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5 dicas para incentivar seu filho a ler

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incentivo leitura crianças

Veja como criar um pequeno leitor desde cedo

Malu Echeverria, na Revista Crescer

1. O primeiro passo para formar leitores é ter livros em casa. Se não há espaço para uma biblioteca, que seja ao menos uma estante ou um baú. Se você acha o preço dos livros infantis alto para o seu orçamento, pense duas vezes: quanto custa um tênis da moda, um gadget de última geração ou ir ao cinema com a família? Lembre-se que a educação é um investimento!

2. A criança precisa ter acesso fácil aos livros, para que eles façam parte do dia a dia dela – assim como acontece com os brinquedos. Eles não devem, portanto, ser tratados como objetos intocáveis.

3. É importante que os pais leiam para os filhos. São inúmeras as vantagens, como a interação familiar, a proximidade com as letras e a criação de um vínculo afetivo com o livro. Mas a leitura tem que ser prazerosa, e não uma obrigação. Do contrário, o efeito será negativo. Melhor ler para o seu filho uma vez por semana, porém de bom humor e envolvido na história, do que todos os dias com pressa ou sem paciência.

4. A leitura deve ir além dos livros. Se a criança já começou a ser alfabetizada, os adultos podem incentivá-la a interpretar sinais de trânsito, rótulos de alimentos, receitas e outros elementos que façam parte do universo dela. Uma dica é ajudá-la a escrever bilhetes e cartões para pessoas próximas. Sem nenhum tipo de pressão, claro. Isso vai aumentar a vontade de aprender a ler.

5. Por último, a família deve frequentar livrarias, bibliotecas e outros espaços relacionados ao universo dos livros, onde a criança possa ler e brincar. Assim, ela vai associar a leitura ao prazer. Sensação que, certamente, irá influenciar a relação com os livros pelo resto da vida.

Fontes: Ilan Brenman, doutor em educação, escritor de literatura infantil e colunista de CRESCER; Ivani Nacked, diretora do Instituto Brasil Leitor

Filhos de sobreviventes do Holocausto mantêm memória viva em novo livro

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Visitantes passam por um portão com a inscrição "Arbeit macht frei"(O trabalho liberta) no antigo campo de concentração de Dachau, na Alemanha. 25/01/2014. REUTERS/Michael Dalder

Visitantes passam por um portão com a inscrição “Arbeit macht frei”(O trabalho liberta) no antigo campo de concentração de Dachau, na Alemanha. 25/01/2014.
REUTERS/Michael Dalder

Philip Pullella, na Reuters

ROMA (Reuters) – Com a iminência do 70o aniversário da libertação de Auschwitz, no ano que vem, os descendentes do Holocausto enfrentam um dilema que irá se aprofundar com a passagem do tempo: como transmitir a “memória recebida” para as futuras gerações.

Em um livro chamado “Deus, Fé e Identidade a Partir das Cinzas: Reflexões de Filhos e Netos de Sobreviventes do Holocausto”, 88 deles contam como herdaram a lembrança e como esperam passá-la adiante.

“Muitas, senão a maioria dos filhos e netos de sobreviventes do Holocausto, vivem com fantasmas”, escreveu Menachem Rosensaft, ele mesmo um destes filhos, na introdução do livro que editou.

“De certa maneira, somos assombrados da mesma maneira que um cemitério é assombrado. Trazemos dentro de nós as sombras e os ecos de um perecimento angustiado que jamais vivenciamos ou testemunhamos.”

Os ensaístas são de 16 países e têm entre 27 e 72 anos de idade. Alguns nasceram em campos de Pessoas Deslocadas na Europa no final da Segunda Guerra Mundial, mas muitos são netos na casa dos 20 ou 30 anos. Nenhum deles tem nenhuma lembrança pessoal do Holocausto, no qual os nazistas assassinaram cerca de seis milhões de judeus.

Embora muitos livros e estudos sobre filhos e netos de sobreviventes do Holocausto se dediquem aos aspectos psicológicos, os ensaístas se concentram no modo como as experiências de seus pais e avôs ajudaram a moldar sua identidade e sua atitude em relação a Deus e ao judaísmo. Pelo menos um deles é ateu.

Entre os 51 homens e as 37 mulheres estão acadêmicos, escritores, rabinos, políticos, artistas, jornalistas, psicólogos, um ator e um terapeuta sexual.

Um dos mais jovens é Alexander Soros, o filho de 29 anos do investidor George Soros. A primeira vez em que os dois se sentiram ligados foi quando seu pai lhe contou sobre suas experiências de infância na Budapeste ocupada pelos alemães em 1944.

