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Posts tagged Fiódor Dostoievski

“Crime e Castigo” é título mais lido em prisões de segurança máxima

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Ranking do Ministério da Justiça revela que 6.004 livros foram lidos pelos detentos desde 2010

Publicado no Notícias ao Minuto

A memória de um crime e as possibilidades de redenção costuram a trama de “Crime e Castigo”. O clássico da literatura mundial, escrito pelo russo Fiódor Dostoiévski em 1866, é o título de mais lido por presos das penitenciárias de segurança máxima do Brasil. O ranking do Ministério da Justiça tem base no projeto Remição pela Leitura, que concede redução de quatro dias de pena a cada livro lido e resenhado.

Cada detento pode ler (e escrever sobre) até 12 livros ao ano, o que representa 48 dias a menos na sentença. Segundo dados do ministério, divulgados colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, desde 2010, 6.004 resenhas foram escritas nas penitenciárias de Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Norte e Rondônia.

A lista mais procurados nas bibliotecas, na categoria filosofia, é vice-liderada por “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago, vencedor do Nobel de Literatura em 1998. Na obra, o escritor português traça “imagem aterradora e comovente de tempos sombrios”. Terceira colocada entre as obras filosóficas é “Através do Espelho”, de Jostein Gaarder. Do mesmo autor de “O mundo de Sofia”, o livro conta a história de “Cecília Skotbu, uma menina que vive intensamente, mesmo com o diagnóstico de câncer”.

“A Menina Que Roubava Livros” também integra a lista de preferidas. A obra de Markus Zusak apresenta a menina Liesel Meminger, em plena Segunda Guerra. Ladra de livros, ela encanta a Morte, que “rastreia as pegadas dela de 1939 a 1943”.

5 livros para compreender a miséria humana

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Autores como Fiódor Dostoievski, José Saramago, Graciliano Ramos, Victor Hugo e Paulina Chiziane escreveram obras fundamentais para entendermos tragédias que se abateram (e ainda se abatem) sobre a humanidade

Marcelo Hailer, na Revista Fórum

A classificação de um produto cultural enquanto “clássico” não se dá à toa. Uma série de fatores estão envolvidos em torno da obra que fazem dela atemporal e fundamental para se compreender eventos, trágicos ou não, que aconteceram durante a história. No momento presente vivemos uma série de acontecimentos que são alvos de inúmeras análises – jornalísticas, sociológicas e históricas – tais como os novos conflitos de guerra, seca no Brasil, grupos políticos da extrema esquerda e direita que disputam a narrativa político-social e, claro, a concentração de riqueza e a miséria inerentes ao sistema capitalista.

Por mais que os temas acima citados sejam contemporâneos, eles são recorrentes na história do mund, seja no Ocidente, na Ásia ou na África. E todos eles já foram fontes de inspiração para obras primas que nos trazem algum entendimento das atitudes dos considerados “humanos” e que, inevitavelmente, levam à tragédia. Para tanto, selecionamos cinco autores e uma obra respectiva que trata de questões presentes no cotidiano, seja ele político, jornalístico ou social.

1 – Os Demônios, de Fiódor Dostoiévski

Obra fundamental para quem deseja compreender e acompanhar os resultados de quando duas figuras ávidas pelo poder travam uma disputa na qual as pessoas são meramente instrumentos para tal objetivo. De acordo com especialistas na obra de Dostoiévski, Os Demônios é uma das poucas, senão a única obra do escritor russo que teve como ponto de partida uma tragédia real: o assassinato do estudante Ivanov por um grupo de niilistas liderados Nietcháiev, em 1869.

Todo o ambiente político de então é recriado por Doistoiévski de maneira magistral e, a partir dos personagens Kirilov, Chigalióv e Piotr Stiepánovitch, temos a representação do intelectual pessimista e dos fanatismos políticos perpetrados pelos grupos de Chigalióv e Stiepánovitch. Temas como fundamentalismo religioso, fanatismo político e terror se fazem presente nesta obra prima. As análises críticas sobre o humano e a sua busca pelo poder são de uma atualidade perturbadora. Para historiadores, ao construir as personagens de Chigalióv e Stiepánovitch, Dostoiévski foi profético a respeito dos horrores cometidos em nome de Hitler e Stálin.

