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11 frases inspiradoras de Fernando Pessoa

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Publicado no Resenhas à La Carte

Fernando Pessoa foi um poeta, escritor, astrólogo, crítico e tradutor português, nascido em Lisboa. O poeta é tão renomeado que foi considerado um dos 26 melhores escritores da civilização ocidental, não somente da literatura portuguesa, mas também da inglesa. Pessoa tinha vários heterônimos, isto é, “personalidades” diferentes ao escrever suas obras. Aposto que você conhece Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro, com seus poemas e frases belíssimas.

Separamos aqui no blog 11 frases do autor português para inspirar seu dia – e também sua vida! Veja:

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Declarações racistas de Fernando Pessoa reacendem a discussão sobre a relação entre os artistas e suas obras

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Poeta português Fernando Pessoa Foto: Ver Descrição / Ver Descrição

Poeta português Fernando Pessoa Foto: Ver Descrição / Ver Descrição

 

Texto racista escrito pelo poeta, reproduzido pelo escritor Antonio Carlos Secchin em sua página no Facebook, causou estarrecimento nas redes sociais

*Jeferson Tenório, no Zero Hora

Causou estarrecimento em muita gente a descoberta de um texto racista escrito pelo poeta Fernando Pessoa (1888 – 1935). A discussão correu as redes sociais depois que o escritor Antonio Carlos Secchin reproduziu um trecho em sua página no Facebook. O estarrecimento certamente ficou por conta da contundência das frases e também porque Fernando Pessoa ocupa um imaginário quase etéreo e mítico dentro da cultura ocidental contemporânea. Para nós, hoje, é difícil aceitar que um artista do calibre do poeta português, que simplesmente reescreveu liricamente a empreitada lusitana, criou complexos heterônimos e se tornou um dos pilares da literatura e da língua portuguesa, fosse capaz de escrever palavras tão assombrosas.

Fernando Pessoa tinha 28 anos quando escreveu que “a escravatura é lógica e legítima; um zulu ou um landim não representa coisa alguma de útil neste mundo.” Anos mais tarde, aos 32 anos, Pessoa escreveu que “a escravidão é lei da vida, e não há outra lei, porque esta tem que cumprir-se, sem revolta possível. Uns nascem escravos, e a outros a escravidão é dada.” E ainda próximo de completar 40 anos as ideias racistas ainda persistiam: “Ninguém ainda provou que a abolição da escravatura fosse um bem social (…) quem nos diz que a escravatura não seja uma lei natural da vida das sociedades sãs?”

Não bastasse isso, ainda encontramos em suas digressões opiniões estarrecedoras sobre as mulheres: “Em relação ao homem, o espírito feminino é mutilado e inferior. O verdadeiro pecado original, ingênito nos homens, é nascer de uma mulher”. Os excertos podem ser conferidos no livro Fernando Pessoa: Uma (Quase) Biografia, do pesquisador pernambucano José Paulo Cavalcanti Filho, que procurou fazer uma pesquisa bastante minuciosa sobre a vida do poeta.

O argumento mais recorrente quando autores de séculos passados são julgados por suas posturas preconceituosas e racistas é o de que eles apenas seguiram o pensamento da época e que, portanto, devemos ser cautelosos ao julgarmos tais posturas. No entanto, o argumento pode ser contestado quando levamos em consideração a existência de outros intelectuais contemporâneos a Fernando Pessoa, como Eça de Queiroz, Machado de Assis, Castro Alves, Joaquim Nabuco, que se opunham à escravidão. Certamente, a visão anacrônica é importante porque nos auxilia a compreender os processos ideológicos de uma determinada época. E talvez aí esteja o nó da questão: o de acreditarmos que compreender é o mesmo que absolver ou desculpar.

Não é de hoje que autores assumem posições ideológicas condenáveis. Jorge Luis Borges (1899 – 1986) apoiava declaradamente a ditadura argentina, Ezra Pound (1885 – 1972) e Heidegger (1889 – 1976) foram simpatizantes do nazismo. No Brasil, temos o já famigerado caso de Monteiro Lobato (1882 – 1948) e sua exaltação à Ku Klux Klan. Embora haja uma diferença bastante acentuada entre Pessoa e Lobato, já que em Lobato é possível percebermos marcas explícitas de racismo dentro da própria produção literária, diferentemente de Pessoa em que suas ideias racistas e misóginas aparecem em textos de opinião.

