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Concurso Cultural Literário (6)

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meu amigo jesus

Nikolaj tem apenas 13 anos quando perde os pais em um acidente de carro na Dinamarca, ficando aos cuidados de sua irmã, Sis, sete anos mais velha. Com o tempo, o pesado fardo de tomar conta do irmão problemático fica insuportável, mas ele, mesmo já adulto, não consegue suportar a ideia de perder a proteção da irmã. E vai a extremos para chamar sua atenção, colocando em perigo a própria vida e a de quem está à sua volta.

Filhos da maior estrela de rock do país, amada por milhares de fãs, eles recebem uma grande herança, que os deixa ricos. Mas o dinheiro nunca compensará a enorme dor da perda. Um dia, abalado, chega em casa e encontra um desconhecido sentado no sofá. É um motociclista corpulento e barbudo, que parece imune às ameaças de Nikolaj. Diz se chamar Jesus Cristo e o aconselha a limpar seu passado e a ajudar algumas pessoas para que tenha uma vida melhor. Curiosamente, mesmo sem saber quem é aquele estranho, no auge do desespero o jovem acaba aceitando sua ajuda e suas orientações incomuns. E as consequências são surpreendentes…

Uma inusitada tragicomédia sobre confiança e amizade, e sobre como as ações individuais ditam a vida de quem nos cerca. Arrebatador.
Financial Times

Um livro de estreia engraçado, destemido, absurdo, caótico, mas que é, por mais estranho que pareça, uma afirmação da vida. Uma obra surpreendente.
The Guardian

Husum explora uma ideia, já fora de moda, de aceitar o que outra pessoa quer que você faça. E mostra como isso, em uma época de individualismo, talvez seja a melhor coisa que alguém possa fazer.
Herald Tribune

Uma história frenética, num clima para lá de bizarro e repleta de humor negro.
Big Issue

Uma narrativa efervescente, de estilo despojado, e centrada em personagens que são às vezes chocantes e muitas vezes sinistros, mas de um jeito bem engraçado.

Mais um concurso cultural para quem curte ler bons livros.

É bem simples participar: descreva em no máximo duas linhas qual a característica de Jesus Cristo que o mundo mais precisa atualmente.

O resultado será divulgado no dia 30/8 às 17h30 aqui no post e no perfil do twitter @livrosepessoas.

Boa sorte? 🙂

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Parabéns aos ganhadores: Taiza A. B. Silva, Ronara e Márcio Trevisan

As 6 melhores e piores formas de instigar os seus alunos

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Há muitas teorias de o que funciona e o que não funciona nas salas de aulas. A seguir, saiba o que realmente ajuda os seus alunos

Publicado por Universia Brasil

Crédito: Shutterstock.com

Crédito: Shutterstock.com

Fazer trabalhos em grupo não é garantia de sucesso

John Hattie, professor da Visible Learning, reuniu mais de 5.000 estudos sobre estudantes e os estímulos que os professores costumam dar a eles. Hattie chegou à conclusão de que nem tudo que parece funcionar realmente funciona. A seguir, veja o que pode estimular os seus alunos de verdade e o que é somente perda de tempo:

O que funciona

1 – Credibilidade do professor
Alunos que acreditam na capacidade do professor ficam mais dispostos a aprender. Portanto, demonstre a sua competência e também deixe claro que você está aberto a críticas construtivas.

2 – Feedback
Dar feedbacks honestos e pessoais aos seus alunos dá a sensação de que você realmente se preocupa com o desenvolvimento deles. Faça tanto elogios quanto críticas. Procure o timing perfeito para o aluno receber o feedback da melhor forma possível.

3 – Respeite a visão do aluno
Se o aluno acha que a nota foi injusta, escute e tente entender o lado dele. Muitas vezes, o estudante cria uma expectativa muito alta e a decepção o desestimula para estudar mais vezes. Se ele realmente errou, explique o erro e mostre como na próxima vez ele pode se dar bem.

4 – Lidar bem com a sala
Professores que demonstram confiança para lidar com os alunos criam um ambiente confortável para todos. Seja rápido ao solucionar problemas em potencial, mas sem ser duro demais.

