Posts tagged Foucault

Ler é uma prática

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Existe gente que “leva jeito” pra leitura?

Alex Castro, no Papo de Homem

Gosto de ler livros densos, argumentativos, cheios de ideias, que refletem sobre nossa história, sobre nossos desejos, sobre nossa civilização. a grande conversa, enfim.

ler livros assim é como exercitar um músculo ou como aprender uma língua: quanto mais você faz, mais fácil fica.

* * *

quando eu tinha 20 anos e li foucault pela primeira vez, seu estilo me pareceu difícil, palavroso, cabeçudo.

quando eu tinha 41 anos e li ou reli quatro livros do foucault, seu estilo já me pareceu fácil, fluente, gostoso.

(depois de ter encontrado o que eu estava procurando, ainda li mais dois livros dele por puro prazer.)

mudei eu ou mudei foucault?

ninguém “leva jeito” ou “tem o dom” de ler foucault: existem pessoas que escolhem consistentemente ler textos como os de foucault até o ponto que a leitura e absorção desses textos se torna não apenas mais fácil, como inclusive prazerosa.

(hoje, outros autores me parecem difíceis, palavrosos, cabeçudos: derrida, lacan, jung. estarei lendo jung por prazer daqui a vinte anos?)

* * *

fui professor, em sala de aula, durante 18 anos, em cursos particulares, escolas do ensino médio e universidades, em dois países, ensinando três disciplinas, em três idiomas, para pessoas de dezenas de nacionalidades, de todas as classes sociais.

e nunca encontrei a tal mítica pessoa que “leva jeito”, “que tem o dom”, etc.

até acredito que ela exista. que nem todas nós conseguiríamos jogar bola como pelé, ou calcular raiz quadrada de cabeça como o menino que ganhou a olimpíada de matemática.

mas também acredito que:

1) se a pessoa decidir dedicar o seu tempo a isso, que qualquer uma de nós pode jogar futebol ou calcular raiz quadrada, cozinhar ou cerzir, decentemente bem.

(e isso não tem nada a ver com formulinhas bestas tipo a das dez mil horas.)

2) escolher dedicar-se a ler livros-densos -em-ideias não é significativamente diferente, melhor ou mais útil, do que escolher dedicar-se a jogar bola ou calcular raiz quadrada, a cozinhar ou a cerzir.

* * *

dei aulas de inglês, espanhol, português, sempre como língua estrangeira.

como parte das aulas, eu estimulava as alunas a escolherem um livro de um tema que realmente gostassem, que não estivesse disponível em suas próprias línguas e que tentassem lê-lo na língua que estavam aprendendo.

e elas diziam:

ah, mas eu não entendo nada. não adianta!

e eu respondia:

“nunca vai chegar o dia em que você vai abrir o seu primeiro livro em uma língua estrangeira e magicamente entender tudo. o primeiro livro que você tentar ler em uma língua estrangeira talvez você só entenda 20% e lhe custe muito esforço. mas, graças a esse livro, talvez você consiga entender 30% do livro seguinte, e assim por diante. não tem atalho. não tem dia mágico. é um processo lento, um esforço consciente, uma escolha diária.”

* * *

em outras palavras, não é foucault que é cabeçudo:

você é que não leu um número suficiente de livros-densos-em-ideias como os de foucault, porque escolheu não dedicar o seu tempo a essas leituras, e sim a outras coisas, e não tem nada de errado nisso, mas também não venha criticar foucault, pois ele não tem nada a ver com as suas escolhas.

A linguagem no limite

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Marco Antônio Souza Alves, no Estado de Minas

Saíram recentemente no Brasil mais dois títulos de Michel Foucault em uma bela edição conjunta da Editora Autêntica: O Belo Perigo e A Grande Estrangeira. Publicados originalmente na França em 2011 e 2013, respectivamente, eles trazem textos inéditos que não fizeram parte da coleção dos Ditos e escritos. Trata-se de um conjunto bem heterogêneo (entrevista, transmissões radiofônicas e conferências) produzido em momentos distintos, de 1963 a 1970.