2 – Os Miseráveis, de Victor Hugo

Esta obra monumental do escritor francês Victor Hugo é fundamental não apenas para se compreender a questão da miséria humana, mas também para quem deseja ter acesso a críticas e percepções do período revolucionário que resultou na fundação do Estado francês. Inúmeras críticas tecidas pelo escritor podem ser muito bem adaptadas e trazidas para o atual contexto político, principalmente quando pensamos na atual fase da Europa e dos novos movimentos revolucionários.

Os Miseráveis não chamou apenas a atenção, à época, por conta de seu teor crítico, mas, principalmente, por ter como protagonistas um presidiário (Jean ValJean), uma prostituta (Fantine) e uma criança explorada por adultos (Cosette). Tal escolha de personagens foi considerado um escândalo, pois, à época, os romances apenas retratavam o cotidiano da realeza e da burguesia.

A partir da narrativa de Jean, Fantine e Cosette, Victor Hugo mergulha na hipocrisia humana e como está dividida entre “ambiciosos” e “invejosos” e que tal divisão é parte da cultura e, portanto, presente desde a educação infantil. Ao mesmo tempo em que o autor desnuda a “sociedade de bem”, ele dá voz aos sujeitos subalternos que passam ao largo da Revolução Francesa.

3 – Vidas Secas, de Graciliano Ramos

Considerada a obra mais importante do movimento realista da literatura brasileira, Vidas Secas nunca esteve tão atual, principalmente quando pensamos que nos dias atuais o que mudou foi o mapa geográfico da seca retratado na obra. Se antes eram exôdos rurais, hoje o Brasil vive na iminência de um êxodo urbano.

Empurrados pela seca, a família de Sinhá Vitória e Fabiano empenha uma jornada em busca de meios à sobrevivência. Na obra, o que chama atenção é que, a única personagem humanizada e com sentimentos é a cachorra Baleia e também é a única que possui um nome. As outras personagens são referidas pelos cargos que ocupam ou posição genética na família, tais como filho mais novo.

Vidas Secas é um mergulho profundo na miséria humana no que diz respeito a explorar o próximo em situações de calamidade, tal como a seca. O que impressiona é a crítica de Graciliano Ramos: profética e atual.

4 – O Evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago

Como será que Jesus Cristo narraria a sua trajetória se lhe fosse dada esta oportunidade? É o que faz o escritor José Saramago em O Evangelho segundo Jesus Cristo, onde o Messias é o narrador de sua própria história na qual mitos bíblicos e crenças religiosas são desconstruídos.

Em tempos onde fundamentalistas religiosos ocupam cargos de poder no Brasil e em outros países, resgatar a obra de Saramago é de fundamental importância, principalmente quando lembramos da memorável cena onde Cristo estabelece um diálogo com o Diabo e Deus e fica sabendo do provável acordo entre as duas imagens referências da religião.

Além de toda a crítica à moral religiosa, principalmente a católica, reler O Evangelho… é de suma importância para compreendermos que, entre laicos e fundamentalistas, o acordo político vem antes.

5 – Ventos do Apocalipse, de Paulina Chiziane

Ventos do Apocalipse, ao lado de Neketcha – Uma história de poligamia, é considerada uma das obras mais controversas de Paulina Chiziane, onde a escritora moçambicana pesa a caneta para retratar os horrores da guerra de civil de Moçambique, que aconteceu entre 1977 e 1992 e onde a escritora atuou como voluntária para ajudar os feridos de guerra.

Na obra, Paulina Chiziane está mais interessada em discutir a relação e a destruição entre os irmãos moçambicanos do que as questões políticas. Ativista da revolução que libertou Moçambique da colonização portuguesa, Chiziane sempre declara que, à época, não se conformava que, depois de tanto lutar contra os colonizadores, moçambicanos iniciassem uma guerra contra… moçambicanos.

