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Professores contam como estão aplicando no Brasil o que aprenderam na Finlândia

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Professores brasileiros debatem como pôr em prática os métodos finlandeses nas salas de aula brasileiras

Professores brasileiros debatem como pôr em prática os métodos finlandeses nas salas de aula brasileiras

 

Mariana Della Barba, na BBC Brasil

Todos saíram do Brasil com destino à Finlândia. Alguns, inclusive, decolaram no sol da Paraíba e desembarcaram em meio a muita neve em Helsinque.

Mas nenhum dos professores brasileiros que foram fazer um treinamento em Educação no país nórdico reclamou do frio. Em conversa com a BBC Brasil, eles falaram, empolgados, sobre como estão implementando – ou pretendem implementar – o que aprenderam no país nórdico em suas salas de aula tropicais.

Damione Damito, por exemplo, criou um podcast para divulgar as práticas que viu na Finlândia para os colegas.

“Muitos me escrevem contando que, em um determinado ponto do programa, pensaram: ‘Espera, essa é a minha realidade também, acho que dá, sim, para fazer na minha sala de aula'”, conta Damito, que é professor do Instituto Federal de São Paulo.

Os brasileiros também elogiaram o fato de o sistema educacional finlandês se preocupar, segundo eles, mais com a autoestima e o avanço individual de cada aluno do que com a posição do país nos rankings internacionais de educação.

No último estudo Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), divulgado nesta semana, a Finlândia aparece em quinto lugar no ranking de ciências, quarto em leitura e 12º em matemática, entre 70 países. O Brasil, por sua vez, ficou em 63º lugar, 59º lugar e 65º lugar, respectivamente.

Os docentes brasileiros participaram de aulas, workshops, visitas a escolas, encontros técnicos e eventos culturais. Eles foram selecionados pelo programa Professores para o Futuro, do Ministério da Educação, e pelo projeto Giramundo, patrocinado pelo governo do estado da Paraíba, para passar alguns meses estudando a educação finlandesa no país. As duas iniciativas devem continuar em 2017.

Veja os principais trechos dos depoimentos dos professores a respeito do que aprenderam:

‘As iniciativas finlandesas podem ser aplicadas de maneira simples, sem muitos recursos’ – Damione Damito, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), viajou pelo projeto Professores para o Futuro.

Damione Damito criou um podcast para repassar conteúdo que aprendeu na Finlândia aos colegas de profissão

Damione Damito criou um podcast para repassar conteúdo que aprendeu na Finlândia aos colegas de profissão – Arquivo Pessoal

 

“Eu fui para a Finlândia em 2015. No programa em que estava, todos precisam desenvolver um projeto de pesquisa. O meu foi o podcast Papo de Professor, que segue no ar porque há cada vez mais demanda.

Esse meio é interessante porque o professor se sente parte de uma rodinha de discussão. Fora que ele tem um potencial muito grande de atingir professores a custo muito baixo,

De início, muitos acham que não dava para replicar (os métodos finlandeses) aqui. Mas no podcast eu e outros participantes damos dicas de como fazer isso. E muitos me escrevem contando que, em um determinado ponto do programa, pensaram: ‘Espera, essa é a minha realidade também, acho que dá, sim, para fazer na minha sala de aula’.

A ideia é mostrar que as iniciativas finlandesas podem ser aplicadas de uma maneira simples, sem muitos recursos. Sinto que os professores queriam mudanças mas não sabiam como colocá-las em prática. Então havia essa demanda. Em seis meses, tivemos 7 mil downloads únicos, sem divulgação.

Recebemos resposta positiva de professores de todo o Brasil e de outros países de língua portuguesa, como Portugal e Cabo Verde. Já gravamos alguns episódios em inglês também, que foram usados como referência de multiplicação de conteúdo pelo governo finlandês.

Os assuntos que geram mais discussão no podcast são a metodologia centrada no aluno e os PBL*. Apesar de tantas dificuldades que enfrentamos aqui, se o professor se esforçar para usar essa metodologia, as aulas serão mais legais para os alunos e até para eles mesmos.

Na Finlândia, fiquei muito impressionado logo de cara em como o ambiente de aprendizagem interfere no processo. Uma das salas das crianças têm bolas em vez de cadeiras – isso as acalma quando estão muito agitadas. Tudo é feito para o aluno gostar de estar em sala de aula. Elas têm sofá, pufe, pia, dá pra escrever em qualquer parede. Há paredes de vidro e em diferentes formatos. Tudo porque eles têm em mente que os alunos são diferentes e têm demandas diferentes. Eu me sentia muito confortável lá.