Uma das mais idosas, Katrin Tenenbaum, de 72 anos, da Itália, escreve que, à medida que a distância do Holocausto aumenta, “mais a tristeza perde o foco, tornando-se de certa forma mais difusa e, ao mesmo tempo, mas difícil de precisar”.

O livro começa com um prólogo do vencedor do Prêmio Nobel da Paz, Elie Wiesel, de 86 anos, que sobreviveu aos campos de concentração de Auschwitz e Buchenwald.

Ele diz àqueles que receberam as lembranças: “Estamos sempre lhes dizendo que a civilização traiu a sim mesma ao nos trair, que a cultura terminou em falência moral, e ainda assim queremos que vocês aprimorem ambas, não uma ao custo da outra”.

Os filhos da segurança nacional

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O estímulo do cérebro, principalmente na primeira infância, é tão importante quanto alimentar o corpo para produzir adultos saudáveis, inteligentes, produtivos e resilientes, diz a presidente da Fundação Nova América

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Anne-Marie Slaughter, na Veja

Do surgimento do Estado Islâmico ao Expansionismo Russo e à ascensão da China, não há falta de desafios à segurança nacional dos Estados Unidos. Mas, como um novo relatório demonstra – Worthy Work, STILL Unlivable Wages (Trabalho Digno, Salários AINDA inviáveis, em tradução livre) – nada representa uma ameaça mais potente para o futuro da América do que a falta de atenção aos cuidados adequados e educação para crianças menores de cinco anos.

Se as crianças não recebem cuidados de alta qualidade de profissionais qualificados que entendem como estimular e desenvolver o cérebro, a próxima geração de americanos sofrerá com uma lacuna no desempenho cada vez maior em relação aos seus pares em outros países avançados e concorrentes emergentes. Ainda que os americanos paguem por esses profissionais treinados, o mesmo salário é pago àqueles que estacionam nossos carros, levam nossos cães para passear, preparam nossos hambúrgueres e misturam nossas bebidas. A implicação é clara: as crianças americanas não requerem cuidados mais diferenciados do que animais ou objetos inanimados.

Este é um erro grave. Os cuidados na primeira infância podem moldar a capacidade de uma pessoa ao longo da vida para a aprendizagem, resiliência emocional, confiança e independência. De fato, a prestação de cuidados de alta qualidade que envolve e instrui as crianças em seus primeiros cinco anos de vida tem um impacto maior no seu desenvolvimento do que qualquer outra intervenção ao longo de sua vida.

Isso não é novidade. O livro From Neurons to Neighborhoods: The Science of Early Childhood Development (Da Genética ao Ambiente: A Ciência do Desenvolvimento na Primeira Infância, em tradução livre), publicado há mais de uma década pela Academia Nacional de Ciências, começa por reconhecer que, desde a concepção até o primeiro dia do jardim de infância, o ritmo de desenvolvimento é superior “a todas as fases subsequentes da vida.” Tal desenvolvimento “é formado por uma interação dinâmica e contínua entre a biologia e experiência.”

Esta observação é agora apoiada pela neurociência, que identificou como o cérebro se desenvolve ao longo desse período e criou um sistema para medir as lacunas de aprendizagem. Essa pesquisa confirmou que a construção do cérebro é tão importante quanto alimentar o corpo para produzir adultos saudáveis, inteligentes, produtivos e resilientes.

Um estudo recente registrou os resultados do Carolina Abecedarian Project, um experimento social da Carolina do Norte que começou na década de 1970. O estudo comparou dois grupos de crianças desfavorecidas, sendo que um grupo recebeu nutrição excelente e de alta qualidade, cuidados estimulantes por oito horas diárias desde o nascimento até os cinco anos de idade e o outro grupo recebeu cuidados e procedimentos comuns. Quatro décadas mais tarde, os adultos que receberam os melhores cuidados não apenas eram fisicamente mais saudáveis, mas tinham quatro vezes mais probabilidades de ter um diploma universitário.

Claramente, há muito mais cuidados na primeira infância do que suco e biscoitos, supervisionar cochilos e levar as crianças ao parque. De acordo com Megan Gunnar, especialista na interseção da psicologia do desenvolvimento e da neurociência, um bom cuidador da primeira infância “requer a capacidade de analisar o que está acontecendo no momento” e determinar qual conceito – se um conceito numérico, ou um relacionado à linguagem ou à parte física – a criança pode aprender. Responder ” dinamicamente no momento, realmente demanda habilidades analíticas, função executiva, ordenação e sequenciamento e conhecimento de muitas informações.”

