Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Festa Literária Internacional de Paraty

Após dez anos, Flip volta a ter uma mulher na curadoria

0
A jornalista Joselia, nova curadora da FLIP. Foto: Arquivo pessoal

A jornalista Joselia, nova curadora da FLIP. Foto: Arquivo pessoal

 

A edição 2017 da festa literária será comandada pela jornalista Josélia Aguiar, autora de biografia de Jorge Amado com lançamento previsto para o mesmo ano

Jamyle Rkain, na Brasileiros

A Festa Literária Internacional de Paraty terá uma mulher no comando da 15ª edição. Nesta sexta-feira (07), o nome de Josélia Aguiar foi anunciado para curadoria da FLIP 2017. Depois de dez anos tendo homens à frente do evento, a presença de uma mulher é extremamente importante para a organização, que foi acusada de ser machista e racista nas últimas edições.

Josélia é uma jornalista e historiadora nascida em Salvador. Vive em São Paulo há alguns anos, onde cursou o mestrado e agora o doutorado. Como jornalista especializada em literatura, com passagens pela revista mensal EntreLivros e os jornais Folha de S.Paulo e o Valor Econômico, marca presença na FLIP desde a primeira edição da festa, realizada em 2003. Entregou recentemente o livro Jorge Amado – uma biografia, o qual levou cinco anos para conceber, entre pesquisas e escrita. “A estreia mundial terá de ser em Salvador”, diz, bem-humor da, à Brasileiros. O livro sairá pela Editora Três Estrelas e está previsto para 2017, antes da FLIP.

A primeira e, até então, única mulher a comandar a FLIP foi Ruth Lanna, em 2005 e 2006. Em uma de suas curadorias, Ruth convidou a jornalista para mediar uma mesa no evento. “É mais fácil para uma mulher ver a outra naquela posição”, referindo-se ao fato de que a curadoria e a mediação são posições altas na hierarquia de grandes eventos literários, geralmente condicionadas aos homens.

Para além da questão de gênero, Josélia acredita que existem outras demandas de representação na FLIP, como as pautas do movimento negro, dos nordestinos, dos LGBTs, entre outros. Na edição deste ano, por exemplo, o evento foi acusado de racismo e elitismo ao não escalar autores negros para as mesas mais importantes. Josélia aborda essas questões desde sempre em sua carreira, por isso acredita que não será um desafio. “Até porque sou baiana e mulher”, pontua.

Para ela, o maior desafio será trazer novidades à FLIP. No começo, pelo ineditismo de feiras e festas literárias pelo Brasil, o trabalho era mais fácil: “O desafio é tentar inventar coisas interessantes para que a festa continue sendo referência”. Diante da atual diversidade de eventos com a mesma finalidade, Josélia imagina que a escolha curatorial da edição de 2017 contribuirá para que haja pontos de vistas diferentes.

A FLIP deve anunciar o homenageado de sua 15ª edição no próximo mês. Josélia não esconde seu preferido: Lima Barreto. Enquanto fazia as pesquisas para a biografia de Jorge Amado, a jornalista descobriu o amor do autor de Capitães da Areia pela obra de Barreto. Decidiu, então, conhecer um pouco mais sobre o autor e ficou fascinada pela história do carioca, pois em meio a situação adversa do preconceito que encarava por ser negro e pobre, conseguiu manter-se firme e construir uma obra imponente, que a baiana considera genial. “Ele achava que o fato de ser negro e pobre impediria que ele acontecesse. Era a imagem da pessoa deslocada na sociedade”, comenta. Em 2013, quando passaram a especular os nomes da edição de 2014, Josélia fez uma campanha no Twitter para que Lima Barreto fosse o autor homenageado. Segundo ela, foi apenas uma brincadeira, mas ganhou grande repercussão com a ajuda de outros jornalistas e escritores. Josélia segue na torcida por seu favorito, mas pretende fazer um lindo trabalho, independentemente de quem seja o escolhido – ou a escolhida, claro.

