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Posts tagged física

Por que uma nova teoria física poderia reescrever os livros didáticos?

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Publicado no Hypescience

Um grupo internacional de especialistas em física envolvendo a Universidade de Adelaide, na Austrália, afirma que está mais perto de mudar tudo o que sabemos sobre um dos blocos de construção básicos do universo. Se a teoria estiver correta, anos de experimentos teriam que ser reinterpretados e os livros sobre física nuclear precisariam ser reescritos.

Como relata o portal Phys.org, em um artigo publicado online na prestigiosa revista “Physical Review Letters”, uma equipe de três físicos dos Estados Unidos, Japão e Austrália previram que seria possível provar que a estrutura de prótons muda dentro do núcleo de um átomo sob certas condições.

“Átomos contém prótons e elétrons, mas eles também têm a sua própria estrutura interna formada por quarks e glúons – estes são o que nós consideramos como os blocos básicos da matéria”, disse o coautor Anthony Thomas, do Conselho de Pesquisa australiano Laureate Fellow e professor sênior de Física da Universidade de Adelaide em entrevista ao Phys.org.

“Para muitos cientistas, a ideia de que a estrutura interna dos prótons pode mudar em certas circunstâncias parece absurda, até mesmo um sacrilégio. Para outros, como eu, a prova dessa mudança interna é muito procurada e ajudaria a explicar algumas inconsistências na física teórica”, afirma.

Experimentos em ação

Enquanto esta mudança teórica na estrutura interna de prótons ainda não foi descoberta, ele está sendo posta à prova nas instalações do Acelerador Nacional Thomas Jefferson, nos EUA, em experiências desenvolvidas pela equipe da Universidade de Adelaide.

“Ao disparar um feixe de elétrons em um núcleo atômico, você pode medir a diferença de energia dos elétrons enviados, representando o estado alterado. Estamos fazendo algumas previsões bastante fortes sobre o que os resultados desses testes vão mostrar e temos esperança [de encontrar] uma medida definitiva”, explica o professor.

“Enquanto o princípio do experimento em si é relativamente simples, fazer medições confiáveis e precisas é extremamente difícil, o que requer uma máquina excelente como a que existe no Jefferson Lab e pesquisadores qualificados”, aponta. “As ramificações para o mundo científico são significativas. [A nova teoria] poderia representar um novo paradigma para a física nuclear”. [Phys.org]

Por que se divertir pode ajudar na preparação para o vestibular

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Fazer atividades que gosta pode prepará-lo melhor para as provas. Confira como

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Publicado em Universia Brasil

Conforme a data dos vestibulares se aproxima, é natural que a tensão e o nervosismo aumentem. Alguns alunos costumam pensar que, nesse momento, o mais importante é focar a atenção apenas na revisão final, estudando as matérias que possuem mais dificuldade. Contudo, apesar de ser uma tarefa importante, não é a única forma de se preparar. Treinar o emocional também é imprescindível para ter um bom desempenho nas provas. Para isso, é necessário equilibrar os estudos com a vida pessoal.

Foi pensando nisso que a separamos 4 passatempos que podem melhorar o seu desempenho no vestibular. Confira:

1 – Faça uma atividade física

Praticar algum esporte ou exercícios físicos pode ser uma ótima maneira de aliviar a tensão e o estresse acumulado durante o período pré-vestibular. Além disso, essas atividades podem ajudar a manter o desempenho cerebral ativo, estimulando até mesmo o desenvolvimento do potencial criativo. Por isso, é importante reservar algum momento do dia para movimentar o corpo.

2 – Escute música

Tocar um instrumento musical ou o simples hábito de escutar música já pode ser muito útil para manter o controle emocional antes das provas. Além de acalmar, essa atividade pode despertar a imaginação e a criatividade.

3 – Faça um curso de idiomas

Aprender uma nova língua pode ser uma ótima forma para descontrair antes das provas, fazendo que você distribua a sua atenção em outras atividades, diminuindo a ansiedade. Além disso, estudar um idioma estrangeiro pode estimular a memória, o vocabulário e a escrita e o raciocínio.

4 – Jogue videogame

Algumas pesquisas comprovam que jogar videogames pode aumentar a capacidade de memorização, a noção espacial, o raciocínio, entre outras habilidades. Por isso, se você é apaixonado pelos games, não deixe de jogá-los. Só preste atenção para não exagerar e se atrapalhar com os estudos.

7 conceitos da Física ‘simplificados’ por livro que virou best-seller na Itália

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Publicado no CO News [via BBC]

Uma obra que trata de mecânica quântica, partículas elementares, arquitetura do cosmo e buracos negros, entre outros temas de física teórica, está há meses na lista de livros mais vendidos na Itália.

