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Por um ensino autêntico de Filosofia

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Hoje, perde espaço tudo o que representa o pensamento articulado, gerador de unidade e coerência

Hoje, perde espaço tudo o que representa o pensamento articulado, gerador de unidade e coerência

 

Em livro voltado para o Ensino Médio, autor faz conexões entre conceitos filosóficos e o cotidiano dos jovens

Thais Paiva, na Carta Capital

A filosofia permite uma humanização mais eficaz, não porque ensina respostas determinadas, mas porque intensifica nossa autoconsciência e, por conseguinte, colabora para dispormos de nós mesmos com mais liberdade, maturidade e felicidade, explica Juvenal Savian Filho, professor da Universidade Federal de São Paulo.

Autor do recém-lançado Filosofia e filosofias: existência e sentidos, o professor mostra na obra como, em nosso cotidiano, sempre praticaremos Filosofia em certo grau se fizermos a pergunta pelo sentido do que somos, pensamos, sentimos e fazemos. “É só assim que a vida se torna autêntica, que começamos a saber jogar com todos os elementos que condicionam a nossa vida e a produzir espaços de liberdade”.

Em entrevista ao Carta Educação, o professor falou sobre o livro e a necessidade de enxergar a atividade filosófica para além da formação escolar.

Carta Educação: Qual a proposta do livro Filosofia e filosofias: existência e sentidos?

Juvenal Savian Filho: Proponho o livro como um recurso para que os leitores tenham experiências filosóficas autênticas e diversificadas. Aliás, não há apenas um ponto de partida no livro, mas vários, porque a leitura não precisa começar necessariamente pelo primeiro capítulo, mas por qualquer um deles. Os diferentes pontos de partida são sempre tomados da experiência cotidiana, da literatura, da ciência, da arte, etc. Com isso, o objetivo é permitir a vivência de experiências filosóficas, mais do que uma doutrinação ou uma formatação mental específica. O livro se dirige principalmente aos estudantes do Ensino Médio, mas também aos interessados em geral pela Filosofia e a todos os amantes da leitura e da reflexão.

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CE: Quão importante é fazer conexões entre conceitos filosóficos e o cotidiano?

JSF: Para percebermos que a reflexão dos filósofos e das filósofas nasce, em grande medida, de experiências semelhantes às nossas. É claro que certas frentes de reflexão filosófica podem ser “distantes” de nosso cotidiano mais imediato. Um exemplo bastante simples: pode parecer uma especulação separada da vida perguntar se os números são entidades existentes por si mesmas ou se são meros símbolos para retratar convenções; por outro lado, se o assunto são leis, direitos e justiça, uma discussão desse tipo não parecerá nada separada da vida, pois ninguém duvida da importância extrema que há em perguntar se as leis são entidades existentes por si mesmas ou se são convenções, se elas refletem algo da natureza ou se apenas são construções históricas, se são justas pelo simples fato de serem leis ou se a justiça é algo que transcende o mero aparato jurídico de um grupo social. Essas e outras questões mostram quão importante é fazer conexões entre nossas experiências e conceitos filosóficos, principalmente no nível do Ensino Médio, pois nossos jovens merecem um cuidado pedagógico especial que contribua para essa fase tão intensa e ao mesmo tempo tão delicada de seu trabalho de humanização.

CE: O que seria esse processo de humanização?

JSF: No atual contexto produtivista, as disciplinas escolares, sobretudo quando organizadas em função do vestibular, sequer levantam a temática da humanização. Elas operam no registro da hominização, ou seja, da transmissão do estritamente necessário para distinguir-se das outras espécies animais: a assimilação da cultura tradicional, mas não o desenvolvimento das pessoas como sujeitos culturais. Isso não significa necessariamente humanizar-se, tarefa que implica assumir tudo o que determina cada indivíduo e grupo, a fim de desenvolver ao máximo possível e da maneira mais elaborada possível as potencialidades que são propriamente humanas: o pensamento e a liberdade.

CE: O que seria compreender filosoficamente a nós mesmos, aos outros e ao mundo?

JSF: Implica parar de crer que os pensamentos que temos sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre o mundo são pensamentos “naturais” ou “normais”; implica também dar-se conta de que os conteúdos de tais pensamentos são, em grande medida, construídos. Compreender filosoficamente a nós mesmos, aos outros e ao mundo requer como primeira tarefa desconstruir os pensamentos que nos fazem falar de “eu/nós”, “outro” e “mundo”. Mas desconstruir não significa destruir! Essa é uma ilusão típica de iniciantes. Desconstruir significa desmontar para ver como funciona. É uma das tarefas mais básicas da Filosofia, sem ainda emitir juízos sobre o pensamento analisado, mas apenas mantendo-se no intuito de entender o funcionamento interno de tal pensamento.

