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Finlândia reforma a educação, mas nega o fim das disciplinas tradicionais

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País é considerado um dos grandes modelos de educação no mundo.
A partir de 2016, escolas vão trabalhar mais temas interdisciplinares.

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Publicado no G1

O Ministério da Educação da Finlândia divulgou uma nota nesta quarta-feira (25) negando que vá abolir o sistema tradicional de ensino por matérias separadas, como matemática, história, geografia e ciências, e passar a ensinar por ‘tópicos’, como por exemplo cidadania, União Europeia, globalização, aquecimento global. A notícia dessa mudança foi divulgada esta semana pelo jornal “The Independent”, e ganhou repercussão mundial uma vez que a Finlândia é vista como um modelo de educação bem-sucedido.

Segundo a nota, um novo currículo será impementado nas escolas em agosto de 2016 com algumas mudanças “que podem ter dado origem ao mal entendido”. “Para enfrentar os desafios do futuro, o foco está nas competências transversais (genéricas) que devem ser trabalhadas por meio das disciplinas escolares. As práticas colaborativas em sala de aula, nas quais os alunos podem trabalhar com vários professores simultaneamente durante o estudo de projetos baseados em fenômenos são enfatizadas.”

Os alunos deverão trabalhar todos os anos em pelo menos um desses módulos de aprendizagem multidisciplinar que deverão ser implementados localmente. Os estudantes também deverão participara ativamente do planejamento destes estudos.

Irmeli Halinen, chefe do desenvolvimento curricular do ministério finlandês, explica que as disciplinas tradicionais vão continuar, mas com menor fronteiras entre elas e maior multidisciplinariedade no ensino. “Teremos sete áreas de competências transversais que deverão ser desenvolvidas em conjunto com as disciplinas escolares. Esta é uma nova maneira de combinar o ensino baseado em competências com aquele baseado nos assuntos.

“Os profissionais de educação tiveram um alto grau de liberdade na execução dos objetivos definidos a nível nacional há mais de vinte anos. Eles podem desenvolver seus próprios métodos inovadores, que podem ser diferentes das de outros municípios.”

Além da maior liberdade ao professor, a Finlândia quer fazer com que cada estudante tenha capacidade para perceber e avaliar a sua própria aprendizagem. “Temos de ajudar o aluno a aprender gradualmente para compreender e analisar seus próprios processos de aprendizagem para que ele possa adquirir mais e mais responsabilidades sobre si. A capacidade de aprender é uma habilidade que dever promovida de forma sistemática”, afirma.

Ranking Pisa

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Durante muitos anos a Finlândia liderou ou ficou entre os primeiros colocados no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), o ranking que mede o desempenho de estudantes de 15 anos em 65 países. Na última edição, no entanto, a Finlândia perdeu espaço para países asiáticos e para as europeias Suiça, Holanda e Estônia no geral do índice que mede o aprendizado dos alunos em matemática, leitura e ciências.

No Pisa de 2012, a Finlândia aparece em 12º lugar em matemática, 6º em leitura e 5º em ciências. A mudança no currículo tem também como objetivo melhorar os índices dos estudantes daquele país.

Finlândia será o primeiro país do mundo a abolir a divisão do conteúdo escolar em Matérias

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Renato Carvalho, no Rescola

A campainha toca, mas, em vez da aula de História, começa a aula de “Primeira Guerra Mundial”, planejada em conjunto pelos professores especialistas em História, Geografia, Línguas Estrangeiras e (por que não?) pelo professor de Física que achou que seria uma boa oportunidade para trabalhar os conceitos de Balística.

À tarde, outro sinal, mas os alunos não vão ter aula de Biologia. Hoje a aula é sobre “Ecossistema Polar Ártico”, ministrada pelos professores especializados em Biologia, Química, Geografia e o de Matemática, que percebeu que os dados sobre o derretimento das geleiras seriam úteis para o estudo de Estatística.

Em pouco tempo, cenários como esse, que já são comuns nas principais escolas da capital Helsinki, poderão ser encontrados em toda a rede de ensino do município e nas cidades do interior. O objetivo é claro:

A Finlândia quer ser o primeiro país do mundo a abolir completamente a tradicional divisão do conteúdo escolar em “Matérias” e adotar em todas as suas escolas o ensino por “Tópicos” multidisciplinares (ou “Fenômenos”, conforme a terminologia adotada pelos educadores finlandeses).

