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Posts tagged França

Matemático brasileiro receberá Legião de Honra na França

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Artur Ávila, brasileiro naturalizado francês ganhou medalha Fields. THOMAS SAMSON/AFP

Artur Ávila, brasileiro naturalizado francês ganhou medalha Fields. THOMAS SAMSON/AFP

Publicado no O Povo

O matemático brasileiro naturalizado francês Artur Ávila; o escritor Patrick Modiano, Prêmio Nobel de Literatura no ano passado; e o economista Thomas Piketty, os dois últimos gauleses; figuram entre os novos condecorados pela Legião de Honra, relação divulgada ontem no Diário Oficial francês, em Paris. A lista conta com 691 contemplados em diversos graus, entre os quais 571 cavaleiros, 95 oficiais, 19 comendadores, cinco grandes oficiais e um único grã-cruz, o resistente e historiador da Segunda Guerra Mundial Jean-Louis Crémieux.

Ávila, de 35 anos, ganhador da Medalha Fields 2014, a recompensa mais prestigiada no campo da matemática, foi nomeado cavaleiro a título excepcional, já que a sua idade o impede de cumprir o critério de 20 anos de atividade exigidos para receber a condecoração. Também foi o caso da enfermeira de 29 anos, sobrevivente do vírus ebola, integrante da organização Médicos sem Fronteiras (MSF), 29, sem ter o nome divulgado, que vai receber a medalha a título excepcional, explicou a Grande Chancelaria da Legião de Honra. Infectada pelo vírus durante a sua missão na Libéria e repatriada em 19 de setembro à França, a jovem recebeu alta no início de outubro.

Já Piketty, cujo livro O capital no século XXI vendeu 1,5 milhão de exemplares, foi nomeado cavaleiro. Piketty, no entanto, reagiu afirmando que””rejeita sua designação” para receber a Legião de Honra: “Acabo de saber que haviam proposto meu nome para a Legião de Honra. Rejeito esta designação, já que não acredito que seja papel do governo decidir quem é honorável”, declarou Piketty,. Acrescentou que “valeria mais que se consagrasse a recuperação do crescimento na França e na Europa”. (das agências de notícias)

Livros e drones estão entre presentes preferidos dos franceses no Natal

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Apesar da crise persistente, os franceses jamais deixaram de reservar uma quantia considerável do orçamento para o Natal. Neste ano, a estimativa é de que cada francês gaste € 518 (R$ 1.680) nas comemorações da principal festa católica. Entre os presentes mais pedidos ao Papai Noel estão os tradicionais, como livro, e novidades tecnológicas, em especial os brinquedos conectados.

Publicado no RFI

As tradicionais Galerias Lafayette, em Paris. A. Notaras

As tradicionais Galerias Lafayette, em Paris.
A. Notaras

Completam a lista roupas, tablets, celulares e brinquedos clássicos há muitas gerações, como Lego e Playmobil. Para as meninas, a coleção de bonecas Violetta é uma novidade que agradou neste Natal.

Mas segundo uma pesquisa realizada pela agência Deloitte, o bom e velho livro é o presente mais desejado pelos franceses, pela primeira vez em 17 anos. “Estamos vendendo bem mais livros do que no ano passado. Será que os pais querem trazer os filhos de volta para produtos mais tradicionais, em um momento em que eles estão cada vez mais diante das telas, em vez de verdadeiros livros? Não sei. O que eu sei é que estamos vendendo muitos livros”, constata Agnès Vigneron, diretora das Galerias Lafayette, um templo das compras em Paris.

No lado oposto, os produtos de tecnologia continuam em destaque entre os mais pedidos no Natal. E em 2014, os chamados brinquedos conectados chamam a atenção das crianças, como bonecos que interagem uns com os outros, os Dizzy Birds, ou a boneca Kyla, que canta e conta histórias. Os drones também se adaptaram ao público infantil.

“A venda de produtos com controle remoto, como drones, está funcionamento muito bem. Digamos que os pais encontraram o substituto do trem elétrico para brincar com os seus filhos”, analisa a diretora das Galerias Lafayette.

Presentes clássicos são garantia de agradar

Já os adultos gostam de presentear os próximos com roupas para o inverno: blusões, luvas e toucas são as peças mais vendidas. Os produtos de perfumaria e beleza também são uma escolha segura.

“Estamos vendendo um perfume a cada 30 segundos, neste momento. Todos os objetos um pouco personalizados, exclusivos, como gravar uma palavra no perfume, vendem bem”, destaca Pierre Pellarey, diretor-geral da Printemps Haussmann, outra das famosas lojas de departamentos de Paris. “O esmalte Louboutin em forma de salto agulha também está funcionando muito bem.”