Uma vez desconstruído um pensamento, podemos recusá-lo ou concordar com ele. Por outro lado, não se trata também de apenas fazer análises de pensamentos, procurando, por exemplo, explicações com base nos esquemas causa-efeito ou ação-reação. Se fosse só isso, a Sociologia, a História, a Psicologia, as Neurociências e mesmo as Ciências da Natureza dariam explicações melhores. Trata-se de entender os movimentos do próprio pensamento no seu trabalho de formular descrições e explicações, descobrindo e construindo sentidos; é um movimento em que o pensamento pensa o próprio pensamento. É, no limite, aquilo que prova cabalmente que o ser humano é um ser de significação e não se reduz a um aglomerado de células dirigidas por um cérebro cego e voluptuoso em busca de compensação.

CE: A atividade filosófica vai muito além da formação escolar. Como podemos praticar filosofia em nosso cotidiano?

JSF: A filosofia permite uma humanização mais eficaz, não porque ensine respostas determinadas, mas porque intensifica nossa autoconsciência e, por conseguinte, colabora para dispormos de nós mesmos com mais liberdade, mais maturidade e mais felicidade. Não se trata de refinar as pessoas, nem de conscientizá-las, como se elas não tivessem nenhuma consciência. Trata-se de contribuir para que elas levantem a pergunta essencial pelo que significa existir, conhecer, pensar, amar, agir. Existir é simplesmente seguir o turbilhão de coisas a que estamos acostumados no trabalho, na escola, na família, etc.? Existir é ser pessimista, otimista? Quais as razões do pessimismo e do otimismo? Chegar nesse tipo de pensamento é uma das contribuições mais urgentes da Filosofia. Em nosso cotidiano, sempre praticaremos Filosofia em certo grau se fizermos a pergunta pelo sentido do que somos, pensamos, sentimos e fazemos. É só assim que a vida se torna autêntica, que começamos a saber jogar com todos os elementos que condicionam a nossa vida e a produzir espaços de liberdade.

CE: Em sua opinião, o ato de filosofar está perdendo espaço no mundo atual?

JSF: Sim e não. Hoje, perde espaço tudo o que representa o pensamento articulado, gerador de unidade e buscador de coerência, a produção artística paciente e que se dá o direito de ser menos autorreferente e narcisista, enfim, toda experiência que respeite o tempo da criação, a abertura amorosa à alteridade e a aceitação de que a vida nunca será inteiramente controlável. Ao invés disso tudo, ganha espaço a dispersão, a rapidez, a mercadoria, o consumo, o virtual que dispensa o contato físico, o tempo que não apenas devora tudo, mas que a tudo joga na indiferença. Curiosamente, porém, em vários cantos do planeta se tem denunciado essa dinâmica e se tem valorizado a atividade filosófica como reflexão que encontra os sentidos fornecedores de unidade às diversas experiências.

Para falar uma língua mercadológica, podemos evocar aqui o fato de que algumas indústrias e companhias multinacionais dão hoje preferência a profissionais com formação humanista, especialmente filosófica, porque esses profissionais têm maior capacidade de visão de conjunto, de operação com situações e pensamentos complexos, de enfrentamento e solução de conflitos. Há escolas que reintroduziram Filosofia com urgência porque perceberam que seus estudantes estavam se tornando cada vez mais frios, calculistas, incapazes de demonstrar afeto e respeito humano. É óbvio que seria muito melhor se a reflexão filosófica fosse valorizada por si mesma e nas suas próprias potências, mas se o contexto atual dificulta tal valorização, então a valorização pelo negativo não deixa de ser válida.

CE: No Brasil, o cenário é o mesmo?

JSF: O Brasil vive uma ambiguidade que beira a estupidez. Hoje, ele é o país que mais investe dinheiro público em Filosofia, desde a contratação de professores do Ensino Médio até o financiamento de pesquisas pós-doutorais no exterior. Temos tudo para criar uma cultura filosófica geral e democratizar o acesso a ela. Aliás, já temos sentido efeitos extremamente positivos nas gerações pós-2008 quando a Filosofia tornou-se novamente obrigatória no Ensino Médio. No entanto, o atual governo corre o risco de pôr o Brasil em pleno retrocesso histórico e na contramão de países ricos. Como? Defendendo que, para modernizar-se, o Brasil precisa de mão de obra especializada. Essa é uma máscara para cortar os investimentos em Filosofia e Ciências Humanas e para priorizar a formação técnica. O atual governo chega a ser perverso ao dar a entender que formação técnica não combina com formação humanista.

