Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Feminismo

Colégios australianos terão feminismo como matéria obrigatória para alunos

0
Foi criado um estilo de currículo feminista a ser abordado nas escolas do estado de Vitoria

Foi criado um estilo de currículo feminista a ser abordado nas escolas do estado de Vitoria

 

Publicado no Catraca Livre

Há dois anos, estudantes da Fitzroy High School, de Melbourne, na Austrália, fundaram um coletivo feminista com ajuda da professora Briont O’Keffe. O chamado ‘Fightback’ começou com um pequeno grupo de alunos interessados, mas depois de divulgada as suas propostas reuniu mais de 1.200 seguidores nas redes sociais.

Com o sucesso do grupo, foi criado um estilo de currículo feminista a ser abordado nas escolas do estado de Vitoria. De acordo com o documento, os estudantes do colégio australianos deverão aprender sobre igualdade e representações de gênero, entenderão com estatísticas de violência doméstica e refletirão sobre a visibilidade feminina nas mais diversas áreas.

A proposta reúne mais de 30 lições e estará disponível no fim do mês para os estudantes de sexo feminino e masculino

Conheça a vida da filósofa Simone de Beauvoir

0
 Simone de Beauvoir manteve um relacionamento com o filósofo Jean-Paul Sartre Foto: Getty Images

Simone de Beauvoir manteve um relacionamento com o filósofo Jean-Paul Sartre
Foto: Getty Images

 

Conheça a história de Simone de Beauvoir, expoente do feminismo, que teve um trecho de sua obra inclusa em uma questão do Enem

Voltaire Schilling, no Terra

Tanto pelo lado do pai, Georges Bertrand de Beauvoir, nascido no coração do faubourg Saint-Germain, o bairro do alto patriciado parisiense, como pelo lado da sua mãe, Françoise Brasseur filha de um banqueiro de Verdum, a jovem Simone de Beauvoir não teria nada a reclamar da vida. Pertencia por assim dizer ao que os franceses chamam crème de la crème.

Desde que nascera em 9 de janeiro de 1908, fora cercada pelos carinhos da família bem como por uma atenta ama que lhe satisfazia os caprichos. Com exceção de alguns acessos de fúria comuns a uma menina mimada que divertiam sempre o seu pai – considerava-a jocosamente como ‘ insociável’-, nada indicava que no íntimo da encantadora filhinha, mais do que bem-nascida, se gestava a mais profunda defensora da emancipação feminina do século 20, quiçá de todos os tempos.

Ainda entrando na adolescência percebeu que sua inteligência pairava sobre a das suas colegas de escola e outros parentes próximos, o que a levou a uma crescente solidão da qual poucos a tiravam, como sua amiga predileta Elizabeth Le Coin (Zaza) e, mais tarde, aquele que lhe serviu inicialmente como tutor intelectual, o seu primo Jacques Champigneulle (que a apresentou aos poemas de Mallarmè e outros modernistas menos enigmáticos assim como os pintores da moda). O pai, ainda que advogado e funcionário graduado sem maiores ambições era um leitor compulsivo e amante do teatro e das representações domésticas quando revela seu discreto lado histriônico, certamente a influenciou na sua inclinação pelo abstrato e no gosto pelos livros.

Bem ao contrário da maioria das meninas e moças da sua classe social e do seu tempo que seguiam obedientes os ditames e os interditos de uma educação católica e aos mitos de um ‘cristianismo místico’ que tinha por fim formar boas e ‘respeitáveis esposas’, ‘mulheres direitas’, dóceis e crentes. E se isto não fosse alcançado, lhes restava a vida de solteira ou a clausura no convento.

O futuro que a aguardava não as fazia escapar de um matrimônio arranjado (sim, mesmo na Paris do século 20, as famílias católicas tramavam casamentos de conveniência), administração do lar, filhos, festas e férias com a família, etc., causou-lhe crescente aversão. Indignou-se que os interditos feitos às mulheres em geral não era estendidos aos homens, como se eles pertencessem a outro planeta.

Os primórdios desta sua trajetória rumo à emancipação completa (negou-se a casar, ser dona de casa e a ter filhos) acha-se magistralmente relatado no livro Mèmoires d’une jeune fille rangèe , ‘Memórias de uma moça bem comportada’ , de 1958, escrito na plena maturidade da autora.

