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A Fnac Brasil era estruturalmente deficitária, diz diretor

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Loja Fnac na Avenida Paulista, em São Paulo: uma das 12 unidades da empresa francesa no Brasil (Foto: Reprodução/Facebook/Fnac )

Loja Fnac na Avenida Paulista, em São Paulo: uma das 12 unidades da empresa francesa no Brasil (Foto: Reprodução/Facebook/Fnac )

 

Varejista francesa revela por que vendeu suas operações no país à Livraria Cultura

Publicado na Época Negócios

Nesta semana, a varejista francesa Fnac Darty surpreendeu o mercado anunciando a venda de suas operações no Brasil à Livraria Cultura. Desde o início do ano, a empresa, que conta com 12 lojas no país, tinha expressado sua vontade de encerrar as atividades por aqui. O que causou surpresa, portanto, não foi a venda em si, mas a forma como se deu a operação. Segundo informações da coluna Lauro Jardim, do jornal O Globo, a Fnac teria oferecido R$ 150 milhões para ir embora sem nada. Ou seja, “pagado para sair”. A tática seria mais barata (e vantajosa à marca) do que simplesmente fechar as portas. Em conversa exclusiva com Época NEGÓCIOS, por telefone, Florian Ingen-Housz, diretor de estratégia da Fnac Darty, confirmou que o preço foi “negativo”, em razão da “estrutura deficitária” da Fnac Brasil. Mas negou que a quantia tenha sido tão alta. Aqui, ele revela o porquê de a francesa ter resolvido deixar o país e faz um balanço da passagem da companhia pelo Brasil.

Por que a Fnac decidiu que era hora de vender suas operações?

No começo de 2017, já mostramos nossa intenção de descontinuar as atividades. Tem muito a ver com as decisões que tomamos na Europa. A Fnac se fundiu com a [loja de eletrônicos] Darty no ano passado. Essa empresa atua somente na Europa. Portanto, temos desafios internos no que diz respeito a integrar as duas companhias para formar um novo grupo. É uma grande tarefa, pois temos de unir sistemas, políticas de comércio… Além disso, há questões externas. A Amazon, por exemplo, é uma ameaça constante. Isto é, precisamos focar na Europa. Esse é o primeiro ponto. Em paralelo, nossas operações no Brasil sempre foram pequenas. Temos apenas 12 lojas. Se nós quiséssemos ser competitivos aí, precisaríamos de muito esforço e energia. No contexto que eu acabei de descrever, não tínhamos isso — os recursos em termos de gestão, energia e dinheiro. Então, tomamos a decisão de ser 100% europeus.

O Brasil era uma parcela pequena do faturamento global?
Absolutamente. E isso se tornou ainda mais verdade depois da aquisição da Darty. Antes, já era algo como 5%. Depois, foi para 1% ou 2%, com a fusão. Era uma contribuição muito pequena ao nosso faturamento. Nós tivemos de encontrar uma solução: confiar nossa operação a alguém que sabíamos que tomaria cuidado dela.

Como era o desempenho das lojas aqui?
Eram boas lojas. Criamos uma boa reputação, além de um ótimo desempenho na internet. Mas tínhamos uma participação pequena no mercado. Então, embora as lojas fossem atrativas, faltava alguns pontos na margem bruta para que fôssemos lucrativos. Com só 12 lojas, éramos estruturalmente deficitários.

Como foram as negociações com a Livraria Cultura?
Estamos no Brasil há um tempo, então conhecíamos as empresas locais. E tenho de dizer: costumo ir ao Brasil com certa frequência, e sempre gostei da Livraria Cultura. Eles têm uma identidade forte e uma boa gestão. Criaram uma marca muito forte. E nós compartilhamos muitas características. Temos o mesmo compromisso com a promoção de cultura. As pessoas deveriam ir à Fnac sem ter de comprar nada — para sentar no chão e ler livros. E isso é o que você vê na Livraria Cultura. Por outro lado, a Livraria Cultura ainda não tinha eletrônicos. Isso é o que faz com que a união seja bem estratégica e relevante. Com a aquisição da Fnac, a Livraria Cultura pode se elevar ao próximo nível — não só em termos de tamanho, mas em termos de oferta. Acreditamos que a combinação vai criar bastante sinergia. Estamos muito felizes.

Vocês não divulgam o valor da compra. Mas foi noticiado no Brasil que a Fnac teria praticamente “pagado para sair”, uma vez que seria mais barato do que simplesmente fechar as portas. A quantia teria sido de R$ 150 milhões.

