Contando e Cantando (Volume 2)

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Deficiente visual fã de audiolivros fará Enem para cursar história

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Florindo, de 55 anos, é o campeão de acesso a audiolivros na biblioteca.
Como não domina o braile, contará com ajuda de três pessoas no Enem.

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Publicado em G1

Sérgio Florindo, de 55 anos, nasceu totalmente cego, e há cinco anos frequenta a Biblioteca de São Paulo. Ele já prestou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para conseguir a certificação do ensino médio, e neste ano fará a prova novamente de olho em uma vaga no curso de história.

A trajetória de Florindo foi contada na edição deste sábado (17) no programa “Como Será?”, que dedicou o quadro “Hoje é dia de Estudar” ao Enem.

Florindo não domina a literatura em braile, por isso contará com a ajuda de três pessoas para fazer o Enem: uma para ler as perguntas e respostas, outra para responder e uma terceira para escrever a redação.

“Para mim, o grau de dificuldade é maior porque não leio o braile e não uso um computador adaptado. Dependo dos olhos das outras pessoas e de audiolivro”, diz.

Florindo é o campeão de acessos a audiolivros da biblioteca de São Paulo. Já ouviu três num dia só. O seu preferido é Dom Quixote. “Gosto pela mensagem que passa, de que enquanto o homem sonha, se mantém vivo.”

Os audiolivros o fazem conhecer novos lugares. “Enxergo lugares, roupas, fisionomias. O autor dá toda essa minúcia na maneira de escrever. Então para nós que não temos a visão, a gente consegue ser um pouquinho igual a vocês que enxergam neste momento.”

Com o diploma no curso de história, Florindo quer trabalhar em um museu.

Cego é homenageado por ser frequentador mais assíduo de biblioteca em SP

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Sérgio Florindo, 52, cego desde o nascimento, devorou quase metade da coleção de audiolivros na Biblioteca de São Paulo

Sérgio Florindo, 52, cego desde o nascimento, devorou quase metade da coleção de audiolivros na Biblioteca de São Paulo

Jairo Marques, na Folha de S.Paulo

Pela segunda vez consecutiva, o homenageado como um dos frequentadores mais assíduos da Biblioteca de São Paulo, uma das mais importantes do Estado, foi um leitor que não usou os olhos para conhecer as aventuras de “Dom Quixote” ou os desbravamentos de “O Tempo e o Vento”.

Sérgio Florindo, 52, é cego desde o nascimento e, com a audição, devorou em dois anos quase metade da coleção de 1.189 audiolivros disponíveis na instalação que completou três anos no mês passado e já foi visitada por quase 1 milhão de pessoas.

“Não aprendi braile na infância. Tinha vergonha de ser cego e escondia isso. Amigos ajudavam emprestando seus olhos e liam para mim”, diz.

O primeiro livro que o ex-trabalhador de estoque de perfumaria, hoje aposentado, teve contato foi “A Morte e a Morte de Quintas Berro D’Água”, de Jorge Amado.

“Um grande companheiro leu tudo para mim. Foi emocionante e me apaixonei por literatura. Mas, na vida adulta, foi ficando complicando achar voluntários”, lembra.

A guinada na vida literária veio só aos 50, quando a filha Larissa, 26, tecnóloga de gestão da tecnologia da informação, descobriu os audiolivros na biblioteca perto de casa.

É ela quem leva o pai até o Parque da Juventude, na zona norte, para se encontrar com seus autores favoritos: Graciliano Ramos, Miguel de Cervantes e Carlos Drummond.

Em média, Florindo escuta dez livros por semana. O recorde foram três em um dia. “Nós cegos não vemos o tempo passar”, brinca ele, que perdeu a visão por um problema congênito na retina.

POUCOS TÍTULOS

Ele lamenta o “baixo número de títulos” disponíveis em áudio. “Deveria ser obrigatório que todo livro lançado tivesse versão em áudio, o que mudaria muitas vidas.”

Na semana passada, recebeu certificado de conclusão do ensino médio, após ter tido bom resultado no Enem. Pretende fazer faculdade de comunicação. “Os livros trazem imagens novas para o meu mundo. Consigo criar conceitos inéditos de lugares, de pessoas e de fatos.”

"Um grande companheiro leu tudo para mim. Foi emocionante e me apaixonei por literatura. Mas, na vida adulta, foi ficando complicando achar voluntários", lembrou Sérgio

“Um grande companheiro leu tudo para mim. Foi emocionante e me apaixonei por literatura. Mas, na vida adulta, foi ficando complicando achar voluntários”, lembrou Sérgio

Fotos: Eduardo Knapp/Folhapress

dica do Chicco Sal e do Rogério Moreira

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