Contando e Cantando (Volume 2)

Posts tagged ficção

Literatura fantástica brasileira é redescoberta em dois livros

0

Cena do filme ‘Uma História de Amor e Fúria’ (2013), animação de Luiz Bolognesi Foto: Europa Filmes

Principais editoras do País voltam os olhos para fantasia, ficção científica e horror, enquanto editoras especializadas falam sobre crescimento do gênero

André Cáceres, no Estadão

Dentro da literatura brasileira existe uma outra literatura subterrânea, invisível. Nela, autoras e autores radicalmente inventivos na forma e no conteúdo destilam ideias vertiginosas. Por décadas desprezada pela crítica, ofuscada pelo mercado e ignorada pelo público, a ficção especulativa nacional vem sendo (re)descoberta. Dois lançamentos recentes contribuem para isso: a coletânea Fractais Tropicais (Sesi-SP) reúne 30 dos melhores contos de ficção científica no Brasil; e o estudo Fantástico Brasileiro (Arte e Letra) perpassa a história da literatura nacional pinçando elementos fantásticos na obra dos principais autores.

O intelectual israelense Yuval Noah Harari, autor de Sapiens e Homo Deus, acredita que hoje a ficção científica é o mais relevante gênero artístico existente, pois “molda a compreensão do público de coisas como inteligência artificial e biotecnologia, que provavelmente transformarão nossas vidas e a sociedade mais do que qualquer outra coisa nas próximas décadas”. Talvez isso explique por que Ana Maria Gonçalves se interessou pelo estilo. A autora de Um Defeito de Cor – lançado em 2006, foi considerado por Millôr Fernandes o mais importante livro da literatura brasileira no século 21 – ambienta seu próximo livro, Quem é Josenildo?, em uma São Paulo futurista cujos habitantes têm chips implantados em seus cérebros.

Ao se aventurar pelo estilo, Gonçalves entra em uma longa tradição que é apresentada didaticamente na coletânea Fractais Tropicais, organizada por Nelson de Oliveira em três “ondas” de autores. Essa divisão foi cunhada por Roberto de Sousa Causo, escritor e pesquisador do gênero, que também tem um conto na antologia. A primeira fase surgiu nos anos 1960 pelas mãos do editor Gumercindo Rocha Dorea, 94, pioneiro na publicação sistemática do gênero no Brasil. Nela se encaixam a acadêmica da ABL Dinah Silveira de Queiróz (1911-1982), autora de Eles Herdarão a Terra (1960), e André Carneiro (1922-2014), autor, entre outros de Piscina Livre (1980) e Amorquia (1991).

A segunda e terceira ondas despontaram à margem do mercado editorial. Uma com as fanzines dos anos 1980 e a outra, ainda em expansão, pela internet. Ambos os períodos se confundem, pois vários autores continuam produzindo intensamente, como Carlos Orsi, Gerson Lodi-Ribeiro e Braulio Tavares, todos contemplados na antologia. Enquanto alguns autores como Tavares, Causo e Jorge Luiz Calife se mantêm em um registro que prima pelo rigor científico, outros nomes como Fausto Fawcett, Ronaldo Bressane e Andréa Del Fuego transitaram durante a carreira pela literatura mainstream e injetam influências diversas no gênero.

A obra demonstra que a literatura especulativa brasileira, diferente da estrangeira, tem um pé no absurdo surrealista de Murilo Rubião, José J. Veiga e Campos de Carvalho, nas maquinações fantásticas de argentinos como Jorge Luis Borges (o conto Metanfetaedro, de Alliah, brinca com a geometria de uma forma inventiva que lembra as ficções de Borges) e Adolfo Bioy Casares, e no realismo mágico de Gabriel García Márquez. A mistura é singular, sem paralelos na literatura mundial.