5 – Vida pessoal
A vida pessoal tem um impacto muito grande na vida dos estudantes. Não menospreze os problemas pessoais dos seus alunos, e tente ajudar na medida do possível. Em reunião de pais, estimule-os a ajudar seus filhos nas lições de casa e motivá-los a ir à escola. Motivação vinda de casa tem um efeito muito positivo.

6 – Aprendizagem cooperativa
Estudantes aprendem muito melhor quando estudam juntos. Esse tipo de estudo também os estimula a interagir com os outros alunos e a solucionar problemas de forma mais fácil.

O que não funciona

1 – Lição de casa
Lições de casa, no geral, não estimulam os alunos a estudar mais. Tente encontrar outras formas de que o estudante reveja o conteúdo em casa, como filmes ou livros paradidáticos.

2 – O tamanho da classe
Muitos dizem que classes pequenas facilitam o ensino, mas isso não é verdade. O aprendizado depende quase que exclusivamente do professor, e não do tamanho da sala.

3 – Programas extracurriculares
Atividades extracurriculares não estimulam os alunos, ao contrário: deixa-os mais cansados. Ao invés de obrigar os alunos a fazer educação física, deixe um tempo livre para eles irem à biblioteca, ou mesmo conversar com os amigos. Dessa forma, eles decidem qual é a melhor forma de relaxar o cérebro.

4 – Gênero
Muitas escolas acreditam que alunos de sexos diferentes têm jeitos diferentes de aprender, mas isso não é verdade. Foi comprovado que tanto homens quanto mulheres conseguem absorver o mesmo tipo de informação, com a mesma velocidade e facilidade.

5 – Aulas em locais abertos
Não há nenhuma melhora visível entre alunos que tiveram aulas em locais abertos e fechados. Os resultados das avaliações foram basicamente os mesmos, e as diferenças não foram baseadas pelo local da classe.

6 – Trabalho em grupo
Fazer trabalhos em grupo não é garantia de sucesso. Se for muito importante que o aluno realmente entenda aquele assunto, é melhor pedir um trabalho por pessoa.

Holanda vai inaugurar escolas Steve Jobs

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iPads serão a principal ferramenta de aprendizado em instituições de ensino personalizado

Publicado por Último Segundo

Olhando os dedos de Daphne, 4, correr com tanta destreza sobre as telas de tablets e smartphones, é quase impossível não perguntar: onde será que ela aprendeu tudo isso? A menina usa esses aparelhinhos desde um ano e meio de idade, sem nunca ter recebido instruções específicas para tal (veja vídeo abaixo). “O que me surpreendeu não foi ela conseguir usar o iPad, mas ela mostrar algumas habilidades que eu não sabia que crianças dessa idade tinham”, brinca o holandês Maurice de Hond, pai de Daphne, comentarista político desde a década de 1970 e especialista em tecnologias conhecido em seu país.

Na intenção de prover a melhor educação possível para a menina, conversou com o responsável pela educação de Amsterdã e recebeu a proposta de formatar escolas que fossem mais adequadas às novas gerações. No mês que vem, Hond e sua equipe inauguram duas Steve Jobs Schools e outras nove já existentes começam a usar o conceito de introduzir iPads como principal ferramenta do aprendizado.

“Já estava pouco satisfeito com a forma pela qual as escolas na Holanda estavam lidando com o desenvolvimento tecnológico e agora [com a filha mais nova] eu via uma nova geração que já era digitalmente hábil antes de ter que ir à escola”, disse Hond. Pai de cinco filhos, o incômodo do holandês com o sistema educacional atual reuniu, portanto, insatisfações pessoais com um know-how que acumulou ao longo de sua vida: Hond aprendeu a programar ainda em 1965, quando era muito raro alguém se interessar por tecnologias digitais, foi pioneiro no lançamento de empresas que se apoiavam nos recursos digitais e, em 1995, escreveu o livro “Thanks to the Speed of Light” (obra não traduzida para o português), que o fez se tornar uma espécie de guru da internet.