Não deixa de haver certa verdade no pensamento segundo o qual, em um sistema capitalista, é preciso desenvolver a produção técnica com mão de obra especializada, pois é essa mesma produção que permitirá financiar cultura – inclusive a Filosofia. O problema é o que o governo está operando no registro de uma falácia, a de defender que a formação de mão de obra especializada se faz por exclusão ou diminuição da formação humanista. O governo atual está nos obrigando a voltar ao Brasil do início dos anos 1970, com a pauta desenvolvimentista e a valorização exagerada do ensino técnico, sem reflexão. Vamos formar máquinas humanas. Mas não nos esqueçamos: máquinas humanas também deprimem, adoecem, perdem o sentido e o gosto de viver, revoltam-se, dificultam a vida em comum.

CE: Quais os diferenciais do livro didático que você acabou de publicar pela Editora Autêntica?
JSF: Em primeiro lugar, um diferencial é o fato de o livro ser escrito por temas e de o tratamento dado aos temas permitir uma formação segura em referenciais básicos de história da filosofia, de lógica, de prática argumentativa e de crítica cultural, mas tudo sempre em harmonia com os temas dos capítulos. Aliás, procurei oferecer dados históricos e filosóficos atualizados, sem continuar a repetir no Ensino Médio coisas que nas pesquisas universitárias já ninguém mais diz, por exemplo, chamar Platão de “dualista” ou de “ingênuo”; tratar os filósofos antigos e medievais como irrelevantes para os modernos e os contemporâneos; deixar no esquecimento autores judeus e muçulmanos.

Também procurei sempre partir de dados cotidianos. Foi um ponto de honra, em muitas partes do livro, iniciar pelas imagens – pinturas, desenhos, fotos – e só então compor o texto, evitando que as imagens fossem manipuladas como acessórios dispensáveis. O mesmo ocorreu com dados culturais – filmes, peças, danças, livros, músicas, esculturas. Outro diferencial é que trato com profundo respeito a experiência religiosa. De fato, apresento os pontos de vista teísta, deísta e ateu, procurando entender filosoficamente as razões de alguém ter fé ou não. Foi-se o tempo de crer que todo filósofo deve gritar que a religião é o ópio do povo e não justificar seu ponto de vista. Aposto no diálogo e no interesse mútuo mesmo quando o tema é delicado ou tenso. Invisto sobremaneira nos exercícios dissertativos, pois estudantes treinados em dissertação são capazes de resolver exercícios de testes, mas o inverso não ocorre.

Meu professor preferido da escola tinha partido e surtava diariamente

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Catarina Bessel

Catarina Bessel

 

Gregório Duvivier, na Folha de S.Paulo

Na minha escola a gente podia escolher entre o literário e o científico. Quem escolhesse o primeiro, teria oito horas de filosofia por semana. Todas elas com o mesmo professor. Um sujeito que podia ser tudo menos simpático.

Levy Midon tinha uma barriga dura e um bigode ruivo de gaulês, como Abracurcix –mas sem o carisma. Não sorriu. Não perguntou nossos nomes. Na primeira vez que entrou na sala, tivemos a certeza de que nossa vida seria um inferno.

Um aluno falou, blasé, que aquela aula seria tempo perdido porque “filosofia não servia pra nada”.

Antes que o estudante terminasse, o sangue subiu à cabeça já vermelha do professor: “Nada serve pra porra nenhuma, seu imbecil!”, ele berrava, batendo os punhos na mesa.

“Você vai morrer! Não importa o que você faça! Sabe o que não serve pra nada? Você. Eu também não sirvo pra nada. Mas você serve pra menos ainda, porque você acha que serve pra alguma coisa.” E ele foi se acalmando, aos poucos, enquanto deixava claro para quão pouco servia a vida.

Sem que percebêssemos, a aula tinha começado. Quando descobrimos que ele podia surtar a qualquer momento, assistíamos à aula vibrantes e estarrecidos, como quem brinca com um tigre.