Com uma narrativa muito particular, Paulina Chiziane retrata os horrores da guerra civil que, segundo a autora, presenciou durante o conflito. Não existe bem ou mal, apenas guerra e miséria.

5 escritores russos que você deveria ler

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Leitura difícil é compensada por profundidade de temas e personificação de autores nas obras

Publicado no Guia da Semana

A primeira coisa que nos vem à cabeça quando pensamos em Literatura Russa é que a leitura é praticamente impossível. Isso faz com que, muitas vezes, deixemos de conhecer um título incrível por achar que não vamos conseguir compreendê-lo ou que o prazer de ler será transformado em algo extremamente cansativo.

Entretanto, os escritores russos possuem algo de especial: eles não são distintos e peculiares apenas pela escrita, mas pelas próprias pessoas que foram ou são, o que os torna a personificação de suas próprias obras. Isso, sem dúvidas, faz com que nós, leitores, consigamos enxergar um pouco do que eles são por dentro… E essa é uma experiência impagável.

Assim, para que você conheça alguns dos maiores nomes e se aproxime dessa literatura incrível e profunda, o Guia da Semana lista os escritores que você deveria ler. Confira:

LEON TOLSTOI

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Tolstoi era conde e nasceu em uma família rica. Ficou órfão muito cedo, ainda na infância, e foi criado e educado por perceptores. Devido ao sentimento de vazio que sentia, alistou-se ao exército e, no início da vida adulta, passou a investir boa parte do tempo (e dinheiro) em bebida, jogo e prostitutas. Mais tarde, repudiou profundamente essa fase.

Mais velho, preocupado com a precariedade da educação no meio rural, criou uma escola para filhos de camponeses. O escritor mesmo escreveu grande parte do material didático e, ao contrário da pedagogia da época, deixava os alunos livres, sem excessivas regras e sem punições.

Teve 13 filhos de um casamento extremamente complicado e, depois de ter se dedicado imensamente à vida familiar, passou a escrever e tornou-se imensamente famoso logo com os primeiros títulos – Guerra e Paz, e Anna Karenina.

Bem sucedido como escritor, atormentava-se com questões sobre o sentido da vida e, por isso, passou a viver de forma simples como os camponeses.

Indicações de obras: Guerra e Paz, Anna Karenina, Ressurreição.

FIÓDOR DOSTOIÉVSKI

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Dostoiévski é considerado um dos maiores autores da história da humanidade, posição de extrema responsabilidade e reconhecimento. Entretanto, engana-se quem pensa que sua vida foi tranquila e maravilhosa.

Na juventude, participou de um grupo intelectual revolucionário e foi acusado de conspirar contra o imperador da Rússia e condenado à morte. Apenas quando já estava posicionado para ser fuzilado, teve sua pena transformada em trabalhos forçados e o fato o marcou e mudou completamente sua história.

Suas obras exploram a autodestruição, humilhação e assassinato, além de analisar estados patológicos que levam ao suicídio, à loucura e homicídios.

Indicações de obras: Crime e Castigo, Os irmãos Karamázov, Diário do Subsolo, O Idiota e Os Demônios.

DANIIL KHARMS

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Em suas obras, protestava contra o realismo socialista e, por pouco, não acabou passando pela mesma situação que Dostoiévski. Assim, com a censura, já que não conseguia mais escrever como queria para a literatura adulta, passou a escrever livros infantis – e chocou as autoridades.

Os contos fizeram muito sucesso com o público infantojuvenil, afinal, o autor adotou um humor sombrio e tragicômico para contar situações banais. Em um de seus mais famosos, diversas velhas lançavam-se pela janela só para satisfazer a curiosidade de saber o que a velha anterior estava olhando. Mais adiante, o narrador, cansado de ver as mulheres morrendo, vai para a feira. O título? “Velhas que caem”.

Indicações de obras: Esqueci como se chama, Os sonhos teus vão acabar contigo, As velhas que caem.

NIKOLAI GOGOL

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Gogol foi um contista genial, romancista e teatrólogo, além de um dos fundadores da moderna literatura russa. Levou à Russia o realismo fantástico e escreveu livros considerados obras primas, como “O Capote” e “O Retrato”.