Hond conta que, antes de Daphne, havia tido uma experiência muito diferente com cada um de seus quatro filhos. Dois haviam se saído muito bem nos estudos, enquanto os outros dois haviam tido muita dificuldade. “Na época, eu achava que isso se devia às características de cada um. Mais tarde, eu percebi que eles tinham muitas habilidades sofisticadas que não se encaixavam no sistema escolar tradicional, mas que eram muito importantes para suas carreiras. Então eu entendi que o problema não era que meus filhos não fossem bons na escola, mas o sistema escolar não era bom para as qualidades únicas dos meus filhos”, disse o especialista em tecnologia. Ao observar a mais nova e o tanto que ela já sabia antes mesmo de entrar na escola, decidiu-se: “Minha conclusão foi que eu não queria levar minha filha para uma dessas escolas”.

Foi então que começou o desafio de pensar modelos de escola física e pedagogicamente mais adequados ao mundo de hoje. Reuniu uma equipe com experiência em educação e colocou às mãos à obra. “Nós desenvolvemos um conceito de escola baseado no fato de que os iPads existem”, diz ele. Assim, nas suas escolas, que atenderão crianças de 4 a 12 anos, todos os alunos terão um desses dispositivos à disposição. As crianças não serão divididas por séries, mas em dois grandes grupos por idade: um de 4 a 7 anos, outro de 8 a 12. “Dentro desses grupos etários, haverá subgrupos com cerca de 25 crianças cada e um professor/tutor. Teremos momentos em que esses grupos estarão juntos fisicamente na escola, mas em outros as crianças estarão em algum lugar do prédio trabalhando em seus iPads ou em alguma sala ou ateliê específico”, explica.

Tommy Klumker Nome das escolas são homenagem a homem que “mudou o mundo ao combinar tecnologia e criatividade”, segundo criador Maurice de Hond

Tommy Klumker
Nome das escolas são homenagem a homem que “mudou o mundo ao combinar tecnologia e criatividade”, segundo criador Maurice de Hond

Como os alunos se reunirão em grupos, mas também ficarão muito tempo desenvolvendo projetos e atividades sozinhos, o horário é bem flexível. Todos devem estar na escola no período das 11h às 15h, mas o prédio estará aberto e funcionando das 7h30 às 18h30 para que os alunos possam fazer outras atividades em grupos menores ou trabalhos específicos antes ou depois do horário principal. “A escola virtual não fecha nunca”, completa ele destacando que o iPad permite que as atividades pedagógicas prossigam de casa ou qualquer lugar fora da escola.

“O iPad é uma ferramenta perfeita para a personalização do ensino. Com ele, as crianças conseguem se desenvolver fora da zona de conforto do professor e também sem as limitações de ter que respeitar a velocidade ou o nível do aprendizado de outros colegas de turma”, afirma Hond. Para personalizar o ensino, as escolas vão optar por tipos de aula muito diferentes das tradicionais, divididas por disciplinas. “É claro que existem alguns componentes básicos, que são conectados com as línguas holandesa e inglesa (para alunos mais velhos), cálculo e conhecimentos gerais. Mas isso também será ensinado por ferramentas mais modernas (…), como aplicativos”, completa ele.

Outra abordagem que será muito utilizada, detalha o especialista, é a de aprendizagem com base em projetos. “Você pode ter um projeto sobre um copo de café que inclua componentes de geografia, história, química, biologia e mais. Ao fazer esses projetos – para os quais desenvolvemos um app de gestão que permite a comunicação entre os alunos, os professores e os pais – cada estudante aprende muito mais”, defende.

O iPad é uma ferramenta perfeita para a personalização do ensino. Com ele, as crianças conseguem se desenvolver fora da zona de conforto do professor e também sem as limitações de ter que respeitar a velocidade ou o nível do aprendizado de outros colegas de turma.

