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Em novo livro, Stephen Hawking dá breves respostas a grandes perguntas

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Foto: Flickr/Charis Tsevis)

 

Publicado na Galileu

Deus existe? O que há dentro de um bruaco negro? É possível viajar no tempo? Essas são algumas das perguntas mais feitas à Stephen Hawking ao longo dos anos em que o físico se dedicou à ciência. E como bom divulgador da mesma, ele tentou responder a cada uma delas em um livro que, infelizmente, não conseguiu finalizar antes de sua morte, no dia 14 de março de 2018, aos 76 anos.

Seu filhos e colegas acadêmicos, por outro lado, conheciam bem o cosmólogo e sabiam que ele se alegraria com a publicação de Brief Answers to the Big Questions — o que aconteceu na terça-feira, 16 de outubro. Com a ajuda da família e dos amigos de Hawking, a obra foi finalizada com as memórias do autor e lançada pela editora norte-americana Bantam Books.

Confira abaixo algumas perguntas respondidas no livro e um breve resumo das visões de Hawking sobre elas:

Edição norte-americana de Brief Answers to the Big Questions (Foto: Bantam Books)

Deus existe?
O físico diz que a explicação mais simples é a de que Deus não existe e que não há evidências confiáveis de que haja vida após a morte mesmo que as pessoas possam viver através da sua influência e dos genes.

Como tudo começou? Há outros tipos de vida inteligente no universo?

Apesar de serem completamente diferentes, Stephen Hawking tem uma previsão semelhante para ambas questões. Segundo o físico, teremos a resposta para elas nos próximos 50 anos.

Nós sobreviveremos na Terra?

Para Hawking, a raça humana terá que melhorar suas qualidades mentais e físicas, mas a criação de super humanos geneticamente modificados — com uma memória melhor e mais resistentes a doenças — seria capaz de pôr em risco a vida dos outros.

Além disso, o cientista acreditava que, quando nos dermos conta do perigo representado pelas mudanças climáticas, já será tarde mais.

Edição britânica de Brief Answers to the Big Questions (Foto: John Murray)

Deveríamos colonizar o espaço?

Em novembro de 2016, o físico já havia afirmado que deveríamos deixar o planeta nos próximos mil anos. No início de 2017, ele tirou 900 anos do nosso prazo e disse que estava convencido de que isso deve acontecer dentro do próximo século.

Em seu novo livro, Hawking reafirma que não há outra opção senão deixar o planeta, arriscando a “aniquilação” da humanidade se isso não ocorrer.

A inteligência artificial irá nos ultrapassar?

Hawking acredita que sim, a inteligência das máquinas ultrapassará a nossa no próximo século e pode substituir a humanidade. Por isso, “precisaremos nos assegurar de que os computadores têm objetivos alinhados aos nossos’, escreve o cosmólogo na nova obra.

Como nós moldamos o futuro?

Segundo sua filha, a jornalista e escritora Lucy Hawking, uma das maiores preocupações de Stephen era a de que, “em uma época em que os desafios são globais, estamos nos tornando cada vez mais locais na nossa forma de pensar.”

Entre outras questões, em Brief Answers to the Big Questions Hawking também tenta responder o que há dentro de um buraco negro, se podemos prever o futuro ou se viagens no tempo são possíveis.

Qual a importância das fotos dos escritores, para eles e para os leitores

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Retratos de escritores projetam uma imagem que forma a mitologia em torno de suas personalidades e acompanha a leitura de suas obras

Juliana Domingos de Lima, no Nexo

Por ser um escritor nascido ainda no século 19, o homenageado pela Festa Literária de Paraty de 2017 Lima Barreto não tem tantas imagens de si circulando por aí, como é o caso dos escritores contemporâneos.

Lima Barreto em 1909, ano de lançamento de "Recordações do Escrivão Isaías Caminha"

Lima Barreto em 1909, ano de lançamento de “Recordações do Escrivão Isaías Caminha” – Foto: Domínio Público

 

A pouca iconografia existente do autor, que inclui as fotos analisadas pela professora da UFRJ Beatriz Resende no ensaio “O Lima Barreto que Nos Olha”, no entanto, ajuda a entender o que atormentava o escritor, qual a sua história e qual era a condição de um escritor negro no início do século 20 no Brasil.

Até a pesquisa de Resende, as fotos de Barreto que ela analisou nunca haviam sido vistas por alguém externo à instituição psiquiátrica onde ele foi internado e fotografado em 1914 e 1919. Para a pesquisadora, as fotos eram a “prova material” do que ele havia relatado no livro “Diário do Hospício”. Projetam, além disso, uma imagem muito diferente do escritor jovem, confiante e vestido com esmero no ano de publicação de “Recordações do Escrivão Isaías Caminha”.