Mas eu esperava encontrar muita tecnologia, e não é bem assim. Tem o básico, um retroprojetor, iPad em algumas aulas. O importante, no entanto, não é isso.

É o ensino conectado com a realidade, é a aprendizagem ser significativa. Uma turma que acompanhei foi visitar um balé. Aprendeu conceitos de física como inércia e movimento com os passos de dança, vendo a bailarina rodar no próprio eixo. O professor de artes falou do contexto do espetáculo e o de história, do enredo.

Além do podcast, venho implementando aqui algumas práticas na minha sala de aula. Minha maior dificuldade é realmente na postura dos próprios alunos. Eles estão acostumados ouvir, anotar e a ver o professor transferindo conhecimento. Mas nesse projeto, os alunos viram protagonistas e encontram dificuldades.

Aos poucos, essa postura deles vem mudando. Estão se habituando a trabalhar baseados em projetos que eles mesmos definem, estão se adaptando e se empolgando.”

*PBL é a sigla de metodologias chamadas de “problem-based learning” e “project-based learning” (ensino baseado em problemas ou em projetos). Neles, diferentemente das aulas mais tradicionais, problemas fictícios ou reais são o ponto de partida do aprendizado. Os alunos aprendem na prática e buscam eles mesmos as soluções do desafio.

Vilma Leitão diz que alunos finlandeses são "prioridade total" no processo de aprendizado

Vilma Leitão diz que alunos finlandeses são “prioridade total” no processo de aprendizado

 

‘Sei que não se alcançam mudanças radicais a curto prazo, mas vou trabalhar para desenvolver autonomia dos alunos’ – Vilma Leitão, professora do Ensino Fundamental e Médio em Patos (PB), viajou pelo projeto Giramundo.

“Fiquei na Finlândia dois meses, e, logo nos primeiros dias, me chamou muito a atenção fato de o aluno ser prioridade total no processo, pois é ele próprio quem conduz e gerencia sua aprendizagem. Eles valorizam menos (mais…)

O ensino médio lá fora

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Modelos variam muito entre países, mas há algumas características em comum entre nações com bons resultados na educação

Antonio Gois, em O Globo

Comparar países e seus modelos educacionais é sempre um exercício necessário, mas complexo. Por um lado, sociedade nenhuma pode se dar ao luxo de ignorar experiências de nações que enfrentaram dilemas comuns. Por outro, tentar copiar fórmulas desconsiderando contextos tende a ser improdutivo. No momento em que o Brasil debate uma reforma em seu ensino médio, ao menos dois seminários neste mês possibilitaram entender melhor como são organizados os sistemas secundários em países como Finlândia, Alemanha, Suíça, Polônia, Inglaterra e Canadá.

Uma primeira constatação é de que não há uma receita única. Um exemplo disso está no número de disciplinas obrigatórias. No Brasil são 13, e há quem ache demasiado. Na Inglaterra e em boa parte dos estados americanos, por exemplo, apenas inglês e matemática são compulsórias. A Polônia, um dos países que mais teve ganhos no Pisa e cuja experiência foi debatida em seminário realizado pelo Banco Mundial e pelo MEC, fez recentemente uma reforma que diminuiu de 14 para três o número de disciplinas obrigatórias. Ficaram apenas linguagem, matemática e educação física. O restante do currículo é montado a partir da opção dos alunos.

A regra mundial então seria ter poucas disciplinas? Nem sempre. Basta ver o caso da Finlândia, país reconhecido pela valorização dos professores e por seu sistema equitativo e de alto desempenho. O caso finlandês foi apresentado pela chefe da unidade de Ensino Médio do Conselho Nacional de Educação daquele país, Tiina Tahka, em seminário do Instituto Unibanco e do Conselho Nacional de Secretários de Educação. Lá, são 18 disciplinas obrigatórias. Alguns educadores finlandeses acham o número exagerado, e há no país escolas que estão testando inovações, apostando num ensino cada vez mais interdisciplinar, sem divisões rígidas entre as matérias.