Insólito literário

Fantástico Brasileiro não se limita à ficção científica, mas amplia seu escopo para a fantasia, o horror e outras categorias especulativas. Para empreender tal investigação, Bruno Anselmi Matangrano, doutorando em letras pela USP, e Eneias Tavares, professor de literatura na UFSM, utilizam o conceito de “insólito”. Essa ideia, proposta pelo professor da UFRJ Flavio García, é um guarda-chuva que abarca desde o inseto monstruoso de Franz Kafka, a cegueira coletiva de José Saramago e o defunto-autor de Machado de Assis até dragões, robôs, fantasmas e sociedades distópicas.

O conto que inaugurou o elemento insólito na literatura brasileira é Um Sonho (1838), do político, jornalista e escritor Justiniano José da Rocha (1812-1863). Nele, a protagonista Teodora recebe a visita fantasmagórica de sua mãe morta, Tereza, que antevê sua morte em três dias. A aparição é tida como onírica pela mulher, mas três dias depois ela de fato morre. Já o luso-brasileiro Augusto Emílio Zaluar (1825-1882) foi autor da primeira ficção científica do País, intitulada Dr. Benignus (1875), que retrata “um cientista buscando a transcendência espiritual através do conhecimento científico”, contam os estudiosos. “Em outras palavras, o insólito brasileiro nasce praticamente ao mesmo tempo que a noção de literatura nacional.”

Mas o aspecto especulativo ou fantasioso não se limita aos autores identificados especificamente com esses gêneros. O mérito de Matangrano e Tavares é mostrar como esse elemento permeia toda a literatura nacional, como no modernismo de Mário de Andrade (Macunaíma) e Menotti Del Picchia (A Filha do Inca, ficção científica também conhecida como República 3000) ou no regionalismo insólito de Graciliano Ramos (A Terra dos Meninos Pelados) e Ariano Suassuna (O Auto da Compadecida). O conto Congresso Pamplanetário, de Lima Barreto, por exemplo, mostra uma reunião entre representantes de diversos planetas para discutir o papel de Júpiter na política espacial. Já Um Moço Muito Branco, de Guimarães Rosa, sugere a visita de um alienígena ao sertão nordestino.

É claro que Fantástico Brasileiro reserva a maior parte de suas páginas à catalogação de autores dedicados exclusivamente à literatura especulativa, principalmente contemporâneos como Felipe Castilho (A Ordem Vermelha) e Aline Valek (As Águas Vivas Não Sabem de Si). No entanto, outros nomes de contemporâneos pouco associados a ela também estão contemplados no livro, como Joca Reiners Terron (Noite Dentro da Noite), Ignácio de Loyola Brandão (Não Verás País Nenhum) e Chico Buarque (Fazenda Modelo), o que torna o livro interessante também para quem não conhece os gêneros em questão. Detalhando a produção nacional em uma divisão temática, a obra torna-se referência incontornável para quem quiser se aprofundar no tema.

Mercado editorial

Nos últimos anos, a ficção especulativa ganhou espaço também no mercado editorial. Grandes editoras criaram ou reformaram selos para publicar esse tipo de literatura, como a Fantástica Rocco, a Suma de Letras (da Companhia das Letras) e a Minotauro (da Planeta). “Do ponto de vista editorial, a FC brasileira vive nesta segunda década do século o seu melhor momento, com o surgimento ou a consolidação de editoras, principalmente em São Paulo, como Devir, Aleph, Draco, Tarja, Terracota, Giz”, escreve Braulio Tavares em Páginas do Futuro, coletânea que organizou para a Casa da Palavra.

A editora Bárbara Prince, da Aleph, especializada em traduções dos clássicos estrangeiros de FC, afirma que o público do gênero, embora restrito, vem crescendo especialmente entre os mais jovens. “Pode ser meio bobo, mas acho que um dos fatores para esse aumento é a normalização do nerd. O interesse por ficção científica acompanha isso. Ainda existe preconceito por parte do leitor mais velho, mas tenho visto os jovens se aproximando.” Ela acredita que o recente sucesso de obras audiovisuais como A Chegada e Black Mirror ajuda a desmistificar o estilo, mas lamenta: “Ainda existe a ideia de que esse tipo de história é infantil e exclusivamente masculina.”

