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Posts tagged Flip 2015

Confira 10 momentos marcantes da Flip 2015 em 10 palavras

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Evento teve palco invadido, Machado ‘psicografado’ e poesia com pandeiro.
13ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty acabou neste domingo.

Cauê Muraro, Letícia Mendes e Shin Oliva Suzuki, no G1

A Festa Literária Internacional de Paraty encerrou a 13ª edição neste domingo (5) com diversos momentos marcantes, mesmo perdendo sua atração mais esperada pouco antes do início e com a cidade com menos turistas do que em outros anos.

O cancelamento da ida de Roberto Saviano deixou a Flip sem uma grande estrela internacional dos livros, mas a maior parte dos debates conseguiu empolgar o público.

Não foi uma edição tão política quanto a de 2013, que adaptou sua programação ao momento de protestos pelo país. Mas neste ano, nas vezes em que o tema foi evocado, a efervescência no público era perceptível.

O erotismo também esteve presente em diversos momentos desta Flip. Foi destaque também o interesse pelas mesas de ciência: em 2015, o cérebro e a matemática foram temas que atraíram uma grande multidão à tenda da festa.

Confira abaixo dez momentos marcantes da Flip em dez palavras:

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O salve (Foto: Editoria de Arte/G1) Roberto Saviano fala sobre sua ausência na Flip 2015 (Foto: Divulgação/Flip)

O salve (Foto: Editoria de Arte/G1)
Roberto Saviano fala sobre sua ausência na Flip 2015 (Foto: Divulgação/Flip)

Ele não veio. Mas esteve presente. Roberto Saviano, jurado de morte pela Máfia italiana, cancelou sua participação alegando questões de segurança. Mas emocionou o público com um vídeo de pouco mais de 11 minutos bastante contundente em que abordou sua condição de constante ameaça e atacou as conexões que possibilitam à indústria do narcotráfico uma condição cada vez mais forte.

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a invasão (Foto: Editoria de Arte/G1) O ator Pascoal da Conceição invade o palco vestido de Mário de Andrade na mesa de abertura da Flip (Foto: Divulgação/Flip)

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O ator Pascoal da Conceição invade o palco vestido de Mário de Andrade na mesa de abertura da Flip (Foto: Divulgação/Flip)

O ator Pascoal da Conceição, que interpretou Mário de Andrade na minissérie da Globo “Um só coração” (2004), em peças e performances, resolveu voltar ao papel na conferência de abertura e invadiu o palco da Flip 2015. Nada combinado. Ele andou pela plateia, segurando um buquê de flores e caracterizado como Mário de Andrade, e declamou um poema. Ao G1, falou: “Eu sinto, como ator, quase uma obrigação artística de estar presente”. Disse ainda que arcou sozinho com os custos da iniciativa, inclusive com os R$ 1,8 mil do terno.

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a psicografia (Foto: Editoria de Arte/G1) Reinaldo Moraes participa de mesa sobre erotismo da 13ª Flip (Foto: Divulgação/Flip)

a psicografia (Foto: Editoria de Arte/G1)
Reinaldo Moraes participa de mesa sobre erotismo da 13ª Flip (Foto: Divulgação/Flip)

O escritor Reinaldo Moraes “psicografou” Machado de Assis, acrescentou sexo – oral, inclusive – em “Memórias póstumas de Brás Cubas” e arrancou muitas risadas (e aplausos) do público da Flip. Em mesa sobre literatura erótica, ele leu em voz alta dois textos, feitos especialmente para o evento, em que crivou cenas pornográficas envolvendo os protagonistas do clássico de Machado. Fã de um trocadilho (nem sempre sofisticado), Reinaldo dividiu a mesa com Eliane Robert Moraes, especialista em Sade. Foi o encontro mais debochado do evento. E algum recorde de termos de duplo sentido mencionados por segundo deve ter sido quebrado.