Há anos, a educação finlandesa vem sendo considerada a melhor do mundo. Com “segredos” como valorização dos professores, atenção especial aos alunos com mais dificuldades, valorização das artes e de diferentes formas de aprendizagem e uma radical redução no número de provas e testes, o país tem consistentemente dividido as mais altas posições nos rankings do PISA (Programme for International Student Assessment, ou Programa para Avaliação Internacional de Estudantes) com Cingapura, mas com as vantagens de oferecer uma educação universalmente gratuita e livre dos tremendos níveis de estresse aos quais os estudantes asiáticos são submetidos.

Apesar dos excelentes resultados (ou talvez por causa deles), a Finlândia pretende continuar repensando e aprimorando seu sistema educacional. “Não é apenas Helsinki, mas toda a Finlândia que irá abraçar a mudança”, afirma Marjo Kyllonen, gerente educacional de Helsinki. “Nós realmente precisamos repensar a educação e reprojetar nosso sistema, para que ele prepare nossas crianças para o futuro com as competências que são necessárias para o hoje e o amanhã. Nós ainda temos escolas ensinando à moda antiga, que foi proveitosa no início dos anos 1900 – mas as necessidades não são mais as mesmas e nós precisamos de algo adequado ao Século 21.”

Naturalmente, a ideia de substituir “Matérias” por “Fenômenos” como forma de dividir o conteúdo escolar e apresentá-lo aos alunos sofreu resistência inicial, principalmente dos professores e diretores que passaram suas vidas se especializando e se preparando para ensinar matérias. Mas com suporte do governo – inclusive incentivos financeiros através de bonificações para os professores que aderissem ao método – os professores foram gradualmente se envolvendo e hoje aproximadamente 70% dos professores das escolas de ensino médio da capital já estão treinados e adotando essa nova abordagem.

Atualmente, as escolas finlandesas já são obrigadas a oferecer ao menos um período de ensino multidisciplinar baseado em Fenômenos por ano. Na capital Helsinki, a reforma está sendo conduzida de forma mais acelerada, com as escolas sendo encorajadas a oferecer dois períodos. A previsão de Marjo Kyllonen é de que em 2020 a transição estará completa em todas as escolas do país.

Versões em quadrinhos de Beatles e Rolling Stones chegam ao Brasil

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'Beatles com A' explora fase inicial da banda e retrata primeiros shows em Hamburgo

‘Beatles com A’ explora fase inicial da banda e retrata primeiros shows em Hamburgo

Finlandês Mauri Kunnas retratou quarteto de Liverpool em tom biográfico e assumiu licença poética ao narrar aventuras lisérgicas de Mick Jagger

Publicado no Divirta-se [ via Estado de Minas]

É possível tangenciar o mito de uma banda de rock com biografias, documentários, caricaturas. O cartunista finlandês Mauri Kunnas resolveu fundir todas as possibilidades para fazer o seu retrato dos dois maiores gigantes do rock: Beatles e Rolling Stones. As duas graphic novels que Kunnas produziu chegaram ao Brasil este mês pelas mãos da Edições Ideal. São duas obras de naturezas muito distintas. ‘Beatles com A: O nascimento de uma banda’ tem uma pegada mais biográfica, se passa no período inicial dos Beatles e seus primeiros shows em Hamburgo. ‘Mac Moose e os Stones’ é pura lisergia: um escritor de livros policiais de segunda abriga em sua casa o guitarrista Keith Ricardos, da banda Rolling Gallstones (As Pedras de Vesícula Rolantes), que acaba de escapar de um grupo de terroristas que fez refém toda a banda.

Segundo informa o agente literário e tradutor finlandês Pasi Loman, Mauri Kunnas é “o autor mais amado da Finlândia; a maioria das famílias finlandesas tem ao menos um livro de sua autoria”. Na Feira do Livro de Frankfurt de 2014, havia uma fila enorme esperando por um autógrafo do cartunista.

Grande fã dos Beatles desde os anos 1960, Mauri Kunnas não é idólatra: ele tira sarro de tudo, inventa fatos engraçados que nunca aconteceram e faz um trabalho iconoclasta e ao mesmo tempo reverente sobre os grupos. Uma dentadura assassina (homenagem ao personagem Jaws, de James Bond) persegue o guitarrista dos Stones graças a uma das mancadas do avarento Jacques Migger, ou Beiçudo.

O desenhista respondeu a algumas perguntas do jornal O Estado de S.Paulo – em finlandês (suas respostas foram traduzidas por Lilia Loman). Ele diz que acalentou o sonho de fazer a graphic novel por duas décadas e trabalhou dois anos para chegar ao resultado, e que agora planeja uma história sobre Yoko Ono e John Lennon (mais tarde, avisa, será a vez de Elvis e Dylan).

Admirador de Carl Barks, Charles Schulz e Bill Waterson, Kunnas também enumerou outras influências. “Na literatura infantil, um exemplo de minhas influências é Richard Scarry. Nas histórias em quadrinhos é Elzie Crisler Segarin, de Popeye.