Ingressos para a Flip 2015 começam a ser vendidos em 1º de junho

0
O escritor italiano Roberto Saviano Christophe Simon/AFP

O escritor italiano Roberto Saviano
Christophe Simon/AFP

Organização divulgou esta quarta-feira (27/5) os primeiros nomes da mesa de encerramento

Publicado no JCOnline

Os ingressos para a 13ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) começarão a ser vendidos na próxima segunda (1º/6), às 11h.

O evento, de 1º a 5/7, terá convidados como o italiano Roberto Saviano, o cubano Leonardo Padura, o irlandês Colm Tóibín e os brasileiros José Ramos Tinhorão e Hermínio Bello de Carvalho.

A compra pode ser realizada pela internet, pelo site da Tickets for Fun e por seus pontos de venda autorizados, além de pelo telefone (11) 4003-5588.

Após dois anos a R$ 46, o ingresso para a Tenda dos Autores sofreu um reajuste passando a custar R$ 50. Cada comprador tem direito a dois ingressos por mesa mediante apresentação do CPF.

Pela primeira vez, o Vale-Cultura será aceito para a compra nos pontos de venda físicos, embora não para a aquisição pela internet.

Além das mesas já anunciadas, a organização divulgou esta quarta-feira (27/5) os primeiros nomes da mesa de encerramento da Flip, a Livro de Cabeceira, em que convidados leem trechos de seus livros preferidos. São eles: Ayelet Waldman, Colm Tóibín, Diego Vecchio, Eduardo Giannetti, Matilde Campilho, Ngugi wa Thiong’o e Richard Flanagan.

Assim como em 2014, o telão terá acesso gratuito ao público, assim como a programação da Flipinha, da FlipZona e da FlipMais.

Ngũgĩ wa Thiong’o, escritor queniano, é anunciado na Flip 2015

0
O escritor queninano Ngũgĩ wa Thiong'o, que vem para a Flip 2015 (Foto: Divulgação)

O escritor queninano Ngũgĩ wa Thiong’o, que vem para a Flip 2015 (Foto: Divulgação)

Conhecido também pelo ativismo, autor foi cotado para o Nobel em 2010.
13ª Festa Literária Internacional de Paraty acontece de 1º a 5 de julho.

Publicado no G1

O escritor queniano Ngũgĩ wa Thiong’o, de 77 anos, conhecido por seu ativismo político e cotado para o Prêmio Nobel de Literatura em 2010 (vencido pelo peruano Mário Vargas Llosa), vai participar da edição 2015 da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), anunciou a organização nesta terça-feira (5). Será sua primeira visita ao Brasil.

A nota destaca que Thiong’o teve sua “trajetória dividida pela identidade local e a identidade imposta pela colonização” britânica. Ele escreveu parte de seus livros em inglês e parte no idioma nativo gĩkũyũ. Sua obra inclui romances, peças de teatro, contos, ensaios e literatura infantil.

Na Flip, o autor lançará as primeiras traduções de seus livros para o português. Pela Alfaguara, sai em junho “Um grão de trigo” (1967), que retrata a idependência do Quênia. Pela Biblioteca Azul, sai “Sonhos em tempo de guerra”, as memórias de Thiong’o.

O perfil de Thiong’o informa que, na escola, ele “foi proibido de falar a língua nativa, forçado à circuncisão e à conversão pelo batismo na Igreja da Escócia, onde recebeu o nome James”. Estreou na literatura em 1964, com “Weep not, child”.

Já em 1977, Thiong’o renegou o catolicismo, a língua e a identidade inglesa. Na ocasião, ele abriu mão no nome de batismo na igreja escocesa. Em seguida, escreveu, em gĩkũyũ, o romance “Petals of blood”. Queria usar a língua que seu povo fosse capaz de entender, mas acabou censurado e preso.

“Na cadeia, como preso político, escreveu no papel higiênico o romance ‘Devil on the cross’, publicado em 1982”, descreve o perfil.

