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Ex-seringueira viúva forma 11 filhos na faculdade: que orgulho!

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Patricia Sales, no Blog do Andre Mansur

Quando os filhos da ex-seringueira Marlene da Costa Maciel, de 59 anos, começaram a crescer, ela e o marido não titubearam. Abandonaram a vida no Seringal Extrema, no Rio Moa, interior do Acre e se mudaram para uma propriedade rural no Ramal Macaxeiral, na zona rural do município de Cruzeiro do Sul. O objetivo do casal era permitir que os filhos pudessem estudar e ter melhores oportunidades.

Embora o marido dela, morto em dezembro de 2015, não tenha vivido o bastante para ver todos formados, o plano deu certo. Dos 14 filhos ainda vivos do casal, nove homens e cinco mulheres, apenas um não ingressou em um curso de ensino superior. Onze deles possuem formação acadêmica e outros dois estão concluindo suas faculdades.

As áreas de formação que os “meninos e meninas” de dona Marlene escolheram são diversas. Tem assistência social, letras, educação física, enfermagem, ciências contábeis, biologia, engenharia florestal, pedagogia e até medicina. Ela conta que o caminho para chegar lá, contudo, foi cheio de dificuldades.

“Meu marido dizia que ou colocava todos na escola ou não colocava nenhum. Plantamos muita roça para fazer farinha. Quem estudava de manhã trabalhava à tarde e quem estudava à tarde trabalhava pela manhã. Quem estudava à tarde saía de casa às 10h30 e só chegava às 20h”, lembra a mulher, hoje aposentada.

União
Além do esforço dos pais, outro fator é apontado pela família como responsável pelo sucesso acadêmico. A união entre os irmãos, que segundo eles, é fruto das adversidades que enfrentaram.

“Hoje a gente vê com risos, mas na época era muito sofrido. Imagino quanto minha mãe sofreu. Como não havia vestimenta para todos, quem estudava à tarde esperava os irmãos chegarem da escola para pegar a roupa e o calçado. Muitas vezes nossa mãe fazia farofa com um ovo para sete comerem. A gente nem via o amarelo da gema do ovo”, lembra o escrivão da Polícia Civil de Cruzeiro do Sul, Geovane Maciel, de 33 anos.

O laço entre os irmãos acabou se mantendo também na vida profissional de parte deles. Sete trabalham em órgãos da Segurança Pública do Estado.

“Eles sempre foram unidos. Primeiro trabalharam quatro nos Correios. Depois começaram a fazer concursos e foram passando. Hoje tenho quatro na Polícia Civil, dois no Iapen [Instituto de Administração Penitenciária] e uma no Corpo de Bombeiros. Sinto muita emoção. Isso é providência divina em nossas vidas, sinto muito orgulho dos filhos que tenho”, diz Marlene emocionada.

Perguntada se tem algum receio por causa da profissão dos sete filhos, a ex-seringueira nega. “Não tenho nenhum medo devido à profissão deles. Acho normal como qualquer outra. A gente tem que confiar em Deus e seguir a vida”, argumenta.

Filho mais velho da ex-seringueira, o agente penitenciário Jerry Maciel de Souza, de 37 anos, é categórico ao dizer que o sucesso da família se deve à força da mãe.

“Temos muito orgulho de nossa mãe. Todos têm faculdade e a maioria tem bons empregos. Isso foi graças a Deus, nosso esforço, e, principalmente, o zelo de nossa mãe que sempre nos estimulou a buscar na escola nosso futuro. Nossa mãe é uma guerreira e vamos sempre estar ao lado dela”, finaliza.

Fonte: G1

Nível de escolaridade dos pais influencia rendimento dos filhos

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Nível de escolaridade dos pais influencia rendimentos dos filhos, segundo IBGE. (Foto: Divulgação)

Nível de escolaridade dos pais influencia rendimentos dos filhos, segundo IBGE. (Foto: Divulgação)

 

Dado é de complemento da Pnad de 2014, do IBGE.
Presença da mãe em casa contribui para maior nível de escolarização.