E para saber o quanto cada aluno avançou e estabelecer metas para o período seguinte, uma conversa entre professor, aluno e pais está prevista para cada cinco ou seis semanas. Isso fica facilitado porque tudo o que os alunos produzem fica registrado em portfólios digitais acessíveis a pais e professores. Também por um programa desenvolvido pela equipe de Hond, o iDesk Learning Tracker, ficam acessíveis as atividades que os alunos realizam nos aplicativos e seus desempenhos com relação ao grupo. “Nós queremos que os alunos usem os iPads também para registrar coisas que saibam ou aprenderem durante os projetos em várias formas, como vídeos, áudios, foto, e-book, mindmap, animações. Achamos que isso é um valor agregado novo e revolucionário que os tablets trouxeram e que realmente vão fazer a diferença”, avalia.

Mas para que os alunos tenham acesso a uma educação tão diferente, um fator tem sido muito importante: o preparo do corpo docente. “Os professores que estão participando estão cientes das mudanças. Nós oferecemos treinamento e formamos uma comunidade de cerca de 100 professores que vão trocar experiências e ajudar uns aos outros. Mas, claro, parte desse caminho ainda é desconhecido”, pondera Hond, que diz vir repetindo aos educadores: “confie nas crianças”, “não queira assumir o controle de tudo” ou ainda “permita que as crianças te surpreendam” para mudar o paradigma atual. “Hoje a criança só aprende o que os professores podem ensinar. Se ela tem talentos fora do escopo do professor, não se pode fazer nada com essa habilidade dentro da escola”.

Duas escolas Steve Jobs abrem agora em agosto. O nome, afirma Hond, é para lembrar o homem que “mudou o mundo ao combinar tecnologia e criatividade” – homenagear pessoas célebres com nomes em escolas é um hábito na Holanda. Outras nove escolas que gostaram da proposta também iniciam o próximo semestre adotando o modelo. Na Holanda, as cerca de 7.000 escolas que atendem à faixa etária dos 4 aos 12 anos são relativamente livres para implementar seus projetos pedagógicos, desde que cumpram as exigências de qualidade do governo e mantenham uma média pré-determinada de alunos por professor. O governo subsidia a manutenção do aluno nessas escolas com cerca de 5.500 euros por ano.

Saiba como agir quando o jovem não quer fazer faculdade

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Alternativas como cursos de ensino médio profissionalizante e cursos técnicos devem ser consideradas

Alternativas como cursos de ensino médio profissionalizante e cursos técnicos devem ser consideradas

Catarina Arimatéia, no UOL

“O que você vai ser quando crescer?” é uma das perguntas mais frequentes que as crianças escutam dos adultos em geral. Nem sempre a resposta é óbvia. Se há aqueles que sempre souberam que seriam médicos, engenheiros ou advogados, há também os que demoram a se encontrar profissionalmente. Ou que simplesmente não querem fazer faculdade, deixando os pais sem saber como agir.

“Hoje, a felicidade passa pela autonomia pessoal, profissional e financeira. Para que isso ocorra, é preciso ter um conhecimento especializado e cabe à família deixar clara essa importância”, afirma Neide Noffs, diretora da Faculdade de Educação da PUC de São Paulo.

Infância prolongada
Muitas vezes, os pais são os principais responsáveis pela demora dos filhos em decidir o destino profissional. “Ao contrário do que ocorre em muitos países, nossa cultura está prolongando a infância, o que faz com que a criança entre na adolescência de uma forma bem diferente do que ocorre no Japão ou nos Estados Unidos, por exemplo”, afirma Neide. Ela explica que nesses países o jovem tem condições de administrar boa parte de sua vida, o que não tem acontecido aqui.

O que se observa é um efeito cascata em que a adolescência e a vida adulta são empurradas para mais adiante. Resultado: os estudos profissionalizantes e o trabalho ficam para depois.

Incentivo
No processo de amadurecimento dos filhos, os pais têm o importante papel de incentivar. “Os adultos devem defender o valor do aprendizado e mostrar que o estudo pode ser encarado de maneira leve e como parte natural do processo de crescimento de cada um”, diz Cristiane Moraes Pertusi, doutora em psicologia do desenvolvimento humano pela USP. Cristiane ressalta que essa filosofia deve ser adotada pelos pais desde a mais tenra idade das crianças.

