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Natália Portinari, em Folha de S.Paulo

Nos últimos dez anos, o número de brasileiros em universidades norte-americanas aumentou 70%. E, entre os 13 mil estudantes do Brasil que estavam lá em 2014, 40% viajaram para cursar graduação.

Os dados são do Institute of International Education, entidade norte-americana que monitora a mudança de perfil do aluno estrangeiro.

“Hoje, nos EUA, 50% dos alunos internacionais estão na graduação. Há cinco anos, mais de 60% eram da pós”, diz Allan Goodman, presidente do instituto americano.

Para os universitários, uma das vantagens de estudar nos EUA está na flexibilidade da grade curricular. Um dos modelos, por exemplo, é o de “liberal arts”, em que o aluno não precisa escolher sua especialização até o quarto ano.

Alex Santos, 17, conciliou o interesse por computação e música num curso de “liberal arts” no Amherst College, Massachusetts. “Faço ciência da computação, matemática, alemão e música”, conta.

No Brasil, Santos fez o ensino médio numa escola federal em Natal (RN). Ele foi aceito em Amherst com bolsa integral após participar de um programa do Education USA, do governo americano.

Além de orientar estudantes nas inscrições, ou “applications”, para as instituições americanas, o Education USA seleciona 20 alunos de baixa renda por ano que têm os custos de provas e documentação totalmente cobertos. Sem esse apoio, o gasto da candidatura a uma vaga universitária atinge cerca de R$ 2.000.

Na Fundação Estudar há um programa parecido, com 50 alunos por ano. Além da orientação gratuita, há programas pagos, com workshop (R$ 225) ou curso de 30 horas sobre o processo (R$ 600).

Há ainda quem busque serviços totalmente pagos e individualizados para auxiliar no processo, como Bruno Ely, 21, que estuda engenharia na Universidade de Minnesota.

“Como minha vida estava bem bagunçada, não teria conseguido terminar minhas aplicações sem isso”, diz Ely. Ele contratou uma mentoria no STB (Student Travel Bureau). Por até R$ 12 mil, o aluno é acompanhado nas etapas da “application”.

“Indicamos livros para ler, ensinamos a montar o ‘essay’ [texto em que o aluno narra experiências]. Escolhemos de dez a 12 universidades para que eles se inscrevam”, diz Christina Bicalho, diretora do STB.

AUXÍLIO FINANCEIRO

Nos EUA, onde a graduação é paga, há possibilidade de concorrer a bolsas de estudo. É assim que Débora Queiroz, 18, cursa gestão de negócios na Universidade de Babson, em Massachusetts. “Na inscrição, você apresenta documentos financeiros, e a universidade avalia quanto você pode ter de bolsa”, diz.

Andressa Souza, 19, chegou a entrar em engenharia na USP, mas hoje trabalha no campus da Universidade de Smith para bancar seu curso nos EUA. “Você aprende a valorizar o lugar onde está.”

A média da anuidade de uma universidade americana é de US$ 31 mil (R$ 122 mil). Nas instituições de elite, como Harvard, o valor dobra.

Já na França e na Alemanha, por exemplo, quase todas as faculdades são públicas e gratuitas. Os custos se resumem a uma taxa anual.

Para João Pedro Prado, 20, que cursa cinema e filosofia na Universidade Livre de Berlim, a gratuidade pesou na escolha. “As universidades são mais acessíveis que as americanas”, diz Prado.