O caso de Fernando Pessoa reacende a discussão sobre a relação entre os escritores e suas obras e nos faz refletir o quanto suas biografias podem nos influenciar como leitores. Mesmo considerado um grande gênio pela crítica, não se pode esquecer que Fernando Pessoa é fruto de um país colonialista, ou seja, ele está inserido na longa tradição lusitana de exploração colonial. Por volta de 1920, quando Portugal já lamentava sua decadência e as sucessivas perdas das colônias, Fernando Pessoa começa a produzir a complexa e hermética obra poética Mensagem, que no fundo é uma exaltação da epopeia portuguesa, a exaltação das suas conquistas e glórias. Não há como negar que os versos estão imbuídos de um nacionalismo místico. Fazer uma relação direta entre este sentimento ufanista do poeta e suas afirmações racistas e misóginas pode soar superficial, mas é passível de reflexão.

É doloroso descobrir que um ícone literário tenha um lado tão sombrio. Portanto, o nosso desafio como leitores é o de sabermos separar a obra do autor, pois antes de ser poeta, Fernando é humano com toda a complexidade e contradição que ele carrega. A indignação e a decepção com Fernando Pessoa é válida e necessária porque nos aproxima dele e nos afasta daquela figura mítica e sobrenatural, ao mesmo tempo em que resgata a humanidade que há em nós ao refutarmos seus textos racistas e misóginos. A discussão foi posta, mas não percamos de vista a literatura. Guimarães Rosa já cantava essa pedra: “Às vezes, quase sempre, um livro é maior que a gente.”

*Mestre em literaturas luso-africanas pela UFRGS. Escritor, autor do romance O Beijo na Parede

 

Caixa com textos inéditos de Fernando Pessoa é encontrada na África do Sul

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Mauricio meireles, na Folha de S.Paulo

Criança, Fernando Pessoa gostava de pegadinhas. Metia-se em fantasias horripilantes para assustar os empregados e, já então um fingidor, recrutava os irmãos para pequenas peças em casa. Mas sentia um medo danado de trovão. Por isso, escondia-se em locais escuros, cobrindo a cabeça para não ouvir o barulho.

O relato sobre a infância do poeta está em uma carta inédita de Teca, sua meia-irmã, enviada nos anos 1970 ao pesquisador britânico Hubert Jennings, um dos primeiros biógrafos do poeta.

O poeta português Fernando Pessoa

O poeta português Fernando Pessoa

 

O manuscrito compõe um conjunto de 2.000 documentos encontrados por um grupo de pesquisadores, após passar décadas em uma garagem na África do Sul, onde o poeta viveu criança.

A descoberta foi feita em julho, quando os filhos de Jennings procuravam um local para o espólio do pai, morto há 23 anos, e tratada com discrição até agora. O conjunto de documentos de e sobre Pessoa foi transferido para a Universidade Brown nos EUA, que conta com um importante centro de estudos da literatura portuguesa.

Ainda é cedo para dizer com exatidão tudo que há no espólio -mas um primeiro olhar acaba de aparecer na “Pessoa Plural”, revista de estudos pessoanos publicada por Brown.

Há transcrições de documentos do espólio de Pessoa –que Jennings visitou nos anos 1950, muito antes de o acervo ir para a BNP (Biblioteca Nacional de Portugal).

Como a caligrafia do poeta é difícil de entender –às vezes, não dá para saber nem em que língua os textos foram escritos-, o trabalho de Jennings serve de atalho.

O inglês chegou a fazer um inventário do espólio pessoano, que deve ser confrontado com o da instituição portuguesa, a fim de saber que documentos podem ter se perdido.

CARTAS PERDIDAS
A esperança de haver materiais que nunca seriam conhecidos tem um motivo: foi encontrada a transcrição uma carta de Pessoa a seu meio-irmão John, de 28 de fevereiro de 1934. O documento não está na BNP e, até onde se sabe, tampouco entre os papéis que a família do poeta ainda tem consigo em Portugal.

Também foi achado na caixa o livro inédito “The Poet of Many Faces”, uma compilação, reunida por Jennings, de poemas em inglês escritos por Pessoa. Tivesse saído, o pesquisador teria sido um dos primeiros a publicar a poesia inglesa de Pessoa.

Como homenagem ao trabalho de Jennings, o pesquisador argentino Patrício Ferrari, especialista na obra inglesa e francesa do português, publica na “Pessoa Plural” 25 poemas inéditos do autor –dois dos quais já haviam sido transcritos por Jennings. O material já está disponível na versão on-line do periódico.

