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Posts tagged Fina

Pelo direito de escrever errado na internet

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Através das redes sociais o Brasil se mostrou pro brasileiro, com seus defeitos, qualidades e idiossincrasias

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Bia Granja, na Revista Galileu

Vossa mercê pode achar esquisito esse bando de jovenzinhos escrevendo “corrão”, “bons drink”, “todos chora” ou “comofas” na internet, mas antes de ficar “chatiado” achando que os Maias estavam certos e o fim do mundo está próximo, Keep Calm and me dá um minutinho da sua atenção. 🙂

No Brasil, o “advento da internet em si” não representou uma mega ruptura em termos de espaço criativo pras pessoas. No começo, só existiam os grandes portais (todos pertencentes às mesmas famílias que já dominavam a grande mídia offline) e os blogs. Mas 99% das pessoas, hoje e então, acham esse lance de blog muito complicado e a quantidade de espaço disponível intimidante, de modo que a verdadeira ruptura chegou junto com as redes sociais: Orkut e YouTube no começo, depois Twitter e agora o Facebook.

Através desses meios, o Brasil se mostrou pro brasileiro… com todos os seus defeitos, qualidades e idiossincrasias. A maioria das gírias estilo “CORRÃO” (que significa corram, do verbo correr) são derivadas do tiopês que, por sua vez, deriva dos erros de português medonhos que a gente via no Orkut. Foi nessa época/rede que nós da elite fina-elegante-sincera começamos a nos deparar com o Brasil verdadeiro, o Brasil que tem 30% de sua população analfabeta.

Sim, isso tudo é muito triste e nossa taxa de analfabetismo é um absurdo, mas antes de culpar a internet por problemas profundos do país e ficar reprimindo as pessoas que falam errado, pare e pense no verdadeiro significado disso tudo. Será que o que realmente importa é que a pessoa se expresse sem erros de português ou que ela se expresse? ANTES das redes sociais, a gente não se expressava AT ALL, ou o fazia em uma escala ínfima. Agora, temos a faca e o queijo na mão pra criar qualquer coisa, inclusive uma nova cultura para nossos tempos.

Falar assim é fazer parte da construção de uma nova cultura colaborativa, visceral e orgânica que nasce na internet. E, diga o que quiser, mas não tem regras formais de gramática e concordância que possam competir com esse cenário sexy em que o jovem tem, pela primeira vez, o poder de construir sua própria cultura e linguagem.

Portanto, não se trata de ser mais ou menos inteligente, de falar certo ou errado, se trata de fazer parte, se trata, simplesmente, de FAZER! Por isso, por mais que a gente saiba que a conjugação correta do verbo “CORRER” na 3ª pessoal do plural do imperativo afirmativo seja “CORRAM”, não fique #chatiado, mas vamos continuar usando o “CORRÃO”.
Tudo bem? 🙂

dica do Sidnei Carvalho de Souza

Ex-gari verte Histórias do lixo em livro

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Plínio Fraga, em O Globo

"Haroldo

Tem história dramática: José Luís trabalha como gari durante o dia e estuda à noite. Na faculdade, enamora-se de Sandra, filha de um industrial. Oculta sua profissão. Certo dia, varre uma esquina quando uma colega de trabalho é atropelada. Sai em seu socorro, começa a esbravejar contra a atropeladora até deparar-se com ela frente a frente. Era Sandra.

Tem história romântica: Raquel era a “garizete” mais bonita da seção, mas não dava bola para ninguém. Queria formar-se em Direito. O advogado Gilmar atentou para aquela moça bonita que cuidava da limpeza de sua rua. Sempre puxava conversa, sem muito sucesso. Mas não desistia. Até que ela dirige a ele as primeiras palavras: “O senhor está fora da lei 3.273, de 2001, no artigo 94, por estar ofertando lixo domiciliar para a coleta fora do dia e do horário preestabelecidos.” Só começaram namorar depois da formatura dela, pois tinha virado doutora Raquel.

Tem história engraçada: três garis trabalhavam juntos em torno do aeroporto do Campo dos Afonsos. Um deles conta que sonhou que um homem chegava e matava os três. Outro replicou que sonhos podem ser premonitórios. Alguém sai correndo. Os outros acompanham. Correm até cansar. Alguma ameaça? O que sonhou responde: “Que nada! Tenho um medo danado de avião”, diz, enquanto aponta para um que fazia sua aterrissagem.