Este magnífico livro, que contou com afiada lembrança da autora, é literatura de alta elaboração. Serviu não apenas como testemunho da façanha pessoal dela em enfrentar os condicionamentos socio-religiosos de uma época ‘e o destino abjeto que a aguardava’. Funcionou, por igual, como uma espécie de roteiro no qual milhares de outras tantas mulheres, suas leitoras, dispersadas pelo mundo Ocidental, se inspiraram. Insatisfeitas com o dia-a-dia que as decepcionava, recorreram à trajetória oferecida por Simone. O ‘eterno feminino’, tão alardeado pelos românticos e outros místicos, tinha um propósito conformista. Uma capsula ideológica que obrigava as mulheres seguirem comportadas conforme o que o mundo masculino determinara. Era preciso romper com aquilo.

Por certo, inconscientemente, ela seguia os propósitos dos famosos versos de Lou-Andreas Salomé (1850-1937), umas raras mulheres admitidas como igual num meio majoritariamente masculino como aquele liderado por Sigmund Freud em Viena. Os versos de Lou praticamente são uma convocação à ação das mulheres:

Ouse, ouse… ouse tudo!!

Não tenha necessidade de nada!
Não tente adequar sua vida a modelos,
nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.
Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.
Se você quer uma vida, aprenda… a roubá-la!
Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.
Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso:
algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!

(Lou Salomé – Reflexões sobre o problema do amor.)

A partir de Simone, milhares passaram a ambicionar uma vida diferente do que lhes programava a família e a sociedade. Queriam independência, ser autônomas, ter sua profissão, seu sustento próprio, buscavam a felicidade e não a comodidade do lar sem sal em que a maioria delas vivia. Insistiam, como Simone o fez, no prazer de querer viver, ‘de estar no mundo’, de escolher e traçar elas próprias os caminhos a seguir em sua existência, ainda que assumindo os riscos decorrentes disto.

Os primeiros passos

“Inaugurei minha nova existência subindo as escadas da Biblioteca Sainte-Geneviève…”

O convento de Saint-Geneviève, na Place du Panthéon, desativado pela Revolução de 1789, ficou sem destino por um bom tempo até que a prefeitura de Paris encarregou o arquiteto Henri Labrouste de transformar o belo prédio numa biblioteca. Obra realizada entre 1838-1858. Nenhuma solução poderia ser melhor. Foi neste local magnifico (mais…)

Verbete de Simone de Beauvoir na Wikipedia é atacado após prova do Enem

0
Beauvoir é nome fundamental do feminismo

Beauvoir é nome fundamental do feminismo

 

Publicado no Catraca Livre

Depois de um trecho da obra da filósofa Simone de Beauvoir ser citado na prova do Enem deste sábado (24), o verbete em português da Wikipedia sobre a escritora francesa foi editado mais de 30 vezes.

Foram incluídas algumas frases que diziam que a autora escreveu livros de estupro e alguns usuários a acusaram de pedofilia – em referência ao boato de que a filósofa se envolvia com suas alunas.

Na prova do Enem, uma questão da parte de ciências humanas trazia um trecho do livro “O Segundo Sexo”, a principal obra da filósofa. No dia seguinte, no domingo (25), a redação veio com o tema “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira” . Os temas abordando o feminismo geraram muita polêmica na internet.

No domingo, a partir das 13h, segundo o histórico de edições do Wikipedia, usuários começaram a alterar o verbete sobre a escritora.

Em uma das edições, um usuário disse que a autora teria escrito “romances, monografias sobre filosofia, política, sociedade, ensaios, biografias e uma autobiografia. Só não entendia nada de biologia”.

Mais tarde, a frase foi editada para “Escreveu livro de estupro, monografias sobre filosofia, política, sociedade, ensaios, biografias e uma autobiografia”. Essas novas edições foram apagadas e rapidamente corrigidas.

A “Folha de S. Paulo” apurou que, depois de muitas edições feitas ao longo do dia, a página foi “protegida” e agora só pode ser editada por editores certificados pelo site.

Bruna Vieira usa YouTube para apresentar ‘feminismo às mais novas’

0

bruna vieira

Em Depois dos quinze, ela critica padrões de beleza: ‘Peso o quanto quiser’.
Ela lucra em média US$ 10 mil por mês com publicidade e views no canal.

