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Ressentimento, ciúme, vingança… e livros

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Escritores, filósofos e especialistas abordam as causas e os efeitos da questão do combate amoroso na literatura. Várias obras chegam ao mesmo tempo às estantes

Winston Manrique Sabogal, no El País

Ilustração de Fernando Vicente.

Ilustração de Fernando Vicente.

Ninguém escapa à tentação. A vingança por um ressentimento amoroso aninhada em algum canto do coração e mascarada como alívio à dor. Três livros recentes confirmam: Merci por ce moment, de Valérie Trierweiler (“Obrigada por este momento”, ainda sem editora no Brasil), é o testemunho-castigo da ex-companheira do presidente da França, François Hollande; Palais de Justice, de José Ángel Valente (ainda sem editora no Brasil), revela passagens pessoais da vida do poeta espanhol; e Así empieza lo malo, de Javier Marías (“Assim começa o mal”, também sem editora no Brasil), exemplo do argumento em uma obra de ficção.

A vingança na literatura vem de duas estirpes: a primeira, como elemento inspirador e artístico, para iluminar áreas obscuras da condição humana; a outra, espúria, para acertar contas. Segundo escritores, filósofos e especialistas, recorrer à literatura como arma de desilusão não costuma resultar em um bom livro. Por outro lado, é, sim, um território fértil para, a partir daí, criar-se obras boas. É a prova de que a vingança não é um prato que se come frio, mas sim fervendo.

Para a escritora e jornalista espanhola Rosa Montero, a literatura “busca encontrar o sentido do mundo, o sentido da vida, o sentido da dor”. “Não se pode reduzir essa busca imensa e essencial à suja, ridícula e, frequentemente, pateta pequenez de uma vingança amorosa”.

Ninguém escapa à tentação. O rastro de pranto enfurecido do ressentimento está na literatura desde os clássicos gregos e romanos, a Bíblia e As mil e uma noites até As Brasas, de Sándor Marái (Companhia das Letras), e O Túnel, de Ernesto Sábato (Companhia das Letras), passando por Otelo, de Shakespeare, e O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brönte (Landmark).

Da estirpe mais espúria vem um dos livros mais comentados da atualidade na França: Merci pour le moment. Ali, Trierweiler tenta cumprir sua promessa a Hollande – “Vou te destruir” -, assim que ele confessou a ela sua infidelidade. Em 2008 a França viveu um episódio parecido, quando Jean-Paul Enthoven publicou Ce que nous avons eu de meilleur (“O melhor que tivemos”, sem edição no Brasil): ele tinha um filho chamado Raphael quando se tornou amante de Carla Bruni. Mais tarde, ela o abandonou para ficar com Raphael, com quem teve um filho antes de se tornar esposa de Nicolas Sarkozy.

Um dos casos mais parecidos com o livro de Trierweiler, guardadas todas as distâncias literárias, foi assinado por Oscar Wilde em De Profundis (Martin Claret). Quando o autor inglês estava na prisão se sentiu traído pelo amante, Lorde Alfred Douglas, e escreveu a ele uma carta em 1897. Um breve texto que nasce do amor mas onde o escritor recorda o infortúnio causada por Douglas e desaprova certos comportamentos do amante.

Nada mais infrutífero que a vingança, adverte o narrador e poeta Darío Jaramillo. Segundo ele, o que a literatura clássica mostra “é que o vingador está sempre equivocado em relação aos fatos que dão origem ao ato vingativo. Talvez porque o amor louco distorce a percepção e faz enxergarmos coisas que não ocorreram”. Além de infrutífera, Jaramillo contradiz a opinião de que a vingança é prazerosa, porque “o vingador também pode terminar derrotado pela culpa”.