Daniel Silveira, no G1

O nível de escolarização dos pais influencia na formação profissional e nos rendimentos dos filhos. É o que apontam os dados suplementares da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2014 divulgada nesta quarta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento considerou diversos indicadores relacionados ao grau de instrução, formação profissional e renda dos pais para analisar a mobilidade sócio-ocupacional dos filhos. “A estrutura familiar parece ter uma importância muito grande em relação tanto ao nível de instrução dos filhos quanto aos índices de alfabetização”, disse a gerente da pesquisa, Flávia Vinhaes.

O levantamento abrange entrevistas realizadas em 2014 com 58 mil pessoas de 16 anos ou mais. Foram consideradas as posicionais sócio-ocupacionais dos pais e mães quando os entrevistados tinham 15 anos de idade.

De acordo com a pesquisa, o rendimento dos filhos está associado ao grau de escolaridade dos pais. Em 2014, a média de rendimentos do trabalho de pessoas com nível superior completo cujas mães não tinham instrução era de R$ 3.078, chegando a R$ 5.826 para aquelas com mães com ensino superior completo.

Já em relação ao pai, o rendimento médio do trabalho de pessoas com nível superior era de R$ 2.603 quando o pai não tinha instrução, chegando a R$ 6.739, no caso de pessoa cujo pai tinha nível superior.

Para pessoas com ensino médio completo, o rendimento médio variava de R$ 1.431, quando a mãe não tinha instrução, a R$ 2.209, para aquelas cuja mãe tinha nível superior; e de R$ 1.367, para aquelas cujo pai não tinha instrução, a R$ 2.884,00 no caso de o pai ter nível superior.

Presença familiar
A pesquisa mostrou também que a presença do pai ou da mãe no ambiente doméstico influencia diretamente na escolaridade dos filhos. “O fato dos filhos morarem com a mãe ou com o pai e a mãe teve uma forte influência no índice de formação”, afirmou Flávia Vinhaes.

Segundo a pesquisa, o índice de alfabetização foi menor entre aquelas pessoas que não moravam com a mãe. A taxa de alfabetização daqueles que moravam com a mãe quando tinham 15 anos de idade chegou a 92,2%, enquanto entre aqueles que não moraram com a mãe na mesma idade foi de 88,1%.

Em relação ao grau de instrução, a pesquisa mostrou que foi maior a taxa dos filhos se instrução que moravam somente com o pai aos 15 anos de idade (16,2%). Os menores percentuais das pessoas sem instrução foi observado entre aqueles que moravam com ambos os pais ou somente com a mãe (10,8% e 10,3%, respectivamente.

Ainda segundo a pesquisa, mais da metade dos filhos (51,4%) tiveram ascensão sócio-ocupacional em relação à mãe, enquanto 47,4% tiveram ascensão em relação ao pai.

Segundo a gerente da pesquisa, Flávia Vinhaes, não há pesquisa anterior para se poder comparar os dados. Ela destacou, no entanto, ser possível afirmar que a ascensão a ascensão tanto no nível de escolaridade quanto de renda está relacionada com a estrutura doméstica.

“Não é só com a estrutura ocupacional ou nível de instrução dos pais, mas com o ambiente doméstico, com os estímulos que os filhos recebem. Não é só uma dependência de renda, não é o capital econômico só que influencia econômico social cultural pessoal. Uma criança que recebe atendimento dos pais, um

Questionada sobre por que filhos que moraram só com a mãe tiveram maior ascensão quanto ao nível de instrução, Flávia Vinhaes esclareceu que a pesquisa não tem base de apoio para fazer esta análise. Todavia, ela sugeriu que os cuidados maternos podem ter maior peso na formação sócio-cultural dos filhos que os paternos.

“Uma criança que recebe atendimento dos pais, que é estimulada pelos pais através de um ambiente familiar que propicie isso, que gere algum desenvolvimento cognitivo, ela vai ter uma posição no mercado de trabalho e uma posição social melhor do que uma criança que não teve esses estímulos, esses cuidados. Eu imagino que seja por isso que a importância [da presença da mãe] é tão fundamental”, ponderou.

