Posts tagged Fernando Pessoa

90 livros para ler antes de morrer

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Publicado por Catraca Livre

1Até o último dia em que você viver, haverá uma lista imensa de livros que podem ser lidos. No site Universia Brasil existem mais de 90 clássicos da literatura mundial. Tudo de graça, prontos para o download.

Na lista, obras como “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert; “Fausto”, de Goethe; “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri e muito mais. Veja a lista completa no site da Universia

1. Baixe o livro O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde (em Inglês) 

2. Baixe o livro Recordações da Casa dos Mortos, de Fiódor Dostoievski (em Inglês)

3. Baixe o livro Os Irmãos Karamazov, de Fiódor Dostoievski (em Inglês)

4. Baixe o livro Guerra e Paz, de Leon Tolstoi (em Inglês)

5. Baixe o livro A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo

6. Baixe o livro Assim Falava Zaratustra, de Nietzsche (em Inglês)

7. Baixe o livro Orgulho e Preconceito, de Jane Austen

8. Baixe o livro Os Miseráveis, de Victor Hugo

9. Baixe o livro Hamlet, de William Shakespeare

10. Baixe o livro Coração das Trevas, de Joseph Conrad

11. Baixe o livro Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski

12. Baixe o livro O Processo, de Franz Kafka

13. Baixe o livro Moby Dick, de Herman Melville

14. Baixe o livro Robinson Crusoé, de Daniel Defoe

15. Baixe o livro Dom Quixote – (Volume II), de Miguel de Cervantes

16. Baixe o livro Dom Quixote – (Volume I), de Miguel de Cervantes

17. Baixe o livro As Viagens de Guliver, de Jonathan Swift 

18. Baixe o livro O Príncipe, de Maquiavel

19. Baixe o livro Os Sertões, de Euclides da Cunha

20. Baixe o livro Madame Bovary, de Gustave Flaubert

21. Baixe o livro Fausto, de Goethe

22. Baixe o livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

23. Baixe o livro A Divina Comédia, de Dante Alighieri

25. Baixe o livro Do Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa

26. Baixe o livro Os Maias, de Eça de Queirós

27. Baixe o livro Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida

28. Baixe o livro o livro Utopia, de Thomas More

29. Baixe o livro Senhora, de José de Alencar 

30. Baixe o livro Poesias Inéditas, de Fernando Pessoa

31. Baixe o livro Poemas Traduzidos, de Fernando Pessoa

32.  Baixe o livro Poemas de Álvaro de Campos, de Fernando Pessoa

33. Baixe o livro Pai Contra Mãe, de Machado de Assis

34. Baixe o livro O Pastor Amoroso, de Fernando Pessoa

35. Baixe o livro O Mercador de Veneza, de William Shakespeare

36. Baixe o livro O Guardador de Rebanhos, de Fernando Pessoa

37. Baixe o livro O Guarani, de José de Alencar

38. Baixe o livro O Eu Profundo e os Outros Eus, de Fernando Pessoa

39. Baixe o livro O Espelho, de Machado de Assis

40. Baixe o livro O Cortiço, de Aluísio Azevedo

41. Baixe o livro O Alienista, de Machado de Assis

42. Baixe o livro Iracema, de José de Alencar

43. Baixe o livro Este Mundo da Injustiça Globalizada, de José Saramago

44. Baixe o livro Édipo-Rei, de Sófocles

45. Baixe o livro Dom Casmurro, de Machado de Assis

46. Baixe o livro Cancioneiro, de Fernando Pessoa

47. Baixe o livro Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente

48. Baixe o livro Arte Poética, de Aristóteles

49. Baixe o livro A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Julio Verne

50. Baixe o livro A Igreja do Diabo, de Machado de Assis

51. Baixe o livro A Esfinge sem Segredo, de Oscar Wilde

52. Baixe o livro A Carta, de Pero Vaz Caminha

53. Baixe o livro A Cartomante, Machado de Assis

54. Baixe o livro A Alma Encantadora das Ruas, de João do Rio