A música também tem grande influência em meu processo criativo. Por exemplo, quando escrevi ‘Aventuras no espaço’ (Hedra Editora), ouvi a música de Paul McCartney, ‘Venus and Mars’. A sensação de luminosidade dessa música torna o livro luminoso também, embora o espaço seja escuro. Quando eu estava ilustrando ‘Papai Noel’ (história inédita no Brasil, com mais de um milhão de cópias vendidas no mundo), ouvi o álbum de natal de Phil Spector.”

'Mac Moose e os Stones' brinca com o lado mais excêntrico e contestador dos Stones, aqui chamados de Gallstones (ou ''As Pedras de Vesícula Rolantes'')

‘Mac Moose e os Stones’ brinca com o lado mais excêntrico e contestador dos Stones, aqui chamados de Gallstones (ou ”As Pedras de Vesícula Rolantes”)

Ele, que confessa ser mais fã dos Beatles do que dos Stones (os gibis denunciam isso; ele é mais sarcástico com os Stones), costuma ler tudo que lhe cai nas mãos sobre os Fab Four. “Os livros mais interessantes são aqueles em que uma pessoa de fora conta como a vida da banda era. Meu favorito é ‘Tune In. The Beatles. All These Years’, o primeiro volume.”

Também conta que nunca foi alvo de tentativas de cerceamento de seu trabalho por advogados dos grupos. “Ninguém criticou ou ficou chateado com o humor nos livros, os membros das bandas também têm/tinham senso de humor”, ponderou.

Kunnas também comentou os atentados recentes contra o jornal Charlie Hebdo em Paris e contra cartunistas na Dinamarca. “O trabalho de um caricaturista é criticar e ridicularizar. Porém zombar sem razão não é necessário. Neste caso, a reação dos islâmicos fundamentalistas é exagerada e condenável.”

“Sou um grande fã dos Beatles e frequentemente visito convenções de fãs, como por exemplo em Liverpool. Lá conheci excelentes bandas cover dos Beatles brasileiras. A que mais me impressionou foi a dupla Gleison Túlio e Keilla Jovi. Parece que há muitos fãs dos Beatles no Brasil. É uma pena que não pude ir ao Brasil para o lançamento do livro”, lamentou o cartunista, em mensagem a seus editores.

Mauri Kunnas tem 65 anos e nasceu em Vammala, no sudoeste da Finlândia, a cerca de 50 km da segunda maior cidade do país, Tampere. Já publicou mais de 40 livros em 36 países, vendendo cerca de 7 milhões de exemplares. Como Robert Crumb, também teve um irmão que desenhava e que ele considera genial, Matti. Mas o irmão não seguiu a carreira. “Matti conseguiu entrar na Faculdade de Direito, eu não consegui… Matti se tornou um advogado e eu me tornei um ilustrador”, conta. Tem duas filhas, Jenna e Noora. Jenna também é ilustradora, estudou na mesma faculdade do pai, a Taik (Escola de Arte e Design/ Aalto University). “Minhas filhas Jenna e Noora publicarão um livro neste outono, The Wacky Bunch and the Cabinet of Horrors”, revela.

Na Finlândia, escolas trocam letra de mão por digitação

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A partir de 2016, estudantes finlandeses só vão aprender a escrever em letra de forma (Thinkstock)

A partir de 2016, estudantes finlandeses só vão aprender a escrever em letra de forma (Thinkstock)

A partir de 2016, os alunos finlandeses deixarão de aprender a escrever com letra cursiva. A Finlândia é referência mundial em qualidade de ensino

Bianca Bibiano, na Veja

A Finlândia, referência mundial pela qualidade da educação básica, decidiu decretar o fim de uma era: a partir do ano letivo de 2016, as escolas não serão mais obrigadas a ensinar seus alunos a escrever com letra cursiva, mais conhecida como letra de mão. Em vez disso, crianças e adolescentes terão mais atividades de digitação.

Segundo Minna Harmanen, presidente do Conselho Nacional de Educação da Finlândia, a mudança não significa que o país vai deixar de ensinar as crianças a escrever à mão, mas sim que as escolas vão priorizar o ensino das letras de forma, também chamadas de letra bastão, presente nos textos digitais. “A escrita à mão está ligada ao desenvolvimento da coordenação motora e da memória, mas sabemos que a letra cursiva, muito pessoal de cada pessoa, dificulta a alfabetização”, explicou em entrevista ao site de VEJA.