Há quase 30 anos na Comlurb, Haroldo César de Castro Silva, 50 anos, recolheu 33 histórias de companheiros de trabalho e publicou em “Vida de gari”, com a primeira edição bancada do próprio bolso no fim do ano passado. A segunda edição, de 300 exemplares, foi custeada pelo sindicato da categoria. Ele vende os exemplares por conta própria, na repartição em Del Castilho, e após palestras para as quais é convidado.
— Escrever para mim foi uma forma de fugir da solidão. Não sabia como fazer. Resolvi fazer do meu jeito. O livro não é um lixo. É coisa fina. Só cem páginas — conta ele, rindo.

Haroldo já prepara um novo livro, em que pretende narrar os bastidores da escolha de samba de uma escola fictícia. Quer mostrar as agruras de quem faz o carnaval:

— A disputa de samba é uma guerra. Envolve dinheiro, poder. Não é só samba.

Amigo do gari mais famoso do Rio, Renato Sorriso, Haroldo se conforma em ser o escritor da Comlurb.

— Ninguém chama escritor para dar show. Por isso tenho um grupo de samba de resistência — avisa.

dica do Jarbas Aragão

Fim de ano: hora de dar uma pausa na preparação para concursos?

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Para especialistas, não é o momento de relaxar nos estudos, principalmente aqueles que têm provas em janeiro e fevereiro

Publicado em O Globo

Muitos concursos de peso, como os da ANP, Ibama, INPI e CNJ, estão com provas agendadas para o mês de janeiro ou para a primeira semana de fevereiro. E, nesta reta final de preparação, muitos candidatos se perguntam se devem ou não dar uma parada e tirar uma ou duas semanas de folga, devido às festas de Natal e Ano Novo, ou se é melhor conciliar os estudos com os preparativos e comemorações.

É preciso ter muita calma e, segundo os especialistas, o melhor a fazer é não relaxar nos estudos por causa das festas de fim de ano. Para Paulo Estrella, diretor da Academia do Concurso, esse frisson de compras de Natal, programação de réveillon, e festas e mais festas, pode tirar o foco de muitos candidatos. Principalmente para aqueles que estão com prova marcada para janeiro ou início de fevereiro, diz Estrella, não é hora de parar, já que duas semanas pode colocar os concurseiros atrás de muitos concorrentes — que não vão parar de jeito nenhum.

— Talvez essa seja a hora que vai fazer a diferença na sua prova. Claro que uma pausa para a ceia de Natal e de Ano Novo com família é sempre bom, mas nada além disso. Deixe para curtir as próximas festas de fim de ano já com a aprovação confirmada, dinheiro no bolso e a estabilidade garantida. É só mais um pouquinho de sacrifício. Não é possível o candidato lutar o ano inteiro, ou quase isso, para desanimar na reta fina.

Leonardo Pereira, diretor do IOB Concursos, é mais enfático. A dica que dá para quem tem provas agendadas para janeiro ou fevereiro é a seguinte: parar, só no carnaval!

— É hora de tudo ou nada, final de campeonato, decisão de clássico! Certamente irá se sobressair quem não der moleza ao cérebro. Se parar para as festas, vai ser complicado retomar o ritmo. Se for para entrar o ano com pé direito, tem que ser estudando tudo o que for possível!

Outro detalhe notado por Paulo Estrella é que a chegada das férias da faculdade e, em muitos casos, do trabalho, em vez de trazer benefícios, como mais tempo para a pessoa estudar na reta final de muitos concursos, acaba provocando um abandono quase que total dos livros em muitos casos. O que, na opinião do professor, não pode acontecer de jeito nenhum:

— Estive conversando com alguns alunos sobre esse comportamento, que vem me alarmando muito. Alguns disseram estar cansados do ritmo alucinante que as aulas impõem, ao estudo estafante que pode já estar se arrastando há longos meses ou até anos, outros porque é preciso mesmo parar para a “máquina” não pifar. Concordo, mas só em parte. Aliás, uma parte bem pequena. Nesse caso, só para quem não tem prova marcada. Aí, sim, vale a pena parar para relaxar um pouco e para não causar danos à máquina.

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