55.Baixe o livro Reliquiae, de Florbela Espanca 

56. Baixe o livro Poemas Selecionados, de Florbela Espanca 

57. Baixe O Livro d’Ele, de Florbela Espanca 

58. Baixe o Livro de Sóror Saudade, de Florbela Espanca

59. Baixe o Livro de Mágoas, de Florbela Espanca

60. Baixe o livro Charneca em Flor, de Florbela Espanca 

62. Baixe o livro A Mensageira das Violetas, de Florbela Espanca 

63. Baixe grátis o livro Grimm’s Fairy Stories, Irmãos Grimm

64. Baixe o livro The Happy Prince and Other Tales, Oscar Wilde 

65. Faça o download grátis do livro Three Sermons, Three Prayer, de Jonathan Swift

66. Faça o download grátis do livro A Tale of a Tub, de Jonathan Swift

67. Baixe grátis o livro Til, de José de Alencar

68. Baixe o livro Viagens na minha terra, de Almeida Garrett

69. Baixe o livro Projeto Comédia Popular Brasileira da Fraternal Campanha de Artes e Malas-Artes (1993-2008), de Roberta Cristina Ninin

70. Baixe o livro Lira Dissonante, de Fabiano Rodrigo da Silva Santos

71. Circos e Palhaços Brasileiros, de Mário Fernando Bolognesi

72. Baixe o livro Tarde, de Olavo Bilac 

73. Baixe o livro O Caçador de Esmeraldas, de Olavo Bilac 

74. Baixe o livro As Viagens, de Olavo Bilac

75. Baixe o livro Alma Inquieta, de Olavo Bilac 

76.  Baixe o livro O triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto

77. Faça o download grátis do livro Ilíada, de Homero

78. Baixe grátis o livro Esaú e Jacó, de Machado de Assis

79. Baixe o livro O Navio Negreiro, de Castro Alves

80. Baixe o livro Macbeth, de William Shakespeare

81. Baixe o livro Drácula, de Bram Stoker

82. Baixe o livro A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães

83. Baixe o livro Brás, Bexiga e Barra Funda, de Antônio de Alcântara Machado

84. Baixe o livro Um coração simples, de Gustave Flaubert

85. Baixe o livro Lucíola, de José de Alencar

86. Baixe o livro Anna Karenina, de Liev Tolstoi

87. Baixe o livro O Anticristo, de Friederich Nietzsche

88. Baixe o livro A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas

89. Baixe o livro Mágico de Oz, de L. Frank Baum

90. Baixe o livro Os Lusíadas, de Luis de Camões

dica da Marjory Albuquerque e João Marcos

“Por que escrevo?” – 19 depoimentos que você precisa conhecer

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Mariana Gonçalves, no Homo Literatus

– Por que você escreve?

1No livro Por que escrevo?, organizado por José Domingos de Brito como parte da série “Mistérios da Criação Literária”, a pergunta parece ser feita a todos os mais variados cânones da literatura, da poesia, e do jornalismo – pessoas que, enfim, constroem e desconstroem com palavras. De A a Z, as respostas vão sendo traçadas uma a uma, em um espírito íntimo em meio ao qual o leitor tem, certas vezes, a impressão de ouvir da boca de seu grande ídolo as razões que o levaram a tal árdua profissão . Enquanto Allen Ginsberg diz que escreve porque gosta de cantar quando está só, Gabo diz que escreve para que seus amigos o amem mais. E assim o livro nos mostra, em uma coletânea despretensiosa e sem ornamentos — e com uma rica bibliografia sobre o ofício da escrita —, das respostas mais simples e definitivas às mais reflexivas, abrangentes e complexas possíveis.

Aqui vão algumas delas*:

01. Allen Ginsberg:

“(…) Eu escrevo poesia porque gosto de cantar quando estou só (…) Eu escrevo poesia porque minha cabeça contém uma multidão de pensamentos, 10 mil para ser preciso (…) Eu escrevo poesia porque não há razão, não há porquê. Eu escrevo poesia porque é a melhor forma de dizer tudo que me vem à cabeça no intervalo de um quarto de hora ou de toda uma vida.”