“A vida e a obra d Pessoa são um quebra-cabeça. Sabemos que há milhares de documentos que não foram publicados. O acervo do Jennings ajuda a montar esse quebra-cabeça”, diz o brasileiro Carlos Pittella-Leite, pesquisador bolsista da Universidade de Lisboa que foi o primeiro, junto a Patrício Ferrari, a consultar a papelada.

Pitella-Leite, editor convidado da “Pessoa Plural”, que ajudou na transferência do acervo para Brown, calcula que ainda deve demorar um ano para a instituição fazer todo o inventário dos papéis. Só então se terá uma ideia mais exata de tudo de inédito que há no espólio de Jennings.

Mesmo que a caixa não tivesse documentos desconhecidos de Fernando Pessoa, a descoberta ainda assim seria valiosa, por trazer as pesquisas de Jennings sobre o autor português e as impressões do britânico sobre Portugal.

Um diário do intelectual, por exemplo, conta o dia a dia em Portugal em 1968 -ano em que o ditador António Salazar caiu. O documento ajuda a reconstruir a rotina portuguesa nos meses que antecederam a derrocada do ditador.

A descoberta dos documentos também permitiu determinar a autoria de um ensaio sobre os heterônimos pessoanos em poder Manuela Nogueira, sobrinha do poeta lusitano. Uma carta de Michael, outro meio-irmão de Pessoa, no qual ele dá dicas a Jennings sobre um livro, sugere que o próprio pesquisador seja o autor do ensaio.

O britânico é mais um caso notório de estrangeiro que se desenvolveu uma relação profunda com a obra de Fernando Pessoa, ao lado do mexicano Octavio Paz e do italiano Antonio Tabucchi.

Jennings -que, como Camões, perdeu um olho em batalha, ao lutar na Primeira Guerra Mundial- descobriu o poeta, aos 70 anos, ao escrever a história da Durban High School, escola na África do Sul onde Pessoa estudou na infância, entre 1899 e 1904. Mudou-se para Portugal a fim de estudar a obra do autor.

ÁFRICA DO SUL
A caixa com seus documentos estava na garagem de sua sobrinha, na África do Sul. Os papéis foram encontrados quando ela se mudou de Joanesburgo para a Cidade do Cabo. Como os filhos de Jennings queriam escrever a história da família, eles os enviaram ao escritor americano Matthew Hart em Nova York.

Hart procurou a Universidade de Brown para entender a importância dos documentos. A instituição, por sua vez, foi atrás do colombiano Jerónimo Pizarro, hoje uma das principais autoridades na obra pessoana. Pizarro pediu para Carlos Pittella-Leite e Patrício Ferrari viajarem a Nova York para avaliar os documentos.

“Esses papéis ficaram fora de circulação por 23 anos. Fiquei surpreso ao ver como era volumosa a quantidade de escritos sobre Pessoa, traduções, contos e as memórias do meu pai”, afirma o geólogo Christopher Jennings, filho do intelectual.

POEMAS INÉDITOS

Poema inédito de Pessoa traduzido por Hubert Jennings

Poema inédito de Pessoa traduzido por Hubert Jennings

 

Às vezes, repentinamente olhando pra cima, acho
Ter compreendido a forma vazia das coisas
Outro aspecto que o absurdo
Toma-me um repentino terror
Havia olhos em tudo -onde estão as coisas agora?
Havia um mal misterioso na sem vida das Presenças…
Tudo era mais Deus, mais Vida, do que é agora.
Onde está o ouvir deste sempre amanhecer
_[quando olhei para cima demasiado repentinamente?_
O que está escondido de mim que é tudo?
A mão que repentinamente nublou quando olhei o que continha?
Ou podem os homens virar a esquina do Ver e do Ouvir
E buscar o mistério das coisas?
(Tradução de Patricio Ferrari)

Transcrição de poema de Pessoa

Transcrição de poema de Pessoa

O que há de errado com o que há de certo em meu coração é outra
Coisa bem diferente de (…)
Minha dor não é por não ser pai
Minha dor é mesmo por não poder ser mãe
Apenas ser mãe preencheria sem perder uma gota
O copo de doçura que aguarda em mim (mais…)

Cédulas de dinheiro com retratos de grandes escritores

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Fabio Mourão, no Dito pelo Maldito

Pode não parecer, mas os escritores são pessoas importantes. E uma grande prova disso é a quantidade de selos que homenageiam autores, assim como suas obras e personagens. E se hoje em dia a literatura não rende mais o valor que ela merece dentro da sociedade, gostaríamos de lembrar que um dia ela já foi representada na coisa mais valiosa já produzida pelo mercado,… O dinheiro. Não há muitas moedas dedicadas a escritores, no entanto, cédulas em papel já foram usadas para homenagear alguns escritores clássicos de todo o mundo.

