Contando e Cantando (Volume 2)

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William Douglas: o juiz federal que já vendeu mais de 1 milhão de livros

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Douglas-Willians

Rodrigo Casarin, no UOL

É comum, ao se olhar para qualquer lista de livros mais vendidos, deparar-se com o nome de um certo William Douglas. Há algumas semanas, por exemplo, três de sua sobras estavam nas relações do Publishnews: “A Última Carta do Tenente”, “As 25 Leis Bíblicas Para o Sucesso” e “Formigas”, sendo que os dois últimos permanecem dentre os best-sellers de negócios e autoajuda, respectivamente. Mas quem é esse autor, afinal?

Douglas é um juiz, titular da 4ª Vara Federal de Niterói, no Rio de Janeiro, que já vendeu mais de um milhão de 25-leis-Biblicas_250mil-200x300exemplares de seus livros técnicos, normalmente voltados àqueles que desejam passar em concursos e iniciar uma carreira pública. Ao ser questionado o que o levou a escrever seus 31 títulos até aqui, diz que foi o desejo de compartilhar o que aprendeu. “Muitas pessoas me perguntavam sobre como ter sucesso em concursos, como juiz, como empreendedor, e o livro foi a forma mais eficiente de eu passar a quantidade enorme de informações e aprendizado que fui obtendo”.

Segundo o autor, o segredo para emplacar seguidamente obras nas listas dos mais vendidos está relatado em sua própria produção, principalmente em “As 25 Leis Bíblicas para o Sucesso”. “Ele fala muito sobre estratégia, técnicas, negociação, relações humanas, empreendedorismo… O que eu e meu coautor, Rubens Teixeira, fizemos foi sistematizar todo esse conhecimento em um livro laico e direto, que não fala em religião mas em sucesso”. Para exemplificar de onde tira modelos para que os humanos alcancem o sucesso, cita o “Formigas”, no qual relata o que esses animais têm a ensinar às pessoas. “Eles são a sociedade mais bem sucedida da Terra”, garante o autor.

ultima-carta-210x300“A Última Carta do Tenente” é uma exceção em sua obra. Lançado em 2011 pela Impetus, agora retorna às livrarias pela Planeta. Trata-se de uma ficção que Douglas criou após acordar durante a madrugada com a sensação de que estava prestes a morrer. “Naquele momento senti a necessidade de escrever para meus filhos o que eu acho mais importante na vida. Quando comecei a pensar nisso, vi que daria um livro de mais de mil páginas… e achei que deveria reduzir ao máximo seu tamanho. A solução foi pensar em uma situação onde eu teria apenas 12 horas para escrever, o que me obrigaria a ser direto e ir apenas ao essencial”, explica. Dessa forma nasceu uma história, uma espécie de carta de despedida, na qual o autor procura transmitir aos seus rebentos tudo o que eles “precisariam saber” sobre a existência.

Moro e Lava-Jato

Como não poderia deixar de ser por conta do cargo que ocupa, Douglas também dá seu parecer sobre o momento político do Brasil. “O país está vivendo um momento extremamente especial, onde nossa sociedade vai precisar decidir se queremos continuar a ser o país do jeitinho, da malandragem e da corrupção, onde é cultural a aceitação de que uma pessoa explore as demais na medida de sua esperteza e possibilidades. Essa cultura começa no furar a fila e no atestado médico falso, e isso vai até as grandes corporações e os políticos. Basta olhar o país para ver que esse modelo não dá certo”, diz.formigas-205x300

Ainda nesse universo, comenta a atuação do juiz Sérgio Moro e sua Operação Lava-Jato. “A operação é uma oportunidade e está sendo muito bem conduzida pela Polícia, Ministério Público Federal e Judiciário. Se vier a errar, há todo um sistema de recursos que garante a revisão das decisões. A questão é que atualmente as pessoas preferem atacar os juízes e a investigação em vez de responder sobre os fatos que estão sendo apurados. Quanto ao meu colega Sérgio Moro, admiro sua coragem, persistência e o quanto tem sido técnico, e bem sei o quanto está sofrendo de pressão, perseguição e ataques justamente por estar cumprindo seu dever de conduzir o processo e atender o que vem sendo trazido pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. O que mais me anima é que as investigações continuem e se aprofundem, não só na Vara em Curitiba mas também em todo o país, alcançando todos os corruptos, de todos os partidos, e que a população compreenda que estamos diante de uma encruzilhada onde vamos decidir se queremos um país com cultura diferente”.

Onde encontrar:

As 25 leis bíblicas do sucesso

 

A última carta do tenente

 

Formigas

Stephen King diz estar nervoso com continuação de ‘O Iluminado’

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Escritor conta que não gostou de adaptação para o cinema do primeiro romance e afirma que leitores estão mais difíceis de assustar.

