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Posts tagged filme

A sequência do livro “Me Chame Pelo Seu Nome” vai sair em 2019!

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Publicado por Lilian Pacce

Você é fã de “Me Chame Pelo Seu Nome” – ou, em inglês, “Call me by your Name“? Bom, então deve saber que o filme foi inspirado em um livro, escrito por André Aciman e lançado em 2007. A gente chegou a fazer um post pra você escolher um short e se sentir no verão italiano quando o filme foi lançado em 2018, lembra?

Agora a notícia que a gente esperava chegou: vai ter sequência sim. Ao menos em livro! O nome da obra vai ser “Find Me” (me encontre) e traz o pai de Elio, Samuel, divorciado e em uma viagem de Florença pra Roma pra visitar Elio em si, que virou um pianista clássico talentoso. Um encontro durante a viagem de trem vai mudar a vida de Samuel. E Elio em seguida muda pra Paris, enquanto Oliver, que agora é professor em New England com os filhos crescendo, planeja voltar a viajar pela Europa.

Já está empolgado? Pode ficar mesmo, porque o livro deve sair lá fora em 29/10. Quanto à sequência em filme do lançamento, a coisa fica um pouco mais difícil. O ator Armie Hammer, um dos protagonistas, não parece tão empolgado quanto já esteve antes, dizendo que tem medo de desapontar. A ver. Enquanto isso, Luca Guadagnino, o diretor de “Me Chame Pelo Seu Nome”, se dedica ao lançamento de “Suspiria” (que chega nos cinemas daqui do Brasil no dia 28/03) e um documentário sobre o designer de sapatos Salvatore Ferragamo, que deve sair em setembro na Itália. Outro projeto de Luca que já está em pré-produção é um filme baseado no álbum “Blood on the Tracks” de Bob Dylan. Pelo visto, vai demorar pra ter espaço na agenda…

Caixa de Pássaros ganhará sequência em novo livro

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Renan Lelis, no Poltrona Nerd

Depois de vender mais de 200 mil exemplares no Brasil e ganhar filme na Netflix, o fenômeno Caixa de Pássaros ganhará uma sequência no novo livro de Josh Mallerman.

Intitulado Malorie, a história se passa oito anos após os eventos do primeiro livro, quando a família deixa o local seguro e precisa encontrar uma nova forma de sobreviver. Em entrevista à revista Esquire, Josh Malerman revelou que, após assistir ao filme, queria descobrir o que acontecia depois dos eventos finais, por isso começou a escrever Malorie. Quando surgiu a pergunta se a origem das criaturas seria revelada, Josh não quis revelar muito, mas respondeu que serão dados mais detalhes tanto da protagonista quanto das criaturas.

Malorie será lançado em 1º de outubro nos EUA. Ainda sem data definida no Brasil, o livro será lançado pela Intrínseca.

Livro que inspirou Blade Runner terá nova edição no Brasil

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Pela primeira vez com o nome do filme impresso na capa

Victor Aliaga, no IGN

Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?, livro de Philip K. Dick que inspirou um dos maiores clássicos da ficção científica no cinema (Blade Runner, é claro!), vai ganhar uma nova versão no Brasil, pela Editora Aleph, que havia publicado duas edições anteriormente.

A nova capa é ilustrada por Rafael Coutinho com design de Giovanna Cianelli, e a cena estampada homenageia o filme e retoma o ar policial noir do romance, ao mesmo tempo em que explora a atmosfera de dúvida e segredos presente na obra de Dick.

Vale ressaltar que esta é a primeira vez que o título imortalizado nos cinemas chega impresso no livro. “A ideia foi levar esse livro (que é um dos nossos favoritos do autor) para mais perto do público e fazer com que a sua história fique cada vez mais conhecida”, escreveu a Aleph, no Instagram.

A edição, que terá um total de 288 páginas, trará de volta o material presente nas versões anteriores publicadas pela editora, além de extras como: uma carta de Dick aos produtores do filme, a última entrevista concedida pelo autor, publicada na revista The Twilight Zone, e um posfácio escrito pelo jornalista e tradutor desta edição, Ronaldo Bressane, que traçou paralelos entre o filme e o livro.

