Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Feito

Obra de Clarice Lispector é finalista do Prêmio de Melhor Livro Traduzido nos EUA

0

Publicano no Boa Informação

A primeira tradução para o inglês de “Um Sopro de Vida” (“A Breath of Life”), último livro de Clarice Lispector (1920-1977), por Johnny Lorenz, é finalista do Prêmio de Melhor Livro Traduzido nos Estados Unidos, na categoria Ficção.

O anúncio dos dez finalistas, escolhidos entre os 25 nomeados, foi feito hoje (10) pelo centro de investigação literária que criou a premiação, o Three Percent, da Universidade de Rochester, no Estado norte-americano de Nova York.

O Prêmio de Melhor Livro Traduzido nos Estados Unidos é atribuído anualmente à melhor obra vertida ao inglês, publicada no mercado norte-americano, considerando a qualidade narrativa e de tradução.

A cerimônia de entrega dos prêmios ocorrerá em Nova Iorque no dia 4 de junho. O autor e o tradutor das obras premiadas nas categorias de Ficção e Poesia receberão um prêmio de US$ 5.000 (cerca de R$ 9,8 mil) cada, atribuído pela Amazon.

Clarice Lispector decidiu ser escritora em 1933, aos 13 anos. Em 1942, publicou sua primeira obra, Perto do Coração Selvagem. Ela escreveu 36 livros, entre os quais “A Paixão Segundo G.H”, “A Vida Íntima de Laura”, “A Mulher que Matou os Peixes”, “Laços de Família” e “A Maçã no Escuro”.

“Um Sopro de Vida” foi editado nos Estados Unidos em 2012 pela New Directions.

Divulgação
A escritora Clarice Lispector posa para foto em Berna, na Suíça
                                       A escritora Clarice Lispector posa para foto em Berna, na Suíça

*

Veja os indicados ao Prêmio de Melhor Livro Traduzido nos EUA, na categoria Ficção:

“Um Sopro de Vida” (“A Breath of Life”), de Clarice Lispector, por Johnny Lorenz
“The Planets”, Sergio Chejfec, traduzido por Heather Cleary (Argentina)
“Prehistoric Times”, de Eric Chevillard, traduzido por Alyson Waters (França)
“The Colonel”, de Mahmoud Dowlatabadi, traduzido por Tom Patterdale (Irã)
“Satantango”, de László Krasznahorkai, traduzido por George Szirtes (Hungary)
“Autoportrait”, de Edouard Levé, traduzido por Lorin Stein (França)
“The Hunger Angel”, de Herta Müller, traduzido por Philip Boehm (Alemanha/Romênia)
“Maidenhair”, de Mikhail Shishkin, traduzido por Marian Schwartz (Rússia)
“Transit”, de Abdourahman A. Waberi, traduzido por David e Nicole Ball (Djibouti)
“My Father’s Book”, de Urs Widmer, traduzido por Donal McLaughlin (Suíça)

Busca textual revela diferenças nas literaturas de língua inglesa

0

Philip Ball, no The New York Times

Se você associa a nova literatura britânica de ficção aos tons frios e distantes de Martin Amis e Julian Barnes, e a literatura americana aos mundos interiores emocionais de Jonathan Franzen ou ao sentimentalismo de John Irving, parece que você tem bons motivos. Uma análise de documentos digitalizados em língua inglesa do último século concluiu que, desde os anos 1980, palavras com conteúdo emocional se tornaram significativamente mais comuns em livros americanos do que em livros ingleses.

1

Se você associa a nova literatura britânica de ficção aos tons frios e distantes de Martin Amis e Julian Barnes, e a literatura americana aos mundos interiores emocionais de Jonathan Franzen ou ao sentimentalismo de John Irving, parece que você tem bons motivos. Uma análise de documentos digitalizados em língua inglesa do último século concluiu que, desde os anos 1980, palavras com conteúdo emocional se tornaram significativamente mais comuns em livros americanos do que em livros ingleses.

O estudo feito pelo antropólogo Alberto Acerbi, da Universidade de Bristol, no Reino Unido, tirou proveito da base de dados com mais de cinco milhões de livros publicados ao longo dos últimos séculos e escaneados pelo Google. Esse recurso já havia sido utilizado para examinar a evolução de estilos e tendências nas expressões literárias do individualismo.

A mineração dos dados culturais disponibilizados pelas novas tecnologias é chamada de ‘culturomia’. Seus defensores acreditam que esse tipo de abordagem pode revelar tendências nas opiniões e normas sociais que acabam escondidas por vastas quantidades de dados.