Para Dustin Illingworth, jornalista especializado em literatura que escreve para o site “Literary Hub”, as fotos de escritores constituem um texto paralelo à própria obra de um autor. A expressão do escritor em imagens, seja na orelha de um livro ou em um banner de livraria, ecoa e acompanha a experiência de leitura. E constrói uma fantasia em torno da figura por trás do texto. “Se a nossa é uma cultura da primazia visual, há dúvidas de que as fotos de nossos autores venham a habitar os textos que eles escrevem?”, questiona Illingworth.
Primeiros retratos de escritores brasileiros

O primeiro dos grandes escritores brasileiros a ter sua trajetória registrada por meio de fotografias, e portanto a deixar imagens de si para gerações posteriores, foi Machado de Assis. Nascido na primeira metade do século 19, sua geração coincide com a que viu, no Brasil, a fotografia se tornar parte da vida social, cosmopolita e intelectual das pessoas. A trajetória do escritor contada em fotos foi reunida no livro “A Olhos Vistos: Uma Iconografia de Machado de Assis”, organizado pelo professor de Literatura Brasileira na USP Hélio de Seixas Guimarães.

Machado fotografado por Marc Ferrez e Joaquim Insley Pacheco, em 1884 - Foto: Domínio Público

Machado fotografado por Marc Ferrez e Joaquim Insley Pacheco, em 1884 – Foto: Domínio Público

 

O modernista Mário de Andrade também foi intensamente retratado, em pinturas e fotos, e se mostrava consciente do cultivo de sua imagem de escritor e homem público a partir desses registros. “Dos retratos que foram feitos em vida, Mário de Andrade exerceu influência direta sobre muitos deles, interferindo e opinando durante a sua execução e também os criticando em textos e cartas depois de terminados”, diz o artigo “Retratos de Mário de Andrade: catálogo da iconografia dedicada ao escritor”, escrito pela pesquisadora em História da Arte da Unicamp Tameny Romão.

O trabalho explicita as construções da imagem do autor de “Macunaíma”, assimiladas pelo imaginário popular: seus retratos, tirados em casa ou no estúdio, cercado de objetos que havia trazido de suas viagens folclóricas ao Nordeste ou com um cigarro na boca, projetavam um homem culto, viajado, descontraído ou circunspecto e triste, como é muitas vezes o ideário romântico alimentado em relação à personalidade de escritores.

Em uma carta de 1944 enviada ao amigo Newton Freitas, Mário de Andrade envia uma foto dele mesmo que diz, na correspondência, ser a que mais gostava por marcar no seu rosto “os caminhos do sofrimento, você repare, cara vincada, não de rugas ainda mais de caminhos de ruas, praças, como uma cidade. (…) ele denuncia todo o sofrimento dum homem feliz”.
As fotografias de escritores

Fotógrafo e colaborador de editoras como Companhia das Letras, Planeta, Rocco e 34, Renato Parada já fotografou autores contemporâneos brasileiros e estrangeiros. José Saramago, Mia Couto, Elvira Vigna, Drauzio Varella, Daniel Galera e Ian McEwan estão entre seus retratados.

“Acho que essas escolhas fazem parte de como esses autores querem que o leitor se relacione com seus livros”, disse Parada em entrevista ao Nexo.

Ele concorda que quando o leitor julga, pela aparência, um escritor como “bonito, inteligente, agradável ou maldito”, isso tem impacto na forma como ele é lido.

'Saber que Daniel Galera é um contemporâneo meu me fez ter mais interesse por seus livros', diz Parada - Foto: Renato Parada

‘Saber que Daniel Galera é um contemporâneo meu me fez ter mais interesse por seus livros’, diz Parada – Foto: Renato Parada

 

Como leitor, Parada relata como sua experiência ou seu interesse pela literatura de alguns autores passa pela imagem deles. “Saber que Daniel Galera é um contemporâneo meu me fez ter mais interesse por seus livros”, diz. Também fala de como a imagem do autor do calhamaço “Graça Infinita” o convenceu a chegar ao fim do livro. “O fato de um escritor como David Foster Wallace se vestir como um Axl Rose acadêmico me influenciou a conseguir ter a dedicação suficiente para conseguir ler seus livros. Me ajudou a entender que ler um livro de 1.000 páginas também pode ser algo extremamente legal e divertido de se fazer”.

O retrato tirado de Elvira Vigna, autora do livro “Como Se Estivéssemos em um Palimpsesto de Putas” é um dos preferidos do fotógrafo por comunicar a força e a dureza da personalidade e do estilo literário da escritora.

Retrato tirado da escritora Elvira Vigna é um dos preferidos do fotógrafo - Foto: Renato Parada

Retrato tirado da escritora Elvira Vigna é um dos preferidos do fotógrafo – Foto: Renato Parada

Ele diz preferir fazer fotos “não literais”, fugir da pose intelectual ou profunda, das fotos convencionais com uma estante de livros ao fundo.