Primeiro emprego
A pesquisa mostrou ainda que o nível de instrução formal e a ocupação profissional dos pais refletiu o ingresso dos filhos no mercado de trabalho. Considerando aqueles que moravam com o pai, 73,9% dos filhos começaram a trabalhar antes dos 17 anos de idade.

Quanto menos instrução demandava a ocupação profissional do pai, mais cedo o filho começou a trabalhar. A maioria dos filhos (59,6%) cujo pai era trabalhador agrícola, por exemplo, ingressou no mercado de trabalho antes dos 13 anos de idade. Entre os filhos de pais que trabalhavam por conta própria ou que não tinham carteira assinada, 46,6% começaram a trabalhar também antes dos 13 anos de idade.

Entre aqueles que moravam apenas com a mãe, a pesquisa não identificou diferenças relevantes quanto ao ingresso no mercado de trabalho. A maioria (76,6%) dos que moravam apenas com a mãe começou a trabalhar também até os 17 anos. A grande maioria cuja mãe era trabalhadora agrícola (65,9%) também começou a trabalhar antes dos 13 anos de idade.

Outro dado apontado pela pesquisa é em relação aos filhos que reproduziram as ocupações profissionais dos pais. Do total de entrevistados, 33,4% seguiu no mesmo ramo dos pais.

A ocupação que teve maior ingresso dos filhos seguindo a dos pais foi na área das ciências e das artes (46,1%), seguidas pelas áreas dos trabalhadores agrícolas (34,9%), da produção de bens e serviços e de reparação e manutenção (31,4%), e de serviços (26,2%). A área de dirigentes em geral foi seguida por 19,4% dos filhos.

Ainda segundo a pesquisa, 47,4% dos filhos melhoraram suas condições de trabalho em relação aos pais, enquanto 17,2% ocuparam postos de trabalho com rendimento menor e vulnerabilidade maior.

 

Cortella: “Não é só a educação dos filhos que é necessária, mas a dos pais também

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Para o filósofo Mário Sérgio Cortella, uma das principais referências do país em educação, somos a primeira geração que testemunha mudanças de paradigmas tão velozes. E é natural que os pais se sintam perdidos. Então, afinal, qual o segredo para não ficar ultrapassado na educação dos filhos?

Naíma Saleh, na revista Crescer

“A novidade não é a mudança no mundo, é a velocidade da mudança.” Foi assim que o filósofo Mário Sérgio Cortella, professor há 42 anos, pai e avô, abriu a palestra Novos Tempos, Novos Paradigmas, que aconteceu em São Paulo, no fim de setembro. Diante de uma plateia hipnotizada pelo vozeirão com sotaque sulista e pela naturalidade em tratar temas complexos sem firulas, ele deixou claro que o grande desafio da atualidade é acompanhar as transformações para não ficar para trás. Sim, estamos vivendo um tempo de reviravoltas sem precedentes: na tecnologia, no trabalho, nas relações. Nesse contexto, mudar não é apenas imprescindível, mas inevitável. Principalmente quando se fala em educação. Em entrevista exclusiva à CRESCER, Cortella separa o que é velho do que é antigo, defende que pais podem ser, sim, amigos dos filhos sem perder a autoridade e critica o peso colocado na escola para assumir um papel que é da família. Confira!

Mário Sérgio Cortella (Foto: Marcos Camargo/Editora Globo)

Mário Sérgio Cortella (Foto: Marcos Camargo/Editora Globo)

 

Como essa mudança tão veloz de paradigmas tem afetado a forma como os pais criam os filhos?

Uma parte das famílias acabou perdendo um pouco a referência dada à velocidade das mudanças e à rarefação do tempo de convivência com as crianças. Isso fez com que muitas acabassem terceirizando o contato com os filhos e delegando à escola aquilo que é originalmente de sua responsabilidade. Só que isso perturba a formação das novas gerações. É claro que criar pessoas dá trabalho e exige esforço. Acontece que, no meio de todas essas mudanças, alguns pais e mães ficam desorientados. Por isso, é necessário que eles encontrem apoio, em livros, revistas, grupos de discussão. Não é só a educação dos filhos que é necessária, mas a dos pais também.