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a comoção (Foto: Editoria de Arte/G1) O crítico literário, ensaísta e músico José Miguel Wisnik em conferência na Flip (Foto: Divulgação/Flip)

a comoção (Foto: Editoria de Arte/G1)
O crítico literário, ensaísta e músico José Miguel Wisnik em conferência na Flip (Foto: Divulgação/Flip)

Foi arrebatadora a conferência de encerramento da Flip 2015, ministrada pelo professor, ensaísta e músico José Miguel Wisnik. Na “aula”, ele juntou Mário de Andrade e política emocionando a plateia. Foi aplaudido de pé ao dizer que o Brasil não trata a cultura e educação como se fosse “um luxo [acessível] para todos” e “faz de tudo para jogar a juventude pobre e negra no esgoto das prisões”. Também cantou, comovido, o poema “Garoa do meu São Paulo”, do próprio Mário de Andrade, homenageado do evento: “Garoa do meu São Paulo / Timbre triste de martírios / Um negro vem vindo, é branco / Só bem perto fica negro / Passa e torna a ficar branco”. Terminou com voz embargada o último verso: “Garoa sai dos meus olhos”.

(mais…)

Mário de Andrade, muito além do debate sobre a homossexualidade

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Sessão de abertura da Flip, Beatriz Sarlo (à esq.), Eliane Moraes (centro) e Eduardo Jardim (à dir.) / Tânia Rêgo (Agência Brasil)

Sessão de abertura da Flip, Beatriz Sarlo (à esq.), Eliane Moraes (centro) e Eduardo Jardim (à dir.) / Tânia Rêgo (Agência Brasil)

Flip teve início nesta quarta com um debate dedicado ao intelectual brasileiro. Segundo a ensaísta Eliane Moraes, ele “não pode ser reduzido à sua sexualidade”

Camila Moraes, no El País

“Não estou interessado em ser conhecido em 1985”, disse certa vez Mário de Andrade, conforme recordou seu biógrafo, Eduardo Jardim, durante a mesa de abertura da 13ª Festa Literária de Paraty. Ao lado da crítica literária argentina Beatriz Sarlo e da ensaísta Eliane Robert Moraes no encontro titulado As margens de Mario, Jardim perfilou o escritor, homenageado desta Flip, como um dos grandes intelectuais brasileiros – também músico, pesquisador, agitador cultural –, que expressava publicamente a ansiedade de que suas ações e criações impactassem em seu próprio tempo.

Mario viveu sua idade adulta e mais ativa entre os anos 1917 e 1937, período em que liderou o modernismo brasileiro, cujo auge foi a Semana de 22, e realizou diversos feitos de toda ordem artística e cultural. No entanto, morreu em 1945 sem ver concretizada a maioria de seus projetos de vida, que tinham a ver com a valorização da cultura popular brasileira e a criação de uma identidade nacional própria. Somente nos dias atuais – muito depois do que ele mesmo temia – é que Mário de Andrade passa por um resgate.

Mário de Andrade em sua casa, em 1938. / Acervo IEB-USP

Mário de Andrade em sua casa, em 1938. / Acervo IEB-USP

Segundo Eliane Robert Moraes, que é professora da USP e examinou a obra de Mário a partir do erotismo, esse reconhecimento tardio perpassa a homossexualidade do autor – centro de uma polêmica de décadas envolvendo desde cartas pessoais censuradas até uma desvalorização do traço erótico presente transversalmente em sua literatura. “Chegou o momento de poder liberar em Mário de Andrade o que é de ordem pessoal para reconhecer o que é de ordem estética. Eros foi muitas vezes silenciado [em sua produção]. Cabe a nós ouvi-lo”, disse Eliane, que também é escritora. “Sim, nosso escritor era homossexual, era gay. Há resquícios disso em sua obra, ainda que não possamos falar de uma obra homoerótica. Nosso desafio é não reduzi-lo à sua sexualidade”, acrescentou, num esforço de superar a banalidade da polêmica.

