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Premiê francês revela que lia literatura brasileira na infância

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Manuel Valls disse que Brasil é mais do que "música, feijoada e futebol". Presidente François Hollande já tinha visitado o pavilhão brasileiro no sábado. REUTERS/Philippe Wojazer

Manuel Valls disse que Brasil é mais do que “música, feijoada e futebol”. Presidente François Hollande já tinha visitado o pavilhão brasileiro no sábado.
REUTERS/Philippe Wojazer

Publicado na RFI

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, visitou o 35º Salão do Livro de Paris neste domingo (22). De passagem pelo pavilhão brasileiro no evento, o premiê revelou que apreciava a literatura do Brasil na infância.

Com reportagem de Adriana Brandão

Questionado pela RFI Brasil, o socialista disse que não apenas conhece obras brasileiras, como era fã de José Mauro de Vasconcelos, autor de Meu Pé de Laranja Lima.

“Sim, eu lia bastante quando eu era pequeno, inclusive livros infantis da literatura brasileira. E agora vou descobrir quem são os novos autores brasileiros”, afirmou o premiê, ao entrar no estande do Brasil, homenageado nesta edição do evento, um dos maiores do mundo.

O Brasil é o único país a ser celebrado duas vezes pelo salão francês – a primeira vez tinha sido em 1998. Segundo Valls essa ocasião coloca em evidência a parceria estreita entre Paris e Brasília em diversas áreas.

“Já temos laços extraordinários entre o Brasil e a França, começando pelas relações econômicas, mas também relações culturais, a música, os livros. Tivemos muitos autores e artistas brasileiros aqui, como os exilados nos anos 1960 e 1970”, lembrou o primeiro-ministro. “Agora, tem uma nova literatura, novos autores, e o salão é uma ocasião para descobrir este imenso país que é o Brasil. Não é só a música, a feijoada e o futebol: tem também a literatura”, brincou. “O Brasil é um país magnífico, e magnífico também pela sua literatura e a sua poesia – não podemos jamais esquecer.”

A delegação oficial brasileira era inicialmente composta por 48 escritores, mas cinco desistiram de vir a Paris, por motivos pessoais ou profissionais. A seleção dos autores visa mostrar a vitalidade e a diversidade da literatura nacional.

O Salão do Livro de Paris abriu as portas na sexta-feira (20), no centro de convenções da Porte de Versailles, e se encerra em 23 de março. No total, são esperados até 200 mil visitantes são esperados. Além do Brasil, a feira conta com 1,2 mil expositores e 30 mil profissionais da edição de 50 países.

Literatura brasileira precisa reconquistar franceses, dizem jornais

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Cartaz do Salão do Livro promovendo encontro com escritores brasileiros Foto: DR

Cartaz do Salão do Livro promovendo encontro com escritores brasileiros
Foto: DR

Publicado na RFI

Por ocasião da abertura do Salão do Livro de Paris, que tem o Brasil como convidado de honra, os principais jornais franceses trazem nesta quinta-feira (19) extensas reportagens e críticas sobre a literatura brasileira. Desconhecida do grande público francês atualmente, a produção literária do Brasil deve ganhar maior visibilidade com a presença de 48 autores em um dos principais eventos mundiais do setor.

Com o título “Uma literatura exuberante”, o suplemento de literatura do jornal Le Figaro dedica duas páginas para explicar a desconexão que se estabeleceu entre os leitores franceses e a produção literária do Brasil. Por outro lado, a edição traz uma lista com nomes de vários escritores que já tiveram suas obras traduzidas para a língua de Voltaire, como Sérgio Rodrigues, Adriana Lisboa, Luiz Ruffato e Paulo Lins.

Em uma retrospectiva histórica, Le Figaro lembra que jovens talentos do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte se inspiraram em autores franceses como Victor Hugo, Guy de Maupassant e Charles Baudelaire para iniciar suas carreiras. Muitos deles, lembra o diário, se encontraram a partir do final do século 19 na Academia Brasileira de Letras, inspirada na mesma existente na França.

O interesse pela produção literária brasileira se estendeu ainda por vários anos depois que Blaise Cendrars divulgou a “efervescência criativa” que observou no movimento modernista dos anos 20. Segundo o jornal, a vinda a Paris de autores fugindo da ditadura militar (1964-1985) ajudou a manter os laços entre os dois países, mas, depois, a relação conheceu uma “distensão”.

