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Colégio São Bento volta atrás e diz que não passará a receber meninas

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Dom Filipe disse que não há nada decidido em relação a essa questão

Thiago Jansen e Fábio Teixeira em O Globo

Sala de aula do Colégio São Bento, no Centro do Rio Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo (03/04/2008)

Sala de aula do Colégio São Bento, no Centro do Rio Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo (03/04/2008)

RIO — Um dia depois de anunciar que passaria a aceitar meninas, o Colégio São Bento voltou atrás na decisão. Em entrevista ao GLOBO na tarde desta quarta-feira, Dom Filipe, abade do Mosteiro de São Bento, disse que a instituição não abrirá vagas para meninas em 2015. De acordo com ele, as discussões internas sobre essa possibilidade são constantes, e tendem aumentar com a divulgação dos resultados do Exame Nacional do Ensimo Médio (Enem). Ele enfatiza que nenhuma decisão final foi tomada em relação ao tema.

— É algo que muitos pais desejam, mas é uma decisão que não depende só da escola, da sua administração, nem do reitor, e sim do monastério. A questão está em discussão, já há bastante tempo, mas no momento não há confirmação disso e nem previsão de quando a mudança pode acontecer — afirmou Dom Filipe.

O abade afirma que as declarações dadas pela supervisora pedagógica do São Bento, Maria Elisa Penna Firme Pedrosa, em que ela diz que a instituição permitirá a matrícula de mulheres no colégio, não corresponde à visão do São Bento.

— Talvez ela tenha antecipado um anseio pessoal dela —, afirma o abade.

Segundo ele, houve uma conversa entre os dois desde que a notícia foi publicada. Ele nega qualquer tipo de desentendimento e descarta a possibilidade de demissão ou sanção à supervisora. Procurada, a assessoria de imprensa do São Bento informa que Maria Elisa se procuncia apenas em relação aos resultados do colégio no Enem. A supervisora não retornou as ligações do GLOBO.

Dom Filipe, porém, diz não estar desautorizando Maria Elisa, e sim esclarecendo informações dadas na última terça-feira.

— Não estamos desmentindo, apenas ampliando a informação. Não somos levianos de simplesmente anunciar uma coisa.

Ele diz ter recebido as informações a respeito da entrevista dada pela supervisora apenas à noite, após uma tarde dedicada à orações. Para o abade, a instituição não estaria preparada para atender às necessidades das meninas. Dom Fililpe coloca como principal obstáculo a falta das instalações adequadas e o período curto que o colégio teria para realizar as obras de ampliação necessárias até 2015.

Perguntado, o abade disse não se opor pessoalmente à matrícula de meninas.

— Acho que há ganhos com a presença feminina, mas precisamos nos preparar porque o colégio sempre foi voltado para receber meninos, então o acesso vai precisar ser adaptado.

Caso a decisão de aceitar matrículas de meninas fosse tomada, ela seguiria o modelo descrito por Maria Elisa, com sorteio para entrada no 1º ano do ensino fundamental e prova para entrada no 1º ano do ensino médio. De acordo com Dom Filipe, este é o procedimento padrão.

Projeto de unidade na Barra segue em análise

Dom Filipe, porém, não negou a informação de que estaria em análise pelo São Bento a abertura de uma unidade na Barra da Tijuca. De acordo com ele, há dois meses uma imobiliária apresentou ao colégio a proposta de abrir uma filial em um condomínio de grande porte a ser erguido na região.

— É um projeto de uma ‘quase cidade’ que vai surgir lá. Eles disseram que gostariam de ter uma unidade do São Bento integrando isso —, conta o abade — Há cerca de dois ou três anos chegou proposta parecida de outro grupo, que descartamos de início.