‘O uso da linguagem em livros reflete o que as pessoas estão falando e pensando em um determinado momento, de forma que os livros escaneados pelo Google fornecem uma fascinante janela para o passado’, afirmou o psicólogo Jean Twenge, da Universidade Estadual de San Diego, na Califórnia.

Os resultados mais recentes parecem mostrar que narrativas familiares sobre os ânimos sociais podem ser vistas na literatura (tanto de ficção quanto de não ficção) do século XX. Acerbi e seus colegas descobriram que as palavras que denotam emoções positivas foram mais utilizadas durante os anos 1920 e 1960, enquanto palavras tristes ganharam destaque durante a Segunda Guerra Mundial.

Contudo, também houve surpresas: a Primeira Guerra Mundial não parece revelar nenhum pico, por exemplo. Da mesma forma, a alegria parece estar em ascensão desde os anos 1990, embora seja cedo para saber se a recessão global irá reverter essa tendência, já que a base de dados só chega até 2008.

Tendências históricas

‘É difícil fazer uma relação entre eventos históricos e os ânimos do momento’, admitiu Acerbi, ‘mas por meio de uma análise relativamente limitada das palavras ligadas a emoções, é possível encontrar tendências que corroboram o que a história nos contou’. O pesquisador espera que outras análises venham a revelar, por exemplo, se a literatura está à frente do tempo ou se reflete lentamente as mudanças ocorridas.

‘É fascinante perceber como duas culturas mudaram ao longo do tempo e especialmente como eventos mundiais podem influenciar a expressão das emoções na literatura’, afirmou Twenge.

Em linhas gerais, o uso de palavras ligadas a emoções em livros de língua inglesa caiu durante o século XX. Mas quando foi feita uma distinção entre livros escritos em inglês americano e britânico (cerca de um milhão e 230.000, respectivamente), pudemos perceber outra realidade.

Os autores descobriram que, apesar do declínio, palavras emotivas se tornaram relativamente mais frequentes em textos americanos que em livros britânicos, desde os anos 1980. Entretanto, antes disso havia apenas diferenças mínimas entre os livros escritos em ambos os lados do Atlântico. Tais mudanças não puderam ser encontradas em palavras comuns escolhidas a esmo. ‘Nossos resultados corroboram a noção popular de que os autores americanos expressam mais emoções que os britânicos’, afirmaram.

Mudança de estilos

Uma mudança similar pode ser vista no uso de palavras ‘vazias’, tais como pronomes e preposições (você, nós, sobre, em). Acerbi e seus colegas interpretam isso como uma indicação de que a mudança no paradigma emocional é acompanhada de uma mudança no estilo. Segundo eles, textos americanos estão se tornando cada vez mais prolixos.

‘A correlação entre os termos relacionados a emoções não é surpreendente, uma vez que as construções mais longas fornecem mais oportunidades para a expressão de sentimentos’, explica o biólogo David Krakauer, da Universidade de Wisconsin-Madison, que buscou mudanças nos estilos literários por meio do Google Books.

‘Geralmente, os autores tendem a ler contemporâneos e competidores em relação a suas respectivas culturas’, acrescentou, ‘portanto, podemos esperar que o inglês britânico e o americano sejam um pouco divergentes’.

Essas mudanças implicam que os americanos expressam mais emoções que os britânicos? Embora isso nem sempre seja verdade – a norma literária frequentemente inverte as tendências do dia a dia, ao invés de espelhá-las –, Acerbi acredita que as descobertas ‘podem refletir uma verdadeira mudança cultural, em vista do tamanho do corpus e porque o Google Books não se resume apenas a livros bem sucedidos ou influentes’.

Contudo, Krakauer admite que as diferenças na expressão literária não representam necessariamente diferenças nas perspectivas emocionais sobre as quais se baseiam. ‘É uma questão aberta e intrigante saber por que culturas diferentes expressam os mesmo sentimentos com um volume diferente de palavras’, afirmou.