Agnes Vigneron observa que, em geral, os franceses preferem não ousar na hora de escolher um presente de Natal. “A data permanece um momento de festa familiar, então o francês gosta de dar um presente que ele tem certeza de que vai agradar. As coisas que estão na moda demais ou são vistas como superficiais demais em geral não são a escolha para dar de Natal.”

Estrangeiros trazem alívio para receitas

As lojas devem se contentar com lucros baixos, já que a crise continua a afetar o poder aquisitivo dos franceses. Na Printemps, Pellarey percebe que os gastos dos clientes estrangeiros, principalmente chineses e árabes, compensam as limitações financeiras dos parisienses.

“Continuamos a sentir a crise neste ano, em especial na clientela local, que talvez segure mais nas compras. Nós temos a vantagem de poder contar com a clientela local e internacional, que aumentou bastante em dezembro, o que não é comum”, constata.

Brasileiros sumiram

Os dois diretores ressaltam que o número de turistas brasileiros caiu bastante em 2014 – eles saíram do ranking das 10 nacionalidades que mais compram. “Faz dois anos que há menos brasileiros. Com a forte desvalorização do real, sentimos uma verdadeira queda dessa clientela”, afirma Vigneron. “Temos bem menos. Não temos mais visto brasileiros”, diz Pellarey.

Apesar de permanecer elevado, o orçamento médio dos franceses para o Natal registrou queda de 3,8% em 2014.

Loucura narrada por Machado de Assis chega à França em história em quadrinhos

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Publicado no Yahoo

Paris, 13 dez (EFE).- Fábio Moon e Gabriel Bá desembarcaram na França com a adaptação para quadrinhos de “O alienista”, inspirada em um conto sobre a loucura de Machado de Assis, um dos grandes escritores da literatura brasileira e do realismo latino-americano.

“O maior desafio foi respeitar o que acho que é a força do original, o engenho e a ironia no emprego das palavras, e transportá-lo à história em quadrinhos acrescentando uma camada visual à história”, explicou à Agênca Efe Moon, roteirista do romance gráfico editado pela Urban Comics na França, o maior mercado da Europa.
Nesta edição o destino de Simón Bacamarte, um obstinado cientista dedicado a decifrar as chaves da demência é descrito em 70 páginas.

Em Itaguai, no interior do Rio de Janeiro, Bacamarte funda a Casa Verde, onde interna os desequilibrados da cidade para estudar as várias dimensões da loucura.

O metódico doutor causa uma onda de medo e indignação ao começar a internar notáveis da cidade, a quem acusa de ter perdido suas faculdades mentais.

A espiral gerada por Bocamarte cria uma história em quadrinhos interessante tanto para “quem gosta de Machado e para que só quer um bom história em quadrinhos e nunca tinha ouvido falar do original”, resumiu Moon, de 38 anos e amante de autores como Moebius, Cyril Pedrosa, Frederik Peeters, Gipi, Toppi, Emanasse e Hugo Pratt.

Moon escolheu o conto “O Alienista”, escrito em 1882 por Machado de Assis (1839-1908), um clássico da literatura brasileira e latino-americana, porque tenta trabalhar com histórias que tenham “potencial para alcançar uma audiência mais ampla que só a brasileira”, comentou.

E entregou os lápis a seu irmão gêmeo, que desenhou um livro em preto e sépia.
“Na França a história em quadrinhos tem muito boa recepção, boa leitura e boa discussão. Sinto que posso participar disso se meu trabalho for lido ali”, explicou Moon, que considera que o universo brasileiro da história em quadrinhos nos últimos anos está crescendo e se diversificando.

“Durante muito tempo, os artistas brasileiros queriam fazer histórias em quadrinhos bem para crianças, de super-heróis ou ‘underground’. Agora há todo tipo de quadrinhos, de tamanhos, extensões, estilos e vozes. É um grande momento para fazer quadrinhos no Brasil embora a maioria dos artistas não possam viver só disso”, explicou.

Além disso, Moon acaba de terminar, junto com seu irmão, o álbum “Dois Irmãos”, uma adaptação do escritor brasileiro contemporâneo Milton Hatoum, que descreve como a história em quadrinhos “maior e mais complexa” que enfrentou desde “Daytripper” (2010) e que será lançada no país em março. EFE

Site francês usa foto de mulheres de biquíni ao noticiar participação brasileira em evento literário

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Uma das revistas mais importantes da França, ‘Le nouvel observateur’ falou sobre os escritores convidados ao Salão do Livro de Paris

Site francês usa foto de mulheres de biquini ao noticiar participação brasileira no Salão do Livro de Paris - Reprodução

Site francês usa foto de mulheres de biquíni ao noticiar participação brasileira no Salão do Livro de Paris – Reprodução

Bolívar Torres, em O Globo

A lista dos 48 autores que representarão o Brasil no Salão do Livro de Paris, que acontece entre 20 e 23 de março de 2015, acaba de ser anunciada. E a polêmica já começou — não por causa dos nomes escolhidos, mas sim por causa de uma matéria publicada no site da revista francesa “Le nouvel observateur”, uma das mais importantes do país. Ao noticiar os escritores convidados do Brasil, país homenageado no evento, o semanário usou a foto de três mulheres de biquíni, na praia, em poses sensuais. Uma imagem que pouco diz sobre literatura — e que ainda reforça clichês sobre a imagem do Brasil.