Nós não falamos sobre números, mas o valor que você mencionou é extravagante. Não “pagamos para sair”. Nossa subsidiária brasileira era estruturalmente deficitária, portanto, um preço negativo é justificável. Nossa vontade era dar à Fnac Brasil as melhores condições de sucesso dentro da nova realidade, e escrever uma nova página na história da empresa.
Se nós quiséssemos ser competitivos no Brasil, precisaríamos de muito esforço e energia. Não tínhamos isso”

Vocês chegaram a negociar com outras empresas?
Não revelarei nada quanto a isso. Mas posso dizer que esse foi um processo competitivo.

A Livraria Cultura poderia vender a Fnac Brasil daqui a um tempo para um terceiro, se assim quisesse?
Sim.

Como vai funcionar a partir daqui? A Livraria Cultura vai continuar usando a marca?
Eles são os novos donos da Fnac no Brasil, então caberá a eles decidir. Oferecemos a eles a licença da marca. Não sei como irão utilizá-la. Mas de fato acredito que, no começo, continuarão usando a nossa marca.

Vocês planejam voltar para o Brasil, eventualmente?
Não, não temos planos de voltar.

De forma geral, o senhor avaliaria a passagem pelo Brasil de forma positiva?
Temos muito orgulho de ter operado no Brasil — ter tido a chance de criar uma marca bem-sucedida tão longe da França. Eu vejo que a Fnac é muito conhecida no Brasil. Estava num táxi [no Brasil] outro dia e, conversando com o taxista, contei para ele que trabalhava na Fnac e que eu estava vindo de Paris. Ele me disse: “Nossa, não sabia que tinha Fnac na França”. Isso mostra que a Fnac é realmente percebida como uma marca forte e local. Temos muito orgulho de ter alcançado isso.

Fnac vai investir em lojas antes de repassar operação no País à Cultura

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Um dos desafios da Cultura será incorporar o segmento de eletroeletrônicos, que é o carro-chefe da Fnac. Foto: REUTERS/Jacky Naegelen

Um dos desafios da Cultura será incorporar o segmento de eletroeletrônicos, que é o carro-chefe da Fnac. Foto: REUTERS/Jacky Naegelen

Notícia pegou o mercado editorial de surpresa, uma vez que o grupo Cultura passa por um momento financeiro difícil, com atraso de pagamento às editoras

Fernando Scheller, Luciana Dyniewicz e Mônica Scaramuzzo no Estadão

A varejista francesa de livros e eletrônicos Fnac está deixando o País após 18 anos. Oficialmente em busca de um parceiro para o negócio brasileiro desde fevereiro deste ano, a companhia anunciou nesta quarta-feira, 19, um acordo com a Livraria Cultura, controlada pela família Herz. Segundo apurou o Estado, antes de repassar o negócio por um valor simbólico para o grupo nacional, a Fnac também se comprometeu a investir cerca de R$ 150 milhões no negócio.

A marca Fnac será usada pela Cultura em um primeiro momento, dizem fontes, mas não está definida como será a relação comercial no longo prazo.

Dificuldades. O anúncio pegou o mercado de livros de surpresa, até porque a Cultura passa por dificuldades no momento, inclusive com atrasos de repasses de pagamento a editoras. O atraso, que é de cerca de seis meses, segundo fontes de mercado, está em fase de renegociação neste momento e a expectativa é que a situação não deva ser solucionada antes de 2018. Uma fonte do setor diz que as editoras só foram avisadas da união entre Cultura e Fnac na manhã de quarta-feira.

Depois de atingir a marca de R$ 440 milhões em 2014, a empresa viu sua receita cair cerca de 17% nos últimos dois anos, atingindo R$ 380 milhões em 2016. Além disso, os últimos dois anos foram de cortes no setor administrativo – a companhia cortou 800 funcionários no período, reduzindo seu efetivo em 40% desde 2014.

Em sua conta no LinkedIn, no entanto, o presidente da Livraria Cultura, Sergio Herz, comemorou o acordo com a Fnac. Segundo ele, trata-se de um passo que vem para transformar o negócio da companhia, fundado há 70 anos. Procurada pelo Estado para explicar as condições do acordo, Cultura e Fnac não quiseram se pronunciar.

Em entrevista ao jornal em março, Herz havia minimizado o atraso do repasse às editoras, dizendo que se tratava de um processo “normal” diante da crise do varejo. Em fevereiro, chegou a circular no mercado a informação de que a Cultura estava à venda e que a concorrente Saraiva analisava a aquisição – informação que foi negada pelo empresário.

Na época, Sergio acrescentou que os custos de manutenção de lojas físicas vinham pressionando a operação – por isso, um de seus projetos era reforçar o e-commerce da Cultura. Agora, entretanto, com a incorporação da Fnac, a rede de unidades deverá ser ampliada para 29 lojas, agora de maior porte.

