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Treze livros que podem fazer o cérebro entrar em colapso

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Treze livros que podem fazer o cérebro entrar em colapso

Ademir Luiz, na Revista Bula

O escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo, na crônica “Fobia”, publicada no divertidíssimo livro “Banquete Com os Deuses”, admitiu que lê obsessivamente qualquer coisa, de manuais de tricô até etiquetas de lençóis, passando pelo mais pueril best-seller, movido pela pura e simples “dependência patológica na palavra impressa”. Eu, extrapolando a tese do filho do Erico, acredito que com algum treino, masoquismo, espírito vadio e senso de humor, esse vício pode se transformar num divertido teste de resistência intelectual. Pode ser tanto na categoria de provas rápidas, lendo frases sem pai nem mãe na internet, ou maratonista, dispondo-se a percorrer inteiras obras obradas e assinadas. De fato, seguir pelas páginas de certos livros pode ser considerado um esporte radial, uma corrida de obstáculos cognitiva. O cérebro treme, pula, ameaça entrar em colapso, mas o verdadeiro atleta não desiste. Exemplos? Apontar livros de Paulo Coelho, “50 Tons de Cinza” ou da série “Crepúsculo” é para amadores. A verdade é que alguns clássicos e semi-clássicos, assinados sem rubor por escritores de prestígio, bem poderiam estar na lista, ao lado de certas pérolas do improvável. O verdadeiro fundista “dependente patológico” mergulha bem mais fundo no submundo da “palavra impressa”.

Condenado a Falar, de Jorge Kajuru

O livro é uma coletânea da vida e da obra do jornalista esportivo. Mais obra do que vida, diga-se. Entre outras pérolas imperdíveis, Kajuru compôs poemas em homenagem a Hebe Camargo e Adriane Galisteu. Mais curioso do que Jorge transmudar-se em poeta é Jorge homenageando as homenageadas. Salve, Jorge! Não, não salve, delete.

Caminho das Borboletas, de Adriane Galisteu (depoimento a Nirlando Beirão)

Falando nela, por amor ao automobilismo li essa tentativa da modelo atriz apresentadora se estabelecer no inconsciente coletivo como viúva de Ayrton Senna. Diz a lenda que não há palavras com X no livro. Será?

Relógio Belisário, de J. J. Veiga

Sim, J. J. Veiga é um grande escritor. Sim, a “Máquina Extraviada” é um dos melhores contos brasileiros de todos os tempos. Sim, J. J. merece respeito. Tudo isso é verdade, assim como é verdade que esse livro é uma ofensa a inteligência do leitor e ao talento do autor.

Zélia, Uma Paixão, de Fernando Sabino

O que poderia ser mais surreal do que uma ministra da economia collorida transformada em princesa Disney? Esse encontro marcado é de fazer o grande mentecapto Geraldo Viramundo morrer de vergonha.

Do Outro Lado do Muro, de Alexandre Frota (depoimento a João Henrique Schiller)

Mais até do que sua recém-lançada biografia, essa é a verdadeira obra-prima bibliográfica do homem, do mito, da lenda, do imortal Alexandre Frota. Trata-se do relato sobre sua participação no pioneiro programa Casa dos Artistas, onde ele se transformou no “namoradinho bad boy da filha do Brasil”, antes de virar o “amante de membro dégradé da esposa do Brasil” em seus filmes adultos. Frota é um gênio incompreendido. O Forrest Gump Brasileiro. O homem que já foi tudo, de galã da novela das oito e marido da Cláudia Raia até jogador de futebol americano do Corinthians e comediante da “Praça é Nossa”. Nessa obra, digna do Prêmio (Ig) Nobel, Frota conta como sobreviveu à música do cantor Supra, ao choro diluviano de Mari Alexandre e como ousou desafiar Deus (mais conhecido como Silvio Santos). Um clássico! E aí, qual que é o negócio?

O próximo Romance de Umberto Eco, que será escrito por Umberto Eco

Não me entendam mal, “O Nome da Rosa” é inegavelmente um clássico contemporâneo. O subestimado “O Pêndulo de Foucault” é um de meus livros preferidos, desses que estou sempre relendo. Porém, depois do mediano “O Dia da Ilha Anterior”, o fraco “Baudolino”, o desperdiçado “A Misteriosa Chama da Rainha Loana” e a imitação barata de si mesmo “O Cemitério de Praga”, cansei de ter que ler 500 páginas para, finalmente, concluir: “Eco, ele errou de novo!”.