Erick Sama, editor da Draco, uma das principais casas de autores nacionais, acredita que o onipresente complexo de vira-lata brasileiro vem sendo vencido aos poucos. “No começo, tínhamos uma preocupação sobre como o público reagiria, se as pessoas só se interessam pelo que tem grife estrangeira, mas foram barreiras que quebramos. Sinto que o público se importa cada vez menos se é estrangeiro ou daqui, desde que seja bom.” Em 2018, a coletânea de contos Solarpunk, organizada por Gerson Lodi-Ribeiro para a Draco, chegou a ser publicada pela World Weaver Press nos Estados Unidos, o que apenas reforça a qualidade pouco explorada dos autores brasileiros. “O retorno que recebemos é a surpresa de ‘Isso é tão bom, é nacional mesmo?’”, brinca Erick.

Victor Gomes vem consolidando a editora Morro Branco com autoras estrangeiras premiadas, como Margaret Atwood, Octavia Butler e N.K. Jemisin, mas espera que esses títulos ajudem a fomentar interesse para a literatura nacional. “Precisamos mudar a percepção do público. Temos essa pendência como um povo, não só na literatura, de pensar que o estrangeiro é melhor”, lamenta ele. “Nesse momento, estamos trazendo obras principalmente internacionais, mas nossa ideia é, por meio delas, melhorar o mercado de ficção científica aqui no Brasil e em um futuro bem próximo trazer obras nacionais desse gênero.”

Essa opinião é compartilhada por Thiago Tizzot, editor da Arte e Letra, de Curitiba, que publica autores nacionais como Fausto Fawcett e Ana Cristina Rodrigues. Ele vê no mundo virtual uma ferramenta poderosa para esse fomento. “A literatura especulativa cria universos que são propícios para o surgimento de grupos de discussão. A internet hoje permite encontrar pessoas que gostem das mesmas coisas que você. Isso faz com que esses grupos se fortaleçam e o interesse por esses livros aumente”, afirma o editor.

Thiago acredita que a recente entrada de grandes editoras nesse cenário e a evolução qualitativa das pequenas e médias torne as obras brasileiras ainda mais atraentes para o público. “Até pouco tempo atrás, o autor nacional se autopublicava ou tinha editoras que não faziam um trabalho tão profissional. A partir do momento que editoras mais consistentes deram espaço para esses autores, isso reflete na percepção do leitor.”

Enquanto essa onda de imaginação literária floresce, resta aguardar o que os autores da literatura nacional terão a dizer em um Brasil cujo cotidiano é cada vez mais surrealista.

Confira as primeiras imagens da nova série de George R.R. Martin, o criador de “A Guerra dos Tronos”

0

“Nightflyers” é uma produção de ficção científica do Syfy e que será distribuída pela Netflix.

Ricardo Farinha, no NiT

Em janeiro foi anunciado que a próxima série a contar uma história de George R.R. Martin, o escritor dos livros de “A Guerra dos Tronos”, seria “Nightflyers”. Esta terça-feira, 20 de março, foi revelado o primeiro trailer.

Não será a HBO que vai produzir, mas antes o SyFy, onde vai estrear nos EUA, em conjunto com a Netflix, que terá a distribuição internacional. No vídeo, George R.R. Martin descreve o projeto como “psicótico no espaço”. Já Jeff Buhler, o responsável por adaptar a história para televisão, disse numa entrevista à “USA Today” que seria uma espécie de “Alien” com um fantasma ou um ‘The Shining’ no espaço”.

A história não tem nada a ver com o universo dos sete reinos de Westeros. “Nightflyers” é um thriller de ficção científica publicado em 1980, e que deu origem a um filme em 1987.