Em Sete Breves Lições de Física (publicado no Brasil pela Ed. Objetiva), o professor Carlo Rovelli resume de modo simples os principais conceitos da ciência contemporânea, desde a teoria da relatividade geral de Albert Einstein, passando pelas descobertas do astrofísico inglês Stephen Hawking, até a provável extinção da espécie humana.

“A maior parte dos livros de física são escritos para quem já é apaixonado pelo assunto e quer saber mais. Por isso, pensei num livro para quem conhece pouco ou nada sobre a matéria. Poupei os detalhes e concentrei-me no essencial”, disse o autor à BBC Brasil.

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“É como escrever poesia: quanto mais se tira, mais bonita ela fica.”

Nascido em Verona, no norte da Itália, e atual responsável pelo centro de pesquisas sobre gravidade quântica da Universidade Aix-Marseille, na França, Rovelli explica que o ensaio não trata apenas de física, mas de temas relacionados à natureza humana.

“O livro oferece uma possível resposta, do ponto de vista científico, às perguntas que todos nós, vez ou outra, nos fazemos durante a nossa vida: ‘quem somos?’, ‘de onde viemos?’, ‘o que existe além daquilo que enxergamos?‘. É a visão de alguém que se esforça para compreender isso tudo.”

O sucesso da obra superou as expectativas da editora, que inicialmente havia imprimido três mil cópias. Passado pouco mais de um ano, o livro está em sua 18ª edição, teve 300 mil exemplares vendidos no país e foi traduzido para 28 idiomas.

Relatividade no horário nobre

“Logo depois do lançamento, comecei a receber e-mails de leitores entusiasmados, dizendo que comprariam outros exemplares para darem de presente. Em pouco tempo, o título apareceu na lista dos mais vendidos, algo estranho para uma obra de física teórica e, a partir daí, a coisa explodiu: editoras, jornais, rádios e revistas começaram a me procurar.”

O professor, de 59 anos, chegou a falar sobre a teoria da relatividade de Einstein e de gravidade quântica em programas do horário nobre da televisão italiana. “Na verdade, as TVs passaram a me convidar só depois que o livro fez sucesso. Do contrário, acho que não teriam dado espaço a para assuntos difíceis como este.”

Também nas escolas, segundo Rovelli, falar sobre física é quase sempre “chato”.

 

“Falar sobre física nas escolas é quase sempre chato”, diz Carlo Rovelli

“Falar sobre física nas escolas é quase sempre chato”, diz Carlo Rovelli

 

“Os períodos de férias são os melhores para se estudar, porque não há a distração da escola”, diz, em um trecho do livro sobre o período em que era estudante universitário e, em uma praia da Calábria, leu pela primeira vez “a mais bela das teorias” (a da relatividade, de Albert Einstein), em um livro roído por ratos.

“Em vez de programas curriculares muito extensos e precisos, para atrair o interesse dos jovens pela ciência é necessário tratar bem os professores e deixar que eles tenham mais liberdade para abordarem os temas que mais gostam. O que faz um aluno se apaixonar por uma determinada matéria é o entusiasmo do próprio professor“, afirma.

“Para compreender a ciência é preciso um pouco de empenho e esforço, mas o prêmio é a beleza. E olhos novos para enxergar o mundo.”

Confira alguns trechos das explicações de Rovelli sobre personagens, teorias e conceitos da física:

Copérnico:

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“Se eu quiser explicar a Revolução Copernicana, posso falar durante horas, apresentar cálculos e citar exemplos. Mas também posso dizer apenas que (Nicolau) Copérnico descobriu que a Terra gira em torno do Sol, e não o contrário. Este é o coração da descoberta, e isto as pessoas entendem.”

Darwin:

“Outra extraordinária descoberta científica que pode ser explicada em poucas palavras é a teoria de (Charles) Darwin, que escreveu um livro difícil com pesquisas de (mais…)

Projeto do MIT identifica ‘nerds’ que são ‘reis da gambiarra’ em favelas do Rio

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Gambiarra Favela Tech estimula potencial criativo e artístico de jovens e ensina conceitos básicos de matemática e física.

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Publicado no G1

Pamella está grávida do segundo filho, tem 24 anos, quer estudar psicologia, e mora em Vigário Geral. Luiz tem 19 anos, está em dúvida entre ser arquiteto ou artista plástico e mora em Realengo. Davi tem 14 anos, ainda vai decidir se quer ser advogado ou enfermeiro e mora em Pilares.