Publicado originalmente em 1968, Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas? conta a história de Rick Deckard, um caçador de recompensas que vive em uma San Francisco coberta pela poeira radioativa que dizimou inúmeras espécies de animais e plantas. Um novo trabalho pode ser o ponto de virada para melhorar seu padrão de vida e realizar seu sonho de consumo: uma ovelha de verdade, para substituir a réplica elétrica que ele cria em casa. Para isso, Deckard precisa perseguir e aposentar seis androides que estão foragidos, se passando por humanos. No entanto, as convicções do detetive podem mudar quando percebe que a linha que separa o real do fabricado não é mais tão nítida quanto ele acreditava.

O lançamento do livro está marcado para o dia 10 de abril de 2019.

Cemitério Maldito ganha vídeo legendado e nova data de estreia no Brasil

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Bruno Tomé, no Observatório do Cinema

Cemitério Maldito, dirigido por Kevin Kölsch e Dennis Widmyer, acaba de ganhar um featurette. Com ele, uma nova data de estreia foi anunciada para o Brasil – o terror chegará no dia 9 de maio agora, e não mais em abril.

No vídeo inédito, os diretores e o elenco comentam sobre o filme baseado na obra de Stephen King. “Se você quiser fazer um filme realmente aterrorizante, tem que voltar ao mestre do terror, Stephen King”, opina Dennis Widmyer.

“Cemitério Maldito ficou conhecido como a obra mais aterrorizante de King”, completa Kevin Kölsch.

O elenco do novo filme conta com Jason Clarke (O Primeiro Homem), John Lithgow (The Crown) e Amy Seimetz (Alien: Covenant), que protagonizam a história sobre um cemitério amaldiçoado.

O livro de King já foi transformado em filme no ano de 1989, com direção de Mary Lambert. No final desse ano, a obra completa 35 anos desde que foi lançada pelo autor.

A estreia de Cemitério Maldito acontece em 9 de maio no Brasil.

Inspiração de filme do Oscar, livro de James Baldwin chega ao País

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Cena do filme ‘Se a Rua Beale Falasse’ Foto: Annapurna Pictures

‘Se a Rua Beale Falasse’ foi considerado pelo próprio autor um de seus livros mais esquisitos e concorreu a duas estatuetas

Paulo Nogueira, no Estadão

A carreira de James Baldwin durou quatro décadas, de 1947 a 1987, quando morreu na França, onde se expatriou aos 24 anos. Negro e gay, o escritor ralou (e rolou) num período de mudanças sísmicas nos EUA, nas quais nunca deixou de meter a colher. O autor de Se a Rua Beale Falasse, cuja edição brasileira acaba de sair (a versão cinematográfica concorre a dois Oscar), nasceu no Harlem, bairro nova-iorquino que iria moldá-lo. Foi pregador adolescente, mas apostasiou, encarando a Igreja como uma instituição fundada não no amor, mas no medo. Sempre tentou ser honesto consigo mesmo, independentemente de modinhas mais ou menos edificantes – incluindo sua sexualidade e seu destino num país de hostilidade racial. Quando jovem, namorou mulheres e homens, mas nunca morou em armários: “Amei alguns homens. Amei algumas mulheres.” A luta contra a homofobia tinha de ser pública para o amor poder ser privado, da conta de ninguém, exceto dos envolvidos. 

De Paris, Baldwin foi revisitando a nave-mãe, seja em textos seja em carne e osso, se envolvendo no movimento pelos Direitos Civis dos anos 1960. Esgrimiu na TV americana com vultos tão díspares quanto Malcolm X e William F. Buckley (vídeos disponíveis no YouTube). Em 1964, publicou o ensaio Por Que Parei de Odiar Shakespeare, onde fixou uma mudança de paradigma: “Minha briga com a língua inglesa era porque tal linguagem não refletia nada da minha experiência. Agora vejo a questão de outro jeito. Se a língua não era minha, podia ser culpa dela, mas eu também tinha culpa no cartório. Pois nunca tentei usá-la, apenas aprendi a imitá-la.” Ao customizar seu estilo a partir dos clássicos (especialmente Henry James), temperando-o com o blues de Bessie Smith, Baldwin se tornou um virtuose da prosa literária – a meu ver, o maior ficcionista afro-americano. 