Abaixo separamos algumas amostras de notas que retratam grandes autores, e que formam uma coleção bem peculiar e específica de dinheiro.

Miguel de Cervantes

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César Vallejo

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Leopoldo Alas ‘Clarín’

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Carlos Drummond de Andrade

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Charles Dickens

dickens (mais…)

Fernando Pessoa vira HQ feita por português e brasileiro

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Na HQ, Fernando Pessoa pertence a uma seita secreta Divulgação

Na HQ, Fernando Pessoa pertence a uma seita secreta
Divulgação

Sem nunca se encontrarem pessoalmente, André Morgado e Alexandre Leoni transformaram o poeta em um agente secreto

Publicado no Jornal do Commércio

A vida de um poeta com tantas identidades é a mais adequada para gerar uma história sobre sociedades secretas e maldições. Ao pensar em criar uma narrativa que aproximasse os leitores jovens da obra do poeta português Fernando Pessoa, o professor e escritor português André Morgado buscou inventar uma vida diferente para ele: a de um homem convocado para combater um “maleito do diabo” que assola como epidemia algumas pessoas. Homem das palavras, no entanto, precisava de um parceiro para transforma a ideia em HQ. Foi na capital do Mato Grosso do Sul, no Brasil, que ele encontrou o parceiro Alexandre Leoni.

Os dois nunca se conheceram, apesar de terem criados juntos a história A Vida Oculta de Fernando Pessoa, financiada via crowdfunding. Na Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto), os dois vão se encontrar neste domingo (15/11) pela primeira vez, às 18h30, na programação principal do evento, no Colégio São Bento, em Olinda.

O projeto foi uma forma de vencer a resistência de possíveis leitores que acham que Pessoa ou a sua poesia são “chatos”; daí veio o apelo ao formato das HQs. “Talvez muita gente se esqueça que Fernando Pessoa era uma pessoa tão interessante como toda a panóplia literária que nos deixou. Pessoa era mais do que um poeta. Era um empreendedor, alguém que arriscava a nível pessoal e profissional – mesmo que nem tudo corresse bem. Era um homem ligado à arte de estimular o pensamento nos seus mais variantes quadrantes, incluindo o ocultismo. Fernando Pessoa foi, aliás, próximo de Edward Alexander Crowley (famoso ocultista britânico)”, comenta André ao JC, em entrevista por e-mail.

O apreço pelo misticismo e pelo mistério do poeta do desassossego se juntaram ao fascínio que os seus muitos heterônimos despertam. “Ao contabilizarmos mais de cem nomes criados e utilizados para representação de eu’s diferentes, podemos apenas imaginar por quantos mundos viajou e quantas mentes interpretou (literariamente falando) realmente. Portanto, a sua vida real abre as portas para que a imaginação de cada um de nós crie várias parcelas heroicas dentro do próprio herói literário que todos lhe reconhecemos”, ainda pondera o roteirista.

Esse Fernando Pessoa ainda é composto em grande partes de trechos e confissões do próprio autor português. Além de um mergulho na obra do criador de A Tabacaria, eles tiveram que fazer um imenso exercício de pesquisa histórica. “Nesse processo de pesquisa – não só para a produção gráfica mas também para a escrita – procuramos estudar fotografias do início do século 20, em Lisboa; vimos filmes noir como Pacto de Sangue ou Império do Crime, lemos alguns livros biográficos sobre Pessoa e estudamos muitos apontamentos do próprio Fernando Pessoa, onde descrevia as características físicas dos heterônimos, por exemplo”, lembra André. Ele ainda revela que, para criarem a narrativa à distância, os dois abusaram de duas ferramentas: a confiança e a internet. “Montar as peças do puzzle – escrita e ilustração – à distância foi um dos desafios mais interessantes”, explica. Para conhecer esse Fernando Pessoa com ares de agente secreto poético, basta ir conferir essa parceria inusitada.

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