Segundo Cristiane, a maneira como os filhos encaram os estudos na adolescência é reflexo de como os pais vêm lidando com a questão desde a infância. “Se a trajetória em relação ao estudo foi de conflitos, brigas, imposições e pressões, será mais difícil mudar esse padrão na adolescência, exigindo um maior esforço e mais dedicação dos pais nessa fase.”

Formas de estudar
Também é preciso deixar claro que a escolha profissional é sempre uma decisão do filho. Muitas vezes, o jovem não quer cursar faculdade, mas se interessa por um curso técnico.

“O importante é adquirir o conhecimento, seja por meio do ensino superior ou não. Há muitos cursos superiores de péssima qualidade, formando profissionais que ou não conseguem emprego ou não são capazes de se manterem nele”, afirma Neide Noff.

Alternativas como cursos de ensino médio profissionalizante e técnicos devem ser consideradas pelos adultos como forma de o jovem buscar um caminho profissional.

“Os jovens precisam vivenciar algum tipo de atividade para perceberem seus gostos e preferências”, diz Cristiane Moraes Pertusi. O curso técnico pode ser um caminho inicial para a confirmação, com mais certeza, de uma profissão. Além disso, pode também trazer um resultado profissional mais rápido e prático –e esse é um fator que pode incentivar o jovem a continuar seus estudos.

Só trabalho
Há também casos em que o adolescente não quer mais estudar e, sim, apenas trabalhar. Nessas situações, o diálogo entre pais e filhos deve prevalecer. “Proibir não é a solução”, diz Cristiane. O que deve ser feito é conversar, negociar e tentar entender a razão de tal decisão.

Ao mesmo tempo, os pais devem mostrar a importância da formação. E se o filho insistir em trabalhar, a família pode sugerir alternativas, como trabalho temporário, de meio período ou durante as férias, que podem ser realizados sem prejudicar a dedicação aos estudos.

Nem trabalho nem estudo
Situações extremas, em que o filho não quer nem estudar nem trabalhar, devem ser tratadas com toda a atenção. “Nesse caso, é possível oferecer possibilidades como cursos ligados a hobbies, música por exemplo. Mas é importante incentivar o filho a ocupar seu tempo e a torná-lo produtivo”, afirma Cristiane.

Mas a demora em escolher uma profissão nem sempre deve ser um fator de preocupação para os pais. “Em alguns casos, ela pode ser positiva, desde que o jovem esteja dando um tempo para saber o que realmente quer fazer”, declara a psicóloga Regiane Machado.

“Pode ser apenas uma fase, talvez o jovem esteja sem saber o que estudar. Se estiver trabalhando, com a própria atividade, ele pode descobrir habilidades e buscar cursos relacionados”, fala Regiane.

A preocupação é inevitável, mas é preciso tomar cuidado com os exageros de cobrança e a imposição de achar que o filho tem de fazer o que os adultos querem.

“Há muitos jovens que se sentem obrigados a decidir rapidamente o que fazer e acabam optando por um curso só para agradar aos pais ou por pressão de amigos. E aí acabam não terminando a faculdade escolhida”, fala a especialista.

Ajuda especializada
A psicoterapeuta familiar Miriam Barros vai além. “Como afirmava Freud, o que define a saúde psíquica de uma pessoa é a sua capacidade de amar e de trabalhar. Portanto, ficar sem produzir não é uma boa opção para a psique se manter saudável. Se o jovem não trabalha e não estuda, como irá ocupar seu tempo? Acho que isso não deve ser aceito pelos pais. Precisa ser negociado e conversado. E, se for o caso, os adultos devem buscar ajuda psicológica para o filho. Esse desinteresse pela vida pode ser sinal de depressão.”

Quando o caso mais parece de acomodação, os pais precisam colocar limites. A saída pode ser suprir as necessidades básicas do jovem, como alimentação e moradia, mas não regalias, como passeios e carro próprio.

Ao mesmo tempo, é imprescindível procurar ajuda de profissionais, principalmente aqueles especializados em orientação vocacional.