O livro fala de uma expedição de oito cientistas e de um poderoso telepata que embarcam numa viagem até ao limite do sistema solar com a esperança de encontrar vida extraterrestre.

O Nightflyer é a nave espacial que, além do grupo de cientistas, leva uma pequena tripulação. Quando se desenrolam acontecimentos violentos, todos começam a questionar-se uns aos outros e a sobrevivência à viagem torna-se mais difícil do que o esperado.

O elenco inclui atores como Gretchen Mol, Eoin Macken, David Ajala, Sam Strike, Maya Eshet, Angus Sampson, Jodie Turner-Smith e Brian F. O’Byrne.

H.G. Wells prova que é possível prever o futuro em seus livros

0

Ilustração de Louisa Gagliardi no livro ‘O Dorminhoco’, de H. G. Wells Foto: Carambaia

Um dos pioneiros da ficção científica, o escritor britânico tem dois livros sendo publicados no Brasil

André Cáceres, no Estadão

Em seu romance utópico Looking Backward (1888), o escritor socialista Edward Bellamy (1850-1898) narra a aventura de Julian West, que, induzido a dormir por hipnose, acorda 113 anos mais tarde para descobrir que os Estados Unidos se transformaram em um país comunista. Embora essa previsão não pudesse estar mais equivocada, o livro foi um dos primeiros a imaginar cartões de crédito, e-commerce e streaming de músicas. Entre o final do século 19 e o início do seguinte, especialmente durante o período de otimismo cientificista da Belle Époque, muitos autores especularam sobre o futuro, como o americano Jack London, o russo Alexander Bogdanov e o francês Júlio Verne. O mais bem-sucedido nessa empreitada, entretanto, talvez tenha sido o britânico H.G. Wells, que tem dois livros futuristas inéditos no Brasil, O Dorminhoco (1910) e A Guerra no Ar (1908), sendo publicados pela editora Carambaia.

O Dorminhoco é protagonizado por Graham, um sujeito que estava há seis dias insone e, enfim, cai no sono. Ou melhor, em um transe letárgico que preserva seu corpo por 203 anos. Quando ele acorda, seu dinheiro, administrado por um conselho, cresceu tanto graças aos juros compostos que o tornou literalmente dono do mundo.

Aclamado por “multidões em escala monstruosa, massas compactas de matéria humana indistinta”, Graham desperta “mais deslocado que um cavaleiro saxão que caísse sem aviso em plena Londres do século XIX”. O cenário é a capital inglesa com 33 milhões de habitantes: a moeda é outra, os costumes mudaram (“o hábito de fumar praticamente desaparecera da face da Terra”), o idioma se transformou (“um fluxo espesso no qual boiavam cadáveres de expressões em inglês, o dialeto insidioso dos tempos modernos”), a escrita mudou. Nem mesmo os números são familiares a Graham: “O senhor viveu na época do sistema decimal”, explica um criado. “Doze dúzias dá uma grosa. Na casa do milhar, com uma dúzia de grosas, temos uma duzena. E uma dúzia de duzenas perfaz uma miríade. Não é simples?”

O esquecimento de pintores, escritores e músicos em prol dos capilostomistas – uma espécie de barbeiro elevado ao patamar de artista prestigiado – reflete o ceticismo de Wells em relação à massificação cultural, talvez até uma aversão às vanguardas: não por acaso, apenas sete anos após a publicação do livro, Duchamp chacoalharia os baluartes do mundo da arte para sempre.