Qualquer Imitação de “O Senhor dos Anéis”

As sagas da Terra Média criadas pelo venerável catedrático J. R. R. Tolkien estão na raiz da cultura pop, influenciando de Beatles até Star Wars. O problema é que nos últimos anos, em grande parte por culpa da trilogia de filmes de Peter Jackson, a influência sutil virou moda e uma infinidade de “autores” começaram a criar mundos povoados por seres fantásticos clichês, inventar línguas desconjuntadas, encher seus livros de mapas desenhados no joelho. Muitas vezes em narrativas desnecessariamente gigantescas, divididas em vários volumes. Quase sempre mais do mesmo, de “Eragon” até “Mago”, passando pelas “Crônicas dos Senhores de Castelo” e outros, muitos outros.

Certamente, o gênero possui seus méritos, mas noto que nos últimos tempos estão afastando os jovens leitores de obras mais maduras, fazendo-os imaginar que essa roda vida de fantasia nerd escapista é o supra-sumo da criação literária pelo simples fato de apresentar violência, algum sexo e nacos de intriga política. Fechando o tópico com polêmica sob encomenda, destaco que dependendo do dia, da temperatura e da pressão, os intocáveis “Guerra dos Tronos” e “Harry Potter” entram na lista sim.

O Tronco do Ipê, de José de Alencar

Está na moda criticar o mimoso José de Alencar. Desqualificar seu mimoso estilo tornou-se bater em mimosos cãezinhos mortos (essa foi uma piada mimosamente politicamente incorreta, considerando que o mimoso autor está mesmo morto?). Sei que o mimoso senador Alencar tem muitos e mimosos méritos! Ele ensinou esse mimoso país chamado Brasil a escrever mimosos romances. Mas, infelizmente, “O Tronco do Ipê”, em sua doçura e mimo, tornou-se um trauma de adolescência, em função da mimosa mania do autor de repetir continuamente, de maneira monotonamente mimosa, o uso da palavra “mimosa”. É muito mimo para uma criatura cínica, embora de algum mimo, como eu.

Zero, de Ignácio de Loyola Brandão

Li esse livro na época em que era jovem e paciente. Agora que sou velho e impaciente, porém mais consciencioso, penso que talvez não estivesse preparado para tamanho experimentalismo. Só pode ser isso. Afinal, se o livro foi censurado pela ditadura, só pode ser bom. Não existe outra possibilidade. Nota zero para mim.

Ripley Debaixo D’água, de Patricia Highsmith

Os três primeiros livros da tetralogia estrelada pelo sofisticado falsário Tom Ripley, “O Talentoso Ripley”, “Ripley Under Ground” e “O Jogo de Ripley”, são tensos, empolgantes e movimentados. Nesse quarto volume inesperadamente aconteceu que não acontece nada. É isso. Nada. Deu n’água.

Deuses Americanos, Neil Gaiman

Neil Gaiman é um grande artista dos quadrinhos. Está no panteão máximo do gênero “super-heróis atormentados”, ao lado de gênios como Frank Miller, Allan Moore e John Byrne. Infelizmente, não possui o mesmo talento para a literatura. Seu romance “Deuses Americanos” possui uma premissa engenhosa, mas foi escrito com estilo frouxo, diálogos maçantes e salpicado de clichês narrativos. O que mais me intriga é ver os fãs do quadrinista se esforçando para encontrar qualidades estilísticas em seus escritos, talvez num esforço corporativo para não se sentirem traidores do movimento.

Cinzas do Norte, de Milton Hatoum

Esse livro costuma figurar em listas dos mais importantes romances da literatura brasileira contemporânea. A impressão que tive quando li foi que o honorável autor (sem ironia) usou todo seu considerável talento para desenvolver uma sinopse recusada de novela das seis da Globo… ou pior, do SBT.

Estorvo, de Chico Buarque

O título condiz.

“Por que escrevo?” – 19 depoimentos que você precisa conhecer

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Mariana Gonçalves, no Homo Literatus

– Por que você escreve?