Publicado no G1

Stephen King admitiu estar nervoso sobre a reação para seu próximo livro, uma continuação do romance de horror O Iluminado, de 1977.

Stephen King diz estar nervoso com continuação de 'O Iluminado' (Foto: BBC)Stephen King diz estar nervoso com continuação de ‘O Iluminado’ (Foto: BBC)

Em entrevista à BBC, o escritor americano disse esperar que 95% das resenhas sobre o livro Doctor Sleep (ainda sem título em português) sejam uma comparação com a obra anterior.

‘Você se depara com essa comparação e é natural que ela te deixe nervoso, porque muitas águas já passaram sob a ponte (desde o primeiro livro). Sou um homem diferente’, afirmou.

Ele disse ainda que visita sites sobre literatura na internet para saber o que os fãs estão dizendo sobre o livro mesmo antes do lançamento.

Aos 65 anos, o veterano da literatura de suspense acredita que a qualidade de seus livros aumentou desde que escreveu O Iluminado, quando tinha 28 anos.

‘O que muitas pessoas estão dizendo é ‘okay, eu devo ler (Doctor Sleep), mas não vai ser tão bom quanto O Iluminado’. Mas eu sou otimista e quero que elas mudem de opinião ao terminarem de ler. O que quero realmente é que achem melhor que O Iluminado.’

Filme ‘frio’

O autor também afirma que não gostou da versão do diretor Stanley Kubrick para O Iluminado, uma das adaptações mais famosas de seus livros para o cinema.

‘(O filme) É muito frio. Eu não sou uma pessoa fria. Acho que uma das coisas que as pessoas gostam nos meus livros é que há uma proximidade, algo que diz ao leitor ‘quero que você seja parte disso”, disse.

‘E com O Iluminado de Kubrick era como (os personagens) fossem formigas em uma fazenda, pequenos insetos fazendo coisas interessantes.’

Durante a entrevista, ele também fez críticas às performances de Jack Nicholson, que interpreta Jack Torrance, e Shelley Duvall, que interpretou sua esposa Wendy.

‘O Jack Torrance do filme parece louco desde o início. Eu tinha visto todos os filmes de motoqueiro de Jack Nicholson nos anos 60 e achei que ele estava só trazendo de volta o personagem’, afirmou.

‘Já Shelley Duvall como Wendy é um dos personagens mais misóginos já colocados em um filme. Ela basicamente está lá para gritar e ser burra, e essa não é a mulher sobre a qual eu escrevi.’

O escritor revelou que o personagem de Jack Torrance é o mais autobiográfico que ele já escreveu.

‘Quando eu escrevi o livro eu estava bebendo muito. Eu não me enxergava como um alcoólatra, mas os alcoólatras nunca se enxergam assim. Então eu o via como um personagem heroico que estava lutando sozinho contra seus demônios, como os ‘homens americanos fortes’ devem fazer.’

Assustar ficou mais difícil

Em entrevista ao editor de artes da BBC Will Gompertz, King disse ter receio de que as pessoas que leram ainda jovens sua primeira história sobre a família Torrance no Hotel Overlook tenham as mesmas expectativas com Doctor Sleep.

‘Acho que as pessoas liam aqueles livros sob as cobertas com lanternas quando elas tinham 12, 14 anos de idade e por isso tinham medo. Meu receio é que elas voltem esperando se assustar novamente como naquela época, e isso simplesmente não acontece. Eu quis escrever um livro mais adulto’, diz.

Para ele, é mais difícil assustar os leitores hoje, porque ‘eles estão mais espertos a respeito dos truques que os escritores e cineastas usam para provocar sustos’.

No entanto, o autor ainda acredita ser possível assustar as pessoas ‘de um jeito honrado, se elas se importam com os personagens’.

‘Quero que o público se apaixone por esses personagens e se importe com eles. E isso cria o suspense de que se precisa. O amor cria o horror.’

O novo livro começa um ano depois que o hotel Overlook, onde a família Torrance se hospeda, é destruído e mostra o crescimento do garoto, Danny Torrence.

‘As pessoas me perguntavam o que aconteceu com o garoto de O Iluminado. Eu fiquei curioso sobre o que aconteceria com ele, porque ele era realmente um filho de uma família disfuncional.’

Já adulto, Danny trabalha como enfermeiro em uma casa de repouso, que usa suas habilidades psíquicas para ajudar pessoas que estão morrendo a passarem deste mundo para o próximo, de acordo com o autor.

Ele conhece uma menina que tem as mesmas habilidades e é perseguida por ‘vampiros psíquicos’, que vivem da essência de crianças como ela.

 

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