Ninguém escapa à tentação. Outra coisa é que o desenvolvimento da civilização retenha os indivíduos. E de onde vem ou onde nasce esse impulso? Desde a infância a pessoa já está familiarizada com a dialética da vingança e suas estratégias, em geral, afirma o escritor espanhol Jesús Ferrero em Las experiencias del deseo – Eros y misos (“As experiências do desejo – Eros e ódios”, sem edição no Brasil). Segundo o autor, quando se detecta o vingador em uma obra literária, “logo nos identificamos com ele, como se suspeitássemos que o deleite que sua vingança nos proporciona será superior a qualquer outro prazer literário. Por mais objeções morais que esse processo tenha, quase sempre estamos dispostos a nos apaixonar pelo vingador e a desfrutar de sua vingança, como diz [o filósofo] Fernando Savater em A Infância Recuperada (Martins Fontes)”.

É o oposto do grande sentimento ansiado e buscado: o amor. “Se aceitamos que a relação amorosa é a grande aposta intersubjetiva do ser humano, é possível entender que o fracasso dela pode ser vivido por seus protagonistas como a maior das derrotas”, reflete o filósofo Manuel Cruz, autor de Amo, luego existo – Los filósofos y el amor (“Amo, logo existo – Os filósofos e o amor”, sem editora no Brasil). A razão estaria no fato de no amor mais intenso as pessoas se colocarem nas mãos do outro. “Alcançamos o grau máximo de vulnerabilidade. Por isso nada nos prejudica tanto como o desprezo ou a rejeição vindos do outro”.

A vingança fica, assim, na órbita errática do ressentimento como um elemento fértil para o escritor. A poetisa Clara Janés afirma que se interessa por tudo, mas para transformar tudo em arte, em literatura. Todos os sentimentos lhe servem de aprendizado e exercício, se consegue criar “intensidade, beleza, profundidade e boa escrita”. Mas detesta tudo o que é melodramático. Desde a adolescência a interessam figuras como Medeia e Fedra.

Arquétipos do mundo antigo, onde a mulher casada vivia submetida ao marido, e em caso de traição ou abandono devia se resignar, recuperando seu dote em todo caso, como recorda o especialista Carlos García Gual. Mas o mito e a tragédia tornaram célebres duas mulheres muito vingativas: Medeia e Clitemnestra.

Vingança ou ressentimento que, talvez, sejam estratégias de sobrevivência por parte de quem se vê abandonado, afirma Cruz. “Porque, de fato, não faz sentido culpar ou responsabilizar alguém que deixou de nos amar: que outra coisa essa pessoa poderia fazer, se ainda resta um pouco de amor, senão nos contar a verdade? Mas assumir isso nos levaria a aceitar que a relação amorosa não responde à lógica do intercâmbio (o chamado ‘absurdo’ do amor) ou a assumirmos nós mesmos o peso do fracasso, e quase com toda a certeza isso aumentará a dor até o insuportável (porque não poderíamos evitar pensamentos sobre como pudemos deixar escapar alguém a quem confiamos a vida?)”.

Ninguém escapa à tentação. Nem a acreditar que a vingança é um prato que se come frio, o que Ferrero desmente: “Mais parece um prato que se come fervendo, que acelera as emoções e as batidas do coração e cria faíscas contínuas na mente”.

Quem escapa a seu zumbido?

Ainda que, às vezes, sejam batimentos cardíacos transformados em versos, como os de Darío Jaramillo, em seu poema Vingança:

Ahora tú, vuelta poema, / encasillada en versos que te nombran, / la hermosa, la innombrable, luminosa, / ahora tú, vuelta poema, / tu cuerpo, resplandor, / escarcha, desecho de palabra, / poema apenas tu cuerpo / prisionero en el poema, / vuelto versos que se leen en la sala, / tu cuerpo que es pasado / y es este poema / esta pobre venganza”.