Gillian Flynn, a mulher que desbancou “Cinquenta tons de cinza”

3

Com um livro sombrio e uma protagonista má, a escritora americana chegou ao topo das listas de mais vendidos

SOMBRIA A autora americana Gillian Flynn, de 44 anos. Ela diz que suas personagens são detestáveis (Foto: Divulgação)

SOMBRIA
A autora americana Gillian Flynn, de 44 anos. Ela diz que
suas personagens são detestáveis (Foto: Divulgação)

Mariana Tessitore, na Revista Época

Cansada de ver as prateleiras das livrarias lotadas de livros com protagonistas boazinhas e submissas, a americana Gillian Flynn decidiu escrever sobre mulheres más. Seus dois primeiros livros, com personagens femininas fortes, haviam feito algum sucesso, mas não o suficiente para que ela abandonasse a carreira de jornalista e se dedicasse somente à literatura. Após ser demitida de seu trabalho, ela apostou tudo no romance Garota exemplar – e, finalmente, as garotas más venceram as boazinhas. Lançado em 2012 nos Estados Unidos, o livro vendeu três milhões de exemplares e foi o primeiro a superar a Cinquenta tons de cinza na lista de mais vendidos do New York Times. É candidato a repetir o feito no Brasil, onde a trilogia de E. L. James continua dominando as primeiras posições.

Como se o sucesso popular não bastasse, a obra também conquistou a crítica. Janet Maslin do New York Times, disse que a obra é “povoada por personagens tão bem imaginados que é difícil se separar deles”. O autor de terror Stephen King declarou ser seu fã. Gillian atribui o sucesso às suas personagens assustadoras. “Gosto de escrever sobre garotas que são detestáveis”, disse ela, em entrevista a ÉPOCA. “Estamos acostumados em pensar nas mulheres como naturalmente boas, como pessoas que só fazem o certo. Tento desmistificar essa visão um tanto simplista”. A surpreendente recepção do livro pelos fãs, segundo ela, mostra que os leitores estão preparados para essas novas mulheres na literatura. “Atualmente há espaço para todos os tipos de mulheres, e não apenas para os modelos tradicionais”, afirma. “Os autores não precisam mais se preocupar em escrever um livro que o protagonista seja alguém amável. O importante é criar um personagem que seja interessante”.

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

Todos os livros da escritora giram em torno de assassinatos. “Eu sempre me interessei pelo lado sombrio da natureza humana e no que leva as pessoas a fazerem coisas más. Normalmente os crimes têm motivos, até mesmo banais”, diz Gillian. Garota Exemplar conta a história do casal Nick e Amy. Os dois se conhecem numa festa e se casam depois de oito meses. O relacionamento vai bem até que eles se mudam para North Carthage, a cidade natal de Nick. Amy odeia viver no local e as brigas entre eles ficam cada vez mais constantes. No dia de aniversário de cinco anos de casamento, ela desaparece misteriosamente. As investigações apontam para um suposto homicídio e Nick é visto como o provável culpado. A obra tem uma estrutura não linear e alterna os pontos de vista, ora abordando a perspectiva de Amy, ora revelando a visão de Nick. Ao longo do livro, as versões dos dois começam a conflitar e o leitor já não sabe mais em quem confiar. Amy é uma personagem sombria. Todo ano ela realiza uma caça ao tesouro para comemorar o aniversário de casamento dos dois. O gesto pode parecer uma demonstração de amor, mas não deixa de ser um teste cruel para avaliar Nick. Assim são as protagonistas de Gillian: adoráveis e maldosas.

Assim como suas personagens, a autora está longe do estereótipo de garota amável e delicada. Passou uma grande parte da sua infância entre livros e filmes de suspense. Aos sete anos, seu filme favorito era Psicose, do cineasta britânico Alfred Hitchcock. Uma de suas brincadeiras favoritas era a de dar formigas para aranhas se alimentarem. Ela também costumava assistir filmes pornográficos na televisão a cabo. Sua vida hoje é mais tranquila, aos 44 anos, ela vive em Chicago com o marido e o filho de dois anos, e se dedica somente à literatura. Já tem um contrato para escrever dois novos livros, sem data de lançamento definida. Suas obras também devem chegar ao cinema. A FOX comprou os direitos de Garota exemplar. A atriz Reese Witherspoon será a produtora e protagonista do filme, e o cineasta americano David Fincher (Clube da luta) já foi sondado para a direção. Embalado pelo sucesso de Garota exemplar, seu livro anterior, Dark places (sem tradução para o português) também chegará às telas, estrelado por Charlize Theron e dirigido pelo francês Gilles Paquet-Brenner (A chave de Sarah). Assim como os leitores americanos, Hollywood também descobriu o charme das mulheres más.

O acervo digital dos Estados Unidos vem aí

0

Lucas Ferraz, na Ilustríssima

Diretor do complexo de bibliotecas da Universidade Harvard comenta o lançamento da Biblioteca Pública Digital dos EUA, em abril, que vai pôr em rede o acervo em domínio público de dezenas de bibliotecas acadêmicas. Criado como antítese do Google Books, o projeto da DPLA é financiado por recursos privados.