Filósofo que lecionou por anos na PUC-Rio, Eduardo Jardim examinou, à luz de sua trajetória pessoal, a diversidade característica do escritor, que ele atribui a uma “permanente dualidade”. “É uma espécie de bivitalidade, que marca todos os escritos e iniciativas de Mario de Andrade. Uma tensão da qual ele nunca escapou. Ao contrário, fez que ele continuasse produzindo”, disse o especialista, se referindo a embates de Mário entre suas facetas nacional e universal, intelectual e popular, exigente e sensual.

Já Beatriz Sarlo discorreu sobre as distâncias culturais entre a Argentina e o Brasil nos anos 1920, comparando Mário de Andrade em São Paulo a escritores que foram seus contemporâneos em Buenos Aires, como Jorge Luis Borges. “As diferenças entre eles começam com as pesquisas de Mário em música popular, que nunca teriam ocorrido a um escritor portenho da década de 20. Passam pelas viagens, como as que ele fez à Amazônia, e chegam ao caráter carnavalesco de sua obra, que continua uma profunda celebração da festa, do ritual”, declarou Sarlo. A ensaísta, que participa de outra mesa no sábado pela manhã, elogiou a multiculturalidade brasileira, que ela relaciona com uma personalidade mais aberta e cordial do que a argentina.

Deve ter se espantado quando, no meio da plateia, o ator Pascoal da Conceição surgiu declamando versos de Mário de Andrade citados inicialmente por Eduardo Jardim. Vestido a caráter, como costuma fazer em eventos relacionados ao intelectual, ele subiu ao palco para finalizar sua intervenção, bastante emotiva e tão pouco convencional de acordo com os moldes do evento. Ao contrário do que pensaram os presentes por alguns instantes, nada tinha sido programado. “Foi uma surpresa, mas até as surpresas podem fazer parte da Flip de vez em quando”, finalizou o curador da festa, Paulo Werneck.

Irlandês Colm Tóibín é confirmado na Flip 2015

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O escritor irlandês Colm Tóibín (Crédito: Jerry Bauer/Divulgação)

O escritor irlandês Colm Tóibín (Crédito: Jerry Bauer/Divulgação)

Publicado no Veja

O escritor e ensaísta irlandês Colm Tóibín foi confirmado nesta segunda-feira como um dos convidados da 13ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). O autor, que participou da segunda edição do evento, em 2004, volta neste ano à feira, que acontece entre 1º e 5 de julho e terá Mário de Andrade como homenageado.

Tóibín nasceu em Enniscorthy, na Irlanda, em 1955. Passou uma temporada em Barcelona como professor e se envolveu com as questões políticas do lugar, participando de manifestações pela autonomia da região catalã. Em paralelo com a literatura, Tóibín se dedicou ao jornalismo e trabalhou para o jornal In Dublin e a revista Magill.

É autor de livros como O Sul (Record, 1978) e de outros títulos publicados no Brasil pela Companhia das Letras: O Mestre (2005), A Luz do Farol (2006), Mães e Filhos (2008), Brooklyn (2011) e O Testamento de Maria (2013), todos marcados por questões familiares e presença feminina de peso. Seu próximo livro é Nora Webster, que será publicado no Brasil em junho também pela Companhia das Letras.

O historiador Boris Fausto, que lançou o livro O Brilho do Bronze (Cosac Naify) recentemente, foi o primeiro autor confirmado para esta edição da Flip.

Flip 2015 anuncia a programação da Flipinha, voltada ao público infantil

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Luiz Ruffato, Diléa Frate e Claudio Fragata estão entre os convidados.
13ª Festa Literária de Paraty acontece entre os dias 1º e 5 de julho.

Publicado no G1

O escritor Luiz Ruffato, convidado da Flipinha (Foto: Divulgação/Luciana Branco Comunica)

O escritor Luiz Ruffato, convidado da Flipinha
(Foto: Divulgação/Luciana Branco Comunica)

A organização da edição 2015 da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) anunciou nesta terça-feira (3) os autores convidados da Flipinha, programação voltada ao público infantil (veja a lista abaixo). Dentre os 14 escritores e ilustradores convocados, estão Luiz Ruffato, Diléa Frate e Claudio Fragata. A 13ª edição da Flip acontece entre os dias 1º e 5 de julho. O autor homenageado vai ser Mário de Andrade.