O livro inspirou livremente Woody Allen em sua comédia homônima de 1973, mas oferece um tom muito mais dramático. Um exemplo disso é a questão trabalhista levantada por Wells, ainda atual após mais de um século: “a mecanização da agricultura fez um engenheiro equivaler a trinta trabalhadores”, descobre Graham quando decide conhecer a vida das camadas menos favorecidas. “As cidades maiores cresceram. Atraíram os trabalhadores com a força gravitacional de oportunidades aparentemente infinitas; já os patrões viam nelas uma força de trabalho de dimensões oceânicas.” Aliada à superpopulação, a desigualdade fez com que a vida se tornasse insuportável e até a morte se tornou um escape desejável: “a eutanásia está muito além dos recursos da maioria, pois para os pobres nem a morte é tarefa fácil”.

Wells antecipa o “cinetotelefotógrafo” – tela oval e brilhante que transmite imagens de outros lugares e se assemelha a uma janela – décadas antes da primeira emissora da TV. Mas são os aviões que realmente tomam de assalto ambos os livros. Em O Dorminhoco, há uma sequência de combates aéreos escrita antes de qualquer voo registrado (a história foi publicada originalmente no semanário The Graphic entre 1898 e 1899). A Guerra no Ar explora ainda mais a questão dos “aeroplanos”, demonstrando os prejuízos para civis envolvidos em batalhas com aviões, previsão que se concretizaria durante a 1.ª Guerra Mundial, menos de uma década após o lançamento do livro.

Leitor contumaz de H.G. Wells, Jorge Luis Borges, que confessa a influência do conto The Crystal Egg em O Aleph, afirma que os livros do autor “são os primeiros que li; serão talvez os últimos (…) hão de se incorporar na memória geral da espécie, e se multiplicarão, para além dos limites da glória de quem os escreveu, para além da morte do idioma em que foram escritos”. O escritor americano Jack Williamson, cuja tese de doutorado demonstrou que Wells não tinha nada de otimista em suas previsões, nota que o britânico, “como um biólogo, sabia que nenhuma espécie sobrevive eternamente. Ele viu que a humanidade corre risco de extinção. E explora esse perigo.”

O valor de O Dorminhoco e A Guerra no Ar não está nas previsões que acertam, como o êxodo rural, abismo entre ricos e pobres, mecanização do trabalho e perigo do combate aéreo para civis. Tampouco nas que erram, como a erradicação da calvície, fim da arte e das ferrovias. As tendências que o autor identifica são muito mais interessantes por tratarem de sua época, não de séculos adiante. O autor fala de um futuro muito distante para discutir questões perenes de seu tempo e que permanecem relevantes ainda hoje. Não surpreende que, em sua palestra The Discovery of the Future, Wells defenda ser plenamente possível, com base em evidências, investigar o futuro da mesma maneira que historiadores fazem. “Sobre o passado, eu diria que estamos inclinados a superestimar nossas certezas, assim como penso que subestimamos as certezas sobre o futuro.”

9 livros para ler antes de assistir aos filmes em 2018

0

Isabela Moreira, na Galileu

O ano de 2018 será cheio de grandes estreias no cinema. Entre remakes, reboots e continuações, estão várias adaptações de livros que foram sucesso de crítica e vendas. Separamos algumas delas para conferir antes dos longas chegarem na telona. Confira:

1 – Aniquilação, Jeff Vandermeer (Editora Intrínseca, 200 páginas, R$ 21,90)

No primeiro volume da trilogia “Comando Sul”, uma expedição de mulheres vai para a Área X, um local isolado e que contaminou os membros de missões anteriores de formas diferentes. O filme é estrelado por Natalie Portman e conta com Gina Rodriguez (Jane the Virgin) e Tessa Thompson (Thor: Ragnarok) no elenco.
Estreia: 22 de fevereiro

2 – Todo Dia, David Levithan (Editora Record, 280 páginas, R$ 31,90)

Todos os dias, A acorda no corpo de uma pessoa diferente. Até que acorda no corpo de Justin e se apaixona pela namorada dele, Rhiannon, para quem precisa explicar quem é e como sua vida funciona. O livro foi adaptado para o cinema pelo escritor Jesse Andrews, autor de Eu, Você e a Garota que Vai Morrer.
Estreia: 23 fevereiro (nos Estados Unidos)