02. Augusto dos Anjos:

“A princípio escrevia simplesmente
Para entreter o espírito… Escrevia
Mais por impulso de idiossincrasia
Do que por uma propulsão consciente.

Entendi, depois disso, que devia,
Como Vulcano, sobre a forja ardente
Da ilha de Lemnos, trabalhar contente,
Durante as 24 horas do dia!

Riam de mim, os monstros zombeteiros.
Trabalharei assim dias inteiros,
Sem ter uma alma só que me idolatre…

Tenha a sorte de Cícero proscrito
Ou morra embora, trágico e maldito,
Como Camões morrendo sobre um catre!”

03. Carlos Drummond de Andrade:

“Posso dizer sem exagero, sem fazer fita, que não sou propriamente um escritor. Sou uma pessoa que gosta de escrever, que conseguiu talvez exprimir algumas de suas inquietações, seus problemas íntimos, que os projetou no papel, fazendo uma espécie de psicanálise dos pobres, sem divã, sem nada. Mesmo porque não havia analista no meu tempo, em Minas.”

04. Clarice Lispector:

“Eu tive desde a infância várias vocações que me chamavam ardentemente. Uma das vocações era escrever. E não sei por que foi essa que segui. Talvez porque para as outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever. Adestrei-me desde os sete anos de idade para que um dia eu tivesse a língua em meu poder. E, no entanto, cada vez que vou escrever, é como se fosse a primeira vez. Cada livro meu é uma estréia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que eu chamo de viver e escrever.”

05. Fernando Pessoa:

“Eu escrevo para salvar a alma.”

06. Fernando Sabino:

“Tenho a impressão de que se eu soubesse responder a essa pergunta deixaria de ser escritor. Não haveria condição. Não saberia dizer, não. Está além da minha compreensão. Esta pergunta é tão grave como se perguntassem: ‘Por que vive? Por que ama? Por que morre? ’. Talvez eu escreva para atender a essas três presenças que são as únicas que existem na vida de um homem. No verso de Eliot: ‘Birth, copulation and death’; eu diria ‘nascimento, amor e morte’. Não sei por que escrevo. Eu nasci, virei homem e vou morrer.”

07. Gabriel García Márquez:

“Para que meus amigos me amem mais.”

08. George Orwell:

“Meu ponto de partida é sempre um sentimento de proselitismo, uma sensação de injustiça. Quando sento para escrever um livro, não digo a mim mesmo: ‘Vou produzir uma obra de arte’. Escrevo porque existe uma mentira que pretendo expor, um fato para o qual pretendo chamar a atenção, e minha preocupação inicial é atingir um público. Mas não conseguiria escrever um livro, nem um longo artigo para uma revista, se não fosse também uma experiência estética. Quem se dispuser a examinar meu trabalho perceberá que, mesmo quando é uma clara propaganda, contém muito do que um político de tempo integral consideraria irrelevante. Não sou capaz de abandonar por completo a visão de mundo que adquiri na infância, nem quero. Enquanto viver e estiver com saúde, continuarei a ter um forte apego ao estilo da prosa, a amar a superfície da Terra, a sentir prazer com objetos sólidos e fragmentos de informações inúteis. De nada adianta tentar reprimir esse meu lado. O trabalho é conciliar os gostos e os desgostos arraigados com as atividades essencialmente públicas, não individuais, que esta época impõe a todos nós.”

09. Jean-Paul Sartre:

“Porque a criação só pode encontrar seu acabamento na leitura; porque o artista deve confiar a outro a tarefa de concluir o que ele começou; porque somente através da consciência é que ele pode se ter como essencial a sua obra e toda obra literária é um apelo. Escrever é apelar ao leitor para que ele faça passar à existência objetiva o descobrimento que empreendi por meio da linguagem.”