1No livro Por que escrevo?, organizado por José Domingos de Brito como parte da série “Mistérios da Criação Literária”, a pergunta parece ser feita a todos os mais variados cânones da literatura, da poesia, e do jornalismo – pessoas que, enfim, constroem e desconstroem com palavras. De A a Z, as respostas vão sendo traçadas uma a uma, em um espírito íntimo em meio ao qual o leitor tem, certas vezes, a impressão de ouvir da boca de seu grande ídolo as razões que o levaram a tal árdua profissão . Enquanto Allen Ginsberg diz que escreve porque gosta de cantar quando está só, Gabo diz que escreve para que seus amigos o amem mais. E assim o livro nos mostra, em uma coletânea despretensiosa e sem ornamentos — e com uma rica bibliografia sobre o ofício da escrita —, das respostas mais simples e definitivas às mais reflexivas, abrangentes e complexas possíveis.

Aqui vão algumas delas*:

01. Allen Ginsberg:

“(…) Eu escrevo poesia porque gosto de cantar quando estou só (…) Eu escrevo poesia porque minha cabeça contém uma multidão de pensamentos, 10 mil para ser preciso (…) Eu escrevo poesia porque não há razão, não há porquê. Eu escrevo poesia porque é a melhor forma de dizer tudo que me vem à cabeça no intervalo de um quarto de hora ou de toda uma vida.”

02. Augusto dos Anjos:

“A princípio escrevia simplesmente
Para entreter o espírito… Escrevia
Mais por impulso de idiossincrasia
Do que por uma propulsão consciente.

Entendi, depois disso, que devia,
Como Vulcano, sobre a forja ardente
Da ilha de Lemnos, trabalhar contente,
Durante as 24 horas do dia!

Riam de mim, os monstros zombeteiros.
Trabalharei assim dias inteiros,
Sem ter uma alma só que me idolatre…

Tenha a sorte de Cícero proscrito
Ou morra embora, trágico e maldito,
Como Camões morrendo sobre um catre!”

03. Carlos Drummond de Andrade:

“Posso dizer sem exagero, sem fazer fita, que não sou propriamente um escritor. Sou uma pessoa que gosta de escrever, que conseguiu talvez exprimir algumas de suas inquietações, seus problemas íntimos, que os projetou no papel, fazendo uma espécie de psicanálise dos pobres, sem divã, sem nada. Mesmo porque não havia analista no meu tempo, em Minas.”

04. Clarice Lispector:

“Eu tive desde a infância várias vocações que me chamavam ardentemente. Uma das vocações era escrever. E não sei por que foi essa que segui. Talvez porque para as outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever. Adestrei-me desde os sete anos de idade para que um dia eu tivesse a língua em meu poder. E, no entanto, cada vez que vou escrever, é como se fosse a primeira vez. Cada livro meu é uma estréia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que eu chamo de viver e escrever.”

05. Fernando Pessoa:

“Eu escrevo para salvar a alma.”

06. Fernando Sabino:

“Tenho a impressão de que se eu soubesse responder a essa pergunta deixaria de ser escritor. Não haveria condição. Não saberia dizer, não. Está além da minha compreensão. Esta pergunta é tão grave como se perguntassem: ‘Por que vive? Por que ama? Por que morre? ’. Talvez eu escreva para atender a essas três presenças que são as únicas que existem na vida de um homem. No verso de Eliot: ‘Birth, copulation and death’; eu diria ‘nascimento, amor e morte’. Não sei por que escrevo. Eu nasci, virei homem e vou morrer.”

07. Gabriel García Márquez:

“Para que meus amigos me amem mais.”

08. George Orwell:

“Meu ponto de partida é sempre um sentimento de proselitismo, uma sensação de injustiça. Quando sento para escrever um livro, não digo a mim mesmo: ‘Vou produzir uma obra de arte’. Escrevo porque existe uma mentira que pretendo expor, um fato para o qual pretendo chamar a atenção, e minha preocupação inicial é atingir um público. Mas não conseguiria escrever um livro, nem um longo artigo para uma revista, se não fosse também uma experiência estética. Quem se dispuser a examinar meu trabalho perceberá que, mesmo quando é uma clara propaganda, contém muito do que um político de tempo integral consideraria irrelevante. Não sou capaz de abandonar por completo a visão de mundo que adquiri na infância, nem quero. Enquanto viver e estiver com saúde, continuarei a ter um forte apego ao estilo da prosa, a amar a superfície da Terra, a sentir prazer com objetos sólidos e fragmentos de informações inúteis. De nada adianta tentar reprimir esse meu lado. O trabalho é conciliar os gostos e os desgostos arraigados com as atividades essencialmente públicas, não individuais, que esta época impõe a todos nós.”