“São pessoas mais interessantes que isso”, diz. “As pessoas têm essa ideia do que é um escritor – alguém mais velho, acadêmico, e isso pode distanciar alguns da literatura, como os jovens, que podem achar que esse universo não é tão legal e interessante”.
Kafka, Plath, Camus

No texto “Como fotos de autores mudam nossa maneira de ler”, publicado no site “Literary Hub”, Dustin Illingworth cita alguns casos de fotos de escritores muito conhecidos cujos retratos são inseparáveis, para ele, das respectivas obras.

“A última foto tirada de Franz Kafka, meses antes dele morrer de uma tuberculose que o havia perseguido por anos, revela a magreza, a contemplação e a intensidade quase insuportável de um rosto transformado em um tipo de aforismo físico: o rosto de Kafka como uma história kafkiana”

Dustin Illingworth

Para o “Literary Hub”

Para o jornalista do 'Literay Hub' a expressão de Kafka concentra características de um personagem de um de seus livros - Foto: Domínio Público

Para o jornalista do ‘Literay Hub’ a expressão de Kafka concentra características de um personagem de um de seus livros – Foto: Domínio Público

 

O sorriso enigmático e a expressão ambígua da americana Sylvia Plath, autora de “A Redoma de Vidro” e do livro de poesia “Ariel” também ficam impressos, para ele, à ferocidade de sua obra poética. Illingworth registra ainda a elegância e a rebeldia do teco de cigarro nos lábios do francês Albert Camus, em sua foto mais famosa. Camus é, segundo ele, o James Dean do existencialismo.

4 passos para aprender tudo que você quiser, segundo um Nobel da Física

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Técnica pretende ajudar a compreender qualquer tema

Técnica pretende ajudar a compreender qualquer tema

 

Publicado na BBC Brasil

Na escola, na faculdade e até mesmo no dia a dia, é comum nos depararmos com assuntos que não conseguimos compreender.

Mas Richard Feynman (1918-1988), ganhador do Prêmio Nobel de Física em 1965, garantia que existe uma tática simples que ajuda a entender qualquer tema.

O próprio Feynman sempre foi reconhecido por essa característica entre os colegas: ele tinha muito talento para transformar explicações de coisas muito complexas em algo simples e fácil de entender.

E seu entusiasmo para explicar os conceitos mais difíceis costumava contagiar quem estava por perto.

O que Feynman defende em sua técnica é que existem dois tipos de sabedoria: a que é focada em saber apenas o nome de algo e a que é focada em de fato saber algo.

A receita para a real aprendizagem, segundo ele, é a última – e pode ser aplicada observando os quatro passos a seguir:

Richard Feynman dançando com sua mulher depois de receber o Nobel

Richard Feynman dançando com sua mulher depois de receber o Nobel

 

1) Escolha um conceito

Qualquer um que preferir. Pode ser um de macroeconomia, economia doméstica ou qualquer coisa que vier a cabeça.

Seja química ou culinária, ou primeiro uma e depois a outra. E anote o conceito – o mais importante aí é desenvolver o raciocínio.

2) Escreva-o como se estivesse ensinando uma criança

Redija, então, tudo o sabe sobre esse conceito.

Mas atenção: você precisa fazer isso da maneira mais simples possível. Escreva como se estivesse explicando para uma criança – ainda que isso pareça absurdo e desnecessário, é um passo muito importante.

Assegure-se de que, do início ao fim, você esteja usando uma linguagem bem simples. Além disso, evite jargões e expressões prontas que partam do pressuposto de que você já sabe o conceito delas.

Explique cada detalhe de tudo e não caia na tentação de omitir algo que, na sua visão, está subentendido.

3) Volte no tema e pesquise sobre ele

No passo anterior, provavelmente você encontrou lacunas no seu conhecimento. Coisas que você esqueceu e que não conseguiu explicar.

E esse é o momento em que você começa realmente a aprender. Volte à fonte de informações sobre esse tema e pesquise o que ainda falta entender.

E, quando você achar que cada subtema está claro, tente escrever no papel a explicação para ele de uma maneira que até uma criança entenderia.

Quando você se sentir satisfeito e estiver compreendendo tudo o que antes estava confuso, volte à redação original e continue escrevendo as explicações nela.

4) Revise e simplifique ainda mais

Depois de passar por todas essas etapas, revise o que escreveu e simplifique. Certifique-se novamente de que não usou nenhum jargão associado com o tema que está te intrigando.

Leia tudo em voz alta. Preste atenção para perceber se está tudo exposto da maneira mais clara possível.

Se a explicação não for simples ou se soar confusa, interprete isso como um sinal de que você não está entendendo algo.

Crie analogias para explicar o conceito, porque isso ajuda a esclarecer tudo na sua cabeça e é a prova de que você está realmente dominando aquele tema.

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