Ao mesmo tempo que muitas famílias terceirizam os cuidados, há um movimento de mães e pais largando a carreira para se dedicar exclusivamente aos filhos, não?

Claro. Uma das coisas mais importantes na vida é entender que a palavra prioridade não tem “s”. Não tem plural. Se você disser: “tenho duas prioridades” é porque não tem nenhuma. Então, deve estabelecer qual é a sua prioridade. Sua prioridade é o convívio familiar? Então dê força a isso. É a sustentação econômica? Vá fundo. Só que, ao escolher, não sofra. É evidente que ninguém precisa abandonar a carreira em função da família, mas é necessário buscar o equilíbrio – da mesma forma como se faz para andar de bicicleta: só há equilíbrio em movimento. Se você parar, desaba. Tenha em mente que haverá momentos em que a família é o foco. Em outros, a carreira. Mas lembre-se de que a vida é mais como maratona do que como uma corrida de 100 metros rasos: você não sai disparado feito um louco. Tem horas que vai mais rápido, outras em que desacelera. O segredo é ir dosando.

Você diz que, em um mundo de mudanças, nem tudo o que é antigo é velho. Como saber o que está ultrapassado na criação dos filhos?

No convívio familiar, uma coisa que é antiga, mas não é velha, é o respeito recíproco. Outra é a capacidade de o adulto saber que a criança é “subordinada” a ele, ou seja, que está sob as suas ordens. O pai não pode se tornar refém de alguém que ele orienta e cria. Agora, uma coisa que é velha e que deve ser descartada é o autoritarismo, a agressão física, o modo de ação que acaba produzindo algum tipo de crueldade. Isso é velho e é necessário, sim, mudar. Na relação de convivência em família é preciso modificar aquilo que é arcaico. O que não dá para perder é a honestidade, a afetividade e a gratidão. Tudo isso vem do passado e tem que continuar.

E como os pais podem construir essa autoridade sem autoritarismo?

O pai e a mãe têm que saber que ele ou ela é a autoridade. Ao abrir mão disso, há um custo. Quem se subordina a crianças e jovens, e têm sobre eles alguma responsabilidade, está sendo leviano.

Mas você acha que dá para ser amigo dos filhos?

Claro. O que não pode é ser íntimo no sentido de perder a sua autoridade. Eu tenho amizade com os meus alunos, mas isso não retira a autoridade nem a responsabilidade que eu tenho sobre eles como professor. Há uma frase que precisa ser deixada de lado que diz que “o amor aceita tudo”. Isso é uma tolice. O amor inteligente, o amor responsável é capaz de negar o que deve ser negado. A frase certa é: “Porque eu te amo é que eu não aceito isso de você”. O amor que tudo aceita é leviano, irresponsável.

Atualmente, se joga muita responsabilidade na escola. Qual é o limite entre os deveres dos pais e dos professores na educação das crianças?

É uma coisa estranha: a escola fica quatro ou cinco horas com as crianças, em um dia que tem 24 horas, com 30 alunos juntos. É um estabelecimento que deve ensinar a educação para o trabalho, educação para o trânsito, educação sexual, educação física, artística, religiosa, ecológica e ainda português, matemática, história, geografia e língua estrangeira moderna.

Supor que uma instituição com essa carga de atividade seja capaz de dar conta daquilo que uma mãe ou um pai é que tem que ensinar a um filho ou dois é não entender direito o que está acontecendo. A função da escola é a escolarização: é o ensino, a formação social, a construção de cidadania, a experiência científica e a responsabilidade social. Mas quem faz a educação é a família. A escolarização é apenas uma parte do educar, não é tudo. Já tem personal trainer, personal stylist, agora querem personal father, personal mother. Não dá, é inaceitável.

Por outro lado, os pais interferem demais na escola?