Cabe destacar, porém, uma diferença em relação ao modelo brasileiro. O sistema finlandês no ensino médio tradicional é organizado em créditos, e a parte obrigatória do currículo corresponde a no máximo 51 dos 75 necessários para o aluno se formar. Algumas disciplinas (caso de física, química, filosofia e psicologia) são obrigatórias apenas num módulo básico, o que permite que o aluno complete essas matérias, por exemplo, no primeiro ano do ensino médio, e nos anos seguintes só volte a se aprofundar nelas caso queira.

O que há em comum em todas as nações cujos casos foram apresentados nos dois seminários é o fato de terem sistemas com algum grau de flexibilidade, em que é permitido ao aluno optar pelas áreas em que quer se aprofundar. Mas há também uma preocupação constante em evitar que esse sistema acentue desigualdades, com alunos mais ricos sendo direcionados majoritariamente para uma trajetória que os leve para a universidade, enquanto os mais pobres se destinam ao profissionalizante. Por isso, vários desses países oferecem orientação vocacional aos estudantes e permitem que eles voltem atrás em suas decisões. Não há caminhos sem retorno.

Porém, talvez a lição mais importante que podemos tirar desses países é a de que o projeto de reformar o ensino médio não se encerra na definição de um modelo. Há muito esforço a ser feito antes e depois, pois, tão ou mais importante quanto buscar o melhor formato possível é o investimento nas escolas e nos professores, para que sejam valorizados e estejam de fato preparados para fazer o melhor por seus alunos.

Finlândia deve acabar com as disciplinas escolares até 2020

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Escola na Finlândia: modelos convencionais de ensino podem estar com os dias contados - Olivier Morin / Agência O Globo

Escola na Finlândia: modelos convencionais de ensino podem estar com os dias contados – Olivier Morin / Agência O Globo

 

Sabine Riguetti, na Folha de S.Paulo

Famosa por criticar o formato antiquado das escolas, a chefe de educação de Helsinki, capital da Finlândia, Marjo Kyllonen, anunciou na imprensa internacional que pretende abolir as disciplinas nas escolas.

A ideia é que até 2020 todas as escolas finlandesas trabalhem por projetos agregando os conteúdos no lugar de dividir o conhecimento em caixinhas: de física, de línguas, de matemática. A proposta será de um ensino totalmente interdisciplinar.

Se a mudança der certo, a Finlândia será o primeiro país do mundo oficialmente a acabar com as disciplinas –algo que própria Marjo chamou de uma “revolução na educação”.

A proposta pode se espalhar mundo afora: a Finlândia está no topo das avaliações internacionais de educação e inspira políticas públicas de vários países.

POR PROJETOS

Hoje, algumas escolas de elite do mundo da Europa, da Ásia e dos Estados Unidos já fazem experimentos interdisciplinares no chamado ensino por projeto. Funciona assim: os alunos têm de criar produtos ou soluções usando conhecimentos de várias disciplinas simultaneamente.

Isso acontece principalmente nos laboratórios –e o movimento já chegou ao Brasil: o tradicional colégio Bandeirantes acaba de anunciar que a partir de 2017 os laboratórios de física, de química, de biologia e de artes serão integrados em um único espaço com vários docentes.

A eliminação total de disciplinas ministradas em salas de aula, no entanto, como propõe a Finlândia, é uma novidade.

Os professores daquele país já estão sendo preparados para mudança, afinal, eles ainda são formados em áreas do conhecimento.Na Finlândia, a formação de professor inclui várias etapas de residência na escola –como fazem os estudantes de medicina– e vai até o nível do mestrado.

“Você iria a um médico que usa tecnologia do século 19? Eu não”, disse Marjo em entrevista recente. Especialista em “educação do futuro”, ela sempre destaca o aspecto retrógrado da nossa educação.

No Brasil, o excesso de disciplinas voltou a ser assunto com a proposta recente de reforma do ensino médio o governo federal. Hoje, algumas etapas da educação básica, como o ensino médio chegam, a ter 13 disciplinas diferentes. A ideia, agora, é concentrar os conteúdos em quatro grandes áreas: linguagens, ciências humanas, ciências da natureza e matemática. É assim que funciona, hoje, o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

Não dá para transferir um sistema educacional de um país para outro, diz educadora finlandesa

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Na Finlândia, a educação é gratuita em todos os níveis, da pré-escola ao ensino superior

Na Finlândia, a educação é gratuita em todos os níveis, da pré-escola ao ensino superior

Conselheira que trabalhou para o governo do país nórdico fala ao ‘Nexo’ sobre sua experiência na implementação de um currículo nacional básico

Beatriz Montesanti, no Nexo

Conhecida por seu sistema educacional flexível e de bons resultados, a Finlândia implementou em 2016 um novo currículo mínimo para o ensino secundário do país – uma atualização do sistema em vigor há dez anos.