3 – Simon vs. a Agenda Homo Sapiens, Becky Albertalli (Editora Intrínseca, 272 páginas, R$ 34,90)

O jovem Simon é gay, mas ainda não contou para ninguém, exceto por Blue, seu amigo virtual. Ele não sabe ao certo quem é Blue, só que estuda na sua escola, também é gay e que está apaixonado por ele. No filme, a melhor amiga de Simon, Leah, será interpretada por Katherine Langford, a Hannah de 13 Reasons Why.
Estreia: 12 de março

4 – Uma Dobra no Tempo, Madeleine L’Engle (Harper Collins, 240 páginas, R$ 17,90)

Quando seu pai é mantido em cativeiro em um planeta distante, a pequena Meg conta co ma ajuda do irmão, do amigo e de três viajantes espaciais para salvá-lo. As viajantes são interpretadas por Reese Witherspoon, Mindy Kaling e Oprah.
Estreia: 29 de março

5 – Jogador Nº1, Ernest Cline (LeYa, 464 páginas, R$ 44,90)

A nostalgia da década de 1980 volta com tudo em um futuro não muito distante, em que as corporações tomaram conta e a Terra ficou tão insuportável que as pessoas passam a maior parte do tempo no Oasis, um jogo de realidade virtual em que tudo é possível. Quando o criador do game morre, deixa um enigma que levará o vencedor à conquista de sua fortuna. Conta com a direção de Steven Spielberg e atuações de Tye Sheridan e Simon Pegg.
Estreia: 5 de abril

6 – A Garota na Teia de Aranha, David Lagercrantz (Companhia das Letras, 472 páginas, R$ 47,90)

No novo volume da série “Millennium”, criada por Stieg Larsson, Lisbeth Salander se envolve em um complô se segurança virtual. A personagem, que já foi vivida pelas atrizes Noomi Rapace e Rooney Mara, é interpretada por Claire Foy, do drama The Crown.
Estreia: 19 de outubro (nos Estados Unidos)

7 – Cadê Você, Bernadette?, Marie Semple (Companhia das Letras, 376 páginas, R$ 57,90)

Bernadette Fox é um tanto quanto peculiar: mãe e esposa, ela odeia a cidade americana de Seattle, onde mora, e mal sai de casa. Um dia, ela desaparece. Sua filha, Bee, reúne todas as evidências possíveis para encontrá-la. No filme dirigido por Richard Linklater (Escola de Rock e Boyhood), a personagem principal ganhará vida por meio de Cate Blanchett.
Estreia: Não definido

8 – Dumplin, Julie Murphy (Editora Valentina, 336 páginas, R$ 23,90)

Willowdean, apelidada pela mãe de “Dumplin”, está longe dos padrões de estética necessários para participar e vencer do concurso de beleza de sua cidade. Ainda assim, ela se une a outras jovens da escola para entrar na competição. Produzido por Jennifer Aniston, o longa contará com trilha sonora composta por Dolly Parton.
Estreia: Não definido

9 – O Ódio que Você Semeia, Angie Thomas (Editora Record, 464 páginas, R$ 23,90)

Ao perder um amigo para a violência policial, a jovem Starr se dá conta da realidade que é ser uma pessoa negra nos Estados Unidos. Única testemunha do ocorrido, ela vive uma jornada de luto, descoberta e racismo. O filme contará com os veteranos Regine Hall e Anthony Mackie e o rapper Common no elenco.
Estreia: Não definido

‘Blade Runner’: Por que a obra de Philip K. Dick continua atual 50 anos depois

0
Divulgação Após 30 anos, Harrison Ford volta a Blade Runner como o (agora ex) caçador de androides Deckard.

Divulgação
Após 30 anos, Harrison Ford volta a Blade Runner como o (agora ex) caçador de androides Deckard.