10. João Cabral de Melo Neto:

“Por que escrevo é um negócio complicado… Eu tenho a impressão de que a gente escreve por dois motivos. Ou por excesso de ser — é o tipo do escritor transbordante, como a maioria dos escritores brasileiros; é uma atitude completamente romântica — ou por falta de ser. Eu sinto que me falta alguma coisa. Então, escrever é uma maneira que eu tenho de me completar. Sou como aquele sujeito que não tem perna e usa uma perna de pau, uma muleta. A poesia preenche um vazio existencial. Às vezes, eu escrevo porque quero dizer determinada coisa que eu acho que não foi dita; às vezes, porque me interessa que conheçam meu ponto de vista. Às vezes, escrevo também por prazer.”

11. José Saramago:

“Antes eu dizia: ‘Escrevo porque não quero morrer. ’ Mas agora eu mudei. Escrevo para compreender. O que é um ser humano?”

12. Julio Cortázar:

“(…) O fascínio que uma palavra produzia em mim. Eu gostava de algumas palavras, não gostava de outras, algumas tinham certo desenho, uma certa cor. Uma de minhas lembranças de quando estava doente (fui um menino muito doente, passava longas temporadas de cama com asma e pleurisia, coisas desse tipo) é a de me ver escrevendo palavras com o dedo, contra uma parede. Eu esticava o dedo e escrevia palavras, e via as palavras se formando no ar. Palavras que eram, muitas vezes, fetiches, palavras mágicas. Isso é algo que depois me perseguiu ao longo da vida. Havia certos nomes próprios — e sei lá por quê — que para mim tinham uma carga mágica. Naquela época havia uma atriz espanhola que se chamava Lola Membrives, muito famosa na Argentina. Bom, eu me vejo doente — aos sete anos provavelmente — escrevendo com o dedo no ar Lo-la-Mem-bri-ves, Lo-la-Mem-bri-ves. A palavra ficava desenhada no ar e eu me sentia profundamente identificado com ela. De Lola Membrives, a pessoa, eu não sabia muita coisa, nunca a tinha visto e nunca a vi. Na realidade, eram meus pais que iam ver as peças onde ela trabalhava. E foi nesse mesmo momento que comecei a brincar com as palavras, a desvinculá-las cada vez mais de sua utilidade pragmática e comecei a descobrir os palíndromos, que depois apareceram nos meus livros… Desde muito pequeno, minha relação com as palavras, com a escrita, não se diferencia da minha relação com o mundo em geral. Eu não acho que nasci para aceitar as coisas tal como estão, tal como me são oferecidas.”

13. Manuel Bandeira:

“Na verdade, faço versos porque não sei fazer música… Jamais senti que meu destino fosse a Poesia, sobretudo assim com esse P maiúsculo que pressinto na sua garganta. Creio que se fui poeta em alguns momentos, só o fui por incidente patológico ou passional.”

14. Moacyr Scliar:

“Quando criança, eu era adicto à literatura, não podia ficar sem ler. A minha conexão com a vida acontecia via literatura. Eu lia para aprender a viver, para saber o que fazer. É claro que isso provoca muitas desilusões, muitos choques, porque a vida não é a literatura. Assim, quando comecei a escrever, foi porque lia. Outra razão é que meus pais foram grandes contadores de história. Numa noite quente como essa, as pessoas do meu bairro se reuniam para contar histórias, o que, desde muito cedo se incorporou em mim, passou a ser uma coisa que eu também queria fazer, só que à minha maneira, escrevendo.”

15. Paulo Francis:

“Escrevo romances para me perpetuar, para ter fama, glória, dinheiro, amor, essas coisas comezinhas da vida.”

16. Rachel de Queiroz:

“Acho que para cada escritor há uma razão diferente. No meu caso, num certo sentido, é o desejo interior de dar um testemunho do meu tempo, da minha gente e principalmente de mim mesma: eu existi, eu sou, eu pensei, eu senti, e eu queria que você soubesse. No fundo, é esse o grito do escritor, de todo artista. Creio que o impulso de todo artista é esse. É se fazer ver. Eu existo, olha pra mim, escuta o que eu quero dizer: tenho uma coisa pra te contar. Creio que é por isso que a gente escreve.”