6 coisas que Aristóteles entendeu errado

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Viking

Viking

Armand Marie Leroi, no Brasil Post

Todo mundo sabe que Aristóteles foi um grande pensador. Ele inventou a lógica, escreveu a Política, a Poética e a Metafísica – livros que os filósofos leem até hoje. Mas pouca gente sabe que também foi um grande cientista – o primeiro. Foi a primeira pessoa a compreender que as teorias sobre o funcionamento do mundo natural têm de ser testadas pela evidência de nossos sentidos: pela realidade empírica. Ele escreveu sobre física, cosmologia e química, mas, principalmente, amava biologia. Ele colecionou milhares de fato sobre animais e plantas e então, em uma dúzia de livros, os explicou. É o maior sistema científico já construído por um homem. Mas até os maiores fãs de Aristóteles – entre os quais me incluo – têm de admitir que ele entendeu algumas coisas errado.

1. As mulheres são monstruosas.

Aristóteles diz que as mulheres têm menos dentes que os homens. Não está claro por que ele pensa nisso. Talvez ele tenha contado os dentes de sua jovem esposa e descobriu que ela não tinha os sisos. Mas os dentes são o menor dos problemas de Aristóteles com as mulheres. Comparadas aos homens, diz ele, elas são “imaturas”, “deficientes”, “deformadas”; são até um pouco “monstruosas”.

Estudiosos feministas levaram isto a sério, como deveriam. Mas tudo está ligado à biologia de Aristóteles. Ele acha que os homens têm sangue mais quente que as mulheres, têm um papel mais importante na reprodução e de modo geral são mais perfeitos. Ele dá algumas evidências para seus comentários. Nota que se você “mutilar” um menino — cortar seus testículos — sua voz nunca engrossará e ele não ficará calvo: ele se tornará feminilizado. A inferência de que as mulheres são naturalmente homens mutilados é razoável, mesmo que não seja exata.

É difícil resistir à conclusão de que as opiniões de Aristóteles sobre a biologia feminina são pelo menos em parte condicionadas pelos costumes patriarcais de sua época. Em Política, ele nem sequer considera a possibilidade de que as mulheres fossem cidadãs. A seu crédito, ele rejeita a sugestão de Platão em A República de que as mulheres deveriam ser partilhadas comunitariamente. Isto, porém, não é uma defesa dos direitos das mulheres: ele apenas pensa que a partilha das mulheres apoiada pelo Estado causará problemas. Provavelmente tinha razão.

2. Algumas pessoas merecem ser escravas.

A Atenas do século 4º funcionava com escravos. Em sua Política, Aristóteles considera a justiça disso. Ele admite que prisioneiros de guerra não merecem ser escravizados: são homens livres que apenas tiveram má sorte. Mas também afirma que algumas pessoas merecem ser escravizadas. Os escravos “naturais” são o tipo de pessoas que têm a capacidade de aceitar ordens, mas não têm inteligência suficiente para pensar por si mesmas. São pessoas mecânicas. Não são muito melhores que os animais.

É uma avaliação bastante dura. Coloque de lado a questão da propriedade, porém, e você poderá ver o que Aristóteles está pretendendo. Ele compreenderia o capitalismo industrial moderno. Ele indicaria que os trabalhadores em um “centro de remessa” do tipo dirigido pelas firmas de encomendas pelo correio, que obedecem roboticamente às ordens de “controladores” ambulantes, são escravos no sentido de que não podem exercer sua razão. Eles são escravos “naturais”? São incapazes de exercitar a razão? Não. Mas é assim que são tratados.

3. As enguias não se reproduzem.

As enguias são um problema para Aristóteles. O problema é que elas não têm gônadas. Abra o corpo de uma enguia e você não encontrará os espermatozoides e os óvulos que encontra dentro de outros peixes. Como então elas se reproduzem? A solução de Aristóteles é que elas não se reproduzem: apenas são geradas espontaneamente da lama. É claro, Aristóteles não poderia saber sobre a bizarra história de vida da enguia europeia: como ela só desenvolve suas gônadas quando faz uma viagem de 10 mil quilômetros dos rios da Grécia até o mar de Sargaços, nas Bermudas; como ela desova na profundidade, morre, e os filhotes fazem a longa viagem de volta. Mas sua solução para o problema da enguia foi excessivamente radical. Na verdade, ele pensa que muitos animais — moscas, percevejos, sanguessugas, ostras, moluscos — também são gerados espontaneamente de matéria-prima inanimada. A teoria da geração espontânea foi extremamente influente. Foi somente em 1668 que o cientista italiano Francesco Redi mostrou que para que surjam moscas na carne podre outras moscas primeiro têm de depositar ovos nela. O experimento de Redi era simples. Aristóteles poderia tê-lo feito. Mas não fez.