Em comum, os três jovens de bairros de periferia do Rio de Janeiro têm a vocação para criar “engenhocas” – ou “gambiarras” -, verdadeiras invenções da engenharia doméstica, e participam do primeiro “Gambiarra Favela Tech”. O projeto tenta identificar “nerds” em diferentes comunidades cariocas, colocando-os em contato, estimulando seu potencial criativo e artístico e ensinando conceitos básicos de matemática e física.

A iniciativa é do laboratório digital Olabi e da ONG Observatório de Favelas em parceria com a Fundação Ford e o MIT (Massachusetts Institute of Technology). O projeto é uma tentativa de devolver a cultura “maker” às suas origens: as oficinas e garagens onde pequenos “gênios” anônimos desenvolvem soluções para os problemas do cotidiano – usando princípios de elétrica, eletrônica e informática, com uma boa dose de criatividade.

Para serem selecionados, todos tiveram de provar alguma habilidade. Há os que montam e desmontam computadores, criam sistemas de iluminação com extensões improvisadas, consertam ventiladores, desenvolvem adaptadores para tomadas, montam pequenos geradores e até lidam com softwares de código aberto.

Ricardo Palmieri, artista digital e especialista em interfaces interativas que trabalha há dez anos com oficinas nos campos da robótica, eletrônica e audiovisual, explica que o termo “maker” é a forma atual para descrever os improvisos criados ao redor do mundo, seja em badalados laboratórios de inovação, comunidades de países em desenvolvimento ou na boa e velha garagem de um avô “professor Pardal”, que “todo mundo tem ou conhece alguém que tenha”.

Ao ministrar as duas semanas de oficinas para Pamella, Luiz, Davi e outros nove colegas num galpão no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, Palmieri trabalha com três objetivos básicos: estimular a originalidade nas soluções, aproximá-los da física e da matemática e romper com preconceitos contra os materiais recicláveis, buscando peças em locais diversos que vão desde a rua até um lixão ou um ferro-velho.

“Alguns vêm de uma situação social mais vulnerável, outros nem tanto, mas todos são moradores de favela ou periferia. É interessante ver como muitos deles dizem ser chamados de ‘malucos’ por pegarem coisas do lixo para montarem suas traquitanas, mas aos poucos vão dando um valor de engenharia e arte a isso, aumentando a autoestima e vendo que podem chegar a resultados surpreendentes”, conta.

‘Mesma espécie’
O clima de criatividade e empolgação no Galpão Bela Maré, que leva o nome do complexo de favelas atualmente em processo de pacificação, contagia quem visita a oficina com adesivos coloridos e cartazes espalhados pelas paredes e um burburinho constante em torno das criações.

“A gambiarra é essa coisa de teste mesmo. Você junta uma coisa com a outra e vai vendo no que dá, é instintivo”, diz Pamella Magno Braga. Para ela, a sensação de trabalhar com os outros 11 colegas é como “encontrar pessoas da mesma espécie”.

Gabriela Agustini, do laboratório digital Olabi, explica que essa é justamente a ideia do projeto. “Não esperamos que após duas semanas eles criem invenções mágicas que resolvam todos os problemas das suas comunidades. O interessante é ver que esses meninos e meninas que já criam suas próprias soluções, mas nunca deram a isso o nome de robótica ou eletrônica.”

Segundo ela, cada um recebeu uma bolsa de R$ 500 para custear despesas de transporte e alimentação e poder se afastar de seus empregos pelo período.

MIT e favelas
O Olabi integra a rede Fab Lab, de mais de 200 laboratórios de inovação, criada em 2009 por um programa sem fins lucrativos do MIT e atualmente presente em 40 países.

“Selecionamos jovens de diferentes idades e interesses, inspirados por essa filosofia de que é na diversidade que acontece a inovação”, diz Gabriela Agustini. Ao identificar talentos ‘nerds’ em favelas e comunidades de diferentes partes do Rio, os organizadores esperam impactar o futuro desses jovens, potencializando suas capacidades e abrindo novas oportunidades.

Com apenas 14 anos, Davi Leite Pereira deixa claro que já entendeu o conceito de “networking”. “Todo mundo aqui se identificou muito rápido. Vamos ficar em contato depois.”

Gilberto Vieira, gestor de projetos do Observatório de Favelas, explica que, ao término da oficina, o Galpão Bela Maré abrigará um laboratório “maker” de forma permanente, e que a ideia é que os jovens das comunidades do entorno passem a ver a cultura criativa como algo “descolado” e interessante, propiciando um ambiente fértil para identificar novos talentos.