17. Sérgio Milliet:

“Quer saber de uma coisa? Não acredito na predestinação literária. São circunstâncias acidentais que fazem o escritor e é o acaso de um primeiro êxito que o leva a perseverar. Um homem de inteligência média faz qualquer coisa; basta que a vida o exija. Qualquer camarada de algumas letras escreveu versos na mocidade; se não continuou, foi porque outra coisa lhe interessou.”

18. Truman Capote:

“Sou um escritor essencialmente horizontal. Não posso pensar mais do que quando estou encostado, com um cigarro nos lábios e uma xícara de café ao alcance da mão. A xícara de café pode ser trocada por um copo de vodka, não há por que ser maníaco. Não uso máquina de escrever, redijo à mão, com lápis. Trabalho quatro horas por dia durante quatro meses por ano. Sou um estilista: me preocupa mais onde colocar uma vírgula que ganhar o prêmio Nobel.”

19. William Faulkner:

“Para ganhar a vida.”

E você, por que escreve?

***

*Todos os depoimentos a seguir transcritos pertencem à coletânea “Por que escrevo?”, organizada por José Domingos de Brito (editora Novera), com suas respectivas fontes individuais.

Inéditos revelam Fernando Pessoa como adolescente indignado

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Textos incluídos em livro que será lançado no dia 17 dão vazão à verve antimonárquica do autor
Os cinco poemas — um deles, inacabado — foram escritos quando ele tinha 17 anos e acabara de voltar a Lisboa para cursar a universidade

‘Abaixo a guerra, a tirania;/ Abaixo os reis, morra a Igreja./ Não haja coração que seja/ Inimigo da luz do dia!’, bradava Fernando Pessoa quando jovem Mônica Torres Maia / Reprodução

‘Abaixo a guerra, a tirania;/ Abaixo os reis, morra a Igreja./ Não haja coração que seja/ Inimigo da luz do dia!’, bradava Fernando Pessoa quando jovem Mônica Torres Maia / Reprodução

Publicado em O Globo

RIO – Cinco poemas inéditos de Fernando Pessoa estarão em “Mensagem e outros poemas sobre Portugal”, livro que a editora Assírio & Alvim lança no dia 17, revela em reportagem o jornal “Público”. Segundo os estudiosos Richard Zenith e Fernando Cabral Martins, que encontraram as obras, elas datam do início de 1906, quando o poeta tinha 17 anos de idade e acabara de voltar a Lisboa, vindo da África do Sul, para estudar Letras na Universidade da capital portuguesa.

Apesar de não serem poemas fundamentais, em termos de qualidade, para a obra de Pessoa (e nem mesmo os primeiros, já que ele ditou uma quadra às mãe aos sete anos e escreveu vários poemas entre 1901 e 1902, quando passou temporada em Lisboa), eles se destacam por seus duros ataques à monarquia portuguesa. Em tom indignado e panfletário, os quatro poemas completos (e um inacabado) revelam aquele adolescente criado na cultura inglesa, aspirante a poeta inglês, mantinha ligações sentimentais suficientemente fortes ao seu país natal para não ter perdoado à monarquia a aceitação humilhante do Ultimato britânico de 1890.

Os versos mostram que, aos 17 anos, recém-integrado à comunidade universitária de Lisboa, Fernando Pessoa era um republicano, inimigo jurado da coroa e da Igreja. “Abaixo a guerra, a tirania;/ Abaixo os reis, morra a Igreja./ Não haja coração que seja/ Inimigo da luz do dia!”, pregava ele, no poema inacabado. Em outro dos inéditos do livro, ele lamentava: “(…) Com o governo que temos e o nosso rei/ Somos um carro já sem rodas.”

Segundo Ricardo Zenith, a dedução de que os poemas datam do início de 1906 se deu pela análise do tipo de papel em que foram escritos, pelo fato de estarem misturados a textos seguramente desse período, pela caligrafia de Pessoa e por referências a “projetos contra a monarquia” presentes no diário que ele escreveu naquele ano. Esses poemas derrubam a tese de que a obra do poeta entre 1903 e 1908 se resumira aos poemas em inglês dos heterônimos Charles Robert Anon e Alexander Search.