4. A eternidade do mundo.

Aristóteles, um maravilhoso naturalista, tem muitas evidências da evolução à sua frente. Ele vê que as espécies podem ser agrupadas em famílias; ele vê como elas são adaptadas a seus ambientes, e tem uma teoria sobre hereditariedade – a mais sofisticada que existia até que Mendel publicou a sua em 1866. Alguns de seus antecessores, os filósofos pré-socráticos, tinham teorias quase evolucionárias para explicar a origem da vida. Aristóteles avalia, e rejeita, todas elas.

5. Existe vida lá fora.

Aristóteles era um geocêntrico. Ele pensava que a terra se situa no centro do cosmo: o sol, a lua, planetas e estrelas, embutidos em esferas cristalinas, giram ao redor dela. Copérnico, Galileu e Kepler mostraram que ele estava errado. O aspecto mais estranho da cosmologia de Aristóteles, porém, não é seu geocentrismo, mas sua convicção de que os objetos celestes são vivos. Eles são, na verdade, as coisas vivas mais perfeitas; são quase deuses. Ele se pergunta por que a lua não tem asas, e conclui que não precisa delas; tem uma maneira melhor de se deslocar. Tudo faz parte de sua convicção de que o cosmo, em toda a sua reluzente perfeição, tem um objetivo. Nós não; simplesmente pensamos que ele apenas é.

Essa é a astroteologia de Aristóteles. Seu Deus definitivo é o Primeiro Movedor; uma entidade imaterial que vive além das estrelas, e, indiferente à vida na terra, passa seu tempo pensando sobre pensar. As estrelas e os planetas desejam ser como ele e por isso giram eternamente. É por isso que as coisas vivas se reproduzem: elas querem ser como Deus, eternas. Para Aristóteles, o amor literalmente faz o mundo girar.

6. Como as abelhas se reproduzem.

Aristóteles tenta decifrar como as abelhas se reproduzem. A maioria dos animais (com exceção dos geradores espontâneos) tem machos e fêmeas, e é fácil identificá-los. Mas existem três tipos de abelhas: as operárias, os zangões e as abelhas “líderes”, ou rainhas. Ele reúne todos os dados que consegue, os analisa e dá um ciclo de vida para as abelhas que, embora engenhoso, é errado. Mas é o que ele diz no final de seu capítulo sobre as abelhas que importa:

Então esta, pelo menos até onde vai a teoria, parece ser a situação sobre a geração das abelhas — em conjunto, isto é, com o que as pessoas acreditam ser os fatos sobre seu comportamento. Não que haja atualmente qualquer compreensão adequada do que são esses fatos. Se no futuro eles forem compreendidos, será quando a evidência dos sentidos depender mais que de teorias, embora as teorias tenham uma participação, desde que o que elas indicam concorde com os fatos.

Isto é o que eu penso que está acontecendo, mas realmente não sei. Quando tentamos compreender o mundo, devemos considerar as teorias. Mas na verdade são os fatos que importam; e, se os fatos mudam, nossas teorias também devem mudar. É uma declaração sobre como fazer ciência, feita 23 séculos atrás, a primeira. É por isso que, como cientista, posso compreender o que Aristóteles diz. É por isso que gosto tanto dele.

O livro de Armand Marie Leroi, “The Lagoon: How Aristotle Invented Science“, é publicado pela Viking (US$ 29.95).