Outro desafio da Cultura será incorporar o segmento de eletroeletrônicos, que é o carro-chefe da Fnac. Segundo uma fonte do setor, a francesa havia desistido de livros nos últimos meses, reduzindo drasticamente novos pedidos.

A Fnac foi assessorada pelo Santander e pela Veirano Advogados. A Cultura teve assessoria do Souza Cescon Advogados.

Depois de anunciar saída do país, Fnac agora diz que procura parceiros

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Presidente da Fnac Alexandre Bompard - Eric Piermont / AFP

Presidente da Fnac Alexandre Bompard – Eric Piermont / AFP

 

Filial brasileira da varejista mudou versão da matriz francesa

João Sorima Neto e Roberta Scrivano, em O Globo

SÃO PAULO – Diferentemente do comunicado feito ontem pela matriz francesa, a filial brasileira da Fnac informou nesta quarta-feira, em comunicado, que não está saindo do Brasil. No texto, a varejista diz que iniciou um processo de busca por eventuais parceiros locais para reforçar sua operação no país. Desde o fim do ano passado, a Fnac passou a abrir lojas através da formação de joint ventures com parceiros locais para se expandir. Isso já aconteceu em países como Qatar e Marrocos.

“A operação brasileira precisa ter um tamanho crítico no sentido de ser relevante e reforçar sua posição de mercado. Devido a isso, a Fnac iniciou um processo ativo de busca de parceiro local para continuar e reforçar sua operação no país”, diz o comunicado da filial brasileira.

Atualmente, a operação brasileira da Fnac conta com 12 lojas, além das vendas online, e representa cerca de 2% da operação mundial da varejista. Há anos, a operação brasileira é deficitária e a busca por parceiros visa restaurar a rentabilidade da rede. A recessão que atingiu o país e fez encolher a renda dos brasileiros derrubou as vendas da varejista, que comercializa produtos culturais, como livros, DVDs, CDs além eletroeletrônicos.

Claudio Felisoni, presidente do Instituto Brasileiro do Varejo (Ibevar), explica que a crise econômica nacional tem derrubado sistematicamente as vendas no varejo geral desde o último trimestre de 2014. Como o negócio da Fnac é a venda de bens duráveis (eletrônicos) e itens ligados à cultura, a rede sofreu ainda mais com a crise, avalia.

— Para comprar bens duráveis é preciso que haja emprego ou confiança na manutenção do emprego, além de juro baixo e crédito. Não temos esse cenário no Brasil há alguns anos. Já os itens ligados à cultura são os primeiros cortados do orçamento quando a renda está menor. Essa situação levou a Fnac ao reposicionamento estratégico que será uma eventual saída do mercado brasileiro ou dividir o risco com um parceiro local — analisou Felisoni.

Para Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), embora o anúncio de reposicionamento no Brasil não fosse esperado, a manobra da matriz, de querer fechar uma operação que contribui pouco para o resultado total, é uma estratégia comum às multinacionais.

— Parece ser uma decisão corporativa. Como o mercado brasileiro é pouco representativo para a operação global da Fnac e acaba dando muito trabalho, assumem a postura de multinacional de encerrar a operação ou buscar um parceiro para concentrar forças onde está a principal parte do negócio — disse Terra.

De acordo com um porta-voz da empresa, por enquanto, não existe nenhuma conversa em andamento no Brasil. Se nos próximos dois ou três anos não for possível formar estas parcerias, aí sim a varejista poderá encerrar suas operações no país.

Um das possibilidades de parceria seria fechar acordos com shoppings centers que desejam ter uma unidade da Fnac em suas dependências. A Fnac já recebeu este tipo de proposta, mas antes não havia interesse. Agora, a rede vai passar a olhar com mais atenção esse tipo de associação, em que o próprio shopping banca a instalação da loja.

Desde o ano passado, a Fnac já vinha mudando no Brasil. Para tocar a operação no país, a empresa indicou Cláudia Elisa Soares, que trabalhou na AmBev, por 17 anos, Grupo Pão de Açúcar e Votorantim Cimentos. Ela foi contratada para reestruturar a operação, incluindo o varejo e as vendas online.

Sem conseguir reverter uma queda de 7,5% nas vendas no ano passado – praticamente o dobro de 2015 – a matriz contratou Arthur Negri, ex-presidente da Blockbuster, para substituir Cláudia.

A Fnac está no Brasil desde 1998, quando comprou o Ática Shopping Cultural, em Pinheiros, São Paulo, e no ano seguinte abriu sua primeira loja no mesmo endereço.