Palavras de editores

Na falta de uma explicação precisa, o presidente e fundador da Companhia das Letras, Luiz Schwarcz, sugere, em entrevista ao jornal, que a literatura do Brasil perdeu espaço na França devido a falta de editores que leem português e a pouca disposição de agentes de editoras brasileiras em promover os autores do país. Schwarcz acredita que alguns nomes da nova geração poderão contribuir para ocupar esse vazio, preenchido, por enquanto, por famosos como Chico Buarque e Bernardo de Carvalho.

Em entrevista ao Le Figaro, Michel Chandeigne, fundador da livraria portuguesa e brasileira, considera que a literatura verde-amarela só não é mais divulgada na França pela falta de um grande autor que seja ao mesmo tempo popular e de uma grande qualidade literária.

Em relação aos grandes escritores brasileiros do século 20, como Guimarães Rosa e Carlos Drummond de Andrade, o editor Chandeigne explica que o autor de Grande Sertão Veredas morreu jovem demais (aos 59 anos) e sua genialidade só é percebida quando se lê sua maior obra no original.

No entanto, ele não tem explicação para o desconhecimento de Drummond, “uma injustiça total”.Chandeigne lamenta que sua poesia “magnífica e popular” tenha sido tão mal traduzida na França. Drummond mereceria um Nobel de Literatura, tanto quanto Clarice Lispector, opina o editor francês.

Muitos autores contemporâneos brasileiros encontram seu público na França, como Bernardo de Carvalho e Milton Hatoum, exemplifica. O problema, insiste Chandeigne, é que não surgiu mais nenhuma figura emblemática da literatura como Jorge Amado, autor conhecidíssimo e “que todo mundo tinha vontade de ler”.

A versão francesa de Bahia de todos os Santos, de 1938, atingiu mais de 100 mil exemplares, feito que permanece histórico. “Ninguém o substituiu. Mas também é a época em que vivemos que reflete isso. O interesse do público é mais esparso e diversificado que antes”, concluiu.

Literatura brasileira atual e realidade urbana

Em um longo artigo de capa no suplemento conhecido como “O Mundo dos Livros”, o correspondente no Brasil do vespertino Le Monde, Nicolas Bourcier, viajou por São Paulo e Rio de Janeiro para revelar a característica atual da produção cultural no país.

A peça de teatro Puzzle, de Felipe Hirsch, que explora um painel de palavras presentes no cotidiano dos brasileiros, é o ponto de partida para o jornal ilustrar a tendência verificada de artistas e autores de se inspirarem cada vez mais na realidade, muitas vezes cruel, para expressar sua arte. “O país abandonou definitivamente o realismo mágico para enfrentar cruamente e concretamente uma realidade cada vez mais complicada”, explicou Hirsch ao Le Monde.

Para o jornal francês, a escolha dos escritores para participar do Salão do Livro de Paris revela esse novo paradigma da produção brasileira. A constatação é confirmada pela comissária do Salão, a professora e filósofa Guiomar de Grammont que disse ao Le Monde: “O autor quer falar agora do que ele vive, do que ele vê”.

Outro entrevistado pelo jornal, Godofredo de Oliveira Neto, professor de literatura e escritor também presente no Salão do Livro, explica que os intelectuais não representam mais um papel intermediário na sociedade, como já foi o caso de Jorge Amado ou Guimarães Rosa.

“É como se os autores brasileiros assumissem seu papel político e cultural. Eles escrevem sobre seu bairro e até promovem a leitura de suas obras nas periferias para mostrar que a cidade pertence a eles também e que eles não estão excluídos”, explicou o escritor. “O Brasil se lê, então, cru. E se alimenta do racionalismo urbano”, constata o correspondente do Le Monde.

O suplemento do diário traz resenhas críticas de quatro autores que terão suas obras presentes no Salão, entre eles, o livro de estreia de Fernanda Torres, Fim, traduzido pela editora Gallimard. O crítico Frédéric Potet afirma que a atriz utilizou seu primeiro romance para criticar ferozmente o culto da aparência que se instalou no Brasil.