Obras de importantes filósofos ganham versões em quadrinhos

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Quadrinhos incorporam personagens aos textos teóricos

Quadrinhos incorporam personagens aos textos teóricos

Pensadores como Karl Marx, Sun Tzu e Rousseau podem ser lidos em novelas gráficas

Publicado no Divirta-se

Se alguém contar, em uma conversa, que leu uma peça de Shakespeare em quadrinhos, ouvinte nenhum se espantará demais. Afinal, as obras do dramaturgo inglês têm roteiro elaborado, repleto de personagens e conflitos que podem ser bem retratados em imagens. Mas, se o autor em questão for um filósofo que escreveu livros cheios de conceitos complexos e reflexões teóricas, é bem possível que a surpresa seja maior.

É isso, porém, que está acontecendo com livros de autores teóricos, como Friedrich Nietzsche, Sigmund Freud e Jean-Jacques Rousseau, entre outros nomes consagrados. Tratados, artigos e reflexões desses pensadores ganharam adaptações em narrativas gráficas nos últimos tempos e chegaram às lojas brasileiras em coleções como Clássicos em mangá, que lançou, até agora, cinco obras do mundo acadêmico.

Para o professor Vinicius Rodrigues, pesquisador sobre quadrinhos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), as HQs são um campo de atuação vasto que não precisa se limitar a trabalhos de narrativa mais comum. No entanto, o especialista reconhece que levar o texto teórico a esse suporte é um obstáculo. “Parece-me que, nesse caso, estaríamos lidando com a mesma dificuldade da adaptação cinematográfica caso o filme não fosse um documentário”, compara.

Os clássicos publicados pela coleção traçam o percurso apontado pelo professor. Acrescentam personagens e histórias que estão ausentes na obra original. Responsável pelas publicações, o tradutor Alexandre Boide acredita que essas mudanças podem facilitar o entendimento dos textos. “O leitor pode compreender de forma mais vívida o tipo de sofrimento humano que estimulou o surgimento dessas ideias, e também seu potencial efeito sobre a vida das pessoas”, esclarece.

As 10 escolas mais incríveis do mundo

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Publicado por Hypescience

No mundo todo, a maioria das crianças e adultos passam por uma educação tradicional, na qual aprendem conteúdos enraizados por intermédio de um professor, são testados através de provas e trabalhos, e precisam constantemente comprovar sua capacidade para escalar etapas e chegar até a universidade.

Muitas vezes, esse tipo de abordagem não traz à tona o melhor de cada estudante. Cada vez mais, filósofos, educadores e psicólogos estão descobrindo que as escolas tradicionais são ultrapassadas, matam a criatividade e não suprem a demanda atual por indivíduos com características empreendedoras e inovadoras.

No entanto, algumas das escolas mais incríveis do planeta estão começando a mudar o panorama acadêmico mundial. Conheça dez delas:

1. Vittra

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Nessa escola sueca, os alunos agem de forma independente em seus laptops, em qualquer lugar que lhes seja confortável e conveniente. Com 30 instituições ao redor do país, o método elimina totalmente as salas de aula. Os alunos são livres para trabalhar no que quiserem, sendo que há opções de trabalhos em grupo e “móveis orgânicos conversacionais” que permitem que as crianças interajam umas com as outras.

A Vittra pensa que, ao quebrar as divisões de classe físicas, as crianças podem ser ensinadas a viver com autoconfiança e comportamento comunal responsável. De acordo com a diretora da escola, Jannie Jeppesen, o projeto se destina a permitir que a curiosidade e a criatividade floresçam nas crianças. Eles não trabalham com notas.

2. Escola Primária José Urbina López

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A Escola Primária José Urbina López fica ao lado de um lixão na fronteira do México com os EUA, atendendo moradores de Matamoros, cidade que luta uma extensa guerra contra as drogas. Era apenas mais uma escola formando estudantes desmotivados, até que o professor Sergio Correa Juárez resolveu introduzir um método de educação alternativa em sua classe. Ele adotou uma filosofia educacional emergente que se aplica a lógica da era digital para a sala de aula.