 

Autor de ficção científica criou um futuro no qual ninguém gostaria de viver — e parece não estar muito distante dos dias de hoje.

Caio Delcoli, no HuffpostBrasil

Faz pouco tempo que a série O Conto da Aia, da plataforma de streaming Hulu, deixou incontáveis espectadores perplexos com o futuro distópico no qual a história se ambienta. Baseada no icônico romance de Margaret Atwood, a série mostra as mais variadas formas de opressão que as mulheres sofrem cotidianamente sob o poder de um governo autoritário, militarizado e teocrático.

O seriado veio na esteira do aumento da demanda por narrativas distópicas — O Conto da Aia, lançado há mais de 30 anos, voltou a ser bestseller com 1984, história futurista de George Orwell lançada em 1949. No último dia 5, a série Blade Runner juntou-se a esse cenário ao voltar aos cinemas com um futuro neo-noir e chuvoso que também passa longe de ser um lugar bacana para se viver.

 Divulgação/Sony Ryan Gosling (à direita) e Ana de Armas protagonizam Blade Runner 2049, o novo filme da franquia.

Divulgação/Sony
Ryan Gosling (à direita) e Ana de Armas protagonizam Blade Runner 2049, o novo filme da franquia.

Blade Runner 2049, dirigido por Denis Villeneuve (A Chegada), é a sequência do filme de Ridley Scott lançado em 1982, um clássico cult de ficção científica baseado em Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, filosófico livro do norte-americano Philip K. Dick (1928–1982).

Lançado em 1968 — mesmo ano que chegou aos cinemas 2001: Uma Odisseia no Espaço e O Planeta dos Macacos, e o mundo vivia um agudo momento político —, o romance de Dick mostra uma sociedade ultra-tecnológica em meio à destruição causada por uma guerra nuclear de escala global.

“É uma preocupação comum da ficção científica do século 20. Hoje a gente está mais focado em distopias políticas, mas na época da Guerra Fria, as pessoas estavam muito preocupadas com a bomba atômica”, analisa Bárbara Prince, editora do livro da Aleph, em entrevista ao HuffPost Brasil. A editora lança neste mês uma edição comemorativa de 50 anos do livro.

Prince diz que obras como O Conto da Aia refletem a atual discussão sobre lugar de fala na sociedade, ditaduras e fundamentalismos; o romance de Dick, por sua vez, reflete um risco que voltou a ser atual com os frequentes testes nucleares da Coreia do Norte e a troca de ameaças bélicas entre o país e os Estados Unidos. “A qualquer momento alguém pode explodir tudo.”

Ao lado de Black Mirror (Netflix), Blade Runner é a única distopia tecnológica que ainda nos congela a espinha.

Divulgação/Sony Em Blade Runner, as mulheres também não recebem o melhor dos tratamentos.

Divulgação/Sony
Em Blade Runner, as mulheres também não recebem o melhor dos tratamentos.

Entretanto, a discussão sobre lugar de fala também está presente no universo de Blade Runner — e, segundo a editora, este é outro motivo que faz a obra ainda ser atual.

Na história concebida por Dick, a Terra tornou-se uma grande periferia. Após o desastre nuclear, quem podia pagar foi viver em colônias em outros planetas; quem ficou para trás não tinha dinheiro ou foi barrado por não ter posição social.

Os androides, chamados de “replicantes”, servem como escravos aos humanos que vivem nas colônias. No entanto, esses robôs também têm capacidade de refletir e sentir — além de serem assustadoramente semelhantes aos humanos —, e se rebelam. Muitos matam seus patrões, fogem para a Terra e unem-se em grupos que clamam por espaço na sociedade. Para muitos humanos, eles são seres repugnantes. A abordagem que Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? faz de religião e animais também ajudam a compor o tecido de comentário social feito pelo autor.