A edição brasileira, com cuidadosa tradução de Fernando Scheibe, tem o mérito de trazer os mesmos textos introdutórios publicados na França, assinados por Philippe Artières, Jean-François Bert, Mathieu Potte-Bonneville e Judith Revel, renomados estudiosos de Foucault. A única modificação ficou por conta do acréscimo de um texto introdutório para O belo perigo, redigido por Jean Marcel Carvalho.

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Em O belo perigo, vemos uma entrevista concedida por Foucault ao crítico literário Claude Bonnefoy em 1968. Engana-se quem pensa que se trata apenas de mais uma entrevista de Foucault, como tantas outras que ele concedeu. Nela, encontramos algo singular: Foucault, sempre resistente a fazer considerações pessoais, parece disposto a realizar um experimento diferente, aceitando o desafio proposto pelo entrevistador de se voltar para a “trama secreta” ou o “avesso da tapeçaria” de seus livros. Foucault, ao aceitar esse perigoso jogo, procura situar sua fala em um nível de linguagem que não seja da ordem da obra, nem da explicação, nem tampouco da confidência. Ele se vale desta oportunidade para, mais uma vez, problematizar seu lugar autoral e sua própria experiência de escrita, afirmando que escreve para não ter mais rosto, para que sua vida seja suprimida e reste apenas esse “retangulozinho de papel” que temos diante dos olhos.

A grande estrangeira, por sua vez, traz a público um material bem variado, que desenvolve temas de grande interesse para o Foucault dos anos 1960, como a loucura, a transgressão literária e as experiências com a linguagem. Em A linguagem da loucura, encontramos duas transmissões radiofônicas feitas em 1963. Na primeira delas, intitulada “O silêncio dos loucos”, Foucault reflete sobre a complexa relação entre loucura e linguagem por meio da análise de Shakespeare, Cervantes, Diderot, Sade e Artaud. Já na segunda transmissão, intitulada “A linguagem enlouquecida”, Foucault prossegue sua investigação apontando para o horizonte comum de experimentação com os limites da linguagem que caracteriza tanto a loucura quanto a literatura, o que seria visível em Michel Leiris, Tardieu e Jean-Pierre Brisset.

Em Linguagem e literatura, encontramos uma conferência pronunciada em Bruxelas em 1964 e conhecida do público brasileiro desde 2000, quando foi publicada como anexo no livro Foucault, a filosofia e a literatura, de Roberto Machado. Na primeira sessão, Foucault se mostra fascinado pelo poder transgressor da literatura e a define como algo inscrito no volume do livro, que transita entre a linguagem murmurante da loucura e a obra, entendida como uma configuração de linguagem que se imobiliza e constitui um espaço que lhe é próprio. Na segunda sessão, Foucault investe contra a crítica literária obcecada pelo “mito da criação”, propondo uma nova postura crítica voltada para a linguagem ela mesma, ciente de que, na literatura, apenas um sujeito fala: o livro ele mesmo.

Por fim, nas Conferências sobre Sade, proferidas em Buffalo, EUA, em 1970, Foucault analisa na primeira sessão a complexa relação entre verdade e desejo em A nova Justine, ressaltando como a escrita é usada pelo libertino marquês como uma espécie de masturbação, partindo de uma total liberdade concedida à imaginação e abrindo um espaço infinito no qual as imagens, os prazeres e os excessos podem se multiplicar sem qualquer limite: “a escrita é o desejo tornado verdade, é a verdade que tomou a forma do desejo”. E na segunda sessão, Foucault relaciona sua leitura de Sade com a questão da “ordem do discurso”, que será tema de sua aula inaugural no Collège de France proferida no mesmo ano. Afastando-se de Freud e Marcuse, Foucault analisa o modo como, na escrita de Sade, a mecânica do discurso se engrena com a mecânica do desejo, operando um laço entre verdade e desejo que se multiplica indefinidamente e só se efetua na desordem permanente.

