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Editoras brasileiras fazem suas apostas em Frankfurt

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Movimento em estande na Feira do Livro de Frankfurt
Reuters

Publicado originalmente no Estadão.com

Na Feira do Livro de Frankfurt não se compram livros, como nas bienais e feiras brasileiras. As obras são expostas nos estandes para chamar a atenção dos editores internacionais, já que o que se negocia durante o evento é o direito de publicar tais títulos nos mais diversos idiomas. A movimentação começa antes da feira, dura os dias do evento – de amanhã até domingo – e, em alguns casos, compras podem se resolver só quando todos os profissionais do mercado editorial internacional que vão passar esta semana na Alemanha já tiverem voltado para casa.

Nos últimos dias, as editoras têm recebido enormes quantidades de originais e propostas de livro e algumas já começaram a comprar o que o brasileiro verá nas livrarias em alguns meses ou anos. Muitos desses títulos oferecidos são da linha de livros românticos com conteúdo erótico, a sensação do momento.

João Paulo Riff, da agência literária Riff, acredita que esse segmento continuará em alta em Frankfurt e comenta que todas as editoras e agências têm uma grande aposta nessa área. Elas tanto acreditam que o fenômeno será duradouro que começam a criar selos específicos para essas obras. Um exemplo é a Mischef, da HarperCollins.

Para Pedro Almeida, diretor editorial da Lafonte, o esforço das editoras tem sido no sentido de acompanhar a literatura comercial, e isso não se resume apenas aos títulos eróticos. “Para muitas delas, é a diferença entre vida e morte. Até pouco tempo um grande grupo editorial se preocupava em descobrir talentos de alta literatura, alguém que pudesse ganhar prêmios e figurar nos cadernos literários dos jornais. Vejo agora que elas estão tentando encontrar uma fatia do mercado comercial, encomendando, inclusive, obras a seus autores consagrados”, explica. É a chance de chegarem às listas de mais vendidos.

No caso da literatura pornográfica que caiu no gosto dos leitores, não se trata, na opinião do editor, de modismo. “Os leitores sempre gostaram desse gênero, é apenas uma roupagem diferente para um produto já conhecido. E há menos preconceito agora com relação a esses livros .”

A própria Lafonte é uma das editoras que querem investir no segmento e já garantiu os direitos de pelo menos uma dezena de títulos, entre os quais uma trilogia de J. Kenner, cujo primeiro título, Release Me, só sairá nos Estados Unidos em janeiro. Também comprou quatro títulos de Sylvia Day, nas listas de mais vendidos com Toda Sua, primeiro da trilogia Crossfire, da Paralela, selo da Companhia das Letras.

Por falar em Sylvia Day e Paralela, a editora negocia, agora, outra série da autora, que mistura dois fenômenos editoriais recentes: a pornografia e anjos caídos. Outro título está a caminho pelo mesmo selo: Because You Are Mine, de Beth Kerry, lançado antes como e-book e que sairá em papel, nos Estados Unidos, no início do ano.

Pela Planeta sairão In Too Deep, de Portia da Costa, sobre uma bibliotecária que encontra bilhetinhos eróticos na caixa de sugestões do seu trabalho; The Stranger, em que uma viúva vê um homem desmemoriado e nu perto de sua casa e o convida para uma visita; e The Ninety Days Of Genevieve, de Lucinda Carrington, que traz a história de um homem que pede a uma mulher que por 90 dias ela se submeta a seus desejos.

Gabriel’s Inferno e Gabriel’s Rapture, sobre um professor que seduz a aluna, sairão pela Sextante. O primeiro, no início de 2013. Pela Bertrand, sairá 50 Shades Of Mr. Darcy, uma sátira ao best-seller 50 Tons de Cinza, que abriu caminho para todas essas publicações.

Dois outros títulos estão sendo leiloados agora: The Juliette Society, de Sasha Grey, e On Dublin Streets, obra autopublicada por Samantha Young, que em um mês vendeu 100 mil e-books..

Há também não ficção erótica. A Nova Fronteira vai publicar o guia sadomasoquista 50 Ways To Play: BDSM For Nice People, de Don e Debra Macleod.

Além da moda. Mas nem só de livros comerciais é feita a Feira de Frankfurt. A Intrínseca, que lucrou bem com Crepúsculo e 50 Tons de Cinza, deu o lance mais alto e levou o próximo livro adulto de Neil Gaiman: The Ocean At The End Of The Lane, que deve sair na Inglaterra e nos Estados Unidos em junho de 2013 e depois no Brasil. E isso é só o começo.

Feira do Livro de Frankfurt começa hoje com programação brasileira reforçada

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Imagem Google

Publicado originalmente na Folha de S. Paulo

Maior evento do mercado editorial do mundo, a Feira do Livro de Frankfurt vai abrigar, de quarta (10) a domingo, mais de 7.000 expositores e cerca de 3.200 eventos.

Temas como “crowdfunding” (financiamento coletivo via web), autopublicação e o livro digital irão ocupar boa parte da programação.

Para se destacar entre tantos destaques, o Brasil desembarca na Alemanha com uma programação reforçada. É uma forma, também, de abrir caminho para a edição de 2013, quando o país será homenageado pelo evento.

Na feira deste ano, nove autores brasileiros representarão o país em Frankfurt: Alberto Mussa, Andrea Del Fuego, Cristovão Tezza, João Paulo Cuenca, Luiz Ruffato, Marina Colasanti, Michel Laub, Milton Hatoum e Roger Mello. Em 2011, foram três.

No total, 46 editoras nacionais irão levar cerca de 2.600 títulos para o evento. A CBL (Câmara Brasileira do Livro) estima que os livros brasileiros irão movimentar mais de R$ 300 mil em vendas para outros países.

O estande brasileiro, que saltou de 216 m² (2011) para 330 m², terá exposição com fotos de autores consagrados (Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade) e palestras sobre tradução, literatura infantojuvenil e mercado editorial.

Hatoum, no último dia do evento, vai representar o Brasil em uma cerimônia simbólica sobre a homenagem do ano que vem.

Outra novidade será o lançamento do primeiro número da revista “Machado de Assis – Literatura Brasileira em Tradução”. A publicação trará exclusivamente trechos de livros brasileiros traduzidos em inglês e espanhol. A revista terá edições edições impressas (semestrais e gratuitas) e virtuais (trimestrais).

Participam deste primeiro número nomes como Alberto Mussa, João Paulo Cuenca e Joca Terron.

Apesar de ser focada essencialmente no mercado, a feira também abre espaço para debates literários. Entre os escritores internacionais confirmados estão a Nobel romeno-alemã Herta Müller, o americano Richard Ford e o neozelandês Lloyd Jones.

O lado mais pop deve ficar por conta de Arnold Schwarzenegger, que vai lançar sua biografia em Frankfurt.

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