Gilberto Gil elege os livros prediletos de sua biblioteca

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Gil listou os livros mais importantes de sua formação como homem e artista Fábio Seixo / Agência O Globo

 

Publicado no jornal O Globo

Todos os livros de Gilberto Gil têm vista para o mar. Na sua casa, os volumes estão reunidos em três estantes: uma ocupa uma parede inteira da sala de estar, outra fica na sala de jantar, e a terceira, na sala de TV, todas bem em frente à praia de São Conrado. São centenas deles. Os livros sobre música ficam ao lado dos que tratam de arte barroca; os de religião estão escorados por um “Dicionário gonzagueiro”. Há livros sobre o Rio de Janeiro, a Bahia, o Brasil, e há um chamado “69 lugares para amar”, uma espécie de roteiro romântico do mundo. Há uma pilha só com enciclopédias botânicas. Roberto Carlos talvez nem desconfie, mas nas estantes do Gil estão a salvo dois exemplares da biografia não autorizada “Roberto Carlos em detalhes”, de Paulo César Araújo — cuja tiragem foi incinerada em 2007. A coleção Jorge Amado fica numa prateleira alta, sobre a cabeça de quem circula entre os ambientes, junto a outros objetos sagrados da casa, como uma imagem de São Jorge. Os livros dividem prateleiras com fotos dos filhos, DVDs e instrumentos musicais. Alguns estão com a lombada desgastada pelo uso e há muitos com o cheiro fresco da livraria.

Em meio ao agitado momento político do país, o cantor, compositor e ex-ministro da Cultura Gilberto Gil abre com um show a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o mais importante evento sobre livros e literatura no Brasil, quarta-feira. De lá, volta direto para o Rio, para o lançamento de sua biografia, “Gil bem perto” (Nova Fronteira), feita em conjunto com a jornalista Regina Zappa.

E foi nesse clima de celebração da leitura e de reflexões sobre a própria vida e o Brasil que Gil, a convite da Revista O GLOBO, listou os livros mais importantes de sua formação como homem e artista.

— Minha primeira memória com livros é da cozinha de casa, em Ituaçu (cidade natal, no interior da Bahia). Para mim, os livros eram um utensílio doméstico a mais, como as gamelas que minha avó usava. Estudar era como cozinhar. Foi assim que li Monteiro Lobato, o Tesouro da Juventude, as revistas de guerra que meu pai trazia, misturado aos perfumes da cozinha — detalha Gil, lembrando que em 1976 esta intimidade com o universo “bananada de goiaba, goiabada de marmelo” viraria a música “Sítio do Picapau Amarelo”, a trilha de abertura do seriado infantil da TV Globo. — Eu fui buscar nesta memória da infância, a maneira como eu lia Monteiro Lobato, os elementos da canção.

Da cozinha da avó, o mapa literário de Gilberto Gil segue pela biblioteca da escola, com os livros de poesia de Olavo Bilac, Gonçalves Dias e Castro Alves. Que foram influenciá-lo mais à frente, quando começou a escrever os primeiros poemas, entre 1961 e 1962 (a ultrarromântica “Triste serenata” é uma música originada de um poema dessa época).

— Descobri a poesia estudando português na escola. A poesia era uma categoria importante na vivência da língua. Lendo poesia, você percebe o que mais te atrai, o que mais te surpreende como articulação frasística, como capturação de originalidade. Meus primeiros exercícios de poesia estão impregnados de Olavo Bilac.

Aos nove anos, foi estudar em Salvador, e o mar passou a fazer parte da sua rotina. Foi quando “Capitães de areia” caiu nas suas mãos:

— Foi um magnetismo, a realidade da praia, as negras mercando acarajé, os pescadores. Havia um mundo narrativo sobre essas pessoas organizado em dramaturgias próprias… E era Jorge Amado.

Foi na universidade que os livros começaram a pesar nas costas. Gil estudou Administração de Empresas, e a formação humanística do curso o levou a descobrir o historiador Caio Prado Jr, o sociólogo Florestan Fernandes. Começou a questionar o Brasil e os brasileiros. A perceber as “assimetrias”, como diz, entre as gentes. Até que tomou emprestado na biblioteca da universidade um livro de capa alvinegra. “O capital”, de Karl Marx.