Diante de tamanha diversidade e heterogeneidade, é natural que nos perguntemos sobre qual o sentido de se realizar uma publicação conjunta desse material. Sobre esta indagação, entendo que a opção feita foi acertada, ou, pelo menos, apresenta uma boa justificativa e resulta em um todo interessante, com uma curiosa aproximação temática e estilística. Todos esses textos giram em torno da experiência com a linguagem e com a escrita, vista como potencialmente transgressora e transformadora.

Por fim, lembrando que Foucault dispôs claramente em seu testamento que não queria publicações póstumas, convém se perguntar se esse material deveria vir à luz. No caso dos Ditos e escritos e dos cursos no Collège de France, apelou-se para o fato de se tratar de textos previamente publicados ou de aulas públicas. Mas como justificar a publicação da entrevista a Claude Bonnefoy? Nela, Foucault chega a dizer que, embora estivesse satisfeito de dizer aquelas coisas, não estava certo de que seriam boas para publicar e afirma estar “um pouco apavorado diante da ideia de que um dia elas serão conhecidas”. Mas, apesar de polêmica, não condeno a publicação. Afinal, o próprio Foucault nos ensinou que as palavras, uma vez pronunciadas ou postas no papel, não mais se submetem à tirania do autor.

 

Umberto Eco: “Informação demais faz mal”

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O escritor italiano diz que a internet é perigosa para o ignorante e útil para o sábio – ela não filtra o conhecimento e congestiona a memória do usuário

Luis Antonio Giron na revista Epoca

PROFESSOR O pensador e romancista italiano Umberto Eco.  Ele desconfia  da internet (Foto: Eric Fougere/VIP Images/Corbis)

PROFESSOR
O pensador e romancista italiano Umberto Eco. Ele desconfia da internet (Foto: Eric Fougere/VIP Images/Corbis)

O escritor Umberto Eco vive com a mulher num apartamento duplo nos 2° e 3°andares de um prédio antigo, de frente para o Palácio Sforzesco, o mais vistoso ponto turístico de Milão. É como se Alice Munro morasse defronte à Canadian Tower em Toronto, Haruki Murakami instalasse sua casa no sopé do Monte Fuji ou então Paulo Coelho mantivesse uma mansão na Urca, à sombra do Pão de Açúcar. “Acordo todo dia com a Renascença”, diz Eco. A enorme fortificação diante de suas janelas foi inaugurada pelo duque Francisco Sforza no século XV e está sempre lotada de turistas. O castelo deve também abrir seus portões pela manhã com uma sensação parecida. Diante dele, vive o intelectual e romancista mais famoso da Itália.

Um dos andares da casa de Eco é dedicado ao escritório e à biblioteca. São quatro salas repletas de livros, divididas por temas e por autores em ordem alfabética. A sala em que trabalha é pequena. Abriga aquilo que ele chama de “ala das ciências banidas”, como ocultismo, sociedades secretas, mesmerismo, esoterismo e bruxaria. Ali estão as fontes principais dos romances de sucesso de Eco: O nome da rosa (1980), O pêndulo de Foucault (1988), A ilha do dia anterior (1994), Baudolino (2000), A misteriosa chama da rainha Loana (2004) e O cemitério de Praga. Publicado em 2010 e lançado com sucesso no Brasil em 2011, o livro provocou polêmica por tratar de forma humorística um assunto sério: o surgimento do antissemitismo na Europa. Por motivos diversos, protestaram a Igreja Católica e o rabino de Roma. A primeira porque Eco satirizava os jesuítas (“São maçons de saia”, diz o personagem principal, o odioso tabelião Simone Simonini). O segundo porque as teorias conspiratórias forjadas no século XIX – como a fraude que ficou conhecida como Os Protocolos dos Sábios do Sião – poderiam gerar uma onda de ódio aos judeus. Desde o início da carreira, em 1962, com o ensaio estético Obra aberta, Eco gosta de provocar esse tipo de reação. Parece não perder o gosto pelo barulho. De muito bom humor, ele conversou com ÉPOCA durante duas horas sobre a idade, o gênero que inventou – o suspense erudito –, a decadência europeia e seu assunto mais constante nos últimos anos: a morte do livro. É difícil de acreditar, mas aquele que era visto como o maior inimigo da leitura pelo computador está revendo suas posições. Ele diz agora que está até gostando de ler livros pelo iPad, que comprou durante sua última turnê pelos Estados Unidos, em dezembro.