Infelizmente para as crianças americanas, os circuitos de alto funcionamento do córtex pré-frontal do cuidador que demandam estas habilidades estão diretamente afetados por estresse. E, nos EUA, a grande maioria dos trabalhadores na área da infância está sob forte estresse econômico. Em 2012, quase metade das famílias de todos os trabalhadores nesta área recebeu algum tipo de apoio público federal, de vale-alimentação a seguro-saúde para os filhos.

Tal estresse econômico não diminui com a educação. Um professor trabalhando na força de trabalho civil com um diploma de bacharel ou superior em 2012 tinha um salário anual médio de 88.000 dólares. Os educadores infantis com as mesmas qualificações tinham um salário médio anual entre 27.000 e 28.000 dólares.

A exceção é o serviço militar americano, que paga professores de acordo com a mesma escala que outros funcionários do departamento de defesa, com base em critérios como a educação, formação, tempo de serviço e experiência. Em outras palavras, o segmento do governo dos EUA que é diretamente responsável por defender a segurança nacional reconhece a necessidade de atrair e reter trabalhadores altamente qualificados para proporcionar cuidados e aprendizagem precoce para as crianças de todos funcionários. Será que isso acontece porque os líderes militares e civis da instituição de defesa dos Estados Unidos viram em primeira mão os custos do crescimento intelectual atrofiado, hiperatividade e falta de controle de impulso?

Para competir numa economia global digital, os EUA – na verdade, qualquer país – precisam de uma força de trabalho capaz, bem educada, inovadora e saudável. O desenvolvimento de uma força de trabalho começa no nascimento. Qualquer um pode trocar uma fralda, mas nem todo mundo pode se envolver, estimular e responder a um bebê ou uma criança de uma forma que irá construir neurônios, muito menos lhes conferem habilidades ajustadas ao estágio do desenvolvimento da criança.

Os EUA têm o setor tecnológico mais dinâmico do mundo – até porque oferece os salários elevados necessários para atrair os melhores talentos. Você recebe por aquilo que você paga, e os americanos estão pagando muito pouco para seus filhos prosperarem.

*Anne-Marie Slaughter é presidente e executiva-chefe da Fundação Nova América, autora de “The Idea That Is America: Keeping Faith with Our Values in a Dangerous World”.

Confira 10 dicas para fazer seu filho gostar de ler

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 (Suzanne DeChillo / The New York Times/VEJA)

(Suzanne DeChillo / The New York Times/VEJA)

Dar o exemplo é a melhor forma de incentivar a leitura nas crianças

Publicado no UOL

Criar o gosto dos pequenos pela leitura nem sempre é uma tarefa fácil para os pais. Em meio a tantas tecnologias novas, as crianças recebem cada vez mais estímulos em outras direções, como televisão, computador e tablets. Conforme pesquisa desenvolvida pela Fundação Itaú Social em parceria com o Datafolha, 76% dos brasileiros acreditam que é muito importante incentivar o hábito da leitura. Os estímulos começam em casa e fazem parte do processo de educação da criança, lembra a professora de língua portuguesa Júlia Schmidt, da Escola Oga Mitá, do Rio de Janeiro. Confira dez dicas para transformar seu filho em um leitor.

Dar o exemplo

Pais leitores ainda são a melhor forma de incentivar à leitura. Muitas famílias cobram que as crianças sejam leitoras e os próprios pais não são leitores ávidos. “Se você espera essa postura do seu filho, você precisa dar o exemplo”, diz a professora de língua Portuguesa Júlia Schmidt, da Escola Oga Mitá, do Rio de Janeiro. A família que lê mostra à criança que ler é uma atividade agradável e positiva.

Leia para o seu filho

Não há idade certa para trazer a leitura para a vida dos pequenos. Desde ler para eles até acompanhar a compra de livros, a professora Júlia ressalta a importância da criação do costume dentro da família. “É muito importante que os pais leiam para os filhos, para criar esse hábito de leitura. Em algum momento do dia ou da semana, que aconteça algum momento de leitura. Contar histórias é motivar a criança com uma narrativa oral, depois ela procurará um livro de forma autônoma”, justifica.

Dê livros de presente

Você pode presentear livros de acordo com a faixa etária, com temas apropriados. A
professora e Pesquisadora da Universidade Estácio de Sá de Campos dos Goytacazes (RJ), Simone Viana, lembra que “hoje temos inúmeros autores que escrevem para esse público e também podemos aproveitar tudo que é oferecido pela mídia e trazer isso pra dentro de casa.”