Letícia Mendes, no G1

A mineira Bruna Vieira, de 21 anos, pode ser considerada veterana das youtubers. Aos 14, começou a escrever o blog Depois dos Quinze, com mais de 60 mil acessos diários. Dois anos depois, decidiu fazer vídeos também para desafiar a timidez. Assista ao vídeo acima.

Hoje, tem mais de 500 mil inscritos no seu canal e lucra em média US$ 10 mil por mês com publicidade e visualizações. “É incrível que eu possa ganhar esse dinheiro com a minha criatividade”, diz ao G1.

Há três anos, ela tem uma empresa que a ajuda a negociar contratos: “Não tem um valor fixo na verdade. No Natal, por exemplo, tem mais campanhas.”

Elas se posicionam em frente a uma câmera, mas vão na contramão das centenas de vlogs dedicados apenas à maquiagem e à moda. Além de ganhar fama, essas youtubers mobilizam na web discussões sobre o feminismo. Leia o especial.

A youtuber Bruna Vieira (Foto: Divulgação)

A youtuber Bruna Vieira (Foto: Divulgação)

Bruna mora em São Paulo desde os 17 anos e adiou a faculdade para conseguir se dedicar integralmente ao Depois dos Quinze. Também foi contratada pela editora Gutenberg: lançou quatro livros. “Agora estou aproveitando oportunidades, mas talvez ano que vem ou no próximo eu estude Cinema, Jornalismo ou Publicidade. Ainda estou escolhendo”, conta.

Ao contrário da Jout Jout, que fez sucesso quase instantâneo, Bruna viu seu canal crescendo aos poucos. Nele, ela dá conselhos para um público adolescente, “90% feminino”.

“A relação com os meus fãs é de amizade. Se encontro na rua, é como se estivesse encontrando uma amiga, que sabe tudo da minha vida”, diz. “Falo das minhas experiências naturalmente. A ideia é que a menina assista e sinta que está conversando com uma amiga.”

Trabalho de madrugada
Bruna diz que o processo de gravação é muito simples. “Normalmente eu ligo a câmera no meu quarto, gravo, e edito também. Trabalho de madrugada. Quase sempre começo a gravar umas 23h porque é mais silencioso, não tem barulho de carro. Como eu uso iluminação artificial é tranquilo.”
Ela diz que considera alguns vídeos do começo do canal bem bobinhos, mas deixa online para que as pessoas acompanhem sua evolução. “Quando mudei para SP, gravei um falando como era morar aqui e eu tinha uma visão muito fantasiosa. Achava tudo em SP muito diferente. Não sou mais assim”, afirma.

A youtuber Bruna Vieira, do canal Depois dos quinze (Foto: Divulgação)

A youtuber Bruna Vieira, do canal Depois dos quinze (Foto: Divulgação)

Dicas de fotos e apps
Seus vídeos sobre “dicas para tirar fotos boas” e “quais aplicativos de fotos usar” foram os que mais fizeram sucesso.

Fã das youtubers Flavia Calina e Taciele Alcolea, Bruna diz que seu diferencial é “falar de feminismo para as meninas mais novas”. “Elas não têm muita noção do que é. Por isso eu sempre tento inserir a pauta feminista no conteúdo que eu já faço.”

“Tipo criticar padrões de beleza, que é um assunto que eu acho importante. Há uma cobrança muito grande. Dizem: ‘Bruna, você tem que emagrecer’. ‘Eu tenho que pesar o quanto eu quiser. O importante é estar saudável’, digo para elas. Passo uma mensagem positiva e de aceitação para as meninas que querem usar biquíni, mas tem vergonha do corpo.”

Como seu público é mais jovem, falar sobre sexo também é algo especial. Um de seus vídeos mais vistos fala sobre “a primeira vez”. “É tabu porque as meninas não devem ter alguém para falar sobre isso em casa. Quando você não passou por aquilo, a coisa parece um monstro, parece que vai dar tudo errado. ‘Me apaixonei pelo meu melhor amigo e agora?’. Conto o que passei e elas sentem que sou alguém que tem um pouquinho mais de experiência que elas.”