ÉPOCA – Como o senhor se sentiu após completar 80 anos?
Umberto Eco –
 Bem mais velho! (risos) Vamos nos tornando importantes com a idade, mas não me sinto importante nem velho. Não posso reclamar de rotina. Minha vida é agitada. Ainda mantenho uma cátedra no Departamento de Semiótica e Comunicação da Universidade de Bolonha e continuo orientando doutorandos e pós-doutorandos. Dou muita palestra pelo mundo afora.

ÉPOCA – O senhor tem sido um dos mais ferrenhos defensores do livro em papel. Sua tese é que o livro não acabará. Mesmo assim, estamos assistindo à popularização dos leitores digitais e tablets. O livro em papel ainda tem sentido?
Eco – 
Sou colecionador de livros. Defendi a sobrevivência do livro ao lado de Jean-Claude Carrière no volume Não contem com o fim do livro. Fizemos isso por motivos estéticos e gnoseológicos (relativo ao conhecimento). O livro ainda é o meio ideal para aprender. Não precisa de eletricidade, e você pode riscar à vontade. Achávamos impossível ler textos no monitor do computador. Mas isso faz dois anos. Em minha viagem pelos Estados Unidos, precisava carregar 20 livros comigo, e meu braço não me ajudava. Por isso, resolvi comprar um iPad. Foi útil na questão do transporte dos volumes. Comecei a ler no aparelho e não achei tão mau. Aliás, achei ótimo. E passei a ler no iPad, você acredita? Pois é. Mesmo assim, acho que os tablets e e-books servem como auxiliares de leitura. São mais para entretenimento que para estudo. Gosto de riscar, anotar e interferir nas páginas de um livro. Isso ainda não é possível fazer num tablet.

ÉPOCA – Apesar da evolução, o senhor vê a internet como um perigo para o saber?
Eco – 
A internet não seleciona a informação. Há de tudo por lá. A Wikipédia presta um desserviço ao internauta. Outro dia publicaram fofocas a meu respeito, e tive de intervir e corrigir os erros e absurdos. A internet ainda é um mundo selvagem e perigoso. Tudo surge lá sem hierarquia. A imensa quantidade de coisas que circula é pior que a falta de informação. O excesso de informação provoca a amnésia. Informação demais faz mal. Quando não lembramos o que aprendemos, ficamos parecidos com animais. Conhecer é cortar, é selecionar. Vamos tomar como exemplo o ditador e líder romano Júlio César e como os historiadores antigos trataram dele. Todos dizem que foi importante porque alterou a história. Os cronistas romanos só citam sua mulher, Calpúrnia, porque esteve ao lado de César. Nada se sabe sobre a viuvez de Calpúrnia. Se costurou, dedicou-se à educação ou seja lá o que for. Hoje, na internet, Júlio César e Calpúrnia têm a mesma importância. Ora, isso não é conhecimento.

(mais…)

‘O sistema colocou uma máscara de ferro no mercado editorial’, diz André Schiffrin

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Imagem Google


Iona Teixeira Stevens, no PublishNews

Começou ontem o Simpósio Internacional Livros e Universidades da Edusp. Na primeira mesa, André Schiffrin, da New Press, falou sobre conglomeração e monopólio nas mídias. Já o acadêmico Laurence Hallewell, da universidade de Columbia, contou sobre sua experiência como pesquisador da História do livro no Brasil. Paulo Franchetti, diretor editorial da Editora da Unicamp, refletiu sobre o papel das editoras universitárias.