09. Jean-Paul Sartre:

“Porque a criação só pode encontrar seu acabamento na leitura; porque o artista deve confiar a outro a tarefa de concluir o que ele começou; porque somente através da consciência é que ele pode se ter como essencial a sua obra e toda obra literária é um apelo. Escrever é apelar ao leitor para que ele faça passar à existência objetiva o descobrimento que empreendi por meio da linguagem.”

10. João Cabral de Melo Neto:

“Por que escrevo é um negócio complicado… Eu tenho a impressão de que a gente escreve por dois motivos. Ou por excesso de ser — é o tipo do escritor transbordante, como a maioria dos escritores brasileiros; é uma atitude completamente romântica — ou por falta de ser. Eu sinto que me falta alguma coisa. Então, escrever é uma maneira que eu tenho de me completar. Sou como aquele sujeito que não tem perna e usa uma perna de pau, uma muleta. A poesia preenche um vazio existencial. Às vezes, eu escrevo porque quero dizer determinada coisa que eu acho que não foi dita; às vezes, porque me interessa que conheçam meu ponto de vista. Às vezes, escrevo também por prazer.”

11. José Saramago:

“Antes eu dizia: ‘Escrevo porque não quero morrer. ’ Mas agora eu mudei. Escrevo para compreender. O que é um ser humano?”

12. Julio Cortázar:

“(…) O fascínio que uma palavra produzia em mim. Eu gostava de algumas palavras, não gostava de outras, algumas tinham certo desenho, uma certa cor. Uma de minhas lembranças de quando estava doente (fui um menino muito doente, passava longas temporadas de cama com asma e pleurisia, coisas desse tipo) é a de me ver escrevendo palavras com o dedo, contra uma parede. Eu esticava o dedo e escrevia palavras, e via as palavras se formando no ar. Palavras que eram, muitas vezes, fetiches, palavras mágicas. Isso é algo que depois me perseguiu ao longo da vida. Havia certos nomes próprios — e sei lá por quê — que para mim tinham uma carga mágica. Naquela época havia uma atriz espanhola que se chamava Lola Membrives, muito famosa na Argentina. Bom, eu me vejo doente — aos sete anos provavelmente — escrevendo com o dedo no ar Lo-la-Mem-bri-ves, Lo-la-Mem-bri-ves. A palavra ficava desenhada no ar e eu me sentia profundamente identificado com ela. De Lola Membrives, a pessoa, eu não sabia muita coisa, nunca a tinha visto e nunca a vi. Na realidade, eram meus pais que iam ver as peças onde ela trabalhava. E foi nesse mesmo momento que comecei a brincar com as palavras, a desvinculá-las cada vez mais de sua utilidade pragmática e comecei a descobrir os palíndromos, que depois apareceram nos meus livros… Desde muito pequeno, minha relação com as palavras, com a escrita, não se diferencia da minha relação com o mundo em geral. Eu não acho que nasci para aceitar as coisas tal como estão, tal como me são oferecidas.”

13. Manuel Bandeira:

“Na verdade, faço versos porque não sei fazer música… Jamais senti que meu destino fosse a Poesia, sobretudo assim com esse P maiúsculo que pressinto na sua garganta. Creio que se fui poeta em alguns momentos, só o fui por incidente patológico ou passional.”

14. Moacyr Scliar:

“Quando criança, eu era adicto à literatura, não podia ficar sem ler. A minha conexão com a vida acontecia via literatura. Eu lia para aprender a viver, para saber o que fazer. É claro que isso provoca muitas desilusões, muitos choques, porque a vida não é a literatura. Assim, quando comecei a escrever, foi porque lia. Outra razão é que meus pais foram grandes contadores de história. Numa noite quente como essa, as pessoas do meu bairro se reuniam para contar histórias, o que, desde muito cedo se incorporou em mim, passou a ser uma coisa que eu também queria fazer, só que à minha maneira, escrevendo.”