“A gambiarra é genuinamente favelada. É onde a luz e a internet não chegam direito, onde os serviços são irregulares, a janela não fecha e as coisas precisam de conserto logo. O ‘hype’ se apropriou disso e criou a cultura ‘maker’, e agora estamos trazendo isso de volta para a favela”, conclui.

Conheça um pouco mais sobre três dos 12 selecionados pelo Gambiarra Favela Tech:

Davi Leite Pereira, de 14 anos, estudante

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“Vou descobrir muitas coisas novas nesse curso. Por exemplo, tem fios negativos e positivos. Essa nem minha mãe sabia”, conta o menino Davi Leite Pereira, de 14 anos, que já ganhou o apelido de “mascote” por ser o mais novo do grupo.

Nascido na Vila Kennedy, comunidade da Zona Oeste do Rio, ele agora mora em Pilares com os três irmãos, o padrasto e a mãe, para quem a seleção no Gambiarra Favela Tech não deve ter sido grande surpresa.

“Minha mãe também faz muita gambiarra e me incentiva, mesmo quando meus irmãos me chamam de maluco. Eu conserto coisas em casa desde pequeno. Uma vez abri um ar-condicionado inteiro e depois não sabia montar de novo. Já mexi com extensões elétricas e também criei uma tomada nova para um ventilador, emendando o fio num benjamim”, conta.

Ele diz que “se amarra” em origamis (dobraduras de papel japonesas) desde criança e que tudo começou com a curiosidade pelos eletrônicos e a necessidade de arrumar aparelhos quebrados em casa, mas agora quer ir mais longe.

O plano é “entender mais de eletrônica e informática”, embora pense em cursar faculdade de direito ou enfermagem, mas também se interesse por grafite e artes plásticas. Para ele, o contato com os novos conhecimentos e a interação com os colegas têm sido motivo de empolgação.

“Já aprendi coisas que eu nem imaginava. Agora peguei um forninho elétrico num ferro-velho e pretendo construir uma caixa de surpresas ou um boneco. E, se esquentar demais, peguei um motorzinho para criar um mini ventilador que vai acoplado”, explica.

Luiz Cláudio de Almeida Santos, de 19 anos, estudante
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Acompanhar o raciocínio de Luiz Cláudio de Almeida Santos, de 19 anos, requer atenção e concentração redobradas. O que para o interlocutor é uma série de pequenas invenções e engenhocas, nada mais é do que o dia a dia normal do carioca de Realengo, bairro da Zona Oeste do Rio, que faz curso técnico de desenho de construção civil com bolsa do governo federal.

Se a caixa de som estragou porque o cabo de alimentação queimou, ele adapta o fio para um cabo USB. “Ficou melhor, porque agora carrega no computador, tablet, liga no celular. Gostei mais”, conta. Se não tem um suporte de mesa para poder olhar o smartphone enquanto trabalha, cria uma base articulada de improviso.

E, como se não fosse suficiente, ele explica que o suporte para o celular era necessário para poder olhar mensagens “enquanto monto e desmonto um computador, troco as memórias. Mas notebook é mais complicado, porque as peças são totalmente diferentes”.

Passatempo antigo do garoto, montar e desmontar eletrônicos é algo que ele faz com desenvoltura, apesar de nunca ter estudado para isso. “Ventilador é fácil. Sempre quis mesmo era entender como o computador funciona, e meu sonho era construir um robô”, conta, acrescentando que quando precisa de uma ferramenta mas não tem dinheiro para comprar, costuma improvisar e criar seus próprios utensílios.

Além do talento para a tecnologia, Luiz gosta de desenhar, pintar, e de ler mangás (quadrinhos japoneses). Ele tem na internet seu grande aliado: “Quando não sei fazer alguma coisa, vejo vídeos no You Tube. Assisto com atenção e vou aprendendo”, conta, enquanto rabisca algo no papel.

Ao fim da entrevista, mostra o resultado: “um lagarto gigante com um braço mecânico” e explica o que mais tem chamado sua atenção nas oficinas. “Estou gostando dessa liberdade que eles estão passando para a gente. Posso fazer algo mais artístico, mas também posso entender de coisas técnicas e juntar as duas coisas”, conta.

Questionado sobre o futuro, o carioca diz que gostaria de ser arquiteto, para tornar os ambientes do seu bairro mais “agradáveis”.

“No subúrbio, os pedreiros não são muito criativos. Fazem tudo quadrado, de qualquer jeito. Eu gostaria de ajudar as pessoas tornando as casas mais aconchegantes, mais direcionadas para o que elas precisam”, diz.