Mais ou menos como o método Vittra, ele resolveu que os alunos deveriam ser livres para se focar nos assuntos que tivessem mais vontade. Como o acesso a um mundo de informação infinita mudou a forma como nos comunicamos, processamos informações e pensamos, Juárez decidiu, baseado nas pesquisas que fez, que conhecimento não deve ser uma mercadoria entregue de professor para aluno, mas algo que emerge da própria exploração movida a curiosidade dos alunos. Seus resultados deram bons frutos: o método revelou habilidades extraordinárias na pequena estudante de 12 anos Paloma Bueno, hoje no topo do ranking de matemática e linguagem no México.

3. Escolas sem professores de Sugata Mitra

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Para implementar sua nova filosofia, Sergio Correa Juárez pesquisou diferentes métodos de educação alternativa, um deles o de Sugata Mitra. Em 1999, Mitra era cientista-chefe de uma empresa em Nova Deli, na Índia, que treinava desenvolvedores de software. Seu escritório ficava à beira de uma favela e, um dia, ele decidiu colocar um computador em uma parede que separava seu edifício da favela. Para sua surpresa, sem ninguém intervir, as crianças rapidamente descobriram como utilizar a máquina. A partir disso, Mitra fez vários experimentos que levaram muito conhecimento a diversas crianças, tão avançados quanto em biologia molecular, por exemplo.

O método de Mitra é mais um que consiste em deixar as crianças aprenderem livremente, sem a presença de uma autoridade. A ideia é que elas se auto-organizem e estejam no controle do seu aprendizado. Nas suas escolas não há professores, currículo ou separação por grupos etários. No entanto, há um grupo de tutores que estão disponíveis via Skype, que os alunos podem consultar se quiserem.

4. Método Montessori

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Método Montessori é o nome que se dá ao conjunto de teorias, práticas e materiais didáticos idealizado inicialmente por Maria Montessori em 1907. O ponto mais importante do método é que a educação se desenvolva com base na evolução da criança, e não o contrário.

Montessori escreveu que o desenvolvimento se dá em “períodos sensíveis”, de forma que em cada época da vida predominam certas características e sensibilidades específicas. Sem deixar de considerar o que há de individual em cada criança, o método traça perfis gerais de comportamento e possibilidades de aprendizado para cada faixa etária, com base em anos de observação. Os seis pilares educacionais de Montessori são autoeducação, educação como ciência, educação cósmica, ambiente preparado, adulto preparado e criança equilibrada.

5. Pedagogia Waldorf

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O método Waldorf foi criado por Rudolf Steiner na cidade de Stuttgart, na Alemanha, para educar os filhos de Emil Molt, proprietário da empresa Waldorf-Astori. Hoje, existem várias escolas no mundo todo (inclusive no Brasil) que utilizam essa pedagogia.

Em resumo, ela tem como objetivo desenvolver a personalidade das crianças de forma equilibrada e integrada, estimulando a clareza de raciocínio, o equilíbrio emocional e a iniciativa da ação. Steiner desenvolveu um currículo que incentiva e encoraja a criatividade, nutre a imaginação e conduz os alunos a um pensamento livre e autônomo.

6. Escola de Summerhill

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A escola se baseia no pensamento do escocês Alexander Sutherland Neill: nela, as crianças fazem o que querem. Com 90 anos de idade, Summerhill é, provavelmente, a mais célebre das chamadas escolas democráticas: as aulas são opcionais e os alunos só as atendem se quiserem. Além disso, a gestão da instituição também é democrática; todas as decisões são coletivas.

Além de Summerhill, pelas contas da Rede Internacional de Educação Democrática, há mais de 200 escolas com essa proposta em 28 países, atendendo em torno de 40 mil alunos. Outros exemplos famosos são a Sudbury Valley School, nos Estados Unidos, e a Escola da Ponte, em Portugal. A experiência lusitana influenciou o projeto pedagógico de instituições brasileiras, como a escola particular Escola Lumiar e as escolas públicas EMEF Desembargador Amorim Lima e EMEF Presidente Campos Salles, todas em São Paulo.