15. Paulo Francis:

“Escrevo romances para me perpetuar, para ter fama, glória, dinheiro, amor, essas coisas comezinhas da vida.”

16. Rachel de Queiroz:

“Acho que para cada escritor há uma razão diferente. No meu caso, num certo sentido, é o desejo interior de dar um testemunho do meu tempo, da minha gente e principalmente de mim mesma: eu existi, eu sou, eu pensei, eu senti, e eu queria que você soubesse. No fundo, é esse o grito do escritor, de todo artista. Creio que o impulso de todo artista é esse. É se fazer ver. Eu existo, olha pra mim, escuta o que eu quero dizer: tenho uma coisa pra te contar. Creio que é por isso que a gente escreve.”

17. Sérgio Milliet:

“Quer saber de uma coisa? Não acredito na predestinação literária. São circunstâncias acidentais que fazem o escritor e é o acaso de um primeiro êxito que o leva a perseverar. Um homem de inteligência média faz qualquer coisa; basta que a vida o exija. Qualquer camarada de algumas letras escreveu versos na mocidade; se não continuou, foi porque outra coisa lhe interessou.”

18. Truman Capote:

“Sou um escritor essencialmente horizontal. Não posso pensar mais do que quando estou encostado, com um cigarro nos lábios e uma xícara de café ao alcance da mão. A xícara de café pode ser trocada por um copo de vodka, não há por que ser maníaco. Não uso máquina de escrever, redijo à mão, com lápis. Trabalho quatro horas por dia durante quatro meses por ano. Sou um estilista: me preocupa mais onde colocar uma vírgula que ganhar o prêmio Nobel.”

19. William Faulkner:

“Para ganhar a vida.”

E você, por que escreve?

***

*Todos os depoimentos a seguir transcritos pertencem à coletânea “Por que escrevo?”, organizada por José Domingos de Brito (editora Novera), com suas respectivas fontes individuais.

Trailer Exclusivo – “O Menino No Espelho” Adaptação do livro de Fernando Sabino

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Gustavo Magnani, no Literatortura

Assim como fizemos com o trailer de O Tempo e o Vento, lançamos com EXCLUSIVIDADE o trailer de “O Menino No Espelho”, adaptação do livro do querido e genial Fernando Sabino (Já falamos sobre ele aqui, lembram?). O filme, dirigido por Guilherme Fiúza Zenha, se propõe a contar uma das histórias infantis mais aclamadas da literatura nacional.

Com mais de 70 edições, a obra circula por livrarias e escolas do Brasil inteiro, encantando leitores jovens e adultos. Essa, talvez, seja uma das grandes competências de Sabino, ao longo de toda sua carreira: a capacidade de tocar e sensibilizar qualquer tipo de público, em qualquer lugar possível – em casa, na praça, no trabalho, na escola ou, até, no cinema.

Na sexta-feira será publicado um vídeo especial no nosso canal do youtube, falando mais sobre o livro, sobre o filme e sobre esse “gênero” tão interessante da literatura: livros infantis que qualquer um pode ler a amar. Se inscreva no nosso canal, para ficar antenado em tudo e, de modo algum, saia dessa publicação sem curtir a página do filme e acompanhar o belíssimo, tocante e divertido trailer.

“Numa infância inventiva, repleta de liberdade, marcada pela amizade, brincadeiras e aventuras, o menino Fernando vê sua fantasia tornar-se realidade quando seu reflexo no espelho ganha vida gerando Odnanref. A princípio o duplo é a solução cumprindo as tarefas chatas da vida de Fernando, mas algo acontece quando Cíntia, sua prima mais velha, chega à cidade. Agora, ele terá que recorrer a seus verdadeiros amigos para fazer Odnanref retornar ao mundo dos espelhos e assim retomar o controle de sua vida.”