Freud e grandes escritores nos cartoons de Ricardo Campus

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João Lopes no Canteiro

O Cartunista português Ricardo Campus relembra de maneira inteligente e descontraída trechos das obras de grandes pensadores: Fernando Pessoa, Eça de Queirós e Florbela Spanca são colocados ao lado de Freud, em um diálogo que mistura psicanálise e literatura. Com bom humor e traço próprio, Campus deixa um pouco do pensamento destes grandes autores mais agradável aos nossos olhos. Relembre também trechos das cartas de amor que Freud escrevia para sua amada Martha, confira:

1freud_eca_crianca.jpg

2freud_florbela_alma.jpg

3freud_pessoa_amor.jpg

4freud_martha_momentos.jpg

5freud_eca_dinheiro.jpg

6freud_florbela_ausencia.jpg

7freud_pessoa_vida.jpg

8freud_martha_serena.jpg

9freud_eca_hoje.jpg (mais…)

Cartas de correspondências entre poetas vira livro

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Thalles Libânio, no Vá Ler Um Livro!

O poeta alagoano Geraldino Brasil, radicado em Pernambuco por várias décadas, nunca foi chegado à convivência com outros escritores. “Não passam de falsos”, dizia dele. Justamente por isso, ele escrevia para as próprias gavetas ou lançava livros sem alarde, com edições mal cuidadas.

Com sua mania de viver isolado, o futuro do poeta não passaria do ostracismo se não fosse por uma carta recebida em 1979, de remetente desconhecido. Nela, o poeta colombiano, Jaime Jaramillo Escobar, dizia ter em mãos um dos livros de Geraldino, que embora tivesse capa feia, possuia textos tão bons que ele desejava traduzir as obras para o castelhano. E esse foi o começo de uma extensa troca de correspondências entre os autores, 145 cartas ao total, que vão de 1979 até 1995.

Um dos maiores fãs do escritor brasileiro era o então presidente da Colômbia, Belisario Betancur, cujos discursos eram inspirados nas poesias do alagoano. Enquanto continuava desconhecido em terras brasileiras, o poeta alagoano, residente em Recife, era chamado de San Geraldino em terras porto-riquenhas.

A amizade entre Jaime e Geraldo Lopes, seu nome de batismo, se manteve por 16 anos, mesmo falando-se apenas por intermédio dos correios, pois nunca se conheceram pessoalmente. As conversas datilografadas ou manuscritas eram sobre política, religião, realidade dos dois países, o fazer poético, as obras de Fernando Pessoa, Mário Quintana e Carlos Drummond de Andrade.

Em 1996 com a morte de Geraldino Brasil, sua filha, Beatriz Brenner entrou em contato, com o confidente do seu pai, para dizer que escreveria um livro, espécie de biografia de Geraldino, baseada naquelas cartas. Para sua surpresa, Jaime Escobar já havia feito o mesmo e lançado na Colômbia a obra Cartas con Geraldino Brasil. O fato motivou a escritora formada em arquitetura a dar continuidade ao projeto que já está em andamento há três anos.

Há dois anos, Beatriz viajou para a Colômbia até o encontro de Jaime, hoje com 81 anos. Ela conta que foi como se estivesse reencontrando o seu pai. Um homem sábio e inspirado a todo o momento. Em 2012, a Companhia Editora de Pernambuco publicou A intocável beleza do fogo, com poesias inéditas de Geraldino Brasil.

Com lançamento previsto apenas para 2014, a obra Um lugar no tempo vai compilar trechos das cartas. montados como se fosse uma conversa entre os escritores. Beatriz diz que precisou de 17 anos de preparação psicológica para escrever o livro, cujo local de trabalho é a mesa da sala. Naquele ambiente repleto de papéis catalogados, ela faz ajustes finais na obra e justifica decisões tomadas para manter a essência das cartas.

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