Na Flip, Thiong’o falará ainda sobre “Wizard of the crow”, publicado em 2006, que marcou seu retorno à literatura após quase duas décadas dedicadas ao ativismo. O livro é descrito como “uma sátira política de mais de 700 páginas passada na República de Aburria, país fictício com muitas semelhanças com a realidade com a qual o autor conviveu ao longo de sua vida”.

Nomes já anunciados
Antes de Ngũgĩ wa Thiong’o, a organização da Flip já havia confirmado os nomes das escritoras Ayelet Waldman, de Israel; Matilde Campilho, poeta de Portugal; e Karina Buhr, cantora brasileira que estreia em breve na literatura.

Além delas, estão na programação o irlandês Cólm Tóibín – que em 2013 foi finalista do Man Booker Prize com o livro “O testamento de Maria” – e o historiador e escritor brasileiro Boris Fausto.

Mário de Andrade
O homenageado da Flip 2015 será Mário de Andrade. Esta 13ª edição da festa vai manter a gratuidade no show de abertura e nos telões externos. Também foi mantido o curador, o jornalista e editor Paulo Werneck. Ele já havia exercido a função na Flip 2014, que ficou marcada pela forte presença de humoristas e de convidados que não escritores.

Sobre os planos para esta Flip 2015, Werneck afirmou, por meio de nota que “em 2014, a Flip se abriu, ao mesmo tempo, para a cidade e para o público que estava fora de Paraty”. E antecipou: “Esse é um movimento sem volta. Em 2015, vamos conservar esse espírito livre e afetuoso que é a marca dos grandes momentos de todas as Flips”.

Mário de Andrade será o homenageado da Flip 2015

0
Mário de Andrade em pintura do amigo Lasar Segall (Foto: Reprodução)

Mário de Andrade em pintura do amigo Lasar Segall (Foto: Reprodução)

Nos 70 anos de morte do escritor, a Festa Literária Internacional de Paraty prepara exposições e mesas de discussão sobre o autor de “Macunaíma”, além do lançamento de uma obra inédita

Publicado na Época

Mário de Andrade viveu pouco. Aos 52 anos, sofreu um infarto no miocárdio. Expoente do modernismo brasileiro, autor de obras importantes para a literatura nacional, parece ter vivido bem mais: “Mário é um autor para o Brasil do século XXI, com vida e obra a serem redescobertas, rediscutidas, postas em debate”, diz Paulo Werneck, curador da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Nos 70 anos de sua morte, Mário será o homenageado da Flip 2015. O festival acontece dos dias 1 a 5 de julho.

Mário nasceu em 1893 na rua Aurora, no centro de São Paulo. Filho de uma família humilde, embora culta, não contou com os mesmos privilégios que seus companheiros de geração. Não era rico como Oswald de Andrade, herdeiro de uma família tradicional. Pela vida toda, exerceu atividades paralelas a de escritor e pesquisador. Foi poeta, romancista, crítico musical, gestor público, folclorista, agitador cultural. Deu aulas no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, onde estudou. Autor de livros como Macunaíma – o herói sem nenhum caráter, discutiu questões importantes para a cultura nacional, composta por influências tão distintas e pelo embate do novo – e estrangeiro – com o tradicional.

Segundo os organizadores da Flip, Mário se ajusta bem a Paraty: isolada por anos desde a sua fundação, a cidade intensificou os contatos com o mudo de fora a partir da construção da rodovia Rio-Santos: “Sua obra reverbera de maneira ainda mais intensa numa cidade como Paraty, que ainda vive em seu dia a dia os dilemas culturais da modernização”, diz Mário Munhoz, diretor geral da Flip.

A homenagem prevê, entre outras ações, uma conferência de abertura, mesas sobre o autor na programação principal e na FlipMais – encontros que acontecem na Casa de Cultura de Paraty- e uma exposição. Durante o festival, serão lançados novos volumes de obras do autor, preparadas pela equipe do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP). Entre elas, o livro inédito Café. Escrito já no fim da vida, Café é uma ópera coral. Em carta ao escritor Manuel Bandeira, Mário falou que sua ambição original era criar “romance de oitocentas páginas cheias de psicologia e intensa vida”. Os livros ganham nova edição pela editora Nova Fronteira.