Outro tema que também dá a Blade Runner um lugar especial na ficção científica é o questionamento do que é real ou não. A partir do filme de 1982, por exemplo, iniciou-se a discussão a respeito da origem do personagem de Harrison Ford, o caçador de androides Rick Deckard. Ele é ou não é um replicante? Trata-se de um intenso debate entre os fãs — e também de um reflexo das paranoias de Philip K. Dick.

Em uma convenção de ficção científica na França em 1977, Dick sentou-se à mesa diante do público, deu alguns tapinhas no microfone para testa-lo e anunciou: “Estamos vivendo em uma realidade programada por computadores. A única pista que temos disso é quando alguma variável é mudada e acontece alguma alteração em nossa realidade”.

Divulgação Philip K. Dick está em alta: Blade Runner volta aos cinemas e uma nova série estreia em 2018.

Divulgação
Philip K. Dick está em alta: Blade Runner volta aos cinemas e uma nova série estreia em 2018.

O autor referia-se à sensação de déjà vu. Ou apenas nos deu mais um exemplo da grave paranoia que lhe acometia.

“Dick tinha problemas psiquiátricos, usava dezenas anfetaminas por semana e escrevia nelas, Ele dizia que tinha experiências espirituais e, em uma delas, viu Deus”, conta Prince. “Em todos os livros dele há a questão do que é real, do que é estar vivo, se a gente está mesmo vivo.”

“A vida toda ele teve esse tipo de transtorno. Não se sabe se era apenas psiquiátrico, ou as drogas, ou tudo isso misturado, mas era um questionamento que o autor colocou na obra dele.”

Enquanto há dúvida a respeito da origem de Deckard, uma certeza em Blade Runner é a marca da misoginia típica de Dick.

No novo longa-metragem, o androide K. (Ryan Gosling) vagueia por uma Los Angeles que transborda publicidade — lá, o capitalismo venceu de goleada — e uma delas é o gigantesco holograma de Joi (Ana de Armas) completamente nua; ela é uma inteligência artificial que faz companhia a homens. Não há sinal de homens que também sejam hologramas para sexo ou comercializem sexo de maneira fria e objetiva, como a prostituta Mariette (Mackenzie Davis).

“Dick tinha muito problema com mulher. Foi casado seis ou sete vezes e há várias histórias de relacionamento abusivo com as esposas dele. Em toda obra dele, a representatividade feminina é péssima”, defende a editora. “A mulher está lá para ser uma coitada, ou muito burra e fazer alguma merda, ou ser um objeto sexual.”

“O homem está nos livros dele para ser um herói e participar da história, mas com a mulher é outra história. Se ele puder escrever sobre o decote dela, ele escreve.”

2049

Trinta anos após os acontecimentos de Blade Runner, o Caçador de Androides, o replicante K., membro do departamento de polícia de LA, recebe a tarefa de investigar um movimento que liberta outros androides. Ele encontra uma caixa com os restos mortais de uma replicante que estava grávida — algo até então considerado impossível. O segredo pode mudar absolutamente tudo.

Além de Gosling, de Armas, Davis e Ford, também estão no elenco Robin Wright, Jared Leto, Sylvia Hoeks, Carla Juri e Dave Bautista. O roteiro é de Michael Green (da série American Gods) e Hampton Fancher (do filme de Ridley Scott); o enredo foi concebido por Fancher, que usou personagens do romance de Dick.

Os curta-metragens 2036: Nexus Dawn, 2048: Nowhere to Run e Blade Runner Black Out 2022 — um anime de Shinichirō Watanabe — complementam a experiência.

A obra de Dick está viva e em boa fase de adaptações. A plataforma de streaming da Amazon lançará em 2018 a terceira temporada da bem-sucedida The Man in the High Castle, distopia que imagina o que seriam os Estados Unidos dos anos 1960 caso o Terceiro Reich tivesse vencido a II Guerra Mundial. Frank Spotnitz (Arquivo X) é o criador.

Go to Top