O FILME ESTREIA NO DIA 19 DE JUNHO EM BELO HORIZONTE (ainda não há previsão para outras capitais, infelizmente)

O elenco ainda conta com grandes atores como Lino Facioli (Fernando / Odnanref) [que interpreta o Lorde Robin Arryn no seriado Game Of Thrones. Pois é! Ele quem faz aquele menino mimado que quer jogar todo mundo na porta da Lua!], o talentosíssimo e adorado Mateus Solano (Domingos), Regiane Alves (Odete), Ricardo Blat (Major Pape Faria), Gisele Fróes (Risoleta), Laura Neiva – Cíntia)

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Uma espiada nos livros do ‘Big Brother Brasil 13’

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Fani encara o “Grande mentecapto”, de Fernando Sabino Terceiro / Reprodução/TV Globo

Fani encara o “Grande mentecapto”, de Fernando Sabino Terceiro / Reprodução/TV Globo

Entre a autoajuda e a religião, leitura funciona como indicador dos perfis dos participantes reality

Leonardo Cazes, em O Globo

RIO – Se alguém o convidasse para passar até três meses confinado numa casa e fosse possível levar apenas um livro, qual você escolheria? “Ulisses”, de James Joyce, com suas 912 páginas? Ou algum dos tijolaços da série “Crônicas de Gelo e Fogo” (Leya), de R.R. Martin, em que é baseada a série de TV “Game of Thrones”?

Os participantes do “Big Brother Brasil” precisam responder a esta (angustiante) questão, já que a produção só permite que eles levem um livro para o confinamento. E, normalmente, as escolhidas são publicações de autoajuda, com mensagens motivacionais e estratégias para vencer no jogo, ou então religiosos.

Nesta edição, a veterana Fani foi flagrada cochilando com um exemplar de “As 48 leis do poder” (Rocco), de Robert Greene, nas mãos. A obra conta como mestres no jogo do poder se deram bem, seja no Japão feudal ou na Chicago de Al Capone. Pela aplicação da aluna, ainda não dá para saber se as lições serão úteis para mantê-la na casa por mais tempo. Fani também deu uma olhada em “O grande mentecapto”, de Fernando Sabino, levado pelo nerd da casa, Ivan.

Eliéser, outro veterano, optou por apelar para as forças divinas e está lendo “Amor acima de tudo” (Thomas Nelson Brasil), de Max Lucado. O livro fala sobre o amor de Deus pelos homens na Terra e como é possível amar uns aos outros do mesmo modo como Ele nos ama. Uma leitura um tanto controversa para um programa em que apenas um será o vencedor. Seria uma estratégia de sobrevivência do paranaense aparecer como bom cristão?

No entanto, nenhum livro causou tanta surpresa como o escolhido pela eliminada Aline. A moça levou consigo “O pequeno príncipe”, clássico de Antoine de Saint-Exupéry, publicado originalmente em 1943 e que atravessa gerações. Não se sabe ao certo quais pílulas de sabedoria a moça buscava, mas, pelo visto, não deu certo. Curiosa foi a declaração de seu noivo Jeferson, ao ser indagado sobre o livro: “Ela gosta de ler revista de fofoca de celebridade. Eu nunca a vi lendo um livro”. Ficamos combinados.

Outro eliminado, Dhomini, preferiu um livro de não-ficção, “Harpas Eternas — Volume I” (Pensamento/Cultrix), de Josefa R.L. Alvarez, que conta a história de Jesus Cristo desde o seu nascimento até os 12 anos, baseada em uma pesquisa histórica em vários países do Oriente Médio. Ao menos é o que garante a autora.

No “Big Brother Brasil” também há espaço para leituras “cabeça”. O artista plástico Aslan saiu na frente na disputa pelo papel de intelectual da casa ao encarar “Insurgências poéticas — Arte ativista e ação coletiva” (Annablume Editora), de André Mesquita. A obra é uma dissertação de mestrado apresentada pelo autor na Universidade de São Paulo (USP), em 2008, e que levanta os pontos de contato entre movimentos sociais e práticas artísticas. Livro que deve demorar os três meses para ser digerido.

Vale lembrar que, no último “BBB”, o bicho do mato Fael era um leitor voraz. Na sua passagem pela casa, quatro livros passaram pelas suas mãos: “O poder da Cabala” (Imago), de Yehuda Berg, “Quem mexeu no meu queijo” (Record), de Spencer Johnson, “Conversando com os espíritos” (Sextante), de James van Praagh, e “Sobre homens e lagostas” (Objetiva), de Elizabeth Gilbert, até que a produção decidiu recolher todos os exemplares da casa, no 52º dia. Vencedora do programa na 11ª edição, Maria alavancou as vendas de “Deixe os homens aos seus pés” (Universo dos Livros), de Marie Forleo. Gostos literários à parte, as escolhas dos brothers servem de sinais dos seus perfis.

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