Numa conferência de imprensa realizada para apresentação dos resultados anuais do grupo, na terça-feira, a empresa relatou um resultado equilibrado (zero) em 2016, impactado pela aquisição da Darty, em julho passado, rede de lojas de eletrodomésticos, computadores, tevês e equipamentos de áudio. As vendas conjuntas aumentaram 1,9% para 7,41 bilhões.

A aquisição da Darty deve resultar em sinergias de € 130 milhões por ano, ao final de 2018. Mas existe preocupação por parte dos sindicatos franceses de que centenas de vagas sejam fechadas, já que a Fnac tem 8.816 funcionários na França e a Darty possui 10.337 empregados.

“Os resultados de 2016 da Darty Fnac são muito fortes e em crescimento. Todos os indicadores estão verdes”, escreveu o CEO da Fnac Alexandre, Bompard Darty, em comunicado.

O fechamento da FNAC e o renascimento das livrarias de porta de rua

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A livraria de Shopping | Divulgação

A livraria de Shopping | Divulgação

 

Afonso Borges, em O Globo

A FNAC pretende sair do Brasil e fechar suas lojas. O mix francês de eletroeletrônicos e livros fez água. Os motivos serão muitos: todas as suas lojas são em shoppings centers onde os aluguéis são altos; a crise; a queda de vendas do mercado livreiro, concorrência com as plataformas digitais, enfim… De acordo com os dados divulgados recentemente pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), no período de 05 de dezembro de 2016 a 1º de janeiro de 2017, as livrarias faturaram R$ 172.677.486,86 – queda de 0,8% comparado ao mesmo período do ano anterior. Considerando a inflação, a queda acumulada bateu 9,02%. Em volume, livrarias e supermercados brasileiros venderam 39.415.660 unidades versus as 44.206.542 contabilizados no ano anterior, queda de 10,84%. Sim, é a crise. Mas vejam: qual o percentual de vendas advindas do livro determinaram a decisão da FNAC? Afinal, ali encontra-se de tudo no mundo dos eletrônicos. E, afinal, todos sabemos que acontece ali a venda de espaço nas gôndolas, como se fosse um supermercado. Existe até uma tabela: vitrine, é tanto, pilha de livros na frente, tanto, prateleira, é tanto. Supostamente, um mercado mais lucrativo que aparenta. Qual o mistério, então?

Na minha opinião, é falta de incentivo ao autor nacional. Perguntem às editoras médias e pequenas se elas conseguem colocar um livro sequer de seus autores nesta rede. Para que a FNAC se instalou em Brasília se não vende livro de autor brasiliense? O mesmo em Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia, Porto Alegre, entre as doze no Brasil? Como se estabelecer em uma cidade sem criar nenhum vínculo com o seu público direto que são os escritores locais? Ou as editoras locais? O modelo da Megastore global, associada à cultura do shopping está condenado. Ou pelo menos ameaçado, do ponto de vista institucional, da relação com o público.

Mesmo o modelo comercial, onde a sede, em São Paulo, coordena a compra e as distribui para o resto do País. Como eles vão saber que Marcos Piangers, de Porto Alegre, que já bateu um milhão de livros, tem o potencial de vender muito em Campinas? Ou Ribeirão Preto? Mágica? Osmose? O Brasil hoje tem, nas pequenas e médias editoras, um potencial imenso de crescimento e qualidade. Veja a Scriptum Editora, de Belo Horizonte, que lançou Jacques Fux, com “Antiterapias” e ganhou o Prêmio São Paulo, e a poetisa Ana Martins Marques, com “A Vida Submarina”. Ela que ganhou o 3. lugar do Prêmio Oceanos, com “O Livro das Semelhanças”, editado pela Companhia das Letras. Não existe mistério, nem mágica – as megastores tem que mudar as relações comerciais e institucionais e passam a apoiar o autor brasileiro e a editora local. Ou veremos, no contraponto, um fator muito positivo: o renascimento das livrarias de porta de rua. O que já está acontecendo em Belo Horizonte: na Rua Fernandes Tourinho, na Savassi, existem 3 livrarias tradicionais, a Ouvidor, a Quixote e a Scriptum. A ideia de se fechar a rua e transformá-la em “Rua da Literatura” muda o cenário. Para melhor. E o mais curioso é que, neste sentido, o impacto do fechamento da FNAC para a literatura brasileira é nulo. Nada vezes nada.

Lançamento de “Commando”, de Johnny Ramone, em SP

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Atenção: Preço especial de lançamento na Fnac. De R$ 44,90 por R$ 29,20

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