreia, Japão e Canadá, acredita que há espaço para crescer. A dificuldade mesmo é vender para as editoras que a cercam no pavilhão –inglesas e americanas são sempre as menos interessadas em comprar títulos estrangeiros.

Editoras brasileiras fazem suas apostas em Frankfurt

0

Movimento em estande na Feira do Livro de Frankfurt
Reuters

Publicado originalmente no Estadão.com

Na Feira do Livro de Frankfurt não se compram livros, como nas bienais e feiras brasileiras. As obras são expostas nos estandes para chamar a atenção dos editores internacionais, já que o que se negocia durante o evento é o direito de publicar tais títulos nos mais diversos idiomas. A movimentação começa antes da feira, dura os dias do evento – de amanhã até domingo – e, em alguns casos, compras podem se resolver só quando todos os profissionais do mercado editorial internacional que vão passar esta semana na Alemanha já tiverem voltado para casa.

Nos últimos dias, as editoras têm recebido enormes quantidades de originais e propostas de livro e algumas já começaram a comprar o que o brasileiro verá nas livrarias em alguns meses ou anos. Muitos desses títulos oferecidos são da linha de livros românticos com conteúdo erótico, a sensação do momento.

João Paulo Riff, da agência literária Riff, acredita que esse segmento continuará em alta em Frankfurt e comenta que todas as editoras e agências têm uma grande aposta nessa área. Elas tanto acreditam que o fenômeno será duradouro que começam a criar selos específicos para essas obras. Um exemplo é a Mischef, da HarperCollins.

Para Pedro Almeida, diretor editorial da Lafonte, o esforço das editoras tem sido no sentido de acompanhar a literatura comercial, e isso não se resume apenas aos títulos eróticos. “Para muitas delas, é a diferença entre vida e morte. Até pouco tempo um grande grupo editorial se preocupava em descobrir talentos de alta literatura, alguém que pudesse ganhar prêmios e figurar nos cadernos literários dos jornais. Vejo agora que elas estão tentando encontrar uma fatia do mercado comercial, encomendando, inclusive, obras a seus autores consagrados”, explica. É a chance de chegarem às listas de mais vendidos.

No caso da literatura pornográfica que caiu no gosto dos leitores, não se trata, na opinião do editor, de modismo. “Os leitores sempre gostaram desse gênero, é apenas uma roupagem diferente para um produto já conhecido. E há menos preconceito agora com relação a esses livros .”

A própria Lafonte é uma das editoras que querem investir no segmento e já garantiu os direitos de pelo menos uma dezena de títulos, entre os quais uma trilogia de J. Kenner, cujo primeiro título, Release Me, só sairá nos Estados Unidos em janeiro. Também comprou quatro títulos de Sylvia Day, nas listas de mais vendidos com Toda Sua, primeiro da trilogia Crossfire, da Paralela, selo da Companhia das Letras.

Por falar em Sylvia Day e Paralela, a editora negocia, agora, outra série da autora, que mistura dois fenômenos editoriais recentes: a pornografia e anjos caídos. Outro título está a caminho pelo mesmo selo: Because You Are Mine, de Beth Kerry, lançado antes como e-book e que sairá em papel, nos Estados Unidos, no início do ano.

Pela Planeta sairão In Too Deep, de Portia da Costa, sobre uma bibliotecária que encontra bilhetinhos eróticos na caixa de sugestões do seu trabalho; The Stranger, em que uma viúva vê um homem desmemoriado e nu perto de sua casa e o convida para uma visita; e The Ninety Days Of Genevieve, de Lucinda Carrington, que traz a história de um homem que pede a uma mulher que por 90 dias ela se submeta a seus desejos.

Gabriel’s Inferno e Gabriel’s Rapture, sobre um professor que seduz a aluna, sairão pela Sextante. O primeiro, no início de 2013. Pela Bertrand, sairá 50 Shades Of Mr. Darcy, uma sátira ao best-seller 50 Tons de Cinza, que abriu caminho para todas essas publicações.

Dois outros títulos estão sendo leiloados agora: The Juliette Society, de Sasha Grey, e On Dublin Streets, obra autopublicada por Samantha Young, que em um mês vendeu 100 mil e-books..

Há também não ficção erótica. A Nova Fronteira vai publicar o guia sadomasoquista 50 Ways To Play: BDSM For Nice People, de Don e Debra Macleod.

Além da moda. Mas nem só de livros comerciais é feita a Feira de Frankfurt. A Intrínseca, que lucrou bem com Crepúsculo e 50 Tons de Cinza, deu o lance mais alto e levou o próximo livro adulto de Neil Gaiman: The Ocean At The End Of The Lane, que deve sair na Inglaterra e nos Estados Unidos em junho de 2013 e depois no Brasil. E isso é só o começo.

Go to Top