O iluminismo é o principal tema de estudo do historiador americano Robert Darnton, 73, autor de vários títulos sobre como a difusão do conhecimento alimentou revoluções no século 18. É de certa forma inspirado nos ideais dos enciclopedistas que Darnton comanda ele também uma revolução.

Como diretor do imenso complexo de bibliotecas da Universidade Harvard, ele encabeça a criação da DPLA (Digital Public Library of America, sigla para biblioteca pública digital americana), que a partir de abril vai reunir e compartilhar gratuitamente na internet o acervo e obras de milhares de bibliotecas e universidades do país.

A DPLA é a resposta de Darnton e da academia à violação de direitos autorais representada pelo Google Books, que lucra com os livros repassados para a rede. “Vamos fazer diferente”, diz Darnton, que vê a biblioteca digital como o seu projeto mais ambicioso, algo a ser feito “por séculos”.

Robert Darnton no auditório da Folha, em São Paulo, em setembro de 2012 (Jorge Araujo - 28.set.12/Folhapress)

Robert Darnton no auditório da Folha, em São Paulo, em setembro de 2012 (Jorge Araujo – 28.set.12/Folhapress)

O debate em torno do livro na era das tecnologias digitais foi tema de “A Questão dos Livros”, coletânea de textos que lançou no Brasil em 2010, pela Companhia das Letras. Pela mesma editora, lançou no ano passado “O Diabo na Água Benta”, no qual aborda outro assunto importante em sua produção intelectual, o jornalismo –em especial, a imprensa clandestina que veiculava insultos e difamações mas também denúncias políticas de um e outro lado do canal da Mancha no século 18.

Irmão e filho de jornalistas, diz manter o encanto pelo ofício, que chegou a exercer nos anos 1960: foi repórter de polícia do “The New York Times” e teve como colega de editoria um dos maiores jornalistas americanos vivos, Gay Talese –de quem diz não ser muito fã.

Em seu escritório na Wads- worth House, no campus de Harvard, onde recebeu a Folha para esta entrevista, Darnton comentou algumas obras que retratam a história do jornalismo nos Estados Unidos. Seu pai, Byron Darnton, é citado em várias delas. Ao cobrir para o “New York Times” a Segunda Guerra Mundial (1939-45) no Pacífico, Byron foi atingido num bombardeio e tornou-se um dos primeiros jornalistas americanos mortos no conflito.

Folha – Como estão os preparativos para o lançamento da DPLA, que o sr. anunciou para abril?

Robert Darnton – Não queremos gerar falsas expectativas: de início não teremos todo o material digitalizado. Levará tempo. Teremos 2 milhões de livros liberados pelo domínio público. Vamos começar modestamente. Espero que cresça mais e mais. É um trabalho que deve ser feito por séculos.

O início envolve a digitalização de coleções especiais, principalmente as de Harvard. Temos uma enorme quantidade delas nas 73 bibliotecas da universidade, são mais de 18 milhões de volumes. Estamos escaneando livros, manuscritos e fotografias de diferentes assuntos.

Há acervos sobre mulheres, imigrações e obras sobre doenças epidêmicas, por exemplo; e há coleções históricas importantes, sobre a era medieval e sobre fotografia, com imagens da Lua e da escravidão, como fotos de escravos que nasceram na África e foram levados para os EUA.

Qual o maior problema que estão encontrando?

Montamos um escritório para discutir a questão legal e convidamos pessoas de diferentes instituições, de várias partes do país, que costumam enfrentar o mesmo tipo de problema: o óbvio, dinheiro, além de dúvidas relativas à tecnologia, à organização, ao conteúdo digitalizado e ao público que vai utilizar tudo isso. Mas a questão legal é a mais importante. Não podemos violar os direitos autorais.

A ideia é que a DPLA seja a antítese do Google Books?

Exatamente. O Google tenta fazer a mesma coisa, mas sob a lógica do lucro. O Google veio a Harvard para discutir a cópia de livros, quando eles começaram a digitalização. Eles também foram à NYPL (sigla em inglês da Biblioteca Pública de Nova York) e às universidades Stanford, do Michigan e da Califórnia.

Harvard disse que eles poderiam digitalizar alguns livros –aqueles em domínio público, não os protegidos por lei. Mas as demais universidades deram permissão para que copiassem o que quisessem, e eles começaram a fazer isso.