Por anos, a Finlândia foi apontada como o país com a melhor educação do mundo. O currículo estruturado e a autonomia dada aos professores para inovar em metodologias de ensino são apontados como os principais responsáveis pelo sucesso dos alunos finlandeses. No último PISA, avaliação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que mede o desempenho de estudantes em 63 nações e economias mundiais, o país ficou em 5º lugar em ciências e 6º em linguagem. As primeiras posições ficaram para economias asiáticas, com Xangai no topo da lista. O Brasil, por sua vez, ficou entre as últimas posições.

De acordo com a conselheira que atua junto ao Ministério da Educação da Finlândia para traçar as diretrizes curriculares do país, a mudança também prevê que os estudantes tenham mais aulas de digitação no tempo em que atualmente estudam letras cursivas. “A razão mais importante para a mudança é que a escrita cursiva não é mais tão utilizada, mesmo na escola. Os alunos usam cada vez menos o caderno e mais livros de exercícios, onde escrevem menos. No futuro, na vida profissional, a escrita cursiva dará lugar à digitação, por isso habilidades de digitação são tão importantes.” Ainda segundo Minna, as escolas que desejarem terão liberdade para manter aulas de caligrafia, mas que serão vistas como disciplinas optativas.

Impacto no cérebro — De acordo com a neurobióloga Marta Relvas, professora da Universidade Estácio de Sá e membro da Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento, abolir o ensino de letra cursiva na escola não impacta o desenvolvimento cerebral das crianças. “A letra cursiva é uma representação cultural. São símbolos que aprendemos a identificar como letras para formar palavras, da mesma forma que os japoneses utilizam os kanji e outros alfabetos para compor seu idioma”, explica.

Segundo Marta, o sistema cognitivo localizado no lado esquerdo do cérebro, onde estão concentradas a fala, a escrita e a coordenação motora fina, não tem relação direta com o tipo de letra usada na escrita. “Essa área do cérebro se desenvolve com a escrita à mão, mas não porque ela é feita com um tipo de letra específica, e sim pela atividade mental exercida nessa função”. O ideal, ela explica, é que os educadores considerem tanto a escrita à mão quanto a digitação nas aulas. “Os professores precisam ter flexibilidade. A única implicação da letra cursiva ser obrigatória é que antes a comunicação era feita por cartas, mas hoje os alunos não dependem apenas desse recurso para se comunicar.”

Nos Estados Unidos, o movimento para abolir a letra cursiva também está ganhando força. Em alguns estados americanos, os estudantes só aprendem letra de forma. “O importante é que os estudantes aprendam a se comunicar e a usar o idioma com clareza, mas o tipo de letra vai depender apenas da cultura em que ele está inserido”, completa.

“A escrita à mão é uma tradição, mas quais tradições não estão mudando?”, resume a finlandesa Minna Harmanen.

Escolas primárias na Finlândia vão trocar escrita a mão por digitação a partir de 2016

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Publicado por Hypeness

Lembra-se de quando você precisava entregar extensos trabalhos escolares escritos em papel almaço? E quando ganhava zero na questão da prova porque a letra estava horrível? Momentos como este fizeram parte da vida escolar de muitas crianças no mundo, mas estão prestes a serem extintos. Pelo menos na Finlândia, país que já anunciou o fim da disciplina obrigatória de caligrafia nas escolas primárias a partir de 2016. As aulas de escrita a mão serão trocadas por algo mais prático e condizente com as necessidades de hoje: a digitação.

“Habilidades fluentes de digitação são uma importante competência“, afirma Minna Harmanen, da Secretaria Nacional de Educação da Finlândia, nação dona de um dos sistemas educacionais mais bem-conceituados do mundo. Embora a polêmica decisão esteja, indiscutivelmente, de acordo com as tendências mundiais de comunicação, argumenta-se que a capacidade de se comunicar usando tinta e papel ainda é fundamental. Afinal, como deixar um recado para alguém quando o celular ficar sem bateria ou o computador pifar?

Segundo professores finlandeses, não se trata de acabar com a escrita, mas de dar a ela menos importância dentro do currículo escolar. A disciplina ainda estará disponível como optativa. Sabe-se ainda que a caligrafia é uma das atividades responsáveis por estimular o cérebro e a coordenação motora durante a idade escolar. Para que isso não seja afetado, discute-se complementar as disciplinas com atividades manuais, que teriam o mesmo efeito.

Uma mudança como essa pode arrancar uma grande exclamação em um primeiro momento. Mas cá entre nós, qual foi a última vez que você usou lápis e caneta para escrever algo que não um recado rápido ou uma lista de compras?

Foto © Tuire Punkki

Foto © Tuire Punkki

Foto © Liisa Kukkola

Foto © Liisa Kukkola

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