O São Bento é o último colégio da cidade a ter apenas estudantes do sexo masculino. Esta não foi a primeira vez que o Colégio de São bento desiste da ideia de ter alunos do sexo feminino. Em 2004, a instituição já havia cogitado a aceitação de matrículas de meninas, mas a proposta não vingou porque o prédio, no Centro, precisaria passar por adaptações para receber as estudantes. Junto com a decisão de aceitar meninas em seu quadro de alunos, a instituição havia anunciado a construção de uma unidade na Barra da Tijuca e, segundo a supervisora pedagógica da instituição, Maria Elisa Penna Firme Pedrosa, teria sido tomada no fim do mês passado.

O Colégio de São Bento conquistou, no Rio, o topo do ranking do Enem de 2012, divulgado nesta terça-feira. O tradicional estabelecimento de ensino foi fundado pelo Mosteiro de São Bento em 1858 e é uma das instituições de ensino mais antigas do Rio. A unidade, administrada por monges beneditinos, é uma escola de formação católica, que oferece ensino fundamental e médio, e só aceita alunos do sexo masculino.

A disciplina e a boa formação dos professores são dois trunfos do São Bento, que figura entre as melhores escolas do país. Mais da metade do corpo docente tem pelo menos uma pós-graduação, embora os cursos lato ou stricto sensu não sejam uma exigência. Ao todo, os professores lecionam 16 disciplinas, e esses esforços têm valido a pena. Os estudantes conquistaram o topo da lista no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em quatro edições: 2005, 2007, 2008 e 2010.

 

Ratos e homens (Of mice and men) – Livros de macho

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Filipe Laredo, no Papo de Homem

Para dar início à interessante empreitada que é indicar e analisar “livros de macho”, comecemos falando de um que não necessariamente foi escrito para homens, mas que deve ser lido por homens. Isso porque existem características nas amizades masculinas que apenas os homens entendem. E é com isso que começo falando de um dos maiores romances do século XX:  Ratos e homens, de John Steinbeck*.

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Contada durante a recessão estadunidense da década de 1930, a história narra um breve trecho da vida de dois homens, George e Lennie. Os dois são completamente diferentes um do outro: o primeiro é franzino, mas esperto e inteligente, e o outro é muito grande e forte, mas meio retardado. O elo entre eles se resume apenas na amizade e na posição marginal que se encontram, já que não têm dinheiro, família ou propriedades.

Os dois viajam e trabalham juntos em fazendas no interior da Califórnia, fazendo bico. Levam uma vida dura e difícil, mas sonham em vencer na vida, utilizando os recursos acumulados em tantos anos de sofrimento. Porém, o que conseguem guardar não é suficiente, e provavelmente nunca será, pois não recebem muito mais do que um teto coletivo para morar e comida. Mesmo assim, seguem com o objetivo de um dia possuir suas próprias terras para cultivar e trabalhar.

Em uma das fazendas que trabalham, os personagens conhecem Curley, o mimado filho do patrão que costuma maltratar os funcionários e sua esposa, que os personagens se referem apenas como a “esposa do patrão” e cujo nome Steinbeck negligenciou por considerá-la apenas um símbolo de frustração e perigo para Lennie.

Ela é uma personagem chave dentro da narrativa, pois é ela – ou melhor, sua preocupação com própria beleza – quem vai definir o futuro dessa honrosa ligação.

Steinbeck é bastante habilidoso ao retratar uma época de “vacas magras” na sociedade estadunidense, personificada na figura de trabalhadores pobres e solitários, pouco estimulados a manter laços de afeto mais profundos. Nesse cenário, os homens são forçados a pensar, cada vez mais, apenas em seu próprio sucesso. Mesmo assim, o que se capta em Ratos e homens é a fidelidade entre dois homens, que obriga o leitor a passar, nas dez últimas páginas do livro, por uma das mais fortes e impressionantes experiências da história da literatura.

Homens tem seus laços definidos por parâmetros bem característicos, sendo um deles a proteção. O macho, desde pequeno, tem um instinto de querer ser reconhecido como forte, protetor, poderoso. Mas esse ponto não se resume apenas na postura física. Há também traços dele nos conselhos que damos ou quando tentamos encorajar o próximo. Fato: homens fracos necessitam de homens fortes. Isso se chama cumplicidade. E a recíproca é verdadeira nesse caso, já que homens fortes também precisam dos fracos para conseguir manifestar sua autoconfiança.