André Schiffrin fez uma apresentação incisiva, lançando inúmeras críticas sobre o rumo da indústria editorial nos últimos anos. Comentando sobre a fusão Penguin Random House e a compra da Mondadori, ele ressaltou que a maioria dos grupos que possuem editoras têm outros interesses, maiores e mais lucrativos, como é o caso da Bertelsmann, News Corp, Pearson etc. O objetivo das fusões seria então “não perder tanto dinheiro com livros”. O resultado, segundo ele, são menos pessoas, e menos livros. “Hoje em dia as editoras têm mais contadores que editores. E não são os contadores que vão perder o emprego com as fusões”, disse o publisher, que possui 55 anos de mercado, “a Random house tem orgulho do fato de estar em cima de um cemitério de umas duzentas editoras pequenas, que hoje não passam de selos colocados nos livros na saída da linha de impressão” critica o editor.

Mas, para Schiffrin, a maior mudança no mercado editorial aconteceu quando os grupos passaram a exigir que todos os livros tivessem lucro: “Não podíamos mais dizer ‘vamos usar a receita do nosso best seller para financiar Foucault’. Todo mundo sabe que você tem que ir devagar com os livros importantes”. E isso afeta as editoras universitárias também. Schiffrin conta o caso da editora universitária de Oxford, na Inglaterra, cujos publishers devem ter retorno de 1 milhão de dólares pelos livros por ano. “Isso exclui livros difíceis e politicamente inovadores.” Ele lembra que , nos anos 50 e 60, o catálogo das editoras comerciais era similar ao das universitárias, e que hoje isso mudou. “Com uma indústria que publica milhares de livros por ano, é interessante entrar numa livraria e ver o que não está lá”, lamenta André Schiffrin.

A Amazon também não escapa de sua crítica: “A Amazon já declarou que quer ‘eliminar o meio de campo’, ou seja, as livrarias. Eles querem, com os preços que colocam nos livros, acabar com o paperback. E sem o paperback as editoras não se sustentam”. A previsão de Schiffrin é pessimista, ele acredita que no futuro haverá 5, 4 ou até 3 editoras em cada país controlando o mercado editorial: “O sistema colocou uma máscara de ferro no mercado editorial”.

O acadêmico Laurence Hallewell fez um apanhado de sua palestra sobre a aparição do livro, mostrando como a tipografia influenciou a expansão das línguas na Inglaterra, Itália, França, Portugal e Brasil. Também explicou a origem de seus estudos sobre a história do livro no Brasil. “A superioridade física e estética dos livros brasileiros em relação aos da região da América latina despertou meu interesse nesse mercado no país” disse Hallewell, em português correto e com sotaque que poderia ser ao mesmo tempo do Rio de Janeiro, Portugal e Goa. Ele concluiu a mini-palestra com o caso do da língua tupi guarani na indústria editorial nacional. “Esquecemos até quando o tupi guarani sobreviveu, e a importância que teve no início da colonização. O Brasil poderia ter tido destino igual a do Paraguai, expressando-se e sentindo o mundo pelo guarani e usando a língua velha da Europa pra questões de governo”.

Já Paulo Franchetti, diretor da editora da Unicamp, afirmou que não vinha como exemplo de sucesso, mas de problema das editoras universitárias brasileiras. Para ele, há duas diferenças entre as editoras comerciais e as universitárias. Primeiramente, a produção dos livros por docentes; o intuito de utilizar os títulos na sala de aula; o papel na formação de bibliotecas universitárias e a avaliação criteriosa dos pares caracterizam as editoras universitárias. Em segundo lugar está o retorno acadêmico, e não financeiro, que buscam as editoras universitárias, diferentemente de editoras comerciais voltadas para o mundo acadêmico. “Eu creio que as editoras universitárias de primeira linha possuem não um lugar concorrente, mas um lugar que ninguém mais ocupa, de formação de catálogo especializado e de intervenção no mercado de forma ‘anti-mercadológica’”. Franchetti também só vê interesse em editoras universitárias que publicam títulos com abrangência nacional, não apenas regional, e que ainda não compensa investir em livros digitais. “O custo de produção é muito alto, representa 30% de um livro em papel. O público é restrito, não temos como fazer esse investimento e ter o retorno com livro digital.”

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