São 14h30m de uma quarta-feira, 19 de junho, aniversário de Chico Buarque, na semana em que as manifestações pelo país ganham corpo. Gil ainda não almoçou, que ver o jogo do Brasil x México, às 16h, pela Copa das Confederações. No dia seguinte viajaria cedo para a Paraíba, onde começaria uma turnê de shows juninos. Pouco antes da entrevista, finalizou uma música nova para a nora, a cantora Ana Cláudia Lomelino, mulher do filho Bem Gil. Está na sala de casa, deixa-se rabiscar para as fotos (escolhe um poema de Pablo Neruda). Usa sandálias que parecem tão confortáveis quanto um par de pantufas. E fala de “O capital”.

— Foi um livro capital — ri. — Li a maior parte do tempo sem entender nada. Lia, relia. Mesmo assim, me despertou o interesse pela crônica política e econômica. Lia nas horas de trabalho. Nessa época eu trabalhava na alfândega, minha função era fiscalizar navios, e eu ia muitas vezes de madrugada para o porto, e ficava ali, algumas vezes lendo dentro do próprio navio. Me lembro de ler “O Capital” às 3h, 4h da manhã, completamente confundido, naquela barafunda de termos e sentimentos.

Impacto parecido ao de “O capital” só sentiria mais tarde, com “Morte e vida severina”, do poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto. Já tinha ouvido falar no livro à época do seu lançamento, em 1955. Mas o épico tupiniquim só lhe revirou o estômago no teatro, na montagem com música de Chico Buarque, dez anos depois, em São Paulo.

— O mergulho foi ali. Depois li “Duas águas”, depois alguém me deu de presente a “Obra completa”. Eu fiz uma escolha: o poeta-símbolo pra mim é João Cabral. Toda minha poesia sofreu uma exigência “cabraliana” depois de conhecer a sua obra — atesta Gil, citando o próprio Tropicalismo.

Tirando a própria “Obra completa” de João Cabral, e “Capitães de Areia”, nenhum dos outros títulos lembrados por Gil está nas estantes de São Conrado. Alguns foram para a casa de Salvador, outros se perderam com o tempo. Há uma dose de desapego, mas outra de circunstância. Certo dia, conta Gil, estava em Salvador, em casa, e fuçou a estante em busca de uma leitura para a tarde. Tomou da prateleira o volume de “Distraídos venceremos”, presente do próprio autor, o poeta curitibano Paulo Leminski, em 1987. Mas qual não foi sua surpresa…

— Já estava todo comido pelas traças. Mas sabe que eu achei interessante? Achei que aquele efeito estava ligado ao tipo de poesia do Leminski… O caminho das traças era o caminho do tempo. Um acréscimo à poesia. O caminho delas foi roubando as letras, deixando palavras esburacadas, e o que é mais pós-modernista? — provoca Gil, citando outro tomo que levaria a uma ilha deserta, acaso houvesse motivo.

Levaria também o romance autobiográfico “As palavras”, de Jean-Paul Sartre, o primeiro livro apresentado a ele pelo amigo Caetano Veloso.

— Eu passo a me interessar por Sartre por causa de Caetano, ele, que até hoje se confessa um existencialista, foi quem me apresentou. Ali fui refletir sobre o que é o existencialismo, e viver o sentimento desta plenitude, da individualidade, erguendo-se em si próprio, sustentando-se em si próprio — comenta Gil, para quem a compreensão “da existência frente à essência”, se for possível resumir o existencialismo desta maneira, pôs em xeque a própria religiosidade. — Todos esses questionamentos, mesmo os anteriores, lá, com “O capital”, de descoberta dos problemas sociais, das assimetrias da sociedade, das imperfeições do indivíduo, tudo isso ia minando uma segurança minha, aquela vida no berçário da divindade (ri da própria metáfora).

A amizade com o escritor e músico suíço Walter Smetak ampliou os questionamentos. Espécie de guru esotérico e filosófico de toda uma geração da MPB, que incluía Tom Zé e Caetano, Smetak emprestou a Gil livros essenciais na sua formação, como os ensaios teosóficos da escritora russa Elena Blavatsky, a “Madame Blavatsky”.