Há uma diferença entre interferir e participar. A escola tem que ser aberta à participação. Quando há uma interferência é sinal de que está mal organizado. O que acontece nas escolas particulares, que são minoria e representam apenas 13% do total, é que muita gente não lida mais com a relação família versus escola como parceria. É mais como se fosse um relacionamento regido pelo Código do Consumidor, como um cliente, como se o ensino fosse o mesmo que a aquisição de um carro. Essa relação é estranha e precisa ser rompida.

A educação de gênero tem gerado repercussão no meio escolar. Como você acha que as escolas devem abordar esse tema?

Uma sociedade que não é capaz de atender à diversidade que a vida coloca é uma sociedade tola. É preciso lembrar que a natureza daquilo que é macho e fêmea está na base biológica, mas o gênero se constrói na convivência social. O macho e a fêmea vêm da biologia. Mas o que define masculino e feminino é aquilo que vai se construindo no dia a dia. Por isso a escola tem que trazer o tema. É claro que não vai incentivar uma discussão que seja precoce para crianças de 8, 9, 10 anos. Mas também não vai fazer com que aquele que é diferente seja entendido como estranho. Aquele que é diferente é apenas diferente, não é estranho. Nessa hora, é tarefa da escola acolher. Se a família não concorda e a escola é privada, mude a criança de escola. Agora, se for uma instituição pública, é um dever constitucional e republicano admitir a diversidade.

Como posso incentivar meu filho a ler, sendo que eu mesmo tenho pouco tempo para a leitura?

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Foto: Shutterstock

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Ricardo Falzetta, em O Globo

Alice segue um coelho apressado e acaba em um mundo de maravilhas. Com um enredo aparentemente singelo, o livro Alice no País das Maravilhas trata das muitas transformações da infância, de raciocínio lógico e de identidade. O premiado clássico de Lewis Carroll não poderia ser obra ilustrativa mais apropriada para o dia 12 de outubro – ao mesmo tempo dia das Crianças e dia nacional da leitura. Por meio do lúdico literário, as crianças podem acessar universos incríveis.

E você sabia que além de portal para a imaginação, a leitura também é um direito? Pois é isso mesmo. Aos pequenos cidadãos brasileiros é garantida uma série de direitos – como à vida e à saúde – e a Educação é um deles. Este, em especial, não significa apenas o acesso à uma escola. Ele também se refere à aprendizagem, e esse ponto talvez não seja ainda muito claro para os pais. Então, vale reforçar aqui: toda criança tem o direito de ter condições adequadas para aprender a ler e escrever até o 3º ano do Ensino Fundamental, como determina o Plano Nacional de Educação (PNE). Na verdade, é muito importante para o o pleno desenvolvimento da criança que a alfabetização seja garantida até, no máximo, os 8 anos de idade.

Se aprender a ler é um direito das crianças, a quem compete o dever de concretizá-lo? Quem pensou no Estado acertou; e quem pensou na família, também! Família e Estado devem juntos garantir o direito à Educação das crianças.

Mas, e se meu filho já está alfabetizado, ele precisa ler mais? Sim e a justificativa é muito simples, embora nem sempre óbvia. O processo de aprendizagem da língua – e também seu aperfeiçoamento – é um caminho para a vida toda. Quanto mais a criança ler, melhor.

A leitura é fonte de saber e suporte para todas as áreas de conhecimento: aprende-se história e geografia lendo, mas também matemática e física, química e artes, educação física e filosofia. Portanto, independente das aptidões de cada criança ou jovem, seja na área de exatas ou a de humanas, a leitura só tem bons efeitos colaterais.

Pensando nisso, falemos de duas realidades que englobam senão todos as famílias brasileiras, uma boa parte delas: muitos pais não têm tempo para ler e muitos pais não têm condições socioeconômicas para adquirir livros – infelizmente, objetos ainda caros para o orçamento da maioria dos brasileiros. E bibliotecas públicas são, infelizmente, privilégio de poucos municípios. Diante disso, como garantir que os filhos leiam mais e melhor?

Antes de mais nada, reforço: é muito importante que as crianças percebam que os pais leem e valorizam esse hábito; por isso, ler para e com as crianças é um gesto ao mesmo tempo simples e poderoso, que estimula o interesse pelo universo da leitura e da escrita. Contudo, nem sempre isso é possível.