A conselheira educacional Tiina Tähkä foi uma das responsáveis pelo projeto, quando integrava o Finnish National Board of Education, agência de desenvolvimento subordinada ao Ministério da Educação finlandês.

Ela esteve recentemente no Brasil para participar do Seminário Internacional Desafios Curriculares do ensino médio, promovido pelo Instituto Unibanco e pelo Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação).

Na Finlândia, a educação é gratuita em todos os níveis, da pré-escola ao ensino superior. E financiada em grande parte pelo Estado. Trata-se de um dos melhores sistemas educacionais do mundo.

A partir dos 15 anos, jovens podem escolher seguir pelo ensino secundário padrão ou vocacional – um equivalente ao ensino técnico nacional. Ambos apresentam disciplinas em comum e oferecem os subsídios necessários para o ingresso na universidade, explica Tähkä.

Apesar de existir um currículo mínimo nesta fase de ensino, ele apenas apresenta os objetivos centrais das disciplinas – escolas e professores têm autonomia pedagógica para montarem seus planos de aula, levando em consideração especificidades locais. O país é particularmente conhecido pela flexibilidade de seu ensino.

“O objetivo é fazer com que, quando o aluno tiver que escolher entre o ensino geral e o vocacional, ele tenha informação o suficiente para tomar esta decisão. Mas nada é um caminho sem volta e não há escolhas erradas”, diz Tähkä.
Contexto brasileiro

Durante a apresentação de Tiina Tähkä em São Paulo, na quarta-feira (9), um grupo de cerca de 40 secundaristas entrou no Instituto Tomie Ohtake, onde acontecia o evento, para protestar contra a “privatização da educação”.

O seminário sobre as possibilidades para um currículo brasileiro acontece num período de grande debate sobre educação no país. Atualmente, dezenas de escolas estão ocupadas por estudantes secundaristas contrários à reforma do ensino médio apresentada pelo governo federal em setembro deste ano e à PEC 241, que estabelece um teto para os gastos governamentais e poderá ter efeitos nas despesas com educação.

A reforma do ensino foi criticado por diversos setores da sociedade por ter sido feita como Medida Provisória – forma considerada autoritária e prematura, já que assim o documento não é submetido a amplo debate público.

Além disso, agentes da educação criticam diversos pontos do texto que estabelece “áreas do conhecimento”, retira a obrigatoriedade de disciplinas e de que professores tenham o diploma na área que irão lecionar, entre outras questões.

O Brasil também está em fase de construção da Base Nacional Comum Curricular, que estabelecerá os conteúdos e saberes necessários para cada ano da educação básica (que inclui o ensino fundamental e médio).

O Nexo conversou com Tiina Tähkä sobre sistemas curriculares e aplicação de modelos em países de realidades diferentes. Aqui estão os principais trechos da entrevista:
Como funciona, em linhas gerais, o currículo comum da Finlândia?

Tiina Tähkä No sistema finlandês, a educação é obrigatória dos 7 aos 15 anos. Depois disso, estudantes podem escolher se querem continuar o ensino secundário regular ou vocacional. Temos os dois caminhos, mas ambos permitem o acesso à universidade.

Temos um sistema bastante flexível no ensino secundário regular e no vocacional, portanto os alunos podem escolher entre uma série de possibilidades. Eles também planejam a própria grade horária, o que vão estudar e como.

O novo currículo comum começou a funcionar em 2016 e é basicamente uma atualização do anterior. Temos agora mais opções de estudos temáticos e oportunidades multidisciplinares. Também enfatizamos mais as competências básicas mais amplas, como ajudar os alunos a desenvolverem suas habilidades de comunicação, leitura, empreendedorismo e de compreensão da diversidade cultural, entre outras coisas.

Como foi o processo para a construção do currículo?

Tiina Tähkä Temos um longo histórico de cooperação na Finlândia. O processo começou de forma institucional com um grupo do Ministério da Educação debatendo novas possibilidades. Nesse grupo, havia os grandes agentes interessados na educação, como professores, sindicatos, estudantes e organizações sociais.