Mário também é tema de conversas na Flipinha. Dentre os convidados, estão Luciana Sandroni, autora de “O Mário que não era de Andrade” (Companhia das Letrinhas), e Odilon Morais, ilustrador do livro “Será o Benedito! ” (Cosac Naify).

Novidades
A 13ª edição da festa vai manter a gratuidade no show de abertura e nos telões externos. A Flip anuncia ainda a realização, em parceria com o British Council, de um intercâmbio de residências literárias para tradutores do Brasil e do Reino Unido em início de carreira, com até cinco traduções publicadas. O tradutor brasileiro selecionado passará três semanas na Inglaterra, em Norwich. Além disso, poderá participar de debates e fazer contatos profissionais na London Book Fair, em abril. Por sua vez, o tradutor britânico passará três semanas no Brasil, em Paraty, entre junho e julho.

Mesma curadoria
No início de outubro, a Flip já havia comunicado que o jornalista e editor Paulo Werneck, 36, continuaria como curador. Ele já exerceu a função neste ano, que ficou marcada pela forte presença de humoristas e de convidados que não escritores. Sintomaticamente, o evento se encerrou com um manifesto do líder ianonâmi Davi Kopenawa.

Sobre os planos para a próxima Flip, Werneck afirmou, por meio de nota que “em 2014, a Flip se abriu, ao mesmo tempo, para a cidade e para o público que estava fora de Paraty”. E antecipou: “Esse é um movimento sem volta. Em 2015, vamos conservar esse espírito livre e afetuoso que é a marca dos grandes momentos de todas as Flips”.

Veja, abaixo, a lista de convidados da Flipinha e os perfis divulgados pela organização:

Alessandra Pontes Roscoe
Mineira, moradora do Distrito Federal, teve seu primeiro conto publicado, aos nove anos, numa antologia poética organizada pela Fundação Educacional do DF. Possui 25 livros publicados, entre eles “Histórias pra boi casar” e “JK, o lobo-guará”. Em 2013, foi finalista do Prêmio Jabuti e coordenou o Festival Itinerante de leitura que percorreu 20 Regiões administrativas do DF.

Claudio Fragata
Paulista de Marília, foi jornalista e editor antes de se dedicar integralmente à literatura. Passou parte da infância como menino de apartamento em São Paulo, onde seus companheiros eram os livros e o seriado “Sítio do Pica-pau Amarelo”, baseado na obra de Monteiro Lobato. Autor dos livros “Alfabeto escalafobético” (Jujuba) e “A princesinha boca-suja” (Ática/Scipione).

Dilan Camargo
Gaúcho, publicou, em cerca de 30 anos de carreira, mais de 20 livros de poemas e contos infantis, juvenis e adultos, além de peças teatrais e letras de canções. Vencedor de prêmios em literatura e música, com longo histórico de publicações em jornais e participações em feiras de livro, Dilan é também um dos fundadores da Associação Gaúcha de Escritores e apresenta um programa de entrevistas em uma TV pública gaúcha.

Diléa Frate
Paulista, é jornalista e escritora. Foi diretora e redatora do Programa do Jô durante 20 anos. Publicou sete livros infantis. “Procura-se Hugo” (Ediouro) virou peça de teatro. Um de seus últimos livros, “A menina que carregou o mar nas costas” (Nova Fronteira) acaba de ser transformado em um curta-metragem dirigido e roteirizado por ela. Foi premiada pela Associação Paulista de Críticos de Arte e recebeu a menção honrosa da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Criadora do programa Tv Piá, eleito pelo júri infantil do Festival Comkids Iberoamericano como o melhor programa infantil de não ficção para crianças de 7 a 11 anos.