Não restrinja a leitura

A professora Júlia lembra que é essencial não restringir a leitura dos pequenos, determinando qual tipo de livro deve ser lido. “É muito complicado e chega a ser cruel. Através da restrição, acabamos estabelecendo determinadas leituras.”

Comece com fábulas

A pesquisadora em educação Simone recomenda que os livros infantis devem ter um vocabulário simples e sugere as fábulas como um bom tipo de leitura para quem está iniciando. “Assim, o leitor entra num imaginário infantil, reconstruindo seus valores. Produzindo releituras das fábulas antigas para o público infantojuvenil, os autores estão reescrevendo de uma maneira nova, inserindo a atualidade, contextualizando de acordo com a nossa realidade”.

Para os jovens, best sellers são boas opções

As sagas Jogos Vorazes (Suzanne Collins) e Percy Jackson e os Olimpianos (Rick Riordan) são algumas das indicações da professora. O primeiro é uma série de quatro livros que conta a história de Katniss Everdeen, uma adolescente que vive no mundo de Panem e participa dos Jogos Vorazes, uma competição transmitida pela televisão onde adolescentes lutam até a morte. A saga de Rick Riordan acompanha a vida de Percy Jackson, um menino problemático do século XXI que descobre ser filho de Poseidon, o deus grego. “Tenho alunos de 14 anos que leram toda a série Percy Jackson em um mês. São cinco livros, é bastante coisa. Por conta dessa leitura, eles descobriram a mitologia grega. Um aluno, de 14 anos, chegou a ler a “Odisseia” e “Ilíada”, de Homero, e produziu um trabalho de pesquisa extenso sobre a obra”, relembra.

Faça parte disso!

Participar da compra dos livros também é um processo importante, destaca a pesquisadora. Ela aconselha que os pequenos sejam levados às livrarias junto com os responsáveis. “É importante que ela tenha esse contato com o livro, que não veja o livro como um extraterrestre distante dela. Na livraria, a criança poderá escolher o que mais agrada, seja pela ilustração, pelas dobraduras, conforme a sensibilidade da criança”.

Saiba se a escola do seu filho incentiva a leitura

Dentro da escola, o trabalho continua. Simone acredita que o papel da escola é o de mediar o contato do aluno com o livro. “A escola tem um papel fundamental de grande mediação, de fazer com que a criança viva esse momento da leitura e que possa colocar isso em prática.”

Não há idade certa

Você pode tornar o seu filho um leitor em qualquer idade. Ao contar histórias, por exemplo, você motiva a criança a uma narrativa oral. “Ela vai preparar conselhos mitológicos e depois ela vai procurará um livro de forma autônoma”, comenta a professora Júlia.

Consuma cultura

O interesse pela cultura é essencial para se tornar um grande leitor, e assim, um exemplo para as crianças. A professora Júlia lembra que envolver os pequenos em atividades como cinema, peças de teatro e exposições criam um interesse que pode gerar uma leitura, como os filmes de Harry Potter podem levar a criança a ler os livros.

Garis de BH usam livros herdados dos filhos para estudar para o Enem

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Ex-alunos da EJA, amigos concluíram o ensino médio neste ano.
‘Comecei a pegar amor ao estudo de novo e não quis parar’, diz funcionário.

De blusa laranja, Milton Marinho exibe certificado de conclusão do Ensino Médio; de uniforme branco, Domingos Costa carrega livro de preparação para o Enem (Foto: Raquel Freitas/G1)

De blusa laranja, Milton Marinho exibe certificado de conclusão do Ensino Médio; de uniforme branco, Domingos Costa carrega livro de preparação para o Enem (Foto: Raquel Freitas/G1)

Raquel Freitas, no G1

Há quase 35 anos, os garis Milton Salvador Marinho, de 50 anos, e Domingos Lopes Costa, de 47, fazem parte da equipe da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) de Belo Horizonte. Por causa do trabalho, a que se dedicam desde a adolescência, eles chegaram a abandonar os estudos. Entretanto, depois de mais de três décadas de serviço, os amigos conseguiram voltar à sala de aula, concluíram o ensino médio há cerca de dois meses e, agora, preparam-se para um novo desafio: o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), dias 8 e 9 de novembro.

Os dois garis “herdaram” dos filhos os livros em que estudam para o exame. Na primeira página da apostila usada por Milton, uma assinatura com letras redondas não deixa dúvidas que um dia o material foi de sua filha mais velha, que está na universidade.