Após isso, o National Board of Education começou a planejar o texto do currículo comum e, também nesse processo, envolveu os agentes interessados. Havia um rascunho aberto na internet para todos comentarem e participarem. O National Board of Education decidiu o currículo e teve início o longo processo para que as escolas pudessem conceituá-lo dentro de seus próprios projetos.

Quais são os maiores desafios e fatores que devem ser levados em consideração quando se constrói um currículo nacional?

Tiina Tähkä As competências básicas, a cultura escolar e o pensamento pedagógico. Esses são tópicos muito importantes. Claro que há muita discussão sobre se o novo currículo está indo muito longe, ou não está indo longe o suficiente. Sempre há dois lados. Estávamos tentando chegar a um currículo que de fato ajudasse estudantes a aprender.

Uma grande preocupação de especialistas quando se fala de ensino vocacional é o de forçar jovens a fazerem decisões muito cedo ou não oferecer a eles todas as possibilidades de aprendizado necessárias. Como esses fatores são balanceados na educação da Finlândia?

Tiina Tähkä A decisão pelo ensino vocacional é feita aos 15 anos, mas não é o fim da linha. Se você escolhe esse caminho, ainda pode ir para a universidade. Além disso, o ensino vocacional tem estudos em comum com o geral. A parte importante é que universidades técnicas podem se beneficiar de alunos que vêm dessa área pois eles tem um bom entendimento prático.

Outra preocupação quanto a reforma brasileira é a de que as escolas não têm a estrutura necessária para orientar os estudantes na hora de fazer escolhas ante um currículo flexível. Como isso funciona na Finlândia?

Tiina Tähkä No nosso sistema, o aconselhamento é necessário, portanto há no ensino secundário orientadores que fazem sessões em grupo ou particulares com os estudantes. Há professores que fazem orientações dentro de suas disciplinas e há professores responsáveis por um grupo de estudantes, de forma que se o aluno tem algum tipo de problema ele pode contatar o professor. E se o jovem fizer uma decisão e se arrepender, ele pode revertê-la. O objetivo é fazer com que, quando o aluno tiver que escolher entre o ensino geral e o vocacional, ele tenha informação o suficiente para tomar esta decisão. Mas nada é um caminho sem volta e não há escolhas erradas.

Como vê a situação educacional brasileira?

Tiina Tähkä Eu venho do contexto finlandês e recebo muitas perguntas sobre o nosso sistema. Minha resposta é que não se pode transferir um sistema educacional para outro. Sempre há um contexto específico que deve ser levado em consideração para se desenvolver a educação.

Conheça 4 países com os melhores sistemas educacionais

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Fonte: Shutterstock

Fonte: Shutterstock

 

Entenda quais habilidades são desenvolvidas nas escolas dos melhores sistemas educacionais

Publicado no Universia Brasil

Os sistemas educacionais ao redor do mundo têm sido testados e redefinidos para produzir bons resultados acadêmicos e formar cidadãos mais preparados. Onde quer que esteja localizada a sua escola, sem dúvida ela é influenciada pelo mindset e a cultura do seu país. Apesar de nenhum dos sistemas ser perfeito, existem algumas nações que tiveram ótimos ganhos e resultados acadêmicos com seus sistemas de ensino, além de habilidades pessoais que ajudaram os alunos a se destacarem na vida e no mercado de trabalho.

A seguir, conheça 4 países com sistemas educacionais exemplares e que servem de exemplo para redefinirmos nossas prioridades e melhorar o ensino brasileiro:

JAPÃO

Desenvolvendo o caráter antes do conhecimento

Qualquer um que já tenha visitado o Japão deve ter botado que o povo japonês é extremamente educado e com hábitos exemplares. O motivo desse comportamento impecável é que a cultura do país é voltada para a construção do caráter da criança antes mesmo do processo educacional, com provas e aulas expositivas.

Os primeiros anos da vida escolar de uma criança no Japão é dedicado ao desenvolvimento do respeito pelo próximo, compaixão e generosidade, bem como introduzir os conceitos de certo e errado, justiça, autocontrole e determinação. Essas habilidades estabelecem o equilíbrio necessário para ter sucesso dentro da sala de aula e por todo o resto da vida do estudante.