Ao longo de suas 12 edições, a Flip homenageou Millôr Fernandes, Vinicius de Moraes, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Jorge Amado, Nelson Rodrigues, Machado de Assis, Manuel Bandeira, Gilberto Freyre, Oswald de Andrade, Carlos Drummond de Andrade e Graciliano Ramos.

Jöel Dicker: ‘Diversão combina com literatura’

0
O escritor Joël Dicker (Foto: Divulgação)

O escritor Joël Dicker (Foto: Divulgação)

Simone Costa, na Veja on-line

Após quatro romances rejeitados, o suíço Jöel Dicker, 29 anos, teve seu primeiro livro, Les Derniers Jours de Nos Pères (sem edição no Brasil), publicado em 2012. Em seguida, lançou A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert (Intrínseca), best-seller que já vendeu mais de 2 milhões de cópias no mundo. O segredo do sucesso? Nem o próprio autor sabe explicar. Em sua passagem pela Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Dicker deu a dica de que se existe um ingrediente secreto, talvez seja a diversão. “A literatura francesa passa essa imagem de que não se pode ter diversão durante a leitura porque a literatura é algo sério”, disse em entrevista ao blog VEJA Meus Livros. Enquanto o autor tentava desvendar o mistério, na Livraria da Travessa em Paraty, loja oficial do evento, seu livro era um dos mais procurados pelos visitantes. Resultado: Harry Quebert ficou em décimo lugar entre os mais vendidos da Flip 2014.

Este é o seu segundo livro publicado, mas você escreveu outros quatro romances que foram rejeitados pelas editoras. O que acha que havia de errado com as outras histórias e por que o thriller de Harry Quebert funcionou? Quando eu escrevi meu primeiro livro eu tinha 20 anos. O fato de eu ter tentado uma vez, ter sido rejeitado por todas as editoras, ter tentado novamente e ser rejeitado outras vezes foi algo muito bom, uma lição para trabalhar mais duro, lutar pelo que eu queria e um incentivo para pensar fora da caixa. O que estava errado em meu trabalho? Por que não estava conseguindo atingir os objetivos que tinha, que era ter um livro publicado e que atingisse o público? Se meu primeiro livro não tivesse sido rejeitado, eu nunca teria escrito Harry Quebert. O primeiro tinha um estilo muito francês, pequeno, meio autoficcional. Ter esse livro rejeitado me fez pensar em outras saídas. Eu percebi que o que queria era contar uma boa história.

Qual o segredo do sucesso de Harry Quebert? Gostaria de ter uma receita para usá-la no próximo livro. No início de 2012, lancei Les Derniers Jours de Nos Pères. Seis meses depois, publiquei Harry Quebert.  Meu editor leu o original e me disse que queria publicá-lo logo na sequência porque acreditava no sucesso do enredo. Como o mesmo editor, a mesma empresa, no mesmo ano decide publicar um livro de um autor que tinha acabado de lançar outro sem muita repercussão? O primeiro vendeu 1.000 cópias. O segundo vendeu naquele ano 1,5 milhão de exemplares. Então, não tenho resposta para essa pergunta. É muito impressionante para mim. Posso dizer que um escritor não tem de escrever um best-seller. Tem de escrever um livro. São os leitores, os jornalistas, os críticos que fazem o trabalho se tornar conhecido e se transformar em um sucesso.

Marcus Goldman, protagonista do seu livro, é um autor jovem, que tem a sua idade e fez um sucesso enorme com o primeiro livro. Virou uma celebridade. Foi um tipo de premonição? Na verdade, eu queria fazer algo distinto porque já temos muitas histórias em que os autores são retratados em sua miséria humana, infelizes, divorciados, alcoólatras. Quis criar um escritor de sucesso, um cara feliz. Não estava tentando imaginar minha vida ou quanto de sucesso eu atingiria. Nós vivemos em um mundo em que há problemas econômicos, terrorismo, poluição. Vemos isso nos jornais todas as manhãs. Por que não um livro com um cara que curte seu trabalho e se sai bem nele. Pode parecer estúpido, mas queria uma atmosfera bacana para meu personagem, a despeito do que acontece a sua volta, como a suspeita de assassinato que recai sobre seu amigo.