A Liga dos Autores e a Associação Americana de Editoras foram à Justiça contra a empresa. Após três anos de negociação secreta, fecharam um acordo com o Google, mas a Justiça de Nova York vetou, por entender que infringia a lei de direitos autorais.

Vamos fazer diferente, não vamos ganhar dinheiro, queremos apenas servir o público com livros abertos na internet.

Quantas bibliotecas e universidades americanas terão acervos digitalizados na DPLA?

Não tenho ainda um número certo, mas são milhares. Todas as bibliotecas abertas para pesquisa no país estarão envolvidas. Mas levará tempo: no início, serão todas as que já têm material digitalizado. Obviamente, todas que tiverem coleções anteriores a 1923 poderão participar.

A DPLA poderá usar livros publicados após 1923, se autores e editoras concordarem com a abertura das obras na internet, gratuitamente?

Sim, temos um programa para tentar convencê-los a ceder obras para a base da DPLA. Muitos livros deixam de ser lidos após alguns meses no mercado; eles morrem. Autores, claro, querem leitores. A maioria das obras não tem valor financeiro cinco ou seis anos depois da publicação, e os proprietários dos direitos podem ficar felizes ao ver seus livros disponíveis.

O fato de que as universidades e instituições envolvidas no projeto da DPLA tenham visões diferentes sobre o futuro do livro e sobre como usar a internet não é um problema?

É um problema potencial. Mas há coisas sendo feitas. Há uma coalizão de fundações, que vão nos prover dinheiro, e há as bibliotecas e universidades, que vão disponibilizar os acervos.

Estamos concebendo uma estrutura tecnológica que permita harmonizar todas as coleções digitais em um mesmo sistema. Superada essa questão, será o momento de reunir livros e coleções, por exemplo, do Alabama e da Dakota do Norte numa mesma base. É muito trabalho.

O site já está funcionando experimentalmente, mas ainda não há nada aberto ao público. No dia 18 de abril vamos lançá-lo com uma cerimônia na Biblioteca Pública de Boston.

O governo norte-americano não apoia a DPLA?

Não, é um projeto completamente independente do governo, gerido por fundações privadas. Não há envolvimento público.

A principal política, mesmo nas universidades privadas como Harvard, é abrir as bibliotecas para compartilhar conhecimento intelectual ao redor dos Estados Unidos e do mundo.

É difícil para as pessoas da Europa ou da América Latina compreenderem, porque muita gente fora dos EUA, para tocar esse tipo de projeto, depende do governo. Mas este é um país em que não devemos ter fé no governo ou no Congresso para prover um bom serviço gratuito ao público.

Estudantes do ensino médio da rede pública terão livro digital a partir de 2015

0

Yara Aquino, no UOL

O PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) abre hoje (21) o período para inscrições de obras destinadas a alunos e professores do ensino médio da rede pública para o ano letivo de 2015. A partir de agora, as editoras também poderão inscrever livros digitais – cujo acesso pode ser feito em computadores ou em tablets.

A versão digital deve vir acompanhada do livro impresso, ter o mesmo conteúdo e incluir conteúdos educacionais digitais como vídeos, animações, simuladores, imagens e jogos para auxiliar na aprendizagem. Continua permitida a apresentação de obras somente na versão impressa para viabilizar a participação das editoras que ainda não dominam as novas tecnologias.

A outra novidade é a aquisição de livros de arte para os alunos do ensino médio da rede pública. Os demais livros a serem comprados pelo governo são os de português, matemática, geografia, história, física, química, biologia, inglês, espanhol, filosofia e sociologia.

Os títulos inscritos pelas editoras são avaliados pelo MEC (Ministério da Educação) que elabora o Guia do Livro Didático com resenhas de cada obra aprovada. Esse guia é disponibilizado às escolas que aderiram ao PNLD do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Cada escola escolhe, então, os livros que deseja utilizar.

De acordo com o MEC, a previsão inicial de aquisição para 2015 é de aproximadamente 80 milhões de exemplares para atender mais de 7 milhões de alunos.

O período de inscrição de obras pelo Programa Nacional do Livro Didático vai até 21 de maio. De 3 a 7 de junho, estará aberto o período de entrega de livros impressos e da documentação. De 5 a 9 de agosto, o de entrega de obras digitais e respectivos documentos.

Escritores indicam 30 livros imperdíveis; lista tem romances, biografias, contos e infanto-juvenis

dica do Jarbas Aragão

Go to Top