7. Abordagem Reggio Emilia

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Esse método foi criado em 1945 por Loris Malaguzzi, um jovem professor que na época ensinava crianças da região italiana de Reggio Emilia. O sistema educacional tem uma estrutura com uma forte organização, um grande relacionamento com a comunidade e uma intensa participação dos pais.

No ponto central da abordagem, está a crença de que as crianças são cheias de curiosidade e criatividade. Em suas mentes, existem espaços vazios esperando para serem preenchidos por fatos, imagens ou datas. Por isso, o currículo nas escolas é flexível e emerge das ideias, pensamentos e observações das crianças. Seu objetivo principal é cultivar uma paixão permanente pela aprendizagem e pela exploração.

8. The School of Life

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Como podemos desenvolver nosso potencial? O trabalho pode ser algo inspirador? Por que a comunidade importa? A The School of Life (em tradução livre, “A Escola da Vida”) trabalha exatamente questionamentos como esses. Em vez de disciplinas, a instituição coloca em primeiro lugar o indivíduo e as questões que o afetam, como a pressão do tempo e a ideia da morte.

O método foi criado pelo filósofo e escritor suíço Alain de Botton em 2008 e já chegou ao Brasil, com cursos intensivos em São Paulo. A ideia é ajudar os alunos a lidar com os dilemas do ser humano, passando por filosofia, psicologia e artes visuais, e destilar grandes pensamentos de todas as épocas para enriquecer o cotidiano dos estudantes.

9. Brockwood Park School

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Brockwood é uma escola internacional inglesa que oferece uma educação holística personalizada para pouco mais de 70 alunos com idade entre 14 a 19 anos. Seus métodos são profundamente inspirados pelos ensinamentos de J. Krishnamurti, e incentivam a excelência acadêmica, a autocompreensão, a criatividade e a integridade em um ambiente seguro e não competitivo.

A educação Brockwood não é exclusivamente acadêmica. Na verdade, ela integra a excelência acadêmica em sua missão de ajudar os alunos a aprender a arte de viver, e reúne aspectos da aprendizagem, sensibilidade, abertura de espírito e autorreflexão que são muitas vezes ignorados por escolas mais tradicionais.

10. Kaospilot

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A escola dinamarquesa Kaospilot aposta no ensino colaborativo e baseado em projetos para formar seus alunos. A instituição é uma escola internacional de empreendedorismo, criatividade e inovação social fundada em 1991, que propõe uma formação de 3 anos onde os “alunos profissionais” são protagonistas do seu próprio aprendizado, e onde estudos de caso são completamente substituídos por projetos reais com clientes de verdade.

A formação tem três ênfases: desenho e gestão de projetos criativos; desenho e liderança de processos criativos; desenho e criação de novos negócios. A cada ano, formam-se 35 novos “pilotos do caos”. Em 2009, o primeiro brasileiro formou-se por lá, Henrique Vedana, sócio da CoCriar, organização que ajuda grupos de pessoas (como empresas, ONGs e institutos) a se entenderem melhor por meio de conversas que valorizem a habilidade de cada membro para a realização de um trabalho coletivo.

Bônus: pedagogia logosófica

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A pedagogia logosófica proporciona uma educação voltada à formação mais consciente diante da vida e da sociedade. Com oito unidades educacionais no Brasil e cinco no exterior, a instituição se fundamenta na logosofia, doutrina criada há 80 anos pelo pensador e humanista argentino Carlos Bernardo González Pecotch.

A proposta surgiu como reação à rotina dos conhecimentos e sistemas usados para a educação e a formação do ser humano. O objetivo do ensino é estimular os alunos para que sejam pessoas cada vez melhores e mais conscientes de seus atos, palavras e sentimentos. As escolas com pedagogia logosófica não estimulam competição entre alunos, trabalham a superação das dificuldades com motivação e respeitam as individualidades e limitações de cada um. [MontessoriWaldorfAbril,InspiracoesPedagogicasTerraideiafixaBrockwoodPorVirPHP]

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