Goldman, depois do primeiro sucesso, passa por um sério bloqueio criativo. Você escreveu seis livros em menos de uma década. Tem medo de sofrer desse mal um dia? Eu tenho bloqueios frequentemente. Mas é algo bom, não é algo que me paralisa completamente como acontece com meu personagem. Eu paro e me questiono sobre a qualidade do meu trabalho ou se eu estou indo na direção correta, se o enredo está se desenrolando bem. Todas essas questões são importantes. São bloqueios que me ajudam a parar para refletir e ver o progresso do que estou fazendo. Todos os obstáculos que você enfrenta, faz você aprender algo.

Por que decidiu ambientar a história em uma cidade dos Estados Unidos. Não é mais difícil criar um enredo em um ambiente que não é o seu? Há duas razões para isso. A primeira é que é um lugar que eu conheço bem porque já passei muito tempo lá. Sei como é a atmosfera daquele lugar. Mas o mais importante é que esse é meu sexto romance, mas é o primeiro em que uso a primeira pessoa. Eu pensei: como posso garantir que os leitores não me confundam com Marcus? Havia certo medo em mim de que as pessoas criassem links entre o personagem e o autor. Não queria que o leitor pensasse que o lugar onde Marcus toma seu café é o mesmo aonde eu vou todas as manhãs, por exemplo.

Não tem nenhuma relação com um alter-ego então? Somos ambos autores, somos da mesma geração, nascemos nos anos 1980. Para mim, ainda é difícil, talvez ainda tenha de aprimorar minha escrita para conseguir escrever na primeira pessoa sobre um personagem muito distinto de mim, uma mulher idosa, vamos supor, e fazê-lo crível. Sei que ao escrever na primeira pessoa sobre um homem que nasceu nos anos 1980 me faz ser mais real porque é o que sou.

Em uma entrevista à The New Yorker, você afirma que a literatura francesa é chata. Por quê? É engraçado porque tive uma conversa com a repórter da revista fora do contexto do que foi publicado depois. O que eu quis dizer foi outra coisa. Aqui no Brasil, vejo que as editoras de livros estão a todo vapor. Na Europa, o mercado editorial vai mal e isso é preocupante. Minha questão é sobre como podemos fazer as pessoas lerem mais. Temos de mostrar às pessoas que ler pode ser divertido, prazeroso. Como podemos fazer isso se sempre dizemos a elas que diversão não combina com literatura, que é proibido se entreter lendo um livro. A literatura francesa passa essa imagem de que não se pode ter diversão durante a leitura porque a literatura é algo sério. Claro que é algo sério, mas também pode se trazer algum entretenimento. Falta história na literatura francesa e o resultado é que o cinema tirou os leitores dos livros. Com isso, as livrarias estão sendo fechadas, o mercado editorial está morrendo. É um desastre.

Li também que você considera um elogio e não uma crítica quando alguém diz que seu livro é do tipo que se lê rápido. Um page-turner (virador de página, em tradução literal). Quando o livro foi lançado na edição em francês, a primeira crítica que tive foi algo do tipo “ah, esse livro é um page-turner”. Perguntei a mim mesmo para que serviria um livro que não tivesse as páginas viradas pelos leitores? Então é isso: se ninguém ler significa que é um bom livro? E é o que estávamos falando antes: para a literatura francesa, um livro agradável, que o leitor queira ler rapidamente, é algo ruim. Isso é preocupante e é uma péssima mensagem enviada aos jovens, aos estudantes. Como vamos fazer os jovens lerem mais se damos a eles livros que eles não gostam de ler? Se eles perceberem que podem se divertir lendo, lerão mais e vão começar a perceber o que gostam e escolher o tipo de livro que querem.  Eles lerão livros de mistério, suspense, mas também chegarão aos clássicos como Melville e vão gostar de Moby Dick e assim vão ler outros autores.

Go to Top