Domingos entrou para a SLU aos 13 anos. Por algum tempo, tentou conciliar a jornada cansativa e a escola, mas encontrou seu limite na 7ª série. Em 1990, já adulto, com a ajuda do Telecurso 2000, concluiu o ensino fundamental. Os filhos trouxeram a nova motivação para que ele se matriculasse em uma escola estadual, na Região Nordeste da capital, e cursasse do 1º ao 3º ano pela modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Dois dos quatro filhos do gari resolveram fazer curso superior. Um deles já se formou em turismo em uma faculdade particular da cidade, e a outra está prestes a concluir o mesmo curso na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O que mais me moveu a voltar estudar foi ver os meus filhos já criados, formando na faculdade. Para eu ter uma condição melhor de conversar com eles”
Domingos Lopes Costa, gari

“O que mais me moveu a voltar estudar foi ver os meus filhos já criados, formando na faculdade. Para eu ter uma condição melhor de conversar com eles. Porque não adianta você ter os filhos formados sem ter uma condição de dialogar com eles. O que você aprende hoje, se você não seguir acompanhando, está ultrapassado amanhã”, explica.

A trajetória de Milton, que também tem uma filha na faculdade, é parecida. Ele faz parte do quadro da Superintendência de Limpeza Urbana desde os 14 anos. Logo que começou a trabalhar, os estudos ficaram de lado. Na capina em áreas de vegetação da cidade ou durante os 26 que correu atrás de caminhão de lixo, o gari não encontrava tempo e motivação para encarar os livros novamente.

Desde a adolescência trabalhando na SLU, garis falam com orgulho do retorno aos estudos (Foto: Raquel Freitas/G1)

Desde a adolescência trabalhando na SLU, garis
falam com orgulho do retorno aos estudos
(Foto: Raquel Freitas/G1)

Ele conta que o incentivo para retornar aos estudos veio no período em que trabalhou no escritório central da SLU. Ele conta que o apoio de funcionários e estagiários foi fundamental. “Eu estava saindo da coleta de lixo e não sabia nem ligar o computador. O pessoal no escritório central sempre me ajudava, me incentivava. Eu comecei até a ficar deprimido, as pessoas me ajudando, eu querendo ajudar, mas sem poder fazer nada. Aí comecei a estudar de novo. Eu comecei a pegar amor ao estudo de novo e não quis parar não”, relembra.

Saio do trabalho, dou uma corridinha para refrescar a cabeça. Aí, sento para estudar um pouquinho, por umas duas horas, até dar a hora de buscar minha filha na faculdade, para ela não vir sozinha”
Milton Salvador Marinho, gari

Milton, que já rodou o Brasil e foi aos Estados Unidos e à França para participar de maratonas, conta que, entre o dia de trabalho e a noite de estudos, pratica corrida para relaxar. “Saio do trabalho, dou uma corridinha para refrescar a cabeça. Aí, sento para estudar um pouquinho, por umas duas horas, até dar a hora de buscar minha filha na faculdade, para ela não vir sozinha”, conta. Domingos também acha a pausa importante, mas substitui a corrida pela caminhada.

História ou geologia
Os dois acreditam que o inglês será o maior desafio do Enem. Eles esperam o resultado do exame para resolver em quais instituições pretendem concorrer uma vaga. Eles ainda estão na dúvida sobre a escolha do curso, mas a história é uma opção comum para os colegas de trabalho.

“São duas áreas que eu gosto. Vou fazer história ou ser geólogo. Eu gosto de embrenhar no mato, eu gosto de caverna, mina. Explorar lugares é comigo mesmo, eu gosto de aventura. A história, eu tenho ela como uma vivência, muitas respostas são buscadas na história”, pontua Domingos. Já Milton também carrega entre as possibilidades o curso de geografia. “Tenho um professor de geografia que é fera. Ele para mim é um exemplo”, justifica.

Eles não têm dúvidas que também conseguirão se dedicar aos estudos na faculdade. “Nós tivemos uns aqui que se deram bem, também ficam como exemplo”, diz Milton. Um colega, que está se formando em engenharia civil, é uma das principais inspirações.

Colegas de trabalho dividem gosto pela história, mas ainda não estão certo de qual curso pretendem fazer na faculdade (Foto: Raquel Freitas/G1)

Colegas de trabalho dividem gosto pela história, mas ainda não estão certo de qual curso pretendem fazer na faculdade (Foto: Raquel Freitas/G1)

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