O gosto pela leitura veio através de seu pai e a crença e religião de sua mãe – o que mais tarde transformou-se em um apego pelo misticismo extremamente doentio. Conheceu o grande poeta Alexandre Pushkin, que influenciou obras que ainda não haviam começado a ser escritas.

A sua obra reflete o lado moralista das questões que dizem respeito à condição humana, trágica e inapelavelmente prisioneira na sua jaula.

Indicações de obras: O Capote, O Retrato, Arabescos e Almas Mortas.

ANTON TCHEKHOV

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O escritor inventou uma nova forma de escrever contos: com o mínimo de enredo e o máximo de emoção. Em suas histórias, criava atmosferas, registrando situações que não se encerravam no final dos relatos – diferente do gênero da época, intrigante, com desfechos inesperados. Com uma visão de mundo ora humorística, ora poética, ora dramática, Tchekhov captou momentos ocasionais da realidade, fatias de vida, pequenos flagrantes do cotidiano, estados de espírito da gente comum. A genialidade de sua arte era transformar incidentes laterais e aparentemente insignificantes da existência individual em representações perfeitas do destino humano. Suas histórias não tinham o fanatismo e a densidade de Dostoievski nem o idealismo de Tolstoi, eram apenas humanas.

Indicações de obras: A Gaivota, As três irmãs, A festividade e A arte da simulação.

Nathália Tourais redator(a)

Presidente da Itália aconselha jovens a ler Dostoievski

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© AP Photo/ Riccardo Antimiani, Ansa

© AP Photo/ Riccardo Antimiani, Ansa

O presidente da Itália, Sergio Mattarella, aconselhou os jovens do seu país a se dedicarem mais à leitura, e convidou-os a começar pelas obras do escritor russo Fiodor Dostoievski.

Publicado no SputnikNews

“Respeito totalmente a escolha de cada um, mas repetiria aquilo que sempre digo aos meus netos: os livros são um tesouro inesgotável para a compreensão da vida. Comecem por Dostoievski, caros amigos” – disse o presidente em conversa com jovens italianos, cujos trechos foram publicados nesta segunda-feira pelo jornal Corriere della Sera.

Durante o encontro, Mattarella, que tem 74 anos de idade, falou sobre suas preferências como leitor e confessou gostar de praticamente todos os gêneros literários, com exceção apenas para histórias de espionagem.

Ele revelou ter adquirido o hábito de ler muito ainda durante a juventude, e citou os escritores russos Fiodor Dostoievski e Alexander Solzhenitsyn como alguns dos autores que mais influenciaram a sua forma de ver o mundo.

Nascido numa família de profundas tradições de democracia cristã, Mattarella assumiu a presidência da Itália em 3 de fevereiro deste ano. Seu irmão mais velho, o democrata cristão Persanti Mattarella, foi morto pela máfia em 1980 enquanto ocupava o cargo de presidente da região autônoma da Sicília.

024683Fiodor Dostoievski, falecido em 1881 aos 59 anos de idade, é considerado um dos maiores romancistas da literatura russa e um dos mais inovadores autores de todos os tempos. Dentre as suas obras mais conhecidas estão os romances Os Irmãos Karamazov, Crime e Castigo, Os Demônios, e outros.

Traições – cadernos de fofocas sobre mim mesmo

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Douglas, no Cafeína Literária

Traições – cadernos de fofocas sobre mim mesmo
Antônio Ramos da Silva

Acredito que a grande maioria das pessoas já pensou em escrever sua autobiografia. É comum que todo aquele que tenha uma autoestima normal veja a si mesmo como o maior protagonista de sua própria vida. Pensamos que as coisas que nos ferem e/ou nos trazem alegria são dignas de registro e podem impressionar aos demais.

Eu, como ser humano, escritor e com uma autoestima possivelmente um pouco maior que a média, já aventei escrever sobre mim mesmo. O que me impede é que, ao analisar as histórias que contaria, tirando uma peripécia ou outra, não vejo nada que poderia ser tão interessante que já não tenha ocorrido com as outras pessoas.
(mais…)

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