Uma vez, falei que os franceses eram fascistas porque tratavam mal as crianças. Midon virou um camarão graúdo: “No seu país, meio milhão de crianças mora na rua! E você está cagando pra elas! Fascista é você que só se importa com criança branca e rica”.

“Iaaaaau”, todos berravam, fazendo a famosa onomatopeia de humilhação moral, hoje talvez substituída por “chupa!”.

Sempre que consultado, o professor versava sobre qualquer assunto: futebol, cinema, dicas de masturbação, a vida íntima dos outros professores, sua própria vida íntima, a morte da esposa num acidente de carro. Tudo estava em pauta.

A não ser o assunto da semana. Hegeliano, sobre atualidades não falava de jeito nenhum. “A coruja de Minerva só levanta voo no crepúsculo”, dizia, e se calava.

Ficamos amigos dele. Quando se apaixonou, levou a namorada pra sala pra que a gente a conhecesse.

Quando me formei, não sabia o que cursar. Tinha medo de, escolhendo a literatura, ser pobre pra sempre.

Perguntei a ele o que achava. “Você já escolheu”, ele disse, “quando escolheu um professor pobre pra escolher. Você não perguntou a um banqueiro. Essa é a tragédia da vida, meu amigo. Você não consegue não escolher.”

Nunca mais nos encontramos.

Quarta-feira visitei a escola. Perguntei por ele. Morreu no início do ano, disseram-me. Do coração.

Professora de filosofia se disfarça de faxineira para dar lição a alunos

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Thiago Varella, no UOL

Os alunos de agronomia teriam a primeira aula de filosofia no dia 6 de junho, começo do semestre. A professora parecia atrasada naquele dia. Já se passavam 20 minutos do horário da aula e nada de a docente aparecer.

Alguns alunos ficaram bravos com o atraso: “Que demora é essa? Que professora irresponsável que não chega… Ela atrasa, mas a gente não pode chegar mais tarde”, disseram os alunos, segundo Edenise Guedes, 43, a professora que fez essa provocação com os alunos do Instituto Federal Sertão Pernambucano, na zona rural de Petrolina (PE).

Guedes puxou papo com os alunos. “Primeiramente, perguntei qual aula era aquela. Me responderam que era filosofia. Foi então que perguntei: o que é filosofia?”, diz. “Um dos alunos, que estava irritado, chegou a dizer que era uma coisa que inventaram para reprovar estudantes.”

Edenise Guedes, 43, professora de filosofia

“Só fui desmascarada quando a assessora de imprensa do instituto entrou na sala para tirar fotos a pedido da coordenação 20 minutos depois do começo da aula”, conta Guedes.

A ideia de Edenise era provocar os estudantes: “Aqui na instituição, a equipe de limpeza é maravilhosa, mas os alunos passam, esbarram e nem veem. Chamei a atenção para isso”, conta.

Mesmo após revelar sua verdadeira profissão e de começar a falar sobre filosofia, alguns alunos ainda duvidaram. No fim da aula, uma das estudantes chegou perto da professora e disse que era “estranho vê-la vestida daquele jeito”.

Lição

“Naquela aula, expliquei a dificuldade que eles tiveram de me identificar dentro da sala. Na filosofia, o importante é ler o mundo em sua volta e perguntar como você quer ser percebido. Como docentes, a gente tem a necessidade de fazer o outro pensar. O desafio é esse. Aristóteles dizia que a verdade é o mundo que está a sua volta”, disse a professora que é formada em história e que dá aulas no ensino superior desde 2010.

Segundo Guedes, além da discussão, sua dinâmica teve o objetivo de fazer os alunos se interessarem mais pela filosofia.

“Nas aulas, a gente trabalha os temas de ética. Quando eu me proponho e, trazer um tema para os alunos, tenho a preocupação de que eles se apaixonem pela disciplina. Quando isso acontece, a aula fica mais leve. Também tenho o objetivo de fazer um uso prático da filosofia. Para mim, todo mundo nasce filósofo. O bebezinho começa colocando a boca em tudo e depois faz pergunta de tudo. E de repente, a gente para de agir assim. Em sala de aula quero rever isso e fazer com que os alunos voltem a questionar tudo”, explicou.

Aos 67 anos, ex-traficante se forma em filosofia e se torna pesquisador em saúde pública

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Ana Beatriz Rosa, no Brasil Post

Aos 67 anos, duas passagens por presídios e muitos roubos, David Norman, ex-traficante de drogas, venceu o seu maior desafio: obter um diploma na Columbia University, em Nova York.