Charlie Hebdo esgota nas bancas da França, que têm filas

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Homem exibe nova edição de Charlie Hebdo em frente à banca que exibe cartaz informando o fim da publicação no estoque (Foto: Philippe Huguen/AFP)

Homem exibe nova edição de Charlie Hebdo em frente à banca que exibe cartaz informando o fim da publicação no estoque (Foto: Philippe Huguen/AFP)

Publicado na Exame

A edição especial da revista satírica “Charlie Hebdo”, a primeira lançada após o atentado contra sua sede, se esgotou rapidamente nesta quarta-feira, desde o início da manhã, nas bancas de jornal da França, que chegaram a registrar filas de pessoas interessadas na polêmica publicação.

Em Paris, a maioria das bancas do centro da cidade ficaram sem exemplares antes das 8h locais (5h de Brasília) e dois jornaleiros contaram à Agência Efe que as revistas esgotaram em poucos minutos.

Nas estações do metrô, também se formaram filas em frente aos pontos de venda, que se dispersavam assim que era anunciado o fim dos exemplares da revista.

Vários vendedores de jornais e revistas relataram que não fizeram reservas para os clientes que tinham solicitado porque acreditam que vão receber novas remessas nas próximas horas e nos próximos dias.

A “Charlie Hebdo” tinha informado que a edição especial após o atentado teria uma tiragem de 1 milhão de exemplares, mas acabou elevando esse número para 3 milhões devido aos pedidos do mundo todo.

Na França, a venda nas bancas de jornal será escalonada durante vários dias.

A capa da edição histórica, que mostra o profeta Maomé com um cartaz que diz “Je Suis Charlie” (Eu sou Charlie) e a manchete “Tudo está perdoado”, voltou a gerar polêmica no mundo muçulmano.

Ataque amplia polêmica sobre livro que retrata França islamizada em 2022

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Um novo livro retratando uma França que, no futuro, vive totalmente sob leis islâmicas chegou nesta quarta-feira às livrarias ─ justamente no dia do ataque à revista satírica francesa Charlie Hebdo, em Paris. Testemunhas afirmam que os atiradores gritaram palavras em árabe, levantando suspeitas de que seriam extremistas islâmicos.

Romance de Michel Houellebecq chegou às livrarias nesta quarta-feira e foi tema da última edição do 'Charlie Hebdo'

Romance de Michel Houellebecq chegou às livrarias nesta quarta-feira e foi tema da última edição do ‘Charlie Hebdo’

Publicado por BBC

Apesar de não haver nenhum indício de que o atentado estaria relacionado à novela “Soumission” (Submissão), do premiado e provocativo autor francês Michel Houellebecq, o crime pode dar publicidade ao livro e incentivar ainda mais as vendas.

Em sua edição mais recente, a Charlie Hebdo traz justamente Houellebecq e seu livro em sua capa. Nas páginas internas da revista, há também outro elemento que vem sendo chamado de “premonitório”, uma charge com um jihadista ao lado da frase “A França segue sem atentados”. O cartum foi feito por Charb, um dos 12 mortos no atentado desta quarta-feira.

O romance “Soumission” tem causado polêmica ao retratar o país como uma sociedade islâmica onde universidades são forçadas a ensinar o Corão, o livro sagrado do islamismo, mulheres usam o véu e a poligamia é permitida.

Segundo a obra de ficção, no ano de 2022, a França segue em seu lento colapso e o líder de um partido muçulmano assume como novo presidente do país.

Mulheres são incentivadas a deixar seus trabalhos e o desemprego cai. O crime evapora. Véus se transformam na nova regra e a poligamia é autorizada. As universidades são forçadas a ensinar o Corão.

Críticos de Houellebecq dizem que seu livro inflama a islamofobia e dá credibilidade intelectual a autores considerados "neo-reacionários"

Críticos de Houellebecq dizem que seu livro inflama a islamofobia e dá credibilidade intelectual a autores considerados “neo-reacionários”

Inativa e decadente, a população volta a seus instintos colaborativos. E aceita a nova França islâmica.
Mesmo antes de seu lançamento, o livro já vinha provocando debates e levantando questões como se o livro seria uma peça favorável ao temor anti-Islã disfarçado de literatura ou se o livro ajuda a extrema-direita.