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Outro ponto importante nas relações masculinas é a fidelidade, elemento importante para a manutenção do poder no coletivo. Quando era mais novo, jogava basquete em alguns clubes e certa vez um dos meus técnicos afirmou que nunca treinaria uma equipe feminina. Nós, jogadores, questionamos o porquê. A resposta foi simples: as mulheres do mesmo time, quando brigam ou discutem entre si, não passam mais a bola umas para as outras. Os homens podem até sair na porrada, mas se o companheiro estiver bem posicionado, a bola vai pra ele.

Não estou dizendo com isso que as mulheres não são fiéis entre elas. Mas todos sabemos que, na maioria dos casos, quando uma mulher se arruma para sair, faz as unhas e vai ao cabelereiro, o faz muito mais para competir com as outras mulheres do que para conquistar a nossa aprovação.

E é nessa relação genuinamente masculina que Steinbeck concentra a história de Ratos e homens. Ele também passa por outros assuntos, tais como as dificuldades econômicas e a crueldade dos donos de terras na época, contudo, é na relação entre George e Lennie que o autor concentra toda a sua força narrativa. Dois homens que se complementavam, e que estiveram juntos até o fim trágico de uma verdadeira e pura amizade.

O livro é uma importante referência literária norte-americana e seu nome vem de uma reflexão sobre a subordinação, tanto de ratos como de homens, às intempéries da vida. Entretanto, os humanos conseguem refletir sobre isso e eleger um caminho a seguir. E, mesmo assim, escolhem as mais cruéis maldades, ao invés dos mais belos atos de honra.

A história já foi adaptada quatro vezes para o cinema e televisão, sendo a última produção estrelada por John Malkovich e Gary Sinise, em 1992.

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Por isso, caríssimos leitores, fica aqui a minha primeira recomendação de “livros de macho”. Nessa obra vocês lembrarão de diversas experiências que passaram, e ainda passam, com os amigos que acumularam durante a vida. Lembrarão das inúmeras ajudas que receberam ou deram. Da proteção que reservaram ou da qual foram alvos. Afinal de contas, amizades masculinas são diferentes das femininas. Ou estou errado?

* John Steinbeck (1902 – 1968) foi um escritor norte-americano, nascido na Califórnia. Recebeu o Prêmio Nobel em 1962 e seus livros de maior destaque são Ratos e homens (1937), As vinhas da ira (1939) e A pérola (1947).

dica do Tom Fernandes

Programador cria algoritmo que transforma informações em livros

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Filipe Garret no Tech Tudo

Philip M. Parker é um programador que criou o algoritmo que, simplesmente, consegue compilar informações na forma de um livro. A ferramenta se provou tão útil que, atualmente, o acervo digital da Amazon conta com 800 mil publicações compostas de forma digital – sem a necessidade de um batalhão de redatores. Já há empresas que pagam para usar a ferramenta para gerar compêndios de seus relatórios de operações.

Livro aberto (Foto: Reprodução)Livro aberto (Foto: Reprodução)

O interessante do uso do algoritmo é que, hoje, já é possível gerar livros inteiramente de forma digital. Da sua criação à sua distribuição. O processo dispensa custos de impressão, consumo de papel e reduz dramaticamente o elemento humano no desenvolvimento de conteúdos em texto.

Com o uso do recurso é possível, por exemplo, gerar um livro do zero a partir de um tópico de um fórum de Internet qualquer, em questão de minutos. Se você adicionar ao processo noções de venda de conteúdos sob demanda, onde o produto é gerado só a partir da requisição específica de um consumidor, há um modelo de negócios que pode revolucionar a indústria editorial contemporânea.

Embora a tecnologia seja muito inteligente e mesmo fascinante, ela tem suas limitações. Algoritmos são processos matemáticos e lógicos, o que significa que, em geral, resultam em textos não muito inspirados. Mas para manuais e conteúdos de referência, sem dúvida, a técnica desenvolve excelentes resultados.

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