Os alunos limpam suas próprias salas de aula

Enquanto muitas escolas contratam profissionais para limpar cada canto da escola, no Japão as salas de aula, corredores, restaurantes e lanchonetes e até mesmo o banheiro são limpos pelos próprios alunos.

Divididos em grupos, os estudantes fazem da limpeza um hábito diário. O objetivo dessa prática não é somente ensiná-los a importância da limpeza, mas também como trabalhar em equipe e ter respeito por seu próprio trabalho e o trabalho das outras pessoas.

FINLÂNDIA

Menos é mais

A Finlândia também está no hall dos países aclamados por seu sistema de ensino exemplar. Parte desse sucesso se deve ao midset do “menos é mais”. Os professores na Finlândia gastam cerca de 600 horas anuais dentro da sala de aula, o que representa a metade das horas cumpridas pelos professores nos Estados Unidos. A vantagem de ficar menos tempo parados, falando em frente aos alunos dentro de uma sala de aula, é que os docentes ganham mais tempo para investir em suas próprias habilidades e desenvolvimento profissional, o que tem resultado em uma maior qualidade, e não quantidade, das horas ensinadas. Ou seja, ganho para os professore e ganho para os alunos.

Mais tempo fora da sala de aula

A Finlândia e outros países escandinavos, como a Noruega e a Suécia, dão grande importância ao contato com a natureza. Por esse motivo, as crianças na Finlândia passam um grande período de tempo explorando e brincando do lado de fora da sala, o que oferece aprendizados tão importantes quanto os que são dados em classe.

Mesmo durante o rigoroso inverno, é possível ver crianças brincando ou tendo lições nas florestas e montanhas do país. Além de evitar o sedentarismo e encorajar os pequenos a serem mais ativos, estar perto da natureza também oferece benefícios para a mente e para o bem-estar dos alunos.

SINGAPURA

Maiores investimentos em tecnologia

Singapura é um dos países com as melhores estatísticas em conclusão do período escolar na Ásia e também no mundo, graças a investimentos massivos em tecnologia na sala de aula para professores e alunos.

No país, acredita-se que a tecnologia tem um papel essencial para melhorar as escolas e também as oportunidades de acesso à informação. Os investimentos em práticas escolares mais tecnológicas incluem internet de alta velocidade para todos e livros em plataformas digitais, fazendo com que os materiais didáticos sejam mais acessíveis, especialmente para os estudantes com menor poder aquisitivo.

A importância da psicologia positiva

Nos últimos anos, o sistema de ensino de Singapura passou por uma reforma profunda. Uma das mudanças aplicadas foi o desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais, baseadas em recentes descobertas da psicologia positiva, que contribuem para a criação de um novo mindset e maior resiliência. Essas mudanças são fundamentais dentro da sala de aula e foram aplicadas para moldar a forma como as matérias são ensinadas, além de estimular a positividade na vida das crianças.

ALEMANHA

Não há competição entre as escolas

Em grande parte dos países, existem provas e competições utilizadas para comparar o nível de diferentes escolas. Com isso, é colocada uma imensa pressão nas crianças para que tenham a melhor performance possível. Na Alemanha, esses índices não são publicados, o que significa que as escolas não estão constantemente preocupadas com sua reputação e ficam menos focadas nesse único objetivo.

As escolas alemãs garantem que não ter um monitoramento excessivo dos alunos e professores garante que o docente possa agir de forma mais criativa, se preocupando mais com o processo de educação em si do que em alcançar resultados pressionando os estudantes.

Menor segregação entre os diferentes níveis de aprendizado

Separar as crianças com diferentes níveis de aprendizado é uma prática bastante comum ao redor do mundo, colocando-as em salas de aulas distintas. Na Alemanha, no entanto, as escolas atuam de forma mais generalizada e compreensiva, permitindo que crianças de diferentes níveis possam aprender juntas, na mesma sala de aula. Isso diminui a segregação entre os estudantes e aumenta a flexibilidade em lidar com pessoas diferentes.

Existe o ensino perfeito?

Ainda não existe um sistema educacional que inclua todas as necessidades, opiniões e diferenças culturais, mas uma coisa que se destaca em todos eles é o investimento em estratégias emocionais e positivas, que ajudam a desenvolver as habilidades e mindsets necessários para o resto da vida da criança. Além disso, a valorização do investimento na qualidade dos professores também aparece como algo importante e comum aos grandes sistemas de ensino.

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