— Houve ainda “Religião comparada”, os “Upanixades” (escrituras hindus). Foi uma época de muita leitura de livros, ao contrário de hoje, que tudo chega pra gente de maneira mais fragmentada, em estantes de links — compara Gil, tirando da prateleira imaginária, no entanto, a Bíblia. — Nunca li inteira. Dos textos que li, “O cântico dos cânticos” foi o que mais me comoveu, e que acabou, futuramente, chegando ao “quântico dos quânticos”, verso chave do álbum “Quanta” (1997).

Da discografia de Gilberto Gil, “Quanta” foi o álbum que mais exigiu estudo, comenta a mulher, Flora Gil.

— Ele mergulhou nas leituras sobre física quântica, neurociência, física, nunca o vi lendo tanto — diz ela.

Do período em que se exilou com Caetano Veloso em Londres, entre 1969 e 1971, Gil lembra-se de outro título que o deixou fascinado: “The politics of ecstasy”, do neurocientista Timothy Leary, o papa da onda hedonismo-LSD nos anos 60 e 70.

— Fiquei louco com aquilo. Fui com uma sacola numa livraria em Charing Cross e roubei dez livros, pois não tinha dinheiro para comprar. Mandei pelo correio para amigos no Brasil. As pessoas precisavam ler aquilo — diverte-se Gil, antes de comparar com o momento atual, das manifestações que levaram o Brasil todo às ruas nas últimas semanas. — Era muito parecido com o que está acontecendo agora. Havia um mundo novo eclodindo, que estimulava minha imaginação, minha criatividade.

Além das longas entrevistas que fez com o músico para a biografia “Gil bem perto” (que inclui também depoimentos de amigos de Gil), a jornalista Regina Zappa passou dias convivendo com ele, em Salvador. Assistiam à novela “Avenida Brasil”, tomavam café da manhã juntos. Aos poucos, Gil ia se lembrando de histórias, nomes, causos. Da relação com os livros, Regina observou que ele é absolutamente intuitivo, lê o que lhe cai nas mãos, o que acha por acaso.

— A formação da infância é muito presente para ele, me chamou a atenção como ele lembra os detalhes daquela época — comenta Regina, também autora de biografias de Chico Buarque, Hugo Carvana e Paulo Casé. — Ele lê muito o que indicam os amigos, Caetano Veloso foi muito importante neste sentido, e agora, Hermano Vianna, José Miguel Wisnik. É interessante como isso tudo vai virando música.

A música “A paz”, por exemplo (“invadiu o meu coração…”), que compôs com João Donato, surgiu do título do livro “Guerra e paz”, de Leon Tolstoi. Na biografia, Gil explica a história: “A letra foi sendo construída sobre essa contradição, reiterando minha insistência sobre o paradoxo”.

Escrever letras de música, sim, muito, e sempre; poesias também, bem como prefácios de outros livros e ensaios (mês passado, lançou o livro “Cultura pela palavra”, em conjunto com o também ex-ministro da Cultura Juca Ferreira, reunindo textos e discursos de ambos sobre Economia Criativa, Lei do Direito Autoral e Lei Rouanet). Mas ficção…

— Eu não me vejo, de maneira alguma. A letra de música é concentrada, econômica, pá, pá, pá. “Domingo no Parque” é uma narrativa, uma tragédia, são três personagens maravilhosos que estão ali. Mas passar dali para 200 páginas é um fôlego que nunca quis ter. Se penso em alguma história, vira música. “Foi a polícia que deu a notícia, que meu amor tinha morrido…” (cantarola “A notícia”). Diferentemente de Chico Buarque, que tem vocação para romancista — explica Gil, cujo romance preferido do amigo é “Estorvo”, fechando a lista da sua estante fundamental.

Flora ainda lembraria outros dois:

— Assim que nos conhecemos, ele me deu um livro que estava lendo, fascinado, “A autobiografia de um iogue” — observa ela. — Outro muito importante é um que ele tem na mesinha de cabeceira, “Autocontroleterapia” (do educador japonês Tomio Kikuchi), sobre técnicas de meditação. Quando ele está doente, em vez de abrir a gaveta de remédio, ele abre este livro.

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