Projeto de mestrado gera troca de farpas entre jornalista e estudante

2

Apresentadora do SBT chamou de ‘piada’ estudo que analisava Valeska Popozuda e as relações de gênero no mundo funk
Estudante responde as declarações da jornalista e abre debate sobre o funk no mundo acadêmico

Valeska Popozuda, uma das funkeiras analisadas no mestrado, chama apresentadora de “jornalista dos anos 20” FERNANDO TORQUATTO / Divulgação

Valeska Popozuda, uma das funkeiras analisadas no mestrado, chama apresentadora de “jornalista dos anos 20” FERNANDO TORQUATTO / Divulgação

Leonardo Vieira, em O Globo

RIO – Apesar de ser cada vez mais presente como objeto de estudos nas universidades, o funk ainda gera muita polêmica entre os brasileiros. Na semana passada, a apresentadora do telejornal SBT Brasil, Rachel Sheherazade, afirmou, em tom pejorativo, que o ” funk carioca, que fere meus ouvidos de morte, foi descrito como manifestação cultural. E o pior é que ele é, pois se cultura é tudo o que o povo produz, do luxo ao lixo, o funk é tão cultura quanto bossa nova”.

Veja aqui as declarações da apresentadora.

Rachel se referia ao projeto de mestrado da estudante Mariana Gomes, intitulado “My pussy é o poder. A representação feminina através do funk no Rio de Janeiro: Identidade, feminismo e indústria cultural”. Para a apresentadora, dissertações como essa são inevitáveis no contexto de mais “popularização da universidade”.

Aprovada em segundo lugar na Universidade Federal Fluminense (UFF) para o mestrado em Cultura e Territorialidades, Mariana se propôs a estudar as relações de gênero no mundo funk, problematizando e até contestando a teoria de que funkeiras como Valeska Popozuda e Tati Quebra-Barraco seriam “o último grito do feminismo”. Veja aqui o projeto de mestrado.

Ao ver as declarações no telejornal, a mestranda escreveu uma carta-resposta em seu blog no último domingo (21), onde Mariana questiona, dentre outros pontos, se Rachel teria ao menos lido seu projeto de estudo. O texto teve mais de 10 mil compartilhamentos no Facebook.

– O ataque não foi ao meu trabalho. O preconceito dela começa quando o assunto é popular. Chamar o funk de lixo é não abrir os olhos para uma realidade concreta. Ela direciona isso ao local da favela. A opinião dela tem uma questão de classe muito forte – afirmou Mariana.

Por sua vez, Valeska disse que não iria responder a “essa jornalista dos anos 20”, que “vive presa na época em que a mulher nem direito de frequentar uma escola tinha”. No entanto, a funkeira afirmou:

– Tenho certeza que ela seria muito mais feliz se fosse mais aberta ao funk.

Por meio da assessoria do SBT, a apresentadora informou que não iria mais se pronunciar sobre o assunto.
Debate no mundo acadêmico

Orientadora de Mariana num projeto de iniciação científica por dois anos, a historiadora Adriana Facina entende o debate também como consequência da ampliação do acesso à universidade ocorrida nos últimos anos no Brasil. Entretanto, diferentemente da apresentadora, Facina enxerga o fenômeno mais positivamente.

– Ao tornar acessível o ensino superior a uma parcela maior da sociedade que, até então, estava excluída, novos temas e estudos surgirão naturalmente. Como que alguém pode considerar irrelevante para o estudo uma música como o funk, que é ouvida por milhões de jovens? O tema da Mariana é relevante porque o funk não é só uma manifestação de massa, mas há também a questão de gênero. A presença masculina é predominante no funk e em toda a sociedade brasileira – explicou Facina, que já deu aulas sobre a história do funk na UFF.

Quem segue a mesma linha de Facina é a professora de Comunicação e Cultura Popular da UFF, Ana Lúcia Enne. Para ela, ainda há uma “cristalização do preconceito” em relação a certos movimentos culturais:

– Que bom que o mundo acadêmico está aberto não só a objetos canonizados! Compreender o mundo e a realidade a sua volta é um dos papeis fundamentais da universidade.

A professora se diz orgulhosa de seus alunos da graduação de Estudos de Mídias Sociais, curso no qual é vice-coordenadora. Em março, a fim de realizarem um trabalho de final de período, estudantes de Ana Lúcia apresentaram um flash mob num dos principais endereços culturais do Rio, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Ao som de “Ah lek lek lek”, os alunos viraram um sucesso em redes sociais. Veja aqui o vídeo.

Menos de um mês depois, sete formandos do curso escolheram ninguém menos do que a funkeira Valeska Popozuda como patronesse na cerimônia de colação de grau.

Go to Top