Na legenda da foto, o site informa que se trata de “Torcedoras brasileiras, na última copa do mundo”. Mas uma simples busca no Google mostra que as modelos na foto sequer são brasileiras, e sim dançarinas inglesas que posaram num ensaio temático sobre o Brasil. Ironicamente, a matéria também destaca que a seleção de autores tem como objetivo “refletir a riqueza da produção intelectual contemporânea” do país. Nas redes sociais, editora e tradutora francesa Paula Anacaona, que publica alguns dos autores convidados na França, repudia a reportagem.

“Olhem o que uma revista francesa colocou para ilustrar o artigo sobre o convite do Brasil no Salon du Livre… Desesperador, né??”, escreveu em seu perfil no Facebook.

— Quando vi essa foto, pensei que era uma brincadeira. Mas não, o jornalista não fez uma brincadeira — diz Paula, em entrevista por email. — Ele quis ilustrar o seu artigo sobre o Brasil e a Feira do livro e pensou nisso: praia, biquíni… É justamente contra esse tipo de preconceito que eu batalho todo dia aqui, com minha editora especializada no Brasil. Na cabeça do francês, o Brasil não é um pais literário. Por mais que você tente, por mais dinheiro você gaste, parece que os franceses não querem deixar de lado esse estereótipo. Sou uma otimista, tenho fé que um dia isso mude, mas às vezes dá vontade de chorar de desespero.

Ela ironiza:

— Será que vou pedir para meus autores, quando chegarem em Paris, vestirem um biquíni nas palestras?

Para a escritora Carola Saavedra, uma das convidadas do evento, “não há como não comentar a foto”.

— É como se, ao anunciar a França como país convidado para um evento literário no Brasil, utilizássemos fotos de dançarinas de cancan — diz.

Outra representante brasileira, Tatiana Salem Levy definiu a matéria como “triste”.

— Significa que teremos trabalho pela frente, lá no salão mesmo, para ver se um dia conseguimos mudar esse clichê do Brasil — opina. — É sempre assim, onde há Brasil, há mulher de biquini e futebol. Por isso, é tão importante investirmos na exportação da literatura, do cinema, do teatro, das artes plásticas. Assim, com o tempo, pode ser que isso mude e em vez de fotos de mulheres de biquíni vejamos fotos de escritores.

Carta inédita de Camus para Sartre é encontrada na França

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Publicado por Folha de S.Paulo

Uma carta inédita do escritor Albert Camus ao filósofo Jean-Paul Sartre foi encontrada recentemente e confirma a relação amistosa entre os dois intelectuais poucos meses antes da ruptura em 1952.

A briga aconteceu depois da publicação do ensaio “O Homem Revoltado” de Camus, obra que Sartre rejeitou de maneira taxativa.

A carta, que teve a autenticidade comprovada por um especialista, começa com a saudação “meu querido Sartre” e termina com “eu aperto sua mão”.

O escritor argelino Albert Camus em foto de Henri Cartier-Bresson / Henri Cartier-Bresson

O escritor argelino Albert Camus em foto de Henri Cartier-Bresson / Henri Cartier-Bresson

No texto, Camus recomenda a Sartre a atriz “Aminda Valls, amiga de María (Casares, famosa atriz, que foi amante de Camus) e minha, republicana espanhola, que é uma maravilha de humanidade”.

No início de 1951, Sartre preparava o lançamento da peça “O Diabo e o Bom Deus”.

Na montagem, María Casares teve o papel de Hilda, mas Aminda Valls não fez parte do elenco.

“A carta havia sido comprada por um colecionador de autógrafos nos anos 70”, disse Nicolas Lieng, especialista em literatura do século XIX e XX, intermediário na venda do documento a um dos colecionadores privados mais importantes de artigos de Camus.

A carta não tem data, mas, levando em consideração alguns eventos mencionados, especula-se que tenha sido escrita em março ou abril de 1951.

Seis meses depois do envio da carta, Camus publicou “O Homem Revoltado” e, pouco depois, Sartre rompeu a amizade entre os dois, queimando quase toda a correspondência trocada.

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