Como o trabalho em nossa sociedade demanda cada vez mais tempo dos adultos e as famílias assumem cada vez mais novas configurações – muitas impedindo a presença constante dos pais –, é preciso ser criativo para garantir que as crianças tenham acesso e incentivo à leitura.

Listo abaixo uma série de estratégias para o incentivo da leitura dentro do espaço familiar:

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As dicas acima, de uma maneira ou outra, demandam algum investimento financeiro. Mas engana-se quem acha que apenas pais com dinheiro disponível podem incentivar os filhos a ler. Se o Estado é co-participante do direito à aprendizagem, a escola é o agente que deve auxiliar as famílias na concretização do hábito da leitura. A escola pública deve abrir as portas das bibliotecas escolares para a comunidade, garantindo que viajar na leitura seja uma possibilidade também para as crianças e também para a família.

Se você se interessou por essas ideias, confira e divulgue as dicas abaixo:

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Sobre o incrível fenômeno dos pais que se preocupam com os filhos universitários

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Sabine Righetti, em Folha de S.Paulo

Outro dia fui a uma reunião em uma conceituada universidade particular paulista e, na fila da recepção, havia uma estudante com seus pais. Ela queria reclamar de uma nota que supostamente estava errada. Era aluna de uma especialização.

Hoje recebi um e-mail de uma mãe me perguntando como ela faz para descobrir as notas do filho, que cursa administração em uma universidade particular do Nordeste. Ontem foi vez de outra mãe me escrever tirando dúvidas sobre a escolha da universidade do filho, que é vestibulando.

O que está acontecendo?

Não quero tornar esse texto subjetivo demais, mas quando eu entrei na universidade, há mais de 15 anos, meus pais mal sabiam qual curso eu estava prestando. Quando fui aprovada em jornalismo na Unesp, em Bauru, eles foram comigo fazer a matrícula e só. Eu me mudei para o interior paulista e, a partir daí, passei a me virar sozinha.

Parece, no entanto, que a nova geração de pais de vestibulandos e de universitários ainda trata os filhos como se eles estivessem na escola. Querem verificar o boletim, conferem se o filho não está “cabulando” as aulas. Vão às reuniões da universidade com os seus filhos de 20, 25 ou até 30 anos. Oi?

Antes de escrever esse post conversei com alguns professores universitários, de escolas públicas e privadas. Todos relataram o mesmo fenômeno. Ressaltaram até que, antes, os pais se preocupavam mais com os filhos que estavam nos primeiros anos da graduação, com seus 17 ou 18 anos. Tudo bem, ok, isso é praticamente o final da adolescência. Recentemente, no entanto, começaram a participar até de reuniões da pós-graduação dos seus filhotes de quase 30.

Não é um pouco demais? Sim, é.

Fico imaginando o que vai acontecer quando essa meninada começar a trabalhar. Será que os pais vão reclamar com os chefes de seus filhos quando eles levarem uma bronca? Ou vão pessoalmente ao trabalho para ver se o filho ou filha está, sei lá, trabalhando direitinho?

Há uma escritora americana da qual gosto muito, Anne Mathews, autora de “Bright College Years” (algo como “Anos brilhantes na universidade”), que descreve a passagem para o ensino superior como uma espécie de ritual. É uma mudança para a vida adulta e de responsabilidades. Na universidade, na teoria, os estudantes devem escolher suas disciplinas e decidem qual rumo querem seguir dentro da carreira pretendida. Se perderem uma ou outra aula, eles serão os únicos prejudicados.

O problema é que se os pais assumirem a responsabilidade dos filhos justamente no momento em que eles estão aprendendo a assumir seus próprios passos, a coisa pode desandar. Na ansiedade de garantirem que tudo vai dar certo na vida, na carreira e na profissão dos filhos, os pais acabam exagerando e o tiro sai pela culatra.

Ser adulto cansa pra caramba, às vezes até eu desanimo, mas é um “mal” necessário e inevitável. Deixar que os filhos assumam a responsabilidade pelos seus atos é, inclusive, uma grandessíssimo aprendizado.

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