Sobre o racismo, Baldwin realça que ele envenena o caráter moral dos EUA, a partir do que chamou de “inocência” branca, que podemos traduzir como “alienação” ou “má-fé”. Segundo Baldwin, tudo derivava do déficit de amor. Em suas obras, ele tratou do amor gay entre brancos, do amor hétero entre brancos e negros, e do amor hétero entre negros. Claro que Baldwin não falava de sair por aí fazendo coraçõezinhos com as mãos – mas também repudiava aquele oximoro contemporâneo do “ódio do bem”. Ódio é tóxico: gangrena a alma e ponto final. 

No dia 12 de outubro de 1973, Baldwin enviou uma carta ao irmão, participando que acabara seu primeiro romance em cinco anos (e seu penúltimo). Comentou que Se a Rua Beale Falasse era “a obra mais estranha” que já escrevera. Era o Dia de Colombo, e um dos personagens do romance resmunga: “Quem descobriu a América merecia ser arrastado para casa, acorrentado e morrer.” O que Baldwin pensaria do fato de que, décadas depois, um negro seria eleito e reeleito para a Casa Branca, virando o homem mais poderoso dos EUA e do mundo? E serem esses mesmos EUA em que eventos como os de Charlotteville ainda precisam gerar movimentos como o Black Lives Matter? 

A estranheza de Se a Rua Beale Falasse reside em ser o primeiro e único romance de Baldwin narrado na primeira pessoa por uma protagonista feminina: Tish, de 19 anos. Ela descobre que está grávida depois que seu namorado Fonny é preso, acusado de estupro. A história segue a gravidez e a luta para libertar o rapaz, presumivelmente inocente. 

Na época, muitos críticos espinafraram o romance por causa da narradora, considerada “sofisticada demais” e um boneco de ventríloquo do autor. Uma pinoia: Tish é sofisticada o suficiente, enquanto mulher sagaz, diligente e corajosa – mas nunca dona da verdade: “Não conhecemos o suficiente sobre nós mesmos. Acho que é melhor saber que não sabemos, desse modo a gente pode crescer carregando o mistério, assim como o mistério cresce dentro da gente. Mas hoje em dia, é claro, todo mundo sabe tudo, e é por isso que tanta gente está perdida.” 

Sim, Tish estapeia o racismo: “Olhavam para nós como se fôssemos zebras – e você sabe, algumas pessoas gostam de zebras e outras não.” Mas também é capaz de reconsiderar sua relação com o advogado branco que tenta inocentar Fonny: “Sorri, e ele sorriu, e alguma coisa realmente humana aconteceu entre nós, pela primeira vez.” Se a Rua Beale Falasse é um romance feminista: sua mulherada faz e acontece. Só que sem uma migalhinha de misandria: se seus personagens mais formidáveis são mulheres (Tish, sua mãe e sua irmã), os mais desprezíveis também (a sogra e as cunhadas de Tish). E todas elas são negras.

Bem antes de a decodificação do genoma humano (em 2003) lacrar que há apenas uma raça (a humana), Baldwin insinuava que somos todos diferentes, e precisamente por isso iguais. Continua novinho em folha o clamor do Dr. King (amigo de Baldwin): “Tenho um sonho, de que meus quatro filhos pequenos um dia viverão em uma nação onde não serão julgados pela cor da pele, mas pelo seu caráter.” Implicitamente, Baldwin propõe a universalidade desse sonho, rejeitando coisas como a “apropriação cultural”, a ideia de que as culturas são guetos e propriedades privadas, e não patrimônios humanos (como se, por exemplo, um físico negro pudesse ignorar Einstein). 

Já dizia Edmund Wilson: nunca dois leitores leram o mesmo romance – isto é, as grandes obras são plurívocas, fazendo de cada leitor um coautor. Os valores de Se a Rua Beale Falasse transparecem não numa homilia unidimensional e panfletária, através de abstrações sociológicas, mas de indivíduos prismáticos, singulares e contraditórios – como compete a um ficcionista. As biografias destes personagens nunca degeneram em hagiografias. 

Por isso, e a despeito do desfecho algo abrupto (como se Baldwin amarelasse diante de um final feliz, por soar demasiado otimista), Se a Rua Beale Falasse não é programático nem datado, mas para mim o melhor romance de um grande autor.

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