João Anzanello Carrascoza
Paulista, é graduado em Publicidade e Propaganda pela Universidade de São Paulo (USP), onde é professor desde 1993. Em 2013, concluiu, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sua pesquisa de pós-doutorado sobre a interface entre a publicidade e a literatura. É autor de contos e romances, além de obras para crianças e jovens. Possui mais de 30 livros publicados, que lhe valeram alguns dos mais importantes prêmios literários do país: Jabuti, Guimarães Rosa/Radio France Internationale, Fundação Biblioteca Nacional, Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil e APCA. Escreveu para o público infantil as obras “Prendedor de sonhos” (Ática/ Scipione), “Ladrões de histórias” (Formato/ Saraiva) e “O homem que lia as pessoas” (Edições SM).

Luciana Sandroni
Carioca, formou-se em letras e fez mestrado em comunicação e semiótica. Autora de vários livros infantis e juvenis premiados pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, Luciana também recebeu o Prêmio Jabuti de Melhor Livro Infantil por Minhas Memórias de Lobato, e indicação para a lista de honra do Ibby, International Board on Books for Young People. Autora da biografia “O Mário que não era de Andrade” (Companhia das Letrinhas).

Luiz Ruffato
Trabalhou em diversos jornais até que, em 2003, abandonou a carreira de jornalista para se tornar escritor em tempo integral. Tem treze livros publicados, entre romances, ensaios e coletâneas de poemas. Seus livros já receberam traduções para o alemão, o finlandês, o inglês, o espanhol, o francês e o italiano. Escreve semanalmente para o “El Pais Brasil”. Tem dois livros infantis publicados: “A história verdadeira do sapo Luiz” (DSOP) e “e mim já nem se lembra” (Moderna/ Salamandra).

Odilon Morais
Paulista, cursou arquitetura, mas sua paixão por livros e desenhos (bem como uma boa dose de acasos) o levou a trabalhar com ilustração de livros. Recebeu prêmios como o Jabuti e o Adolfo Aizen, da União Brasileira de Escritores. Hoje, Odilon divide suas atividades entre a produção e os cursos que ministra no Instituto Tomie Ohtake e em outras instituições. Ilustrador dos livros “Será o Benedito!” (Cosac Naify, 2008), a partir da obra de Mário de Andrade, e Germinal, de Émile Zola.

Ondjaki
Ondjaki é africano de Luanda. Prosador, poeta e roteirista de cinema. É membro da União dos Escritores Angolanos e da Associação Protectora do Anonimato dos Gambuzinos. Seus livros foram traduzidos para diversos idiomas, como espanhol, italiano, alemão, inglês, sérvio, sueco e polaco. Publicou os livros “O voo do golfinho” (Companhia das Letrinhas) e “Uma escuridão bonita” (Pallas), entre outros.

Rita Carelli
Paulista, é escritora e ilustradora, além de atriz e cineasta. Viveu parte de sua infância entre aldeias de índios, acompanhando seus pais em filmagens e pesquisas. Seus livros são uma forma de compartilhar com as crianças não indígenas e suas famílias as alegrias e dificuldades das crianças indígenas do Brasil. Autora da coleção “Um dia na aldeia” (Cosac Naify).

Simone Matias
Formada em jornalismo, estudou desenho e pintura nos EUA, no Brasil e na Itália. É ilustradora e professora de desenho, pintura e ilustração. Lançou seu primeiro livro em 2006 e hoje tem mais de 40 livros publicados. Fez ilustrações para a “Folha de S.Paulo”, “Folhinha” e para a revista “Crescer”.

Stella Maris Rezende
Mineira, Stella Maris Rezende é mestre em Literatura Brasileira, escritora, dramaturga, artista plástica, cantora e atriz. Publicou romances, novelas, crônicas, contos e poemas, para o público adulto, juvenil e infantil. Recebeu prêmios importantes, entre eles o Prêmio Nacional de Literatura João-de-Barro, o Jabuti e o Prêmio Barco a Vapor/Fundação SM.