Ele deixou o estereótipo do criminoso perigoso e agora é filósofo e pesquisador em saúde pública.

Mas a trajetória de Norman pelos becos abandonados de Harlem, bairro novaiorquino, não foi fácil. Ainda assim, ele não desistiu.

Ao Daily News, ele contou que obter o diploma foi a prova de que “perseguir os seus sonhos é sempre possível.”

O histórico de Norman é similar ao de muitas pessoas em situação de vulnerabilidade social: começou a beber aos 11 anos; antes dos 15 já injetava heroína; frequentou apenas uma única aula do ensino médio; se prostituiu para alimentar o desejo pelas drogas; foi acusado por homicídio ao esfaquear outro homem em uma briga de rua.

“Eu convivi 35 anos com o vício”, comentou.

Mas a história do ex-traficante se transformou, ironicamente, quando cumpria sua pena no sistema penitenciário. Lá, ele aprendeu hebraico e encontrou o prazer nos livros. A experiência foi tão inspiradora que ajudou Norman a articular um programa que ensina habilidades aos detentos que estão se preparando para a ressocialização após a pena.

“Eu tive momentos de clareza e fui capaz de reconhecer que tudo o que eu tinha feito até aquele momento tinha sido bastante contraproducente. Eu precisava me envolver em algumas novas atividades e ter novos comportamentos”, afirmou ao jornal americano.

Dali em diante, após sua saída em 2000, ele passou a dedicar o seu tempo a desenvolver os seus potenciais.

“Eu refleti sobre o que me levou por esse caminho e o que eu precisava fazer para não ser vítima do vício novamente.”

Ele começou a trabalhar em um hospital auxiliando outros dependentes químicos em recuperação. Depois, passou a ajudar em pesquisas na Columbia University sobre programas de saúde para as comunidades. De lá, foi aceito na Escola de Estudos Gerais da Universidade, onde Norman deu inicio aos seus estudos, mesmo sendo 40 anos mais velho do que a média dos seus colegas.

No dia de sua formatura, ele não escondeu a emoção. Além do trabalho como pesquisador, agora, ele projeta escrever um livro.

Concurso Cultural Literário (157)

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1337-20160318170343O tempo que resta

Um comentário à Carta aos Romanos

Giorgio Agamben (autoria), Davi Pessoa, Cláudio Oliveira (tradução)

Num de seus primeiros livros, Infância e História, Giorgio Agamben sustenta que a cultura moderna não conseguiu elaborar uma ideia do tempo de acordo com sua concepção da história. Isso se deve, explica, à herança grega que, para além de suas diferenças, segue presente na representação cristã do tempo que a cultura moderna secularizou. De fato, retomando uma expressão de Santo Agostinho, quer se trate do círculo, quer se trate da linha, ou seja, da temporalidade circular dos antigos ou da linearidade dos cristãos, o tempo é sempre concebido como uma sucessão contínua de pontos. E, desse modo, a experiência cristã do tempo permanece presa na subordinação ao espaço.

O presente trabalho procura confrontar esse duplo desafio: trazer à luz a experiência cristã do tempo, isto é, do tempo do Messias, para dispor de uma ideia do tempo à altura da dimensão histórica do homem.

Dividido em seis jornadas, o autor se ocupa das dez primeiras palavras da Carta de Paulo aos romanos. Cada uma delas é objeto de um comentário erudito que se alimenta das mais diversas fontes: da própria Escritura, da filosofia, dos midrashim judaicos, do direito romano, da literatura, etc. Todas se encaminham para o mesmo lugar, até um agora que já não é um ponto na sucessão do círculo ou da linha, mas um tempo que resta, que se contrai para abrir o presente à sua dimensão mais íntima.

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Em parceria com a Autêntica, vamos sortear 3 exemplares de “O tempo que resta“, de Giorgio Agamben.

Para concorrer, fale na área de comentários sobre a importância de uma análise filosófica da Bíblia. Use no máximo 4 linhas.

Se participar via Facebook, por favor deixe seu e-mail de contato.

Para ficar sempre por dentro das novidades e promoções, sugerimos que curta as páginas dos envolvidos neste concurso cultural:

O resultado será divulgado dia 23/6 neste post.

Divulgue e participe.

 

Atenção para os ganhadores: Irenio Chaves, Isabel Aguiar e Rodrigo Santos. Parabéns! Entraremos em contato via e-mail.

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