Ou, pelo contrário, estaria Houellebecq simplesmente fazendo o trabalho de um artista: segurando um espelho para o mundo, talvez exagerando, mas honestamente dizendo as verdades mais profundas?
O tema é ainda mais intenso porque o Islã e identidade já estão no centro de um debate nacional feroz na França.

Grande sucesso

No ano passado, a Frente Nacional ─ anti-imigração ─ conquistou um avanço extraordinário ao vencer uma eleição nacional ─ para o Parlamento Europeu ─ pela primeira vez.

A líder do partido Marine Le Pen é uma das apostas para as eleições presidenciais de 2017. E em Soumission, é para evitar que ela seja reeleita que outros partidos apoiam o carismático Mohammed Ben Abbes.

Críticos de Houellebecq dizem que seus livros emprestam uma credibilidade intelectual para autores considerados “neo-reacionários”.

Para Laurent Joffrin, do jornal de esquerda Libération, Houellebecq acaba favorecendo Marine Le Pen.

“Intencionalmente ou não, o livro tem uma clara ressonância política”, disse. “Uma vez que o furor da mídia arrefecer, o livro será visto como um momento-chave na história das ideias ─ quando a tese da extrema direita entrou, ou reentrou, na literatura.”

Outros críticos foram além. “Esse livro me deixa enojado… me sinto insultado. O ano começa com a islamofobia disseminada na obra de um grande novelista francês”, disse o apresentador de TV Ali Baddou.

Por outro lado, defensores de Houellebecq dizem que ele trata de assuntos que as elites ligadas à esquerda fingem que “não existe”.

Cabu, Charb, Tignous e Georges Wolinski são mortos em atentado a jornal na França

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Saiba quem eram os cartunistas; ataque deixou 12 mortos e 10 feridos

Bruno Silva, no Omelete

Os cartunistas franceses Charb, Cabu, Tignous e Georges Wolinski foram assassinados em um atentado terrorista à redação da revista satírica Charlie Hebdo, em Paris, nesta quarta-feira (7). Segundo a polícia francesa, o ataque com rifles automáticos deixou 12 mortos e 10 feridos (quatro em estado grave).

A revista já havia sido alvo de um ataque, após publicar uma charge do profeta Maomé. Segundo a polícia francesa, que já protegia a sede da Charlie Hebdo desde 2006, quando as primeiras caricaturas de Maomé foram publicadas, os autores do atentado desta quarta teriam gritado “Vingamos o Profeta!”, em referência à charge que irritou os extremistas.

Georges Wolinski

Georges Wolinski

Georges Wolinski tinha 80 anos e começou sua carreira nos anos 1960, na revista satírica Hara-Kiri. Em meio aos revolucionários protestos estudantis de 1968, Wolinski cofundou a revista satírica L’Enragé, com Siné. Na década de 1970, ele colaborou com Georges Pichard para criar a controversa personagem Paulette, na revista Charlie Mensuel. No Twitter, o cartunista André Dahmer (Malvados), lamentou sua morte. “Wolinski influenciou todo mundo que vocês conhecem: Ziraldo, Jaguar, Nani, Henfil, Fortuna… O cara era uma escola. Que dia tenebroso!”, escreveu.

Cabu

Cabu

Morto aos 76 anos, Cabu (nome artístico de Jean Cabut) também começou a carreira nos anos 1960 e foi um dos fundadores da Hara-Kiri. Nos anos 1970 e 1980, ficou famoso ao desenhar para o programa infantil Récré A2. Sua criação mais popular é Mon Beauf, uma sátira do esterótipo machista e racista do francês que, de tão popular, acabou virando um adjetivo para todos os homens com esse tipo de comportamento na França.

Charb

Charb

Charb (nome artístico de Stéphane Charbonnier) tinha 47 anos e era o diretor do Charlie Hebdo. Sua carreira foi marcada por tiras com críticas ao governo, como Maurice et Patapon, que tinha um cachorro e um gato anti-capitalistas. Charb também era ligado ao Partido Comunista Francês. Em 2013, após a publicação da charge de Maomé, ele foi colocado na lista de mais procurados da organização terrorista Al-Qaeda.

Tignous

Tignous

Morto aos 58 anos, Tignous (nome artístico de Bernard Velhac), começou a publicar em 1991 e, além da Charlie Hebdo, também desenhou para as revistas Marianne e Fluide glacial.

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