Tiago Hakiy
Amazonense, descende do povo sateré-mawé. Poeta, escritor e contador de histórias tradicionais indígenas. É autor de vários livros sobre a temática, voltados para o público infantil, como “CurumimZice” (Leya) e “Guaynê derrota a cobra grande” (Autêntica). Em 2012, foi vencedor do Concurso Tamoios de Textos de Escritores Indígenas. Formado em Biblioteconomia pela UFAM (Universidade Federal do Amazonas), mora no coração denso da floresta amazônica.

Tino Freitas
Cearense, morador de Brasília, é um artista múltiplo: escritor, músico, jornalista, e também mediador de leitura do projeto Roedores de Livros, que, desde 2006, desperta o prazer de ler junto a crianças no entorno de Brasília. Seus livros já estiveram entre os finalistas do Prêmio Jabuti de Literatura Infantil (2011, 2013 e 2014) e ganharam o Selo Altamente Recomendável para Crianças pela FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil). Entre suas obras estão “Os invisíveis” (Casa da Palavra) e “Três porquinhos de porcelana” (Melhoramentos).

Mário de Andrade será o homenageado da Flip 2015

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Mário de Andrade em pintura do amigo Lasar Segall (Foto: Reprodução)

Mário de Andrade em pintura do amigo Lasar Segall (Foto: Reprodução)

Nos 70 anos de morte do escritor, a Festa Literária Internacional de Paraty prepara exposições e mesas de discussão sobre o autor de “Macunaíma”, além do lançamento de uma obra inédita

Publicado na Época

Mário de Andrade viveu pouco. Aos 52 anos, sofreu um infarto no miocárdio. Expoente do modernismo brasileiro, autor de obras importantes para a literatura nacional, parece ter vivido bem mais: “Mário é um autor para o Brasil do século XXI, com vida e obra a serem redescobertas, rediscutidas, postas em debate”, diz Paulo Werneck, curador da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Nos 70 anos de sua morte, Mário será o homenageado da Flip 2015. O festival acontece dos dias 1 a 5 de julho.

Mário nasceu em 1893 na rua Aurora, no centro de São Paulo. Filho de uma família humilde, embora culta, não contou com os mesmos privilégios que seus companheiros de geração. Não era rico como Oswald de Andrade, herdeiro de uma família tradicional. Pela vida toda, exerceu atividades paralelas a de escritor e pesquisador. Foi poeta, romancista, crítico musical, gestor público, folclorista, agitador cultural. Deu aulas no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, onde estudou. Autor de livros como Macunaíma – o herói sem nenhum caráter, discutiu questões importantes para a cultura nacional, composta por influências tão distintas e pelo embate do novo – e estrangeiro – com o tradicional.

Segundo os organizadores da Flip, Mário se ajusta bem a Paraty: isolada por anos desde a sua fundação, a cidade intensificou os contatos com o mudo de fora a partir da construção da rodovia Rio-Santos: “Sua obra reverbera de maneira ainda mais intensa numa cidade como Paraty, que ainda vive em seu dia a dia os dilemas culturais da modernização”, diz Mário Munhoz, diretor geral da Flip.

A homenagem prevê, entre outras ações, uma conferência de abertura, mesas sobre o autor na programação principal e na FlipMais – encontros que acontecem na Casa de Cultura de Paraty- e uma exposição. Durante o festival, serão lançados novos volumes de obras do autor, preparadas pela equipe do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP). Entre elas, o livro inédito Café. Escrito já no fim da vida, Café é uma ópera coral. Em carta ao escritor Manuel Bandeira, Mário falou que sua ambição original era criar “romance de oitocentas páginas cheias de psicologia e intensa vida”. Os livros ganham nova edição pela editora Nova Fronteira.

Ao longo de suas 12 edições, a Flip homenageou Millôr Fernandes, Vinicius de Moraes, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Jorge Amado, Nelson Rodrigues, Machado de Assis, Manuel Bandeira, Gilberto Freyre, Oswald de Andrade, Carlos Drummond de Andrade e Graciliano Ramos.

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