Pamella Magno Braga, de 24 anos, estudante
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Estudante do curso de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Pamella Magno Braga, de 24 anos, trabalha há três como bolsista num ponto de cultura digital, um programa do Ministério da Cultura – o que tem aumentado seu interesse por gambiarras.

“Sempre gostei de mexer com elétrica, inventar coisas. Já criei uma luminária a partir de uma extensão, fazendo várias emendas, e cada uma acendia uma lâmpada. Funcionou por pouco tempo, mas funcionou”, conta, bem humorada, a carioca de Vigário Geral, comunidade da Zona Norte do Rio.

Mãe de Fernando, de três anos, ela aguarda a chegada de Augusto para setembro, e diz que o marido aprova as engenhocas. “No verão teve um dia que estava fazendo muito calor, e não tínhamos ventilador. Eu me dei conta que o vento vinha da janela do corredor, e montei umas cartolinas cortadas como velas de navio, para canalizar a brisa para o quarto. Deu certo, ficou fresquinho”, explica.

Acostumada a lidar com softwares livres, onde o usuário ajuda a criar o código dos programas, ela também é viciada em garimpar peças e aparelhos na rua e em depósitos. A jovem diz que recentemente levou um botão de semáforo de pedestres para casa, mas ainda não sabe o que vai inventar com ele.

“Vou levar essa oficina para o ponto de cultura digital, vou reproduzir isso por lá. O que estou aprendendo aqui vai me ajudar, sem dúvida, porque estou vendo que você pode implementar o conceito de gambiarra para tudo, desde as soluções mais caseiras até coisas eletrônicas mais complexas. O importante é improvisar”, afirma.

Em seu melhor desempenho, Brasil ganha prata na Copa do Mundo de Física

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Publicado em UOL

“Você tem que estar disposto a perder férias e boas noites de sono”. É assim que Diego Pinheiro de Moura, 17, define a preparação para o Torneio Internacional de Jovens Físicos (IYPT), também conhecido como Copa do Mundo de Física. A equipe brasileira formada por ele e outros quatro estudantes do ensino médio (Felipe D’Elia, Matheus Camacho, Thiago Bergamaschi e Thiago Kalife) conquistou a medalha de prata no torneio, ficando em 5º lugar na classificação geral. É a melhor marca do Brasil na competição.

O torneio, realizado em Nakhon Ratchasima, na Tailândia, é disputado entre 27 países de todos os continentes. A organização libera, com um ano de antecedência, uma lista com 17 problemas “abertos” – ou seja, sem resposta única. Em cada rodada da competição, três equipes se enfrentam: a relatora apresenta solução para o problema, a oponente aponta falhas e acertos na resolução e a avaliadora julga os dois grupos. Cada uma delas é avaliada por um júri, que atribui notas.
A complexidade dos problemas vai além do conteúdo do ensino básico. Estudante do 2º ano do ensino médio, Matheus Camacho, 16, realizou experimentos no laboratório de sua escola, além de ter pesquisado artigos científicos. “Os professores tiram as dúvidas. Aí você tem que realizar experiências e ir se virando, é tudo meio por conta própria”.
“Eu baixava uns artigos no celular, aí quando eu era dispensado da aula, ficava lendo”, conta Diego. Para ele, o trabalho em equipe foi essencial. “Dentro da equipe, todo mundo se apoia, se alguém está mais atrasado, com mais dificuldade. Eu também tive muita ajuda da equipe nacional [que é formada para disputar uma vaga na seleção que vai ao torneio]”.
Por se tratar de uma competição internacional, todas as apresentações são em inglês. “Eles têm que saber física, se apresentar, ter domínio psicológico, tudo isso com um inglês muito afiado”, afirma Ronaldo Fogo, coordenador de cursos especiais de física do Colégio Objetivo.
Experiência
Em oito anos, o Brasil teve uma grande ascensão no torneio: saiu do 17º lugar, em 2007, para a atual 5ª colocação. “Você não pode ir pensando só no resultado. Tem que pensar no que pode aprender: você assimila muitas coisas novas sobre física e ganha convivência”, afirma Diego.
“Fazendo contato com as pessoas você vê diferenças nos sistemas de educação, como cada país gerencia sua equipe. Alguns países tinham apoio de universidade [durante a preparação para o torneio], nós não temos”, explica o estudante.
“Os professores de outros países vendo o desempenho do Brasil mandam mensagens parabenizando”, conta o professor Ronaldo Fogo. “Nós temos material humano para ser uma potência educadora, falta só o apoio das autoridades”, avalia.
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